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Hunted

Chise espirrou ao abrir a janela do quarto pela manhã, recebendo o vento frio de inverno. Observou o céu com o sol fraco e a frente da casa coberta de neve. Fechou-a antes que Elias percebesse e acordasse para dar bronca em sua ação. Saiu do quarto, pouco animada. Gostava do inverno.

— Você poderia pegar um resfriado abrindo a janela no frio assim de manhã. — Ruth a advertiu, acompanhando o passo dela para o banheiro.

— Gosto de sentir o cheiro da manhã e do frio.

— Hm. — Bufou, se deitando na frente do banheiro para esperá-la.

Quando Chise estava quase acabando de se vestir, Ruth disse do lado de fora:

— Chise, você tem uma visita.

Eu? A essa hora?

Pensou ela, se apressando para terminar de vestir a camisa branca e atar o pano branco por cima de seu braço amaldiçoado, calçando suas pantufas fofinhas para manter seus pés quentinhos e jogando um xale verde por cima dos ombros. Desceu as escadas com pressa devido à curiosidade.

Stella estava sentada na mesa da cozinha, sendo servida com chá por Silky.

— Stella! — Chise falou da porta da cozinha.

A garota se levantou e apressou alguns passos para abraçar Chise na cintura. Chise retribuiu o abraço apertado da garota. Sempre era bom quando Stella ia visitá-la.

— O que está fazendo aqui? — Chise desfez o abraço.

— Ah, é Ano Novo amanhã, então minha família decidiu vir para Londres. — Stella gesticulou animada. — Ethan pediu para que eles viessem, então eles cederam. Aproveitei a oportunidade para vir lhe visitar mais uma vez. Como está?

— Estou muito bem, na verdade.

— Hm… — Voltou a se sentar à mesa, tomando o chá para se aquecer um pouco. — Se importa de eu vir visitá-la enquanto estiver em Londres?

— Ah, claro que não!—Chise se sentou à mesa com ela. Olhou para Silky.

Tomaram café da manhã juntas após Ruth se juntar a elas. Ficaram conversando sobre coisas banais como o clima do Japão e as chuvas da Inglaterra, até Stella bater as mãos, super animada.

— Podemos fazer um boneco de neve? Eu nunca fiz com ninguém além de meu irmão. Meus amigos chamam isso de “coisa de criancinha”… e meus pais não me deixam ficar muito tempo no frio. — Ela encorajou Chise com os olhos.

— Hm… — Olhou para Ruth, que deu de ombros, não vendo mal algum nelas se divertirem.

— Vou calçar algo e vestir um casaco. — Disse, se dirigindo para a sala, onde sabia que tinha deixado um par de sapatos separados.

— Ah, quer que eu pegue um casaco no seu quarto? — Stella a seguia, animada para se divertirem.

— Por favor. — Pediu.

Chise sorria, se sentia feliz ao conversar com Stella. Sentia uma parte de si mesma que nem sempre aparecia. Colocou os dedos na bochecha, sentindo um pouco de frio, e calçou luvas antes de seguir para fora da casa, puxando o xale sobre os ombros quando o vento frio bateu em seu rosto.

— Você quer ajudar, Ruth? — Chise perguntou, dando alguns passos para fora da casa.

— Hm… — Olhou sério para neve.

— Sua cauda diz que quer. — Chise sorriu.

— Tudo bem, eu ajudo.

Escutou os passos de Stella apressados atrás de si.

— Waa, acho que isso deve servir para te aquecer. — A voz dela estava atrás de si, mas Chise não se virou. — Não sabia que era do tipo de pessoa que tem casacos de pele.

— De pele? — Chise falou, antes de ver a pata da pelt de raposa passar por seu ombro.

— Chise! — Escutou Ruth ao mesmo tempo, vendo ele com o canto dos olhos se transformar em garoto e esticando o braço.

Mas sua mão passou no nada, no ar onde os ombros de Chise estiveram. Desceu os olhos para ver uma loba totalmente branca o encarar de volta, e em seguida correr para os fundos pela entrada do jardim. Ruth sentiu sua nuca arrepiar e olhou para cima, vendo o olhar reprovador de Elias sobre ele. Ele estava atrás de Stella, já indo atrás de Chise.

— Elias, eu nã-

Ruth começou a explicar.

— Por que não se certifica que ela chegue em casa bem. — Elias se referiu a Stella, olhando por sobre o ombro de costas, ignorando a explicação do familiar.

Ruth tomou a repreensão do olhar dele e decidiu obedecer. Elias iria atrás dela, então provavelmente ela vai ficar bem.

Chise.

Ruth chamou mentalmente enquanto olhava a face confusa de Stella e estendia a mão para que ela pegasse.

Sim?

Respondeu numa voz super animada que nunca usava.

Elias está indo até você.

Andava olhando para a entrada do jardim.

Sei, eu o vejo. Eu não vou a lugar algum, Ruth. Leve Stella para casa, por favor.

— O que aconteceu? — Stella chamou sua atenção.

— Não precisa se preocupar com isso. — Ruth voltou sua atenção para frente.

— Mas o que foi isso? — Ela puxou sua mão para que parasse de andar.—Elias está com raiva? Ele parecia com raiva.

— Bem… — Ruth tentava desviar do assunto. — Chise não deve usar aquilo. Não é… legal.

— O que era aquilo?

— Aquilo que você entregou para ela era uma pele… — Ruth suspirou. — Você viu ela usar isso quando a ajudamos a resgatar seu irmão.

— Ah, é verdade! Faz tanto tempo que eu havia esquecido disso! É culpa minha então! — Ela tentou dar meia volta, mas Ruth puxou seu braço.

— Não é não. É minha culpa por não ter prestado atenção.

— A Chise vai ficar chateada comigo, não vai? — Ela curvou as sobrancelhas para o familiar.

— Claro que não. — A frase dele parecia não ter convencido a menina. — Olha, Chise me pediu para levá-la para casa. Ela está bem, e não está chateada com você. — Ela ainda não parecia convencida. — Você pode voltar amanhã para ter certeza.

— Hm… Tudo bem. — Deu uma última olhada para onde Chise havia seguido. — Mas quero que você me conte mais sobre essa pele. Por que ela não é boa?

— Hm… Ok. Mas acho melhor nós irmos.

Stella hesitou mais uma vez e começou a caminhar para casa.

Chise estava abaixada atrás de um dos montes de neve, observando Elias se aproximar. Tinha posição de um predador espreitando sua presa silenciosamente.

— Chise. — A voz de Elias indicou que ele a estava vendo. — Tire essa pele.

Mas o jardim está tão lindo com esses olhos!

Elias não podia entendê-la, ouviu apenas um grunhido e viu a loba sair detrás de seu esconderijo, andar até ele e se sentar à sua frente, enquanto olhava para os lados. Se abaixou e pegou ela no colo.

— Chise. — A repreendeu com o olhar.

Por favor.

Chise cheirou o pescoço dele. Ouviu Elias suspirar.

— Não, Chise. — Se virou e começou a levá-la rumo à casa.

Chise mexeu no colo dele ao ponto de conseguir se soltar e pular para o chão. O olhou, abanando o rabo e começou a correr na direção oposta à casa. Escutou ele correr atrás de si e riu interiormente, se divertindo com a situação. Poderia tirar a pele quando quisesse, sentia que poderia tirar, mas não queria. Não ainda. Não sentia vontade de correr para longe, muito pelo contrário, sentia que estava onde deveria estar. Sentia que deveria fazer o que estava fazendo.

Elias perdeu a loba de vista, via apenas seu rasto e escutou um uivo não muito longe.

Chise correu em círculos quando soube que ele a tinha perdido de vista, queria confundi-lo com o rastro. Escutou o som das patas do que sabia que seria Elias em sua outra forma seguir seu rastro sem parar. Se escondeu e esperou que ele passasse por si. Não demorou muito até a forma escura coberta de penas, e antes que ele pudesse perceber seu cheirou ou seu som, correu atrás dele. Sentiu do fundo de sua mente uma instrução surda do que deveria fazer, e seus olhos viram a forma à sua frente como caça. Ela era mais leve, mais rápida, poderia pegá-lo.

Não havia dado tem pode ele sentir seu cheiro ainda, e no momento em que ele sentiu a loba atacou sua pata traseira, o fazendo cair. A mordida dela não havia sido forte o suficiente para machucá-lo. Elias se deitou direito na neve e se apoiou com cotovelos das patas dianteiras, levantando o rosto e olhando para trás, vendo o olhar confiante da loba branca. Ela deu sinal de que voltaria a correr e parou, o olhando.

Tente me pegar!

Deu voltas em seu próprio eixo, levantando as orelhas, abanando a cauda e grunhindo, pedindo para que ele a perseguisse. Elias a observou enquanto as patas dela afundavam na neve e saltavam, o pelo se camuflando quase que perfeitamente. Quis rir do quão infantil ela estava sendo, dando meios latidos para chamar sua atenção. Deuses, aquela cena era preciosa. Ela estava tão adorável que poderia ficar assim para sempre.

Balançou a cabeça. Ela tinha que tirar logo a pele e voltar para dentro de casa onde estava quente, mas ela não parecia querer isso. Então decidiu entrar no jogo dela.

— Se eu te pegar você vai voltar para dentro? — Perguntou, se levantando.

Hm… Ok.

Chise se aproximou e encostou seu focinho nos dentes expostos dele.

— Ok. — Ele respondeu.

Sentiu que ele a pegaria ali porque estava perto e começou a correr novamente. Dessa vez, Elias não deixou ela sumir na neve. Chise olhou para trás duas vezes, se divertindo com ele tentando alcançá-la, e com o tanto que podia correr rápido. Da terceira vez que olhou ele não estava lá. Parou de correr, as orelhas em pé. Ficou parada por alguns segundo até seguir para o rastro dele. Cheirou o chão, sentindo o cheiro de grama que ele exalava. Levantou o focinho e seguiu o cheiro dele, tentando saber onde ele estava. Seu cheiro seguiu para cima das árvores, e ela lembrou que ele conseguia subir nelas nessa forma. Sentiu os pelos de sua nunca se eriçarem e virou o corpo para trás, olhando para cima, e antes que ele conseguisse cair em cima de si ela pulou para o lado. Ficou alguns segundos atordoada, os pelos de sua nuca ainda eriçados.

Voltou a correr, dessa vez sem olhar para trás. Corria um pouco mais lento, tentando processar a imagem de predador que havia visto por uma fração de segundos, antes de ele recuar seus próprios instintos se esconder essa expressão. Não estava com medo. Estava animada. Ele a estava caçando de verdade.

Sua audição captava as pegadas nas árvores atrás de si. Não tinha como fugir assim. Avistou a estufa e apressou suas patas. A porta estava fechada, mas nunca trancada, então levantou o corpo batendo as patas na maçaneta até ela abrir, entrando e se escondendo atrás de uma das mesas de madeira. Escutou os cascos pesados dele tocarem o chão de neve e passarem para o chão de madeira da estufa. Andava devagar, sabia onde ela estava. Se abaixou, escutando os passos dele se aproximarem.

Os passos pararam de se aproximar. Decidiu dar uma espiada, ele não estava perto da entrada. Ouviu um dos vasos de cima da mesa cair e quebrar e seu rosto se virou na direção do som. Sentiu de novo aquele arrepio na nuca e viu a sombra do corpo dele no chão. Olhou para cima e o viu em cima da mesa, viu aquele olhar depredador por meio segundo antes que ele mudasse sua expressão. Ele pulou na direção dela e dessa vez ela não conseguiu sair, ele havia previsto que ela tentaria fugir e pulou na direção que ela tentou correr.

Chise se abaixou ao ouvir os cascos dele pararem ao lado de seu corpo. Sentiu a língua dele passar na sua nuca e se virou de barriga para cima.

— Agora, tire isso.

Sentiu a pele sair de seu corpo e ficar no chão às suas costas. Sentiu sua mente um pouco embaçada, e não entendia o que a havia levado a fazer tudo aquilo. Não via sentido no que havia feito. Se lembrava apenas de se divertir com isso.

— Você não deveria usar isso assim, Chise. — Ainda estava sobre ela.

— Eu sei. Por algum motivo eu não queria tirar. — Olhou para a pele no chão sob si. — Estava… divertido.

— Hm.

Ele saiu de cima dela e voltou à sua forma usual, se sentando no chão.

— Hey, você estava se divertindo também! — Sorriu, se sentando e ficando de frente para ele.

— Você consegue dizer?

— Bem… sim. Você estava fazendo uma expressão diferente.

— Hm. — Estava absorvendo a ideia de se divertir caçando ela. Deveria gostar dessa sensação?

— O que você fez para eu não te escutar? — Chise se deixou perguntar, sua mente vaga ainda lenta com as reações humanas e ela demorou a corar de leve pela pergunta feita por curiosidade.

Elias a olhou, pensando em como responder sua pergunta. Chise viu ele lentamente entrar na sombra da mesa e se mover por ela, parando ao seu lado. Antes que seus sentidos humanos pudessem reagir, viu os braços dele passarem ao lado de seu corpo e o peso dele a deitar no chão novamente. Pensou ver aquele brilho feroz em seus olhos, mas não tinha certeza.

Estava novamente sob ele, uma de suas pernas esticadas no meio das pernas dele e a outra dobrada ao lado da cintura. Pensando sobre aquele lado que ele escondia. Ela gostava. Principalmente porque ele escondia dela. Subiu a perna que estava no meio das pernas dele, se sentindo aquecer. O queria. Por algum motivo, ver aquele lado dele a estava deixando excitada. Passou propositalmente o joelho perto do membro e sentiu que não era a única ali que queria.

Elias a queria porque a caçada o excitava. Observar o pelo branco dela quase se camuflar na neve e correr atrás dela até finalmente a encurralar e vê-la sem saída, para apenas levá-la de volta para dentro de casa? Não… Queria mais que isso.

Chise tirou as luvas que havia posto antes de sair da casa e puxou o rosto dele para mais perto, pousando um pequeno beijo em seus dentes. Seguiu a linha de dentes dele até seu pescoço, depositando vários beijos no caminho. Sorriu contra a pele dele, sentindo as mãos dele tirarem sua calça. O ajudou a tirar e viu ele jogá-la por cima do ombro, caindo na mesa. Sentiu o frio que entrava pela porta aberta fazer sua perna arrepiar, mas não queria se importar com isso agora. Aproveitou que ele estava com a coluna reta depois de tirar sua roupa e o empurrou para o lado com uma das mãos. Elias se deixou ser empurrado e se deitou no chão.

Chise passou uma perna sobre a cintura dele, apoiando as mãos em seu abdômen. Viu os chifres dele arranharem o chão de madeira enquanto ele apoiava a cabeça de modo desajeitado, sem encostá-la totalmente no chão por causa dos chifres. Pensou um pouco se deveria continuar recebendo um olhar de Elias pedindo para que continuasse. Se afastou um pouco para abrir a calça dele. Sentiu o abdômen dele se retrair quando seus dedos gelados tocaram o membro dele. Mordeu os lábios enquanto forçava o membro dele para dentro de si. Não estava tão molhada porque estava com um pouco de frio, e também porque estava com mais vontade de senti-lo do que de se preparar para ele.

Soltou o ar quando sentiu o inteiro dentro de si, uma fumacinha branca se formando pelo frio. Ouviu a porta da estufa se fechar devagar e se sentiu quase que imediatamente mais quente. Sentiu as mãos dele em suas coxas, apertando os dedos em sua carne. Começou a se movimentar, se apoiando no abdômen dele e forçando as pernas devagar para cima. Estava mais lubrificado dessa vez, ela mordia a boca, sentindo o quão fundo ele ia dentro de si nessa posição. Estava com a boca meio aberta e os pontos vermelhos estavam sumidos, indicando que estava de olhos fechados.

Suas pernas começaram a doer com o tempo então ela se curvou sobre o corpo dele, apoiando os braços no chão, passando a mexer somente o quadril. Escutava os gemidos baixo do fundo da garganta que ele se impedia de soltar e sorriu consigo mesma escondendo o rosto no pescoço dele. Sentiu os dedos dele apertarem suas coxas, subindo para seu quadril o forçando para baixo e segurando para que ficasse quieta. Sentiu ele liberar o líquido dentro de si e a segurar por mais algum tempo no lugar.

Chise saiu de cima dele quando pode, se sentando no chão de madeira. Sentiu seu corpo de acalmar e foi voltando a sentir um pouco de frio. Levantou o rosto e olhou para luz do sol, a sensação de espirro tomando conta de seu nariz.

— Está com frio? — Sentiu Elias colocar o sobretudo dele envolta de seu ombro, interrompendo seu espirro.

— Um pouco. — Coçou o nariz e puxou o sobretudo para se cobrir mais.

— Se vista. Vamos voltar para dentro de casa. — Fez seu gesto específico que fazia no cabelo da garota, dessa vez passando seus dentes na bochecha dela.

Ela sorriu, se levantando para pegar a roupa. Espirrou.

— Eu sabia! — Elias colocou as mãos na cintura.

— Estou bem, foi só um espirro.

— Por isso você deveria ter voltado para dentro.

Elias começou um curto discurso sobre ela ter saído no frio. Chise apenas sorriu, aceitando a bronca.


2 de Junho de 2020 às 01:55 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

Kalastrias Bem-vindo ao meu cantinho. Eu nunca sei o que falar em apresentações. Sempre entro em panico quando me pedem para falar sobre mim. Não vou entrar em detalhes sobre as minhas inseguranças, não é importante. Então, vou simplificar de uma forma que importa para a internet: Ela/Dela; Sagitariana; INTP; Café; Gatos e noites sem dormir. Sim, eu sei que é clichê, mas lide com isso.

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