paolagirao Paola Girão

Em uma luta contra a formidável Circe, Diana perde suas memórias e vai parar em uma realidade alternativa na qual conhece o Doutor Donald Blake. Sequer imaginam que o médico está na mesma situação, esquecendo-se completamente que é o poderoso Thor. Desta jornada, um novo amor nascerá, mas será que este sentimento é capaz de atravessar dimensões?


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#wonderthor #fanfic #fanfiction #Mulher-Maravilha #thor #vingadores #Liga-da-Justiça #crossover
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Isso Não É Um Teste

Diana observava a cidade do alto de um prédio naquele início de noite. Pegara o gosto por isso após anos de convivência com o Batman.

Estava frio e uma garoa fina tocava sua pele, contudo não a incomodava graças à sua resistência. Bruce dera à ela a pista de um ladrão de joias que perseguira por duas vezes e a amazona decidiu pegar a missão para si, pois estava entediada.

Nos últimos dias o local andava tão pacato e monótono, que os membros da Liga da Justiça passavam horas jogando, bebendo, indo a baladas.

De repente, observou uma silhueta de roupas pretas com um pé de cabra em mãos tentando arrombar uma porta de metal. Suspirou grata por finalmente ter um trabalho e pulou em direção a mesma.

— Solte imediatamente este pé de cabra e será poupado! — Avisou.

— Bom… Foi você quem mandou! — Uma voz feminina se manifestou e o contorno preto se virou em direção à ela, transformando o objeto em suas mãos em uma cobra.

O animal com a boca aberta foi em direção à Diana que cruzou os braços, fazendo que batesse em seus braceletes e desaparecesse.

As mãos da criminosa brilharam fortemente, enquanto um sorriso se formara em seu rosto. Suas roupas foram substituídas por uma armadura e longas botas nas cores roxa e dourada. Uma tiara apurpurada, com pequenas pontas curvadas para dentro surgiu em sua testa, bem como seus cabelos avermelhados balançavam ao vento.

— Circe! Achei que estivesse presa no tártaro!

— Oh querida, achou que eu ficaria presa para sempre?! — Riu. — Como você é inocente… — Transformou sacos de lixo em pombos que voaram na direção da heroína.

Defendeu-se e expulsou os animais, puxando seu laço da verdade e enrolou-o ao redor da feiticeira. Jogou-a contra a parede num só golpe, se aproximou, pensando tê-la vencido.

— Está tudo bem. Agora voltará para lá. — Apertou sua arma na mesma, a qual permaneceu com expressão neutra.

— Veremos se voltarei! — Os olhos de Circe bem como suas mãos brilharam em uma forte luz púrpura que encobriu a visão da amazona, obrigando-a a tampar sua vista.

...

"C'mon my little kids, there's no time to be so scared"

Diana abre os olhos, ouvindo ao longe o trecho da canção que ecoa pelo local.

"This is not a battle but you have to be prepared"

Percebe estar deitada em uma cama de lençóis brancos, a música começa a ficar mais alta. Está em um quarto de paredes com cores claras.

"This is just the dancefloor, this is not a battlefield"

Pisca algumas vezes, sentando-se na cama. Sente tudo girar ao seu redor. Sua cabeça lateja com as batidas eletrônicas.

"So you need no ammo, don't need no shield"

O rádio é desligado após este trecho.

— Bom dia dorminhoca! — Cumprimenta uma mulher ao seu lado. Seus cabelos são ruivos e compridos, ornavam com seus olhos esverdeados que pareciam duas esmeraldas a fitando.

— Desculpa. Quem é você? — A cabeça de Diana dói fortemente.

— Ah, você já se esqueceu… — Demonstra descontentamento. — Sou a Natalie. Natalie Rushman. A gente se conheceu na noite passada, na boate.

Alguns flashes vêm em sua mente, mas não entende. É como se nunca tivesse vivido aquilo, no entanto lembra-se de algumas coisas, inclusive de quando Natalie se aproximou e lhe ofereceu uma bebida.

— Diana? — Rushman a chama. — Está no mundo da lua, princesa? — Exprime.

— Desculpa… Não me lembro de quase nada. — Rebate, fazendo uma careta.

A outra sorri.

— Quer que faça um café pra curar essa ressaca? — Indaga divertida.

— Seria ótimo! — Responde no mesmo tom.

— Bom, como sua casa não tem quase nada, vou ao mercado buscar e já volto… — Levanta-se, exibindo suas perfeitas curvas, vestindo apenas uma calcinha rendada de cor vermelha que adequa-se a seus cabelos.

Desperta a atenção da morena que por segundos se esquece da dor de cabeça e ressaca.

— Princesa… — A mulher se vira, exibindo seus seios fartos, pegando o sutiã rubro enquanto prossegue. — Acho que posso te ajudar a conseguir um emprego para pagar seus boletos vencidos e seus aluguéis atrasados.

— Do que está falando? — Ergue uma sobrancelha, vendo Natalie vestir sua camiseta e tomar as calças em mãos.

— Você me contou tudo, garota! — Ri. — Não lembra de nada mesmo?! — Exibe espanto em seu semblante.

— É… — Diana torce o nariz. — Acho que não.

— Oh meu Deus! — Rushman zomba. — Ainda bem que não sou do tipo que se apega fácil. — Termina de se vestir e pega as chaves na cômoda. — Mas ainda posso te pagar um café e te indicar para uma vaga de emprego. — Dá uma piscadela e rouba-lhe um selinho.

Ao atravessar a porta, como num golpe, os pensamentos de Diana surgem como uma apresentação de vídeo extremamente rápida. Aquilo faz sua cabeça piorar, todavia, a faz se lembrar da vida pacata que tivera na cidade de Fresno, na Califórnia com sua mãe a criando sozinha após seu pai morrer servindo ao exército. Mudara-se para Nova York durante a faculdade. Formara-se em enfermagem por sempre cuidar das pessoas, ser empática e amável. Trabalhara em três hospitais e fizera estágio voluntário em outro. Está desempregada há seis meses, endividada e para sobreviver trabalha duas ou três vezes por mês atendendo em um bar, ganhando o suficiente para comer uma vez por dia durante o restante do mês. Embora suas memórias estejam claras, não compreende como aquilo não parece pertencê-la, como se nunca tivesse realmente vivido.

...

Em uma esquina não movimentada, após comprar dois cafés e dois muffins, a ruiva para e pega seu celular.

— Agente Romanoff. — Saúda a voz do outro lado da linha.

— Fury. — Cumprimenta. — A nossa suspeita ainda não nos deu muitas informações úteis. Tudo que consegui descobrir sobre ela até agora é que está cheia de dívidas, com aluguel atrasado e embora tenha carinha de inocente, foi o melhor sexo oral que já recebi em minha vida. — Solta um suspiro ao fim da frase.

— Poderia ter me poupado desse último detalhe. — Nick brinca. — Continue a observando… E quanto ao nosso outro cara? — Indaga.

— Irei vê-lo daqui a pouco. Porém, nada relevante além de ser um babaca, arrogante e que trabalha somente por dinheiro.

— Ótimo. Continue na espreita. — Desliga.

...

Natasha reaparece com os cafés e os muffins em mãos, entregando um de cada à mulher.

— Obrigada. Você disse que tem uma vaga de emprego então?

— Na verdade, sou paciente de uma clínica que está buscando uma enfermeira. Tenho uma consulta lá hoje e você poderia ir comigo. — Dá de ombros.

— Pra quem não quer se apegar, você está me ajudando bastante, não acha? — Ambas riem.

— Você me livrou daquele embuste que estava me assediando na boate. Eu achei que pagar uma bebida não era o suficiente.

— Então transou comigo e agora quer me dar um emprego em forma de agradecimento? — Brinca.

— Sim e não. O emprego é pra agradecer pelo oral maravilhoso que você fez em mim. — Morde o lábio. — Tá acostumada a pegar várias garotas?

As memórias de Diana vêm à tona novamente e lembra-se de muitas mulheres com quem se deitou, mas também recorda-se que já esteve com um homem. Ele era loiro, tinha olhos azuis e se chamava Steve. Não lembra ao certo como o conheceu. Só lembra que foi na época da faculdade e que por algum motivo o namoro não deu certo.

— Acho que devo me arrumar para ir à entrevista então. — Desconversa, dando um sorriso sem graça.

...

Chegando ao consultório, Romanoff sorri para a recepcionista que a manda entrar e pede que Diana aguarde ali mesmo.

— Doutor Blake! — Cumprimenta.

Um homem loiro, usando seu imponente jaleco branco e apoiado sobre uma bengala, olha pela janela. Manca de um dos pés, se vira para a paciente.

— Olá Natalie. Como vai minha hipocondríaca favorita? — galhofa, olhando sua ficha. — Qual dor está sentindo hoje para marcar uma consulta comigo?

— Ora, deveria me agradecer! — Cruza os dedos das mãos e apoia os cotovelos na mesa, encarando-o. — Suas consultas são caras e poucas pessoas estão dispostas a pagá-las. Eu sou uma delas e deveria ter atendimento VIP! Certo? — Ergue as sobrancelhas, fazendo-o demonstrar desconforto. — Bem, estou sentindo uma dor no joelho direito… — Estica a perna, a coloca sobre a mesa de madeira. — Parece estar um pouco inchado.

Blake solta um riso anasalado.

— Certo… Vou passar alguns analgésicos e anti-inflamatórios para que melhore. Tem mais alguma dor?

— Dor não, mas quero que o senhor conheça minha amiga que está em busca de um emprego. Ela quer se candidatar à vaga do seu consultório e creio que o senhor esteja recebendo poucas candidaturas para a mesma, certo? — debocha.

Outra expressão de desconforto.

— Ok, mande-a entrar.

Chama a mulher na recepção. Acompanhada da ruiva, Diana adentra a sala do médico trajando calças, camiseta e sapatos brancos, carrega uma bolsa média de couro marrom e os cabelos estão amarrados em um rabo de cavalo.

— Boa tarde senhorita…?

— Prince. Diana Prince. — Estende-lhe a mão, sendo deixada a ver navios.

— Sente-se! — Aponta a cadeira em sua frente. — Natalie, por favor, pode nos deixar a sós? — Acata o pedido de imediato.

...

Na rua Bleecker, no Sanctum Sanctorum, o Doutor Estranho levita no ar enquanto faz sua meditação diária. Sente coisas estranhas e o Olho de Agamotto lhe revela que haviam dois seres fora de suas realidades em seus arredores.

O mago supremo se assenta com leveza, abre os olhos e vê Wong servindo chá e o olhando preocupado.

— Ainda vê aquele ser esquisito, doutor?

— Pior… Agora são dois! — Diz com desgosto.

— Por Vishanti… Quem pode ter rasgado o tecido da realidade ou do espaço-tempo para provocar esse tipo de coisa?

— É elementar meu caro Wong. — Stephen galhofa, fazendo o chá levitar até a xícara, enchendo-a até a metade. — O mais esquisito é que há uma magia tão forte sobre cada um destes seres que não consigo identificá-los. Não sou capaz sequer de descobrir o que são ou como vieram parar aqui. — Beberica um pouco, molhando os finos lábios.

— Então só nos resta aguardar, meu amigo!

...

— Diana, gostei muito de suas experiências! — O doutor Blake se levanta, apoiando-se com a bengala. — Está contratada! Começa agora.

Isso não, isso não é um teste, não

É o real mais estranho que a ficção

É só o resto do que restou de nós

É o ruído que encobre a nossa voz

(Fresno - Isso Não É Um Teste)

5 de Julho de 2020 às 19:26 0 Denunciar Insira Seguir história
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