larissabaoli Larissa Baoli

A Princesa Perdida conta a história de Nick Sullivan, uma garota que em seu aniversário de 16 anos descobre ser filha de uma rainha e é intimada a tomar seu lugar como princesa na ilha de Combellmont, iniciando assim uma jornada difícil e perigosa, que põe em risco não só a sua vida como a de todos que ela ama.


Romance Chick-lit Impróprio para crianças menores de 13 anos.

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Capítulo 1

O que eu sabia sobre a minha mãe? Essa era uma pergunta difícil. Além do processo biológico que aprendi nas aulas, apenas algumas características físicas; ela era alta, a dama mais bonita que meu pai já havia conhecido e cheirava a menta. E as informações paravam aí pelo fato de que sempre quando começava a falar sobre ela, ele estava praticamente caindo de bêbado e eu precisava transferi-lo da poltrona para a cama.

Também nunca tinha o pressionado e procurado por informações, já que na manhã seguinte ele sempre parecia envergonhado e eu não queria deixa-lo triste... ou me deixar triste. Afinal, os sentimentos que eu nutria por ela estavam entre tristeza e raiva. Como alguém larga uma filha com um cara que ela só saiu uma vez e nunca mais aparece? Okay, tive a sorte de ter um pai legal e não ter sido abandonada novamente, mas isso não livra ela da responsabilidade.

Será que ela nunca quis saber por onde andou a filha dela nos últimos quinze anos? Se eu estava bem, se eu frequentava a escola, se meu pai me tratava bem... nada? Então depois de um tempo, eu passei a me fazer acreditar que ela nunca me amou. Que eu fui um erro de uma noite de um show do U2 e muita cerveja e que não importava para ela. Me levantei da cama e resolvi parar de pensar nela. Quanto menos eu soubesse, menos ia doer e hoje eu deveria estar feliz, certo? Meu décimo sexto aniversário. "Parabéns, Nick" disse a mim mesma, já que com certeza meu pai ainda estaria dormindo e eu só o veria a noite.

- Ah, droga! - vinte minutos atrasada significava atraso na escola e essa seria minha 3ª vez esse mês. Corri o mais rápido que pude e consegui pegar o ônibus duas esquinas depois, por sorte o motorista era George e ele sempre parava por mais que eu me atrasasse.

- Andy de novo, Nick? – ele perguntou.

Fiz que sim sem querer prolongar o assunto. Terceiro atraso no mês... isso me renderia ficar depois da escola, o que me atrasaria na Tiffany&Thommy e o que não deixaria a Srta. Picket muito feliz. Será que uma desculpa tipo "eu sinto muito, hoje é meu aniversário e está tudo uma loucura" ficaria bem? Não. Todos na cidade conheciam a mim e ao meu pai, então acho que boa parte já sabia que meus atrasos são por conta dele.

- Hey, não achou que eu iria esquecer, achou? - ele me oferecia uma caixinha vermelha com uma fita branca ao redor que prendia um lacinho e um mini cartão.

- George, não precisava, obrigada. - disse ficando meio vermelha e pegando o presente, dividida entre um pouco de felicidade e pressa (afinal, eu já estava atrasada e ele tinha parado para me dar o presente mesmo sabendo que todos estavam esperando para que ele seguisse!).

- Não é nada demais, Nick. Amanhã você me conta o que achou do presente. Tenha um bom dia e feliz aniversário.

Agradeci enquanto procurava um lugar vago para sentar. O ônibus da Abeley High School teve que ser desativado pelo motivo de desuso. Os alunos de lá em sua maioria não precisavam de transporte público, já que tinham seus carros ou motoristas para os deixarem, então todos os dias eu tinha que pegar o único ônibus que fazia o percurso que me deixava a duas quadras da escola. Depois de passar a minha vida inteira frequentando a Abeley, eu já estava acostumada, mas eu desejei – como se estivesse prestes a soprar as velas do meu bolo de aniversário – que esse ano eu conseguisse um carro. Ou que pelo menos meu pai aceitasse que eu frequentasse a escola em que ele agora dava aula. Levantei quando já me aproximava e apressei o passo enquanto descia as escadas e corria para a escola.

É, eu me atrasei. E claro que tive que enfrentar o Sr. William, depois de ter passado na sala do diretor e sorrir amarelo, enquanto entrava de fininho.

- Oh, Nicolle! Eu não acredito que não lhe deram ainda o horário desse ano! Quer dizer, continuamos iniciando as aulas no mesmo horário desde 1864, mas...

Eu ouvi a classe inteira abafar o riso enquanto entregava ao professor o papel com a licença para entrar na classe que o diretor havia me dado e andava até a minha cadeira.

A aula de história de hoje foi sobre as ilhas e países menores que estavam espalhados pelo mundo. Internamente eu me mantive querendo entender por que tínhamos que estudar sobre aquilo, uma vez que morávamos numa pequena cidade próxima a grande e popular Nova York e apesar da Abeley ser uma escola para os mais “abastados” (esnobes), a maior parte de nós (incluindo eu) nunca iria pôr os pés fora do país, que dirá em ilhas que pareciam frescas e feitas para tirar dinheiro de turistas, mas resolvi deixar para lá. O professor já tinha tido seu momento e eu não precisava de outra lição de moral, então resolvi soltar meu cabelo e pôr os fones novamente, fingindo que ouvia a aula.

O foco da maioria dos alunos ali era uma vaga em faculdade da Ivy League e para os menos afortunados como eu, uma bolsa ou uma saída da cidade já serviria. Eu me sentia estranha por não saber o que fazer ou qual era a minha vocação, mas quando as pessoas perguntavam o que eu queria ser quando crescer, eu costumava mentir e dizer que queria ser advogada. A tirar pelo comportamento do meu pai, fazia total sentido que eu quisesse isso e era o suficiente para encerrar o assunto, com as pessoas me dizendo que torciam por mim e que “eu ia chegar lá”. A verdade é que para mim, seria suficiente chegar aos dezoito anos e convencer meu pai a sair da cidade ou talvez do estado. Começar uma nova vida onde não fossemos um dos casos de piedade e motivo de fofoca.

A Tiffany&Thommy era uma biblioteca e livraria a dois quarteirões da escola, que costumava ser comandada pelos dois irmãos que tinham estado aqui praticamente desde a colonização e fundação da cidade e era lá onde eu trabalhava meio período. Depois que o Sr. Thommy Picket morreu, sua irmã precisou de ajuda e eu me ofereci, afinal, qualquer dinheiro que eu ganhasse já seria bom, já que o salário de professor de Espanhol do meu pai não era dos melhores. Me desculpei pelo atraso a Srta. Picket e ela (com seu humor sempre agradável e costumeiro) me mandou ir logo para trás do computador, antes que seu sobrinho conseguisse mais uma vez abrir o caixa e pegasse o orçamento, como no mês passado.

- Bom dia, Nick. Chegou cedo novamente? – eu ouvi Rupert me cumprimentar com seu irritante sotaque britânico, já sentado em minha cadeira, me encarando com seus tão estranhos e esticados olhos castanho escuro e seu cabelo cor de petróleo.

- Sim, Rupert. E obrigada por guardar meu lugar, mas agora você já pode sair. - a melhor solução com ele era usar a ironia e o sarcasmo, afinal, querendo ou não era ele o futuro dono da loja e sua tia já não parecia assim tão saudável.

- Não sei por que minha tia te mantem aqui... ou por que você aceitou esse emprego.

- Sua tia me conhece desde que nasci, moramos no mesmo bairro e ela confia em mim. - fui o mais direta possível e comecei a me atualizar pelo livro de registros e pelo computador decrepito da loja.

Ele se manteve ali, olhando o que eu fazia e escorado ao balcão. Esperei que ele fosse embora pelos próximos 10 minutos, mas nunca fui boa com a paciência.

- E então? Deseja algum livro? - disse tentando sorrir sem parecer que fazia careta.

- Na verdade não. - ele disse, enquanto ainda me encarava e então balançou a cabeça e saiu.

Respirei fundo e tentei me acalmar, enquanto o via se afastar e sair.

Na volta para casa, resolvi abrir o presente que George me deu, enquanto estava no ônibus. Era um pequeno pingente de prata em formato de coração, daqueles em que se põe uma foto em cada lado e eu adorei. Iria escolher quando chegasse em casa uma foto minha e do meu pai, pensei enquanto descia no ponto de ônibus próximo a minha casa. O clima estava ruim como sempre e a neblina fez com que eu subisse meu capuz e quando cheguei à calçada do condomínio, vi um homem de terno preto saindo de lá e entrando em um carro de luxo preto estacionado do outro lado da calçada. Não fazia ideia de que alguém aqui na cidade (que dirá no condomínio!) tinha algo a ver com a Casa Branca, pensei tentando não rir enquanto passava pela portaria.

Percebendo que mais uma vez o elevador estava em conserto e que demoraria no mínimo quarenta e oito horas para que isso fosse resolvido, eu me dirigi às escadas e comecei minha subida, encontrando meus vizinhos reclamando uns com os outros como se isso acelerasse o processo do conserto.

Depois de achar minhas chaves na mochila, eu entrei encontrando meu pai em sua poltrona, que dessa vez estava virada para a porta. Ele parecia mais cansado e triste que o normal e segurava uma carta nas mãos.

- Pai? - disse enquanto largava minha mochila no hall e ia até ele.

- Ah, Nick... você chegou. – ele disse e consegui ver que seus olhos azuis pareciam inchados e vermelhos. Ele tinha chorado. Suspirei e olhei na mesinha, mas não havia cervejas.

- O que houve?

- Preciso falar com você. E... eu pedi pizza, você não precisa cozinhar hoje. Troque de roupa, tome um banho, sei que você deve anda cansada.

- Está tudo bem, pai. Eu estou bem. – eu disse dando de ombros, mas sentindo um medo repentino.

Ele não falou mais nada e só levantou indo para o quarto e eu fiquei o encarando enquanto ele fechava a porta. Pedir pizza no dia do meu aniversário era quase um hábito, mas a parte da conversa... Passei a morder meu lábio superior (uma mania que eu tinha desde pequena) e peguei minha mochila, entrando no meu quarto, mas me recusei a tomar banho. Me sentia nervosa e ansiosa e esperei ouvir a porta do seu quarto abrir para poder sair do meu.

Quando saí ele estava na sala. Tinha aberto e servido a pizza e o refrigerante em uma metade da mesinha de centro da sala e na outra havia uma caixa que parecia bem conservada, retribuí o sorriso que ele me deu e percebendo que ele parecia melhor, me sentei.

- Feliz aniversário, filha. - foi tudo o que ele me disse, esboçando um sorriso triste e então nós começamos a comer.

Depois que terminei, senti que algo ruim estava por vir e percebi que ele estava me encarando, sabe-se lá há quanto tempo e que ao lado do seu prato mantinha a carta que estava segurando na mão. Parei e fiquei o encarando, vendo por quanto tempo ele continuaria sem me dizer nada.

Alguns minutos se passaram, mas para mim parecia uma eternidade, até que enfim ele começou:

- Nick, ontem eu falei novamente sobre a sua mãe?

Respirei fundo e uma onda pequena onda de alivio me invadiu ao considerar que era só isso. Eu já estava acostumada a passar por essa conversa com meu pai, embora pensar na mulher que era minha mãe me deixava bastante triste e isso ficava pior quando meu pai tentava falar sobre ela, já que geralmente ele a defendia.

- Sim, pai. Mas só o de sempre sabe, loira, alta, cheiro de menta... - disse enquanto pegava meu prato e me levantava.

- Nicolle, por favor, sente-se. - ele me encarou com seus olhos azuis, quase me ordenando.

Eu não tinha ideia do que estava acontecendo, mas se era sério o suficiente para meu pai me mandar fazer alguma coisa...

- Okay. - disse enquanto me sentava novamente desconfiada.

Ele parecia estar tentando se controlar para continuar.

- Nick, sabe que sua mãe veio te entregar para mim quando você tinha só seis meses, certo? - perguntou e eu acenei com a cabeça, me encostando no sofá, enquanto levantava as pernas e prendia meus joelhos. - Filha, o que eu preciso te dizer é sério e vou precisar que você aguente tudo até o fim.

- Okay. – eu repeti e a lá se foi a pequena onda de alivio.

Ele fez uma pausa, enquanto a pizza que comi parecia não estar no lugar que deveria.

- Sua mãe não te deixou aqui por que quis, mas sim por que ela quis te manter longe do lugar que ela vivia. Quis te deixar aqui comigo, para que eu cuidasse de você e você se tornasse uma boa pessoa. Eu a conheci e passamos uma semana inteira juntos, enquanto ela me contou sobre seu mundo e eu vi de perto que não era nada fácil. Sim, não foi só um show e uma única noite, eu sinto muito por não dizer isso a você. Aliás, eu sinto muito por tudo o que tenho para lhe dizer hoje... não sabe o quanto me dói tudo isso. Mas a questão é: ela te amava, assim como eu. Semana passada eu descobri uma notícia; a de que sua mãe faleceu. - ele juntou todas as forças e embora tenha deixado cair umas lágrimas, que limpou rapidamente, ele foi até a caixa, abriu, deixou tudo a minha frente e continuou:

- Eu achei que não era uma boa ideia te contar, filha... você sempre se mostrou tão magoada com ela... Mas então, hoje vieram me deixar essa intimação e eu agora não tenho outra escolha a não ser lhe falar a verdade. O homem que veio aqui quis esperar que você chegasse, mas eu implorei para que ele me deixasse falar com você primeiro. Eu precisava te contar toda a verdade. Você já deve ter estudado sobre a Europa e deve saber que lá tem muitos países pequenos. Sua mãe morava em uma desses. Na verdade, sua mãe comandava um desses. Quando eu a conheci, ela havia acabado de ser intimada ao trono de Combellmont e como qualquer garota de 18 anos, ela queria... uma aventura antes da vida real. Como nos romances em que ela lia.

"Nós nos conhecemos quando fui morar em Nova York, ela veio em uma viagem de término de curso e fugindo do hotel, nos encontramos no meio do Central Park. Acho que foi amor à primeira vista e assim tivemos a melhor semana do mundo. Nove dias, para ser mais exato, mas ela sempre precisava voltar e dormir no hotel e a deixava na esquina, para que a guarda que a escoltava sequer soubesse da minha existência. Até que no último dia a irmã dela nos viu e nos entregou. Ela teve que ficar presa e voltar logo no outro dia e eu acabei por levar uma surra da escolta. Bem, para mim que pensava que nunca mais a veria na vida, não preciso dizer que foi uma grande surpresa vê-la aparecer quinze meses depois batendo na porta do meu apartamento no Brooklyn e com você no colo. Ela me pediu para que eu cuidasse de você, te mantendo a salvo e longe do mundo dela para que tentasse levar uma vida normal até o dia em que ela mesma voltaria e explicaria sobre tudo. O que para ela seria quando você tivesse 18 anos. Quem dera ela tivesse tido esse tempo...

“Desde então eu só pude acompanhar o que passava em sua vida e guardar coisas sobre ela ou que lembravam quando nos conhecemos. Seu casamento com um embaixador que tinha o dobro da idade dela e de não-me-interessa-onde, sua coroação como rainha, o nascimento do que para todos era sua primeira filha, o falecimento desse homem e a mais recente; a morte dela no parto do segundo filho que ela estava esperando. Ah, Nick como eu adoraria só ter te contado isso quando você estivesse preparada, mas acontece que você saber disso se tornou necessário. Hoje à tarde o conselheiro do reino da sua mãe veio e trouxe essa carta para você. Entenda, filha; com a morte da sua mãe, seria direito que a filha mais velha dela tomasse o poder, mas ela é apenas uma criança! E como você é a mais velha... eles exigem sua presença para uma espécie de treinamento. E sendo bastante claro, você é... obrigada a fazer isso ou eles podem tomar medidas judiciais. Eles podem até levar você a força, Nick.”

E depois disso eu corri. Minha cabeça dava voltas, meu rosto estava molhado de suor e de lágrimas e eu tive que ir ao banheiro vomitar até as tripas. Meu pai nem ousou vir atrás de mim, só me deixou ir. Explodindo com tanta informação e em estado de choque como nunca em toda a minha vida. Eu não sei quanto tempo eu fiquei ali, já que mesmo depois de ter vomitado, eu me sentei e fiquei próxima ao box, prendendo meus joelhos com força ao peito e sentindo meu coração ecoar meus ouvidos. Como em meia hora ou menos que isso sua vida muda completamente? Minha mãe, rainha, país, filho, bebê, princesa, meu pai, reino... essas palavras pareciam girar na minha mente e me faziam ficar tonta e chorar mais ainda. Como meu pai pode esconder tudo isso de mim? Como minha mãe achou que seria melhor assim? E principalmente: o que eu deveria fazer agora? Eu não fazia ideia de como alguém poderia querer que eu comandasse em alguma coisa, afinal além de cuidar da minha casa e de um pai bêbado de quinta a domingo eu nunca tinha sido nenhum tipo de líder ou algo assim.

5 de Julho de 2020 às 23:40 0 Denunciar Insira Seguir história
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