kztironi Karina Zulauf Tironi

"Me dói admitir, tanto quando a extração de um dente sem anestesia, mas eu não sou mais um pintor. No momento, sou pouco mais do que um imbecil tentando domar seus próprios demônios, sem conseguir se forçar a fazer algo que antes lhe era tão natural quanto respirar." Decadência é um livro sobre perder a paixão por algo que antes você amava fazer e o quanto esse vazio pode nos afetar.


Drama Impróprio para crianças menores de 13 anos.
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Solidão

“Eu não gosto de dizer que eu dei a minha vida à arte. Eu prefiro dizer que a arte deu-me a vida. ”

Frank Stella.



Deito as cerdas do pincel na tinta amarela suavemente e encosto minhas costas na cadeira de madeira, me afastando para ter uma visão mais ampla da tela que pintava. Torço a boca em uma linha e reprimo um resmungo, raspando o excesso de tinta na borda da paleta.

Não, não estava bom o suficiente.

Meu rosto inteiro está franzido em concentração, muito embora eu não esteja deslizando a tinta acrílica na tela parcialmente em branco, com só alguns tons de vermelho, laranja e amarelo, no canto superior.

O começo é sempre a parte mais difícil. Eu sei o que quero pintar, sei o resultado que desejo alcançar, mas não sei como chegar até ele.

É uma luta, uma batalha sangrenta que não parece sair do lugar. Tombo a cabeça para um lado, depois para o outro, tentando desvendar minha própria arte e, no íntimo, desejando que ela criasse a si mesma, sem que eu precisasse pôr esforço no procedimento.

Eu gosto de pintar, sempre gostei. Caso não gostasse, não teria construindo minha vida inteira com base nos ganhos e na fama proveniente das vendas das telas. O que acontece é que não sinto a mesma coisa que sentia quando comecei, quando era jovem e cheio de sonhos e desejos. A pintura se tornou algo lento demais, cansativo; eu não levava tanto tempo quebrando a cabeça para terminar uma obra quando mais novo, levava?

Por fim, solto o pincel na mesinha ao lado do cavalete, onde estavam alguns tubos ainda cheios e recém comprados de tinta, e encaro a tela como se a culpa fosse dela, como se ela não estivesse mais cooperando comigo, como havia feito por todos os cinquenta e dois anos anteriores. É mais fácil assim, fingir que não tenho lugar na minha própria incapacidade, jogando o peso para objetos inanimados, que mal têm como se defender de minha irritação.

O fato é que não sou mais o mesmo homem que era quando comecei.

Minha vida mudou, minha cabeça ficou estranha. Não sinto o prazer que costumava sentir ao criar algo novo, algo que não existia antes e só passou a existir por causa da minha imaginação.

Me dói admitir, tanto quando a extração de um dente sem anestesia, mas eu não sou mais um pintor. No momento, sou pouco mais do que um imbecil tentando domar seus próprios demônios, sem conseguir se forçar a fazer algo que antes lhe era tão natural quanto respirar.

Que idiotice.

Isso não estava certo. Deixara de ser certo muito tempo atrás, quando me vi precisando me esforçar para levantar do sofá e reunir meus pincéis, quando tive dúvidas entre assistir qualquer coisa que estivesse passando na TV ou criar algum quadro novo. Deixou de ser certo quando parou de significar algo para mim.

As pinturas não eram mais um hobbie, um jeito de gritar as palavras e sentimentos que eu tinha vergonha de expressar em voz alta mesmo sozinho em um quarto escuro, e tinham se tornado uma tarefa, tal como um juiz de bater o martelo ou um garçom de atender mesas. Era algo que eu tinha que fazer. Algo que, além de tudo, ainda era minha fonte de renda. O que eu faria se não estivesse pintando? Que outra coisa uma pessoa como eu teria para fazer, cujas habilidades se resumiam a misturar tintas em um quadro em branco e saber exata e precisamente que cor resultaria da união e copiar qualquer expressão humana que eu quisesse? Que tipo de profissão eu teria, se desistisse de tudo?

Certamente nenhuma que garantisse meu atual estilo de vida, as contas pagas e as constantes viagens para fora do país – em busca de inspiração, eu dizia.

Apesar da minha grande insatisfação, continuar pintando era tudo que eu podia fazer se eu quisesse manter os luxos que me diferenciavam dos demais homens da minha idade. Meu vizinho, Anderson, de cinquenta e quatro anos (dezenove anos mais novo), tinha feito muito menos em sua vida inteira do que eu em três anos. Mas, ao mesmo tempo, ele conseguia ser mais feliz em um dia inteiro do que eu em um mês. O cara se contentava com muito pouco, em sua casa de dois quartos alugada e seu filho mais velho que possuía um tipo de síndrome, pelo que eu ouvira minha filha comentar. Às vezes ele passava o domingo inteiro cantarolando e cortando grama, como se nunca tivesse tido que pagar um boleto na vida ou batido o dedo mindinho na quina de um móvel.

Algumas pessoas simplesmente têm essa sorte de ser felizes, eu acho.

Eu, obviamente, não sou uma delas. Ou não sou mais, ao menos. Não lembro se realmente já fiz parte desse grupo saltitante e alegre, mas o que sei é que eu já fui menos soturno que isso.

A pobre Ivana Duarde (que Deus a tenha) nunca nem teria se casado comigo se eu fosse desse jeito quando nos conhecemos. Na melhor das hipóteses, com a cálida e delicada personalidade que ela sempre teve, mesmo em seus últimos dias, ela teria me mandado para o inferno no primeiro convite para jantar. Hoje em dia dificilmente consigo entreter alguém, não lembro das piadas que costumava contar ou dos sorrisos verdadeiros que meus lábios forjavam; mal e mal minha filha fica vinte minutos quando vem me visitar, se tanto. Nunca demora muito para ela inventar um compromisso importante com o maridão ou algum projeto que ela precisa terminar para um cliente.

Eu nem mesmo me ofendo mais. Sei que mereço esse tratamento. Ninguém quer ficar com um senhor ranzinza que só sabe reclamar e resmungar.

– Papai, acho que você deveria encontrar alguém para, sabe, passar um tempo com você alguns dias na semana. Ajudar com as coisas. – Gabriela havia dito em sua última visita de meia hora.

Troquei o canal da televisão, irritado com as notícias dos jornais.

– Como assim? Eu já tenho a Jaqueline.

Jaqueline era a diarista que limpava a casa segundas e quintas feiras e também puxava minha orelha por causa dos remédios que eu esquecia de tomar. Um doce de pessoa, com aquelas perninhas curtas e monocelha. Ela era jovem, nos seus trinta, e talvez isso estivesse na moda agora, eu não sei. Parei de acompanhar a evolução da mesma depois da criação daquelas calças que pareciam fraldas de bebê.

– Sim, mas eu estou falando... Alguém mais profissional.

Olhei para minha filha com certo desdém.

– Querida, se está planejando contratar uma babá para mim, você poderia logo me largar em um asilo. – Com sua expressão de assombro, acrescento – Está tudo bem, muitos dos meus amigos já estão neles. Os que estão vivos, digo.

– Você não precisa ser assim. – Ela falou, desviando os olhos e deixando claro o quanto nossas conversas passaram a ser desconfortáveis para ela.

Eu nunca pretendo ser grosseiro, as palavras simplesmente voam porta afora, como se eu tivesse perdido a lombada que as pessoas normalmente têm no caminho entre o cérebro e a boca.

Respiro fundo e deixo o controle da TV de lado para pegar a mão de Gabriela. Ela arregala os olhos para mim e fico um pouco triste com sua reação.

– Eu estou bem. Ainda consigo fazer muitas coisas sozinho. – Como ela não pareceu convencida, continuei – Eu nunca caí no banho, como o Tiago, e não estou esquecido como a Margarete.

– Mas você mora sozinho nessa casa enorme. – Insistiu, apertando minha mão de leve – Você não se sente solitário? Eu sei que eu ficaria.

– Sua mãe morreu faz seis anos e, antes disso, na época da faculdade, também morei muito tempo sozinho. Solidão não é problema para mim. Além do mais, duvido que alguém em seu estado são concordaria em viver comigo.

O silêncio dela me dizia que concordava, ao menos um pouco, comigo.

Minha própria filha não moraria comigo nem se eu pagasse para ela.

– Não precisa ter peso na consciência por não me visitar o suficiente. Sou um homem adulto. – Sorrio para ela e solto sua mão, voltando a pegar o controle.

Agora já fazem duas semanas desde sua última visita e eu menti.

Não sobre não precisar de uma babá ou nunca ter caído no banho (eu escorreguei uma vez, mas não cheguei a cair), mas sobre a solidão não ser um problema para mim. Na verdade, estou começando a acreditar que é a razão principal de eu ter ficado assim. Depois que Ivana morreu as coisas ficaram esquisitas, a casa parecia grande demais para mim, a cama não esquentava como antes, nada tinha mais graça. Os dias se arrastavam, todos iguais, cada coisa que eu fazia parecia um interminável checklist a ser preenchido: acordar, escovar os dentes, comer, me forçar a pintar alguma coisa, assistir TV, comer de novo, voltar para a tela, escovar os dentes, tomar banho e dormir. Todos os dias sozinho, todos os dias sem conversar com ninguém, só eu e eu mesmo. Dependendo da minha disposição, algumas vezes tinha um monólogo animado sobre qualquer coisa ou gritava com os filmes que passavam na televisão de tela plana – presente da Gabriela de natal do ano passado. Em dias de ouro, eu retrucava com os repórteres dos jornais e até que me divertia.

Mas nada se comparava a ter o contato diário com pessoas de verdade, que estão do seu lado e não necessariamente atrás de uma tela ou de um telefone. E, mesmo sem perceber, quando Ivana se foi, tudo que me restou foram as telas e uma filha distante que, com minha mudança de humor, ficou ainda mais longe. Prova disso são os dois netos que vi somente seis ou sete vezes. Eles estão com quatro e oito anos.

Às vezes paro e me lembro da minha vida, quando eu tinha essas idades, e questiono como cheguei nesse lugar, como parei de sentir prazer em colorir dentro das linhas e de repente tudo que mais desejo é largar os pincéis. Seria tão mais fácil, esse esforço de me obrigar a pintar é exaustivo e eu sei que minhas pinturas não significam o que antes significavam. Eu nem mesmo fico feliz ao terminar um quadro, tudo que sinto é um alívio, como uma farpa que finalmente foi arrancada do meu dedo, mas somente para perceber que tenho mais cinquenta espalhadas pelo resto do corpo.

Será que eu sempre fui tão frágil assim?

Será que eu sou tão pobre em termos de autocontrole e autoconhecimento para afundar na lama por estar sozinho? O que significa não suportar a própria companhia?

Como os eremitas aguentavam?

Tem dias que eu juro que se não sair de casa e ver alguém, nem que seja um desconhecido na rua passeando com seu cachorro, eu vou pirar. Pode estar nove graus lá fora e chovendo, mas quando sinto meu peito apertar eu tenho que sair, então coloco várias camadas de roupa e torço para não pegar um resfriado.

Foi em um desses dias que eu, oficialmente, conheci meu vizinho, o filho mais velho de Anderson. Ele também estava coberto de roupas, talvez umas duas jaquetas por cima de uma camisa (quem sabe o próprio pijama) e tinha uma touca engraçada enfiada na cabeça, escondendo os cabelos compridos e escuros.

Nós passamos um pelo outro e nos cumprimentamos com um aceno de cabeça. Quando estávamos mais ou menos dez passos de distância um do outro, escutei ele gritar.

– Velho nojento!

Imediatamente me virei e o vi, ainda andando, mas mexendo o braço direito como se girasse uma manivela invisível e tendo um tipo de espasmo que encolhia seus ombros e atrapalhava seus passos. Lembrei da síndrome que Gabriela havia mencionado brevemente e tentei me lembrar de qualquer síndrome que eu tivesse ouvido onde os portadores xingassem e não tivessem controle sobre o próprio corpo.

Eu não conhecia nenhuma.

– Ei, está tudo bem? – Gritei para o garoto, que se afastava mais e mais.

Ele continuou andando, sem me responder ou sequer se virar. Eu normalmente não teria me incomodado com isso, entendia muito bem como era estar de mau-humor, mas alguma coisa me beliscou forte e me vi apressando o passo para alcança-lo. Eu nunca tive problema de musculatura ou nos ossos, o que ajudou, em muito, a caminhada.

– Patrick, certo? – Disse, andando ao seu lado, visto que ele se recusava a parar – Não sabia que gostava de caminhar às duas da manhã. No frio.

Ele ainda não falava nada, com o olhar fixo no horizonte. O garoto devia estar em seus dezesseis anos e, verdade seja dita, parecia suspeito, andando sozinho àquelas horas da madrugada, como se estivesse fugindo de casa.

Com síndrome ou não, aquela era a idade da rebeldia.

– Seu pai sabe que você saiu?

– Ele sabe. – Sua cabeça caiu para trás e um som agudo saiu de sua garganta – Chupador de piroca do inferno!

Logo em seguida ele ficou envergonhado e virou o rosto para o outro lado. Apesar da minha surpresa, não parei de andar. Com certeza tinha a ver com sua síndrome.

– Certo. – Eu nem entendia porque estava preocupado, mas algo me dizia que seu pai não sabia mesmo que ele havia saído – Nesse caso você não vai se incomodar se eu ligar para ele, só para confirmar que está tudo certo.

Eu não iria fazer isso, nem mesmo tinha o número do cara, mas essa era uma armadilha que as pessoas vinham caindo há anos.

Ele finalmente parou de andar e me olhou com os olhos arregalados.

– Por favor, não ligue para ele.

– Por que eu não deveria? – Arqueio uma sobrancelha e enfio as mãos na última jaqueta que vestia – Você está fugindo de casa?

– Não!

– Certeza? Porque para mim parece que está fugindo.

– Se eu estivesse fugindo estaria levando uma mochila. Eu não estou fugindo! – A exaltação atiçou ainda mais os espasmos – Porra! Eu não sei amarrar os cadarços!

O olhei de lado, esperando que parasse de torcer as mãos acima da cabeça.

– Essa síndrome é realmente esquisita.

– Ah, obrigado. Em toda minha vida eu nunca tinha percebido. – Patrick cerrou os dentes e contei três ondas em sua testa.

– Qual é o nome?

Ele respirou fundo, como se se controlando para não quebrar meu nariz.

– Tourette.

Dei de ombros.

– Nunca ouvi falar.

– Sorte sua. É tudo que eu ouço falar.

A única pessoa que eu havia conhecido que possuía algum tipo de síndrome era a irmã mais nova de Ivana, com Síndrome de Down. Ela morreu cedo para os padrões humanos, mas até que viveu bastante para os padrões do Down. E essa era a vida dela, sempre girando em torno da síndrome, definida por ela. Para Patrick deveria ser a mesma coisa.

– Então, não pretende me contar porque saiu escondido de casa? – Voltei para a questão principal – Você não me deve uma resposta, claro, não me deve nada, mas eu também não lhe devo coisa alguma e posso ir direto contar ao seu pai que você fugiu.

Não, eu não havia perdido minhas habilidades de manipulação que usara tantas vezes antes, na época em que Gabriela era adolescente.

– Você não pode fazer isso.

– E por que não? – Cruzei os braços, firme.

– Porque – ele pausou, com os cachos de sua franja que estavam para fora da touca caindo sobre os olhos – porque não pode.

– Ótima razão. Você deveria ser um advogado, sabia?

– Cogumelos amarelos!

Patrick se aborreceu consigo mesmo novamente e mais tiques apareceram, contorcendo os dedos das mãos e uma vez dobrando o joelho e levantando a perna, curvando as costas. Mantive minha expressão impassível durante o tempo todo e quando os tiques cessaram, reforcei:

– Você é de menor e seu pai, que é o responsável legal por você, não sabe que saiu. Ou você me explica o que está acontecendo ou terei que avisá-lo.

Ele levantou o rosto para mim e vi naqueles olhos verdes o mesmo brilho de dor que Gabriela tinha quando brigávamos com ela por algo que, mais para frente, descobríamos não ter sido sua culpa.

– Você não pode ligar para ele. Meu pai vai me bater se souber. – Estava prestes a dizer algo do tipo “bem, você está saindo escondido”, quando Patrick continuou, me deixando sem fala – Ele sempre me bate. Vai ficar furioso comigo e vou ficar com hematomas novamente se ele souber.

Anderson tinha problemas de agressividade? Meu vizinho sorridente que passava domingos e feriados cuidando da horta e cortando grama cantando U2?

Eu por acaso havia confundido o menino?

– Eu só precisava sair um pouco, dar uma respirada. Não pretendo fugir. Por favor, não diga nada para o meu pai.

Por algum motivo lembrei de Ivana e do pouco que havia me contado de sua família; que sua mãe havia sido abusada e maltratada pelo próprio padrasto e engravidou duas vezes dele, com quinze e depois com dezessete. Aos dezoito, arrumou um emprego, um lugar meia-boca para morar e esqueceu da vida que havia tido até então. Os dois filhos ficaram com a mãe dela e o padrasto, que as criaram como se fossem os verdadeiros pais – bom, o padrasto era, mas a mãe não. A mãe de Ivana então se casou, com muitos problemas no relacionamento, dado aos traumas passados, e teve duas filhas: Ivana e Helena.

Não sei toda a extensão do que Ivana sabia, já que ela mesma havia me contado somente uma parte, mas era óbvio o quanto a machucava lembrar e falar sobre. Uma cicatriz que foi passada de geração, de mãe para filha e que somente terminou porque Ivana se recusou a contar o segredo para Gabriela.

O padrasto nunca foi condenado pelos seus atos e ele morreu como um homem nobre. Ninguém fazia ideia da maldade que ele carregava dentro de si, nem mesmo seus amigos.

Talvez os monstros realmente se escondessem nas pessoas que menos suspeitamos.

Meu vizinho Anderson, por exemplo.

– Você não deveria ficar aqui fora sozinho. É muito tarde. – Falei em um tom mais suave.

– Eu não quero entrar. – Patrick balançou a cabeça com veemência. Com medo, mas decidido.

– Entendo. – Respirei fundo e dei um passo atrás – Não irei contar nada para seu pai, Patrick, pode confiar em mim. Eu sei que não nos conhecemos direito, mas gostaria que soubesse que pode vir falar comigo, se quiser. Se precisar sair de casa e estiver frio demais para perambular aqui fora. Eu não me importaria em recebe-lo.

Dito isso, dei um tapinha em seu ombro, me virei e voltei para casa, torcendo para que Patrick se lembrasse disso, se precisasse no futuro.

20 de Maio de 2020 às 13:18 2 Denunciar Insira Seguir história
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Douglas Voigt Douglas Voigt
Simplesmente incrível. A narrativa inicial, o sentimento de solidão, a guinada inesperada do encontro dos dois. Tudo muito bem pensado e escrito. Adoro seus textos.
May 21, 2020, 14:14

  • Karina Zulauf Tironi Karina Zulauf Tironi
    Fico muuuito feliz que tenha gostado! Muito obrigada por ler e comentar <3 <3 May 21, 2020, 14:31
~

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