ryo Enzo Duarte

Eu era um garoto bastante normal, nada de especial fora minha própria persistência e mesmo ela não era nada sobre humana. Realmente não da pra prever o dia de amanhã, diante da morte me foi dada uma grande oportunidade junto de uma grande escolha. Agora eu sou Aeborn, mas ainda sou eu mesmo.... Até onde eu consigo chegar e quais histórias esse mundo irá me contar? Isso é o que eu quero descobrir. Lembre-se, a ampulheta nunca para de contar..... obs: ando um pouco ocupado com os trabalhos de escola e além disso os capítulos dessa história não serão proporcionais, logo um pode ter 10 paginas e o outro 70, então farei o meu máximo, mas não garanto que será lançado de 30 em 30 dias, poso demorar mais e posso demorar menos.


Fantasia Impróprio para crianças menores de 13 anos. © todos os direitos reservados

#a-sombra-do-alvorecer #isekai
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Capítulo 0: Na sombra de um novo horizonte

Posso não ter tido tudo o que gostaria, mas se tem algo de que não me arrependo são de minhas escolhas, ao longo do caminho fiz grandes amizades e tive a oportunidade de ver a vida por diferentes pontos de vista, compreendi tristezas e amarguras as quais nunca vivenciei e fui capaz de sorrir com a felicidade alheia. Fui capaz de me despedir daquele mundo e aceitar a minha morte com mais tranquilidade do que jamais achei que fosse, mas eu jamais imaginei que no primeiro momento em que a minha consciência não mais estivesse presa ao meu corpo meus olhos se veriam diante dele.

Simplesmente não havia outra forma de descrever a sensação, senti como se olhasse para o ser mais assustador que já tinha visto, mas fosse incapaz de sentir medo, não fui capaz de ver sua aparência, mas era simplesmente impossível não enxergar sua aura, bem ao menos era o que me parecia estar mais perto de ser, uma aura sinistra emanando poder e desejo.

- Eu gosto desse seu olhar, curiosidade e medo gerados pela incerteza sobre o que virá a seguir.

Naquele momento eu tive uma certeza, eu não estava diante de um “monstro” mas sim de um ser capaz de raciocinar e me compreender e por mais que isso pareça apenas o óbvio foi o suficiente para acalmar a minha inquietude e tomar coragem para buscar respostas.

- Presumo que tenha perguntas, então farei o seguinte, te darei a resposta para a primeira pergunta que fizer.

eu tinha a oportunidade de obter uma resposta importante, e a ânsia de gastar uma pergunta em vão. Optei por julgar que aquela não era minha última parada e perguntei baseado no que me parecia ser mais importante no momento obter o máximo de informações com uma só pergunta.

- Em detalhes como é o lugar para onde irei?

- Alguém com bom senso enfim, aqueles que passam por aqui frequentemente fazem as mesmas perguntas, onde estou, o que vai acontecer agora, eu morri? Já teve um que gastou sua pergunta perguntando se eu poderia responder qualquer pergunta, sou capaz de contar quantos realmente deram valor a essa pergunta, por maior que fosse o risco eles consideraram a informação o mais importante, responderei a sua pergunta, mas a resposta será extensa.

Quando ele disse que a resposta seria extensa eu já sabia que ele não responderia duas vezes e eu não seria capaz de decorar tudo portanto eu teria de extrair o essencial, eu seria enviado para um mundo marcado pela magia, discriminação e guerra, aqueles que lá vivem chamam o planeta de Tolema, a simples existência da magia foi capaz de distorcer todo o ciclo evolutivo de modo a várias espécies obterem a capacidade do conhecimento e aprendizagem, apesar disso a humanidade foi o grupo que mais cresceu enquanto comunidade desenvolvendo uma hierarquia moldada em torno da espada enquanto os magos se fecharam em seus próprios universos clamando superioridade e apenas transmitindo seus conhecimentos para aqueles de alto escalão, ou seja aqueles que estavam em baixo na hierarquia conseguiam alcançar um patamar superior ao dedicarem suas vidas as espadas e ao código de honra dos cavaleiros, mas jamais seriam reconhecidos pelos magos. A humanidade compõe 56% da população mundial “inteligente” e está dividida em reinos os outros 42% estão divididos em várias espécies que se agruparam das mais diversas maneiras resultando nos mais diversos costumes, o resultado? A alta organização gerada por um sistema de castas fez nascer uma discriminação por parte dos seres humanos que consideravam outros povos indignos de serem chamados de inteligentes quando sequer eram capazes de administrar grandes cidades e viviam separados e com medo de terem suas terras tomadas.

Ele me disse muito mais, falou sobre as diferentes espécies e a situação política do mundo, mas para um primeiro momento as informações às quais dei enfase me pareceram suficientes, me foquei em não esquecê-las e se por acaso conseguisse me lembrar de algo mais seria lucro.

- Creio ter compreendido o essencial embora deva admitir que gostaria de saber o porquê de eu estar indo para esse mundo.

- Você fez a sua escolha, o que está por vir e como proceder cabe apenas a você descobrir, mas antes de ir você tem direito a um desejo, não posso garantir nada como poderes divinos ou coisa do tipo, mas posso oferecer algo como um talento nato para a magia ou quem sabe exímias habilidades de combate?

Eu comecei a sorrir diante de tal oportunidade, poderia pedir tantas coisas, talvez ter todas as minhas perguntas respondidas, quem sabe nascer em um berço de ouro ou até mesmo ser superdotado de inteligência, mas resolvi colher os frutos do meu trabalho.

- Baseado no que você falou não seria impossível me reencarnar como um personagem que eu criei em um jogo que costumava jogar muito.

- Isso de fato é um pedido interessante acho que nunca ninguém tentou fazer um pedido desses, muito bem se me permite irei vasculhar em suas memórias para saber se sou capaz de realizar tal pedido alguma objeção?

- Por mim não há problemas, mas se possível gostaria de manter a minha privacidade o máximo possível, afinal eu não quero me tornar um livro aberto.

Após ter dito isso acredito ter ouvido uma leve risada escapando no ar mas foi muito curta e rápida para se ter certeza, ele afirmou que era possível e me perguntou se tinha certeza sobre aquilo, afinal até mesmo a minha aparência seria substituída e com base no que eu havia ouvido de antemão eu poderia enfrentar alguns problemas do pior tipo o possível. Mesmo assim afirmei que não voltaria atrás na minha decisão, se havia algo do qual eu não gostaria de abrir mão com certeza esse seria o tempo o qual passei com cada um dos meus amigos escrevendo naquele universo a nossa própria história.

Depois de ter me dado uma última chance para repensar a minha decisão as últimas palavras que escutei foram um sincero desejo de boa sorte e no mesmo instante experienciei a sensação mais estranha de toda a minha vida, no momento em que pisquei os olhos meus pés tocaram o chão pela primeira vez desde o momento em que morri e meus pulmões respiravam um ar tão fresco e límpido como jamais houvera antes, foi uma experiência tão súbita que perdi meu ponto de apoio quase que instantaneamente e antes que percebesse meu corpo estava estirado no chão. Eu tinha tantas coisas para refletir a respeito, tantas informações para processar, mas naquele momento o cansaço falou mais alto e eu simplesmente apaguei.

Minha visão está turva parece que dormi por muito tempo, meu corpo está completamente descansado e lentamente meus sentidos vão ficando despertos eu pisco os olhos e quando os abro novamente a primeira coisa que vejo em minha frente são três lanças apontadas em direção ao meu pescoço, o desespero é o que primeiro me vem à mente, mas eu tento me acalmar e observar os meus arredores, devo dizer que o que mais me assusta é o quão calmamente consigo raciocinar mesmo encarando a morte pela segunda vez, a minha frente estão três garotas de cabelo branco que a primeiro momento me parecem irmãs, apesar da clara diferença de idade as semelhanças me fazem incapaz de não julgar um parentesco, claramente não são humanas, suas roupas são rústicas e possuem orelhas que lembram um pouco a de gatos, porém são mais “afiadas” se é que posso usar esse termo, as faces lembram muito a de garotas humanas mas próximo a região do nariz há quatro pelos de cada lado como se formasse uma espécie de “bigode” fora da região dos lábios, além disso elas possuíam caudas e uma grande quantidade de pelo branco nas regiões do antebraço e das pernas. Deixando de lado a aparência humanoide eu diria que se parecem com raposas e seus olhares de inquietude me fazem crer que não sabem se devem ou não me definir como ameaça.

Elas me encaram fixamente sem deixar com que as lanças oscilem, deixo escapar uma expressão de surpresa diante de tamanha maestria com as lâminas é como se manter suas posturas sólidas fosse tão fácil quanto respirar. Percebo um leve movimento nas orelhas vindo da raposa do centro e sem ao menos mexer a cabeça ela afirma com toda a certeza do mundo “a sacerdotisa o agracia com sua presença é bom demonstrar respeito”, no mesmo instante meus olhos se voltam para a porta de madeira da casa ao fundo a qual estava semi aberta, conforme ela vai se abrindo uma mulher alta usando roupas largas de tons claros se revela, sua postura emana um charme adulto e suas orelhas são visivelmente maiores do que a das outras, conforme ela vai se aproximando as três garotas se afastam de mim ainda receosas se deveriam ou não abaixar as suas lanças, mas a suposta sacerdotisa faz um sinal com as mãos e elas imediatamente abaixam as armas.

- O que eu vou fazer com você? Um humano demonizado é encontrado dormindo nas redondezas da minha aldeia e se nós matarmos você ou te largarmos por aí algum humano pode querer se voltar contra a nossa aldeia!

- Sinceramente eu agradeceria se me explicasse o que está acontecendo, afinal sou eu quem está à mercê da sua boa vontade.

O espanto estampado em suas caras além de o termo demonizado ter sido utilizado na mesma hora me fez entender em que situação eu me coloquei ao ter gasto o meu pedido para me transformar no meu próprio personagem, provavelmente havia naquele mundo algum tipo de magia ou maldição que possuía os humanos e talvez até outras espécies os transformando numa espécie de demônio tão inteligente quanto um zumbi, realmente eu não escolhi a melhor das aparências, por mais que o meu personagem seja humano devido a uma habilidade que adquiri meu corpo é coberto de listras pretas como se estivesse tatuado e em minha testa entre as regiões das sobrancelhas e do cabelo há um par de chifres, além disso parando pra pensar agora não estou com meu equipamento o que provavelmente significa que todos os itens que adquiri não estavam inclusos no pedido que fiz o que não é um grande problema a princípio devido a algumas das minhas habilidades como mago principalmente a responsável por mudar a minha aparência, fora que dado o fato de que ainda tenho as minhas memórias da outra vida provavelmente qualquer um que tenha vindo para este mundo da mesma forma que eu provavelmente também as tem.

- Eu nunca ouvi falar de um demonizado que não agisse por instinto.

Disse a mais nova das três garotas.

- Isso porque eu não sou um demonizado, embora provavelmente me encaixe na categoria humano.

Depois de pensar um pouco a sacerdotisa respondeu.

- Realmente a sua aura assim como o seu jeito de se portar não lembram em nada o de um demonizado, bem, nesse caso vou fazer algumas perguntas e espero respostas honestas.

- Se estiver dentro dos limites do meu conhecimento eu responderei.

- Nesse caso, quem é você e de onde vem?

- Meu nome é Aeborn pode-se dizer que eu sou um mago vindo de terras longínquas que por acaso desmaiou por excesso de cansaço.

Eu disse que seria honesto então fiz o meu máximo para ao mesmo tempo não revelar as minhas origens já que eu não sabia no que esse tipo de informação poderia resultar. Segundos após eu ter dado a minha resposta a sacerdotisa me fitou com olhos de intriga e me deu a resposta que eu não esperava ouvir.

- Vejo que você tem informações que não se sente seguro em revelar, mas ao mesmo tempo não gosta de faltar com sua palavra! Você não deixa transparecer, mas está espantado por dentro, presumo que não saiba que como sacerdotisa da tribo me é conferida a habilidade de ler os sentimentos daqueles a minha volta.

- Bem admito que por essa eu não esperava, se me permite é uma habilidade interessante, deixe me adivinhar na sua maioria quando as pessoas mentem elas transmitem uma certa mistura de medo, insegurança e incerteza.

- Bem agora sou eu quem está impressionada com sua capacidade de dedução garoto! Perdoe minha grosseria, mas farei outra pergunta pergunta, Tholirim chegue mais perto sim?

A mais nova das supostas irmãs deu alguns passos a frente ainda um pouco receosa sobre mim, seu nome foi o primeiro que ouvi fora o meu próprio desde que cheguei a esse mundo, embora esteja julgando apenas pela aparência diria que tem por volta da minha idade entre 16 e 18 anos e agora que não há mais uma expressão séria em seu rosto não consigo deixar de achar sua aparência no mínimo fofa, o problema é que a sacerdotisa logicamente percebeu e me direcionou um sorriso com segundas intenções.

- Bem Aeborn agora me responda com honestidade e claro, eu já sei a resposta!

- E eu já imagino qual vai ser a pergunta.

- Você acha essa garota bonita não acha?

Sou basicamente obrigado a responder um “sim” diante das outras garotas e de alguns aldeões que estavam por perto, de cabeça baixa tento disfarçar a vergonha desviando o olhar para o lado enquanto a sacerdotisa dava risadas dizendo que eu era interessante demais para ser humano. Olhando para a Tholirim, bem, estava estampado em seu rosto uma mistura de vergonha e raiva, parece que no fim eu não comecei exatamente da melhor maneira.

- Podem desamarrar não sinto maldade nos sentimentos desse homem e além disso dem para ele alguma muda de roupa, tenho certeza de que será melhor do que continuar com esses farrapos que ele está usando, alguma objeção garoto?

- Não.

- A e Tholirim aproveite e mostre o vilarejo para ele sim?

- Ok…

Foi a primeira vez que ouvi sua voz, fiquei impressionado com a suavidade já que seus rosnados era em um tom relativamente grave. Após terem me desamarrado ela me pediu para acompanhá-la em direção a entrada do local, não tinha exatamente a melhor fachada, mas..., logo após demos uma volta volta pelo perímetro, realmente não era muito extenso e as defesas, das mais simples imagináveis, apenas muros feitos de estacas de madeira e algumas vigias rondando a área. Realmente não há muito a ser mostrado, ela vira a cabeça em direção a um parque onde algumas crianças estão brincando com um olhar de preocupação, querendo entender mais sobre a situação de seu povo e sobre ela mesma decido começar fazendo o que me parece mais certo.

- Olha me desculpe por falar aquilo mais cedo sei que fui insensível e você tem todo o direito de estar brava.

- Não tem porque se desculpar afinal você foi obrigado a dizer é com a Héstia com quem eu estou brava não com você.

- Esse é o nome da sacerdotisa?

- Sim, embora pareça uma pessoa super despreocupada ela vive correndo atrás para garantir que todas as necessidades da cada um de nós sejam atendidas, Sarah a minha irmã mais velha me disse uma vez que ela teve de amadurecer muito rápido para arcar com as suas responsabilidades.

- Bem isso confirma meus pensamentos sobre vocês serem irmãs e que o título de sacerdote não é apenas um cargo que possa ser dado a qualquer um.

- Você realmente veio para essas terras sem saber de nada? Mesmo nos desprezando, a maioria dos humanos costuma saber mais do que você!

- Bem digamos apenas que eu não tive muita escolha eu sequer sei como se chamam grande parte das espécies que provavelmente verei por esses lados (embora um certo alguém tenha mencionado).

- Ahh… Nos chamam raposas da geada e a mutação mágica em nós foi extremamente forte, as fêmeas se tornaram mais fortes do que os machos e seu papel base se tornou a caça e proteção, por termos perdido muito pelo e essa região ser conhecida por ter um inverno extremamente rigoroso começamos a nos agrupar como os humanos fazem e a cada geração nasce entre nós uma raposa extremamente afetada pela magia tendo menos pelo e sendo mais fraca fisicamente, porém muito mais inteligente, a escolhida dessa vez foi a Héstia, ela é a primeira sacerdotisa das últimas dez gerações caso esteja se perguntando se apenas as fêmeas se tornam sacerdotes. E você? Vai me contar como é o lugar de onde veio?

Incerto sobre o que dizer fiz uma promessa, disse a ela que não poderia contar sobre o lugar e onde vim, porque ela provavelmente não acreditaria, mas que um dia eu lhe contaria sobre um lugar completamente diferente de onde ela vive um lugar muitas vezes interessante e outras bastante monótono. Ela me disse que era melhor eu estar falando sério e eu jurei que cumpriria a promessa. Logo em seguida, ela me levou para dentro da casa onde ela e suas irmãs viviam, era um cômodo bem simples,três camas e pouca iluminação, no centro do cômodo uma fogueira apagada onde provavelmente esquentam a comida, no canto três camas feitas de couro e palha de onde as outras duas irmãs me olham com curiosidade.

- A mais velha você já sabe que é a Sarah e essa daqui que eu acredito não ter apresentado é a Lira.

- Veja só parece que a Tholirim trouxe uma visita interessante para casa

Falou a do meio em tom provocativo, enquanto a mais velha me observava com atenção quase como se estivesse me julgando.

- Não começa Lira, já que eu já fiquei encarregada de mostrar as redondezas para ele achei válido hospedá-lo, afinal já está escurecendo.

- Eu não vejo problema, mas não temos um lugar para você dormir e não devemos sair para caçar a noite já que a temperatura cai ainda mais, no máximo eu posso ver se sobrou alguma palha na vila, não que seja muito confortável.

Disse Sarah.

- Não é necessário, não precisar dormir a céu aberto já é o bastante, desde já agradeço a hospitalidade.

Me sentei em um canto e o tempo foi passando, as três já haviam ido dormir e eu continuava desperto perdido em meus pensamentos com as sombras sendo minha única companhia, alguns pensamentos me vinham à mente e eu estava quase certo de que havia outros como eu e se eu fosse capaz de encontrá-los talvez eu pudesse trazer um pouco do meu mundo para a vida dessas pessoas, é em momentos como esse que nos lembramos de como as coisas simples são importantes e como fazem falta, as vezes somos menos do que acreditamos ser, é fácil se achar superior estando dentro de paredes de concreto enquanto outros têm de se contentar com paredes de madeira sem acabamentos e com o vento frio da noite passando entre as festas. Eu prometi que contaria sobre o lugar de onde eu vim, mas se possível eu gostaria de trazer um pouco daquele lugar para cá, para que essas garotas possam provar de pelo menos um pouco do conforto do qual um dia eu provei. Foi preso em meio a esses pensamentos que o cansaço lentamente foi tomando conta do meu corpo e antes que eu percebesse eu havia dormido.

Acordei na manhã seguinte da pior maneira que alguém quer acordar, ou seja em meio a um tumulto, descontente com a situação mas sem saber do que se tratava toda aquela gritaria, me levantei com o corpo ainda um pouco dormente tentando encontrar um local para lavar meu rosto com o intuito de ficar totalmente desperto, então, me dirigi para o lado de fora. Já do lado de fora, havia uma multidão fechando completamente a passagem do meu lado direito, alguns deles estavam com as faces viradas para o lado conversando entre si, de modo que fui capaz de perceber a expressão de medo em seus rostos, fiz o que achei que era certo tomei para mim a atenção de um pequeno grupo de três homens e resolvi perguntar o que se passava.

- Ah você é aquele garoto que parece um demonizado! Não me assuste desse jeito… Qual o seu nome mesmo?

- É Aeborn, peço perdão por te assustar mas eu preciso de duas informações, primeiro onde eu posso lavar o meu rosto e segundo o que está acontecendo aqui?

- Espere, apenas agora você acordou? Não ouviu o sino de alerta tocar?

- Eu dificilmente acordo enquanto estou dormindo, mas mais importante o que está acontecendo para vocês terem precisado soar um sino de alerta?

- Todas as nossas guerreiras, bem como todos com boas capacidades de luta estão ao lado da sacerdotisa prontos para defenderem nosso território caso as negociações com os humanos dem errado.

- Francamente, em qualquer época e em qualquer contexto aqueles que se dizem fortes sempre vão ir em busca do mesmo objetivo, a conquista. Nesse ponto eu não posso dizer que eu sou diferente.

- O que quer dizer com isso?

Eles pareciam um pouco confusos com minhas palavras e isso fez com que uma expressão de raiva ou talvez inquietude escapasse de seus rostos, pedi para que me pedissem explicação mais tarde e novamente pedi para que me informassem onde poderia lavar o meu rosto.

- Uma batalha pode começar a qualquer momento e você ainda quer lavar o rosto?

- É justamente porque vai começar uma batalha que eu quero lavar o rosto, eu não consigo lutar desse jeito.

- Vai nos ajudar? Ou talvez…...

- É o único meio pelo qual posso retribuir a hospitalidade! Fiquem tranquilos, se forem apenas humanos carregando espadas e escudos, então ninguém sairá ferido.

Um pouco descrentes ao mesmo tempo que curiosos em relação ao tom da minha alegação me informaram por fim que havia um poço no centro do vilarejo, eu fiz meu caminho naquela direção e no caminho vi o que parecia ser uma pequena enfermaria onde quatro mulheres e duas garotas estavam feridas, me aproximei e tive a certeza de que eram marcas de dardos disparados por uma besta, embora elas não parecem muito contentes com o meu aproximar. Visto que eu já havia me revelado um mago sem ter pensado muito a respeito, decidi que sabia o que havia de ser feito.

- Não chegue mais perto, mesmo que a sacerdotisa confie em você eu ainda não confio!

- Essa distância é o bastante, trindade do mago - pendante do curandeiro.

- O que pensa que está fazendo?

- Essas feridas iam apenas atrapalhar em seu dia a dia, agora se me dão licença eu vou lavar o meu rosto.

- Eu já vi magos ajudando a tratar feridas, mas isso, as feridas de todas desapareceram em um piscar de olhos e eu me sinto revitalizada.

Enquanto elas tentam entender o que se passou eu sigo em frente apenas querendo lavar o meu rosto preocupado com o fato de que só poderia usar aquela habilidade mais duas vezes no dia de hoje. Chegando enfim ao poço, ergo o balde e jogo água fresca em meu rosto, finalmente conseguindo abrir completamente meus olhos, faço alguns movimentos a fim de me certificar de que sou capaz de acompanhar com os olhos a velocidade de movimentação desse novo corpo, todo o meu arsenal de habilidades está fresco em minha mente e meus reflexos estão dentro do que eu esperava, mas ainda não me sinto conformado com as minhas vestimentas e o problema não é o fato de serem rústicas apenas não me conformo com o fato de não cobrir minhas pernas, mas por hora vai ter de servir. Olho atentamente para o horizonte enquanto flexiono minhas pernas é o momento perfeito para experimentar uma dose extra de velocidade, conjuro minha habilidade de passos rápidos e no mesmo instante me vejo diante de uma parede da qual estava a alguns metros de distância, meu corpo freia por instinto, mas eu não sou capaz de acompanhar, ou ao menos era no que eu acreditava, até que o momento que não havia sido capaz de visualizar me veio à mente como uma memória, no mesmo instante ao tentar outro passo rápido fui capaz de ver o caminho o qual estava percorrendo mesmo que por apenas um instante. De novo e de novo fui repetindo o mesmo movimento até que meus olhos estivessem em total harmonia com meu corpo, quando fiquei satisfeito com o resultado usei uma série de passos rápidos em direção ao tumulto, Héstia foi a primeira a notar minha presença, mas sua cara de espanto logo fez com que todos voltassem a atenção para minha direção, naquele momento minha mente ainda estava acelerada e eu fui capaz de reparar atentamente em nossos supostos inimigos eram seis homens, aparentemente três magos dois cavaleiros focados primariamente na defesa com grandes armaduras pesadas cobrindo completamente o corpo e um último que vestia uma armadura leve empunhando sua espada com apenas uma mão exibindo uma excelente postura de combate.

- Aeborn quando você…

- Isso não é importante no momento, primeiro devo lhe informar que as guerreiras que haviam sido feridas já foram curadas e devem estar de volta em breve.

- O que? Mas aqueles dardos estavam amaldiçoados mesmo que as tenha curado elas não devem ter mais energia para lutar.

- Veja por si mesma.

Ficou explícito em sua face que estava espantada, estavam todas ali como se nada tivesse acontecido prontas para a revanche, as três irmãs também esboçaram um tom de surpresa no olhar eu já estava me conformando com o fato de que eu teria de me explicar, quando o homem que usava armadura leve começou a gritar.

- Seres como vocês são mesmo desprezíveis, vocês são aberrações olhem só o que fizeram acharam um curandeiro qualquer vagando por perto o raptaram e o demonizam para que pudessem usufruir dele, vocês não prestam eu vou matar cada um de vocês e então vou tomar esse lugar como posto avançado!

- Vocês humanos e suas alegações infundadas! Nós não somos capazes de criar demonizados muito menos controlá-los, vocês usam essas “desculpas” para tirarem tudo de nós!

- É mesmo? então me explique o que é isso aí do seu lado!

Ver a Héstia gritar daquele jeito fez cair a fixa, a vida de todos dependia unicamente das suas decisões, esses era o mundo selvagem em que eles viviam o líder traça o destino da alcateia, nesse ponto eles são animais, mesmo assim aqui estou eu vendo o que eles ousam chamar de aberração prestes a perder a compostura e chorar cedendo ao desespero, como eu poderia olhar para alguém nessa situação e enxergar uma fera, tudo o que eu consigo ver é uma mulher gentil e forte, uma mulher mais humana do que várias pessoas que conheci pelo caminho, eles a chamam de sacerdotisa, mas eu facilmente a chamaria de imperatriz ela olha para o seu clã e vê neles uma família, do pouco que me contaram sobre ela e do pouco que eu a vi agir eu posso garantir com toda a minha convicção que ela é uma ótima líder, em contrapartida temos ali um falastrão apenas se aproveitando de um sistema que o beneficia, naquele momento eu tomei uma decisão da qual eu não poderia dar ao luxo de me arrepender e eu sabia disso, uma vez que eu o fizesse eu desencadearia um efeito dominó, que mais tarde poderia me levar a guerra e acredite eu nunca tive tanta certeza sobre algo na minha vida, cada uma das promessas que fiz desde que cheguei a esse mundo serão cumpridas é uma promessa!

Todos ali testemunharam o momento, foram apenas alguns segundos mas para mim pareceu uma eternidade, eu estava com raiva e não mais havia hesitação em meu coração eu dei um passo rápido para frente e esmurrei a cara daquele infeliz com toda a minha força, havia uma proteção mágica ao seu redor dele mas ela só foi suficiente para amenizar o dano e no mesmo instante ele estava estirado no chão tentando entender o que havia acontecido.

- Então quer dizer que só um soco do “curandeiro qualquer” é suficiente para te jogar no chão, sinta-se a vontade para pedir ajuda para os que estão atrás de você.

- O Que vocês estão olhando peguem esse desgraçado!

Recuei um pouco e provoquei.

- Tem algo que você consiga fazer além de gritar?

- Um mago de ataque capaz de neutralizar os efeitos de um projétil drenante, me precipitei em te chamar e curandeiro seu demonizado de merda, mas você é só isso um demonizado de merda que fala feito gente! è por isso que eu odeio essas bestas, criaram uma versão pior dessa maldita doença, não fiquem tão convencidas!

Ele avançou para cima de mim em um instante e desferiu um golpe, sua agilidade era de se admirar mas baseado nos homens responsáveis da sua retaguarda eu já imaginava que não seria apenas um soldado raso e não era só porque eu não estava com meu equipamento que eu iria me acovardar, mas também não queria mostrar todas as minhas habilidades ainda, seu rosto estava vermelho de raiva quando percebeu que eu havia parado sua lâmina com as mão nuas, por mais distintas que fossem as razões ambos estávamos irritados e qualquer um que olhasse seria capaz de perceber que palavras não seriam capazes de terminar aquela discussão, ele recuou e com um simples sinal de mão sua equipe mudou de posicionamento, eu era capaz de sentir a pressão no ar, quando ele deu sua investida eu ergui meu braço para aparar o golpe, mas minha mão deu de cara com um grande escudo e eu fui atingido no estômago um dos magos estava re posicionando-os enquanto o outro aumentava suas defesas, dobrei o joelho para ter apoio e lancei uma bola de fogo negro em meus oponentes para ganhar algum tempo, como esperado eles recuaram por um momento e eu novamente invoquei o meu pendante para conjurar sua outra habilidade essa mais fraca podendo apenas curar feridas, esse é o problema de ser um mago, sem um cajado minha lista de habilidades são escassas (na realidade, eu posso usar uma vasta gama das minhas habilidades, mesmo que não em sua força total, graças a minha aparência, mas ainda não queria revelar isso), até há um cajado que eu posso conjurar nesse momento, mas seu uso é limitado a suas próprias habilidades e francamente elas não vão me ajudar agora.

As raposas da geada as minhas costas se mostram hesitantes, não posso culpá-las eu acabei de as colocar em uma situação difícil, todos provavelmente preferem acreditar que isso poderia ter sido resolvido no diálogo, mas se o fizessem provavelmente sairiam perdendo e isso é o que me irrita, mas bem não posso implorar para que me ajudem, eu comecei isso e agora preciso continuar, ou tudo que eu disse até então terão sido apenas palavras sem sentido, assumo novamente minha postura de combate sabendo que o próximo ataque será imprevisível, mas no momento em que eu já estava aceitando que novamente seria apunhalado e não havia como escapar disso Tholirim deu um passo à frente e se juntou a mim.

- Porque?

- Porque eu sempre soube que isso não poderia ser resolvido pacificamente, se você não começasse eu mesma o teria feito, além disso ficar observando enquanto você arrisca sua vida deixaria um gosto amargo na minha boca.

- Vamos lutar como uma equipe então?

- Prefere que lutemos individualmente sem coordenação? Já consegui ter uma ideia do seu estilo de luta não se preocupe.

- Estava apenas querendo conferir, porque se esse é o caso então as chances estão a nosso favor!

- Tem alguma habilidade secreta?

- Algo desse tipo, trindade do mago - braçadeiras do defensor. Eu serei seu escudo e você a minha lança!

Ao se voluntariar para lutar ao meu lado Tholirim me permitiu revelar uma habilidade que até então não poderia ser ativada por um simples motivo, era necessário um aliado para se tornar o “protegido” para que então se tornasse possível ativar seus efeitos sobre mim e sobre o mesmo. Ativei a habilidade da braçadeira esquerda e nossos corpos foram recobertos por uma energia que emanava sensação de conforto e segurança, naquele instante me voltei para ela e afirmei para lutar sem se preocupar em deixar aberturas, ele avançou em nossa direção e em um rápido passo Tholirim contra atacou com a lança feita de pedra, embora adaptado para lidar com uma lança, eles repetiram a mesma investida, imagine só as expressões estampadas em seus rostos quando não só sua lança danificou um dos escudos, como o golpe desferido sobre ela foi capaz apenas de danificar um pouco sua armadura de pele, ela rapidamente coordenou seu peso para baixo e em um rasante desferiu um golpe em direção ao cavaleiro de armadura leve, mas graças aos magos não fora capaz de atingi-lo. Era perceptível que o grupo já atuava junto a algum tempo, seus movimentos eram bastante organizados, mas em momentos como esse os laços de confiança são postos a prova e infelizmente para eles ainda havia muita confiança a ser conquistada.

- O que vocês acham que estão fazendo, estão brincando comigo? O dever de vocês é nos dar suporte, será que nem isso vocês conseguem fazer direito?

- Se não fosse pelos nossos feitiços vocês já estariam mortos, tem sorte de terem magos na sua equipe ao invés de reclamar deviam se sentir honrados, façam logo o seu trabalho e lute com essas coisas que chamam de armas.

Pela conversa que tive antes de vir para este mundo eu já imaginava que esse tipo de situação pudesse ocorrer, guerreiros e magos tem uma richa provocada pelo status social que foi atribuído a cada um, apesar disso acredito que quem possui grandes méritos dos quais se gabar já deve ter acumulado experiências de sobra para se importar com esse tipo de rivalidade, o típico caso de “ações falam mais do que as palavras” e por isso mesmo por mais que sejam habilidosos a estes diante de mim provavelmente falta experiência, afirmo tudo isso com julgamentos rasos, mas já é algo para se preocupar, pois se vierem se vingar suas forças provavelmente estarão em outro patamar, bem tudo o que posso fazer é me aproveitar dessa vulnerabilidade situacional e deixar de lado por hora as preocupações a respeito dos dias que virão.

Dou um passo rápido encoberto pelo próprio tumulto sou percebido por um dos magos, mas já era tarde o efeito da braçadeira direita já havia sido ativado e o seu tempo de reação havia sido comprometido pelo fator surpresa, desferi um soco lateral que passou pelo escudo de um dos cavaleiros destruindo o completamente bem como a sua armadura e então arremessando o nos outros dois que foram levemente atordoados pelo impacto, no mesmo instante o mago já havia se recomposto e estava pronto para re posicioná-los, mas Tholirim já havia investido contra os dois ainda sobre atordoamento, então tudo o que tive de fazer foi realizar outro passo rápido dando uma rasteira simultânea nos dois magos que incapazes de organizar um contra-ataque de imediato caíram de costas no chão. Não havia mais o que ser feito, eles eram os únicos responsáveis pela sua própria derrota, removemos seus equipamentos e os amarramos uns aos outros, diferentemente do que acontecia em jogo habilidades não aparentavam tem nenhum tempo de recarga, logo as minhas devem ter se readaptado para os conformes desse mundo. Associado a essas informações estava o sistema por trás dos cajados, esses só poderiam suportar feitiços que estivessem no mesmo nível que os mesmos, peguei o cajado de um dos magos e ao fazê-lo fui capaz de perceber que apenas poucos feitiços da minha gama de habilidades poderiam ser usados, utilizei de um eles, um feitiço de teleporte que permitia ao alvo se teletransportar para a última cidade em que esteve, conjurei-o neles encerrando assim o meu primeiro confronto nesse mundo. Minha mente estava a milhão, sabia que o que viria a seguir seriam grandes problemas, mas a primeiro momento havia algo mais importante a ser feito, eu devia muitas explicações a um vilarejo inteiro.

- Héstia não diga nada, eu sei que querem explicações e eu pretendo responder todas as perguntas na medida do possível, mas antes vamos no assentar em volta da fogueira porque pode nevar a qualquer momento e eu fiquei sabendo que o clima aqui não é muito agradável.

Uma vez que os ânimos se acalmaram uma grande parte dos moradores assim como todas as guerreiras se reuniram junto a mim na casa de Héstia, a qual todos se referiram como o grande salão, assentados em volta de uma grande fogueira com o teto em cima de nós aberto a fim de não permitir que as chamas consumissem tudo. Eu decidi que deveria tomar a palavra, mas Héstia se antecipou.

- Primeiro deixe-me ter certeza, estava ciente do que iria desencadear ao iniciar aquele confronto?

- Acredito ter ao menos uma ideia, eles irão retalhar certo?

- E será em massa, está pronto para arcar com as consequências?

- Estava pronto no momento em que decidi desferir aquele golpe, lutarei sozinho se isso vocês desejarem, embora, mesmo que saiba que não tenha o direito de pedir, ajuda seria mais do que bem vinda.

- Mesmo tendo sido pega de surpresa, ainda assim eu pude ver as emoções impregnadas em você naquela hora, raiva e empatia, eu nunca pensei que um humano algum dia iria sentir empatia por um de nós, você realmente é interessante, mas ainda assim, a decisão da maioria deve prevalecer, não posso escolher por vocês dessa vez, devemos lutar ao lado deste homem ou expulsá-lo e deixar que lute sozinho?

O homem com quem havia conversado mais cedo tomou a palavra, fiquei sabendo que se chamava Fara, desde cedo escolhera ser um mercador e para isso lutou contra seu próprio destino, um esforço inútil na visão de muitos na época, mas depois que voltou para casa de sua décima quinta viagem, não restou quem fosse contra, as histórias que contava de terras longínquas sempre eram cativantes e estava mais do que claro que nascera para isso.

- Héstia, antes que eu de a minha resposta, poderia ter a palavra?

- Porque não?

- Aeborn, eu não guardo o nome de qualquer um, já conheci a minha cota de seres de todo quanto é tipo de espécie, mas você fez valer meu interesse duas vezes em um único dia, Primeiro você me diz uma frase interessante, do tipo que prova que não és um ignorante, depois entra em uma briga que não é sua evitando um derramamento de sangue desnecessário e não pede nada em troca, já viajei por muitos lugares, mas encontrei poucos como você. Você tem toda a minha atenção, mais cedo você disse “em qualquer época e em qualquer contexto aqueles que se dizem fortes sempre vão ir em busca do mesmo objetivo, a conquista” e complementou dizendo que você não seria diferente nesse aspecto, agora eu quero ouvir de você o que te leva a dizer isso.

- Estaria mentindo se dissesse que já vi muitas guerras, porque não vi nenhuma, mas se tem uma coisa que a experiência me mostra é que as pessoas sempre terminam buscando a mesma coisa, aquilo que nos referimos como “poder” e não estou falando de mana ou força, estou falando de conhecimento, equipamento, territórios, aprovação, seguidores, títulos, status, conquistas no geral e até mais, as pessoas vivem por essas coisas, se agarrar a elas é estar vivo e ter valor, mesmo que seja para apenas uma pessoa, Quando digo que não sou diferente é porque também tenho meus objetivos, embora deva admitir que no momento eles são incertos.

- Você sempre usa o termo pessoas, está supondo que nós não somos assim?

- Creio que esta seja uma falha de comunicação minha, para mim “pessoas” e “humanos” não são sinônimos, eu vejo como pessoas qualquer um capaz de mais do que viver apenas por instinto, se nós estamos aqui, agora, tentando resolver isso sem usar da violência de modo que o julgamento do mais forte se tornaria a lei, então somos todos pessoas.

- Héstia quando você disse mais de uma vez que ele era um cara interessante, confesso que tinha minhas dúvidas, mas da mesma forma que no passado aqueles que não confiaram em mim um dia resolveram me apoiar, eu acho que está na hora de apoiá-lo, e vocês o que me dizem, vamos acolhê-lo como nosso irmão?

- Se Héstia e Fara confiam nele nós não temos motivos para discordar!

Alguém em meio a multidão se pronunciou e logo após vários outros se pronunciaram, embora alguns tenham permanecidos calados, talvez até mesmo sendo contrários a esta decisão, vence a maioria e dali em diante estava para começar um novo capítulo da minha jornada ao lado dos meus mais novos companheiros, ou melhor dizendo, ao lado dos meus irmãos.

29 de Maio de 2020 às 17:48 0 Denunciar Insira Seguir história
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Leia o próximo capítulo Capítulo 1: Uma nova jornada! As areias de Punk Sands

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