worshipcclmj ً𝐭𝐡𝐚𝐲

Amaldiçoada e aprisionada, a princesa Laurenebti I de Gizé esperou mais de 4 mil anos por sua liberdade. Seu único objetivo: vingança. Vingança contra Set, o Deus do Caos, por seduzi-la e tomar sua alma, condenando-a à danação eterna. Para isso ela precisa encontrar seu escolhido, alguém à quem seu destino está ligado, a única pessoa capaz de ajudá-la a quebrar aquela maldição e derrotar um dos mais poderosos deuses do Egito Antigo. Ou melhor... Sua Escolhida; Camila Cabello. Uma jovem e apaixonada arqueóloga cubana naturalizada americana, que mora na fria capital britânica. Quando seu caminho cruza o da princesa, rapidamente Camila se vê presa àquela nova e assustadora realidade, cercada de lendas, deuses, maldições e uma infinita guerra de egos. E ela não só vai descobrir que apenas seu mais puro e verdadeiro amor é capaz libertar Laurenebti, mas também que seus destinos estão ligados através do tempo. ༄ ༄ ༄ ༄ ༄ ༄ ༄ ༄ ༄ ༄ ༄ ༄ ༄ ༄ ༄ ༄ ༄ ༄ ༄ ༄ ༄ ༄ 「 ⒩. ❃ "The Chosen" é uma história de amor além do tempo, vingança e redenção; com uma mistura de mistério, suspense, mitologia e comédia leve em uma escrita envolvente e rica em detalhes. A combinação perfeita para você se apaixonar. 」- Crítica. . . ❝ The Chosen by worshipcclmj ‒ 2020 Ⓒ Todos os direitos reservados. ❞


Fanfiction Bandas/Cantores Impróprio para crianças menores de 13 anos.

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Em progresso - Novo capítulo Todas as Sextas-feiras
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Capítulo 1: Sarcófago [Introdução]

"The Chosen" se passa principalmente entre Londres na Inglaterra e Luxor no Egito, e foi INSPIRADA apenas no filme "A Múmia" de 2017, com Tom Cruise e Sofia Boutella, não tendo em nada a ver com a trama do filme no geral.


Esse capítulo é uma introdução à história. Os personagens principais começam a ser introduzidos a partir do próximo.


Boa leitura!


____________________


Luxor, Egito.

2020 | Uma semana antes


O arqueólogo responsável pela escavação andava de um lado para o outro, agitado diante do dilema pelo qual estava passando naquele momento.


Aquela operação em Luxor visava descobertas incríveis, porém há algumas horas sua equipe de pesquisas de solo havia se deparado com uma enorme fundação subterrânea à aproximadamente quinhentos metros de onde sua equipe de escavação estava concentrada. As câmeras termais mostraram picos de calor leve vindo daquela fundação, e agora o dr. Pike teria que decidir entre mover toda sua equipe para aquele lado ou continuar a escavação onde já estavam e ignorar aquela nova descoberta.


Mas Robert Pike era um homem naturalmente curioso e ansiava por novas aventuras; aquela fundação podia ser apenas um enorme buraco no solo cheio de rochas e sem vida, assim como também poderia ser uma mina de ouro e descobertas incomparáveis.


- Podíamos dividir a equipe. - Helena Sykes, sua sócia, sugeriu ainda dentro da tenda onde eles discutiam as possibilidades. - A escavação na Área Um está progredindo rápido, se dividirmos a equipe não vai afetar em muito o progresso. Além do mais, com as escavadeiras conseguiremos cavar rápido o suficiente e então mandamos alguns soldados treinados lá embaixo para averiguar a situação da fundação. Se for viável, descemos metade da equipe. Se não, voltamos ao plano inicial.


O dr. Pike ponderou. Encarou o monitor à sua frente onde estava a imagem que a câmera termal havia captado. Eles não conseguiam ter completa noção da profundidade, mas os especialistas disseram que podia ter de 500 a 800 metros e certamente já estava ali há muito tempo.


- Tudo bem. Faremos isso então. - Pike concordou. - Vamos mobilizar as escavadeiras para aquele lado e começar a cavar. Helena, converse com o capitão Rogers e peça a ele para nos ceder três de seus soldados com experiência em rapel. Assim que abrirmos uma passagem, eles vão descer para fazer o reconhecimento. Eu vou estar lá supervisionando a escavação.


Com tudo resolvido, cada um foi para seu devido desígnio. Pike seguiu com a equipe de pesquisas até o local da fundação e eles isolaram a área em um raio de um quilômetro e meio. Ele estava ansioso para saber quais segredos aquela escavação traria a tona, uma vez que estavam nos arredores da antiga Tebas, cidade do Antigo Egito.


Tebas foi a capital do Egito durante o Império Novo, datado entre 1550 a.C e 1070 a.C, e posteriormente foi também capital das províncias romanas de Tebaida e Tebaida Superior, durante o Império Romano, entre 27 a.C e 395 d.C. Muita história poderia estar enterrada ali, apenas esperando para ser descoberta.


Com a ajuda de duas escavadeiras, uma hidráulica e uma a cabos, eles conseguiram abrir o buraco em menos de três horas de serviço. Porém, depararam-se com uma enorme espécie de tampa de ferro que parecia selar a entrada para a fundação. Diante daquele "empecilho", Pike chamou alguns engenheiros para dar uma olhada e procurar saber se havia um jeito de abrir ou quebrar aquilo.


- É um mecanismo de fechamento bem simples, na verdade. - Um dos engenheiros explicou após a análise. - Possui dois suportes próximo ao centro, onde provavelmente se amarra uma corda para que seja puxado de ambos os lados, para abrir. O único problema é que há muito ferrugem devido às condições climáticas ao longo dos anos, e muita areia, então não há como garantir que vá abrir. Talvez seja possível quebrar, mas essa placa de ferro deve ter pelo menos uns noventa centímetros de espessura e deve pesar mais de uma tonelada, para isso precisaríamos de uma perfuratriz muito mais potente do que a que possuímos no momento, doutor. E não é tão fácil conseguir uma dessas.


Pike novamente ficou pensativo. Eles tinham uma dragline a disposição também, aquele tipo de escavadeira poderia ser mais útil em ajudar a abrir aquela passagem, talvez devessem tentar ao menos.


- Doutor Pike, com licença. - Um dos historiadores chamou sua atenção com aceno, próximo à placa sólida de ferro no chão agora desenterrada.


Ele agradeceu aos engenheiros e pediu licença, se aproximando do homem.


- Peter. O que foi?


- Estava estudando esses hieróglifos, eles datam mais de quatro mil anos, algo entre 2600 e 2300 a.C, antes mesmo do Império Novo, ainda durante o império de Khaf-Re da quarta dinastia egípcia. Há uma escritura que sugere que essa enorme fundação seja uma espécie de câmara de tumbas subterrâneas, onde possivelmente eram enterrados membros do alto escalão. Aqui, onde diz: "Aos olhos de Rá descansarão, poderosos líderes do Império; da ira de Set, Wadjet os protegerá. Até que Ísis os venha buscar." Como sabemos, Rá era o deus do sol e Set era o deus do caos e da morte, enquanto Wadjet era protetora dos faraós e Ísis era conhecida como a deusa da ressurreição. A imagem de Wadjet está gravada ali próxima a abertura das portas, o corpo de uma serpente com a cabeça de uma rainha egípcia. Há também menções sobre maldições e sacrifícios, e orações à Anúbis, que era o deus responsável pelos embalsamentos e pela orientação espiritual da alma na vida pós-morte. Tudo indica que estamos pisando sobre um enorme cemitério egípcio datado em mais de quatro mil anos, doutor. Vale a pena tentar abrir esta passagem.


Pike absorvia aquilo com incredulidade. Essa poderia ser, sem dúvida, a maior de suas descobertas em mais de vinte e cinco anos como arqueólogo. Não pensou muito mais, estava ansioso para o que iria se revelar por trás daquela porta. Rapidamente foi atrás de mobilizar a dragline e todos os homens que poderia dispor no momento.


Não foi uma tarefa fácil, a porta de ferro sólido era realmente muito pesada e levou horas até que conseguissem abrir ao menos o suficiente para que fosse possível o acesso. Conseguiram abrir uma fenda de dez metros de largura, depois disso a porta emperrou de vez e não se mexeu mais.


De qualquer forma, dez metros era o suficiente para que os homens passassem e algumas máquinas também, se fosse necessário. Entretanto, já anoitecia quando eles finalmente terminaram de instalar os equipamentos, então a descida ficou para o dia seguinte. Naquela noite, uma rápida e inesperada tempestade de areia passou por eles, e os sons do vento do deserto pareceu agourento, dificultando a noite de sono da maioria do pessoal da equipe.


Pike foi um dos que mal havia dormido. Algo na atmosfera daquele lugar havia mudado e ele podia sentir em seus ossos. Em certo momento da noite podia jurar ter escutado sons, como se o vento estivesse sussurrando palavras distintas.


Escutou o ganir de pássaros, e quando passou pela entrada da tenda onde estava acomodado, viu alguns corvos aglomerados sobre as tendas e empoleirados nas escavadeiras também. Estranhou aquilo, uma vez que horas antes não havia visto qualquer sinal daquelas aves por ali, elas pareciam ter surgido de repente e sem fazer o menor alarde.


- Corvos geralmente são associados à morte e mau presságio. - Comentava Peter, na manhã seguinte, enquanto caminhavam para a passagem. As aves ainda estavam por ali, pareciam observar cada passo que eles davam, ganindo as vezes. - Segundo o que sabemos, estamos pisando sobre um enorme cemitério egípcio subterrâneo, então não seria uma grande surpresa eles terem sido atraídos para essa região. Acho que não vão nos causar grandes problemas, contanto que os deixemos quietos.


Pike tentou ignorar, então, embora se sentisse realmente incomodado sob os olhos negros daquelas aves. Como tudo já estava praticamente preparado ali, os soldados logo começaram a descida, equipados com lanternas para iluminar o enorme buraco.


Logo no começo eles se depararam com um enorme rosto do que aparentava ser uma rainha egípcia esculpido na pedra escura. Por entre os sulcos da parede escorria uma espécie de líquido, parecia descer pelo rosto esculpido como se fossem lágrimas.


Nas paredes eles puderam ver algumas câmaras e o que pareciam sarcófagos, com distância de aproximadamente cinco metros entre cada uma. Nenhum dos soldados era especialista naquilo, portanto a câmera em seus capacetes ia registrando e o doutor Peter Haynes ia documentando tudo.


- Essa escultura na parede, logo no topo da fundação... Assemelha-se muito à imagem de Maat, deusa da verdade e da justiça. Aparentemente as câmaras abrigam sarcófagos e algumas tumbas menores, talvez não apenas alguns dos antigos faraós da dinastia egípcia estejam enterrados aqui, mas também os membros de sua família. - Haynes comentou. - Eles chegaram ao fundo. Setecentos e doze metros de profundidade.


- Aparentemente chegamos ao fundo, senhor. - Um dos soldados comunicou. Eles viam e ouviam tudo em tempo real. - Parece haver um lago aqui e uma espécie de construção de madeira, eu não sei muito bem, tem algumas cordas presas em trilhos e parece que há algo submerso.


- Chegue mais perto do lago, oficial. - Pike pediu.


O soldado fez o que lhe foi dito e a câmera em seu capacete captou melhor a imagem. Ele movimentou a cabeça a fim de a câmera pegar também a construção ao redor, que parecia uma espécie de suporte com trilhos enferrujados que mantinham algo embaixo d'água e também servia para erguer.


Exceto que aquilo não era água.


- Isso é mercúrio. - Haynes disse. - Olhe a cor, a densidade. É metal líquido. Tomem cuidado, a intoxicação pelo vapor do mercúrio pode causar bastante desconforto, tentem evitar os focos de vapor e não deixem o líquido entrar em contato direto com a pele. Acho que é melhor eles voltarem à superfície e colocar máscaras de proteção. Há mercúrio escorrendo pelas paredes daquela fundação, não é seguro descer lá sem a devida proteção. - O historiador disse, dessa vez voltando-se para Pike.


- Tem alguma coisa aqui. - Outro soldado falou, também próximo ao lago de mercúrio. Eles olharam novamente, ele estava diante de um tipo de alavanca grande.


- Não toque em nada, soldado. - O capitão Rogers ordenou. - Preparem-se para voltar à superfície, vamos equipá-los com trajes adequados para que possam voltar a descer sem correr riscos.


Os soldados retornaram à superfície conforme a ordem que lhes foi dado e logo foram equipados para que pudessem descer novamente. O historiador Haynes decidiu que queria descer com eles dessa vez e Pike resolveu acompanhá-lo, colocando Helena no comando ali em cima.


- Tem certeza que é uma boa ideia descer lá? - Helena questionou enquanto ele terminava de se equipar.


- Vai ser rápido. Tenho noção de que todo aquele mercúrio pode ser prejudicial, mas estamos com trajes adequados e não vai demorar muito. Vamos tirar algumas fotos, coletar algumas amostras. Enquanto isso gostaria que começasse a preparar a equipe de escavação. O acesso às câmaras ali é um pouco difícil, e como não conseguimos abrir toda a passagem acho que não conseguiríamos descer o equipamento necessário para tirar todas aqueles caixões de lá, mas quero tentar documentar pelo menos os sarcófagos maiores para que possamos fazer a identificação dos indivíduos ali sepultados.


Ela assentiu então, enquanto ele seguia para a passagem a fim de começar a descida. Foi bem rápido com o auxílio dos equipamentos militares. Era realmente de tirar o fôlego estar diante de toda aquela história há tanto tempo ali esquecida.


Com a câmera de infravermelho em mãos, o doutor Pike mirou as câmaras na parede e ficou realmente surpreso e um pouco confuso ao perceber que as tumbas ali estavam vazias. O mesmo acontecia no lado oposto, onde Haynes analisava.


Em menos de dez minutos eles tinham vencido os mais de setecentos metros de profundidade. Pike foi diretamente para o lago, enquanto os soldados montavam algumas lanternas em tripés para iluminar melhor o local.


- Não acha estranho que as tumbas estejam vazias? - O doutor Pike comentou.


- É inesperado. Talvez eles tenham feito um cemitério grande demais e felizmente não houveram mortos o suficiente para preenchê-lo. Ou talvez ele tenha sido saqueado na época. Olhe isso, doutor. - Haynes chamou a atenção do chefe. - Um esqueleto humano. Acho que não somos os primeiros a descer aqui.


- Talvez sua teoria sobre o saque esteja certa. Antigamente muitos desses cemitérios eram saqueados por ladrões de ouro imperial.


- Sim, mas somente os mais desesperados e tolos desciam em cemitérios como esses. Locais onde faraós são sepultados geralmente são amaldiçoados. Isso se você acredita em maldições, é claro. Os povos antigos eram dotados de conhecimento e sabedoria muito avançada para sua época, eles mumificavam seus mortos por acreditarem que eles voltariam à vida em um tempo não muito distante e para isso seus corpos precisavam estar preservados. E como os líderes faraós geralmente eram enterrados com seus bens mais valiosos, acredita-se que todo sarcófago de um faraó era amaldiçoado para proteger seu corpo e seus bens de ladrões de tumbas.


- Parece que esse individuo aí foi o azarado da vez.


- Certamente. Mas quase não há o que estudar, esse esqueleto provavelmente está aqui há muito tempo em condições bem ruins, se tocarmos nisso provavelmente vai se reduzir a pó. Então não há como saber exatamente há quanto tempo ele morreu, muito menos a causa.


Caminhando próximos ao lago de mercúrio agora, eles estavam realmente intrigados com aquilo.


- O senhor acredita em superstições e maldições, doutor? - Haynes perguntou distraído.


Pike o olhou com o cenho franzido.


- Não sou supersticioso. Mas não duvido de nada, principalmente de coisas que remetem a um tempo tão distante onde os costumes e a religião eram tão diferentes do que somos ensinados hoje.


- Está certo. Penso como o senhor. Antigamente tudo era muito diferente, os ensinamentos, as doutrinas. As superstições. - Ele fez um gesto para o lago. - O senhor é um estudioso, certamente deve saber... O povo egípcio acreditava que o mercúrio possuía um tipo de energia que era capaz de "aprisionar" o mal, de evitar que ele fosse liberado sobre o mundo. Mudando um pouco de perspectiva... Talvez esse tivesse sido um cemitério de líderes faraós no início dos tempos em que foi construído, mas agora estou começando a acreditar que esse lugar passou a ter outro propósito posteriormente.


- O que está sugerindo, Peter?


- Que talvez esse fosso tenha se tornado um tipo de prisão.


- Prisão? - Pike especulou.


- Sim. Provavelmente alguém que tenha cometido um crime terrível, ou vários crimes, foi sentenciado à morte e sepultado aqui nesse lugar. Alguém que tenha representado um mal tão grande ao povo egípcio que foi "isolado" em uma caverna cheia de mercúrio, para impedir sua alma maligna de vagar livremente. Seja lá quem tenha sido, ainda está aqui.


Pike precisava admitir que não gostava de como aquilo soava.


- Mas as tumbas estão vazias. Se essa teoria for verdadeira, o corpo desse assassino já não está mais aqui e isso aqui não passa de um fosso sem qualquer valor histórico.


- Está enganado, doutor. Há alguma coisa lá em baixo. - Ele apontou para o lago.


O arqueólogo encarou o lago de mercúrio. Deu uma olhada em volta, na estrutura que havia sido construída, nas cordas grossas e tensionadas que passavam pelos trilhos e terminavam submersas. Certamente havia algo lá embaixo.


- E o que acha que é? Um sarcófago?


- Só há uma maneira de saber. Temos que puxar o que quer que esteja submerso.


Pike torceu o canto da boca. Não era supersticioso, como havia dito, mas algo naquele lugar lhe dava arrepios e depois de toda aquela teoria que o historiador havia criado, estava ainda mais receoso.


- Talvez seja melhor não mexemos em nada disso. É tudo muito velho, essas cordas vão acabar arrebentando e só vamos perder tempo. Vamos documentar e fotografar o local, coletar algumas amostras e então dar o fora daqui.


- Mas doutor, este é um achado incrível! Uma descoberta única. Arqueólogos americanos descobrem uma fundação egípcia onde foi sepultado um dos mais temidos assassinos do Egito Antigo. Pense na matéria que isso daria! Se minha teoria estiver correta, é claro. Também pode não ser nada disso, talvez esse lugar seja apenas um fosso onde antigamente havia água ou de onde era extraído minério. Há infinitas possibilidades. Não devíamos deixar passar, já estamos aqui mesmo. Devíamos explorar.


Talvez Haynes tivesse razão. Não podia se acovardar diante daquele cenário, claro que seu corpo prontamente reagiria com medo, estavam diante do desconhecido, mas juntos possuíam muito conhecimento e precisavam realmente explorar aquele lugar. Respirou fundo a fim de deixar seu medo tolo de lado, e assentiu então, resignado.


- Tudo bem. Mas como vamos fazer isso? - Perguntou olhando em volta. Lembrou-se da alavanca. - Talvez se conseguirmos mover essa alavanca...


Foi preciso que os cinco se juntassem para que fosse possível mover a alavanca. E quando o fizeram, os trilhos se retesaram e a madeira rangeu enquanto a corda era puxada no sentido contrário, elevando-se. Levou alguns instantes até que algo realmente começasse a submergir do lago de mercúrio.


- Meu Deus... - Pike murmurou maravilhado.


Um grande sarcófago de pedra escura submergiu do lago, em sua tampa havia esculpido o rosto de uma mulher que parecia em agonia, com a boca aberta e os olhos fechados, tanto os braços cruzados sobre o peito como as pernas pareciam estar sendo representados como se estivessem amarrados por cordas. Sobre a cabeça estava esculpida uma coroa de espinhos compridos.


- Isso é incrível... - Haynes murmurou em seguida. - Talvez minha teoria esteja correta. Ou talvez os hieróglifos nos contem uma história parecida, sobre quem está sepultado aqui e porquê.


- Para isso vamos precisar remover esse sarcófago daqui para estudá-lo melhor. E só há uma maneira de fazermos isso sem auxílio de máquinas.


Minutos depois, o piloto então posicionou o helicóptero o mais próximo que podia da passagem e com o auxílio do capitão e outros homens, eles desceram a corda para poder prender o sarcófago e retirá-lo de lá. Toda a operação levou cerca de trinta minutos, mais soldados desceram para ajudar a amarrar o objeto e quando ele estava devidamente preso às cordas grossas, ele começou a ser puxado para cima, para fora do fosso.


Enquanto os homens se preparavam para subir, um vento súbito reverberou pela fundação, fazendo a madeira ranger e toda a construção ao redor do lago se despedaçou, o som de madeira, pedra e metal se partindo contra o chão foi ensurdecedor e todos cobriram os ouvidos.


Eles olharam em volta sem entender o que realmente havia acontecido ali, uma nuvem de poeira e vapor de mercúrio tomou parte do local. Eles podiam ouvir barulhos estranhos, pareciam insetos, mas só conseguiram realmente visualizar o que era quando o enxame de aranhas surgiu do meio da poeira, e o chão de areia escura úmida tomou uma coloração amarelada devido a todas aquelas aranhas aglomeradas.


- Meu Deus... - Um dos soldados disse em pânico.


- Aranhas de areia! - Pike alertou. - Subam, rápido!


Eles correram em direção às cordas usadas para descer, enquanto Pike gritava no rádio para que começassem a puxar as cordas. Helena, que acompanhava as imagens em tempo real dentro da tenda ficou horrorizada e saiu correndo em direção à entrada da fundação, enquanto os homens se mobilizavam para puxá-los. Os corvos que até então estavam quietos e imóveis sobre as tendas começaram a bater as asas e ganir, assustando a todos ali.


No meio do alvoroço, um dos soldados não prendeu devidamente o cinto em sua cintura e seu corpo despencou. Em um piscar de olhos, antes que ele tivesse qualquer reação, as aranhas estavam sobre seu corpo e ele gritava em agonia enquanto era devorado vivo. O restante deles conseguiu chegar ao topo, completamente assustados e em choque depois do que presenciaram.


Um grito agourento pareceu ecoar através da abertura da passagem, e eles duvidavam muito que tivesse vindo do soldado provavelmente já morto lá em baixo.


- Mas que merda acabou de acontecer, doutor Pike?! - O capitão Rogers se aproximou, furioso.


- Eu não sei... Havia aranhas por todo lado, elas surgiram do nada! Um dos soldados se desprendeu do cinto e caiu, elas o devoraram... Foi horrível... Que merda... - Murmurou em choque, lançando um olhar sobre o doutor Haynes que parecia tão assustado quanto ele.


- Vocês se machucaram? - Helena perguntou, se aproximando dele.


- Não...


- Tudo isso por causa de uma merda de caixão egípcio? - Rogers esbravejou.


- Sinto muito, capitão. Não sei o que houve. Não esperávamos isso. - Pike disse, se recompondo. - Para onde levaram o sarcófago?


- Está logo ali, atrás da tenda. -Helena quem respondeu, apontando.


Pike ofereceu a mão ao doutor Haynes, que estava sentado no chão ainda meio ofegante.


- Vamos dar uma olhada naquele sarcófago. - Ele disse de forma meio dura. Haynes aceitou sua mão e ficou de pé. - Dependendo do que for aquilo, eu juro por Deus que vou jogar de volta naquele buraco e vamos embora daqui.


Haynes não retrucou e eles seguiram para o sarcófago. O historiador logo começou a fazer a leitura dos hieróglifos para entender do que se tratava aquilo.


- Princesa Laurenebti I... Filha de Menkaure e Khamerernebti II, filhos de Khaf-Re e rei e rainha governantes de Gizé. - Haynes dizia conforme lia os símbolos.


- Gizé fica razoavelmente longe daqui. Esse sarcófago pertence a uma princesa egípcia neta de Khaf-Re? - Pike perguntou um pouco surpreso.


- Sim. Tenho certeza de que é isso. Mas aqui diz outras coisas... Laurenebti foi sepultada viva...


- Por que? - O arqueólogo perguntou incrédulo.


- Incrível... - Haynes murmurou maravilhado. - Eles contam uma história aqui. Sua história. Laurenebti era a primogênita e sucessora ao trono de Gizé, até que Menkaure teve um filho com sua segunda esposa. Chepseskaf. Quando Chepseskaf nasceu, Menkaure o nomeou sucessor ao trono, e Laurenebti sentiu-se traída. Enfurecida, fez um pacto com Set, o deus da morte, onde vendeu sua alma em troca de poder. Dominada pelo poder de Set, ela assassinou seu pai, sua mãe e a amante, mas alguém conseguiu salvar o menino a tempo, antes de ela o matar e poder completar o ritual. Laurenebti foi capturada e como castigo por sua alta traição, ela foi embalsamada e sepultada ainda viva. Como ela havia vendido sua alma ao deus da morte e já não era mais humana, seu sarcófago viria a ser enterrado em um lugar de onde jamais ela poderia sair para voltar a matar e assombrar o povo de Gizé. - Ele estava realmente estupefato com tudo aquilo. - Talvez por isso, também, eles a sepultaram longe da cidade. Nos tempos que remetem a Khaf-Re, Tebas ainda não era capital e não era muito habitada. Eles escolheram o isolamento.


Robert e Helena estavam sem palavras diante de toda aquela informação.


- Acho melhor devolvermos esse sarcófago e selar aquela passagem outra vez. - Helena falou ainda meio estática. Pike concordou com um aceno.


- Estão falando sério? Essa é possivelmente a descoberta mais incrível feita neste século! - Haynes protestou. - São novos tempos... Mais de quatro mil anos. Outras doutrinas, outras crenças. Não significa que vamos abrir este sarcófago e uma princesa egípcia possuída por um espírito maligno vai pular em nossos pescoços! Por favor... Não podemos perder essa oportunidade.


- E o que você sugere que façamos, doutor Haynes? - Pike cruzou os braços, encarando-o.


- Vamos transportar o sarcófago para o instituto, na Califórnia, e fazer uma análise mais aprofundada sobre sua história, origem, componentes químicos. Eu tenho quase certeza que ele foi esculpido em rocha de turmalina negra... A turmalina negra é um cristal que tem o poder de neutralizar todo e qualquer tipo de energia maligna e negativa. Faria sentido.


- O que faz total sentido para mim é que, quem quer que tenha aprisionado essa princesa assassina neste sarcófago, realmente não queria que ela saísse daí. Enterrada nas profundezas de uma caverna de mercúrio, submersa em um lago de mercúrio e sepultada em um sarcófago feito de rocha de turmalina negra. Isso é mais do que um sinal cristalino de que não deveríamos mexer com essa coisa. - O arqueólogo retrucou. - Entretanto, eu sei bem que essa é uma descoberta verdadeiramente incrível e gostaria muito de mostrá-la ao mundo. Mas não quero colocar ninguém em perigo para isso, portanto, eis o que faremos: vamos transportar o sarcófago para o Instituto e colocá-lo na área de quarentena para estudos. Enquanto não fizermos uma boa pesquisa sobre ele até descobrirmos que é seguro, não vamos abri-lo. E eu vou querer que ele esteja submerso em um tanque de mercúrio, de onde só sairá enquanto o senhor e sua equipe estiverem estudando-o. Toda precaução, é pouca. Não se brinca com crenças e superstições de povos antigos. Estamos entendidos?


Haynes concordou imediatamente, animado com a oportunidade. Tinha convicção de que fariam descobertas ainda mais incríveis a respeito daquele sarcófago e da princesa assassina.


Pike ajeitou tudo para o dia seguinte, a aeronave militar faria o transporte do objeto e ele resolveu acompanhar para supervisionar os arranjos pessoalmente no Instituto na Califórnia.


O único problema é que eles nunca chegariam até lá.

22 de Maio de 2020 às 20:47 0 Denunciar Insira 0
Continua… Novo capítulo Todas as Sextas-feiras.

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