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tony_dragneel Tony Dragneel

Honra, bravura e virtude: esses são os pilares da cavalaria, a mais antiga das tradições bretânicas. Mas será mesmo que é aí que reside o coração do cavaleiro?


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O Coração do Cavaleiro

Tempestuava ferozmente. A chuva era forte e carregada, e a monotonia e sincronia dos grossos e barulhentos pingos caindo era quebrada por trovões ocasionais. O céu, tão escuro que parecia noite, era frequentemente preenchido por lampejos claros de luz branca, relâmpagos que desciam ao chão em algum lugar não tão longínquo.

Mesmo com esse tão inoportuno empecilho, a Cerimônia de Investidura não fora adiada. Era um evento importante demais para se deixar estragar por uma mera chuvinha, afinal, nem mesmo a atual guerra em curso fora capaz de impedi-la, tamanha sua carga e simbolismo. As condições poderiam não ser as melhores, mas não era algo tão fútil que pudesse ser simplesmente deixado de lado, mesmo que por um curto tempo.

Claro, porém, que, diferente da maioria das vezes, a cerimônia estava bem mais vazia, e não ocorria no mais adequado dos lugares. Em um celeiro velho e abandonado em algum lugar no interior de Bretan (ou Fieranai, era impossível dizer), os poucos integrantes ainda vivos da família real bretânica se reuniam, temerosos, acompanhados de um tenente — representando o General, ocupado liderando suas tropas na batalha de Colkkner — e dos cavaleiros oficiais que puderam ser convocados. Somavam, ao todo, oito pessoas, uma porcentagem ínfima do que geralmente se faz presente em uma nomeação de grau tão relevante.

Se fazia presente também, claro, aquele que seria nomeado: Bernard Arthur Crowley Threaway, 22 anos, soldado bretânico, perdera os pais com oito anos de idade, morara com o tio desde então — um capitão aposentado, morto dois anos atrás, no início da guerra. Além de tudo, Bernard também perdera a perna e o braço direitos na última batalha, tendo que usar uma frouxa prótese de madeira arranjada por um mago que infelizmente morrera no ataque alguns minutos após a operação. Isso, claro, sem contar os outros diversos dramas que o menino passara em sua tão curta vida. Mesmo com tudo isso, porém, Bernard não era um homem triste, e naquele dia em especial, então, estava naturalmente mais feliz do que se poderia esperar de alguém com tão trágica história.

Da família real, haviam sobrado apenas três: a rainha Victoria Hatgow Griffin, com seus bem-aproveitados oitenta e três anos; a princesa Carol Hatgow Griffin, de vinte seis anos, a última dos filhos legítimos do falecido rei Frederick Griffin (popularmente conhecido como Frederick, o Adúltero); e Peter Hatgow Griffin, filho bastardo do rei Frederick, de apenas sete anos de idade.

A rainha, já bem idosa, mal conseguia ficar de pé, esperando deitada a visita cada vez mais próxima da Morte, mas acompanhando atenta a cerimônia, conduzida por sua filha. Pelas tradições, seria a rainha que concederia as honrarias, mas devido a sua condição, a princesa Carol teve que assumir esse posto, afinal não muito tempo depois ela mesma seria coroada. Já o menino (futuramente, Peter, o Ilegítimo) brincava no chão enlameado, fingindo ser um príncipe capturado por um maldoso bruxo enquanto esperava por um bravo cavaleiro que pudesse salvá-lo.

Dos cavaleiros nomeados oficialmente, se faziam lá presentes apenas três. Normalmente, todos os cavaleiros nomeados vivos e em condições adequadas eram convidados a prestigiar a cerimônia e deixar seus bons votos, mas com a guerra, apenas aqueles foram encontrados e conseguiram participar. Os outros, onde estavam ou mesmo se estavam vivos, era difícil dizer. A maioria estava em batalha, ajudando o exército real (ou ao menos, era o que se esperava).

Na tradição bretânica, o cavaleiro é muito mais um título de honra do que efetivamente um soldado ou membro do exército. Claro, se esperava um nível de lealdade à nação daqueles que foram nomeados, mas, ao menos oficialmente, eles não tinham obrigação de participar de guerras e combates diretos, afinal, nem sempre o cavaleiro é um combatente ou guerreiro, já que existem registros de até mesmo fazendeiros que foram nomeados, por exemplo.

O único compromisso real do cavaleiro era defender e obedecer a família real a todo custo. Eles poderiam não dever lealdade à nação, mas deviam ao Rei e à Rainha, afinal, era isto que significava o título: alguém de confiança, que se provara leal e amigo da realeza, e que, por isso, mesmo não sendo parte da família, merecia ser considerado parte da nobreza. Um cavaleiro, portanto, sempre era alguém virtuoso e de bom coração — ou ao menos assim deveria ser.

Voltando à cerimônia, os cavaleiros que estavam presentes eram, novamente, três: Sir Gerald de Rivie, ex-mercenário, contratado pelo rei Frederick para eliminar uma estrige que fizera residência no castelo, e nomeado após quase se matar para proteger a princesa, ainda criança na época; Dama Elizabeth Fermont, nomeada após sua honra e bravura na batalha de Girrois, onde não permitiu que seus companheiros executassem os soldados ehorani após sua rendição, desafiando a autoridade do seu comandante e preservando a honra e tradição do povo bretânico; e Sir Theobald, o Cego, que ganhou o título após impedir, sozinho, que um comboio inimigo entrasse na cidade de Circen, mesmo com sua tão debilitante condição.

E, por último, estava lá também o tenente Daniel Dacrox, representando o exército bretânico, enquanto o General se ocupava com a guerra. Não tinha muito contato com a família real, já que fazia parte de um regimento alocado no interior, e, ainda por cima, levava consigo o antigo ódio do exército para com a nobreza, estando lá completamente contra a vontade.

Esses eram, então, os oito participantes de uma das mais turbulentas Investiduras da história bretânica, feita em meio a uma das maiores e mais sofridas guerras já vistas por aquela nação. Apesar de tudo isso, o clima ainda era de alegria, e os presentes faziam de tudo para manter a compostura e honrar uma das tradições mais antigas da parte ocidental do mundo. “Maior do que o medo deve ser a bravura, e maior do que as dificuldades deve ser a tradição. Acima de tudo, vem a honra, e antes de todos, vem a virtude. ” Essa era a máxima dos cavaleiros, o ditado repetido por séculos e perpetuado no coração de todos os cidadãos bretânicos — essa era a alma de Bretan, ou ao menos deveria ser.

— Pelos meus poderes como – futura – Rainha de Bretan, eu, Princesa Carol Hatgow Griffin lhe concedo, Bernard Arthur Crowley Threaway, o título de Cavaleiro. A partir de hoje, você deverá ser conhecido como Sir Bernard dos Membros de Ferro, e deverá jurar que permanecerá honrado e corajoso até o fim dos seus dias, e que jamais se deixará cair em tentação pelo caminho da desonra e da depravação.

— Eu, Bernard Arthur Crowley Threaway, aceito o título de Sir Bernard dos Membros de Ferro, e juro que, até o fim de minha vida, a minha bravura será maior que o meu medo, e jamais deixarei qualquer dificuldade impedir as tradições. Acima de tudo, vem a honra, e antes de todos, vem a virtude.

— Então assim será. Você agora é parte da família real e a ela deve lealdade para toda e qualquer situação, jamais podendo lhes recusar um pedido, a não ser que ele próprio desafie aquilo a que você jurou. Seu compromisso é, antes de tudo, com a honra, e antes de todos, com a virtude. Passo agora a palavra ao Exército Real Bretânico.

— Eu, tenente Daniel Dacrox, aqui estou como representante do General Tibald Kennoly Alleway, autoridade máxima do braço militar desta nação. Representante da graça dos poderes de meu soberano, declaro-lhe oficialmente um soldado bretânico, capaz de participar sempre de qualquer conflito em que esta nação participe, e entrada livre por entre todo e qualquer território militar, contanto que use esses poderes para agir pela honra e pelas virtudes, sempre defendendo a nação e a realeza, e jamais agindo covardemente por aqueles que forem nosso inimigo. A partir de hoje, você, Sir Bernard dos Membros de Ferro, tem autoridade para com os soldados dessa nação, podendo os dar ordens em batalha, sempre visando aquilo que é melhor para a nação e a realeza. Assim digo eu, tenente Daniel Dacrox, com o nome e a autorização do General Tibald Kennoly Alleway. Devolvo a palavra à Princesa.

— Antes de finalizarmos a cerimônia, algum dos já investidos cavaleiros gostaria de fazer o uso da palavra? — Ao que a Princesa terminou de falar, todos os três levantaram as mãos — Por ordem então daqueles que possuem o título a mais tempo, passo a palavra ao Sir Gerald de Rivie.

— Agradeço, Vossa Alteza — começou o velho — Farei curtas as minhas palavras, pois sabem que jamais possuí o dom da oratória. Sir Bernard, o que tu acabaste de receber é, ao meu ver, a maior honraria que um homem pode se orgulhar de ter recebido. Nem se tu foste coroado Rei poderia considerar-te alguém tão nobre, então orgulha-te por ser um daqueles que, por ter mostrado honra e bravura, ostenta o breve, porém poderoso, título de Sir. Jamais descumpra aquilo a que tu juraste, nem desonre a você, ao título e àqueles que o concederam. Passo a palavra, agora, aquela que se faz de pé ao meu lado, Dama Elizabeth Fermont.

— Agradeço, Sir Gerald — começou a jovem — Sir Bernard, poderia eu ficar aqui horas e horas falando sobre o que é ser um cavaleiro e a carga que o título carrega, mas assumo que, se você o recebeu, é porque sabe de todas essas coisas. Ao invés disso, então, dar-lhe-ei um presente, para que assim seu título, Membros de Ferro, faça não só um sentido simbólico, mas também literal. Dou-lhe, então, uma prótese de uma perna e de um braço, feitos em ferro por um excelente artesão. Se me permitir, após a cerimônia, usarei dos meus conhecimentos em magia para conectá-los e os fazer funcionar. Concedo a palavra agora a Sir Theobald, o Cego.

— Agradeço, Dama Elizabeth — começou o homem — Sir Bernard, antes de qualquer coisa, deixe-me fazer-lhe uma pergunta: onde reside o coração do cavaleiro? Vamos, pode falar, eu lhe concedo a palavra.

— Perdão, Sir Theobald — disse Bernard, confuso — Mas temo não ter entendido...

— O coração de um cavaleiro, onde ele fica? O coração das pessoas precisa estar em um local protegido, naturalmente, para que ele possa continuar bombeando vida, não? Então, em que lugar fica o seu coração, cavaleiro?

— Aqui, no meu peito? — Disse Bernard, ainda confuso.

— Não, não ali. Não me referi ao seu lugar literal, mas sim... metafórico. Diga-me, você já ouviu a história de Gerfreyy Thalantor, do Coração de Pedra?

— Não, senhor, não que eu me lembre.

— Não me admira, é uma lenda muito antiga, contada desde a época do Império. Como a maioria das histórias daquela época, ela é triste, brutal e sombria, mas carrega uma poderosa mensagem. É longa demais para que eu a conte aqui, e não acho que seja o melhor dos momentos, para ser sincero, mas recomendo que você a procure, talvez a ache em alguma biblioteca por aí. Em suma, Gerfreyy era um menino cujo coração era feito de pedra, lhe dando uma vida obscura e sem sentido. Durante anos, ele procurara um local em que ele pudesse guardar seu coração, na esperança de fazê-lo bombear e, assim, dar cor à sua vida, mas nunca obtinha sucesso. Até que, um dia, ele encontrou um bardo tocando em alguma taverna e algum lugar no mundo. Naquele momento, seu coração começou a bombear e Gerffrey, pela primeira vez em sua vida, sentiu emoções e sentimentos. Achara ele que havia finalmente se apaixonado, encontrado o amor da sua vida, o homem que guardaria seu coração. Passaram, então, muito tempo juntos, mas Gerffrey não teve aquele sentimento novamente – exceto quando o bardo cantava. Ele, então, percebeu que seu coração não residia no bardo, mas sim na música. E, a partir de então, Gerfreyy passou a cantar, a tocar e a compor músicas para o resto de sua vida, encontrando finalmente o lugar onde estava seu coração. Ou pelo menos esta é a versão que eu gosto, não é de bom tom terminar com o real final deste conto. Mas, de qualquer forma, você entendeu o que quis dizer? Então, me responda: onde reside o coração do cavaleiro?

— Senhor, esta pergunta é... — Bernard ficou quieto por um tempo, pensativo — Eu não sei, senhor. O cavaleiro, ele precisa de honra, virtude e lealdade, então eu diria que é nisso que ele guarda se coração. Ele encontra sua motivação de viver nisso, em fazer o bem, em ajudar o mundo a ser um lugar melhor.

— Bem, claro, este é um lugar possível, sim. Mas é aí mesmo que ele fica? É aí, Sir Bernard dos Membros de Ferro, que fica o seu coração?

— O meu coração...?

— Pense nisso, garoto, ou você poderá acabar com o coração de pedra, se já não o tem. Mas bem, já falei demais agora. Devolvo a palavra à Vossa Alteza.

— Agradeço, Sir Theobald — disse a princesa — Mais alguém dos aqui presentes deseja fazer uso da palavra? Não? Então, declaro a Cerimônia de Nomeação encerrada.

A fala da princesa foi seguida por uma curta e cortês salva de palmas, e, após isso, por um sombrio e triste silêncio. Todos ficaram cabisbaixos e soturnos, voltando suas cabeças para a horrível situação em que se encontravam.

Já estava próximo do anoitecer e a tempestade começara a se acalmar. O menino Peter, tremendo de frio, foi deitar-se ao lado da rainha, que agora já pegara no sono. A Princesa e o tenente foram para um canto e passaram a discutir, baixinho, sobre que curso de ações deveriam tomar. Sir Gerald e Dama Elizabeth logo se juntaram a eles, e Sir Theobald ficara sentado sozinho, fumando um cachimbo.

Bernard, aproveitando a aparente distração de todos, esgueirara-se para fora do celeiro.

— Sir Bernard dos Membros de Ferro, é? — Disse uma suave voz, vinda de trás do cavaleiro — Gostei. Mas espero que não sejam todos os membros feitos de ferro...

O homem baixara levemente a cabeça, mirando seus olhos para a virilha do cavaleiro — Continuarei te chamando de Bernie, porém, se não se importar.

— Mas é claro que não, Charlie — disse Bernard, beijando o homem.

— Parabéns, meu querido! Você conseguiu. Agora está oficialmente entre as melhores pessoas do mundo.

— Não exagera. No fim, é só um título escolhido por aqueles que, no momento, são os mais poderosos.

— Fale mais baixo, se ouvirem você falando isso vai conseguir o título de cavaleiro pelo menor período de tempo da história. Venha, vamos deitar lá nas árvores, a chuva já está parando.

Os dois garotos, de mãos dadas, embrenharam-se no bosque ao lado, deitando-se, escorados, em uma alta árvore que encontraram. Charles, um homem baixo e magro, de olhos azuis e desgrenhados cabelos negros, apoiara sua cabeça no ombro de Bernard, um homem alto, forte, de olhos esverdeados e curtos cabelos loiros.

— Sabe, isso de ser cavaleiro, no início, eu estava bem empolgado — disse Bernard — Mas agora, vejo que isso não significa muita coisa.

— Como não? — Perguntou Charles, mesmo já sabendo qual seria a resposta — É literalmente a maior honraria que um homem pode receber neste país, quiçá neste mundo.

— Em teoria, sim, você tem razão, mas de que significa isso se, no fim, é apenas um título dado por aqueles que são mais influentes? Não é algo que, digamos, as pessoas te nomeiam. São os mais poderosos, os reis, que dizem se você tem ou não tem honra.

— Você está insinuando o quê? Que a família real nomeia aqueles dos quais eles mais gostam? Amor, isso é uma tradição secular, talvez até milenar. Eu concordo que nossos governantes têm sido uns babacas desde sempre, mas eles não vão jogar os costumes fora, isso eu posso garantir. Você viu quantos outros cavaleiros estavam presentes, só três, todos plebeus que se mostraram heróis em situações difíceis.

— É? Mais heróis para quem? Não me entenda mal, não estou falando contra a família real, a Princesa será uma boa rainha, vejo nela um bom coração. O que quero dizer é que os cavaleiros não são heróis do povo. São pessoas que, de uma forma ou de outra, ajudaram a realeza. Se é realmente um título que representa honra e bravura, por que então não nomearam o senhor Magote, que, sozinho, impediu que um batalhão inteiro massacrasse sua vila?

— Porque, ao fazer isso, o fazendeiro forçou os soldados bretânicos a mudarem sua rota, atrasando sua chegada no posto em Haram, quase às custas da cidade inteira.

— Mas é o que estou falando, a família real pouco se importa com quem é bravo e honroso de verdade, somente com aqueles que os ajudaram. Eles são os reais cavaleiros.

— Você está sendo injusto. Esquece dos diversos cavaleiros em nossa história que nem lutar sabiam, mas foram nomeados por sua bravura em desafiar aqueles mais fortes apenas com as palavras.

— Não sei, Charlie... — disse Bernard, inconformado — Eles sempre falam de honra, de bravura, virtude, mas será que é isso mesmo? Sabe, o discurso do Sir Theobald, sobre o coração, quando ele começou a falar, percebi olhares confusos e frustrados, vindos dos outros cavaleiros e até mesmo da própria princesa. Mas, de todos, achei aquele o discurso mais honesto. Foi o que mais gostei.

— Aquele sobre o lugar do coração? Você não respondeu, disse que não sabia. Quer dizer que você tem um coração de pedra, é? — Disse Charles, rindo.

— Espero que não — respondeu Bernard, com um sorriso forçado — Aquelas palavras, elas mexeram tanto comigo. Sabe, eu já estava esperando mais um discurso repetido sobre honra e bravura, que acabei me pegando de surpresa por ele falando de motivação, vida e... amor. No fim, era sobre amor. Ele quis dizer que nós precisamos amar algo para seguir em frente, precisamos ter algo em qual depositar nossa motivação de viver, se não, não há mais motivo para continuar.

— É mesmo? Então, me diga, cavaleiro, onde reside seu coração?

Bernard olhara para o céu, já escuro, e agora sem nuvens. As estrelas pontilhavam pela escuridão, e a lua, linda e enorme, iluminava a floresta de pinheiros.

— Eu te amo, Charles — disse Bernard, fechando os olhos.

— Eu também, Bernard — respondeu o homem. “Eu também”.

12 de Julho de 2020 às 03:38 0 Denunciar Insira Seguir história
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