pinklitllebrick Renata Vieira

Palavras possuem diversos significados, porém, se não acompanhadas de atitudes, se tornam vazias. Safira não tinha lá o emprego dos sonhos, mas era boa no que fazia. E discreta também. Exceto em sua vida amorosa. Durante muito tempo de sua vida, fez de sua cama sua principal diversão. Não era nem um pouco seletiva, desde que a pessoa a agradasse, tudo bem ir além. Esse seu comportamento não agradava muito seu irmão mais velho, muito menos seu pai. O que ela não esperava era que os dois unissem forças e orquestrassem a maior mudança de sua vida. Escrita em 2016.


Erótico Para maiores de 18 apenas.

#universoalternativo #vidacotidiana #romane #máfia #drama #adulto
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APRESENTAÇÕES


SAFIRA



A noite estava fria quando saí de casa para mais um encontro do clã. Não gostava dessas reuniões, mas esperava que, como nas últimas, eu continuasse com minha protegida.

Para as vistas de pessoas comuns, minha família é como uma família qualquer. Clandestinamente, ela faz parte de um clã de assassinos profissionais. Somos os melhores no que fazemos, nos destacando dentro do grupo. Os clãs, como gostamos de denominar os grupos de assassinos, são organizados de acordo com as afinidades de cada família. Do clã em que faço parte, apenas quatro famílias além da minha fazem parte. Os líderes de cada família, não importando o gênero, são o que compõe o circulo de anciões. Anciões porque costumam ser os mais velhos da família, mas há ocasiões em que os mais jovens assumem essa posição. Cada clã tem seu código de conduta e todos são submetidos às mesmas ordens.

Os clãs de assassinos costumam prestar vários serviços à comunidade que consegue nos contatar. Meu clã, ultimamente, tem se especializado em segurança de grandes gangsteres e mafiosos da região. O sujo cuidando do mal lavado!

O serviço prestado se adapta a necessidade do cliente. Se o cliente for alguém realmente muito importante, além de um assassino que o acompanha vinte e quatro horas por dia, disfarçado, há também uma equipe de – como costumamos denominar – sombras. Cada assassino costuma ter suas próprias regras quanto à escolha de seus protegidos. A minha única é: não se envolver física e emocionalmente com um cliente.

Claro que essa minha regra tem suas falhas. Sempre acabo me tornando amiga de meus protegidos, mas é um relacionamento que, se for preciso, pode ser mantido a distancia para minha segurança e a segurança do outro. Isso implica que eu não protejo homens, por conta de minha opção sexual.

Amo homens. Não tenho preferências quanto ao porte físico. Satisfazendo-me sexualmente, não vejo problema de ser fora dos padrões. Tenho uma lista quilométrica de homens que entraram e saíram de minha vida como minhas roupas de baixo iam para o cesto de roupas sujas em meu quarto. Um comportamento normal para mim, mas que incomodava meus pais por eu não fazer questão de esconder que sou, como eles mesmos dizem, uma vadia. Gosto de homens, eles gostam de mim. Nós transamos, ponto. Nunca tive um relacionamento realmente sério, algo que durasse mais de três meses. Eram tantos e todos tão lindos... Não tinha como me prender a um só. Ao contrário de meus irmãos.

Eu tenho um irmão mais velho, quatro anos a mais que eu. Ele é uma gracinha, me ajudou muito no meu treinamento e me apoia em minhas decisões. Ele é o que posso chamar de verdadeiro amigo e, sem medo, contar todos os meus segredos a ele. Seu nome é Pietro, a pedra que sustenta a sanidade da família. Ele até teve o treinamento, mas largou essa vida e virou um empresário bem sucedido no ramo de tecnologia juntamente com seu melhor amigo. Eu fui a única que o apoiou nessa decisão, o resto da família preferia que ele também fosse um assassino. Porém, alguém tem que ser normal pra sustentar a fachada, não é mesmo?

Minha irmã, também mais velha, dois anos, tem a mesma profissão que eu. Seu nome é Rubi. Somos assassinas e mantemos uma rivalidade até certo ponto saudável, mas que me fez sair de casa aos dezoito anos por me mostrar que nunca me encaixaria nos padrões da família. Eu sou a rebelde, a ovelha negra que segue suas próprias regras. Ela é o protótipo perfeito da menininha doce e meiga que os homens devem sempre proteger, uma linda e delicada bonequinha. Mas é tão, ou mais, vadia do que eu. A diferença é que ela esconde isso de todos.

Nosso clã, uma vez por ano, costuma se reunir para redefinir, quem ira proteger quem, caso necessário, realocar um assassino que, por algum motivo, deixou de ter um protegido e punir aqueles que infringiram alguma regra. Odiava essas noites. Eram sempre tediosas, como seria aquela. Ao entrar no galpão destinado à reunião, não fiquei feliz por ver pessoas.

_ Amiga! – Ouvi seu grito antes mesmo de vê-la.

_ Berenice, achei que não viria essa noite. – Disse a minha protegida e melhor amiga.

_ Eu também, mas recebi uma mensagem falando para vir também. Parece que vão mudar os esquemas por aqui.

Eu e ela nos escondemos em um canto vazio, sentando em uma das pequenas mesas que haviam por ali. Um garçom apareceu e nós pedimos uma cerveja.

_ Por que eles fariam isso? – Perguntei depois de dar um gole na minha cerveja gelada.

_ Parece que tem a ver com sua irmã.

_ Sempre tem a ver com ela. O que foi dessa vez?

_ Um grupo de homens a quer como protegida. Sabe como é né, todos querem a melhor.

_ Sim, todos querem foder com ela. – A corrigi despreocupadamente.

_ Sakura! – Ela me repreendeu rindo.

_ É alguma mentira? Me fala, nós duas saímos juntas pelas noites e você mesmo já a viu com vários homens. Você acha mesmo que os homens a querem por sua própria segurança?

_ Ela pode ser realmente boa.

_ Pode até ser, mas sou eu quem não trabalha com homens aqui, não ela.

_ Você não gosta dela mesmo! – Ela afirmou sentindo minha raiva.

_ Nada contra ela, ela até que é legal.

_ Mas?

_ Mas meus pais me comparam muito a ela e isso me irrita. Olha para todo mundo aqui.

Ela deu uma boa olhada pelo grande salão, agora lotado de homens e mulheres vestidos em suas melhores roupas como em uma boate comum.

_ Estão todos normais.

_ Sim, mas olha como as mulheres estão vestidas. Os pedaços de pano mal cobrem o necessário, maquiagem impecável, cabelos na última tendencia e sapatos que nem uma diva drague usaria. Agora olha para mim. Perto delas eu pareço desleixada em meu jeans e camiseta básicos e meu cabelo não é nada controlado. Acha mesmo que é assim que meus pais gostariam de me ver?

_ Gosto do seu cabelo, ele é volumoso de um jeito sexy.

_ Obrigada amiga, mas ninguém vê isso em mim. – Eu disse um pouco chateada.

_ Ninguém vê o que? – Uma voz masculina nos assustou.

Meu ânimo se elevou um pouco ao ver de quem era aquela voz.

_ Pietro! – Me aninhei em sua cintura enquanto ele bagunçava meu cabelo.

_ Olá irmãzinha! – Ele se sentou na cadeira entre eu e minha amiga. – Olá Berenice.

_ Olá Pietro! Veio pelas novidades também? – Berenice perguntou toda melindrosa para ele.

_ Não, eu vim trazer um amigo que precisa de proteção.

_ Ele já tem alguém em mente? – Eu perguntei curiosa.

_ Eu e papai queremos que seja você. – Ele foi franco.

_ Sem chances! Sabe que eu não protejo homens.

_ Não poderia abrir uma exceção dessa vez? – Ele estava esperançoso.

_ Claro que não! Não posso ficar sem minha companheira de baladas. – Berenice o respondeu se sentindo atingida.

_ E tem nossa irmã também. Ela é melhor do que eu nesse serviço.

_ Ela está envolvida em uma grande confusão.

_ Eu sei, parte disso aqui é culpa dela. Sabe o que ela fez?

_ Estamos curiosas para saber. – Berenice emendou.

_ Tenho uma vaga noção do que está acontecendo, mas mamãe é quem sabe de tudo. Sabe como as duas são.

_ Unha e carne, como eu e você. – Sorri para ele.

_ Sim. E é por isso que eu gostaria que você fosse a responsável pelo meu amigo. Sem ofensas Berenice, mas eu confio mais em você do que na Rubi.

_ Quem é seu amigo? – Perguntou Berenice, sempre muito curiosa.

_ O meu sócio. Você deve conhecê-lo, ele costuma frequentar os mesmos lugares que você.

_ Então ele é rico... – Ela estava mais interessada no assunto.

_ Nós dois somos. E não, ele não mora sozinho e não tem namorada.

_ Esse amigo é o que mora com você? – Eu perguntei.

_ Ele mesmo. Pensa que bom seria ter você morando comigo?

_ Eu gosto de morar sozinha.

_ Você mora comigo, querida. – Berenice se sentiu ofendida.

_ Há anos! E não quero ir morar com dois homens. Pergunte a Berenice como eu sou dentro de casa.

_ Devassa! – Ela brincou.

Nós duas rimos de nossa pequena piada interna.

_ Sério, mano. Eu não daria certo em sua casa.

_ Que seja decidido no sorteio, então. – Pietro ficou um pouco decepcionado com minha recusa.

_ Eu não vou participar do sorteio, vou? – Eu estava confusa. Meu pai, ao longo dos anos, desenvolveu o hábito de só me contar as coisas no último minuto, para eu não fugir.

_ A mensagem que eu recebi disse que eu teria que participar dele de novo. – Berenice esclareceu.

_ A minha não. Mas é sempre assim.

_ Não se desespere, sabe que papai não vai deixá-la com qualquer um.

_ É isso que me assusta.

_ Seja qual for o resultado, pode contar comigo para o que for preciso. – Pietro segurou minha mão, protetor.

_ E comigo também. Somos amigas, acima de tudo. – Berenice sorriu para mim.

Sorri de volta para cada um deles. Os dois eram o que me mantinha saudável naquele mundo complexo que meus pais criaram para mim.

_ Irmãzinha, eu tenho que ir. Meu amigo está perdido por aí e eu preciso encontrá-lo. Sabe como é o primeiro dia de alguém no nosso mundo, perturbador.

_ Eu sei. – Apertei sua mão que ainda estava na minha.

_ Foi um prazer vê-las, meninas.

Sorrimos para ele.

Pietro se levantou, deu um beijo em minha testa e foi para o salão agora lotado. Berenice e eu continuamos a conversar, olhando os homens que apareciam em nosso campo de visão. Quando a situação não parecia muito agradável para nós duas, costumávamos olhar para aquilo que nos deixava mais bobas: homens bonitos. E era assim que sentíamos enquanto esperávamos.

17 de Junho de 2020 às 21:02 0 Denunciar Insira Seguir história
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