lary-chan Larissa Maia

Se passando no universo ABO, casamento por benefício trás um ômega chamado Soran que precisa se casar com o Alfa Alexander, por motivos financeiros, por promessas que deve cumprir, além de um passado que ainda não conseguiu esquecer. Sua vida se modifica completamente em meio a todas essas novas experiências. Principalmente porque Soran não consegue apenas aceitar as imposições que a vida trás. Sexo, dramas, passados misteriosos, vai se construindo a trama.


LGBT+ Para maiores de 21 anos apenas (adultos).

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Conhecendo o futuro esposo

- Você sabe que não estou fazendo essa merda porque quero, não é? Casar estava fora dos meus planos de vida, definitivamente. - Não lembro de alguma vez ter me sentindo tão irritado quanto estava naquele momento, parecia que cada fibra do meu corpo queria socar o homem que coincidentemente era meu progenitor.

- Não é só por mim, filho. É pela sua mãe também. - Maldito cara de pau, como ousa usar o nome da minha mãe desse jeito? - Soran? - Me chamou e a única coisa que fiz foi revirar os olhos, voltando a me sentar no sofá, fazia exatos cinco anos que não entrava naquela casa, desde que minha mãe se foi. Trabalhava em um bar desde que saí dali, comecei cedo, por sorte a dona não frescou por ter 17 anos na época, nem todos acolhiam ômegas menor de idade, protegendo com unhas e dentes. Na maior parte das vezes era prostituição na certa. Contudo, naquele bar, parecia que tinha encontrado uma nova mãe protetora.

- Você é um maldito egoísta. Não use a imagem dela por benefício próprio. - Antes de sucumbir a doença, minha mãe me fez prometer cuidar do meu pai, não lhe deixar passar por nenhuma dificuldade. Um maldito beta não consegue nem manter as contas da própria casa? Na primeira oportunidade fugi, me senti culpado por ter quebrado aquilo que disse no leito da sua morte. Fazer o que? Só tinha 17 anos, estava arrasado e nunca gostei desse homem miserável a qual estava na minha frente que não conseguiu enfrentar a morte da própria esposa. Babaca. - Não consegue nem administrar sua vida, agora está empurrando seu único filho para casar com alguma família rica que nem me interessa, se quer saber.

- O alfa é responsável, trabalha como arquiteto, vai cuidar bem de você. - Sério que achava que estava ajudando com isso? Meu pai se meteu em várias dívidas depois que fui embora. Fico me perguntando se estivesse do seu lado as coisas não teriam sido diferentes. Mas isso não importa, a minha decisão de casar com um desconhecido era movida por essas dúvidas e pelas promessas que quebrei, além de...

- Tô pouco me fodendo para o que ele faz. - Dou de ombros. Só sabia que o benfeitor do meu pai era um homem poderoso, dono de uma empresa imobiliária bem grande. Tinha 3 filhos, todos alfas, me casaria com o mais novo, aparentemente o mesmo vivia uma vida regrada, longe da expectativa do pai, que queria seus filhinhos todos encaminhados. Deixa o cara ser livre, mas não, tem que encontrar um beta desesperado que quer dar o próprio omega para um casamento de benefícios. Estou me queixando muito? Sim.

- Amanhã iremos conhecê-los. Apenas se comporte. - Mostrei o dedo do meio, levantei, indo agora o meu antigo quarto. Pensei que meu pai estaria usando como depósito, contudo, estava intacto e limpo, sem cheiro de poeira ou morfo, o que significava que deveria estar limpando esporadicamente. Que homem idiota. Suspiro com isso. Me jogando na cama, pegando meu esmalte, pintando minhas unhas de negro, retocando na verdade.

Desde que saí de casa, optei por um visual mais dark, era mais por causa do meu trabalho. O bar acabava atendendo uma demanda grande de rockeiros, então tinha que mostrar ter o perfil, mesmo que no início não gostasse. Aprendi a curtir. Coloquei vários brincos na orelha, no septo, inclusive na língua, raspei a lateral do meu cabelo, deixando as madeixas enroladas e ruivas, com pontinhas azuis caírem para o lado. Meus olhos brilhavam em cor de mel. Era magro, porém, tinha uma boa musculatura, fiz alguns anos de boxe. Mirela, a dona do bar achava que tinha que aprender a me defender. Nunca entendi essa superproteção. Quando perguntei, apenas sorriu tristemente, dizendo que me contaria em outro momento. Cinco anos depois e esse momento ainda não havia chegado.

Estranhamente minha aparência não parecia ter chocado o empresário na minha frente. Fomos meia hora antes do previsto, vesti roupas escuras, contando com roupa social preta, calça da mesma cor, bota cano curto também negra. Cordão com uma caveirinha que tinha ganho de presente da Mirela. O restaurante escolhido parecia ser caro, a mesa que ficamos era próximo de uma grande parede de vidro que dava vista para o jardim, com direito a fonte, passarinhos se divertindo, flores exóticas que não deveriam existir naquele lugar, mas estavam ali como se pertencessem ao local a muito tempo.

Não era ruim, porém não me agrada. O cheiro do local lembrava Pinho. O garçom parecia olhar desconfiado na nossa direção. Até o empresário fodão chegar. O cara era baixo, cheirava a alfa, o que era bem desagradável. Cumprimentou meu pai com intimidade. Levantei, estendendo a mão.

- Soran, fico feliz em conhecê-lo. Pode me chamar de Marcus, não precisamos de formalidades quando seremos da mesma família. - Sorriu o homem dono das empresas Vitti, que tinha seu sobrenome. - E esse é meu filho, Alexander. - Ué, havia mais alguém naquele lugar? Nem tinha reparado.

O rapaz era alguns centímetros mais alto. Cabelos negros, pele negra, com barba bem feita. A postura era de alguém que se achava melhor que os outros, era bonito, mas nada que me chamasse a atenção. Bastava ser alfa que perdia o charme. O homem me cumprimentou de forma educada, ao contrário do pai parece que preferia se manter na formalidade.

A conversa fluía normalmente enquanto comiamos pratos caros. Notei a rapidez que os dois pais queriam formalizar o casamento. Por mim tanto faz. Olha, tentei ser agradável, contudo, tinha algumas perguntas bem difíceis de engolir, que não pareciam nem perguntas, do tipo: você vai cuidar da casa depois de casar, não é? Não, definitivamente não, meu senhor, opa, Marcus. Muito menos largar meu emprego. Ter filho cedo? Nem pensar, nem sei se quero ter. Apesar de não ter problema em pensar em criar uma criança, MAS, sozinho, por favor.

Quando terminou a reunião, percebi que casamento não era um dos meus sonhos profundos e não deveria ser o de ninguém. As próximas reuniões foram nessa linha, nossos pais falavam mais do que a gente. Dificilmente nos comunicamos entre nós dois. Alex (apelido carinhoso que decidi dar ao meu futuro esposo sem o mesmo saber), também parecia tão deslocado quanto eu, senti empatia passageira, não durou tanto assim ao lembrar de todos os privilégios que alfas tinham naquele mundinho escroto. Então tava de boa aqui com minha pseudo falta de sentimentos.

Aparentemente ficamos noivos, porém teria uma festa de noivado para a família anunciando "nossa" decisão. Nossos pais nos deixaram sozinhos com a sobremesa que no momento parecia bem mais interessante que o diálogo. Me sento confortavelmente na cadeira, mais largado que deveria, mesmo sendo um lugar chique. Enfiando a colher no que acredito ser um pudim.

- Olha, você deve ter percebido que não estou nada feliz com esse casamento. - Começou o pequeno grande Alex. Ergo meu olhar em sua direção, lhe dando toda a atenção que não merecia. Enfiando a sobremesa na boca. Aquilo era gostoso, parecia derreter na garganta, quase não ouço o que o outro está falando para aproveitar a belezura. - Sei do seu interesse e do sus pai, achando que terão uma vida boa, aproveitando o dinheiro do meu pai. Não pretendo ser conivente com esse tipo de situação, quando casarmos não quero ter nenhum envolvimento além da formalidade.

- Baby, você já está sendo conivente casando comigo. - Pisco em sua direção, pedindo outro pudim para o garçom, não era eu que estava pagando mesmo, então aproveitaria o máximo aquele tipo de mimos. - Além disso, não me leve a mão não, mas tô fazendo isso só pela grana mesmo, então não tô nem aí se você tá afim de conviver comigo. Prefiro assim, mais fácil.

Acho que Alex não esperava aquela resposta, de surpreso ficou irritado enquanto meu pudim chega maravilhoso na minha frente. Iria acabar levando uns dois para o menu a humilde lar.

- Como se atreve? Para um omega você é atrevido demais. - Não esperei nem Alex continuar com suas ofensas.

- Baby, não sou atrevido por ser omega, sou atrevido por ser eu. Não nos ofenda achando que temos que ser submissos ou interesseiros, seja lá o que você pensa não me interessa nenhum pouco. Vamos só ficar calados e fingir que estamos socializando. - Digo calmo, apreciava o silêncio. Olha, não sinto raiva de alfas, só quando são idiotas, coincidentemente a maioria era. Um deles me dava mais ódio, mas sinceramente não quero pensar nisso. A promessa que fiz para minha mãe pesou na decisão de casar, contudo, aquele crápula influenciou bastante, preferia ter uma relação artificial inexistente por enquanto, quando cansasse, iria embora e nem meu pai me impediria.

- Isso não vai ficar assim. - Alex parecia bem ameaçado por um omega, que engraçadinho. O restante da nossa "conversa" é em silêncio. Nossos pais voltam bem felizes. Acabo indo direto ao bar, que ainda estava fechado.

- Você tem certeza que quer isso? Soran, isso não parece certo. - Misty fala toda preocupada, era a bargirl, fazia as misturas e drinques do bar, além de ser uma beta muito fofa. Porém, era bem raivosa quando necessitava.

- Já tentei abrir os olhos desse garoto, mas não, prefere aceitar um casamento infeliz. Pode acreditar, moleque, de casamento infeliz entendo. - Mirela estava mais irritada do que imaginei, arrumando tudo, mesmo que já estivesse arrumado, então estava obviamente nervosa. Ela era uma mulher grande, corpulenta, diva, maravilhosa, no auge dos seus 59 anos. A amava tanto.

- Sei o que estou fazendo, não vou deixar de trabalhar aqui. - Afirmo convicto enquanto colocava meu avental, arrumando meus cabelos.

- E se ele te impedir? - Misty franziu o cenho já irritada por antecipação.

- Bom, não sei, mas se ousar fazer isso, fujo e término esse casamento. Não vou me sujeitar só por causa de dinheiro. - Falo tranquilamente. Mirela revira os olhos, mas não discute mais. Apenas abre o bar para começar mais um dia divertido. Realmente adorava aquele emprego.

Muitos já eram clientes regulares, a maioria betas, o que não era ruim, preferia assim, alguns alfas achavam que estava disponível apenas por ser omega. As vezes estava, porém, não era por isso que precisavam ficar deduzindo, não é? No entanto, no sentindo geral o público era bem diversificado e divertido. Sempre ouvia histórias diferentes que me fazia refletir sobre minha própria vida, algumas eram engraçadas demais, outras bem tristes, ali que notei que éramos diferentes. Seres individuais, acho que foi isso que minha mãe sempre quis me mostrar.

"Nós não somos iguais a ninguém, independente do gênero que temos, todos temos nossas lutas individuais, porém, que são influenciadas pela sociedade e por nossas próprias vivências. Só temos que respeitar a vida de cada um"

Algo assim, faz tempo, mas não sei se conseguia levar suas palavras realmente a risca. Acho que não, mas estava tentando. Não muito com alfas, pois era tanta decepção que se tornava difícil, principalmente quando se mostravam babacas. Com exceção da Mirela, maravilhosa.

A noite foi melhor do que imaginei. Porém, pela manhã tive que ir para casa. Antes de conseguir cair na cama, meu pai me avisa que tenho um encontro com o digníssimo, veríamos a casa que morariamos juntos. Que delícia! Tive que tomar um banho bem gelado para me manter acordado, coloquei roupas escuras como sempre. Nossos pais pareciam fazer questão de estar em todo processo.

O apartamento era grande, tinha dois quartos, ambos com suite, uma área com piscina, além de lavanderia, sala e cozinha, tudo era lindo e mobiliado, a cor branca predominava. Mudaria isso rapidamente. O segundo quarto era possivelmente para nosso futuro filho, no entanto, iria dormir naquele espaço, não dividiria a minha cama king size com aquela pamonha.

- Só quero que saiba que adoro limpeza, então sempre mantenha tudo organizado e limpo. - Alex quase me assustou, porém, seu cheiro era forte demais para me causar qualquer comoção.

- Então deixe limpo. - Dou de ombros, vendo meus travesseiros macios. Me jogando na cama. Infelizmente com o dinheiro que ganhava no bar não conseguiria manter uma casa daquelas, então me conformava com meu apartamento pequeno, porém, muito confortável. O maior me encarava de maneira enigmática, quase pergunto o que queria ainda, mas acho que não precisei.

- Só não suje mais que o necessário. Planejo contratar uma diarista. Você precisa de alguma ocupação. - Alex não deixou que dissesse que já tinha minha ocupação remunerada, baby. Suspiro, mas aproveito para tirar um cochilo de cinco minutos enquanto os outros estão explorando o local.

Acho que foram mais de cinco minutos, porque sonhei com o dia que fui embora. Lembro que deveria estar chovendo para combinar com meu sofrimento, porém, o sol estava bem colaborativo, o tempo bonito mostrava o quanto o vida estava pouco se fodendo para a minha situação. Andei por tanto tempo que o cansaço veio, junto com a fome, era como se meu mundo inteiro girasse, não lembrava a quantos dias não estava me alimentando, não sabia direito o que estava fazendo, até sentir o corpo grande me segurando antes que caísse no chão. Mirela me alimentou e cuidou de mim, me dando um emprego digno, além de ser dura quando necessário, me deu todo o amor que precisei. As vezes acho que dependi demais, não me arrependo.

Mãos suaves me tocaram, era algo cálido que senti falta, aquela mão grande, porém gentil. Quando abri os olhos, não foi tão agradável quanto imaginei. O alfa, vulgo futuro marido estava me encarando, a única coisa que consegui fazer foi suspirar, erguendo meu corpo.

- Estamos indo. - Disse por fim. Apenas dei de ombros, indo com meu pai. Aparentemente a festa de noivado seria o mais rápido possível, já deveríamos estar nos mudando. No dia seguinte, levei algumas caixas ate o apartamento. Tinha recebido uma cópia da chave e o porteiro foi avisado da minha presença. Quando cheguei, já tinham outras caixas, deveriam ser do meu futuro marido.

Coloquei no outro quarto. Infelizmente aquela noite não pude ir trabalhar, minha festinha estava marcada. Meu futuro sogro me mandou meu terno, como percebeu que adorava preto, fez questão que meu visual continuasse assim. Só tive que dar um jeito nos cabelos e estava totalmente perfeito.

O local era um restaurante, reservado apenas para íntimos. Tinha algumas pessoas que não conhecia, tive que ficar ao lado de Alex, sendo apresentado como seu futuro esposo. Conheci seus irmãos Matthew que apelidei de Matt, era o mais velho e Úrsula, que não consegui pensar em nenhuma abreviação legal, poderia ser Ursy? Não sei. Todos alfas, que lástima, inclusive a matriarca da família, era uma mulher espantosa, grande, com longos cabelos enrolados e castanhos, ostentando como uma coroa, admito que senti um pouco de medo sob seu olhar. Nenhum deles parecia me aprovar, todavia, iriam tolerar a decisão do pai, era a impressão que tinha.

A festa era chata. Tinha que ouvir as histórias desnecessárias, estava bebendo mais do que deveria e quem liga? Apesar de que com aquele champanhe caro ficaria difícil me embebedar. Quando fui ao banheiro, senti a presença de alguém. Era a mãe de Alex, que se aproximou, me abordando assim que sai do toalete. O mundo parecia girar, mas conseguia atuar bem, então fingi que estava super sóbrio.

- Soran, não é? Sou Felícia, espero que esteja aproveitando sua festa de noivado. - Sorriu, senti malícia levemente ácida. Não gostei dela. Sou difícil de agradar.

- É, estou. - Comento, sentindo meu rosto esquentar. Sabia que era por causa da bebida.

- Só quero que saiba que o casamento foi ideia minha. Fiz meu filho aceitar. Estava tendo uma vida muito desregrada, sem nenhum propósito. Mas, achei que Roger conseguiria alguém mais... Educado. - Aparentemente não tinha nenhuma vergonha de falar aquelas palavras tão descabida.

- Ora, acho que ele escolheu o que dava, não e? Não tem muito o que fazer. Então se me der licença. - Meu senso de perigo estava aflorado, principalmente quando a mão dela segurou meu pulso com força excessiva. Acho que não me encolhi por causa do álcool.

- Irei ficar de olho em você, criança. Não ouse me desagradar, manchar o nome da família ou o que seja, senão terá consequências. - Felícia dizia com a voz de alfa. Isso me fez tremer, porém, não me afastei. - Gosto da sua coragem, mas quero ver até onde vai.

Me soltou, saindo elegante. Percebi que aceitar aquele pedido de casamento poderia ser bem difícil. Principalmente quando vejo Alex se aproximar de mim.

- Vou te levar para casa, você está bêbado. - Tenho quase certeza que não teve a ideia de ser cordial sozinho.

- É? Vi sua mãe agora a pouco. - Pisco em sua direção, me sentindo bem tonto. Acho que por isso consegui olhar na cara dela até o final. Que hilário. Porém, pela palidez no rosto de Alexander, acho que deveria temer aquela mulher. Bom, o que quer que aconteceu depois.... Não faço a mínima ideia.

6 de Junho de 2020 às 23:16 0 Denunciar Insira Seguir história
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