kalastrias Kalastrias

Está frio... Elias pensou de novo consigo mesmo enquanto andava pela casa. Havia pedido para que Silky ascendesse a lareira, mas mesmo assim... Sentia frio.


Fanfiction Anime/Mangá Todo o público.

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Cold

Eu apenas a comprei para calar as pessoas.

Meus conhecidos ficaram me pressionando para ajudar a gerar a nova geração, apesar do fato de eu claramente não ser um humano.

Era um incomodo, e eu odeio incômodos. Mas, por outro lado, eu tinha um certo interesse na mente humana. E decidi comprar uma criança e a observar, sem dá-la muita atenção… E isso seria tudo.

Uma espécie de qualidade rara, a garota que me seguiu mais longe do que eu esperava.

Mas ela não vai falar comigo. Ela abre sua boca como se fosse dizer algo, e então a fecha, desviando de mim. E quando vejo ela fazendo isso, eu sinto duas emoções rolando dentro de mim, duas que eu não consigo descrever…

Está frio… Elias pensou de novo consigo mesmo enquanto andava pela casa. Havia pedido para que Silky ascendesse a lareira, mas mesmo assim… Sentia frio.

Fazia poucos dias desde Chise havia saído para construir seu cajado, e desde então ele se sentia desconfortável, mas não descreveria como desconforto, pois não sabia que sentia tal coisa. Descrevia como “frio”. Descrevia como algo físico, pois era mais fácil de se explicar, e no momento, a única explicação que tinha para si mesmo.

— Silky… Porque está frio? Estamos no verão… — Ponderou em voz alta quando a “empregada” passou por ele carregando as roupas de cama secas. Silky parou e apenas tombou a cabeça de lado.

Elias continuou sua caminhada, não esperando uma resposta da fada. Caminhou entre seu jardim e a floresta, esperando a manhã passar para que o sol ficasse mais alto, na espera de que o frio passasse. Sentou-se num pequeno muro de pedras que ficava no morro acima da vila, não muito longe de sua casa, quando passava do meio-dia.

Esticou as mãos no sol e esfregou-as. Ainda está frio…

Colocou uma mão sobre o peito, o frio parecia vir de dentro. Era estranho.

Voltou para a casa, Silky provavelmente teria feito o almoço. Ficaria brava se ele não comesse.

Simon, o padre do vilarejo, apareceu logo após o almoço.

— Me desculpe por aparecer a essa hora. Ainsworth está? — Simon perguntou para Silky, que havia atendido a porta. Ela acenou positivamente e abriu espaço para ele entrar.

Simon o encontrou na sala. Elias parecia distraído, não o havia notado entrar, encarava um livro em mãos sem realmente lê-lo.

— Ainsworth? — Simon chamou uma segunda vez, quando Elias não respondeu.

— S-Simon? — Se seu rosto fosse feito de carne, provavelmente expressaria espanto.

— Você parece meio aéreo. Está tudo bem? — Ele olhou a sala. — Onde está Chise?

— Ela… — O corpo de Elias mexeu como se ele suspirasse, sem realmente fazê-lo. — Ela está fora. Está fabricando seu cajado. — Fechou o livro em mãos e colocou na mesinha ao seu lado. — O que faz aqui?

— Ah, sim. Tenho um pedido para te fazer. — Simon estava com os olhos semicerrados, tentando decifrar a falta de feições de Elias, mas logo o deixou de lado. — Estamos naquela época do ano de novo. As moscas da neve atacaram alguns animais, então vim pedir que fabrique aquele repelente novamente. Aquele que fez ano passado não irá durar por muito tempo… Ainsworth?

Elias havia se perdido na conversa, o brilho de seus olhos encarava algum ponto da sala atrás de Simon.

— Hm? — Elias voltou sua atenção para Simon.

— Você está bem? — Simon voltou a perguntar, agora realmente preocupado.

— Sim, sim… Moscas da neve, né. Vou preparar hoje à noite. Pode vir buscar amanhã se quiser. — Elias se levantou, dando um fim na conversa.

Simon seguiu para a saída enquanto Elias o guiou.

— Sabe… — Simon comentou, já do lado de fora. — A saudade não vai lhe afetar tanto se você se concentrar em coisas práticas a se fazer.

— Saudade? — Elias tombou a cabeça de lado.

— Até mais, Ainsworth. — Simon deu um aceno com a mão e virou as costas.

Saudade?”

Pensou. Havia estudado o sentimento humano, mas nunca o sentido. Descartou a possibilidade de que aquele frio que sentia fosse isso. Se seu rosto fosse humano, poderia se ver um vinco em sua testa devido aos pensamentos aprofundados.

Sem sentido…

Pensou, seguindo para o armazém no segundo andar, procurando os ingredientes para fazer o repelente que Simon pediu.

Quando a noite ia caindo, ele já havia preparado tudo para fazer o repelente. Há um caldeirão preto do lado de fora da casa, ele usaria para cozinhar os ingredientes enquanto imbuia a forma de “sopa” com magia, para logo depois colocar em frascos separados.

Olhou para o céu estrelado. De alguma forma, parecia estranho ficar sem a garota ao seu lado. Aonde quer que fosse ou o que fizesse, o frio não parecia ir embora.

“Elias!”.

Ele escutou a voz dela meio abafada, vindo do caldeirão a sua frente.

— Hm? Chise? — Quase que imediatamente ele sentiu seu peito se aquecer. Mas de alguma forma, esse calor intensificava o frio. — Porque você está usando um Espelho de Visão? — Elias imediatamente se deu conta de que ela estava usando magia, isso era perigoso, não queria que ela se colocasse em perigo.

“Espelho de Visão?”.

A voz dela não saia clara o suficiente. Se ele tivesse lábios, os morderia. Queria ouvir sua voz melhor.

— É quando você usa um intermediário, semelhante à água, para ver outra pessoa. Estou no jardim agora. — Ficou calada por um tempo, e ele apenas aproveitou para observar seu rosto. — Hm? Espera, ele está cantando? — Elias ouviu a voz bem baixa, e sabia o que significava.

“Sim. Ele está”.

— Isso explica muito. A magia dele formou uma ponte entre aqui e aí. — Colocou às duas mãos no caldeirão. Queria puxá-la pelo espelho de magia para perto de si.

“Elias…”

— Hm? — Chegou mais perto da água, como se de alguma forma pudesse chegar mais perto dela.

“Aconteceu alguma coisa? Parece que há algo lhe incomodando”.

Elias abriu a boca, surpreso com o quão bem aquela garota sabia decifrar a si mesmo. Ela era melhor em saber o que ele sentia do que ele próprio.

— Sim… Um pouco.

“O que? Você está bem?”

A resposta imediata em tom de preocupação o faria sorrir.

— A casa parece mais fria sem você, por alguma razão. — A explicação veio em palavras simples, indicando que ele não sabia o que estava acontecendo. Como uma criança que desconhece o mundo. — É verão, e eu acendi a lareira, mas permanece frio.

A expressão da garota era de espanto. As pupilas dilatadas e os olhos brilhando. Elias esperava uma resposta para aquela situação, mas como sempre, ela se desviou do assunto.

“As flores aqui… Elas são lindas, Elias. Eu queria poder mostra-las a você”.

— Veja elas bem e depois você me conta quando voltar. — “Quando voltar…”

Ele viu que Chise havia tido uma ideia, devido ao seu olhar distante. Ela sumiu do espelho alguns segundos, e antes que ele se chama por ela, Chise estava de volta. Ela passou a colocar as flores na água, para mostrá-las a Elias.

Você quer tanto assim que eu veja as flores?

A visão que ele tinha era… Interessante. O rosto dela envolto a várias flores. Ele apreciou aquilo, guardaria na sua memória em canto especial.

“Pronto, agora você pode ver também”.

Ela abaixou a cabeça, escondendo o rosto com a franja.

“Elias”.

— Sim? — Não gostou daquela expressão.

“Lindel me falou muitas coisas sobre você”.

Ele apertou os dedos no caldeirão.

— Aquele maldito velhote…

“Então…” ela tirou a franja dos olhos. “Quando eu voltar, eu vou dizer a você coisas que guardo em segredo de você também”.

Segredo?

“Vou me apressar em voltar assim que meu cajado estiver pronto”.

— Por favor, o faça. — Elias estranhou as palavras que saíram. — Silky está deprimida ultimamente…

“Okay”

— Boa noite, Chise.

“Boa noite, Elias”.

A imagem dela sumiu de seu caldeirão. “Aquele maldito… O que diabos ele andou falando para ela?”.

Terminou o ritual em poucas horas, separando os repelentes lentamente, perdido na possibilidade de assunto da conversa que Lindel e Chise haviam tido. Não gostando nem um pouco das opções que passou pela sua mente.

-

Mais dois dias haviam se passado desde que havia conversado com Chise. Estava de manhã e Elias caminhava impaciente pela casa. Recebia alguns olhares nervosos de Silky quando deixava algo cair, ou algo fora do lugar. Silky o pegou pelo braço e o puxou para a saída.

— Hey, o que está fazendo? — Silky bateu a porta, o deixando do lado de fora. — O que foi isso? — Se perguntou em voz alta.

Passou a caminhar, visto que Silky não o queria dentro de casa, deixando as coisas bagunçadas. Colocou as mãos nos bolsos do sobretudo e passou a andar devagar, sem nunca sair de sua propriedade.

Saudade… voltou a pensar na palavra que Simon havia dito. O que aquilo realmente significava? Para que servia? Porque humanos a sentiam?

Deu de ombros, sem realmente chegar a uma conclusão.

Passou a seguir para o jardim.

Eu não sinto vontade de fazer nada, por alguma razão. É verão, eu tenho muita coisa para fazer, mas eu não consigo reunir vontade.

Olhou para as flores, pensou em cuidar do jardim, mas logo descartou a ideia. Não queria fazê-lo.

Cuidar do jardim é responsabilidade da Chise mesmo.

Voltou a pensar sobre a conversa de Lindel e Chise.

Eu me pergunto quando é que ela vai voltar… E o que aquele velhote intrometido contou a ela? Eu não me importo se foram apenas histórias engraçadas de erros meus, mas se ele realmente disse a ela sobre-

Elias se surpreendeu com um enorme pássaro feito de fogo se aproximava rapidamente dele. Ele reconheceu as fadas de fogo, mas não entendia a forma de pássaro. Ergueu os braços como reflexo quando algo caiu de dentro do pássaro para seu colo.

— C-Chise? Mas o que… — A segurou como uma criança na sua frente, com as mãos em baixo dos braços para sustentar o peso.

— Hm. Eu só queria viajar com magia, como você faz. Mas as fadas, er… — Elias a encava, surpreso ainda. — Hm… Terminei meu cajado então eu queria voltar o mais rápido possível. O-olhe! Lindel deu os últimos retoques… — Ergueu o cajado em suas mãos, o mostrando para Elias.

Elias a puxou para perto de si, a abraçando forte, porém de um modo desajeitado. Metade do corpo de Chise estava para cima da cabeça de Elias. Ele sentiu ela tocar sua cabeça e acariciar seus chifres.

— Às vezes você age precipitadamente, sabia… — Elias a colocou no chão.

Ela olhou para cima, procurando o brilho de seus olhos.

Quando a colocou no chão, ela cambaleou e Elias teve que segurar seu corpo.

— Eu sabia! Você sabe o quão longe é da terra dos dragões até aqui? Usar magia para voar? De todas as coisas tolas…

Pensei que estaria tudo bem, já que eu tinha meu cajado… — Sua voz estava baixa, e as palavras saíram entrecortadas pelo cansaço dela.

— Está tudo bem, apenas durma um pouco.

Chise se encostou nele. Elias sentiu quando o peso dela caiu em seus braços. Ela havia dormido. A observou por alguns segundos. Sentou-se no chão e deitou-a em seu colo, a segurando como um bebê. Pegou uma de suas mãos e levou ao seu rosto, sentindo o cheiro da garota. Tão bom...

— Está quente de novo. — Comentou em voz alta.

A seguraria ali por um tempo, antes de levá-la para a cama para que tivesse um descanso adequado.



2 de Junho de 2020 às 02:46 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

Kalastrias Bem-vindo ao meu cantinho. Eu nunca sei o que falar em apresentações. Sempre entro em panico quando me pedem para falar sobre mim. Não vou entrar em detalhes sobre as minhas inseguranças, não é importante. Então, vou simplificar de uma forma que importa para a internet: Ela/Dela; Sagitariana; INTP; Café; Gatos e noites sem dormir. Sim, eu sei que é clichê, mas lide com isso.

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