u15715377901571537790 gakkomura

"Diferentemente de alguns livros eróticos que só arranham a superfície dos encontros humanos, aqui o escritor vai muito mais além; a narrativa do livro, aliás, bem construída, chamativa do início ao fim, prende o leitor a cada estrofe e linha, fazendo com que o mesmo percorra caminhos impossíveis de serem previstos; ali, ao percorrê-lo, suas emoções são testadas ao nível máximo; e por que não dizer, até às entranhas do ser?! Quanto ao estilo de escrita do autor; a impressão que temos ao lermos, é que ele garimpa fluidez a todo instante e, para ser mais exato; a cada palavra, frase e vírgula, destacando-se com a maestria de quem sabe conduzir uma narrativa em estilo poético, intercalando-o com o realístico. Para os amantes de literatura de qualidade, este livro, apesar de possuir poucas páginas, (100 pág aproximadamente), com toda a certeza do mundo logo se tornará leitura obrigatória, pelo menos para quem é fã de romance adulto"


Erótico Para maiores de 18 apenas.

#reencontro #paixão #amor #relacioamento #culpa #mudança-de-país #verdadeiro-amor #traição #drama #erótico #adulto #hot
0
804 VISUALIZAÇÕES
Em progresso - Novo capítulo A cada 10 dias
tempo de leitura
AA Compartilhar

B'one - Capítulo 1

Atenção!


Pode haver na narrativa deste livro; cenas de sexo explícito, conflitos familiares, dependência química, palavras obscenas, violência exacerbada, etc. Caso você sinta alguma aversão a estes temas, o recomendável é não continuar.


Obs: Os textos não foram revisados; sendo assim, favor desconsiderar erros ortográficos e de digitação. Caso aprecie o enredo, não deixe de apoiar o escritor; curtindo, compartilhando e falando deste livro com os amigos.


Dekassegui (出稼ぎ 'dekasegi'?) é um termo formado pela união dos verbetes na língua japonesa 出る (deru, sair) e 稼ぐ (kasegu, para trabalhar, ganhar dinheiro trabalhando), tendo como significado literário "trabalhando distante de casa" e designando qualquer pessoa que deixa sua terra natal para trabalhar temporariamente em outra região ou país. Wikipédia.


Boa leitura!



CONTOS


1. B'one;

2. Noite escura;

3. Mundos opostos;

4. Solidão, névoas e o brilho do anel;

5. Fúria;

6. Metamorfoses familiares;

7. Hamamatsu Station;


***


Hamamatsu, 25 de Junho de 1998.


Nos refletores, cores variadas explodindo em feixes de luzes ricocheteando nos globos espelhados posicionados estrategicamente no alto do salão, emergiam em cada um dos presentes, um misto de sensações cada vez mais agitado, frenético, dançante no expressar já movimentado dos pés sobre a pista de dança. — Que tanto de gata, galera! Vamos praticar os passinhos?! — Edgar Taniguchi era convocado pelos amigos em provocações já sequestradas pelo ritmo das músicas vibrando neles; pensamentos, atitudes e comportamentos mais ousados que em um dia normal. “Putz, há tantos anos frequento esse espaço e para falar a verdade, nunca encontrei alguém que realmente valesse a pena!” Edgar pensou. Com o olhar viajando pelo ambiente, ele suspirava silencioso entre um e outro ressentimento, copo de cerveja à mão, acompanhando apenas com os olhos o grupo incompleto se enfileirando em fila indiana no centro da pista de dança, iniciando os passos exaustivamente praticados no fundo do galpão da fábrica aonde trabalhavam.

Conforme a música se desenvolvia e a provocação do ritmo abastecia ainda mais a eletricidade dos corpos, as pessoas ao redor, ficavam cada vez mais excitadas com os movimentos frenéticos de pés, mãos, troncos e cabeças expressando rostos já corroborados de sentimentos de aprovação.

— Galera, hoje eu não irei acompanhá-los... — Edgar disse com um sorriso amarelo esvaindo do rosto, e partiu solitário para o segundo piso, negando o convite quase obrigatório de estar ali, juntamente com os colegas, participando da coreografia que há anos o clã utilizava como “isca” para “pescar” novas garotas.

Subindo as escadas, a alma tateando aqui e ali através de alguns olhares trocados, contraditoriamente Edgar Taniguchi adentrou uma sala exclusivamente reservada aos namorados. Como todas às vezes que se sentia entediado, ele caminhou lentamente atravessando o corredor sobrepujando uma parede esverdeada, onde após a grossa coluna de concreto, banquinhos isolados construíam uma aura maior de privacidade no ambiente. Já sentado, o líquido embriagante sobre a mesa ao lado de um maço de cigarros amarrotados, ele permaneceu ali; o olhar perdido no horizonte dos sons, das cores e dos corpos agitados de desejo, lutando contra a ansiedade e o receio de “porventura” voltarem “desacompanhados” após a farra.

Como nas noites que velhos sentimentos voltavam a atormentá-lo, Edgar retirou o pequeno livreto de mensagens de dentro do bolso; com o rosto mergulhado vasculhava página por página, a fumaça do cigarro insistindo adentrar as pálpebras, mas impedida pelo piscar frenético dos seus olhos, o polegar e o dedo indicador finalmente encontraram a dobradura no cantinho da página número 23 que denunciava o papel amarrotado, sujo e amarelado pelas constantes releituras das letras. “O maior de todos os pecados: o Arrependimento”. Leu e releu em alta voz a frase que há anos exercitava os músculos da língua e a da mente, entremeando os pensamentos, devorando horas de suas horas por busca de significados diferenciados entre os inúmeros que ele se prontificou a refletir em algum canto do apartamento. De repente, por trás vindo em sua direção, ele ouviu a seguinte voz:

— Não acredito que estou vendo você aqui, Edgar! — Ali estava uma voz feminina e sensual, reconhecida desde o desabrochar da infância até a puberdade precoce, que acompanhou o Edgar menino nas ruas, nas praças, nas lanchonetes, na escola e em cada cantinho de casa quando imprudentemente eram esquecidos por ambos os pais.

— Kiara Uemura! — Ele exaltou-se.

Em um sobressalto, seus olhos não podendo ocultar o impacto daquela presença, Edgar ficou vislumbrado com a beleza que agora encorpava a menina manhosa, delicada em gestos e nos protestos, a raquítica especial que insistia há tantos anos estimular antigas lembranças, povoar suas memórias de infância, sempre o incomodando em desejos impossíveis de serem esquecidos.

— Há quanto tempo você está no Japão, Edgar?! — Ela perguntou ajeitando a cadeira e sentando-se na sua frente; não mais se atendo a fisionomia do rosto dele, nem incomodada pelos olhares à sua volta a devorando de cima a baixo, mas no movimentar contínuo e singelo daqueles lábios que, na pré-adolescência, tanto deliciou em beijar.

— Estou há três anos no Japão, Kiara. E você, quando é que você chegou aqui?!

Diferentemente de quando chegara à B’one, Edgar agora nutria um semblante amendoado, lutando com os olhos na verdade, mas não conseguindo mais se desvencilhar das curvas, das formas, da silhueta formosa, ainda que na penumbra do ambiente já esbranquiçado pela fumaça que subia dos motores elétricos posicionados lá embaixo, nos quatro cantos da pista de dança.

Como água represada há anos, ambos assim ficaram; os olhos dele encarando sutilmente os olhos dela, ela tateando resquícios de percepções diversos nele, mas ambos simultaneamente impulsionados a encontrar nos diálogos; um sentimento comum impregnando as palavras, ladeando o pausar das respostas involuntárias, ou suspenso em algum movimento inconsciente que porventura denunciasse em gestos, em olhares, em suspiros inaudíveis que eles ainda se desejavam.

— Cheguei há três meses no Japão. É tudo tão diferente, Edgar! Acho que não vou conseguir me acostumar, sabe... — Dito isto, Kiara Uemura lutava com o calor corporal que, subindo pela espinha, se alastrava pela singeleza do seu rosto, deixando as duas bochechas coradas.

Assim, Kiara Uemura intercalava sorrisos com desvios de olhar, e Edgar Taniguchi, devolvia todos os seus sorrisos envelopados com palavras de promessas protetoras de alguém um pouco mais acostumado com toda aquela loucura, com todos aqueles trejeitos, com todas aquelas esquisitices de país de 1º mundo.

— Agora é só para os casais mais apaixonados... — Informou pelo microfone o DJ; posicionando um LP romântico no carrossel enquanto os casais iam se formando aos pares.

— Se precisar de alguma coisa, qualquer coisa, pode contar comigo, Kiara! — Disse Edgar.

Em seguida ele estendeu a mão direita em direção a Kiara e a convidou para descer até a pista de dança, ao som romântico de Mariah Carey...

You look into my eyes

And I get emotional inside

I know it's crazy but

You still can touch my heart

And after all this time

You'd think that I

I wouldn't feel the same

But time melts into nothing

And nothing's change!

Já abraçados, as mãos de Kiara suavizadas sobre os ombros de Edgar, e as deles circundando firmemente sua cintura, por um momento ou pelo tempo que durou a música, toda uma torrente de sentimentos acumulados e represados ao longo dos anos passados arrebataram suas almas.

— Nunca consegui te esquecer... — Edgar por fim lhe disse já proferindo confissões acaloradas, e ela como resposta a ele, ia diminuindo o espaço através de abraços mais apertados.

— Ah, Edgar… Na verdade eu também não consegui te esquecer...

Ela respondia todos os gracejos já se sentindo segura nas palavras, o queixo angelical repousado sobre o ombro dele, deixando a doce fragrância dos seus cabelos embriagarem cada vez mais o olfato do recém-amor reencontrado.

— Kiara, pense bem, nos reencontrarmos no outro lado do mundo, e isso, não pode ser coincidência! — Edgar exclamou se sentindo vitorioso.

Após estas trocas de palavras, ambos refletiam no conforto do próprio silêncio. Os passos alternados; dois passos para lá, dois passos para cá, e a canção anestesiando a tensão do dia, adocicando pensamentos diversos, enternurando emoções antigas, revirando no fundo do coração até encontrar o amor descontinuado fibrilando pulsões, latejando sensações, emergindo na epiderme do ser todos os resquícios de um prazer juvenil interrompido e, impossível agora, pela força do destino ou pelo acaso do reencontro de almas que se procuravam, de permanecer vivo somente em lembranças.

Quando acabou a música, ouviu-se um murmúrio de vozes entoando por trás do casal:

— Não vai apresentar sua amiga, Edgar? — Eram seus amigos.

Logo eles se aproximaram; soltando suspiros e golfadas intrépidas de ares intercalados, tentando provocar ciúmes a Edgar que, não cedendo àquelas provocações, sentia em seu peito vibrar a sorte finalmente pairando ao seu lado.

— Galera, essa é Kiara Uemura, minha amiga de infância — Para falar a verdade, Edgar respondeu desejando ter dito “meu amor” ao invés de “minha amiga” e em seguida deu-lhe um beijo singelo na bochecha enquanto permitiu que ela fosse fuzilada por todo o tipo de pergunta.

Kiara respondeu todas as perguntas dos amigos de Edgar, buscando sempre apoio na presença dele posto ao seu lado, contemplando-a paralisado e com o olhar imóvel.

— Então, iremos todos nos reunir amanhã na estação. Você vem, né Edgar? — O grupo de amigos o intimou.

Mas de pronto, Edgar lhes respondeu: — Não vou dar certeza pessoal... Bom, eu e a Kiara acabamos de nos reencontrar e... Provavelmente temos outros planos para amanhã...

Edgar franziu os olhos e em seguida encarou Kiara com ternura em rabos de olhos desconfiados, receoso por ter ultrapassado, por assim dizer, algum limite dela, na resposta espontânea que, com imenso prazer, ele deu aos amigos.

No relógio posicionado no alto do chafariz localizado da praça principal, tic taqueou duas horas da manhã quando todos eles se despediram em frente da casa noturna. Com o frio cortando porta afora, cada um seguiu em passos apressados na direção do ponto de ônibus.

— Aonde é que fica seu ponto, Kiara? — Edgar perguntou já sentindo saudades dela, conduzindo-a rumo à estação do metrô, enquanto momentaneamente muda, ela sorria um sorriso amarelado que a deixava com o rosto mais corado que o normal.

— Posso te pedir uma coisa, Edgar? — Desviou o olhar dele por alguns segundos e, inflando ares gélidos nos pulmões, pediu em seguida: — Poderia me levar pra sua casa? —

Kiara mantinha o semblante ressabiado, os olhos miudinhos enterrados em sua direção.

— Você quer ir para minha casa, Kiara?! Certeza disso?! — Edgar se assustou.

Como uma cadelinha indefesa, sem dono, Kiara apertou mais o braço, encadeando-se de vez ao dele. Por um instante de momento, com a mente pega desprevenida, por alguns segundos ele emudeceu.

— Se você quiser, é claro... — Ela reforçou o pedido com os olhinhos cintilantes, respeitando as próprias pausas respiratórias do ar gelado que, adentrando os pulmões, deixavam as narinas mais avermelhadas que o normal.

Continua...

30 de Julho de 2020 às 23:14 0 Denunciar Insira Seguir história
1
Leia o próximo capítulo Capítulo 2

Comentar algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~

Você está gostando da leitura?

Ei! Ainda faltam 16 capítulos restantes nesta história.
Para continuar lendo, por favor, faça login ou cadastre-se. É grátis!

Histórias relacionadas

Mais histórias

Resetar 2 Resetar 2
Escondidos dos pais Escondidos dos pais
Transa Transa