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O terror invadiu o olhar de Adriane em segundos. Ela resmungou: - Por favor, não... - Como?! Não pude te ouvir. - Punhal de Prata zombou e logo lhe disse: - Vamos combinar o seguinte, vou retirar o pano, e você fala. Agora, se você tentar qualquer gracinha... - Dito isto, Punhal de prata ficou a valsear o punhal, por sinal também de prata, rente ao rosto de Adriane - Agora me fala o que disse? - Por favor, moço, - implorou Adriane novamente - não faça nada comigo, sou uma mulher casada... - Ah, - debochou Punhal de prata - isso não posso prometer. E em seguida, para provocá-la, passeava o dorso da sua mão sobre o rosto de Adriane - Quem mandou nascer tão gostosa? Eu não tenho culpa se não consigo resistir. Ao ouvi-lo, Adriane desesperou-se e, organizando todas suas forças, aliás, que ela não tinha, lutava para se soltar. O que não adiantou. Só serviu para encadear ainda mais os braços do maníaco em volta do seu pescoço. - Ah, não me provoque... - Ele disse. Depois pegou o punhal que havia colocado na cômoda e ficou a riscar o corpo de Adriane, principiando entre os seios, descendo até superfície da virilha. - Posso te abrir aqui mesmo, é isto que quer?!


Horror Todo o público.

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Punhal de Prata - Capítulo 1

Atenção!


Pode haver na narrativa deste livro; cenas de sexo explícito, conflitos familiares, dependência química, palavras obscenas, violência exacerbada, histórias de assombração, etc. Caso você sinta alguma aversão a estes temas, o recomendável é não continuar.


Obs: Os textos não foram revisados; sendo assim, favor desconsiderar erros ortográficos e de digitação. Caso aprecie o enredo, não deixe de apoiar o escritor; curtindo, compartilhando e falando deste livro com os amigos.


Boa leitura!


CONTOS


1. Punhal de Prata;

2. Pesadelo;

3. Mistério na chácara de Nº23;

4. Quem vai ficar com a p*rra do VHS?!;

5. O gorro, o cachecol, e uma jaqueta amarela vibrante;

6. Veneno;

7. Calibre 38, carregado;

8. A escritura definitiva;

9. Boca de sapo, agulhas e linhas;


***


Punhal de prata, o terrível serial killer que, no início da década dos anos noventa, tanto aterrorizou a região Norte e Noroeste da cidade de Goiânia (esta data ficou provada posteriormente), infelizmente decidiu por si que já era tempo de voltar às ruas. E esta decisão, dura para pessoas comuns, mas para um criminoso não, foi tomada conscientemente na época que crimes inomináveis voltaram a estampar, com bastante fulgor, as manchetes em bancas de revistas, assim como a tela de todos os telejornais locais. Motivo?! E louco precisa lá de motivo?! Na verdade não precisa não, mas para não deixarmos uma lacuna nessa questão, horrorosa, por sinal, vamos especular que; Punhal de prata decidiu retornar às atividades; quem sabe por sofrer a inércia dos dias, ou por sentir-se pequeno frente à concorrência crescente à volta, até mesmo, o que é era bem pior, por puro ciúme infantil, mas o certo é que, com o passar dos últimos anos, (especificamente três anos fora de circulação), Punhal de prata passou a se sentir menos vivo durante as tarefas comuns, e o louco desejo de violentar para pacificar-se, voltou a vivificar antigas trevas, aliás, trevas estas, até então adormecidas nos recônditos mais obscuros do seu imundo coração.

— Ainda hoje, consigo sentir o gosto daquela boceta na minha boca... — Disse sentindo-se nostálgico em recordações da última vítima, enquanto o punhal cerrado na mão, aliás, o motivo pelo qual a população o apelidara, subia e descia o fio de corte sobre um amolador degastado.

Na época de maior vigor, (e isto acorreu entre julho a dezembro do ano de 1992), a partir das 18h00min em ponto, Punhal de prata, por horas, sentava-se diariamente diante da televisão. Para que? Para saborear o que dele fosse negativamente noticiado; é claro! E quando não sucedia assim, a mesma companheira velha de marés ruins, aquela que o confortava as nádegas e as costas, logo se juntava à mesa de vidro. Mantendo as pernas cruzadas, os óculos pendendo na ponta do nariz, por incontáveis vezes consecutivas, Punhal de prata ficava a ler e reler artigos relacionados aos crimes que cometera: retratos falados colhidos por testemunhas, estatística da violência do mês específico, entrevistas com psicólogos, psiquiatras, investigadores, e outros mórbidos assuntos acondicionando-se em conjunto dentro da pequena pasta rosa servindo também como relicário sagrado aonde era fielmente depositado; registros das intimidades das suas vítimas.

Apaziguado, ora dizia: — Ah, esta aqui é a da loira... — Outras vezes— Esta morena aqui, nossa, deu muito trabalho, é verdade, mas consegui imobilizá-la no matagal... — Era bastante comum, às vezes, Punhal de prata aproximar a imagem aos olhos, e ficar degustando os detalhes, bem de perto — Não me recordar bem desta,... Bom, acho que, pela cor dos pelos, é a ruivinha que topei no ponto de ônibus... Puta que o pariu! Quantos anos faz isso?! — Disse — Estou ficando velho...

A ruiva, na qual Punhal de prata se referia, tratava-se da última vítima que fizera antes de ausentar-se; Jordana do Amaral. Jordana do Amaral tinha uma postura contrária aos irmãos, era devotada nos estudos e com apenas dezenove anos de idade já dava um baita orgulho aos pais cursando enfermagem na faculdade mais importante da cidade. Infelizmente, apesar dos constantes alertas dos amigos, familiares, e principalmente dos pais já idosos, a mesma, ainda que não houvesse necessidade alguma de permanecer na faculdade, ficava auxiliando os amigos até altas horas. Resultado; terminava sozinha no ponto de ônibus. Arriscou-se por muitos anos exatamente assim, até que na manhã do dia 23 de Agosto do ano de 1992, em uma sexta-feira, seu corpo nu foi encontrado no denso matagal que ladeava os arredores da faculdade.

Em reportagens que avultaram em telejornais locais, estendendo-se também a nacional, o médico legista, responsável pelo caso, sempre relatava diagnósticos com bastante temor: excesso de hematomas, fissuras e cortes oriundos sobre a vítima configuravam a luta brutal, e ao mesmo tempo covarde, que Jordana, ainda que fisicamente desigual em corpulência, travou com o assassino enquanto era sequencialmente violentada.

Ká entre nós; a questão é que, logo após este assassinato, aliás, por longos meses noticiado e cobrado exaustivamente por uma população cada dia mais revoltada com a incapacidade das autoridades policiais em resolvê-lo, Punhal de prata se viu forçado a se ausentar-se, e para falar a verdade, este seu "não nobre ato" só serviu para uma única coisa; fomentar o apetite voraz que o consumia em brasas por inteiro.

— Mais uma franguinha desta e, talvez, quem sabe, me aposento de vez... — Disse, esparramando o corpo sobre o colchão, afagando com sofreguidão as volumosas partes íntimas.

***

Havia festa na residência do mais novo casal de moradores do Jardim Balneário Meia-Ponte, setor localizado na região Norte de Goiânia. Ricardo, um moreno alto, forte e sempre bem vestido, também era conhecido por ser um esposo devotado à família; trabalhava como gerente de produção em uma fábrica que processava a maioria dos derivados da principal marca do leite que inundava grande parte das gôndolas de mercearias, supermercados, panificadoras, e de lanchonetes espalhadas ao longo das avenidas da sua cidade, — o tão conhecido LEITE GOGÓ — localizado na divisa da Avenida Marechal Rondon com a Rua Belo Horizonte, engolindo uma imensa área, para ser mais exato, uma quadra inteira do setor: Fama. Assim, desde o início daquela mesma manhã, em casa, Ricardo, de folga sem que ninguém desconfiasse, organizava com dedicação a comemoração surpresa que daria de presente de aniversário à Adriane, sua esposa, pelos 22 anos de vida, e por que não dizer, pelos 2 anos de casados.

Adriane, a esposa, era uma ruiva de olhos claros e de corpo esbelto e, com seus traços finos somados aos gestos singelos, sua presença feminina era ainda mais sublinhada pelo tom sempre doce da voz. Em relação ao trabalho que realizava, ou seja, como vendedora, pode se dizer que, em conjunto com as colegas, Adriane também embelezava o balcão de vendas da principal loja de perfumaria localizada no centro da cidade — O BOTICÁRIO — era o nome da empresa; uma franquia de cosméticos variados, com filiais espalhadas por todo o Brasil.

Então, sem que percamos o fio da meada, aconteceu que, naquela mesma noite, ou seja, na noite da comemoração surpresa do seu aniversário, por causa do alto ritmo das vendas que antecediam as vésperas do dia dos namorados, assim que adentrou a penumbra da sala, Adriane se sentia exausta, mal se lembrava do aniversário.

— SURPREEEESAAA! — Um grupo bastante vasto de pessoas gritou um coro em uníssono segundos após Adriane acender a luz da sala. — PARABÊNS PRA VOCÊ, NESTA DATA QUERIDA...

Logo Ricardo, seu esposo, a abraçou e sussurrou-lhe ao pé do ouvido: — Parabéns meu amor! Desejo muitos anos de vida... — Disse roubando-lhe um beijo. — Gostou da surpresa?! Ele perguntou.

— Adorei! — Ela disse.

Em sua residência se reuniam parte dos amigos, familiares, e irmãos da paróquia que Ricardo e Adriane frequentavam.

— Antes de cortarmos o bolo, senti no meu coração o desejo de realizar uma oração a favor deste lindo casal. — Disse o Padre Joaquim enquanto, com dificuldade pedia aos presentes que fizessem minutos de silêncio, e estendessem as mãos em direção de Ricardo e Adriane.

Assim que, com exceção das crianças que foram levadas para os fundos da casa, as pessoas que permaneceram na sala, que por sinal já estava abafada, fecharam os olhos e um a um, passaram a cultivar um profundo silêncio. Com o terreno preparado, Padre Joaquim iniciou suas preces:

— Poderoso Deus e Pai, nesta noite tão especial, nós te pedimos que o Senhor venha estender tuas mãos para abençoar este casal; Ricardo e Adriane — Padre Joaquim pigarreou um pouquinho e continuou; só que rogando cada vez mais intensamente — Sabemos que, como sucede na vida de todos os Teus Filhos, muitas serão as provações que, nesta jornada de recém-casados terão de enfrentar, mas cremos de todo o coração e, todos aqui presentes são testemunhas destas palavras, que o Senhor lhes dará a vitória a cada instante de momento que vierem a necessitar de Sua poderosa ajuda.

Se sentindo comovidos, Ricardo e Adriane, com os rostos cabisbaixos permaneciam abraçados, enquanto à volta deles, várias mãos se estendiam como mantos carregados de preces e orações; algumas silenciosas, outras mais altissonantes, abrindo caminho para que, neste mesmo espírito o Padre finalizasse a oração...

— Senhor Deus, que nesta noite especial, aliás, noite de comemoração por mais um ano na vida de Adriane, os Teus Anjos possam se acampar ao seu redor, ao redor desta casa e deste casal, guardando-os e livrando-os de todo o mal. Em nome do Teu Filho Jesus. Amém!

Todos concordaram em oração.

— Pra quem vai ser o primeiro pedaço do bolo?! — Alguém próximo à mesa, com bastante ênfase perguntou.

Adriane se dirigiu até o centro da mesa e agradeceu:

— Boa noite pessoal, — disse, segurando a espátula posta ao lado do bolo rosa, os olhos verdes naufragados em lágrimas — primeiramente agradeço a Deus por mais um ano de vida, de estar sempre presente em minha caminhada, um socorro bem presente em todos os momentos. Em segundo lugar, quero agradecer a este esposo maravilhoso que Deus me deu; carinhoso, companheiro, compreensivo e que organizou esta surpresa tão maravilhosa junto a todos vocês...

— Pra quem vai ser o primeiro pedaço do bolo?! — Perguntaram novamente.

— Então, o primeiro pedaço, — Adriane disse após recortar um pedaço do bolo e oferece-lo a Ricardo — com certeza é pra você meu amor...

— Ricardo, discurso, discurso, discurso... — Provocavam as pessoas à volta, inclusive Padre Joaquim que havia entrado na brincadeira.

Depois de tentar, por várias vezes se safar, por fim, Ricardo se posicionou ao lado de Adriane e começou a falar.

— Bom... O que eu poderia dizer da Adriane é... — Disse ajeitando a sua camiseta, sentindo-se muito envergonhado — Ela é a esposa que eu pedi a Deus. Uma mulher carinhosa, companheira, dedicada, compreensiva... Na verdade, não tenho palavras para definir o amor que sinto por esta mulher que me faz o homem mais feliz do mundo.

Ao ouvirem estas palavras, por sinal, carregadas de afetos acompanhados de gestos de carinhos, todos os presentes aplaudiram sem parar. Um tempo após, iam se posicionando em fila rente a mesa do bolo e dos docinhos. Adriane era auxiliada por Ricardo; ela repartia o bolo e ele distribuía mão a mão os pedaços em um pratinho também recheado de doces variados.

Conversa vai, conversa vem, finalmente o ponteiro do relógio tiquetaqueou 23h30min. Como para a maioria das pessoas ali, o expediente de trabalho já iniciava cedo, já pela manhã do dia seguinte, assim, após os muitos agradecimentos de Adriane e Ricardo; pela presença apesar das distâncias, pelos presentes não dados e os recebidos, e pelas muitas palavras de conforto ouvido pelo casal, pouco a pouco os convidados, todos eles, um a um, foram se raleando.

Continua...

30 de Junho de 2020 às 17:16 1 Denunciar Insira Seguir história
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