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alanmattosanjos Alan Anjos

Nos cantos de uma velha choupana, próximo a porta fechada, feita em grossos arcos de madeiras, vindas da pequena vila abaixo, onde a estrada se acentuava na curva do grande lago, águas claras como vidro, seu nome representava força para os assentados em seu contorno, Marlogh, na tradução local e chamado, espelho dos peixes carmim; pela choupana estendia-se em desordem pilhas de livros mofados, frascos de vidros coloridos que se acentuavam a baixa claridade, as únicas janelas, sendo pequenas e circulares, imitava ou tentavam imitar um círculo perfeito, mas pecava em seus polos, assim se achatavam para que as fitas do cipó de trepadeira as fixasse, era em vão, a triste tentativa de mantê-las abertas para que a fumaça esvaísse do teto.


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Hortelã e Romã

Nos cantos de uma velha choupana, próximo a porta fechada, feita em grossos arcos de madeiras, vindas da pequena vila abaixo, onde a estrada se acentuava na curva do grande lago, águas claras como vidro, seu nome representava força para os assentados em seu contorno, Marlogh, na tradução local e chamado, espelho dos peixes carmim; pela choupana estendia-se em desordem pilhas de livros mofados, frascos de vidros coloridos que se acentuavam a baixa claridade, as únicas janelas, sendo pequenas e circulares, imitava ou tentavam imitar um círculo perfeito, mas pecava em seus polos, assim se achatavam para que as fitas do cipó de trepadeira as fixasse, era em vão, a triste tentativa de mantê-las abertas para que a fumaça esvaísse do teto, o mesmo se via em tempos tempestuosos, a fonte das nuvens negras era o enegrecido carvão, por sinal não incomodava o morador inquieto em seus devaneios falando solitariamente:

-Um quarto de carvão, onde está o carvão! _berrava com sigo mesmo, sua voz soara arrastada e lenta, mas era carregada com o silabar da sabedoria que apenas tempo poderia ser capaz de fomentar, as mesmas silabas lançadas da boca de lábios finos, sem explicação dissipava a fumaça emanada pela pilha de lascas de madeiras que aqueciam o pequeno caldeirão enegrecido em fuligem. _parem de esconder as coisas de mim; vejamos...

Rodopiava em uma veste que se assemelhava a um vestido longo, tecido espeço e pesado, próximo ao couro de cabra, sendo negro como a própria noite que tardava em sua labuta, longo ao ponto de esconder seus mirrados tornozelos arrastando assim parte da bata no chão encardido, em suas costa uma capa de pequeno porte esvoaçava, costura delicada e presa por uma fita acobreada como a de um colar, ganhava o azul de um céu em plena mudança, atormentava a cor monótona a tornando escura, o pentagrama arqueava forma no centro do tecido azul tempestade, linhas trançadas a fios de ouro, círculo que se ligava pelas cinco pontas feitas em prata; havia tantas ervas sobre uma mesinha de canto, sua mão às cegas estendia-se para puxar raminhos delicados de hortelã, onde juntamente com alecrim se encontrava dentro de uma cuia, um pequeno pilão era seu instrumento na mistura, combinava técnica com força para que tudo se tornasse uma espécie metafisica de plasma:

-Duas folhas de hortelã e por fim brotos de romã, onde... _segurou suas palavras, respirou profundamente por sete vezes e liberando o ar vagarosamente até seus pulmões se esvaziarem por completo _aqui estão.

A mistura foi lançada ao caldeirão, um liquido rubro surgiu, vistoso, mas de aspecto grosso, como um caldo que se engrossava com a ajuda de farinha, a colher de pau apanhada por sua mão direita, mexia o interior, sentido horário, mão firme, passadas regulares na mesma dissidência de tempo e espaço de um ponto a outro, quando o álcool foi despejado com certa relutância em pequenas doses, produziu uma fumaça avermelhada que subiu, pairando no teto; quando começou a borbulhar no aspecto grosso de um caldo, elevou as chamas que lambiam o caldeirão, logo o calor luzia a face acolhida pelo suor, a mistura se dissolvia ao ponto de se tornar liquida; o sorriso de contenda foi seguido pela mão esquerda que se ergueu pelo sinal designado a o caldeirão, uma espécie de triangulo desenhado no ar com seu dedo mindinho, fez com que as chamas alaranjadas se extinguissem, sua atenção passou a um refratário de porcelana, uma tigela funda que estava sobre a mesa de canto, percorreu a distância como se estivesse em uma dança; no limiar abaixo da tabua de madeira onde as ervas e a porcelana se mantinha a altura de seu umbigo, existe três gavetas, todas idênticas entre si, com alças de ferro, forjadas por um incitante a ferreiro, noviço na arte dos metais, mas mesmo assim lhe agradava ver aqueles três objetos que diferenciavam as gavetas uma das outras, já que o restante fora concebida em magia, sendo perfeita em toda a sua construção, carvalho antigo sendo seu preferido por longas datas; vasculhando de maneira inconsciente retirou da gaveta do meio, um frasquinho, com uma espécie de areia negra, vedado por uma rolha de cedro; o objeto foi retirado por uma mordida forte (incrivelmente forte para alguém que carrega a idade no corpo), a mandíbula demorou-se alguns segundos, entre quatro a cinco, seus dentes e gengivas doeram enquanto seu maxilar estalava mediante a situação, de sua boca um suspiro que se assemelhara a um grito contido, foi deixado escapar quando a rolha cuspida disparou até a porta, o cheiro arquejava suas narinas, era pólvora. No refratário se deixou cair a substância porosa, mas não de maneira involuntária, de língua posta de lado, em uma mordida que demonstrava juntamente com seu rosto enrugado sua determinada concentração; ao contato com a porcelana seus dedos foram utilizados para que uma espiral fosse criada, desenhada em linhas acentuadas e não paliativas, o liquido que havia preparado, cozinhara pelo próprio calor que se mantinha; escorregou por um toque de mão do caldeirão até o refratário, não desmanchara sua arte, a espiral se mantinha sem nenhuma alteração enquanto mergulhara em seu banho de ervas; voltando mais uma vez as gavetas, pegou uma vareta fina, sua ponta foi levada as lascas que em brasa farfalhava com o toque, liberou um cheiro doce enquanto a fumaça fora emanada, a ponta, agora alaranjada fora se aproximando até o recipiente, com um único toque, fez com que chamas fugazes surgissem, chamas doentias, como um animal de estimação que não verá seu dono há dias, lambia sua face em total carência, sentia-se a mistura doce das ervas e o cheiro de pelo tostado, o ar quente emanado por sua mistura, ardia suas narinas, roubava-se então suas rugas, suas marcas de expressão, roubou-se por fim sua idade, mas lhe deixou a experiência em retribuição, as chamas dançavam; era tentador vê-las indo e vindo no aspecto cromático, azul, verde, vermelho escarlate; foi como ver o sangue jorrar diretamente do próprio coração, puro e sem nenhuma mistura, foi-se o momento de calmaria, onde retumbante o que se esvoaçava em plena dança se agruparam quase em estado sólido assim por dizer, ganhando uma forma tão antiga, uma salamandra que caminhava no refratário, observava tudo a sua volta, olhos em chamas que se destacavam por serem azulados enquanto seu corpo reverberava em tons esverdeados; retomando em um lampejo cromático e tremulo o estado das chamas iniciais, voltava-se a assumir como em um sopro a forma natural que carregara para todo sempre, crepitara incansavelmente as lascas de carvão e o restante da madeira que ainda insistia na permanência, visível a compaixão que o fogo tinha por si, em lampejos ganhara altura; chamas ferozes que se erguiam até o teto, onde mesmo com tamanha intensidade não ousavam a queimar a palha, a mesma que servia de esconderijo da abóboda celeste, que insistia na sua vigília, a noite vinha pelo lado de fora quando o ar frio foi notado, gerando calafrios no bruxo; sombras nasciam dentro da choupana, caligem bípedes que se soltavam das paredes, agarrava no ar, caminhavam até ele, sorrisos meio amargos foram lhe depositando um a um, ao ponto de sentir o peso funesto da inveja, ira e dos demais sentimentos que formam os baixos círculos. As chamas saltaram da porcelana, formaram a sua volta uma espiral inebriante, de bons cheiros, calor agradável como em uma brisa matutina, o terror se instaurou naquelas funestas figuras, que tentavam ao máximo fugirem para a porta, mas não eram capazes de chegar no destino labutado; no alto da porta uma espada se encontrava pendurada em horizontal, feita de puro aço, impedia os malfeitores de fugirem, o aço tilintava com a aproximação, mais uma vez as chamas se intensificaram, o giro da espiral, acelerou, ganhando todo o espaço para si, um a um, foram se consumindo, restando apenas algumas poucas, estes lançavam a esmos palavras de rouquidão, onde o som gutural se abafava e desaparecia.

-Você... mentiu... nós...

As chamas se recostaram sobre o bruxo, o espremiam, apertavam como cordas, um rosto enigmático e macilento era tudo que ele permitia a si deixar escapar para o exterior, mas, a felicidade crescia conforme as chamas o abraçava; por um instante tudo que se sucedeu foi o silêncio e o crepitar das brasas, talvez levou segundos ou até minutos para que uma nova reação fosse feita, o tempo passou vagaroso, sua silhueta ardia em estado febril, seus olhos perdiam o brilho e seus lábios secos rachavam, o tempo retornou a si, voltou suas rugas, suas marcas e seus anos, mas não foi só o que voltou, algo novo, sua mão direita, aterrissou no bolso de suas vestes, no fundo ele sentiu algo, fino, maleável mas rígido, vagaroso retirou aos poucos, levando até a altura dos seus olhos, as chamas aninhadas a sua volta bruxuleava; com a claridade foi se visto o presente deixado para ele, dentro de seus fundos bolsos seus dedos tendenciosos pressionavam com feroz simpatia:

-Dezenove centímetros... bom... cheiro de laranjeira... bom... maleável e resistente... ótimo... vejamos.

Sua mão se ergueu, empunhou a varinha na altura de sua cabeça, as chamas subiram até o teto, uma espiral se formara, então, quando a primeira e tímida fagulha tocou a ponta, as chamas desceram como se fossem sugadas em um ralo, tudo tremeu, frascos caiam um após o outro se partindo em diversos tilintares, livros voavam, soltando suas folhas, perdendo a condolência e por fim, o teto se foi em chamas, ardia toda a palha no fogo esverdeado se erguendo aos céus noturnos, quando a última fagulha se arqueou para dentro da varinha, o céu estrelado se revelou, a lua o observava e Nix o fitava do alto da mais próxima, ele a sentiu e a cortejou com uma reverência caótica, então ela o deixou só. Os céus o contemplavam, as estrelas observavam aquele velho enrugado com tamanha admiração, a lua que se mantinha no pratear de seus feixes de luz, transformava a escuridão em algo visível, agora sem o teto da choupana ele podia contemplar, a imensidão que o fitava, mas também o som dos ventos vindo do norte, a varinha se mantinha erguida, suas roupas desgastadas pela tamanha e excitante conjuração, mas aquele cheiro se mantinha presente, havia algo no aroma que se misturava em torpor da própria pólvora que se havia extinguido com as chamas avassaladoras da salamandra; o engraçado... talvez apenas a nossa ilustre figura anciã, era o sorriso que arquejava, algo quase sibilado no canto da sua boca de lábios finos, quase desenhada, empertigando sua testa em marcas de expressão, quase como um mapa dos vales mais distantes; em um estalar de dedos, recobrou a consciência de seu lugar, seus olhos voltavam ao âmbar tradicional, deixara o verde de lado, o sorriso desaparecia mas as expressões mantiveram seu lugar; a varinha pesara em sua mão, foi como carregar chumbo em uma vasilha mediana, tremulas era as mãos, que escorregaram até a mesa de canto onde depositou o instrumento magico, gotículas de suor caiam vagarosamente por seu longo nariz macilento, seus cabelos grisalhos, estavam emaranhados, esvoaçavam com a chegada dos ventos, o frio o agarrou pela nuca, mas sua pele febril o matinha aquecido, tremia desde os pés até a cabeça, o cansaço mantinha sua presença, sua aura adornada pela fadiga, a varinha brilhara, um pequeno pedaço de graveto, algo curvado, alongado, dezenove centímetros era o que sussurra para si diversas vezes, seus olhos mantinham o foco sobre a mesa:

-Então aqui se inicia nossa jornada _sua voz era nada mais que um sussurro, meloso e cansado.

A noite se clareara em relampejos, o silêncio vinha e ia em trovoadas, a lua juntamente com os pontos luminosos sumia, engolidos por nuvens de chuva, nuvens densas e cinzentas; uma trovada mais intensa trouxe a chuva, o vento a empurra do norte ao sul, uma tempestade chegou; a companhia não era nada desejada neste instante, mais uma vez a varinha foi brandida, desenhara no ar um círculo no sentido anti-horário, juntamente com um triângulo em seu interior, o desenho criado foi traçado por uma fumaça fluorescente de tons verdes, qual o vento a carregara, a choupana, sua casa, iniciava o processo de regresso, quase como se estivesse de trás para frente tudo ia voltando a seu estado natural e na sua ordem que outrora se encontrará, os vidros que haviam se desfeitos em cacos pelo chão, retornavam a sua origem, os livros mofados, cujas as folhas haviam se perdido em nenhuma ordem conhecida apenas pelo bel-prazer dos silfos, regressavam a sua origem, regenerara o próprio teto que havia sido carbonizado; as pesadas gotas do liquido que vertera das nuvens, faziam força para adentrarem, mesmo sendo em vão a tentativa, não demonstravam motivos para desistir. A única poltrona, estava velha, rasgada e mofada, mas ainda era um local de conforto que ele não tardou a pôr seu velho e empertigado corpo, sentiu as nuanças do conforto, mantinha a varinha sempre em mãos; era como um laço que ele não poderia em hipótese alguma abandonar, uma criança que sonhara com um brinquedo por anos e só agora o possuía.

-Sei que ele também despertara _em sussurro sua voz era lançada, em devaneios momentâneos de quase adormecer, se mantinha a falar _aquele velho idiota deveria ter feito muito mais que apenas se esconder, todos irão atrás dele mais uma vez _se fez silencio dentro da choupana, seus olhos fecharam sua boca entre abriu enquanto a varinha escorregou por seus dedos... caiu sobre seu colo e lá permaneceu.


17 de Julho de 2020 às 02:11 0 Denunciar Insira Seguir história
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