hisachi Hisachi .

Delicado e de gênio forte, o jovem Leonardo se vê obrigado a deixar sua antiga escola, cidade e conhecidos para recomeçar a vida perto do irmão, tentando ansiosamente terminar o colegial para que finalmente pudesse ser quem era, sem brigas, perseguições e medos. História também publicada no nyah e spirit, será postada em combos.


LGBT+ Para maiores de 18 apenas. © História original, todos os direitos reservados a minha pessoa

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A nova escola

— Vamos repassar as regras — Falou Thomas pela décima vez em meia hora.

—Ok, ok — Respondeu Leo impaciente.

—Se alguém te provocar?

—Eu bato.

—Se alguém te atazanar?

—Eu bato.

—Se tirarem sarro?

—Eu bato.

—Se mexerem contigo?

—Eu bato.

—E se for mais de um?

—Eu bato.

—Não! — Repreendeu o irmão freando com tudo; para a sua sorte a rua estava vazia. Em sua mente Leo já conseguia ouvir as buzinas e ver o carro derrapando, chocando-se com outro e ficando todo amassado pelo modo brusco com que seu o irmão dirigia — Se tiver mais de um você me chama e eu ajudo a bater — Afirmou revirando os olhos como se a resposta fosse óbvia demais para o caçula ter errado.

—Ta, ta eu já entendi Thomas!

—E se não fizerem nada contigo?

—Eu fico na minha.

—Perfeito — Falou sorrindo orgulhoso enquanto retomava o caminho seguindo em direção ao colégio, mas uma parte dele sabia que o irmão não seguia muito bem suas regras.

—Chuva no primeiro dia —Comentou Leo sorrindo, um sorriso forçado —Tem como ficar melhor?

—Tem, é só tirar essa touca idiota, esses óculos ridículos e essa roupa, que com certeza é três números maior que o seu — respondeu rindo, e na verdade ele não estava mentindo.

Leo era um garoto atraente, beleza herdada da mãe. O caçula possuía cabelos de um castanho brilhante e os olhos em um tom verde oliva que fazia qualquer um se perder neles. O corpo era esguio e levemente curvilíneo, mas, apesar de tudo, mais baixo do que gostaria. Suas roupas não o valorizavam em nada e ambos sabiam disso.

—Esse estilo está na moda — Desconversou o menor. Enquanto se ajeitava no banco, encarou o irmão vendo os mesmos olhos verdes que os seus.

O mais velho, pela simples diferença de 3 anos, era mais alto e coincidentemente mais musculoso e robusto. A pele morena bronzeada pelas férias na praia contrastava com os fios negros; o cabelo sempre em um corte curto, destacando os olhos verdes.

Belezas tão diferentes e tão tentadoras - tal dádiva era ignorada por Leo que sempre a escondia. A verdade é que chamar atenção, seja pelo motivo que fosse, sempre lhe rendeu problemas - mais problemas do que gostaria que rendesse. Tudo que ele queria era ficar na sua, passar esse resto do último ano do colégio o mais rápido possível e ir morar com o irmão.

Quando o carro parou na frente da escola o estômago de Leo revirou. Incomodado, lembrou-se das dicas do irmão e respirou fundo. Detestava a escola mais do que tudo, apesar de amar estudar. Detestava o ambiente; as pessoas; as regras. Parecia que não se encaixava ali. Ou talvez a experiência na última escola fora mais do que péssima.

—Eu não posso mesmo estudar em casa? — Disse baixinho soltando-se do cinto de segurança. Em um movimento rápido, subiu no colo de Thomas como fazia quando era menor — Maninho, me deixa cabular a escola, vai... —Pediu de maneira manhosa.

Thomas sorriu abrindo a porta do motorista e deixando os chuviscos invadirem de leve o carro. Ele teria se irritado se não conhecesse esse lado apelativo e inconsequente do irmão.

—Desista, e sai do meu colo que incesto não é a minha praia. Pra fora! — Thomas apontou para a rua; Leo fez um bico, unicamente teatral, fechando a cara enquanto descia do carro a contragosto.

—Se quando eu voltar para casa descobrir que você levou alguma puta pra minha cama, eu vou esfolar seus miolos! —Ameaçou frustrado.

—P - u - t - o — Corrigiu Thomas sorrindo, enquanto o empurrava para fora — E relaxa, foi só uma vez aquilo e sem querer, eu estava bêbado demais para diferenciar as camas. Ah, é só arranje briga após o 3º período, antes disso não vou estar livre para te tirar da diretoria —Alertou estreitando os olhos; era para parecer uma bronca, porém Leo notou um pesar escondido ao encará-los.

—Eu já entendi — Falou batendo a porta do carro.

Aquilo o incomodou, eram aquelas palavras não ditas que sempre tornavam o clima pesado entre os dois. Respirou fundo enquanto ajeitava os óculos que pendiam por seu nariz. Nem havia pisado direito na calçada e Thomas já saiu cantando pneus.

—NÃO ATROPELE NENHUMA VELHINHA!— Gritou para Thomas, que buzinou alto em resposta.

Thomas ainda encarou o irmão pelo retrovisor enquanto partia, o sorriso sumindo do rosto. Pisou fundo no acelerador, extremamente incomodado. Ele não queria deixar o irmão ali; não queria ter que lhe alertar sobre brigas – as quais ele sabia que nenhuma fora culpa do caçula – e muito menos ver como o menor sempre tentava assumir um papel de forte quando estava com medo, como se conseguisse se defender de tudo; como se fosse o mestre da provocação e totalmente seguro. Não é que Leo não soubesse se defender, longe disso. Ele mesmo já brigara com o irmão e sabia que apesar de pequeno ele sabia tirar vantagem disso de sua altura, acertando com precisão. Na real, só queria que ele não precisasse se defender.

Leo o viu partir e ergueu o olhar para a enorme escada a sua frente; lá no alto três prédios se erguiam majestosos. Ele já sabia que a escola era grande, mas caralho olha o tamanho daquilo! Já se cansou na metade da escada; nem para fazerem uma rampa nessa droga. Suspirou fundo e desistiu, sentando-se nos degraus.

Fechou os olhos sentindo que as gotas de chuva o molhavam cada vez mais. Aquele era um dos poucos colégios que investiam na (falsa) propaganda contra bullying. Renomado e de educação mista (como se ter menos garotos significasse ter menos problemas), era distante o bastante para não ter ninguém da sua antiga cidade. Mesmo assim ele sentia em cada célula do seu corpo que ali nada seria diferente. Era o receio correndo em suas veias e corroendo seus pensamentos.

A verdade é que, apesar do alto histórico de brigas, Leo detestava lutar. Não que ele tivesse aprendido por livre e espontânea vontade, como se ele acordasse de manhã dizendo “nossa, hoje é um bom dia para ser espancado!”, mas sejamos sinceros: ele não era a pessoa mais paciente do mundo; era irritadiço; orgulhoso; e uma hora ele cansou de cair no chão. Cansou do irmão tendo que defender ele em todas as brigas, e não conseguir se impor; cansou de ter que esperar horas após o termino das aulas para voltar para casa, pois os valentões já teriam ido embora e ninguém mexeria com ele.

Retomou a subida das escadas, ciente de que ficar na chuva não parecia a melhor ideia. A roupa larga pendia em seu corpo, dando-lhe certo conforto. Tudo aquilo era proposital, uma fachada que o tornava cada vez mais invisível - o melhor modo de evitar problemas. Ele não queria ouvir piadinhas sobre como ele "parecia uma garota", de que era "um nerd", "bichinha" e "louco para ser comido".

Porque tirando a parte do "louco para ser comido" tudo era verdade. Não, ele não era hétero; não, ele não tinha uma aparência máscula. Era estudioso, gay, de traços afeminados, impulsivo e não se envergonhava disso. Mas dessa vez – em sua última tentativa- queria não ter que se meter em brigas para defender quem era.

Então, só dessa vez, ele queria passar despercebido. Não era como Thomas, que mesmo sendo bi, foi o capitão do time de futebol da escola, ele que possuía o dobro da sua altura, que era faixa preta e extremamente popular. Leo definitivamente não era como seu irmão, que nunca perdera uma briga, mas queria ser. Queria fazer 18 anos logo para sair de casa, oficialmente, como Thomas havia saído quando seu pai deixou claro o quanto era nojento ter um filho que beijavam homens.

Talvez este seja o motivo de tê-lo mandado para aquele fim de mundo, com alojamentos no próprio campus; longe o bastante para não ter que lidar com o próprio preconceito, mas perto o bastante de Thomas, para que o irmão resolvesse qualquer problema que o caçula pudesse ter, e assim se livrasse do trabalho de ser pai.

Leo entrou no prédio quando o sinal tocou. Os corredores ficaram rapidamente lotados, já que ele havia sido transferido após o início do ano letivo. Um alivio tomou seu peito quando ninguém esbarrou nele ao passar pela multidão. Invisível - gostou disso. Caminhou até a diretoria e se demorou ali menos tempo do que gostaria. Quando se deu por si já estava com os horários em mãos, parado em frente a porta da sala de aula de matemática.

Quando entrou a aula ainda não havia começado e ninguém pareceu realmente reparar nele. Caminhou até a primeira carteira perto da porta, a localização parecia perfeita. Seria o primeiro a ir embora, conseguiria enxergar a lousa caso se esquecesse dos óculos. E, com certeza, não era um lugar tão ambicionado se sentar, tão perto do professor. Pelo menos parecia quando todos alunos estavam deixando as primeiras carteiras livres.

Quando o professor entrou na sala ninguém pareceu ligar, mas tiveram uma reação bem contrastante quando dois garotos entraram. Todas as conversas morreram lentamente, e calados todos os alunos foram sentando-se. Que raios estava acontecendo com aquela mudança súbita?

Leonardo encarou os jovens que entravam e iam para os lugares mais afastados. Algumas meninas arrastaram suas cadeiras para perto dos dois, formando uma rodinha aparte que destoava de todas as fileiras da sala. A aula correu bem, até que os dois rapazes pareceram entediados. Primeiro começaram conversando entre si, discutindo por algumas bobagens, até que altas risadas cortaram o ar e aquilo incomodou Leo profundamente, pois não conseguia sequer ouvir o professor que estava a passos de distancia.

Olhou para o senhor, como se lhe cobrasse uma atitude. O professor também parecia incomodado, ao menos isso, mas continuou sem dizer nada. Escreveu cálculos na lousa e murmurou algo que Leo não conseguiu escutar.

—O quê?! – Perguntou alto – Não está dando pra ouvir direito com tanto barulho – Alfinetou sem pensar.

O silêncio que se seguiu fez com que se arrependesse por alguns segundos. Mas só segundos mesmo. Ele viveria o resto do ano ali - o que já era tempo demais, em sua opinião, para correr o risco de repetir por não conseguir ouvir a aula mesmo estando na primeira carteira. Isso não tem cabimento!

— Você é novo aqui, não é? –Perguntou uma voz que vinha do fundo. Leo assentiu antes mesmo de se virar; os olhos encararam o menino que causava tanto alvoroço e, como se o instinto lhe mandasse um aviso, um arrepio percorreu sua espinha; ele era encrenca – Aqui é a turma do terceiro ano ...– Comentou olhando-o da cabeça aos pés.

—O quê?! - Ele não tinha dito isso, pensou Leo fechando a cara; era só o que faltava: uma piadinha vir àquela hora, logo no primeiro dia.

—O primeiro ano fica no primeiro andar – Recomendou impaciente, como se aguardasse que se retirasse da sala ou alguma atitude assim. Leo encarou chocado, qual era o problema daquela turma? E daquele professor, que não interferia em nada? Não que isso não rolasse nas outras escolas, mas, porra, ele tinha se mudado de cidade, pagou uma grana alta pela mensalidade! As coisas deveriam ser minimamente diferentes, e não bizarras a ponto de todos serem obedientes diante de outros alunos, e não ao professor.

—Pela atitude infantil de alguns aqui, eu achei que estava no primário – Retrucou Leo, sem conseguir segurar a língua, arrependendo-se amargamente quando sentiu os olhos de todos fixos em si, chocados. O jovem ao lado do outro soltou um “eu não deixava” antes de gargalhar; era o outro par da encrenca em dobro – Eu estou no terceiro ano –Esclareceu Leo, a racionalidade lhe fazendo baixar o tom e amenizar a situação, mas o orgulho lhe obrigando a manter a cabeça erguida enquanto falava.

O menino se ajeitou na cadeira, a pele branca tornando-se avermelhada de irritação. Naquele breves segundos, Leo se deu ao trabalho de reparar nele: tenso, ele com certeza beirava 1,90m de altura, nem a pau conseguiria vencê-lo fácil em uma briga pelo tamanho daqueles braços, ele morava na academia ou na escola, afinal? O cabelo era loiro e bagunçado, o maxilar era forte - em um formato que Leo sonhava em ter quando pequeno porque, na sua mente, não o zoariam com aquela característica - os olhos eram castanhos escuros, como quase todo o resto da sala.

Do seu lado direito estava o garoto que entrara com ele, que deveria ser um pouco mais baixo ou talvez fosse a forma como estava jogado despreocupadamente na cadeira que impediu o cálculo certo. Sua pele era de um tom moreno que lembrou a Leo vagamente do irmão, e tal semelhança não trouxe o conforto que gostaria; seus olhos eram tão escuros quanto os cabelos arrepiados.

—Parece que ele quer ter aula – Comentou o moreno, seus músculos pareciam muito mais normais que os do loiro, mas não menos intimidadores; o rapaz ainda tinha um sorriso nos lábios pelas gargalhadas que soltara segundos antes.

—Parece que ele quer responder, professor, já que ta tão ansioso para aprender – O loiro que encarou o professor sério; o senhor engoliu em seco sem saber como prosseguir.

— Responda – Orientou o professor apontando para lousa enquanto lhe oferecia o giz, o tom parecia gentil como se estivesse usado a frase do aluno como sugestão, porém incomodo exalava de cada movimento que fazia, parecendo tão desconfortável quanto Leonardo por aquela situação.

Aquilo tirou Leo do sério. Era só o que faltava, ele estava obedecendo aquele babaca? Sentiu vontade de levantar e sair pela porta, ligar para Thomas e avisar que ele teria de buscá-lo na diretoria por mais uma briga. Contudo, dessa vez seria ele quem começaria, o que já era uma boa novidade.

Leo estava em conflito consigo mesmo. Sentiu o peso da larga camiseta e lembrou-se de sua aparência, das brigas, da vaga ideia de durar tempo suficiente ali e que ser expulso – ou convidado a se retirar – daquela escola iria só atrasar seus planos. Acalme-se, não se meta em problemas, lembra? Levantou-se, parecia ainda menor os seus 1,60m de altura quando viu que o professor escrevera na parte alta da lousa; ficaria ridículo ele tentar escrever perto do enunciado, na ponta dos pés, na frente de todas aquelas pessoas.

Felizmente, uma das únicas vantagens que as horas de detenções lhe renderam na última escola, era o fato de que sempre passava elas estudando, mais para se distrair do que por outra coisa. Normalmente, seu caderno sempre aparecia estragado periodicamente na última escola. Já o encontrou com folhas arrancadas; sujo de Danone e cheio formigas nele; com vários pênis grotescamente desenhados; ou só com a capa e contracapa. Chegou uma hora que ele se cansou de depender de suas anotações e começou a simplesmente decorar as coisas.

Encarou a lousa incomodado, tentando lembrar quais formulas usar, o silêncio que se instalou na sala só foi quebrado quando sua voz soou alta e segura.

- A questão 1 é 178, a 2 é 53,5% e a 3, y=78 e x=5. – Declarou sério; o professor olhou para a lousa, para o giz em sua mão e assentiu, com um misto de surpresa e entusiasmo.

Leo olhou para trás e o loiro retribuiu o olhar, a tensão que se instalou ali só foi quebrada quando o sinal tocou. Os alunos começaram a se levantar e Leo percebeu que ir embora antes do outro decidir lhe "encarar de frente" era a melhor opção. Puxou o caderno e a mochila saindo rapidamente da sala.

Como coração batia afoito no peito, se perdeu rapidamente no corredores daquele lugar. Nem queria imaginar como acharia os dormitórios depois. Todos andavam com pressa, e, tomando coragem, parou alguém para lhe ajudar a chegar na próxima sala.

- Licença- Disse Leo tocando discretamente o braço da pessoa mais próxima. A jovem o encarou simpática enquanto tirava suas dúvidas; ela apontou para uma sala distante enquanto saia rápido e, felizmente, os restos das aulas seguiram sem o menor problema.

Ele passou tão despercebido quanto gostaria e a melhor parte: não cruzou, em nenhum momento, com aquela dupla. Talvez por isso algumas pessoas tomaram coragem de puxar assunto com ele até o final do dia, mas quando ele perguntou quem eram aqueles garotos ou porque ninguém fazia nada, não obteve nenhuma resposta.

Apesar da tensão daquela primeira aula, Leo não havia visto mais nenhuma briga ou discussão ao longo do dia inteiro, o que parecia muito surpreendente. Chegou a pensar por alguns segundos que a campanha contra bullying realmente funcionava, até se lembrar como o professor obedecera prontamente aos garotos e ninguém questionou; aquilo havia sido estranho.

Já começava a escurecer quando Leo percorreu os corredores, completamente sem saber onde estava. Em suas mãos um papel: quarto 82 – alunos: Leonardo Vieira e Evan Hendrick.

Quando finalmente achou seu quarto estava cansado, já havia andando mais de meia hora subindo e descendo escadas, totalmente perdido. Abriu a porta sem o mínimo entusiasmo, querendo apenas tomar um bom banho, se deitar e ligar para Thomas, para lhe contar orgulhoso que seu dia não fora tão terrível assim, afinal ele conseguiu evitar os únicos caras que provocou e não havia entrado em nenhuma briga.

Dentro do quarto um jovem estava deitado no chão, seu corpo estava despido da cintura para cima e parecia concentrado demais nas flexões para lhe encarar ao abrir a porta, e talvez isso fosse bom porque não viu a cara de choque estampada no rosto de Leo.

- Puta que pariu! Por favor, não!

Que o garoto da aula de matemática não fosse Evan Hendrick, seu colega de quarto, pediu mentalmente. Isso só podia ser muito azar!

22 de Junho de 2020 às 17:53 0 Denunciar Insira Seguir história
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