wesleydeniel Wesley Deniel

Uma rara e calma tarde de sol na cinzenta Londres, de repente é transformada num caótico espetáculo de loucura e morte quando Thomas Campbell, um guarda-costas da máfia salta pela vidraça de um prédio e dá início a uma fuga alucinada. Algo terrível o perseguia, uma força incansável e corruptora que não se deteria até possuí-lo. Agora, tendo de abrir caminho entre uma legião de criaturas saídas de seu pior pesadelo e através de um mundo em colapso, sua única alternativa é escapar ou abraçar a um destino pior que o inferno.


Horror Para maiores de 18 apenas.

#caminhão #terror #aventura #drogas #Perseguições #máfia #conto #demônios #pesadelo #loucura #medo #ação #295
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PARTE 1


Ensandecido, ele acelerou a Ranger Raptor para mais de 150 km/h. O potente motor roncou, a caminhonete pareceu dar um salto e foi como uma pantera negra rugindo ao atacar sua presa. Todos abriam caminho enquanto voava por entre os carros – para cima deles – sobre a ponte Príncipe de Gales. De jeito nenhum se atrevia a olhar pelo retrovisor, apenas ouvia os sons de pneus derrapando, buzinas, gritos e de ferro sendo castigado. Seu nome era Thomas Campbell, já fugia como um louco por mais de trinta quilômetros, e atrás dele o inferno o seguia.

Os olhos de Thomas pareciam vidrados, como se ele tivesse se atrevido a espiar por algum furo no fino tecido que nos separa de algum outro mundo tenebroso e o que vira lhe tivesse drenado a sanidade. Estavam arregalados, mas imóveis, sem a insana dança que via nos olhos elétricos e de pupilas imensas dos viciados que, como parte de seu trabalho, tinha de espancar quando se esqueciam de pagar suas dívidas. Oh, não; pelos cornos de Baphomet, aqueles ali eram olhos que simplesmente poderiam se descolar das órbitas e cair em seu colo a qualquer instante e ele sequer notaria.

Era provável que continuasse dirigindo cego, sem se importar, até que batesse em algo e explodisse. Na verdade, tal ideia havia lhe ocorrido coisa de dez quilômetros atrás, quando a luz do marcador de combustível abaixo do velocímetro acusara estar prestes a entrar na reserva.

Queimar será bom, pensou. Queimar é misericordioso.

Se virasse 120 quilos de recheio para salsicha ou queimasse até restar somente cinzas, achava que estaria de bom tamanho, seria um dos finais que já imaginara para sua vida nada decorosa. Pensara em um monte deles – alguns até piores que terminar feito bacon – em seus dez anos como leão de chácara para a máfia. Certa vez quase fora dado de comer para três pitbulls nos fundos de um depósito em Canning Town. Fora salvo por pouco por um conhecido, Simon Cara-de-Poker que naquele dia iria jogar algumas rodadas nos fundos de uma boate de striptease e reconhecera o Dodge Challenger de Thomas, aberto e abandonado num beco ali perto.

— Simon — disse entredentes, a lembrança daquele dia voltando. — Precisava de você agora, parceiro.

O apostador inveterado havia se esgueirado pelo depósito, seguindo os latidos e as risadas de dois sujeitos, e posto uma bala do mini .22 Magnum que levava preso ao pulso quando saía para jogar na nuca do russo que ameaçava soltar as correias dos cachorros amarradas a um poste. O camarada sádico caíra para frente com um novo olho vermelho bem entre os dois originais de fábrica, seu parceiro correra como uma criança assustada e os cães acabaram devorando um belo tanto do russo enquanto Simon desamarrava a Thomas.

Teria sido outro fim interessante, um esperado por tipos como ele. Agora, o que não desejava de modo algum era encerrar o show sendo apanhado por... bem, o que quer que fosse que o estivesse perseguindo. Deus do Céu, aquilo não! Vira o suficiente da coisa para saber que existem destinos piores que a morte. Vira o que aquela porra saída dos infernos havia feito com os filhos da mãe que conseguira envolver em suas garras medonhas.

Transformados... Os putos foram transformados!

Os pensamentos voavam como sua franja loira a la Peaky Blinders ao vento e a vontade de resolver aquela sua louca situação por conta própria fora apenas um deles. Pensava que não merecia aquilo (mas sabia muito bem que merecia), pensava sobre quem teria sido o responsável por invocar Cthulhu desta vez e em como a merda do apocalipse podia acontecer bem no dia em que iria sair para dar uns amassos com aquele instrutor quarentão, mas incrível de Krav Maga com quem vinha flertando há semanas, e por que aquela maldita caminhonete não criava asas e voava com ele para fora desta porra de mundo totalmente insano!

Houve um estalo súbito e Thomas deu um grito; um cabo de aço, grosso como esperava que fosse o brinquedo de Donnie Weiss, o instrutor israelense, soltou-se da ponte e bateu com uma força destruidora na coluna dianteira do outro lado, rasgando parte dela e do banco do passageiro feito faca quente na manteiga, fazendo-o quase se borrar. Por alguns centímetros não fora partido em dois.

Os cabos chicoteavam, acertavam um ou outro veículo e os fazia dançar e bater contra as grades de proteção e uns contra os outros. Faíscas explodiam por toda parte à sua volta. A maldita ponte vai parar no fundo desse charco! Thomas acelerou mais.

Não fazia a menor ideia do que o perseguia (se é que era apenas a ele) desde as duas da tarde, quando tivera de saltar pela janela do terceiro andar de uma fábrica de suplementos vitamínicos em Hambrook após os funcionários do laboratório onde ele aguardava pelo patrão enlouquecerem e tentarem trucidá-lo. Só sabia que, em meio ao caos que tomara o lugar de um instante para outro, enquanto atirava em uma jovem que há vinte minutos havia passado por ele e lhe oferecido chá, a coisa arrebentara a imensa parede de vidro espelhado da fachada do prédio e passara a transformar todos que envolvia com sua névoa em novas criaturas demoníacas.

Aquela merda não escolhia a quem destruir, era a emissária do fim de todos os fins. Corrompia, enlouquecia somente com sua proximidade, regredia a mais sensata das almas a um selvagem insano e depois lhes moldava à forma que talvez escondesse no interior de sua bruma tempestuosa e doentia.

Thomas precisara de menos de dez segundos para compreender que saltar para o que for que estivesse esperando por ele doze metros abaixo era tudo o que tinha. Era uma bosta de ideia; se ao invés do baú de alumínio do caminhão que aterrissara sobre ele tivesse dado o azar de ser uma caçamba repleta de lixo laboratorial, teria afundado até o pescoço em seringas e vidro quebrado, mas era isso ou entrar para o exército bestial daquela monstruosidade.

Continuaria por mais algum tempo atravessando áreas rurais e em uma pista que o permitia voar e manter distante a abominação, mas logo chegaria a Wilcrick ou Underwood, e lá ele sabia que teria de pisar no freio, talvez até parar, uma vez que a reserva acusava uma autonomia de mais quinze ou vinte quilômetros no máximo.

Tentou pensar em outras estradas, mas não conseguia raciocinar direito, sua mente não colaborava, parecia turva e fugidia como as dos derrotados que se enfiavam naquelas merdas que seu patrão traficava. O trânsito à frente perdia os contornos e volta e meia seus olhos se voltavam para aquela coluna do carro, rasgada feito... Ei... Agora espere um pouco! Onde estava o rasgo feito pelo cabo de aço da ponte?! Thomas apalpou o banco ao lado e percebeu que também estava intacto.

— Não... Não me venha com essa, parceiro!

Era tudo o que faltava, sua mente começar a lhe pregar peças! Passou as mãos pelo cabelo e tornou a apertar o volante, estava inquieto. Esfregou os olhos com força e tornou a olhar para o banco: inteirinho. Bufou irritado e desviou-se em cima da hora de um Mini Cooper azul que teria transformado em sanduíche se o tivesse atingido.

A ponte ficou para trás. Não desabou, afinal de contas (ao menos não com ele em cima), mas muita gente devia ter se machucado e boa parte da culpa era dele. Não que Thomas se importasse no momento. Estava fugindo do fim do mundo, se aqueles estúpidos lá atrás não possuíam instinto de sobrevivência, era melhor mesmo que se fodessem e saíssem de seu caminho.

À sua frente surgiam fazendas com inúmeros silos e celeiros, e Thomas chegou a cogitar se não conseguiria se esconder da coisa ao invés de continuar correndo como louco, sem destino ou qualquer plano. Logo rejeitou a ideia; achava mesmo que aquilo poderia ser simplesmente despistado como um bando de tiras gorduchos?

As fazendas deram lugar a uma vasta área florestal que se adensava até que as árvores formassem um túnel natural que Thomas conhecia bem. Entrando na mata à esquerda e quase perto do limite com Severnside Range ficava a cova rasa de Leigh Zancanelli – Zan, O Mágico, para os amigos, devido a sua incrível habilidade de sumir com o dinheiro dos outros – que, apesar de não tê-lo despachado para encontrar-se com Houdini, ajudara Nick Samoa, O Apache e Sammy Manchester a enterrá-lo como um favor a Dexter Dewsbury, um dos associados de seu patrão.

Um tronco de árvore passou voando ao lado da caminhonete, tirando Thomas da lembrança e indo acertar um Evoque cinquenta metros adiante. O utilitário pareceu ser atingido por uma carreta, seus pedaços voaram por toda parte e metade dele rolou para cima de Thomas, que se desviou por muito pouco.

— MAS QUE PORRA...

Outra árvore passou por cima da Ranger Raptor e foi cair no meio da pista, de atravessado. Thomas jogou a caminhonete para o estreito acostamento e por conta de meio metro não teve toda a lateral arrancada pela grossa raiz. Ouviu uma buzina, um grito e o barulho de uma chapa de aço sendo acertada por uma marreta. Alguém não conseguira se desviar tão bem quanto ele.

Batera na árvore? Por que diabos buzinara para a merda de uma árvore? Ou fora para ele? Foda-se. Muita coisa para pensar.

Conforme a coisa se aproximava dele, o som de sua destruição ia aumentando, árvores sendo arrancadas inteiras para serem arremessadas contra ele; asfalto, terra, pessoas, tudo ao redor sendo engolido e depois cuspido. O próprio Satã provavelmente fora quem ordenara que lhe trouxessem a cabeça de Thomas Campbell e, se os seus cupinchas fossem tão filhos da puta quanto ele, sabia que só parariam quando a porra de sua cabeça estivesse numa bandeja.

Quando faias e bétulas começaram a subir da terra com raízes e tudo, como se arrancadas por gigantes invisíveis e a voar para cima de seu carro, o gângster realizou que desta vez talvez não conseguisse se safar.

De repente alguém surgiu bem na sua frente. Thomas teve segundos para vê-lo, mas foi o bastante para que sua boca se abrisse e não tornasse a se fechar. Não queria acreditar no que via, mas a porra estava lá: Zan, O Mágico, em toda sua glória. Havia ressuscitado, escavado seu caminho para fora da sepultura e agora vinha buscá-lo.

— Tom! Seu desgraçado — gritou o morto-vivo, e abriu os braços ossudos, com farrapos de pele cinzenta pendendo como trapos velhos em um arremedo de abraço. — Agora vou sumir com voc...

Thomas o acertou a mais de 120 km/h. O cadáver explodiu antes de terminar sua última ameaça. Uma chuva de sangue negro lavou o para-brisa como se atirado com um balde, enquanto pedaços e tripas voavam.

— VOLTA PRO INFERNO, ZAN!

O mundo se encheu de uma risada maligna; a entidade atrás dele se divertia em vê-lo enlouquecer.

O túnel natural acabou em outra breve ponte e um distrito industrial ganhava espaço mais além. Fábricas com chaminés vomitando sua fumaça negra ajudavam a escurecer o céu; caminhões tanque entravam e saíam sem parar pelos portões de uma refinaria de petróleo. Por pelo menos cinco quilômetros adiante tudo o que podia ser visto no horizonte eram bombas cabeça de cavalo, plataformas de carga, composições com vagões tanque e uma interminável fila de reservatórios de aço.

Quando Thomas os viu, hesitou. Isso não vai ser nada bom.

Um som familiar chegou a seus ouvidos. Sirenes. Muitas delas. Achou até que haviam demorado. Então quer dizer que o mundo estava desabando e onde haviam ido parar aqueles preguiçosos comedores de peixe com fritas?

Vinham de trás, de meio ao bosque onde Zancanelli tinha voltado do além para um acerto de contas. Só que não fazia sentido: atrás dele só restava destruição. Como, em nome do chapéu da Rainha, algo poderia sobreviver em meio a tanto caos? Então o som ardido das sirenes passou a vir também a seu encontro.

Quando as primeiras viaturas surgiram no campo de visão de Thomas, ele não pôde acreditar no que via – e olha que já tinha visto loucuras por duas vidas! – Aquilo não era a polícia. Não dirigindo aquelas coisas bizarras. As viaturas espalhafatosas da Polícia Metropolitana de Londres eram feias, mas estas pareciam com algo que se veria num filme de Mad Max.

— Só pode ser brincadeira... — balbuciou, firmando os olhos para ver se estes não o enganavam.

Eram máquinas medievais, grotescas, negras e repletas de espinhos, soltando uma fumaça preta como locomotivas impensáveis por longos escapamentos e... Vejam, os policiais se puseram para fora das janelas, e não é que eram todos demônios?

Claro que são, pensou Thomas, o mundo todo agora pertence a deles!

O que eram aquelas traquitanas em suas garras? Um deles urrou ao passarem por Thomas e no carro logo atrás um dos monstros atirou algo no chão com uma arma que lembrava um bacamarte. Uma língua preta se estendeu feito uma cobra e quando a Ranger Raptor a atropelou, começou a dançar imediatamente.

Os malditos furaram meus pneus!

Thomas não tirou o pé do acelerador, a caminhonete ziguezagueava e ele, firme, tentava mantê-la em linha reta. De trás dele veio uma bola de fogo que atingiu o vidro traseiro e o fez em pedaços; outra delas acertou o retrovisor lateral do seu lado e o fez sumir em uma nuvem de chamas.

Bolas de fogo.

Por que não? Demônios tinham de ter armas de demônios.

Tentando mover-se de modo a alcançar sua pistola, todos os seus músculos da cintura para baixo protestaram numa dor excruciante. Ninguém salta de um prédio e sai feliz e saltitante, mesmo caindo sobre um baú. Thomas havia torcido o pé direito, sua perna esquerda ardia e sua bacia ficara intacta por obra divina. Depois da queda, ele ainda tivera de descer de cima do caminhão. Outro impacto. Inundado pela adrenalina do momento, a dor fora grande, mas ele a suportara até alcançar o primeiro carro que encontrara destrancado, contudo, agora...

— Merda de arma! — xingava, arfando e trincando os dentes. Outra daquelas bolas de fogo acertou a porta do passageiro e Thomas forçou-se a esquecer a dor e a se levantar para alcançar sua arma. Apressado, atirara-a sobre o banco do motorista ao entrar na caminhonete e acabara sentando-se por cima dela.

— ENCOSTE ESSE CARRO! — ordenou um dos policiais demônios.

— NEM FODENDO, PARCEIRO!

A criatura então fez mira com uma espingarda que mais parecia um canhão e atirou uma bola de fogo bem no rumo de Thomas. Ele teria sido torrado ali mesmo se não tivesse previsto a intenção do monstro e freado a Ranger Raptor bruscamente.

Se continuasse na estrada, seria morto. Até aí, tudo bem; era outra morte que já havia pensado a respeito, uma digna de um gângster, mas... e depois? E se aqueles miseráveis o trouxessem de volta como um deles? E se apenas o ferissem e o levassem até seu mestre para sofrer tormentos que nem mesmo o carrasco de sua organização, Hannibal Gull, mais conhecido como “O Novo Jack” conseguiria conceber?

Finalmente Thomas alcançou a pistola. Apanhou a Desert Eagle pelo cano, sem muita força e a puxou de debaixo da bunda. Um modo nada digno de tratar uma arma – uma belezinha, como a chamava – como aquela, mas teria de servir.

Em meio ao show de faíscas de suas rodas, Thomas viu outro daqueles bizarros carros pós-apocalípticos tentando emparelhar-se a ele pelo acostamento da estrada. O policial que o dirigia bufava e seus olhos soltavam chamas, a máquina rugia e possuía dentes tão afiados numa enorme abertura que tinha no capô que fez Thomas lembrar um tubarão; parecia alguma loucura hibrida de metal com partes orgânicas saídas da mente de um mecânico degenerado.

— VOU ATIRAR EM VOCÊ! — ameaçou o demônio na outra janela da fera sobre rodas. Segurava o maior revólver que Thomas algum dia já vira; fazia sua Desert Eagle .50 parecer um pirulito. — ÚLTIMO AVISO!

— Eu não fiz nada, seus... — Seus o quê? Thomas nem sabia com o que estava lidando, quanto mais o motivo de o atacarem. Os cretinos não tinham de estar do seu lado, ajudando-o a escapar daquele holocausto?!

Sim, Tommy, vão ajudá-lo com uma merda que eles próprios criaram!

— Por que querem destruir o mundo?! — gritou para eles. Que pergunta idiota para uma hora daquelas.

A resposta, é óbvio, fora um disparo que o ensurdecera. O projétil, contrariando tudo o que Thomas esperava, fora um crânio em chamas, que crescera com um grito medonho assim que liberto do cano do enorme revólver. A caveira diabólica atravessou a janela, passou rente à sua cabeça (tão perto que ele sentiu seu cabelo chamuscar) e saiu por um rombo no teto da Raptor.

— PAREM COM ESSA PORRA!

Mas eles não iriam parar; não antes de eliminarem o inseto que se recusava a aceitar a nova ordem das coisas.

A arma cuspiu outro crânio flamejante e, desta vez, Thomas lhes retribuíra com vontade a gentileza. A Desert Eagle podia não ser do tamanho daquela estrovenga nas mãos do policial demônio, mas quando trovejou, arrancou metade da cabeça disforme da criatura. Mole e sem o fogo dos foles infernais provendo-lhe vida, ela caiu da janela e ficou para trás na estrada.

O motorista, seu colega de demonhices, enfureceu-se, e aos urros lançou sobre a caminhonete sua viatura tubarão. Thomas perdeu o controle, a Raptor dançou, ele a conteve e então foi sua vez de jogá-la para cima do demônio. O carro de pesadelo não contava com um condutor à sua altura, pelo visto, pois descontrolou-se, rodou e virou entre o mato rasteiro do acostamento, indo parar engalfinhado num alambrado.

As sirenes continuavam à toda, em breve algum dos monstros o deteria. A não ser que ele os detivesse antes... Sem pensar muito, Thomas jogou a Raptor contra a cerca de alambrados. Por um instante achou que ficaria preso ali mesmo, pois do lado interno, oculto por urzes e espinheiros, havia uma larga canaleta de drenagem pluvial, porém a robusta picape, por mais avariada que estivesse (e sem os pneus!), sacolejou, e subiu para fora da valeta.

Anthony Norsbury, que fora transformado numa coisa nauseabunda e fuzilado por um punhado de demônios, não estaria nem um pouco satisfeito com o que fora feito de sua caminhonete de estimação.

— Sabia que já atirei nas bolas de um cara por ter encostado em minha Patsy? — dissera-lhe certa vez. Thomas apenas o observara como a um animal exótico. Tony Cowboy era um tipo singular, sempre com aquele chapelão de vaqueiro americano, de botas bufantes e cinto com uma fivela que parecia uma bandeja. Ouvia country todo o tempo e vivia dizendo que um dia sairia de Londres e terminaria seus dias no Texas.

Bom, não terminou. Seu dias de vaqueiro de araque acabaram em Hambrook, condado de Bristol, Inglaterra. Ao invés de criar cavalos, virara demônio, e sua Pasty, antes cromada e brilhante, agora era uma carcaça toda esburacada.

— Deveria tê-la trancado ao sair, John Wayne de merda — resmungou Thomas indo em direção à composição de vagões tanque que abasteciam a mais ou menos uns trezentos metros adiante.

Houve uma série de estrondos e sons de sirenes falhando atrás dele e Thomas soube que o haviam seguido pelo buraco no alambrado. Alguns dos carros de pesadelo deviam ser pequenos, pois, diferente de sua picape, pareciam ter-se entalado na vala; contudo, outros conseguiram passar e o gângster implorava aos Céus (mesmo ele não tendo um relacionamento muito satisfatório com o Criador) que estivessem perto dele o bastante quando lhes entregasse seu presente.

A cem metros, Thomas vira uma série de rampas de concreto onde caminhões tanques subiam de ré e então mangueiras transferiam o combustível de seus tanques para os vagões, ou vice-versa. Era direto para lá que rumava.

— Gostam de fogo, não é?

Sete das rampas estavam ocupadas por caminhões e três permaneciam vazias. Thomas escolheu uma delas e acelerou. A rampa acabava rente a um vagão prateado com a inscrição ROMPETROL – ROMÊNIA. O caminhão tanque que despejara gasolina no vagão ainda se afastava e pequenos diabretes dançavam em cima do vagão tanque. Iriam todos juntos para o grande além, junto dele e dos policiais diabólicos. Achava-os felizes demais diante o fim do mundo, balançando suas asas de morcego enquanto se acabavam em rir – rir dele!

— RIAM DISSO! — gritou quando a caminhonete subiu pela rampa.

A Raptor voou e atingiu em cheio o meio do vagão. De olhos fechados, Thomas pensou novamente: Queimar é misericordioso. Aguardou pelo BOOOM e o calor que os assaria como patos, mas eles simplesmente não vieram. A colisão causou um barulho indescritível, como se o mundo estivesse se rasgando e, no entanto, o que restava da picape apenas atravessou o vagão e pousou sem muito alarde no gramado do outro lado, encharcada de combustível. Tudo ao seu redor havia sido ensopado em gasolina que, como numa cachoeira, escorria através do rombo.

Os diabretes tinham parado de rir; aliás, Thomas, confuso e empapado, podia jurar que por um segundo ouvira-os gritar por socorro... Dois deles tinham voado com o impacto, caindo a mais de quinze metros e um jazia empalado do maneira horrenda numa farpa afiada de alumínio retorcido do tanque.

— Não é possível... — disse Thomas, descrente.

— Ele está do outro lado! — gritou alguém com uma voz grotesca.

— Socorro!

— Arder, vamos arder por nosso deus!

Risadas, um mar de risadas, e então gritos de horror.

Thomas não entendia nada; estavam se divertindo ou amedrontados? Queriam foder com a mente dele, disso ele tinha certeza. Outra coisa: Por que diabos não fora tudo pelos ares?

Porque o mundo real é bem menos explosivo, pensou.

— Dêem a volta!

— Vamos tostá-lo!

Certo. De real aquela merda toda não tinha nada.

Ainda zonzo, Thomas fez força para abrir a porta toda amassada, mas desistiu quando ela sequer se moveu. Olhou ao redor e viu sua pistola automática jogada sobre o painel, apanhou-a e tentou sair pela janela. Caiu feito um fardo mal amarrado, com todo seu peso por sobre a arma e a bacia machucada, grunhindo de dor.

— Dêem a volta nessa bosta!

— Mas tem combustível por todo lado...

A composição havia se deslocado com a batida, fazendo com que as mangueiras dos outros caminhões se soltassem e agora havia gasolina esguichando por toda parte como em chafarizes.

— Matem-no em nome de Azathoth!

Azathoth? Ouvira mesmo aquilo? O que um deus antigo tinha a ver com toda aquela doideira? Thomas conhecia o nome perfeitamente; amava literatura fantástica e consumia Lovecraft como oxigênio quando não estava por aí espancando e enterrando pessoas, mas por que os policiais demoníacos estariam falando tal coisa?

Não ficaria ali para tentar descobrir. Arrastou-se para longe da Raptor e tentou pôr-se de pé. Cada osso no seu corpo doía como se... bem, como se ele tivesse acabado de atravessar com um carro um vagão de trem. Pegou a pistola e a ergueu. E então?

Não vai vencê-los, amigão. Vão te pegar e levar para...

— Oh, não vão, não.

Thomas capengou, afastando-se o mais que pôde, então mirou numa daquelas junções de mangueiras e disparou três vezes. Errou dois dos disparos, mas o último... Oh, que pandemônio causou aquele último!

O tiro acertou um dos chafarizes de gasolina e a faísca que faltara até então fez sua gloriosa aparição. Para Thomas foi como ver a maior churrasqueira do mundo ser acendida. Um FLUUUP surdo e assustador incendiou o ar e o rio de combustível e um cogumelo de fogo subiu alto no céu. No instante seguinte, Thomas era lançado longe e a sensação que sentira fora a de estar outra vez saltando de bungee-jump como fizera certa vez em um festival de música em Finsbury Park, de tanto um antigo namorado insistir que fizessem e, Deus, ele havia detestado saltar naquela bosta.

A queda também não fora nada agradável.

Os Demônios, a maioria aglomerados junto à composição, foram arremessados ainda mais alto, em chamas – alguns sendo apenas pedaços em chamas, e os poucos que não morreram naquele primeiro hecatombe, foram desintegrados pelas explosões dos vagões vizinhos. Uma chuva de fogo cobriu o campo, junto de destroços, rodas de aço e dormentes de madeira.

Um após o outro, os vagões explodiam e voavam, tornando os campos da velha refinaria um cenário de guerra. Thomas se arrastava, se levantava, corria um pouco e tornava a cair, estupefato com o que causara. Por duas vezes quase fora esmagado por detritos e, por muito pouco escapara de ser empalado por dois metros de trilho que se fincara fundo no chão, como um relâmpago, a menos de cinco passos dele.

O clarão da caótica explosão ainda o cegava, fazendo-o ver e desviar-se somente de vultos retorcidos e em chamas (tinha o cuidado de se afastar desses em especial, já que lembrava-se de estar ensopado em gasolina); não olhava para trás, não se atrevia. Tudo o que fazia era fugir como podia. No entanto...

CAMPBELL...

Oh, Senhor, o que o chamava?!

CAMPBELL, NÃO HÁ PROPÓSITO EM FUGIR...

— Me deixe em paz! — gritou Thomas, trotando com as pernas e os braços feito uma fera, então caiu de cara na terra, rolou, se levantou desajeitado e tornou a correr. Sentia que algo impronunciável se aproximava; a coisa passara pelo fogo, pela agonia e a morte, regozijada com a destruição e agora decidira atormentá-lo antes de por fim consumi-lo e escravizá-lo para sempre.

Sua visão clareava, mas ele preferia continuar sem enxergar. Viu o céu ao seu redor ficando mais e mais escuro conforme a força maligna se aproximava. As pernas se firmaram o suficiente para Thomas manquitolar um pouco mais rápido. Avistou ao longe ainda um prédio – por certo o setor de administração ou algum depósito, e bem ao lado, uma casa que lembrava uma daquelas sedes antigas de fazenda.

Thomas não achava que estaria mais seguro lá do que ali fora, mas se pudesse dificultar as coisas para o Senhor das Moscas, então ficaria satisfeito. Além disso, ele havia visto algo no céu que o perturbara ainda mais... Era uma espécie de pássaro ou pterodáctilo saído diretamente do universo sombrio mais próximo, uma criatura sem face, com asas flamejantes, pairando bem acima dele. Se aquela não era outra ótima razão para sair de campo aberto, nada mais seria.

Entre a velha casa e o prédio, escolheu o segundo. Ao menos parecia ou pouco mais sólido.

Havia dezenas daquelas criaturas saindo do prédio, algumas montando guarda do lado de fora, olhando para o grande incêndio, outras correndo para lá aos urros, as asas membranosas enfunadas; várias passaram por ele sem nem notá-lo, ávidas para se refestelar com a tragédia, rindo e blasfemando.

Uma das criaturas apontou para Thomas ao vê-lo capengando em sua direção com aquele olhar desvairado e começou a se afastar; outra delas o viu e correu, a boca espumando. Thomas ergueu a Desert Eagle .50 e disse:

— É bom que me temam, demônios filhos da puta! E saiam do meu caminho!

— Maldito seja!

— Foi ele! Foi ele quem...

POW! Thomas disparou para cima, cortando as imprecações pela raiz. As duas crias do submundo que o insultavam se escafederam, tropeçando nos próprios pés. Se algo exercia tal poder sobre as pessoas (e agora sobre demônios) era a sua belezinha e seu enorme cano niquelado.

Três outras criaturas apenas se encolheram quando Thomas passou ofegante por entre elas para esconder-se no prédio, o que o pôs a pensar em sobre quem era o demônio ali, eles ou ele; o pensamento estúpido quase o fez rir.

Escancarou a porta dupla de vidro e entrou, sem se preocupar de fechá-la atrás dele, precisava encontrar algum lugar onde a coisa não pudesse entrar. Ainda no meio do corredor sentiu a presença da entidade quando todas as luzes passaram a piscar e a explodir em cacos e faíscas. Papéis voavam num vendaval fantasmagórico vindo de lugar nenhum e as mesas e cadeiras puseram-se a tremer.

ENGOLIREI SUA ALMA! ENGOLIREI SUA ALMA!

— Deus! — murmurava Thomas num choramingo. — Eu não mereço isso...

SUA ALMA! SUA ALMA!

— Sei que deve me detestar, mas me ajude por favor!

Ele próprio passou a sentir que seus pés não tocavam mais o chão com firmeza e achou que logo fosse flutuar como aqueles papéis e todo tipo de porcaria que girava à sua volta. Se aquilo acontecesse, a coisa com certeza o engoliria. Seus passos, antes dolorosos, agora não possuíam mais peso e sua mente parecia ainda mais leve. Então, pela primeira vez desde que tudo começara, Thomas imaginou se a porra toda não se tratava de um pesadelo (o mais incrível e filho da puta que jamais tivera!) ou de pura e simples loucura.

Sim. Loucura. Por que não? Eu pirei. Não acho que exista algum aviso prévio para essas coisas.

E se por acaso ele estivesse imaginando tudo aquilo numa camisa de força, em um quarto acolchoado no, digamos, manicômio do Bethlem Royal Hospital, ao lado da cela de alguém que alegava ser Lancelot da Távola Redonda ou Joana d’Arc...?

Não. Seria muito fácil.

No final do longo corredor de escritórios que atravessava, ele viu uma porta de metal que, de acordo com a placa acima dela, dava acesso ao almoxarifado. Trombou contra ela e quase caiu, depois de fechá-la, viu um armário próximo e, com um pouco de esforço, tombou-o e o empurrou contra a porta, criando uma barricada.

Ficou lá, escorado numa grade que percorria toda a extensão da sala, tentando recuperar o fôlego, ouvidos atentos ao lado de fora. A coisa o perseguira com toda sua sede, derrubaria aquela porta feito chapas de papelão se ainda estivesse ali. Mas nada aconteceu. Era como se a força maligna quisesse brincar com ele, igual a um gato com sua presa, deixando-a pensar que tem alguma chance antes de devorá-la.

— Você está aí — murmurava Thomas, olhos arregalados. — Sei que está.

Nada. Bem abafado era possível ouvir os gritos vindos lá de fora, da anarquia e pânico que causara; escutava choro (que ao mesmo tempo achava parecer risos), vozes gritando por socorro (e outras exultando o caos liberto) e mais longe ainda, sirenes. Os acólitos da entidade não desistiriam dele – agora mais do que nunca!

— Por que eu? — perguntou baixinho; não que esperasse alguma resposta. — Por que eu? Eu não sou ninguém! — Sua voz aumentava. — Vá tentar possuir a porra da Rainha, ou o Papa!

Silêncio.

Thomas procurou por uma saída. Mais adiante, na grade, uma placa informava três direções: se seguisse reto, iria para o barracão da oficina, dobrando à esquerda, o caminho levava até os vestiários e à direita, a casa da zeladoria.

Os vestiários seriam como uma armadilha, se a coisa surgisse, não teria para onde correr. A zeladoria... talvez encontrasse um carro ou moto que pudesse usar, ou pelo menos alguma arma – pelas suas contas, não restavam muitas balas em sua .50 e achava que logo precisaria dela outra vez.

Coxeou até o final do corredor e tentou abrir a porta para a zeladoria. Achava que seria aquela casa que vira ao correr para o prédio. Fechava. Thomas resmungou uma obscenidade qualquer e tentou as dos vestiários; não queria entrar ali, mas havia lido algo numa placa entre as portas que o interessara: MÁQUINAS DE BEBIDAS, DE LANCHES E CIGARROS – FICHAS COM FINLEY EM SEU ESCRITÓRIO.

— Ah, a porra de uma Ginger Ale...

Testou a maçaneta da porta do vestiário masculino. Trancada. Irritado, enfiou o pé com vontade na porta, mas caiu berrando de dor. Já nem se importava mais com o barulho, se a porcaria da coisa estivesse ali, ele poderia ficar mudo e imóvel como um cocô de cachorro que ela saberia mesmo assim.

Talvez tenha ido infernizar outro infeliz, pensou, caindo em si que podia não ser tão importante assim para o demônio.

Levantou-se e foi até a porta do vestiário feminino. Girou a maçaneta e, amém, não estava trancada. Ele ouviu sussurros:

— Não acredito que não trancou a porta!

— Estava assustada!

— Azathoth nos enviou um cordeiro.

Thomas ergueu a Desert Eagle.

— Quem está aí? — disse. — Vocês... Vocês são humanos?

— Por favor, não nos machuque...

— Então saiam. Quero ver vocês — ordenou. — Só quero pegar qualquer porra para beber e dar o fora daqui. Saiam para que as veja.

Duas mulheres saíram dos boxes de banho, mas apesar de suas vozes quase o terem enganado, suas aparências estavam longe disso.

— Oh, bosta! — disse Thomas.

— Vá embora, por favor — pediu a que vinha na frente. — Nos deixe em paz.

A mulher que falava com ele tinha duas cabeças. A menor, com uma nauseante língua de fora, era meio derretida e meio colada ao ombro direito, enquanto a cabeça principal era cinzenta, sem olhos nas órbitas e a boca sorria num perpétuo escárnio.

A segunda mulher vinha mais atrás, encolhida, e tinha a pele marrom de quem deveria estar deitado em uma sepultura há tempos, e não ali, de pé. Conforme andava, um som aquoso a acompanhava e uma única asa quase translúcida chacoalhava em suas costas encurvadas.

— Eu fico com os pés dele, se não se importar — disse esta última.

— O que foi que ela disse? — perguntou Thomas.

— Que não diremos nada, que nunca o vimos aqui.

— Não foi isso.

— Eu fico com o pau — disse uma terceira voz ainda não revelada.

A arma tremia nas mãos de Thomas. Nunca achou que isto aconteceria, mas também nunca enfrentara tamanhas abominações antes.

— Voltem... Voltem para onde estavam.

A terceira criatura saiu do esconderijo. Um braço escuro e gorducho, como um grosso salame embolorado deslizou e sua mão em garra segurou na porta do box. Era a mais absconsa das três, seu corpo não possuía forma, lembrando mais uma lesma.

— Prefiro arrancar seu pau.

As duas outras aberrações começaram a choramingar.

— Deixe alguma coisa para nós, estamos com fome.

— Só um pedaço...

— Afaste-se... — Thomas mirava a coisa lesma.

— Deixe-nos sair — disse a boca escondida entre aquelas camadas asquerosas de pele ou o que fosse. — Seu pau para mim, o resto para elas.

Thomas disparou. BOOOM! O som dentro do vestiário foi ensurdecedor. A coisa lesma urrou, tinha um rombo no peito sobre uma das enormes mamas caídas; houve um segundo disparo – este bem na cabeça amorfa da criatura – e ela desabou no chão igual a um saco cheio de lama.

— NÃO!

— AZATHOTH O CARREGUE!

A Desert Eagle enviou as outras duas criaturas também de volta ao abismo de onde haviam saído. As cinco últimas balas que tinha. Três na megera de duas cabeças e duas no rosto da morta-viva marrom.

As três jaziam mortas e o maldito lugar fedia à merda, sangue velho e cordite. Thomas estava enojado, fitara as coisas com curiosidade quase mórbida por um bom tempo. Era a primeira vez que conseguia estudar alguma delas com calma.

Por um momento, ele precisou esfregar os olhos, não entendia o que via. Num minuto tinha três abominações diante de si, e no outro eram apenas três mulheres.

— O que...?

Mas então elas tornaram a exibir suas formas medonhas e Thomas achou que era tudo reflexo de sua mente arrasada, do cansaço, da sede. Ao pensar nisso, voltou-lhe à memória a Ginger Ale. Foi até a máquina de bebidas e simplesmente a golpeou com a coronha da arma até que o vidro estourasse. O refrigerante de gengibre que não tomava desde a adolescência e, estranhamente tinha voltado a gostar naquela tarde estava em falta, então apanhou duas latas de Sprite.

Entrou ressabiado na oficina, segurando um arroto. Perscrutou o galpão atrás de outras criaturas, mas não viu nada, ao menos de início. Deixou o gás da soda sair em dois longos sopros, atirou a segunda latinha vazia fora e fechou a porta. Trancou-a à chave, mas não havia nada com que pudesse barricá-la.

Ou havia? Thomas foi até uma perua cujo motor estava suspenso por correntes num guindaste próximo e, soltando seu freio de mão, a empurrou até encostar na porta dupla. Puxou de novo o freio e pronto: tinha um lugar para respirar e pensar por pelo menos uns cinco minutos.

12 de Julho de 2020 às 00:57 0 Denunciar Insira Seguir história
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