dearvonne1579664740 bianca

Ao ouvir aquela ligação, sentiu seu mundo despedaçando.


Conto Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#drabble #historia-original #morte #oneshot # #angst
Conto
0
343 VISUALIZAÇÕES
Completa
tempo de leitura
AA Compartilhar

único.

Aconteceu tão subitamente, que não conseguiu distinguir de fato, o que havia acontecido. Quando recebeu a ligação no meio da tarde enquanto ainda estava no trabalho, não se deu conta do que estava sendo falado. Achou que era uma brincadeira. Desligou o telefone e rapidamente discou o contato dele. Caixa postal. Bom, como sempre, o telefone dele devia estar fora de área, ou cabeça oca do jeito que ele era, deve ter deixado o telefone ficar sem bateria. Decidiu então, que ligaria para o número de sua casa. Chamou uma, duas, três, quatro, cinco vezes. Ninguém atende. Sua mão agora suava frio, seu coração estava muito acelerado e seu estômago, embrulhado. Não queria acreditar na ligação. Aquilo não podia ser real. Juntou suas coisas e pediu permissão para ir embora um pouco mais cedo, jurando perante qualquer Deus que cumpriria as horas perdidas depois, mas que precisava sair. Pegou seu carro e foi em direção à sua casa. A casa que eles dividiam há um pouco mais de 5 anos. Trânsito, que droga. Sinais fechados, por toda a via e em todas as ruas que passava. Pedestres lentos, motoristas sem noção de espaço. Estava levando muito tempo. Não conseguia pensar em mais nada além de que precisava chegar em casa, precisava verificar a veracidade daquela ligação. A ligação! Tão aturdido como estava, nem se deu ao trabalho de verificar de onde vinha a ligação, quem a fez. E porra, que demora! Todas as ruas estavam com tráfego lento, estava demorando muito mais que o normal para chegar em casa.

Parado em um sinal vermelho, pegou o telefone para ver o número de quem tinha feito a ligação. Privado. Droga! E agora? Tentou voltar a ligação, mas não adiantava, afinal, o número estava privado. Não ouviu as buzinas soando atrás do seu carro, apenas ficou encarando o telefone totalmente absorto em pensamentos, tentando pensar no que fazer para conseguir retornar a ligação, até ouvir alguém batendo na sua janela pedindo para se apressar.

- Anda, o sinal já abriu. Quer ficar aqui para sempre? – Alguém lá de fora gritou para ele, enquanto o amaldiçoava de todos os nomes possíveis.

Olhou para frente e pisou no acelerador, trocando a marcha. No entanto, não soube responder a pergunta. Talvez realmente quisesse, não queria ir para um lugar, para um momento, para um mundo, onde não teria ele. Não fazia sentido. Mas no fundo, tinha a esperança de que quando chegasse em casa, ele estaria lá, o esperando, sentado no sofá, assistindo a sua novela preferida que sempre passava no horário em que estava chegando do trabalho. Ele se levantaria de imediato, sem se preocupar em perder alguma coisa importante da trama, apenas para lhe beijar e perguntar como havia sido seu dia. E ele contaria, tudo. De cabo à rabo. Sem poupar nenhum detalhe. Apenas porque sabia que o outro realmente queria ouvir. Iriam para a cozinha juntos, preparariam a janta, ririam de coisas fúteis, e se necessário, falariam sério sobre algum assunto. Pela noite, dormiriam juntos, trocariam carícias, talvez fizessem amor, talvez apenas dormissem, dominados pelo cansaço do dia-a-dia.

Quando finalmente parou em frente a sua casa, saiu apressado do seu carro, mas seus passos eram hesitantes, conseguia sentir seu coração pulsando em cada canto do seu corpo. Forte. Rápido. Intenso. Desregulado. Desesperado. Levava na mão o chaveiro que o ele lhe dera quando foram para a lua de mel. Se agarrava a ele como se fosse seu último fio de esperança. E talvez realmente fosse. Colocou a chave na fechadura, destrancado a porta e pôs a mão na maçaneta, girando-a. Abriu a porta e parou no batente. Silêncio. Ele não estava no sofá, tampouco a tevê estava ligada. Deu dois passos para dentro. Mais silêncio. Escuro, estava escuro. Nem uma luz acessa. Foi em direção ao interruptor, e o apertou. Nada. Ninguém. Silêncio, não conseguia ouvir o riso contido mas tão genuíno quando estavam juntos. Silêncio, não ouvia ele o chamando por entre os cômodos da casa, para falar sobre nada. Silêncio! Só conseguia escutar o som da sua respiração ofegante, o som dos seus pensamentos lhe falando algo que ele não admitiria. Silêncio.

- Amor? – Perguntou com a voz trêmula. Deu mais alguns passos em direção à cozinha. – Amor? – Perguntou, o desespero já estava visível na sua voz. Saiu da cozinha, e foi para o banheiro. – Amor? – Gritou! Por quê ele não respondia? Foi para o quarto, mas fechou os olhos. Não queria ver que ele não estaria ali. Sentiu sua respiração irregular e se encostou na parede, soltando o peso de seu corpo nela. O chaveiro ainda estava entre seus dedos, o segurava firme. Não o deixaria cair. Ficou de costas para a entrada do quarto, ainda de olhos fechados. – Amor? – Perguntou dessa vez em um sussurro. Nada. Em lugar nenhum. Não teve coragem de olhar para o quarto. A verdade enchendo sua mente. Ele havia ido, ele realmente havia ido! Céus, ele estava morto.

15 de Julho de 2020 às 21:43 0 Denunciar Insira Seguir história
0
Fim

Conheça o autor

Comentar algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~