jace_beleren Lucas Vitoriano

Eu era apenas um segurança noturno, mas tudo mudou quando vi aquele vulto rubro. A imagem dela, tão sobrenatural e misteriosa, ainda me assombra em meus sonhos.


Fanfiction Desenhos animados Todo o público.

#Carmen-Sandiego #mistério
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Capítulo único

O que irei lhes contar agora talvez vocês não acreditem. Não os culpo, pois nem mesmo eu tenho certeza se foi algo real ou apenas algum acontecimento sobrenatural. Já fazem dois messes do ocorrido e, apesar das minhas sessões com meu terapeuta, Dr. Vicent, ainda duvido de minha sanidade e a imagem do que vi naquela noite fatídica ainda assombra meus pesadelos.

Mas estou dando voltas, desculpem, tentarei ser direto. Me chamo John Smith e trabalho, ou melhor, trabalhava, no Museu Nacional como segurança noturno. Não é um emprego muito bom, mas o salario consegue pagar as contas e em geral meu maior problema é ter que espantar alguns vândalos de vez em quando, adolescentes que tentam mijar aos pés da estátua de Apolo ou pichar frases indecentes nas paredes do museu.

Eu gostava do meu trabalho, embora o achasse tedioso. Entretanto, nos últimos dias que antecederam “aquela noite”, uma energia contagiante envolvia a mim e meus demais colegas, pois corriam soltos os boatos de que a lendária ladra chamada de Carmen Sandiego estava na cidade realizando uma onda de crimes. Nas últimas duas semanas, essa mulher misteriosa, que ninguém sequer sabe ser real, havia assaltado a joalheria mais famosa da cidade, o laboratório Darwin e a mansão de um milionário. Os jornais não diziam o que havia sido roubado de cada local, mas deveria ter sido algo grande. Como trabalhamos no maior museu da cidade, eu e meus colegas seguranças brincávamos dizendo que logo ela viria até nós e roubaria algo do museu. Até fizemos uma aposta do que seria roubado. Eu apostei que seria o busto de George Whashington e, devido a isso, sempre dava uma passadinha pela peça em exposição enquanto fazia a segurança no museu, dizendo para mim mesmo, em tom de divertimento, que logo a peça teria sumido e eu ganharia a aposta.

Carmen Sandiego é uma ladra famosa, todos no mundo falam dela e, conforme os boatos, a Interpol está atrás dela, além da mafia japonesa, a yakuza e de alguns magnatas famosos que foram roubados pela mulher misteriosa. Mesmo assim, ninguém nunca viu essa mulher, ela é como uma lenda urbana. Sempre alguém vem com uma história de que “um amigo de um amigo” viu a ladra saltando pelos arranha-céus na escuridão da noite. As histórias são variadas e tomam ares muito exagerados. Em algumas versões, ela aparece como se fosse um espirito errante do outro mundo, em outras assume um armais sensual, sendo retratada como uma sucubo sedutora ou, em outros casos, como uma agente de algum deus obscuro. De qualquer forma, em apenas algumas coisas as histórias sempre concordavam, a aparência de Carmen. Ela é sempre retratada como uma mulher jovem, com seus vinte e cinco anos aproximadamente, sempre vestida com um longo sobretudo e um chapéu vermelho. Os cabelos são castanhos escuros, ondulados e longos, e seu olhar é um enigma indecifrável.

Em uma noite, eu estava fazendo a minha rotina de segurança do museu como era de praxe. Passei pelo busto de George Washinton e cumprimentei-o, como sempre fazia.

- Ainda ai amigo? Ouvi dizer que tem um encontro marcado com uma mulher de vermelho! - disse em tom de brincadeira.

Obviamente não obtive resposta. Eu deveria seguir para a área seguinte, aonde os quadros de Picasso estavam expostos, mas, por uma infantilidade minha, resolvi voltar e dar uma passadinha na área do Egito antigo, pois o novato Sammy tinha apostado que a estatua de Anubis seria o souvenir escolhido por nossa ladra misteriosa.

Segui o caminho despreocupado, até distraído demais. Quando adentrei na sala aonde ficavam as peças do Egito antigo meu coração quase saiu pelo peito. Tão qual não foi minha surpresa ao ver um vulto em um sobretudo negro e com um chapéu de mesma cor em pé bem no meio do cômodo! Soltei um grito de pavor, direcionando a luz de minha lanterna até a direção daquela figura misteriosa.

Mas a figura era mais rápida que uma pantera, movendo-se com agilidade, correndo com pressa com algo por debaixo do braço. Não consegui fitá-la, mas a luz de minha lanterna alcançou a ponta de seu sobretudo e o que se revelou foi uma com avermelhada forte e vibrante.

- Pare! - eu gritei, atrapalhando-me em sacar minha pistola.

Vi cabelos longos e encaracolados ondulando rapidamente e percebi que devia se tratar de uma mulher e logo a lembrança da lendária ladra surgiu em minha mente.

Ela não parou, correu como se deslizando pelas sombras. Um riso feminino ecoou pelo aposento e, por alguma ilusão macabra, pareceu que o riso se multiplicava, como se dezenas de mulheres rissem em uma sinfonia vinda direta do inferno. Nesse momento, tive a impressão que todo o museu zombava de mim. Eles pareciam rir e falar “Acha mesmo que pode parar Carmen Sandiego? Ela entra aonde deseja e rouba o que quer!”.

A forma como aquela mulher se movia não era humana. Os saltos que deu simplesmente ignoravam a gravidade! Com sua velocidade sobrenatural Carmen alçou-se até o teto de vidro do museu. O teto não era todo de vidro, apenas uma pequena parte e era lá que ela se encontrava, uma parte do vidro havia sido retirada e a luz da lua banhou o corpo de Carmen, revelando suas vestimentas vermelhas confirmando assim o que eu já sabia.

Ela parecia um espirito errante. Carmen virou seu rosto e me fitou por cima dos ombros. Seus olhos eram como o de uma esfinge e parecia haver uma perverão sombria neles. Vi um sorriso sutil em seus lábios e então, com um salto na escuridão. Ela se fori

Não consegui reagir aquilo, fiquei por muito tempo olhando para cima, no lugar aonde ela estivera antes de sumir. Estava preso em um feitiço dela, preso em um transe de fascínio e horror. Foi só depois de muito tempo que consegui andar, tropego, pelas salas do museu e encontrar Alana, uma segurança assim como eu.

Ela disse que eu estava pálido e em choque e parecia que tinha visto um fantasma. Mesmo hoje, dois messes depois, acredito que ela estava certa, mesmo que não soubesse disso quando falou aquelas palavras.

Na manha seguinte após esse incidente, soubemos o que foi roubado do museu: a estátua do deus Anubis. Ninguém, com exceção de Sammy que ganhara a aposta, ficara feliz com isso. Soube que ele ganhou uma quantia que chegava a ser quase um salario extra.

Depois desse dia, até tentei permanecer no meu emprego, mas a coisa não era mais a mesma. Eu vagava pelo museu sempre assutado, paranoico, vendo vultos rubros em cada sombra, tremendo a qualquer mínimo som.

Pedi minhas contas e larguei o trabalho como segurança. Estou desempregado, vivendo da caridade de alguns amigos e parentes enquanto tento me recuperar do choque. Os outros não entendem o meu choque, o meu horror. Eu não consigo explicá-los, pois de fato, apesar do susto, Carmen Sandiego não fez nada comigo, não me ameaçou nem com gestos nem com palavras.

Mas a mudança que ela causou em mim não tem mesmo explicação, mesmo o Dr. Vincent tentando encontrar alguma baseando-se em Freud. Sim, Carmen não fez nada contra mim, mas nem precisava. Só de vê-la ela já me mudou, para sempre. O que vi não era humano. Ela não é uma mulher, por mais que se pareça com uma.

Carmen Sandiego é um total mistério, um ser com olhos de esfinge e sorriso de demônia trajada com véus de sangue e escuridão. Ela é uma força, um poder que está além da razão. Olhar para ela foi como olhar para o fundo de um poço muito profundo e ver alguma coisa lá dentro. Alguma coisa que parece rir dos humanos, rir de nossa falsa segurança, pois não temos segurança. Nossos muros não podem barrá-la, nossas câmeras não conseguem captar nada além de vultos e nossas mentes… jamais irão compreendê-la.

Ela é alguma coisa feroz que ri como uma legião de demônios. E, tenho que admitir, pelo que me resta de sanidade, que ela me aterroriza e me fascina ao mesmo tempo! Espero que ao menos no céu, ou no inferno, eu esteja seguro dela, mas a verdade é que sei que não estarei. Afinal, ela é Carmen Sandiego e nem mesmo os portões celestes ou demoníacos podem impedi-la, caso ela deseje entrar!

2 de Julho de 2020 às 01:10 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

Lucas Vitoriano Ola, me chamo Lucas, adoro escrever, ver animes, jogar Magic the gathering, ler entre outras coisas mais rs. Sou particulamente fissurado em mitologia grega, meus autores favoritos são Neil Gaiman e Kazuo Ishiguro e, meu livro favorito, é As brumas de Avalon.

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