bertou José Roberto

Trata-se de um homem balançando em um pneu sob a mira de uma arma de fogo. Sua única condição para não levar um tiro é não parar de sorrir. Um pequeno debate interno se forma na sua cabeça durante isso.


Conto Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#psicologico #conto #378 #miniconto
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Balanço

Para frente e para trás, meu corpo envolvido por um pneu balançava ao mesmo tempo que minha face forçava um sorriso falso.

A placa já dizia "Sorria, você está sendo torturado". Sob ela uma pistola automatizada me observava com seu único olho esperando que o sorriso sumisse do meu rosto.

E quem diria que um cano metálico pudesse comandar os meus músculos faciais daquela forma. A agonia crescia constantemente em meu ser e em pouco tempo eu não conseguiria mais acessar minha sanidade, provavelmente me tornaria um louco com um extremo desejo de morrer na hora em que decidisse que meus dentes devessem sumir da vista daquela arma.

Mas antes disso, eu queria compreender o fato de continuar me mantendo vivo, será que eu tenho escapatória da onde estou sendo mantido? Eu nem conseguia me reconhecer mais e o meu futuro tinha se tornado totalmente incerto em meus pensamentos. O garoto que um dia sonhava em ser um grande empresário não conseguia se imaginar deitado em uma piscina de notas de 100 dólares, as ilusões que o mantinham vivo eram trocadas por uma vontade pequena de não levar um tiro, que iam esvaziando de pouco a pouco.

Já estava cansado, sorrir não parecia mais necessário, de agora em diante minha face iria agir de acordo com o que eu sinto de verdade, mesmo que esse ato seja capaz de me levar ao fundo da terra. Lentamente meus lábios iam caindo como óleo escorrendo numa superfície inclinada, o pneu que me balançava entrava em inércia e o cano da arma parecia sorrir para mim, era chegada a minha hora…

CLIC.

Nada aconteceu.

CLIC.

O som se repetiu, mas não houve disparo.

CLIC.

Por vários minutos aquilo continuou, a ânsia dentro de mim crescia cada vez mais de acordo com o barulho que aumentava gradualmente, a qualquer hora o tiro poderia sair.

CLIC CLIC CLIC CLIC CLIC CLIC CLIC CLIC CLIC CLIC CLIC CLIC CLIC CLIC CLIC CLIC CLIC CLIC CLIC CLIC CLIC CLIC CLIC CLIC CLIC CLIC CLIC CLIC CLIC CLIC CLIC CLIC CLIC CLIC CLIC CLIC.

Voltei a sorrir, a arma já era mais forte que a minha própria vontade.

28 de Junho de 2020 às 17:58 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

José Roberto "Só quem se mostra se encontra. Por mais que se perca no caminho." (Cazuza) José Roberto, Betinho ou Beto, como você quiser, 18 anos, nascido em São Paulo, moro em Londrina no Paraná. Atualmente curso Letras-Espanhol na Universidade Estadual de Londrina. Escritor e sonhador, procurando parar de esconder sua própria arte.

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