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jace_beleren Lucas Vitoriano

Sangue, cadaveres e o cheiro inconfundível da morte, é isso que resta depois de uma sangrenta batalha. Entretanto, o lich Moandor depara-se com a general das tropas inimigas quase morta e sorri quando seu pensamento formula destinos sombrios para sua nova prisioneira.


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O lich

Notas do autor: Conto baseado no jogo Heroes of might and magic III.


A grama estava suja de sangue e os corpos dos guerreiros mortos podiam ser vistos por toda parte. Moandor cavalgava lentamente, sua montaria era um assustador cavalo-zumbi, de pelugem negra e com feridas expostas. O lado direito do rosto do animal estava em carne viva e era possível ver os ossos das costelas manchados com sangue seco. Entretanto, se a montaria era assustadora, seu cavaleiro o era ainda mais. Quando vivo, Moandor fora um poderoso cavaleiro, mas depois que se entregara as graças da magia negra, transformara a si mesmo em um lich, um morto vivo de grande poder. Seu corpo era deformado devido ao fato de desafiar as leis naturais da vida e da morte. Um corpo em decomposição, porém com uma força e um vigor assombrosos. Trajava uma armadura leve com um elmo de ferro a proteger-lhe a cabeça.

- Ah, o aroma da morte – disse com sua voz rouca e esganiçada. Seus olhos percorreram o que restou do campo de batalha. Era possível sentir o poder da morte pairando por toda parte.

Seu exercito era composto por mortos-vivos, esqueletos reanimados, vampiros e cavaleiros trajando armaduras negras. Seres amaldiçoados que vagavam entre a tênue linha que separa a vida da morte. Uma grande parte de sua tropa perecera naquela batalha, impossíveis de serem trazidos de volta até mesmo com necromancia. Entretanto, nenhuma dessas perdas eram realmente um problema. Muitos inimigos abatidos poderiam ser reanimados como zumbis leais e um reforço bem-vindo as tropas de Moandor.

Dentre os inimigos derrotados haviam medusas, minotauros e até mesmo troglodytes, monstros pequenos e ferozes de pele esverdeada e perigosas presas. Todo aquele exercito oriundo dos reinos subterrâneos de Earlogre dera um grande trabalho aos mortos-vivos comandados por Moandor, mas nada fora tão difícil lidar como o imenso dragão.

Agora o animal estava morto, caído inerte no chão com ferimentos por todo o corpo. Entretanto, fora preciso muito trabalho para derrubar aquela pungente e majestosa criatura com sua imensa ferocidade e poder. O dragão destruirá mortos-vivos com seu hálito flamejante, matando-os as dezenas. Quase metade das tropas de Moandor morreram lutando contra essa única criatura. Além das chamas, o rabo grosso, as garras e pressas afiadas eram armas letais. Com elas, o lagarto dilacerara inimigos como se estivesse a cortar papel.

Entretanto, nem todo o poder do dragão fora suficiente e, após horas de intensa batalha, a criatura tombara, sendo abraçada pelas garras sombrias da morte.

O ambiente mórbido em muito agradava Moandor, mas o lich notou um sopro fraco de vida por ali. Aproximou-se calmamente de uma mulher que arfava no chão, sangrando devido a um ferimento na coxa direita e no ombro esquerdo, além de um machucado feio na testa. A bravura e vitalidade daquela mulher eram admiráveis e, ao mesmo tempo, patéticas. Moandor olhou-a de cima, seus lábios ressecados formaram um sorriso de desdem.

- Ah, minha querida general. Preciso me desculpar, pois esqueci seu nome. Entretanto, lembro-me bem de suas palavras antes de nossos exércitos entrarem em conflito. Você havia falado algo sobre decepar meu corpo e jogar os pedaços no mar.

A mulher possuía cabelos castanhos escuros, longos. O rosto era duro com algumas marcas que indicavam uma vida marcada por batalhas. Era magra e vestia roupas em tons marrons e vermelho escuro, com uma bandana cinza desgasta cobrindo-lhe a testa. A moça gemeu uma provocação e tentou levantar-se, mas seus ferimentos eram graves e ela desabou no chão, tão fraca e cansada que parecia ter envelhecido uns cinco anos em cinco segundos.

- O chão é um lugar que combina com você, general – zombou Moandor – entretanto, não quero que digam que Moandor não é educado com as mulheres.

A um gesto do lich, dois zumbis se aproximaram e, cada um segurando em um ombro da guerreira, levantaram-na. Ela ficou em pé fracamente. Os zumbis a mantinham apoiada enquanto seguravam firmemente os braços da moça, mantendo-a bem presa.

A moça, entretanto, retribuiu ao gesto sem a menor gentileza. Cuspiu no rosto de Moandor, debatendo-se enquanto tentava, em vão, se soltar. Moandor fez pouco caso da provocação patética dela. Na verdade, até achou aquela resistência impotente muito divertida.

- Pode ter vencido essa batalha lich imundo, mas não pense que poderá fazer algo contra os reinos subterrâneos de Earlogre! Seus mortos vivos nada poderão fazer contra nossas fortalezas!

- Mesmo? - riu o lich – e quem está a afirmar isso?

- Lorelei – bradou a mulher com orgulho. Seus olhos brilharam com dignidade e fúria – Lorelei Deanor.

O nome despertou o interesse de Moandor. Ele já havia ouvido falar da corajosa e intrépida Lorelei, uma general famosa em combate e responsável por conseguir sair-se vitoriosa em muitas batalhas famosas. Inicialmente, seu desejo era apenas saber o nome da mulher para matá-la em seguida, mas seus planos mudaram e o lich sorriu de forma sinistra já arquitetando o que faria com sua inimiga capturada.

Moandor ergueu uma de suas mãos, uma energia verde brilhou nela, sinal de sua magia profana. De inicio, Lorelei imaginou que Moandor faria algo contra ela. A guerreira não temeu, estava preparada para a morte a muito tempo.

Entretanto, a magia de Moandor não era direcionada a ela. Contrariando o que a guerreira esperava, o lich direcionou sua magia para os cadáveres frescos no chão. Os guerreiros abatidos de Lorelei levantavam-se trôpegos e desengonçados. Seus olhos estavam sem vida, mas eles tinham força em seus corpos feridos, alguns até mesmo com membros decepados levantavam-se aparentemente sem esforço algum.

- Monstro! - gritou em total desespero. Lorelei conseguiu arranjar forças para debater-se, mas não força suficiente para se soltar dos zumbis que a seguravam – seu lich maldito!

Mas suas palavras foram inúteis. O rosto de Lorelei empalideceu quando viu seu imenso dragão erguer-se da morte, poderoso e imponente. A criatura parecia ainda mais assustadora do que quando em vida. Moandor gargalhou ao ver seus novos guerreiros reerguidos e o som era mais assustador do que qualquer outro que Lorelei ouvira.

- Agora, minha querida Lorelei, iremos juntos a Earlogre! Eu irei destruir seu reino e você sera minha prisioneira para testemunhar a ruína de tudo que já conheceu e amou!

Em resposta as palavras de seu comandante, o dragão revivido rugiu alto, balançando suas asas vermelhas e elevando-se nos céus. Lorelei ficou pálida de pavor e, nesse momento, não teve mais certeza se Earlogre conseguiria resistir ao poder daquele lich capaz de converter para seus exércitos até mesmo uma das mais poderosas criaturas existentes. O medo calou-a e ela nada pode fazer a não ser rezar para que aquele pesadelo chegasse ao fim.

Mas ela sabia que não chegaria.

27 de Julho de 2020 às 01:18 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

Lucas Vitoriano Ola, me chamo Lucas, adoro escrever, ver animes, jogar Magic the gathering, ler entre outras coisas mais rs. Sou particulamente fissurado em mitologia grega, meus autores favoritos são Neil Gaiman e Kazuo Ishiguro e, meu livro favorito, é As brumas de Avalon.

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