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No ano do Torneio Tribuxo, uma nova aluna chega à Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Repleta de mistérios e fadada ao terrível destino de se transformar em uma besta em toda noite de lua cheia, busca o auxílio de Severus Snape, o que acaba se tornando bem mais do que uma simples relação entre aluna e professor.


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Sonserina


K A T E R I N A


Viktor enlaça meus ombros enquanto caminhamos pela multidão de bruxos na plataforma. O burburinho de conversas me deixa confusa e sem saber para onde desviar a atenção. Vários olhares curiosos se voltam para nós dois, seguidos pelo característico “Oh!” assim que os bruxos percebem se tratar de Viktor Krum, estrela do time nacional da Bulgária. Meu irmão está tão acostumado que mal reage, apenas segue o caminho, me arrastando com toda a sua falta de delicadeza por entre as pessoas.


A grande placa com os dizeres “Plataforma 9 ¾” reluz, destacando-se no meio da fumaça que sai continuamente do trem quilométrico parado nos trilhos.


— Acho que estamos atrasados… — murmura, apertando o passo quando o trem apita duas vezes e escuta-se o som das engrenagens.


Dou uma corridinha para acompanhá-lo e nós esbarramos em um casal que parece ter surgido do nada em nossa frente, com seus cabelos ruivos.


— Perdão — grito, sem olhar para trás.


Pelas barbas de Merlin! Molly, acho que acabamos de trombar com Viktor Krum! — Escuto ao longe a voz do homem, perplexo, e deixo um sorriso escapar.


Viktor praticamente me empurra para dentro da cabine e joga meu malão para cima de mim antes que as portas se fechem. Ofegante, seguro com força para que não caia, espatifando todas as minhas vestes no chão.


— Me escreva assim que chegar! — grita do lado de fora, correndo para acompanhar o trem, que já se move lentamente.


— Tudo bem! Até mais! — respondo em um berro, esperando que ele tenha me ouvido.


— Te amo, Kat! Vai dar tudo certo. Nos vemos em breve!


Sorrio, assentindo. A velocidade aumenta e logo o perco de vista. Viktor me contou sobre o retorno do Torneio Tribuxo neste ano, que será sediado em Hogwarts. Durmstrang com certeza vai participar e Igor não vai perder a oportunidade de levar consigo meu irmão, seu prodígio e maior orgulho. Então é provável que nos encontremos em Hogwarts antes mesmo do natal.


Respiro profundamente e me viro, indo na direção das cabines. O corredor estreito balança sem parar com o movimento do trem e preciso me encostar em algumas portas para evitar uma queda.


Através do vidro nas laterais, vejo que a maioria dos assentos já está ocupada. Mas continuo andando, na esperança de encontrar ao menos um vazio. Quase perco as esperanças quando chego no último vagão, sentindo minha cabeça girar com o balanço da locomotiva. Felizmente, a cabine à esquerda está ocupada por uma única pessoa.


— Se importa se eu… — digo, ao abrir a porta de correr.


Paro de falar quando noto que o habitante está coberto com seu grosso casaco, escondendo-lhe a cabeça, num sono profundo. Dou de ombros e coloco minha bagagem no maleiro acima dos bancos, retirando antes um livro sobre Artes das Trevas para me entreter durante a viagem, além de uma barra de chocolate.


Me sento na janela e a paisagem natural e verde passa como um filme veloz do lado de fora. O trem é bem mais aconchegante do que o meio de locomoção da minha antiga escola, Durmstrang. O Instituto é rodeado por água, então precisava passar horas dentro do navio nauseante e claustrofóbico até chegar na encosta.


Quando Viktor me disse que Alvo Dumbledore havia aceitado minha transferência para Hogwarts, fiquei entusiasmada por um breve período de tempo. Nunca gostei do ambiente obscuro e reprimido do Instituto. Mas minha alegria não durou tanto, visto que serei uma aluna nova do último ano - e mais velha do que os veteranos, já que tenho dezoito anos e não dezessete, que é o comum por aqui. E minhas habilidades interpessoais são medíocres. Não nasci para fazer amizades…


Quando neguei, Viktor disse que seria o melhor. Em Hogwarts, aparentemente, reside e leciona um dos únicos Mestres de Poções capaz de preparar a Poção de Acônito, que permite aos licantropos o controle de sua mente e racionalidade quando transformados. Considerando meu estado atual, é uma ótima notícia. Ser capaz de controlar minhas ações soa bem melhor do que ser trancafiada em uma jaula durante a noite, esperando que a raiva e a fome insaciável passem, enquanto me mutilo de várias formas diferentes na busca pela saída.


Mas ainda me sinto insegura por estar longe dele. Somos gêmeos, apesar de não-idênticos, e ele esteve comigo desde sempre após a morte dos nossos pais na rebelião contra o Lorde das Trevas. E foi quem me ajudou durante as transformações, acobertando minhas ausências das aulas e tudo. Não me sinto à vontade estando sob os cuidados de estranhos, em uma escola nova e desconhecida.


Percebo já estar na metade da minha barra de chocolate e embrulho o papel dourado novamente, lacrando-a. Continuo lendo sobre a Magia Negra e suas consequências, mas sou interrompida pelo estranho em minha frente, que balbucia palavras inaudíveis em seu sono agitado. Ele move o rosto rapidamente e a gola do casaco que lhe cobria a face escorrega, revelando os traços pálidos do rapaz. Suas bochechas têm marcas longas e vermelhas bem peculiares, que aparentam não terem cicatrizado por inteiro.


O trem emite três apitos altos e estridentes que acabam acordando meu companheiro de viagem e ele desperta em um susto, arregalando os olhos castanhos e se posicionando ereto no assento. Sorrio, apoiando meu livro no colo. Ele pisca algumas vezes, como se estivesse se acostumando com a luminosidade e passa as mãos pelos cabelos despenteados.


— Olá — diz, com a voz rouca.


— Oi.


— Estamos chegando?


— Não tenho ideia…


Ele franze o cenho e me olha, atento. Exibe um sorriso mínimo, assentindo.


— Você é nova, suponho?


— Sim… é meu primeiro dia.


O homem boceja largamente, alongando o pescoço em um estalo alto. Sua aparência adulta mostra que com certeza não se trata de um aluno. Ele parece ser bem mais velho do que eu e tem os olhos fundos com olheiras marcadas - talvez até demais. Suas vestes são um pouco largas e surradas, inclusive com algumas emendas nas barras, costuradas com linhas marrons que se destacam no tecido negro.


— Sou Remus Lupin. Professor de Defesa Contra as Artes das Trevas em Hogwarts — diz, inclinando-se com o braço estendido em minha direção.


— Oh — aceito o cumprimento, deixando seus dedos longos e quentes envolverem os meus. — É um prazer. Meu nome é Katerina… venho do Instituto Durmstrang.


— Durmstrang? — assinto, deixando meu livro de lado e abrindo novamente meu chocolate. — O Diretor é Igor Karkaroff, certo?


— Sim… chocolate?


— Não, muito obrigado — diz, com um sorriso gentil. — Imagino então que a senhorita se sairá muito bem em minha disciplina. Sua antiga escola tem uma certa reputação quando se trata de Artes das Trevas.


— Bem… nós aprendemos a Magia Negra a partir do terceiro ano, sim. Precisamos saber contra o que lutaremos no mundo real, não acha?


— Claro… porém, ainda discordo quanto a expor crianças à Maldições e feitiços proibidos.


Dou de ombros, voltando minha atenção ao quadrado de chocolate que começa a derreter em meus dedos. Sei como enxergam o Instituto por aí, o único lugar onde a Arte das Trevas é de fato ensinada e não apenas a Defesa - que não vale de muita coisa, quando Comensais da Morte ameaçam os outros utilizando Maldições Imperdoáveis. É necessário retaliar com a mesma moeda. É claro que muitos discordam. E toda a história de Grindelwald não ajudou muito na reputação do lugar. Muito menos o fato de ser dirigida por um ex-Comensal. Por isso Durmstrang revelava muito pouco sobre seus métodos e até sua localização - eu mesma fui obliviada pelo próprio Karkaroff para não me recordar do local exato do Castelo. O mesmo acontece com qualquer bruxo que não faça parte do Instituto.


O Professor e eu permanecemos em silêncio durante o resto da viagem - volto a ler meu livro, enquanto ele olha pela janela, parecendo distante e perdido em seus próprios pensamentos. Mas sinto seus olhos queimando meu rosto vez ou outra, o que escolho ignorar, lendo várias vezes a mesma sentença nas páginas amareladas em minhas mãos.


O sol começa a se pôr, escurecendo o trem e as luzes das cabines se acendem.


— Estamos próximos — Remus diz, cruzando uma perna sobre a outra e revelando sua meia comprida e marrom por baixo da calça. — É melhor colocar suas vestes da Escola.


— Oh… claro.


Fico na ponta dos pés para alcançar meu malão e retirar de lá o longo manto preto com o Brasão dourado de Hogwarts e suas quatro casas. Coloco a longa capa preta sobre minhas vestes e me sento novamente, inquieta. Bato a sola das minhas botas pretas no assoalho da cabine enquanto estalo os dedos sem parar.


— Nervosa? — Remus pergunta, com uma calma velada de dar inveja.


— Um pouco… pelo que conheço, vocês são bem sérios com essa coisa de Casas.


Ele assente, passando a língua pelos lábios pálidos.


— Pessoalmente, não gosto muito da rivalidade que esta divisão causa. Mas é inevitável.


— Qual a sua?


Ele sorri, como se minha pergunta lhe fizesse recordar de algo bom.


— Grifinória.


Me lembrando do que li em um dos livros que contava a história de Hogwarts, digo:


— Os mais corajosos e ousados.


— E inconsequentes, na maior parte do tempo.





Saindo do trem, Remus me acompanha pela Estação de Hogsmeade até a fila de carruagens que se desfaz aos poucos, levando o grande contingente de alunos para dentro dos portões da escola. O Professor é cumprimentado por vários bruxos no caminho e parece ser bem querido, a julgar pelos sorrisos entusiasmados que lançam à ele.


— Remus! — um grito vindo de uma das carruagens lhe chama a atenção.

Olho na direção da voz e vejo um garoto ruivo, acompanhado por uma garota de cabelos cacheados e outro garoto de olhos verdes por trás dos óculos redondos transparentes.


— Venha, pode se sentar conosco — o Professor diz, fazendo sinal com a cabeça.


Vou em sua frente, com um sorriso tímido. Paro no meio do caminho ao notar as criaturas horrendas que dirigem a carruagem metálica. Cavalos alados esqueléticos, com asas gigantescas e negras, além de olhos mórbidos e vidrados que parecem não se fixar em um ponto específico. Engulo em seco, com um passo acanhado para dentro do móvel. Reconheço a figura de um Testrálio pelo esboço em meus livros de Criaturas Mágicas. Só não esperava que fossem ainda piores pessoalmente.


— Nós estávamos justamente falando sobre Sir… — o garoto ruivo diz, animado. Até seus olhos encontrarem os meus e ele se engasgar com as palavras, como se estivesse vendo uma assombração. — Almofadinhas.


Remus senta-se ao meu lado, com seu sorriso calmo que à esta altura já me acostumei.


— Talvez devêssemos discutir sobre isso mais tarde, Rony.


— Claro… claro.


A garota ao seu lado o encara com reprovação, bufando ruidosamente.


— Esta é a senhorita Katerina. E estes são Rony, Hermione e Harry.


Respondo, com um aceno de cabeça. Fico um tempo fitando o garoto de olhos verdes, que agora percebo se tratar de Harry Potter. De acordo com meus cálculos, deve ter quatorze anos, já que meus pais estão mortos há este tempo. Desvio o olhar, com um sorriso nervoso.


— Você foi transferida de algum lugar? — a garota pergunta, com um tom gentil.


— Sim… venho do Instituto Durmstrang.


O ruivo arregala os olhos, boquiaberto e dá uma cotovelada que parece extremamente dolorosa em Harry.


— Isso significa que você conhece Viktor Krum?!


Deixo uma risada me escapar, assentindo.


— Nós somos irmãos, na verdade…


— Por Merlin! Viktor Krum é seu irmão! Harry, você ouviu isso?


— Sim, Ron… — o outro responde, passando a mão pelo braço que Rony beliscou. — Eu ouvi perfeitamente.


— Você acha que… — o garoto fica vermelho feito um tomate e sorri timidamente. — Se não for muito incômodo… talvez...


— Quer que eu peça um autógrafo? — digo, imaginando que é o seu pedido. Não seria a primeira vez que me pedem algo assim.


— Sim!


— Claro, sem problemas… vou lhe enviar uma coruja amanhã, de qualquer jeito.


— Muito obrigado!


Remus ri ao meu lado, maneando a cabeça em negativa, e acabo ladeando um sorriso também.


Finalmente chegamos no Castelo, depois de Rony passar o tempo todo falando entusiasmado sobre as melhores jogadas de meu irmão no Quadribol. A garota, Hermione, parece enfadada com a falação do amigo e conversa com o Professor a respeito do ano letivo. Aparentemente, este é o segundo ano de Remus Lupin ensinando Defesa Contra as Artes das Trevas e eles estão animados com isto. É o primeiro a durar mais de um ano no cargo, visto que os outros saíram após uma sucessão de tragédias.


Os garotos e o professor vão direto para o Salão Principal, enquanto sou obrigada a ficar nos fundos, junto com uma multidão de crianças nervosas com sua seleção. Me sinto ridícula sendo a única pessoa adulta, além da Professora que dá as instruções. A mulher, dona de um olhar sério e penetrante, se apresenta como Minerva McGonagall, diretora da Casa Grifinória e tenta ordenar as crianças em uma fila única, saindo na frente pelo longo corredor.


O grande Salão é iluminado por velas suspensas no ar, embaixo do teto que se parece exatamente com o céu estrelado lá de fora. Todo os olhares se voltam para as crianças e, obviamente, para mim. Tento fingir que não noto os cochichos, enquanto apontam de forma indiscreta em minha direção, até que finalmente chego na frente das longas mesas.


O diretor faz um breve discurso, dando as boas vindas aos novos estudantes e abrindo a seleção das casas - noto um aceno de cabeça comedido em minha direção e respondo com um sorriso mínimo. Alvo Dumbledore sabia da minha condição de licantropa e prometeu à Viktor que faria o necessário para me manter em segurança - e em segredo, obviamente.


A seleção é iniciada depois da música excepcionalmente longa que o chapéu falante canta e os futuros estudantes são chamados pelo nome em ordem alfabética - me esforço para não rir dos pequenos, que estão a ponto de desmaiar ao se sentarem no banco de madeira. Noto que, mesmo com apenas onze anos, alguns se apavoram com a ideia de irem para a Casa Sonserina, até receosos pelo que seus familiares pensariam deles.


Enquanto espero, noto Remus Lupin sentado atrás da longa mesa dos professores. Ele sorri calorosamente quando nossos olhares se encontram e eu retribuo, colocando uma mecha dos cabelos castanhos atrás da orelha. Ao seu lado, um olhar não tão afável me fuzila, como se penetrasse meu próprio corpo. O homem tem o rosto pálido e longo, emoldurado pelos cabelos mais negros que já vi, assim como seus olhos - que se estreitam de uma forma arrepiante, me fazendo engolir em seco.


— Katerina Vasiliev Krum!


Me dirijo ao banco logo que a Professora Minerva diz meu nome em alto e bom som, retirando minha mente do transe causado pelo Professor desconhecido. Um burburinho percorre todo o Salão Principal - meu plano de não atrair a atenção se mostra cada vez mais falho. É claro que todos reconhecem o sobrenome Krum imediatamente. Ainda mais quando a Copa de Quadribol foi há pouquíssimo tempo, e Viktor teve uma performance incrível, apesar da equipe ter perdido e de seu pavoroso nariz, que ainda não havia se recuperado totalmente depois de ser atingido com força pelo balaço...


O chapéu gasto e murcho toca a minha cabeça e sinto um incômodo engraçado quando ele fala, baixo o suficiente para que apenas eu escute - e talvez alguns professores mais próximos:


— Corajosa, mas não estúpida… leal, astuta e reservada. Muito reservada… não há dúvidas, senhorita Vasiliev — quase dou um grito de susto ao ouvir sua voz alta ecoando pelo Salão quieto e cheio de expectativa: — SONSERINA!


A outras três mesas permanecem em silêncio, enquanto os sonserinos aplaudem e vibram escandalosamente, se levantando para me receber. Quando o chapéu anuncia o próximo aluno da Corvinal, as outras três casas festejam. No entanto, os sonserinos são os únicos que comemoram quando se trata de um deles. Percebo agora a rivalidade que Remus mencionou mais cedo.


Antes do jantar, Professor Dumbledore faz suas considerações finais e dá a notícia sobre o Campeonato Tribuxo. Diz que os diretores de Beauxbatons, a Escola de Magia e Bruxaria francesa, e Durmstrang chegarão em outubro e a seleção dos três campeões será realizada de forma imparcial no Dia das Bruxas. Todos vibram com a notícia, apesar de muitos se desapontarem com o limite mínimo de idade, que é dezessete anos.


O banquete é finalmente servido - aparecendo magicamente sobre a longa mesa repleta por pratos e talheres dourados. A comida é muito melhor do que eu estava acostumada e me sinto a ponto de explodir depois de tentar experimentar um pouco de tudo. Batatas assadas com cordeiro acabam de se tornar meu prato preferido. Tenho vontade de esganar os novos colegas de Casa, que não param de me interrogar nem por um segundo sobre Durmstrang ou sobre Krum. Tento responder de forma educada, mesmo com a boca cheia.


Ao final, os Monitores levam os alunos novos para suas respectivas Salas Comunais. A Monitora da Sonserina se aproxima de mim, antes de sair com os garotos do primeiro ano, e sussurra:


— Professor Dumbledore pediu que esperasse, pois ele deseja lhe falar.


— Tudo bem… — digo, curiosa. — Obrigada.


Todos deixam o Grande Salão, inclusive alguns professores - exceto por Remus Lupin e o desconhecido que continua me fitando como se estivesse tentando me petrificar. Me levanto do banco de madeira e o salto das botas negras ecoam pelo chão de pedra conforme me aproximo do Diretor. O velho sorri gentilmente, me fitando por baixo dos óculos meia-lua, e ergue suas vestes compridas ao descer os degraus.


— Senhorita Vasiliev… estes são os professores Remus Lupin, que já deve conhecer de sua viagem, assim fiquei sabendo — assinto, passando as mãos pelos cabelos nervosamente. — E Severus Snape, nosso Mestre de Poções. Além de mim, são os únicos que sabem a respeito de sua condição. Estaremos aqui para auxiliá-la com quaisquer dificuldades e Professor Snape será o responsável por preparar sua Poção de Acônito. Ele lhe instruirá melhor nos próximos dias.


— Sim, senhor… obrigada — digo, engolindo em seco e desviando o rosto dos olhos negros e penetrantes.


— E Remus estará aqui em seu favor também. O Professor Lupin, como você, também é uma vítima da licantropia.


Boquiaberta, encaro o rosto calmo do Professor - e agora sua cicatriz tão marcante faz total sentido. Ferimentos causados por lobisomens nunca se fecham por completo. Ainda tenho as marcas da mordida que me infectou quando era ainda criança, em minha perna.


— Oh…


— Está tudo bem. Tenho vivido com este fardo desde muito novo, assim como você. E posso assegurar que minha experiência pode ser bem útil e favorável para ajudá-la, Katerina.


Assinto, retribuindo seu sorriso. Sua voz é calma e bondosa, me fazendo confiar nele mesmo sem conhecê-lo. Talvez Viktor estivesse certo e isso não seria tão ruim assim.


— Era tudo o que eu precisava falar… Agora o Professor Snape irá acompanhá-la até a Sala de sua casa. Tenha uma boa noite, senhorita.


— Obrigada, Diretor… para o senhor também.


— Nos vemos amanhã — Remus diz, dando uma piscadinha e seguindo pelo corredor, com as mãos nos bolsos de suas calças.


Professor Snape bufa ruidosamente e desce os degraus, com sua longa capa preta esvoaçando atrás de si. Seus passos pesados ecoam pelo Salão vazio e amarelo, com as luzes dançantes das chamas, e a voz cortante dele me faz correr em sua direção ao ouvir:


— Eu não tenho a noite toda, senhorita…


O acompanho pelas inúmeras escadas, que se movem sem parar, sob olhares curiosos dos quadros - apesar de muitos já estarem dormindo. Ao invés de subirmos, estamos descendo mais e mais. O Castelo é bem mais aconchegante que o Instituto, onde tudo parecia frio e impessoal. Já vi cemitérios mais alegres do que aquele lugar.


— A senha é Hemeróbios. O quadro não abrirá se não a disser todas as vezes — sua voz grave e baixa é quase inaudível e preciso me esforçar para entender.

— Hemeróbios. Certo.


— Seu uniforme, assim como suas bagagens, estarão em seu dormitório.


Corro escada abaixo para acompanhá-lo, até ele finalmente parar de frente a uma porta negra, com a maçaneta dourada. Ao abrir, o quadro de um homem velho e com cara de poucos amigos é revelado. Olho para Snape e ele arqueia as sobrancelhas, impaciente.


— A senha, senhorita.


— Oh, claro… — me inclino um pouco, já que o velho parece estar dormindo, e grito: — HEMERÓBIOS.


— Eu não sou surdo, garota impertinente!


— Perdão...


Me assusto, dando um passo para trás quando o quadro se abre, revelando a passagem com outra escada descendente. Vou na frente do Professor, tateando o as paredes estreitas, até ser surpreendida por uma ampla sala, iluminada com chamas de fogo num verde vivo. Alguns sofás da mesma cor, muito escuros, estão dispersos pelo lugar e a lareira enfeitada com crânios de serpentes trepida incessante, com chamas altas. O que me chama a atenção, no entanto, são as janelas de vidro da altura da própria parede - que não é tão grande - mostrando um ambiente escuro lá fora. E ainda, um barulho de água constante e abafado, que parece isolar a sala.


— Nós estamos no fundo do Lago Negro — Snape murmura, provavelmente ao perceber minha expressão de incógnita.


— Oh…


— Seu dormitório é descendo aquelas escadas, no último andar, junto com outras alunas do sétimo ano. O lado esquerdo é o dos garotos.


— Tudo bem, muit… — o Professor some antes mesmo que eu possa agradecê-lo e escuto seus passos rápidos ecoando pelos degraus.


Sigo para o dormitório, com cuidado para não acordar alguns retratos dispostos pelas paredes, até finalmente chegar. O lugar não é diferente da Sala Comunal, exceto pelas camas dispostas de forma circular. Vou na direção da única vazia e reconheço minhas malas. Uma cadeira com vestes nas cores verde e prata está posta na lateral, com um longo cachecol nas mesmas cores enroscado. Sorrio, passando os dedos pelo tecido tricotado.


Em silêncio para não acordar as garotas que dormem, coloco minha camisola branca e dou uma última olhada ao redor antes de me envolver nos cobertores grossos e pesados sobre a cama de madeira. O barulho constante de água me faz sentir como se estivesse dentro de um aquário e, apesar de soar amedrontador, acabo gostando da sensação. Quando estou à deriva do sono, escuto ao longe uma canção que ecoa em uma voz melodiosa e feminina.


Espero que seja um bom ano.

28 de Junho de 2020 às 00:14 4 Denunciar Insira Seguir história
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cinnamon ⍣ 𝑊𝑖𝑡 𝑏𝑒𝑦𝑜𝑛𝑑 𝑚𝑒𝑎𝑠𝑢𝑟𝑒 𝑖𝑠 𝑚𝑎𝑛'𝑠 ɢʀᴇᴀᴛᴇsᴛ 𝒕𝒓𝒆𝒂𝒔𝒖𝒓𝒆. — 𝓡𝓸𝔀𝓮𝓷𝓪 𝓡𝓪𝓿𝓮𝓷𝓬𝓵𝓪𝔀 ... | wɑttpɑd: 🇷 🇦 🇻 🇪 🇳 🇨 🇱 🇦 🇼 🇨 🇺 🇹 🇮 🇪 |

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Isís Marchetti Isís Marchetti
Olá, tudo bem? Faço parte do Sistema de Verificação e venho lhe parabenizar pela Verificação da sua história. Bom, eu li e assisti todos os livros e filmes de Harry Potter, mas não sou nenhuma fã de carteirinha, sabe? Apesar de gostar muito da história, eu sempre achei que Snape foi um personagem muito mal aproveitado e fiquei com uma pitada de curiosidade para saber como você pretende desenvolver ele e construir uma relação. A coesão e a estrutura do seu texto estão ótimas, a sinopse está encantadora e prende a atenção, faz com que o leitor queira saber logo tudo o que está pra acontecer (incluindo eu, por isso por favor atualize logo). A narrativa está encantadora e proporciona um texto cheio de detalhes deixando tudo mais verossímil, fez com que eu me sentisse no lugar de Katerine. O diálogos estão muito bem estruturados e construídos. Quanto aos personagens, eu achei super legal essa ideia de por uma personagem de sua própria autoria em um universo já existente, ver como você vai desenvolver ela de acordo com as regras desse mundo me insentiva a continuar com a leitura. O mesmo vale para Severus, eu quero muito ver como ele vai ser trabalhado nessa sua história. Percebi que você preferiu manter a ambientação igual ao filme, mas não esperava que você fosse dar detalhes tão precisos na narrativa e isso ficou lindo demais! Quanto à gramática, você escreve muito bem! Não encontrei nenhum apontamento que fosse capaz de desestruturar seu texto nem nada incoerente. Eu desejo a você sucesso com essa história e tudo de bom! Espero que mais pessoas sejam alcançadas com esse plot que parece ter tudo para arrasar. Abraços.
August 14, 2020, 19:05

  • cinnamon ⍣ cinnamon ⍣
    Olá, muito obrigada <3 Demorei um pouco pois estava decidindo os detalhes da história. Sou apaixonada por Harry Potter e odiaria escrever algo ruim a respeito desse universo que amo tanto. E obrigada pelos elogios, principalmente quanto a descrição do ambiente, pois é algo que sempre me fascinava enquanto eu lia e eu adorava os detalhezinhos de Hogwarts, então tentei trazer o máximo possível para cá. August 20, 2020, 02:48
amy ♡ amy ♡
Mamadah, eu fiquei como? IMPACTADAH com esse capítulo que brotou quando eu tava crente de que a senhorita não ia postar tão cedo. O que não faz o ânimo de uma capa, né nom? KDSJAKFJ Os contrastes do Snape e do Lupin na maneira de tratá-la já me deixaram AAAAA E puts que felicidade que dentro do teu uni o Lupin permaneceu como professor de Hogwarts, enquanto eu mesma me roí de raiva na timeline dos livros/filmes por motivos de #injustiçado. OS WEASLEYS NO COMEÇO!!! Icônicos, ri muito com o Arthur e mal posso esperar pro que tu planeja *cof cof* De toda forma, Katerina e seu jeitinho já ganharam um espaço no meu coração e a novela tá só começando... não vejo a hora de você me AMASSETAR com o lacre que vai ser essa fanfic.
June 30, 2020, 17:23

  • cinnamon ⍣ cinnamon ⍣
    awn, obrigada, pêssego <3 Meu sonho era que o Remus ficasse pra sempre em Hogwarts, amorzinho da minha vida. Não vou negar que estou morrendo de medo, porque amo HP e odiaria escrever algo ruim com minha saga do coração, se não ficar bom a gente apaga e finge que nunca existiu. Você vai ser realmente amassetada, principalmente com as partes que planejo com o Severus :x July 01, 2020, 01:04
~

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