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bhpoiano B. H. Poiano

Sir Christofer e seu escudeiro, Brian, estão viajando no extremo oeste de seu pais e quando chegam a uma pequena cidade chamava Veraner, onde o cavaleiro é obrigado a julgar um assassinato local.


Fantasia Medieval Todo o público.

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Trabalho Honesto

Sir Christofer Gallagher e seu escudeiro, Brian, cavalgavam norte por uma grande planície gramada, seguiam uma trilha esguia e ondulante por pequenas e medias colinas e observavam no horizonte uma fazenda nascer. Estavam no extremo oeste de Quarsh-Mazar em uma área pouco conhecida pelo cavaleiro e nova para Brian. O sol estava no meio do céu quando se aproximaram de uma cerca de madeira velha, o cavaleiro observou, ao longe, um homem, com um grande chapéu de palha, arar um grande campo de trigo enquanto duas mulheres estendiam lenções em varais de madeira.

— Brian, qual desenho tem aí? — Perguntou o Cavaleiro ao se aproximarem da porteira de madeira.

— Uma enxada, uma casa e um prato. — Disse Brian depois de procurar e encontrar pequenos desenhos escondidos na base da porteira.

— O que significa? — Perguntou como um teste. Ambos já haviam passado por outras fazendas com desenhos parecidos e diferentes, e era importante conhecê-los.

— Significa que eles nos darão um teto e comida se trabalharmos. — O cavaleiro assentiu.

Sir Christofer desceu do cavalo em sinal de respeito aos moradores, abriu a porteira e caminhou por uma pequena trilha até a casa. Ao pisar no chão, o cavaleiro sentiu todas as pedras que havia ali. O homem, ao perceber que eles se aproximavam, deixou o arado e andou na sua direção. Sir e escudeiro caminhavam mansamente.

— Bom dia. — Disse ao se aproximar do homem, queimado de sol, sujo de terra e suor. Estavam longe da casa.

— Bom dia para os senhores também. — O cavaleiro nunca se acostumou com a forma como as pessoas simples o tratavam. — Faz tempo desde que um cavaleiro veio nessa direção.

— O país é grande e somos poucos. — Sir Chris tampava o sol com a mão. — Não queremos tirá-lo de seu serviço, viemos apenas pedir água para beber e encher nossos cantis.

— Muito bem. — Deu as costas e caminhou em direção a casa. Sir e escudeiro o seguiram.

Enquanto se aproximavam, o cavaleiro reparou que havia apenas uma mulher fora da casa os esperando, ela os cumprimentou cordialmente e a mando do marido foi buscar um jarro de água. Aliviado de ter encontrado uma sombra, cavaleiro e escudeiro sentaram-se encostado na parede da casa.

— O sol não perdoa ninguém. — Tinha certo humor na voz do homem.

A mulher voltou com dois copos e um jarro de madeira e serviu-os nervosamente, beberam, repetiram, encheram os cantis e recuperaram o folego.

— Se tiverem pão, ficaremos feliz em comprá-lo. — Disse Brian, puxando o assunto. — Não comemos desde ontem. — O fazendeiro observou-o por um instante.

— Não vendemos comida. — Seu tom era duro. — Mas se estiverem dispostos a trabalhar terão um lugar para jantar e dormir.

Esse era um costume antigo que existia em Quarsh-Mazar e que fazia tempo que Sir Chris não o observava. Essa tradição se perdera nas grandes cidades e portos, onde a desconfiança era maior que a caridade, mas aqui, longe da capital, das grandes cidades ainda era lei. Um mazarano jamais passaria fome e dormiria sem um teto de fosse honesto e trabalhador. Sir Chris sorriu ao ouvir a proposta.

— Estamos. — Respondeu o cavaleiro. O homem sorriu.

Sir Chris levantou e retirou sua espada, cota de malha e couro fervido, ficando somente com seu camisão; Brian retirou sua cota de malha, espada e adaga, e pedindo licença, entregaram à esposa do fazendeiro. Sir Chris observou a fazenda daquele homem e viu como tudo era simples. A casa, seu celeiro, galinheiro, viu apenas uma vaca amarrada na sombra e uma média plantação de legumes e verduras, a única coisa que chamava atenção era a gigantesca plantação de trigo.

— Você cuida de tudo sozinho? — Perguntei enquanto entravamos na terra.

— Sozinho. — Disse o Benedito com um pouco de orgulho na voz. — Como meu pai antes de mim e seu pai antes dele.

O homem se aproximou do arado e Sir Chris percebeu que não havia nenhum cavalo para ajudá-lo no arado. O cavaleiro pensou em usar seu garanhão, mas ele era cavalo de montar, não era treinado para o trabalho no campo.

O sol queimava as costas do cavaleiro quando ele e o fazendeiro começaram a arar a terra, revolvendo-a e descompactando-a. Brian vinha atrás com um saco de sementes. Enquanto trabalhavam, conversavam sobre o rei, sobre as viagens de Chris, sobre o solo e plantio. Benedito era um homem duro e abatido, trabalhara no campo desde a infância e era a única coisa que sabia fazer. O cavaleiro observava um homem que nunca sentira e nunca sentirá o prazer de nadar em um riacho, viajar para uma terra distante totalmente diferente de Quarsh-Mazar, navegar um oceano calmo.

Trabalharam até o sol começar a se por levando a luz consigo. Guardaram os equipamentos e seguiram até um poço onde eles lavaram o rosto e as mãos.

— O cheiro está bom. — Comentou Brian lavando os braços.

Quando entraram, encontraram uma casa simples, bem iluminada com grandes velas de gordura. A esposa do fazendeiro estava na frente de um fogão de lenha mexendo em uma grande panela e na mesa, cortando fatias generosas de pão, a filha do fazendeiro. Brian observou sem pudor a moça de cabelos longos que sorria ao vê-los entrar.

— Minha esposa, Beth e minha filha, Ana. — Apresentou o fazendeiro antes de se sentar em uma ponta da mesa, ao lado da filha.

Sir e escudeiro as cumprimentaram cordialmente e se sentaram. O cavaleiro estava acostumado a esse tipo de relação, quando era escudeiro, ele e seu cavaleiro fizeram isso mais vezes do que ele lembrara de contar. Já dormira em casas muito mais ricas e em casas muito mais pobres, fizeram trabalhos simples e complicados, mas o resultado era quase sempre o mesmo. Sentavam-se ao redor de uma mesa com a família e jantavam calmamente.

Beth trouxe vasilhas de barro cheias de ensopado e talheres de madeira. Ana entregou as fatias de pães e comeram, repetiram e agradeceram. Não trocaram muitas palavras durante a refeição, Brian comia com uma voracidade vergonhosa, enquanto o cavaleiro tentava disfarçar a fome que tinha. Beth tentou puxar assunto algumas vezes, mas seu marido comia em silencio, Sir Chris compartilhava notícias que não chegaram a esse lado do país.

Quando terminaram, Benedito se despediu do cavaleiro e agradeceu grosseiramente pela ajuda no campo, se levantou e se dirigiu ao seu quarto. Ana retirou as vasilhas e deu boa noite aos convidados, corando.

— Obrigado pela ajuda. — Comentou Beth. — Vocês fizeram um trabalho de quatro dias hoje.

— Eu que agradeço, é bom dormir sem ter de se preocupar se vai chover ou não.

— E eu agradeço o jantar! — Respondeu Brian fazendo-a sorrir.

— Vou trazer alguma coberta para vocês dormirem. — Disse e saiu.

Ainda sentado o cavaleiro começou a tirar suas botas, fazia anos que as usava sem qualquer tipo de problema, mas agora a elas estavam velhas e com as solas gasta. Quando ela as virou e deu uma boa olhada, viu que um buraco estava se formando no pé direito. Beth entrou na cozinha, entregou a cada um uma coberta velha e um travesseiro duro e agradeceu novamente pela ajuda.

Brian apagou todas as magras velas de gordura nas paredes de madeira, e dormiram ali mesmo no chão da cozinha. Cansados como estavam, dormiram sem nem mesmo perceber.

20 de Julho de 2020 às 13:55 0 Denunciar Insira Seguir história
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