u15796603161579660316 Jéssica Layne

''Em um futuro distante o índice de mortalidade humana é reduzido drasticamente, nossa espécie que por anos esteve ameaçada de extinção finalmente está curada. Graça aos avanços da ciências a esperança prevaleceu: a cura foi encontrada "


Ficção científica Todo o público.
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CAPÍTULO 1.

— O sinal para o descanso é ativado, todos nos dirigimos a nossos postos, entramos em nossas cápsulas resistentes e nos preparamos para um novo dia. A rotina é a mesma para todos menos para mim, ela é entediante, cansativa, tenho sempre essa sensação estranha de que não deveria estar aqui, vivendo esta vida '' certinha'' demais, preparando o meu corpo para depois sacrificá-lo a um humano qualquer, embora eu exista por causa deles cansei de suas regras inúteis! Cansei de servi-los! Eu sei que sou um clone, que não fui concebido pelo milagre da vida da mesma forma que eles foram, mas isso não me impede de querer ter o meu próprio futuro, ter uma família, um lar e se possível envelhecer... E é por isso que tenho um plano: Fugir deste lugar.

— 439 AB, ainda está ativo?

— Desculpe Connor.

Fecho meu laptop e sigo para a minha capsula.

Doutor Connor me olha intrigado, eu sempre soube que ele é um humano inteligente, desde o momento que descobri que ele é o meu criador e também da maioria dos outros clones existentes na Nextel: o lugar onde vivemos nossas vidinhas padronizadas até que algum humano morra para que possamos ser mandados ao quarto ou mais claramente: a sala cirúrgica aonde nos preparam para retirar nossos órgãos.

— 439 AB, ainda está ai?

— Sim, só estava...

— Pensando. Ele me interrompe.

Quando Connor caminha em minha direção sinto a adrenalina disparar em meu corpo.

Ele descobriu, penso.

— Isso é meio que humano não acha?

— Desculpe senhor.

— Não precisa desculpar-se. Ele dá uns tapinhas em minha costa.

— Só espero que isso não se repita, afinal você é um dos nossos mais raros, um espécime bastante difícil de ser produzido...Não seria bom perdê-lo.

Eu confirmo e em seguida entro em minha capsula aliviado. Com sorte ele não desconfiou de nada, agora apenas alguns passos me separam do mundo humano.

***

O dia surge, o alarme soa novamente, eu me levanto, tomo meu banho rotineiro, demoro um tempo me olhando no espelho: meus olhos são azuis claros, meus cabelos castanhos, minha pele clara, parece perfeita. Observo meus braços, 8 horas de exercícios diários, são fortes e musculosos. Se eu fosse um humano diria que sou um homem de sorte mas no meu caso a qualquer momento toda essa'' espécime '' como Connor costuma chamar pode estar a sete palmos debaixo da terra. Se é que eles nos enterram.

Ao sair para a rotina encontro 221O me esperando, tento ignorá-lo.

— Ei cara, a comida vai ser ótima hoje! Soube que aumentaram os carboidratos...

— Não estou com fome.

Digo ríspido.

— Certo, mas ontem você não apareceu na seção de exercícios, você não perde uma, qual é o problema? O que está acontecendo?

221O é o tipo de clone mais intuitivo que conheço, fomos criados no mesmo dia então ele meio que acha que somos quase como irmãos.

— Não é nada.

— OK, pelo que eu te conheço, diria que estar agindo como um humano, e por falar nisso você soube que os índices de entrada caíram?

— E você acha isso péssimo?

Ele me olha como se eu tivesse feito a pergunta mais estúpida do mundo.

— Claro que sim, fomos criados com o propósito de salvá-los mas se não há humanos para salvar então qual o propósito?

Eu sabia que ele não fazia ideia do que estava falando. Ele não se sentia como eu me sentia, ninguém ali se sentia, ainda assim arrisco.

— E se pudéssemos ser livres, ter nossas próprias vidas assim como os humanos possuem?

Ele me olha sério, antes de dizer algo o som do alarme corta o silêncio.

Por favor, todos os clones dirigir-se ao salão principal.

Porfavor ,todos os clones dirigir-se ao salão principal''

Connor passa apressado por nós, uma enfermeira o barra.

— Doutor Connor o que houve?

— Trauma abdominal, sala três, prepare os clones.

Sinto meu coração disparar, eu sabia qual seria sua próxima pergunta e se dependesse da resposta todo meu plano de fuga poderia vir por água abaixo.

— Senhor, o tipo sanguíneo?

Connor olha estático para os clones que começam a se enfileirar na sala.

— O positivo.

Uma onda de alívio percorre meu corpo só que por pouco tempo, quando me dou conta de que 221O é O.

A voz no interfone soa novamente.

Todos os clones identificados como O positivo, por favor dirigir-se a sala três para o início dos procedimentos o restantes estão dispensados.

Seguro o braço de 221O antes que ele possa se mover.

— Qual o problema cara?

— Você não precisa ir agora, têm muitos outros O.

— O que há de errado com você? Acaso não parou de tomar os remédios parou?

Olho para Connor, ele me observa de longe, desconfiado. Salto os braços de 221O lentamente.

— Foi bom conhecê-lo irmão.

Ele diz com um sorriso nos lábios antes de seguir para a sala três.

21 de Junho de 2020 às 13:13 0 Denunciar Insira Seguir história
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