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debora severo


Sobre o café... Grãos que energizam todos os nervos do corpo. Já dizia o poeta (que, supostamente essa linda narradora não lembra o nome) que: "A necessidade básica do coração humano durante uma grande crise é uma boa xícara de café quente." E eu concordo com ele! Então esse livro nada mais é do que para contar a história da Cafeteria Grão Preto, dos amores, das paixões, da vida corrida e claro, do Café. Um romance? Talvez! Comédia? Tem quem ache graça. Mas viva. Essa é uma historia viva que te fará a todo momento querer uma dose de Café


Romance Todo o público.
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Apenas Um Dia Comum

- Cris, acorda! Preciso de você na bancada!

Seis horas da manhã e a cafeteria já estava fervendo de trabalhadores e estudantes sedentos por todo lugar e os pedidos não paravam de chegar nas mãos de Lucy.

- Cris, eu to avisando! Se você não vier pra essa bancada, eu juro que te mato!

- ô moça! Já tem horas que eu fiz meu pedido, cadê meu Café?! - Algum homem gritava nos ouvidos de Lucy e a única coisa que ela pensava é no quanto precisava também de um copo de Café.

- Aqui bebê, cafezinho quentinho, zero açucar e só um um biscoitinho, pra não dizer que sou má!

- Sara, só um biscoito?! - um gole de Café, um apelido carinhoso e o sorriso ja brincava no lábios daquele que estava nervoso

- Olha a diabetes, Cesar! - a morena desfilava entre aquela multidão, servindo vários tipos de Café e entregando as notinhas. A fila no caixa já estava passando dos limites

- Cheguei Lucy! - Os cabelos de Cris estavam mais fora da touca do que dentro e Lucy mais uma vez se conteve para não matar seu irmão. - Toma.

- De quem é esse café? - Lucy já saia de dentro do balcão, pegando o bloco e entregando a um Cris totalmente relaxado em meio ao caos.

- Seu. Beba! Eu atendo.

Lucy não esperou outra ordem e já virou o mini-copo de Café goela abaixo, queimando a língua que já estava queimada. Cris, com pressa já saiu anotando pedidos, servindo café e seduzindo mulheres. Lucy se apressou para chegar no caixa e ajudar Marta, a mais nova funcionária, daquela cafeteira feita para viciados.

- Toma um café vai. - E um copo de Café é servido para uma caixa que faltava pouco para atacar a cliente que gritava.

- Obrigada Lucy!

- Ô garota, se eu disse que o troco está errado é porque está! - A magrela fazia questão de demonstrar a todos sua raiva.

- Tem gente que trabalha aqui caramba! - um homem no final da fila reclamava.

- Moça, esse computador e esse código de barra não erra. - Marta mostrava com paciência a compra para a mulher estressada. - O código de barra diz que Você comprou um copo leite puro, um pacote de bolacha e uma fatia de torta, dando o total de R$12,50 centavos e o computador insiste em me dizer que você me deu uma nota de R$20,00 reais, então sim, seu troco é R$7,50 centavos. Obrigada, tenha um bom dia e volte sempre. Próximo!

- Eu nunca mais venho nessa espelunca! - gritava a mulher.

- O que deu nela? - Perguntava Lucy que não parava no caixa. - Proximo!

- Você não viu?! Ela não toma café! - respondeu Marta com o óbvio.

- Concordo plenamente com você. Pode passar o meu? - o homem alto de sobretudo preto sorria de canto e a mulher alta de labios grossos, mordeu os mesmos descaradamente enquanto passava as compras daquele que passou o dinheiro junto com o seu numero de contato.

- Não sei o que dizer sobre isso. - Lucy sorriu. Sorriu por ter conseguido vencer a fila gigante de clientes atrasados para seus trabalhos. - Deus, hoje ainda é segunda! Marta. Aproveita a folga e organiza o caixa.

Lucy já andava com pressa para o balcão de pedidos e mais um pouco de Café era do que ela precisava. Enquanto tomava o seu café, agora com calma, se permitiu observar a maior conquista da sua vida, Cafeteria Grão Preto. Era um lugar pequeno, mas Lucy fez questão de deixar o mais aconchegante possivel. As mesas de madeira eram acompanhadas com sofás acolchoados da cor marrom, o lugar era claro graças as paredes de vidros com detalhes de troncos de madeiras e alguns vazos de suculentas e hortelãs que deixava o ambiente com o aroma mais agradável do mundo.
O telhado era da cor marrom, e as luzes, ela fez questão de voltar a década de 30 com lustres clássicos e dignos de um filme vintage. As vitrines de goloseimas eram repletas de cores e sabores que encanta qualquer um que entre e o café, claro, estava em todo lugar.
Naquela pequena cafeteira servia todo o tipo de Café; espresso, mocha, cappuccino, latte e, uma infinidade de cafés para atender a todos os gostos. E ainda existem pessoas que pedem um copo de leite puro, dá para acreditar?!
Enfim, essa cafeteria era o seu pedacinho do céu.

- Lucy, o que vai almoçar? - Cris chega e senta ao lado da sua querida irmã, agora tirando a touca que ele tanto odiava.

- Agora que vai dar nove horas da manhã e você já quer almocar? Vai preparar o misto da mesa 7. - Sara já puxava Cris da mesa e Lucy aproveitou a deixa e correu para a cozinha. Ou tentou.

-Lucy, Lucy, ele veio de novo! - Marta discretamente apontava para o homem de camisa social cor café que acabara de se sentar e Sara mais que rapido já entregou o bloco de pedidos para uma Lucy que só arregalou os olhos enquanto era empurrada em direção ao homem que não tirava os olhos do livro que lia.

- Bom dia! O que posso te servir? - Lucy sorria, mas realmente não sabia se sorria mesmo ou se era apenas uma careta.

- Bom dia! Um espresso bem grande, por favor! - Lucy não podia negar que aqueles olhos estreitos, por causa da claridade, aquela boca rosada e aquela única, isso mesmo, única covinha fazia ela ter vários pensamentos os quais ela sabia que não deveria ter e demorou um pouco para anotar o pedido.

- E para comer? Tem pão de queijo saindo do forno agora. - Ela só queria ficar mais um tempinho olhando para aqueles olhos claros.

- Não consigo comer pela manhã. - pra quê fazer bico, me diz? Ele só pode está querendo seduzir a nossa tão corrida Lucy.

- Café espresso saindo agora pra você! - e lá se vai uma patroa vermelha de vergonha ou raiva das suas funcionárias e também amigas.

Sara sorria empolgada e Cris apenas observava sua irmã e se divertia o estado que ela se encontrava.
O homem que esperava seu café, agora estava digitando algo em seu notebook e para ficar mais relaxado, porque não desabotoar um pouquinho essa camisa em? E foi isso mesmo que ele fez! Marta não parava de encarar, Sara também não tirava os olhos e Lucy também queria poder observar um pouco mais aquele homem tão vivo e tão misterioso, mas uma ligação a obrigou sair daquele lugar. Café espresso servido, chaves do carro nas mãos e agora, ir na casa da irmã mais louca que ela tinha, Mires.

Mires é a mais velha dos três irmãos, sendo Lucy a do meio e Cris o mais novo e dos três, Mires era a mais imatura e também a unica casada.
Mires morava proximo a cafeteria e não demorou muito para chegar e ao entrar no apartamento foi recebida pelo xodó da familia, Emily, a princesa de sete anos que, talvez, tivesse mais maturidade que sua mãe.

- Ela tá surtando... - comentou Emily sem ao menos desviar os olhos do celular.

- BTS? - Lucy pega sua sobrinha no colo e observa o grupo de jovens coreanos dançando. - Sexy demais para uma garotinha de sete anos assistir em? - Emily apenas sorri e foge do colo de sua tia.

O apartamento era grande, o dinheiro do coitado do Jeff dava esse conforto para a mulher que estava agarrada a janela de um apartamento de vinte e dois andares.

- Mires, nós duas sabemos que você não vai se matar. - Lucy se joga no puff da pequena Emily e se sente tentada a tirar um cochilo.

- É lógico que não vou me matar! Isso é só drama! - Mires tentava tirar uma foto do lado de fora e por um fio quase cai. - Ai meu Deus! Lucy me ajuda aqui! Tira uma foto minha.

- Por você está fazendo isso? Eu não vou me levantar agora Mires! - lucy protestava e Mires tentava mais uma vez tirar uma foto da sua "tentativa de suicídio".

- Jeff quer me largar.

- COMO ASSIM?! - Agora Lucy estava preocupada e correu para a janela.

- Não terminar comigo, Lucy! Ele vai fazer uma viagem a trabalho e não vai me levar.

- Você é ridícula Mires! Sai daí agora! Eu trabalho a beça! Tenho uma eternidade de boletos a pagar, e você, você tem uma filha que nem sequer acha mais estranho ver sua mãe tentar "suicídio" de tão acostumada com a mãe louca que ela tem! Caramba, cresce! - Lucy deixa sua irmã louca e vai atras da sua bolsa para voltar ao seu cantinho de paz.

- Emily o que você está bebendo? Café? Você não pode beber café! Me dá.

- Tia, me devolve meu copo!

- Tô indo embora, não dê importância para sua mãe, e esse café ta horrivel mocinha! Você que fez? - Lucy já estava na porta.

- Quem mais faria? - Emily se esforça para pegar mais um copo.

- Lucy, eu serei uma boa mãe! - Mires veio correndo e seu cabelo loiro já estava preso em um coque.

- Comece ensinando a sua filha a fazer café. Não me ligue mais, beijos!

- Te amo maninha!

- Tchau titia!

Lucy chega na cafeteria já no horário do almoço e como esperado, o lugar estava cheio. Sara e Cris corriam de um lado para o outro e Lucy sabia que precisava contratar mais uma pessoa para atender. Imediatamente ela já foi pegando a touca e o bloquinho para anotar pedidos e lá se vai mais duas horas com uma cafeteria lotada de clientes que trocava um almoço por lanches e guloseimas e claro, café.

- Eu quero um copo de vodka! - uma jovem pediu a Cris e cansado ele se aproxima da moça.

- Já te disse que aqui não vende bebida alcoólica. - Cris repõe os pães de queijos, organizava os biscoitos e agora olha para a bagunça dos cabelos cacheados da moça. A mesma deu de ombros.

- Então me serve um café. Um Mocha! Estou mesmo precisando ser consolada. - a voz da moça era deprimente e seus olhos estavam avermelhados.

- Me fala, quem te deu um fora dessa vez? - Cris já sabia. Não era a primeira vez que via aqueles olhos castanhos vermelhos de tanto chorar.

- Eu não entendo porque só me apaixono por idiotas, magrelos e traumáticos!

- Primeiro, ser magro não é problema. Segundo, o problema é você! Aqui está seu Macho.

- Eu tenho certeza que essa frase não deveria ser dita por um atendente. Cadê a educação? O carinho? A compreensão que você deveria ter? - Cris não pensava em mais nada só em como, em tão pouco tempo, a pequena ja sujou seu uniforme Escolar com o café.

- Não sou pago para ser psicólogo. Sua notinha, tenha uma boa tarde!

- Grosso! - e lá se vai o pequeno pacote de desastre.

- Ela é bonita Cris. Porque será que leva tanto fora? - Sara termina de atender mais um cliente e já segue para sua limpeza compulsiva às vitrines do balcão. - Esse é o terceiro desse mês que dá um fora nela?

- Sei lá! Ela é louca! - Cris tira o seu avental e touca e agora tenta se arrumar para ir a faculdade. Seu cabelo ruivo era discreto graças ao corte militar que ele tanto gostava, e a barba completa sem qualquer defeito o fazia parecer mais velho, mas aqueles olhos verdes tinha apenas 22 aninhos de vida. - Vou pra faculdade. Beijão Sara! Tchau maninha!

- Você nem almoçou Cris! - Reclama uma irmã que lutou para conseguir uma marmita para um alérgico a quase todos os alimentos existentes no universo.

- A sara preparou um lanche pra mim. - E lá se vai o mais novo em busca do seus sonhos. Não sem antes dar uma olhada nos cabelos cacheados mais bagunçados que ele já viu. - Louca.

A tarde foi calma, dando tempo para Lucy organizar todo o administrativo da sua pequena empresa, fazer alguns pagamentos de mercadoria, ser paquerada por alguns clientes e adivinha?! Já são 17:00 horas e a cafeteria está lotada de novo! Muitos pedidos, a fila está grande e o lugar? Está coberto com o cheiro delicioso do Café! Então, fim do expediente com uma Lucy, uma Sara e uma Marta extremamente cansadas, jogadas no chão.

- Sério que hoje ainda é segunda? - pergunta uma Marta cansada que acabou de fechar o seu caixa.

- Cadê o miserento do padeiro? - Sara, enfim podia soltar o seu afro e se sentir livre.

- teve que ir embora mais cedo.

- Ele me deve uma coca.

- Eu pago a de hoje! - E assim Lucy finalizou seu dia de trabalho.

Não demorou muito para Marta e Sara irem embora, afinal estavam exaustas, mas Lucy ficou um pouco mais. Estava cansada demais e o chão frio era confortável as suas costas doloridas, mas logo se levantou. Lembrou que estava só e o perigo existia para todos e mais que rápido fechou sua cafeteria para ir embora, só não esperava ser derrubada por um poste, ou melhor, um homem.

- Já vou logo avisando que se quer assaltar minha cafeteria é melhor me matar logo, porque só rouba aqui por cima do meu cadáver! - ela estava nervosa, morrendo de medo, mas investiu sua vida naquele lugar.

- Primeiro, eu só queria um espresso e segundo, você não pode sair falando para o assaltante que é a dona do lugar! Isso te deixa em um situação mais perigosa ainda! - aquela voz... Lucy com certeza conhecia aquela voz!

23 de Maio de 2020 às 22:00 0 Denunciar Insira Seguir história
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