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Yeonjun lhe parecia estranhamente cintilante, como se obrigasse Taehyun a o reconhecer numa multidão de pessoas concentradas em seguirem seus caminhos. Ele o reconheceria, reconheceria aquele brilho inconfundível no olhar, o sorriso que parecia lhe sorrir de forma diferente, brilhante. {TAEJUN//ONESHOT}


Fanfiction Todo o público.

#yaoi #lgbt #txt #yeonjun #taehyun #taejun
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Capítulo Único

Corpos se chocaram, olhos se perdendo do próprio destino que se seguia pela calçada movimentada. Durou poucos segundos até que Yeonjun recuperasse o equilíbrio quase perdido no impacto com alguém, esse outro alguém que o olhava, observava o brilho incomum que parecia adorná-lo. O mesmo brilho cintilante pelo qual ficará encantado há exatos vinte anos, vinte anos que os separavam, vinte anos que seus destinos se desprenderam da linha tênue que os unia. Yeonjun lhe parecia estranhamente cintilante, como se obrigasse Taehyun a o reconhecer numa multidão de pessoas concentradas em seguirem seus caminhos. Ele o reconheceria, reconheceria aquele brilho inconfundível no olhar, o sorriso que parecia lhe sorrir de forma diferente, brilhante. Estavam exatamente como se recordavam um do outro, há vinte anos.

Taehyun continuava sério, sorria pouco, interagia pouco, era um homem de muitos poucos e poucos muitos. Fazia tudo em quantidades pequenas, não tinha necessidade para exageros, porém o exagerado o encantava, Yeonjun o encantava com sua personalidade única. Não haviam casado, muito menos tiveram filhos, apenas levavam nos ombros uma série de relacionamentos incertos e duvidosos, coisas que nunca dariam certo, ou faltava demais ou tinha demais, nunca achariam a medida certa. A medida que se completavam um no outro.

Medida que nunca voltaria a se completar.

Haviam se conhecido numa tarde quente em que chovia e fazia sol, em um fenômeno atípico. Corriam em busca de abrigo para a chuva cada vez mais forte, o sol os queimando enquanto tinham parado lado a lado sob a tenda de uma barraca, ombros desnudos se chocando e corpos gelados. Foi o início de algo que habitaria suas memórias pelo resto de suas vidas.

Tão cedo como havia começado tinha terminado, no auge dos vinte e um anos Yeonjun era alguém cheio de impulsos e bobagens que o perseguiam como se fosse uma criança, a tranquilidade de Taehyun era muito para si, quando as brigas vinham era o silêncio que ficava, não os gritos. Uma tranquilidade que passou a apreciar nos vinte anos que passou sozinho no sol, esperando a chuva o levar de volta aquela barraca.

Atipicamente em um dia de chuva o mais velho se fora. Deixando o gosto frio das palavras poucas e Taehyun ansiando pelo muito, havia dito que precisava de liberdade, de barulho e de pessoas interessantes. Taehyun nunca tentou mudar.

Se reconheceram, se abraçaram e apertaram as mãos. Yeonjun sorria, sempre sorria cintilando, Taehyun o observava, os gestos que nunca mudariam. O convite partira de Yeonjun, impulsivo, desejava almoçar com o outro, que agora detinha os cabelos pretos, naturais.

Yeonjun cintilava, Taehyun intimidava.

Caminhavam lado a lado, ombros roçando como a vinte anos numa data esquecida que não se recordavam, o momento era o suficiente para suas mentes. Se sentaram frente a frente, fitaram-se, o olhar incógnito em choque com o olhar cintilante. Apenas Yeonjun sorria, contava sua vida enquanto Taehyun comia, todos os relacionamentos desastrosos que tivera, ressaltado cada defeito. Yeonjun nunca mudaria.

Falava sobre um rapaz que, àquela altura, Taehyun não lembrava mais o nome, falava o quanto o outro era barulhento e bobo, fútil. A voz dele cintilava, parecia brilhar.

Há vinte anos não ouvia aquela voz que agraciava seus ouvidos com o brilho incomum, brilho que conheceu naquela tarde atípica.

O silêncio se fez, desfazendo-se quando Yeonjun lhe incentivava a contar casos igualmente frustrantes de pessoas que sequer chegaram a amar inteiramente, a amar como amaram um ao outro.

Taehyun contou, sem sorrir, sem se deixar levar por memórias ou desviar daqueles olhos pretos brilhantes. Eram calmos demais, falavam pouco demais e nunca foram capazes de cativar Taehyun, nunca lhe tiraram sorrisos despreparados ou fizeram rir de algo estúpido. Nunca o fizeram feliz como Yeonjun fizera.

– Me escreva, telefone, me chame para sair.

Yeonjun ditou depois que voltaram a sumir na multidão, seguindo caminhos opostos como a vida havia os dito para seguir, porém o mais velho havia corrido atrás daquele que tinha memórias de vinte anos, a caneta dourada fazendo rabiscos no papel, deixando o rastro cintilante, e enfiou no bolso do paletó bem arrumado de Taehyun, ditando palavras que o perseguiram até que o fizesse.

Talvez nos próximos vinte anos estivessem sentados juntos de dedos entrelaçados e sorrindo, lembrando de coisas de quarenta anos. Ou talvez apenas olhando um para o outro, cintilando e intimidando.

13 de Julho de 2020 às 00:01 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

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