u15937901541593790154 Julia Matos

Vários lobos, uma só história. Entenda nessa séria como foram criados laços inseparáveis, amizades para toda a vida, problemas de todos os tipos e, acima de tudo, a origem de um grupo fenomenal.


Fanfiction Livros Todo o público.

#fanfic #selvagem #lobos
5
1.0mil VISUALIZAÇÕES
Em progresso - Novo capítulo Todas as Sextas-feiras
tempo de leitura
AA Compartilhar

Desertor

Shen


Estava úmido naquela manhã de inverno. O sol tinha acabado de nascer sobre o horizonte, trazendo sobre aquela floresta fria seu calor precioso. As árvores ao redor, com uma coloração bem viva de um marrom escuro com um verde lindo; seus topos, cobertos com pequenos torrões de neve. Ao longe, conseguia ver as montanhas e um pequeno lago entre as árvores da floresta, uma leve parte congelada. O tempo estava limpo, sem nuvem alguma no céu.

"Cada amanhecer é um novo começo."

Era isso que me diziam, e agora via que era verdade. No alto daquele pequeno penhasco, observava a floresta e os pássaros cantando logo abaixo de mim. Estava um clima ótimo para uma boa caçada. Pensando nisso, levantei-me devagar e comecei a descer aquele pequeno morro, minhas almofadas das patas tocavam aquele gelo suavemente e me fazia sentir um alívio, afinal, aquele gelado era sempre bom.

Sentia o aroma frio e úmido da floresta enquanto meu corpo passava por entre as árvores, trazendo sempre um novo odor quando passava por elas, sendo de animais, plantas ou simplesmente água ou gelo. Olhei em volta por um segundo com o focinho para o ar, farejando mais pausadamente e então sentindo um cheiro bom: Coelho.

Avancei em silêncio, as orelhas atentas atrás da cabeça. Nunca deixaria uma oportunidade dessas passar despercebida pelas minhas presas. Conseguia ver o pequeno animalzinho branco passeando, seus bigodinhos balançavam, mas eu estava tão imperceptível quanto uma sombra no escuro. Foi aí que eu avancei em grande velocidade em direção ao coelho, minhas presas estavam à mostra, prontas para morder aquele pelo branco como a neve. O animal percebeu e se colocou a correr logo que sentiu minha presença, e eu corri atrás dele com toda a minha velocidade. Sempre que estava pronto para pega-lo, o mesmo conseguia se desviar no ultimo segundo mudando rapidamente de direção, e isso me deixava enfurecido e com ainda mais fome. Eu conseguia ver onde ele pretendia se esconder: Um buraco na neve mais adiante, entre umas raízes de árvore; eu não podia deixa-lo chegar lá ou seria tarde demais. Com um movimento rápido, como um pequeno salto, voei uma distância considerável e peguei o miserável com uma bela mordida em seu pescoço. Seu sangue e sua pele macia entre meus dentes fizeram meu corpo aliviar de prazer, sendo assim, logo comecei a comer a carcaça com um grande apetite, devorando cada pedaço, e, no final, deixando apenas algumas cartilagens e ossos.

Com a fome saciada, agora só me restava a sede. Comecei a andar pela floresta gelada, novamente com o gelo nas almofadas das patas dando aquele prazer que só um lobo poderia entender. Conseguia ver alguns animais nas minhas andanças, mas a maioria eram raposas, esquilos e coelhos; todos se afastavam quando me viam. Finalmente tinha chegado no pequeno lago, parte dele estava congelado, mas pelo menos eu poderia aproveitar a parte sem gelo para saciar minha sede. Pensando nisso, aproximei-me da água e curvei minha cabeça para beber aquela água gelada, e ela estava ótima. Alguns peixes passavam aqui e ali enquanto eu bebia.

"Há, se eu fosse um urso agora..."

Pensei enquanto os observava.

Acabado de beber água e ter saciado minha sede, observei as montanhas ao longe. O que será que poderia haver depois delas? Minha animação não me segurou, comecei a correr, passando pela parte rasa do lago e logo cruzando-o. Se algum outro animal me visse naquele momento, poderia facilmente confundir com uma perseguição de caça, dadas as circunstâncias da corrida. Cada passo meu jogava neve para trás e minha respiração estava relaxada; tanto que até coloquei minha língua para fora. O ar batia contra minha face e pelo, trazendo-me a sensação de alívio. Eu conseguia ver as montanhas ao longe, aproximando mais e mais a cada passo que eu dava. Eu corri muito e minha respiração havia mudado de calma para ofegante, mas havia valido a pena, pois diante de mim, a subida meio ingrime da montanha se localizava. Eu não pensei duas vezes, comecei a subir, mas dessa vez eu estava mais calmo e sem pressa, mesmo que minha ansiedade pedisse para que eu corresse novamente.

Eu comecei a subir o lugar com calma, cada passo cuidadoso pois cada vez que alcançava uma nova distância, o terreno ficava mais ingrime do que antes. Cheguei até a escorregar um pata certa hora, dada a dificuldade de manter o equilíbrio e comecei a escorregar para baixo novamente. Por sorte, finquei minhas patas e minhas garras no chão, parando a descida e logo subindo novamente com um alívio. Certa hora, já havia subido tanto aquela montanha que o ar começava a ficar difícil de respirar; eu literalmente tinha que me concentrar para respirar. Entretanto, o topo da montanha já se aproximava. Outra coisa que notei enquanto subia era que a temperatura caía, fazendo com que sentisse frio de verdade.

Mas finalmente cheguei no topo, e quando cheguei lá, tive uma visão surpreendente do que antes estava escondido: O campo abaixo era lindo, era um pasto com árvores, flores e um rio de águas cristalinas que passava por meio daquilo. O clima lá embaixo parecia mais quente, pois não havia neve por lá. Eu precisava ver aquilo mais de perto, não conseguia aguentar. Foi então que comecei a correr, descendo aquela montanha com toda minha velocidade; bem, isso foi um erro. Na minha corrida, a montanha era muito ingrime e tropecei na minha própria pata; eu comecei a rolar montanha abaixo, aumentando minha velocidade a cada instante. Foi bem dolorido sentir cada impacto que meu corpo dava na terra, mas eu sobrevivi no final, bem dolorido, mas sem danos graves.

Assim que me recuperei e consegui me levantar, olhei para o lugar no qual estava agora e, com certeza, era de se ficar boquiaberto. A primeira coisa que estranhei foi a ausência da neve nas patas, pois agora que estava em solo onde minhas patas conseguiam tocar a terra realmente, era estranha a sensação pra mim que sempre pisei em solos gelados e com neve. A segunda coisa foi a temperatura do local, era incrivelmente mais quente que o ambiente nevado; ainda era úmido, mas sem o frio que sempre me acompanhava. Era boa até essa sensação. Enfim, a última coisa que notei assim que levantei a cabeça e olhei em volta foi a maravilhosa paisagem. A grama, as árvores, os animais...tudo isso era diferente e lindo, nunca antes visto por mim. Apenas sabia de paisagens assim por meio de histórias que meus pais contavam para mim quando era um filhotinho, e aqui estava eu agora, um jovem em um novo território.

Minha curiosidade não me deixou esperar, logo comecei a andar pelo local, ainda desconfortável pela ausência da neve em minhas patas, porém, acostumando com a ideia. Farejava o ar enquanto andava, era incrível como um novo lugar assim havia tantos aromas diferentes de um nevado. Parei de frente com aquele lago que havia visto de cima da montanha e vi um grupo de alces saciando a sede. Não os ataquei pois minha fome já estava saciada por aquele dia, então simplesmente continuei a andar, passando minhas patas pela água morna de lá. Passeei pela floresta, que não eram pinheiros, eram carvalhos ou alguma árvore do tipo; haviam frutos caídos ao redor delas e alguns animaizinhos os pegavam. Sinceramente, não dei muita importância quando senti um cheiro diferente pelo local, muito menos quando senti-me observado em alguns lugares.

O dia foi resumido em exploração naquele local incrível. Nunca antes havia andado tanto em um só dia, mas agora lá estava eu á procura de uma toca para deitar e descansar. Só queria um lugar para relaxar, não deveria ser tão complicado. Os grilos começavam a cantar e consegui ver alguns vaga-lumes em certos pontos de lá, voando com sua iluminação. Alguns animais noturnos como corujas e morcegos também estavam dando o ar da graça com seus sons aconchegantes. Foi bom.

Havia achado uma toca para dormir. Fiquei impressionado em como aquele lugar estava em bom estado para aquela ocasião. Deitei-me e fechei os olhos, agradecendo os ancestrais por ter achado aquele lugar amável. Estava quase pegando no sono quando ouvi uma voz grossa me deixando atento:


- Quem é você, e o que está fazendo aqui?


Continua...





5 de Julho de 2020 às 03:00 2 Denunciar Insira Seguir história
4
Leia o próximo capítulo Estranho

Comentar algo

Publique!
Niyat Arts🏳️‍🌈 Niyat Arts🏳️‍🌈
Aaaahh niceeee ;w;
July 06, 2020, 02:37
BAT SILVA BAT SILVA
Bah, achei que era o lugar lindo, gostei da citação, estou famoso agora.
July 05, 2020, 03:44
~

Você está gostando da leitura?

Ei! Ainda faltam 2 capítulos restantes nesta história.
Para continuar lendo, por favor, faça login ou cadastre-se. É grátis!