autoralauraffc Laura Ferreira

O que você faria se uma boneca falasse com você? Tina é uma jovem menina que acaba de completar seus 15 anos. Ela é completamente apaixonada por bonecas e está prestes a completar a sua magnífica coleção. Após ela descobrir que uma loja de bonecas abriu no bairro, Tina simplesmente resolve que deve visitar a loja mesmo contra a vontade de sua mãe. Mas o que Tina não imaginava era que essa loja escondia um segredo macabro.


Conto Para maiores de 18 apenas.

#sobrenatural #suspense #terror #inkspired #vida #ebook #morte #wattpad #social #ficção #contos #livro #spirit #conto #medo #ação #leitura #novo #kindle #boneca #jeffrey #tina #magda #julho
Conto
0
3.0mil VISUALIZAÇÕES
Completa
tempo de leitura
AA Compartilhar

Boneca

— Mamãe, olhe para mim, por favor. — Disse Tina, enquanto puxava a barra da camisa de sua mãe desesperada.


— Aí menina, o que foi? — Questiona Magda, sua mãe, limpando as mãos molhadas no pano de prato.


— A senhora sabe que sou apaixonada por bonecas, né?! Não precisa nem responder. — Disse Tina sem parar de olhar para sua mãe que logo revira os olhos. — Continuando, eu soube ontem que no nosso bairro abriu uma loja de bonecas faz umas duas semanas, sabe o que é melhor? — Sua mãe negou com a cabeça e ela prosseguiu. — Vende a boneca que falta para mim.


Ao terminar de falar, Tina dar alguns pulinhos enquanto bate palma, mas nenhuma expressão surgiu de sua mãe, o que decepcionou um pouco Tina que, imediatamente começa a ficar no seu estado normal de antes.


— Agora me diga, onde eu entro nessa história. — Magda encara a sua filha, colocando suas mãos na cintura esperando uma resposta de Tina.

— Você entra com o dinheiro, o que acha mamãe?


Tina sorriu. Suas mãos se uniram imediatamente. Ela estava ansiosa por uma resposta de sua mãe, mas o que ela não imaginava era que uma resposta negativa da senhora Magda acabaria com toda a sua expectativa e o seu plano.


— Minha pequena Tina. — Magda pega nas delicadas mãos de Tina e olha no fundo dos olhos dela. — Infelizmente não poderei fazer os seus caprichos desta vez.


— Mamãe, por que está fazendo isso com a sua pobre filha?


Imediatamente Tina solta à mão de sua mãe, formando-se um bico nos lábios da mesma. Ela cruza os braços, com as sobrancelhas franzidas esperando uma resposta de sua mãe.


— Porque sim, agora vá imediatamente para o seu quarto.


A voz de Magda havia mudado completamente, estava mais grave e alta. Um clima pesado havia se instalado no ambiente, era óbvio que Tina não havia gostado da resposta de sua mãe, e na sua idade tudo estava virando uma enorme tempestade.

Tina saiu da cozinha batendo pé, parecendo uma criança que não havia recebido o seu doce diário. No auge dos seus quinze anos aquilo era considerado para os adultos falta de maturidade, mas para ela aquilo era mesmo o fim do mundo. Ela adentra no seu quarto, que era localizado no final do corredor, fechando a porta com força, como se fosse uma provocação para a sua mãe.


— Mamãe eu a odeio por isso. — Diz ela, se jogando na cama. — Mas eu não me importo, irei à loja a senhora querendo ou não.


📷


O sol começa a se pôr no bairro de Harlem. Tina teria uma ótima visão se não fosse pela árvore que ficava no meio da rua. Ela ainda se encontrava emburrada pelo acontecido de horas atrás com a sua mãe.


— São exatamente 17h30min, não há nenhum problema se eu for à loja, não é mesmo?! — Questiona a si mesma, tendo uma resposta em mente.


Sem pensar duas vezes, ela desceu as escadinhas que davam acesso para o quintal. Ao colocar seus pés no solo, ela verifica sem nenhum vizinho ou até mesmo pelos seus pais estivessem a vendo cometer um ato proibido.


Com o seu celular em mãos, ela começa a caminhar em direção à loja que se encontrava a alguns centímetros de sua casa. Naquele horário a rua se encontrava deserta o que era bem estranho para Tina, porque aquele bairro sempre está totalmente cheio de pessoas indo para os bares. Quando ela chega em frente à loja, um arrepio sobe pelo seu corpo, aquilo fez com que ela pensasse em voltar para a casa antes mesmo que ficasse ainda mais encrencada, mas ela apenas estava ali para ver a boneca com os seus próprios olhos, não importa nem um pouco se estava desobedecendo a sua mãe.


A porta foi aberta, um pequeno barulho de sino foi ecoado pela loja anunciando a chegada de Tina.


— Bem-vinda ao "Planeta de Bonecas". Deseja algum tipo de ajuda? Eu sou o atendente Jeffrey.


Disse o atendente Jeffrey com um sorriso enorme nos lábios. Ele parecia ter mais ou menos 45 anos, tinha braços musculosos para um homem da sua idade, além de ser bastante alto. Porém o próprio atendente causa certos temores em Tina.


— Boa tarde. — Disse ela em um tom baixo. — Eu gostaria de ver a boneca Dory, a última da coleção de "As Bonecas Fantásticas", se não for um incomodo.


— Agora a senhorita me pegou de surpresa. Eu acho que não a tenho, irei dar uma olhada para você.


Jeffrey continua sorrindo. Quando ele desaparece da visão de Tina, ela caminha em direção a uma boneca que estava em tamanho real ao lado do banheiro unissex. Ela começa a observar todos os detalhes, aproximando ainda mais o seu rosto para perto da boneca. A boneca, que também tinha o nome de Flor, apresentava um cheiro horrendo, como se ela estivesse putrificada. De repente, a mão da boneca encosta na caixa que tinha ao lado, fazendo com que Tina desse um pulo para trás. Para Tina, o acontecido que havia acabado de acontecer estava sendo pregado pela sua mente.


— Fuja logo daqui! Esse lugar não é pra você.


Tina achou que estivesse delirando, porque uma boneca nunca falaria com ela, ou falaria?


Ela coloca as mãos na cabeça, a balançando sem parar, até que a voz do atendente ecoasse por toda a loja.


— Desculpe, eu não queria assustar você. — Ele diz com um sorriso maquiavélico nos lábios.


— Eu preciso ir para casa agora. — Avisa Tina.


— Mas a boneca pode pode está no galpão, não gostaria de me acompanhar?

Ele pega no braço de Tina com força. A menina começa a ficar assustada com a atitude impulsiva do atendente. Ela desce o seu olhar para as mãos dele, agora contra a sua pele, causando raiva dentro dela.


— Poderia soltar o meu braço por gentileza? — Pediu Tina.


Em nenhum momento ele parou de olhar para Tina, aquilo deixava ela com mais raiva ainda, sua vontade era dar um chute nos órgão genitais do homem, mas o seu medo era maior que qualquer coisa.


Após colocar a mão na maçaneta, ele joga Tina contra o chão, fechando rapidamente a porta e colocando o aviso de "fechado". Lentamente ele caminha em direção a Tina, que no momento se encontrava apavorada com tamanha brutalidade.


— Por favor, por tudo que há de mais sagrado nesse mundo, não faça nada de ruim comigo. — Implorava Tina com os olhos cheios de lágrimas.


— Cala a porra da sua boca. — Disse ele com raiva, apertando ainda mais o braço de Tina.


Ele leva Tina até uma sala no final do corredor. Tudo era sombrio, baratas mortas eram encontradas no chão, cheiro de algo podre era sentido ao passar pelo extenso corredor que levava até a sala. Tina não parava nenhum minuto de rezar, cada segundo era pedia que Deus a ajudasse, promessas eram feitas por ela mesma. Naquele momento ela estava se odiando por não ter obedecido a sua mãe, pensava se nunca mais veria a mulher que mais amou em sua vida, enquanto as lágrimas quente desciam pelo seu rosto.


Em alguns minutos eles chegaram na maldita sala, sua porta era de ferro, estava enferrujada com o passar dos anos. Tina hesitou, mas ela não tinha mais saída e nem forças para lutar. O seu fim foi decretado.


— Prometo que não sentirá nada, minha querida. — Disse Jeffrey, passando o seu polegar nas bochechas de Tina.


Antes que Tina pudesse dizer algo, Jeffrey aplicou uma injeção na sua aveia, facilmente localizada por ele. A injeção fez a menina apagar totalmente, como se estivesse dormindo num sono profundo.


📷


Uma semana havia se passado desde que Tina desapareceu. Seus pais até então, nunca pararam de procurá-la, diferente da polícia que estava cada dia mais desisto do Caso Tina Quick. Aquilo parecia um pesadelo para Magda, ou pior, parecia uma tortura diária.


— Eu sinto que ela está viva e perto da gente. Ela nasceu do meu ventre e eu posso sentir a minha menininha perto de mim. — Disse Magda com lágrimas descendo do seu rosto enquanto acariciava a foto de Tina bebê.


O que muitos não imaginam é que a Senhora Magda Quick está certa, como uma boa mãe que ela é. Tina acabou tendo um dos piores fins, ela se tornou aquilo que mais amava nessa vida, uma boneca. Se a pobre Tina tivesse ouvindo a boneca, ela estaria viva e ao lado de sua mãe, mas acabou tendo o mesmo que a boneca. Ela foi emoldurada, exposta nunca canto escuro junto com a outra menina boneca, a única diferença que existia entre ambas é que Tina teve a boca costurada, porque Jeffrey não queria cometer o mesmo erro.


É mais uma vez aquela porta foi aberta, anunciando a chegada de mais uma menina. Tina queria gritar para que ela pudesse fugir e não cometesse o mesmo destino, mas era impossível. Novamente ela ouviu a mesma frase sendo dita por Jeffrey que nunca mais fez Tina voltar para a casa.


— Bem-vinda ao "Planeta de Bonecas". Deseja algum tipo de ajuda? Eu sou o atendente Jeffrey.

17 de Julho de 2020 às 23:04 0 Denunciar Insira Seguir história
1
Fim

Conheça o autor

Laura Ferreira ❧ escritora • tricolor • leitora compulsiva • lokistan • gryffindor • marvete • multifandom • futura roteirista e cinematografica • ❥ @twhiddleston

Comente algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~