cabritasenpai vaneza

Eu sou Kim Junmyeon e eu vou contar a história de como três garrafas de soju, um restaurante chinês, uma pelúcia gigante de Stitch e um caranguejo fizeram um encontro que tinha tudo para dar errado ser completamente perfeito. Nota mental: Confie na sua capacidade de fazer merda.


Fanfiction Bandas/Cantores Todo o público.

#kpop #exo #junmyeon #suho #baekhyun #baekho
Conto
0
635 VISUALIZAÇÕES
Completa
tempo de leitura
AA Compartilhar

Nota mental: Baekhyun é doido

Se eu pudesse voltar no tempo e dizer para o eu de algumas semanas atrás que eu estaria aqui nessa praia com Byun Baekhyun, num encontro, cheios de areia e rindo como se não houvesse amanhã, eu definitivamente não acreditaria. Na verdade, eu mal me lembro de como viemos parar aqui. Tsc, eu sou um péssimo mentiroso, é claro que eu me lembro, como não lembrar…


Por onde eu começo? No momento em que Baekhyun apareceu na porta do meu apartamento todo arrumadinho e eu surtei? Não seria totalmente explicativo. Do dia em que eu fiquei bêbado? Ainda assim não é o ideal. Quer saber? Vou fazer um apanhando da minha vida antes de Byun Baekhyun entrar nela.


Tá, prazer, sou Kim Junmyeon, o mais velho de dois filhos. Meu irmão, Kim Jongdae, é um ano mais novo do que eu e, apesar dos apesares, nós somos bem unidos. Ele me tira do sério um pouco, mas fazer o que, é a função dos irmãos mais novos.


Nós somos de Seul e nos mudamos para Incheon tem um ano e pouquinho. Você pode, ou não, estar se perguntando porquê um garoto da capital como eu, gostaria de sair da maravilhosa Seul. Bem, eu nunca gostei muito do movimento da cidade grande e a capital é uma selva de concreto, apesar dos rios que a cortam. Incheon não é tão diferente de Seul em relação a correria da rotina, mas ela tem praias e só com isso ganha mil pontos comigo. Além de que nossa mãe sempre nos contava histórias de sua infância na cidade litorânea, então é bem nostálgico lembrar das histórias quando se reconhece a paisagem.


Enfim, como meu irmão é um ano mais novo e minha mãe não queria me deixar vir morar sozinho, ela inventou de colocar o Jongdae onde ele não foi chamado. Me fez esperar ele terminar o último ano do ensino médio para poder vir, enquanto isso, ela me mandou para China em um intercâmbio para aprender mandarim. Ela acha importante saber as línguas dos lugares próximos. Foi um ano bem desafiador, voltei com o coração quebrado por um menino chinês muito lindo, mas sobrevivi para contar a história.


Nas férias nós olhamos apartamentos e esperamos as notas do vestibular saírem. Assim que saíram, nós arrumamos as malas e fomos para Incheon, baby

Nota mental: nunca falar baby em voz alta, é bizarro.


Agora vem a parte que todo mundo quer saber. O ano letivo começou e o jeito em que eu conheci Baekhyun foi digno de qualquer filme clichê escolar, apesar de estarmos na faculdade. Era primeiro dia de aula e alguns ainda estavam um pouco confusos quanto a localidade das salas e etc. Como sou prevenido, já tinha ido ao campus antes das aulas começarem, para não ficar perdido no primeiro dia. Então, eu o vi. Jesus Cristo, foi como ver um anjo enviado por Deus.


Baekhyun estava com uma carinha de perdido muito fofa e estava com a mão na alça de sua bolsa tiracolo. Ele olhava para os lados bem confuso, provavelmente procurando a sua sala. Eu fiquei hipnotizado, o cabelo dele estava loiro e partido ao meio. Foi aí que me destraí, depois disso as coisas pareceram acontecer em câmera lenta, muitos momentos parecem ocorrer desse jeito para mim. Eu tropecei no meu próprio pé, sim, eu sou suficientemente azarado para que coisas desse tipo aconteçam bastante comigo. Caí no chão junto ao meu caderno e meu celular, Baekhyun, que estava vindo na minha direção antes, se abaixou para me ajudar.


— Você tá legal? — O loiro me perguntou me entregando meus pertences.


— Sim, valeu… — Eu, morto de vergonha, nem consegui olhar pra casa dele direito. Peguei minhas coisas e ele, já em pé, me estendeu a mão para me ajudar a levantar.


Eu peguei a mão dele e me levantei. As mãos dele sempre foram tão macias?


Nota mental: Perguntar a Baekhyun se ele usa algum creme para mãos.


Minha cara estava bem de frente para a dele, poderia morrer naquele momento. Não sei se eu encarei ele por muito tempo, nesses momentos você perde a noção. Dei um passo para trás desconcertado.


— Você conhece o campus? Eu to meio perdido e não quero chegar atrasado pra aula — Ele perguntou depois de um mini silêncio constrangedor.


— Conheço, sim — Sorri um pouco, finalmente minha prevenção estava servindo para algo. — Qual é o seu curso?


— Odontologia


Nota mental: Importunar Baekhyun com o fato de que ele já foi uma loira odonto. Infelizmente, o meme não existia na época para eu poder zoar ele.


— Ah, que coincidência, então vamos para o mesmo lado. Eu faço enfermagem. — Eu disse. — O prédio de saúde é pra lá — Apontei para o lado que eu estava indo.


— Mano, eu vim daquele lado como eu não vi? — Ele pareceu bastante indignado.


— Relaxe, o nome está um pouco apagado… — Disse tentando tranquilizá-lo.


— Ou eu sou muito distraído — Riu fraco. Jesus, eu poderia colocar a risada dele como meu despertador, assim eu acordaria todos os dias feliz. — Então vamos?


— Vamos — Eu disse e nós seguimos para o prédio.


Eu o deixei na sala dele e fui para a minha. Depois daquilo pensei que não veria mais ele, mas o destino foi legal comigo. Na hora do intervalo, nos encontramos e ele me chamou para ir comer. Logo após o intervalo voltamos para as nossas salas e no meio da aula, eu percebi que ainda não sabia o nome dele. “Droga, e eu pensei que estava com sorte.”, foi o que eu pensei na época, mas os astros costumam ser legais comigo quando se trata de Baekhyun.


Ao final das aulas, saí do prédio e ele estava lá na frente, parecia procurar alguém, provavelmente um amigo. Dei de ombros e segui meu caminho, eu era, e ainda sou, tão burro que se não fosse por ele, eu com certeza teria perdido uma grande amizade.


— Ei, ei! — Ouvi alguém atrás de mim.


Não me virei a princípio. Vai que não era comigo, eu tenho muito medo de me virar quando alguém chama assim porque na maioria das vezes não é comigo e eu passo vergonha. Mas aí eu senti uma mão no meu ombro e me virei. Era ele com uma carinha de que tinha se esforçado muito pra chegar até ali.


— Eu não sei o seu nome — Ele disse, colocando as mãos nos dois joelhos e depois ajeitando a postura. — Cara, como você anda rápido… — Ele riu. Quase derreti ali.


— Ah, desculpa. — Ri de nervoso. — Junmyeon, Kim Junmyeon. E o seu?


— Byun Baekhyun


E assim foram inúmeros intervalos, conversas depois da aula e saídas que eu nem posso contar. Nos tornamos grandes amigos, porém eu ainda tinha uma quedinha — lê-se abismo — por ele. Aulas vem e aulas vão estávamos na reta final do terceiro trimestre e eu percebi que estava completamente apaixonado por ele. Hm, nunca pensei que admitiria isso em voz alta. Neste momento as coisas começaram a ir de mal a pior.


Depois de fazer a última prova do semestre, eu só queria me enfiar em um buraco e chorar, tinha certeza que havia ido mal. Entretanto, estava um pouco feliz, pois as férias de verão haviam chegado e eu, simplesmente, amo o verão. Pensando por esse lado, eu fiquei animado e no caminho de casa passei por uma loja de conveniência. Comprei umas garrafas de soju para comemorar com Jongdae o fim do semestre e o início das férias. Mas não foi bem assim que aconteceu.


Quer dizer, começamos bem e tudo mais, porém depois da terceira garrafa de soju comecei a ir ladeira abaixo. A única coisa que me lembro foi que eu comecei a falar do Baekhyun e me lamentar. A partir desse ponto as fontes dos acontecimentos não são muito confiáveis, pois foram narradas pelo meu irmão.


— Eu não aguento mais sofrer em silêncio! — Jongdae disse que eu gritei. — Eu só queria ser correspondido…


— E quem disse que não é? — Jongdae disse que ele disse.


— Você acha? — Segundo ele, nessa hora meus olhos brilharam.


— Você nunca vai saber se não perguntar — Ele falou que falou. — Porque não chama ele pra um encontro? — Ele disse que falou brincando, mas não se deve confiar no senso de uma pessoa bêbada.


— Você tem razão! — Acho que nem bêbado eu diria isso, mas enfim. — Vou fazer isso!


Bom, temo que tenho que agradecer ao Junmyeon bêbado, ele teve mais coragem em alguns minutos do que eu tive em um ano.


Nota mental: Ficar bêbado quando precisar de coragem. Talvez essa nota não seja tão adequada.


Como Jongdae me contou, eu troquei mensagens com ele. E essa parte eu posso comprovar como sendo verdadeira já que essas mensagens estavam realmente no meu celular.


Conversa com byunzinho

Você: byun [22:45]

Você: baekhyun [22:45]

Você: baek [22:45]

Você: hyun [22:45]

Você: baekkie [22:46]

Você: hyunnie [22:46]

Você: byunzinho [22:46]

byunzinho: oi jun [22:47]

byunzinho: oq foi? [22:47]

Você: quer sair? [22:47]

byunzinho: agora??? [22:47]

byunzinho: ce ta doidao???? [22:47]

Você: calma meu filho [22:48]

Você: relaxe amigo [22:48]

Você: daqui a dois dias pode ser? [22:48]

byunzinho: ta bom beleza [22:49]

Você: mas cê tá ligado que eu to te chamando pra sair né?? [22:49]

byunzinho: sim ue [22:49]

Você: não baekhyun [22:49]

Você: to te chamando pra sair [22:50]

Você: tipo [22:50]

Você: um encontro [22:50]

byunzinho: a [22:50]

Você: vou considerar como um sim [22:51]

Você: daqui a dois dias [22:51]

Você: 19h [22:51]


Basicamente, foi isso que aconteceu. Para o meu azar, que mais tarde descobri que foi para a minha sorte, não nos falamos no passar desses dois dias. Se tivéssemos nos falado, com certeza eu teria desmarcado e nada disso, que eu ainda vou narrar, teria acontecido. Não consegui descrever o tamanho da minha confusão quando Baekhyun apareceu na porta do meu apartamento. Ele vestia uma blusa social branca e uma calça jeans, seu cabelo, agora preto, estava partido de lado e cuidadosamente bagunçado. Perdi o ar por alguns segundos.


Primeiramente, eu não estava entendendo nada. O que ele estava fazendo ali? E segundo, eu fiquei com um pouco de vergonha, ele estava todo arrumadinho e tão lindo. Acho que encarei ele por tempo demais porque ele ficou um pouco vermelho.


— O que foi? Tá me olhando assim porque? Foi você que disse que era um encontro! — Meu Deus do céu, ele falou de uma forma tão fofa que eu teria me derretido se não estivesse pirando.


Como assim eu disse que era um encontro? Até aquele momento eu não tinha consciência dos eventos de dois dias atrás, então eu meio que me desesperei.


— Baekkie, você pode esperar aqui só um pouquinho? — Eu quase supliquei. Ele assentiu e eu fechei a porta.


Eu saí gritando o Jongdae pelo apartamento, xingando também, e fui até o quarto dele. Ele estava com o seu fone de ouvido jogando Overwatch.


— Kim Jongdae, o que você fez? — Fiquei na porta dele com os braços cruzados. — Baekhyun está aqui na porta dizendo que eu marquei um encontro com ele.


— E você marcou, ué. Só que você estava bêbado demais para lembrar… — Ele disse não tirando os olhos do jogo. — É, ele ficou bêbado e marcou um encontro com o amigo dele que ele tá a fim há muito tempo só que nunca teve coragem de falar… — Ele comentou mais baixo.


— Você tá falando com quem?


— Tô na call com o Min e o Chan — Num movimento rápido ele tirou o cabo do fone do computador.


— Mano, como é que você marca um encontro bêbado? — A voz de Chanyeol saiu do computador.


— Jun, eu estou abismado com essa proeza — Foi a vez de Minseok falar.


— Gente, eu tava bêbado, não tinha controle sobre meus atos. — Falei balançando as mãos como se eles pudessem me ver. — E o Jongdae pode muito bem estar mentindo e ter enviado essas mensagens pra ele enquanto eu não estava vendo


— Primeiro, eu não perderia meu tempo fazendo isso. Segundo, eu nem sei a senha do seu celular. — Ele contou como tudo aconteceu, assim como já narrei, com umas risadas e comentários desnecessários de Chanyeol e Minseok a mais. — A culpa não é minha se você é muito influenciável — Ele deu de ombros.


Caralho, Jongdae, eu vou te matar!


— Me matar? Você vive se lamentando porque não era correspondido e agora tá reclamando que vai ter um encontro com o cara? Faça-me o favor, Junmyeon — Depois disso ele, junto com os meninos do outro lado da ligação, gritou pra comemorar a vitória na partida. — Você deveria me agradecer — Olhou pra mim e deu uma piscadela.


— Ele não tá te esperando não? — Foi a voz de Minseok.


— Aposto que você deixou o garoto na porta — Jongdae disse se espreguiçando na cadeira, enquanto Chanyeol ria histericamente com o comentário. — Vai se arrumar logo, antes que ele vá embora — Disse colocando o cabo do fone novamente no computador.


Nota mental: Não beber muito quando estiver perto de Jongdae, ele pode me convencer a pular de um penhasco.


Quase entrei em pânico com o fato de que eu realmente tinha deixado Baekhyun plantado do lado de fora do apartamento. Saí em fúria e desesperado em direção ao meu quarto, quase caindo algumas vezes. Sorte minha que eu havia tomado banho pouco tempo antes de Byun aparecer. Não pensei muito ao chegar no guarda roupa, peguei o traje que mais me agradou. Uma blusa de botões de manga curta, uma calça jeans e um tênis qualquer. Coloquei um perfume e passei a mão no cabelo, uma olhada de cinco segundos no espelho e estava pronto.


Voei até a porta, rezando para que Baekhyun ainda estivesse lá. Peguei minha carteira e as chaves de casa na sala e, felizmente, quando abri a porta, o coitado ainda estava lá em pé. Graças a Deus.


— Desculpa, desculpa, desculpa… — Eu continuaria pedindo se ele não tivesse me interrompido.


— Tudo bem, Jun. Contanto que você nunca mais me dê um chá de cadeira desses, eu te perdoo — Ele disse brincando. Ou será que não? — Então, vamos? — Ele se prolongou no então e olhou para mim.


— Vamos, vamos — Eu disse quase me atropelando nas palavras enquanto fechava a porta do apartamento. Eu estava muito tenso.


Saímos do prédio e começamos a andar sem rumo pela rua. Eu estava me xingando mentalmente e me amaldiçoando, mas também estava feliz, afinal eu estava em um encontro com Baekhyun. Contudo, ainda tinha um problema…


— Vamos pra onde? — Baekhyun perguntou e minha mente deu pau.


Minha cabeça ainda não tinha processado que a ideia do encontro foi minha, mesmo bêbado, e que eu tinha que ter algo em mente. Eu pensei tanto que tenho certeza que Byun viu fumaça saindo da minha cachola.


— Você não pensou em nada né? — Ele riu fraco, descontraído e eu ri de desespero.


— Claro que eu pensei… — Como eu disse antes, sou um péssimo mentiroso. Baekhyun riu. — Chinatown! Podemos ir pra Chinatown — Disse o primeiro lugar que me veio na cabeça. Vou sempre lá com o Jongdae quando a gente tá a fim de sair.


Hm, pode ser, nunca fui lá — Byun pareceu interessado. Aleluia, irmãos!


Nota mental: Sair mais. Chinatown é quase minha segunda casa.


— Que bom, então, porque eu acho que você vai amar — Eu sorri pra ele.

Ele também sorriu, mas logo seu sorriso foi substituído por uma cara de desespero.


— Junmyeon, o poste! — Ele me puxou pelo braço. Eu quis me enfiar num buraco naquela hora.


— Obrigado… — Respirei fundo três vezes por causa do susto. Depois veio um silêncio e Baekhyun começou a rir. Eu o acompanhei.


Depois disso tudo ficou mais leve e eu não estava mais tenso. Nós andamos até Chinatown e chegando lá Byun olhava atentamente para tudo lá. Ele é tão adorável.


Bom, eu venho muito aqui com Jongdae, então sei uns restaurantes legais se você quiser jantar… — Eu disse tentando voltar a atenção dele para mim.


Hm, que tal nós não utilizarmos as habilidades do especialista em Chinatown — Ele me olhou com sua expressão brincalhona. — E ter uma experiência nova? Vamos a um restaurante que você nunca foi, a gente vai ter uma experiência única… Juntos


— Gostei dessa ideia — Eu corei levemente, acho que ele percebeu, consegui ficar com mais vergonha ainda. — Então vamos andar um pouco, você pode escolher um lugar que te agrada, daí eu digo se eu já fui ou não


— Feito! — Ele sorriu. — A aventura nos chama! — Ele fez uma pose engraçada apontando para o alto e quase gritando.


Baek começou a apontar os restaurantes com a fachada a qual gostava e eu dizia que já havia comido, fazendo pequenos comentários sobre a comida. Ele estava quase frustrado e ficava dizendo para eu parar de ir para Chinatown, nós rimos muito nessa procura. Até que achamos o restaurante que procurávamos. Ele tinha uma arquitetura bem tradicional e eu nunca tinha visto. Assim que eu confirmei para Baekhyun que eu nunca havia comido ali, nós entramos.


Tinham poucas pessoas no restaurante e o lugar era muito aconchegante. Um moço falando chinês veio nos recepcionar, o que eu achei estranho porque todos os restaurantes a que fui, no máximo eles diziam nihao, mas resolvi ignorar, aqui é Chinatown, as pessoas deveriam falar mais mandarim. E foi ali que meu intercâmbio se fez muito útil na minha vida, apesar de eu estar um pouco enferrujado, admito que não pratico muito. Baekhyun pareceu desesperado por alguns segundos e me encarou, eu demorei um pouco para falar já que estava tentando me lembrar das palavras certas. Mas o alívio dele foi perceptível quando eu comecei a conversar com o cara em mandarim.


O homem nos levou até a mesa e nos deu dois cardápios, agradeci e ele disse que quando decidirmos o que iríamos pedir era para chamá-lo. Folheei o cardápio e ele estava totalmente em mandarim, nenhuma traduçãozinha, o que era estranho porque a maioria dos restaurantes possui uma tradução em seus cardápios. Porém, não tinha problema, dei graças aos céus pela minha mãe ter me mandado naquele curso.


Nota mental: Agradecer a minha mãe por ter me mandado naquele intercâmbio na próxima vez que a ver.


Ajudei Baekhyun a ler o que estava escrito, às vezes não conseguia ler alguma palavra ou não reconhecia, então só pulávamos. Depois de ler tudo o que eu consegui, chegamos a um acordo e fizemos o pedido.


— Você vivia dizendo que seu intercâmbio pra China tinha sido inútil, agora você finalmente teve a oportunidade de botá-lo em prática né? — Byun falou brincalhão, eu ri.


— Verdade, mas tô meio enferrujado, não treino tanto — Disse fazendo um bico.


— Bom, você tá bem melhor que eu, que não sei nada — Ele riu e eu o acompanhei.


Seguimos uma conversa muito divertida e agradável, contei um pouco das minhas “aventuras” pela China. Infelizmente, foi inevitável contar sobre o garoto chinês que quebrou meu coração.


— Ele ajudava no programa de intercambistas e ele era um doce. — Apoiei meu queixo na minha mão. — Passamos dias incríveis juntos, mas poucas semanas antes do programa acabar ele sumiu e nunca mais o vi — Eu bufei e coloquei minhas mãos em cima da mesa. — Nem falou nada comigo, sabe, eu pensei que, sei lá, a gente tinha alguma coisa… — Olhei pra Baekhyun e me senti envergonhado. — Ai, desculpa estar falando disso, pisei na bola…— Não é possível que depois de tantos filmes, eu não tenha aprendido que é furada falar do ex no primeiro encontro.


— Tá tudo bem, Jun — Ele sorriu fraco, pegou uma de minhas mãos em cima da mesa e entrelaçou.


Ele me olhou com tanta ternura. Será que eu era correspondido? Não tive muito tempo para pensar nisso, já que a comida havia chegado. O garçom começou a colocar os pratos na mesa e nos soltamos. Cara, a comida tava tão boa e a conversa que seguiu também. Definitivamente foi um dos melhores momentos que passei com Baekhyun. Quando acabamos, uma senhorinha veio até nós, perguntou se a comida estava boa, em mandarim, e eu falei que estava sim, ou acho que falei. Até agora eu não entendo o que aconteceu, eu errei uma coisa tão básica assim?


Após isso os eventos que se seguiram foram um tanto inacreditáveis. A feição da senhorinha mudou completamente e agora ela não parecia tanto uma moça simpática. Ela começou a nos xingar, e eu não conhecia a maioria daqueles xingamentos. Ela nos expulsou do estabelecimento a porradas e disse que não iria aceitar dinheiro de gente como eu, além de dizer para eu nunca mais pôr meus pés ali.


— Junmyeon, o que você disse para aquela velhinha? — Baekhyun estava perplexo.


— Ela perguntou se a comida estava boa e, acredito eu, disse que estava… — Falei indignado.


— Não me pareceu nem um pouco isso — Byun comentou olhando para trás. — Me diga onde você aprendeu o idioma, para eu não ir pra lá… — Ele riu olhando para mim.


— Bom, ela disse que nunca mais podemos pisar ali, fico feliz de ter comido antes de ser expulso — Eu ri e ele me acompanhou.


— Que tal agora nós irmos para um lugar em que só vamos ofender alguém se a gente quiser? — Ele perguntou.


— Por favor, porque eu não estou a fim de passar por isso de novo


Nota mental: Estudar mandarim mais frequentemente e, quando tiver a oportunidade, ir até aquele restaurante e pedir desculpas.


— Tá, agora eu escolho o lugar — Byun disse rindo um pouco. Ficou pensativo por alguns segundos, até seu rosto se iluminar, quase pude ver uma lâmpada se acendendo em cima de sua cabeça. — Vamos para Wolmido! Lá tem um parque de diversões — Ele falou bem animado.


— E podemos caminhar na praia depois! — Completei me contagiando pela sua animação.


— Então vamos! — Ele disse se aproximando.


Pegamos um trem para Wolmido e eu estava muito ansioso, aquele seria o desfecho perfeito para nosso encontro. E eu não poderia estar mais certo. Chegando lá nós pagamos nossas entradas e, assim que entramos, Baekhyun viu um carrinho de algodão doce e foi correndo para ele. Ele é um poço de fofura. Fomos andando pelo parque enquanto Byun comia seu algodão doce, eu cheguei perto dele e ele me ofereceu um pouco. Eu aceitei, porque não? Só não esperava que ele fosse pegar um pedaço e colocar na minha boca, ele não costuma fazer isso quando estamos sozinhos. Eu corei na hora, porra, eu só sei fazer isso? Depois disso, ele me puxou para irmos até o carrossel. Sentamos em cavalos diferentes, mas um do lado do outro, ele estava muito animado, parecia uma criancinha que ia a primeira vez num carrossel. Reparei ele olhando pra mim de relance as vezes e quando nossos olhares se encontraram, ficamos alguns segundos nos encarando até cairmos na gargalhada.


Saindo de lá, foi a minha vez de escolher. Puxei Baekhyun para irmos para o carrinho bate-bate, eu entrei em um verde metalizado e ele num rosa comum. Nós éramos um dos poucos jovens ali, a maioria eram crianças, algumas delas acompanhadas por seus pais. Byun e eu ficamos nos perseguindo, e obviamente, acabavamos por bater nos carros das outras crianças. Foi muito divertido, eu quase não conseguia respirar de tanto que eu ri. Após isso, Baek propôs irmos a montanha russa, eu não sou muito fã delas, mas ele pediu com jeitinho e eu fui convencido. Entramos e ela começou a subir bem devagar, acho que é a parte que eu mais odeio nelas, ele percebeu que eu estava nervoso e segurou a minha mão. Olhei pra ele, que sorriu, eu até teria retribuído o gesto se o carrinho não tivesse decido com tudo e eu não estivesse preocupado em gritar. Saí de pernas bambas e Byun me ajudou a andar até um banquinho ali perto.


Sabe, eu até gostei — Eu disse me sentando no banco e em seguida olhando para ele, que agora sorria de forma maníaca. — Não, isso não quer dizer que eu iria de novo, Baek… — Ele fez uma carinha emburrada enquanto se sentava ao meu lado e se espreguiçava.


Nota mental: Tentar resistir mais ao charme de Baekhyun, eu não gostaria de ir a uma montanha russa novamente tão cedo.


— Você não consegue apreciar a arte de andar de montanha russa — Ele fechou a mão como se fosse uma coxinha e balançou para frente e para trás.

Nós dois caímos na gargalhada. Eu relaxei, me recostei e escorreguei um pouco no banco. Aí eu reparei que logo na frente de onde nós estávamos havia uma daquelas barracas em que você tem que ganhar o jogo para escolher um prêmio. Me levantei e Baekhyun veio junto, me aproximando pude ver melhor do que o jogo se tratava.Tinha uma imagem de palhaço gigante e no lugar da boca tinha um buraco, era perturbador.


— O que eu tenho que fazer pra ganhar o melhor prêmio? — Eu perguntei ao atendente da barraquinha.


— Você só tem que acertar todas as 6 bolas dentro da boca do palhaço, aí você pode levar qualquer prêmio — O cara disse enquanto pegava as bolas.


— Então vou querer uma rodada, por favor — Eu coloquei o dinheiro no balcão e depois ele me deu as bolas.


Admito que eu só estava tentando ser romântico, queria ganhar um prêmio para o Baekhyun, porque minha pontaria deixa a desejar. Eu me concentrei e fui jogando as bolas, errei a primeira, a segunda também e a terceira, para minha felicidade e dignidade, acertei a quarta, mas errei as duas últimas. Me senti um fracassado, mas aí eu olhei para Baekhyun e pensei na noite incrível que estávamos tendo, queria muito dar esse presente para ele, além de que eu tinha visto o brilho nos olhos dele quando ele viu o Stitch gigante preso lá. E ali eu decidi que nem que eu tivesse que gastar meu dinheiro todo e ir andando para casa, que eu iria ganhar aquele Stitch gigante para o Baekhyun.


— Pra ganhar aquele Stitch gigante eu tenho que acertar todas as seis, né? — O atendente assentiu e eu olhei para Baekhyun que agora estampava um sorriso enorme no rosto. — Então eu vou querer mais uma rodada


Arregacei as minhas mangas, que na verdade eu não tinha porque a camisa que eu estava usando tinha mangas curtas, e botei mais dinheiro no balcão. Eu peguei as seis bolas novamente, respirei fundo e joguei a primeira bola. Felizmente acertei e a segunda também, mas a terceira não, nem continuei jogando, não ia adiantar nada mesmo, tinha que acertar todas. Peguei mais dinheiro e pedi mais uma rodada. Novamente, mais seis bolas. Errei a segunda bola. Botei mais dinheiro no balcão e já estava contrariado quando peguei as seis bolas novamente. Acertei a primeira, a segunda também e a terceira, e a quarta, na hora eu estava ficando mais confiante achando que eu iria ganhar, acertei a quinta, olhei para Byun de relance e ele estava com as mão levantadas, segurei a sexta com força e joguei.


Não acertei. Baekhyun pausou por um segundo e abaixou os braços devagar. Caralho, eu queria muito ganhar aquele Stitch para ele, mas, apesar do que eu disse antes, eu não tava a fim de voltar para casa andando. Então resolvi jogar mais uma vez, coloquei no balcão os últimos wons que eu gastaria no jogo naquela noite. Eu e as seis bolas nos encontramos novamente, as peguei e olhei para o palhaço, e ele olhou para mim, como nos filmes de velho oeste, conseguia até ouvir a música na minha mente, eu não deixaria ele me vencer. Joguei a primeira, caiu em cheio, a segunda foi certeira, a terceira foi por pouco, a quarta entrou bem no meio da boca dele e a quinta parecia estar destinada a ser acertada.


Eu estava apenas com uma bola na mão, a bola da decisão, a sexta bola. Beijei ela, e limpei a minha boca na mesma hora com o meu pulso até porque eu não sabia por onde as mãos que tocaram nela antes de mim passaram, e joguei. Tudo pareceu ocorrer em câmera lenta, a bola indo em direção a boca do palhaço, Baekhyun com as duas mãos na cabeça, o atendente da barraca com os olhos arregalados acompanhando a bola e eu pedindo mentalmente para que a bola entrasse na boca daquele maldito palhaço. E quando aquela bola entrou, tudo voltou a sua velocidade usual, Baek gritou e eu fiquei boquiaberto. A gente se olhou, se abraçou e ficamos pulando e gritando que nem dois idiotas no meio do parque. Depois dessa pequena comemoração, o atendente me entregou o Stitch gigante sorrindo e me deu parabéns, eu peguei e agradeci.


— Presente pra você — Eu estendi a pelúcia para Baekhyun.


— Obrigado, Jun! — Ele pegou o Stitch e abraçou com força, depois ele chegou perto de mim e me deu um beijo na bochecha. Eu senti minha cara esquentar, já tinha me acostumado. — Eu acho que deveríamos tomar um sorvete para comemorar, por minha conta! — Ele disse e pegou minha mão, me puxando para o carrinho de sorvete que ficava perto da entrada da praia.


Depois que pegamos os sorvetes, eu sugeri que andássemos um pouco na praia. Caminhamos um pouco e quando estávamos um pouco longe do parque Baek disse para sentarmos. Eu me sentei e apoiei meus braços nos meus joelhos que estavam levantados, Byun se sentou bem perto de mim com as pernas cruzadas e colocou a pelúcia gigante do outro lado. Terminamos de comer nossas casquinhas enquanto olhávamos o movimento das ondas. Eu apoiei meus braços no chão um pouco atrás das minhas costas e Baek timidamente apoiou sua cabeça no meu ombro. O vento nos refrescava e o barulho do mar era reconfortante, estava tudo tão perfeito naquele momento que se eu pudesse o teria congelado. Ficamos alguns minutos ali, num silêncio confortável, até que Baekhyun levantou sua cabeça do meu ombro e me olhou.


— Jun… — Ele começou, mas não pôde terminar, porque eu gritei.


Não, eu não tinha surtado, eu senti uma dor aguda no espaço entre o meu polegar e o indicador, era um caranguejo. Mas que porra um caranguejo estava fazendo ali? Eu comecei a gritar histericamente, enquanto balançava minha mão e acidentalmente jogava alguma areia para cima.


— Baekhyun, me ajuda!


— Eu tô tentando! — Tentando nada, ele tava era rindo pra caramba. — Para de se mexer, Junmyeon!


Depois de muita gritaria, areia e lágrimas, Baekhyun conseguiu tirar aquele caranguejo da minha mão.


— Obrigado, Baek — Eu disse alisando a minha mão como se a dor fosse passar. Voltei o meu olhar para ele e vi o estrago que eu fiz. — Meu Deus, eu te sujei inteiro de areia, me desculpa


Sem problemas, isso pode ser resolvido rapidamente… — Ele disse e começou a jogar areia em mim, começando assim uma guerra de areia.


E aqui estamos, rindo que nem dois loucos, cheios de areia e aproveitando uma noite que, como eu disse antes, se eu contasse para o meu eu de algumas semanas atrás, ele nunca acreditaria.


Nota mental: Acreditar mais nos meus sonhos.


A noite teve seus altos e baixos, devo admitir. Ela ainda não acabou, mas já sei que vai ficar na minha memória para sempre. Aos poucos a risada foi cessando, dando lugar ao barulho das ondas. Nós estávamos nos encarando e eu senti que aquela era a hora certa para falar para ele como eu me sentia. Era agora ou nunca. Eu abri a boca para falar, mas ele foi mais rápido.


— Jun, a noite foi ótima, de verdade — Ele sorriu. — Obrigado — Ele colocou a mão dele sobre a minha.


— Baek… — Eu não poderia perder aquela chance.


Mas antes que eu pudesse falar mais alguma coisa, ele se levantou e me puxou. Tirou os sapatos e foi correndo na direção do mar.


— Você não vem? — Ele gritou já longe.


Eu me apressei, tirei meus sapatos e fui correndo até ele, Byun pegou minha mão e me arrastou para dentro da água.


— Baekhyun, você é doido! — Eu gritei por conta do barulho do mar. O ele tinha na cabeça? Como a gente ia pegar o trem de volta molhados?


— Só se for por você! — Ele gritou em resposta, entrelaçou nossos dedos e me puxou pra mais perto. — O que você queria dizer mesmo? — Aquele claramente era o sinal verde que eu estava esperando. Eu tinha que arranjar coragem de algum lugar.


— Posso te beijar? — Perguntei sem medo de ser feliz, chutei a bola.


— Precisa perguntar? — Gol! Corri pro abraço.


Ele não precisou dizer mais nada. E ali, no meio das ondas do mar, com a pelúcia gigante do Stitch nos encarando de longe, eu beijei Byun Baekhyun. Um beijo que ao mesmo tempo era calmo e terno, também era muito necessitado.


Nota mental: Confie no seu potencial de fazer merda, pode acabar dando certo um dia.

24 de Maio de 2020 às 19:12 0 Denunciar Insira Seguir história
0
Fim

Conheça o autor

vaneza aspirante a artista • amante de desenhos animados • ficwriter • ENFP • lgbtqia+ • ela/she

Comentar algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~