lslauri Liura Sanchez Lauri

Imagine que Wolverine tenha que lutar contra uma ameaça invisível! Um vírus que assola a Terra e não tem só como foco os mutantes, senão todos os humanos? Como ele se comportaria? O que seria capaz de fazer? Junto com a SHIELD, eles conseguem dar um primeiro enfrentamento, mas as coisas escapam ao controle e, no final, cada um de nós pode descobrir um herói dentro de si! Boa leitura!


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#virus #logan #james #wolverine #covid-19 #howlett
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Capítulo Único

Eu já ‘tô nesse mundo há tanto tempo que internalizei o “vai passar”... Eu sei que tudo passa, que as guerras passam, que os horrores passam e que, algumas vezes, até as lições que deviam ser aprendidas, bem... elas também acabam passando!

Mas eu nunca, nesses quase 200 anos de vida, me deparei com algo que fosse tão assustador, tanto física quanto mentalmente! O que ‘tamos passando nesse primeiro semestre de 2020 é, realmente, global! E, pra contar um pouco mais sobre esse vírus, do meu ponto de vista, eu preciso voltar um pouco no tempo, saca? Mas não muito...

Era novembro de 2019 e eu ‘tava sobrevoando a China no porta-aviões da SHIELD, fumando um charutão cubano que o Nick Fury tinha descolado pra mim, o dia ‘tava lindo! Se tem uma coisa que eu aprendi é que – na maioria das vezes – ele sempre ‘tá. A gente que se enrosca com outras paradas e desvia nosso olhar do belo... Mas eu entendo que me custou muito tempo pra sacar isso e que não deve ser fácil pra alguém novo simplesmente ver um arco-íris atrás de cada merdaque acontece no mundo!

Enfim... Estávamos lá no convés, com o Nick sendo bem pessimista do jeito que só ele consegue:

- Logan, dessa vez acho que a humanidade vai acabar mesmo... Já passamos por tanta coisa juntos, mas eu nunca vi um vírus assim. Ele, ao mesmo tempo que não tem um potencial de infecção tão elevado, quando se instala, tende a matar rapidamente aqueles mais debilitados... E é contando com teu fator de cura que te chamei pra essa empreitada!

- Cara, tu fala isso porque não enfrentou o vírus Legado... Enquanto um vírus “só” ‘tá matando uma camada social, ‘tá tudo lindo, né? Seu humano duma figa! ‘cê ‘tá mais pra robô desalmado, Fury! – e solto uma grande baforada de fumaça na cara dele.

Meu interlocutor resolve não responder, faz cara de maus amigos e, com a mão, espalha a fumaça pra longe.

- Você ‘tá dentro ou fora?! Esse vírus parece não ter preferências genéticas...

- ‘tô dentro! E tu sabe! Tudo que minha mutação puder fazer pra ajudar, eu ‘tô dentro... Agora, se não se importa, eu vou saltar aqui mesmo que essa conversa já começou a feder, Nick! – e, sem esperar a resposta dele, eu saltei pra um dos prédios que estavam abaixo de nós.

Precisa ter alguma vantagem em ter ossos de adamantium e fator de cura, né? Não é só pra ostentar as trincas de garras pra mulherada!

Cai no heliporto e aproveitei a velocidade e o ângulo de descida para rolar um pouco e absorver o impacto. Não era porque estava acostumado a dor que não doía e, seu eu puder evitar, sempre é bom...

Desci pelo elevador e ganhei a rua lotada. A China consegue ter a capacidade de aglomeração humana mais incrível que já vi! E olha que já estive em outros planetas! Algumas pessoas de máscara, o que é normal de se ver e muitos olhares desconfiados, fosse por eu não ser chinês, fosse pela minha condição física, fosse pelo charutão que eu ainda fumava, ou pelo leve amassado das minhas roupas... Fato é que não me importei e continuei meu caminho. Segundo o Nick, havia um hospital com muitos internados por esse novo vírus. As pessoas estavam no PS e, alguns dias depois, algumas já tinham que ir pra UTI e, poucas delas, saíam com vida dali... Especialmente se já tinham alguma outra sintoma descompensado: hipertensão arterial, diabetes, doenças cardiovasculares e/ou mais de 70 anos! Meu relógio-localizador começa a vibrar em meu pulso e, então, paro diante da construção, terminando de tragar com gosto antes de apagar o charuto e jogar numa lixeira próxima.

Agora, eu teria que me disfarçar de médico ou enfermeiro pra conseguir chegar até a UTI. Eu precisava estar em contato com os infectados de pior grau. Esse era o plano do Nick, eu me infecto, sabe-se lá como, volto pro porta-aviões e eles retiram meu sangue e algumas secreções pra ver como meu fator ‘tá lidando com isso e se eu posso ser usado pra produzir uma cura ou algo que o valha.

Belo plano! Pena que a biologia nem sempre coopera com a gente. E, se ela cooperasse, eu nem ‘tava aqui, né?!

Encontro um médico saindo pela porta da frente do hospital e começo a seguir o cara, enquanto tiro do bolso da calça uma luva com um chumaço de gaze embebido em uma espécie de clorofórmio. Ele vai até um carro próximo e, quando o abre, eu entro junto com ele, no banco de trás; antes que ele possa começar a gritar por socorro, eu falo em mandarim que sentia muito, mas que precisava das credenciais dele. Seguro o gaze por uns dois minutos em suas vias aéreas e ele desmaia; troco de lugar com ele e levo o carro pra uma rua próxima, menos lotada.

Uso uma fita de silvertape na boca dele e prendo os braços e pernas só pra constar... Eu não pretendia voltar e expor um profissional que ‘tá fazendo das tripas coração na tentativa de enfrentar algo que ele não conhece, como esse vírus.

<Tenha bons sonhos, cara...> - pego seu crachá de entrada e, com a planta do hospital memorizada anteriormente, vou pelas escadas até o andar que me interessa. Lá, visto o jaleco do bom doutor e percebo que a equipe de apoio ‘tá toda paramentada: máscara, luva, protetor facial, macacão descartável e propé. Assim que ponho os pés naquele andar, uma enxurrada de pessoas vêm na minha direção, dizendo que eu não devia estar ali!

<Como o senhor chegou aqui? É perigoso sem os paramentos! Volte, volte!> - exigia uma que, pela diferença na cor do macacão devia ser a enfermeira-chefe.

<Eu não posso! Vim aqui pra entrar num desses quartos! Sei que parece estranho, mas eu ‘tô aqui pra ajudar...> - e, ao me desvencilhar dela, sabia que não havia pessoal de segurança naquele andar, pois eles também deveriam perder algum tempo se paramentando antes de entrar ali!

Todos ficaram “congelados” com a minha resposta e eu, me aproveitando, começo a vagar pelo corredor principal.

Senti medo no cheiro das pessoas, não pelo que eu ‘tava prestes a fazer, mas antes mesmo de eu chegar. Aquele lugar todo, médicos, enfermeiros e pacientes estavam com muito medo... Os outros não fizeram muito esforço pra me proibir de entrar. Eles não queriam correr o risco de ter uma parte da roupa destruída e poder ficar em contato com o vírus. Apesar de não estarem tão paramentados quanto no surto do Ebola, eles não sabiam direito com o que lidavam e esse era o problema!

Eu também não sabia, mas pra quem tinha passado pelo vírus Legado, eu até que estava confiante demais na possibilidade de, ao menos, doar plasma com anticorpos pra algumas centenas de pessoas!

Ando pelo corredor e, infelizmente, nos dois primeiros quartos, nem vale a pena entrar, pois o cheiro de morte tão evidente pra mim ainda será demonstrado pelos equipamentos ligados aos corpos. Eram dois idosos, homens... Seus olhares já nem tentavam mais entender o que havia de diferente no corredor, seus sinais vitais ainda insistiam, mas eles já tinham deixado este mundo...

Não é porque vivi tanto e matei tanto também que banalizo a morte... Ela, quando vem na idade dessas pessoas, devia ser muito bem-vinda! Mas aqui, as pessoas estavam sozinhas... Eles não tinham a companhia dos parentes ou de alguém que se importasse com eles. Era uma situação muito triste... Começo a pensar que quando minha hora chegar, eu quero estar tão decrépito quanto esses dois! Se é que algum dia eu vou envelhecer... Quem sabe é a minha genética e, até agora, ela não arregou muito pro tempo, não...

Nos outros quartos havia pessoas na casa dos 60 anos, homens e mulheres e, mais pra frente, tinha até um adolescente. Esses pareciam responder melhor ao tratamento que, no meu curto período ali, era inespecífico. Todos estavam com um monitor cardíaco, e só!

Num dos quartos, uma senhora chorava. Esse era o local perfeito pra mim, já que podia até usar as lágrimas dela pra tentar me infectar, né?

<Boa tarde, senhora. Posso entrar?> - eu me inclino, diante da porta, respeitosamente. Do lado dela tinha um homem dormindo e que não acordou com minhas palavras.

Ela se assustou e limpou apressadamente as lágrimas antes de se virar pra mim e, depois de me ver, seu rosto demonstrou ainda mais seu susto!

<O que o senhor está fazendo aqui desse jeito? Está louco, doutor?> - sentando-se na maca.

Estranhei o nome de doutor, mas depois lembrei que estava de jaleco e me aproximei dela, sem cerimônia:

<Pode ser... Eu estou tentando uma nova abordagem a essa doença, sra...>

<Só Mei, por favor... Não há necessidade do “senhora”... Pra mim, é um alívio ver um médico vestido normalmente, até me deixou mais calma, doutor...>

<Logan, pode me chamar de Logan. Mei, ‘cê ‘tava chorando agora a pouco, por quê? Eu posso te ajudar de algum jeito?> - já que eu ia “usar” ela pra me infectar, era o mínimo que eu podia fazer...

Ela estranha aquela conversa, desde quando um médico se preocupa com os problemas pessoais dos seus pacientes, não é? Cerra os olhos na minha direção e, depois de outra pausa maior, não impede que duas lágrimas escorram novamente.

Eu aproveito seu silêncio e limpo com meu dedão as lágrimas, assustando ela com essa atitude.

<Não te preocupa, Mei. ‘cê vai sair dessa!> - e não era demagogia! Apesar do cheiro mostrar que ela e o companheiro de quarto ainda ‘tavam infectados, eu podia perceber de um jeito que não consigo explicar por palavras que eles iam se safar dessa! Enquanto dizia isso, esfregava as lágrimas dela entre os dedos e, em seguida, cocei meu olho. Essa podia ser uma via de transmissão, né?

Ao ouvir que sairia daquela situação, ela ousa abrir um sorriso.

<Senhor Logan, eu preciso sair daqui, porque tenho uma grande família para criar, sabe? E é a falta de contato deles que me fez chorar. Mas acho que sua frase de otimismo já me ajudou. Eu preciso estar bem para eles!>

<Esse é o espírito, Mei! E eu acho que tu já sacou que não sou médico, né? Agora, pra que a gente possa ajudar muito mais pessoas, eu preciso te perguntar uma coisa: como ‘cê acha que foi infectada?> - e enquanto eu falava com sinceridade ela ia ficando mais atenta. Sorri, coloca o cabelo para trás da orelha e comenta:

<Desde que o vi entrando sem paramentos! Depois, ao sentir suas mãos ásperas contra meu rosto, tive a certeza de que a medicina não era seu negócio. Achei que tivesse vindo me matar... Mas seu discurso de ajuda aos outros me fez repensar essa ideia. Agora, não sei onde o senhor se encaixa, mas entendo que não tenho o direito de questionar isso...> - e ela ia pegar fôlego pra responder minha pergunta, quando eu falei:

<Se quiser, eu posso te dizer quem sou. Mas eu não sei se tu ia acreditar...> - e sacudi a cabeça, enquanto arregalava os olhos e dava de ombros.

<Surpreenda-me, forasteiro.> - comentou, sem que eu me sentisse diminuído pelo título; eu realmente não era chinês...

<Eu ‘tô aqui a pedido de uma organização secreta pra me infectar com esse vírus e, como eu me curo de quase todas as doenças do mundo, eles vão poder tirar o cretino de mim e estudar um meio de combater ele. Por isso te fiz aquela pergunta, saca?> - as expressões do rosto dela foram mudando até que ela riu! Riu da minha cara, na maior coragem! Minha fera interior teve vontade de mostrar pra ela o quanto aquilo era sério, mas eu respirei fundo e tentei colocar em prática aquilo que o Chuck tentou me ensinar: empatia. “Coloque-se, Logan, no lugar dos outros e desfoque sua raiva para trocar essa energia por atitudes positivas.”

Não era fácil! Se Deus existe, Ele é o cara que sabe disso! Ele e eu! Porque é muito mais fácil fazer o que dá na telha da gente, sem se preocupar com quem ‘tá na frente! Mas, nem sempre o mais fácil é o mais indicado e, na maioria das vezes, não termina bem pra gente mesmo... Por exemplo, eu podia sentir o cheiro de várias pessoas no corredor, esperando, tentando ouvir nossa conversa; vários corações acelerados, cheiro de suor e de feromônios, tudo isso tendia a fazer meu corpo responder do mesmo modo: luta ou fuga! Mas, por trás dessa bioquímica, tinha a minha mente, ou seja, eu mesmo! O cara que decide o que quer fazer com seu corpo! E eu decido que não quero lutar e, pra loucura do meu corpo, nem fugir! Quero ficar e controlar essa raiva. Acho que essa pandemia me fez pensar em coisas que raramente tinha pensado na vida. Desse jeito, vou acabar virando filósofo! Afff!

Devo ter demorado um pouco pra me acalmar, fato é que voltei a mim com o calor da pele dela encostando em minhas mãos e, pelo choque que isso me deu, eu rapidamente sai de perto da Mei.

<Senhor Logan, então é verdade? Peço desculpas por ter rido do senhor... Achei que estivesse me querendo fazer rir, já que os pacientes que mantém o bom humor saram mais rápido. Minhas sinceras desculpas!...>

<Cumé que tu sabe que eu ‘tava falando a verdade?>

<Quando eu prestei atenção no seu silêncio, pude ver uma veia na sua têmpora e percebi também a emanação da sua Ki. Obrigada por não se deixar vencer por si mesmo...>

<Cumé possível? Tu também luta?>

<Sou a responsável por levar adiante o dojang de meu pai. Ele era o mestre, eu sou uma humilde continuadora de sua arte, o haidong gumdo... Mas sei que não conseguirei chegar ao nível dele. Esses também eram os pensamentos que me levaram às lágrimas...>

Essa arte coreana da espada não era muito difundida, mas eu já tinha visto grandes mestres dela, durante minha longa vida. Ela era uma espécie de samurai moderna, com a mesma moral deles. Fiz cara de interrogação e ela continuou a se abrir:

<Acho que contraí a doença no hospital, senhor Logan. Estou em tratamento de um câncer – e ela se obrigou a pausar – agressivo no estômago e há 15 dias estive neste mesmo local para receber minha dose de quimioterapia. Algumas pessoas estavam internadas com suspeita de uma nova gripe e, muitas deles, estavam tossindo e espirrando no mesmo local que eu fiquei. Acho que a infecção é via aérea...>

Ouvir uma mulher daquelas, de aparência tão forte, descrever algo assim, foi um golpe. Eu sempre me questionei por que eu tinha aquela mutação, enquanto pessoas que pareciam tão certas e justas tinham que adoecer e morrer? Ouvi com atenção a descrição dela, fui me aproximando da maca e então lancei:

<Olha, pode parecer loucura, mas eu te entendo melhor do que imagina. Sou um ronin e tenho sido por muito tempo. Eu acho que a associação que me mandou aqui poderia te ajudar com esses problemas de saúde... Mas, pra isso, tu teria que topar deixar esse hospital e subir comigo até o heliporto. Eles tão esperando um sinal meu pra me pegar lá...>

<É loucura! Desculpe, mas eu não vou correr o risco de sair desse hospital. Sei que eles estão enfrentando algo que não conhecem, mas estão dando o melhor. E quanto ao câncer, se esse possível tratamento não existe pra massa, eu não sou diferente de ninguém pra merecer mais do que os outros têm... O senhor entende, não é mesmo?>

Pior é que entendia! Caso eles conseguissem operar o câncer e ter certeza de que as células alteradas não iam mais aparecer, com que cara ela ia aparecer pros outros que vão fazer os mesmos tratamentos que ela? Como saber que ela foi privilegiada? Meu rosto passava a tranquilidade de quem entende e concorda com a escolha dela:

<Teu pai ia ficar orgulhoso, Mei... E eu espero que a nossa conversa tenha sido capaz de me infectar. Te prometo que esse hospital será o primeiro a colher os frutos do que eles encontrarem. Nem que eu tenha que trazer pessoalmente, viu?>

Ela sorriu, positivou com a cabeça e, novamente, pegou minhas mãos. Eu fiquei imaginando há quanto tempo ela ‘tava sem nenhum contato humano e deixei meu olhar cair carinhoso sobre ela. Acariciei de volta e, então, ela me surpreendeu ao aproximar mais seu rosto de mim, dizendo:

<Nós, os doentes, não queremos que o senhor perca a viagem!> - e me tascou um beijo bem molhado que, depois da surpresa, eu fiz questão de retribuir.

Ela não quis falar mais depois disso. Mas eu percebi uma urgência naquele gesto, provavelmente mesclada com a solidão que o câncer havia trazido pra ela. Nós nada sabíamos um do outro e, por mais que eu quisesse ajudar, sabia que ela ia enfrentar a vida como tinha feito até agora: com doação total. Nossas mãos ainda estavam enroscadas e permaneceram assim por alguns minutos até que eu agradeci verbalmente e saí, sem olhar para trás. O corredor ‘tava cheio de pessoas, algumas com olhar compreensivo, outras apreensivo. De entender, ninguém sabia o que eu faria ali... Não dei explicações e nem demonstrei movimentos agressivos, apenas caminhei até encontrar a escada de incêndio. Subi até o heliporto e mandei, pelo relógio, um pulso pra avisar que minha missão ‘tava cumprida. Eles mandaram um jato propulsor guiado que eu vesti e usei pra subir.

O Nick me esperava no convés, com uma roupa de “astronauta” e tinha um sorriso bobo no rosto.

- Agora você se superou, Logan! Se aproveitar de uma mulher doente?

- ‘cê ‘tá louco? Foi ela que me beijou! E foi puramente técnico. Ela queria ter certeza de que eu ia me infectar, pra conseguir ajudar as pessoas... Eu, hein!

Ela sacudiu a cabeça negativamente e deu alguns passos para trás e a equipe de médicos veio me isolar para que eu não infectasse todo o porta-aviões.

Passei por algumas horas num quarto como de hospital, com a diferença que estava isolado do resto e na espera de que algum sintoma aparecesse. Estávamos trabalhando com o tempo que a Mei nos passou: ela ‘tava há uma semana no hospital e tinha ido há 15 dias pra fazer a quimio, com isso, contamos com uma semana pra incubar e multiplicar. Mas meu organismo não gosta de esperar tanto tempo com vírus mortais dentro dele! E como é um pouco acelerado, dentro de 4 dias eu comecei a espirrar e sentir alguma secreção no nariz. Os técnicos da SHIELD estavam coletando amostras do meu sangue todos os dias, três vezes ao dia. No dia anterior aos meus sintomas eles já tinham me avisado que o vírus tinha sido isolado e que era um corona vírus. Continuaram a retirar sangue, em maior quantidade, depois dessa verificação e eu, quase literalmente, estava comendo um boi inteiro por dia, pra manter meu fator de cura em 100%! Ouvi o Nick comentando que tinham conseguido um plasma com anticorpos e que poderiam testar no hospital onde eu fui. Fiquei muito interessado em participar, mas ele me queria como doador e não como participante.

- Você não pode sair daí, Logan! Está uma bomba-relógio, liberando vírus por todas as secreções! Vai fazer mais mal do que bem. Fique aqui! Descanse, coma, leia, assista um filme...

- Nisso ‘cê ‘tá certo, Nick! Não quero infectar outras pessoas... Agora, tu deve imaginar que eu não aguento mais ficar aqui, sem fazer nada, né?... Me dá uma tela pra eu acompanhar a intervenção de vocês no hospital, vai?

- Isso eu posso conseguir pra você; guenta aí. – e saiu gritando com alguns subordinados o que desejava. Consegui ouvir, já quando ele ia longe, o nome da Mei nas frases dele. Espero que ele esteja querendo tentar com ela um método melhor dela sair daquela UTI!

Demorou uns 20 minutos e um soldado raso me trouxe uma tela de plasma com a ação já rolando. A tela tinha uma câmera também. Mas eu não sei se ‘tava enviando a minha. O que importa é que eu via os agentes da SHIELD com crachás, falando em chinês e explicando que aquele hospital estava sendo escolhido como um modelo na cura do novo vírus. Eles quiseram uma reunião com os médicos responsáveis pela UTI, pois iam dividir o que tinham descoberto com eles. Além de informar sobre o uso do plasma hiper imune.

A reunião correu bem. Os médicos sentiram, pelos tons das vozes, que a autoridade só estava transmitindo o que fariam dali pra frente. Senti, pelos olhares de alguns, que aquelas medidas teriam sido mais bem aceitas se os agentes tivessem ido com mais humildade. Mas... Eram necessárias ações extremas num momento desses.

Paramentaram-se, subiram pra UTI e explicaram o procedimento pra enfermeira-chefe, perguntando onde estava a paciente chamada Mei; ela, realmente, foi a paciente escolhida para receber a primeira dose. De minha parte, eu sabia que ter tipo sanguíneo ZERO e fator Rh negativo não poderiam fazer mal a ela. Mas, parece que no caso do plasma, isso nem conta! É menor ainda a chance de fazer mal pra outra pessoa, seja qual for o tipo de sangue e o fator Rh dela. Fiquei tranquilo... Mas quando injetaram, senti uma adrenalina. Queria ‘tá lá, segurando a mão dela...

Um técnico veio pra me tirar mais sangue, conversamos trivialidades e depois voltei ao vídeo. Já ‘tavam em outros quartos, administrando o plasma. Iam esperar algumas horas pra checar os resultados. Mas pela conversa deles, tudo parecia estar ok.

E, quando vieram me trazer a comida, a guria toda paramentada me olhou diferente.

-‘tá tudo bem, guria? Quer falar alguma coisa?

- Agradecer, sr. Howlett! Sempre admirei os heróis, mas questionava se era somente pelos aplausos. Hoje, eu sei que não é bem assim...

Eu não pude deixar de rir! Eu, o cara que os X-Men mandavam pra missões quando queriam apagar alguém sem dor na consciência, ‘tava recebendo um agradecimento por algo que nem precisei suar pra fazer?

- Não exagera, guria! E não espalha... – ela foi saindo – Ah! Eu ouvi dizer que o Homem de Ferro é mais pelos aplausos sim!

E ela saiu rindo, enquanto eu ria da minha piada infame também.

O médico daquele plantão veio me ver e afirmou que em dois dias eu estaria de alta. Pois as unidades virais estavam decrescendo consideravelmente.

- Era o esperado, sr. Logan. Devido ao seu fator de cura acelerado.

Agradeci e voltei ao vídeo. Tinham passado em alguns pacientes, nenhum deles teve piora do quadro e, ao contrário, tiveram melhora significativa. Conversaram com os médicos e o prazo era mais 10 dias na UTI mas, pelos novos dados apresentados, era esperado reduzir para três dias!

Seria necessário aplicar uma dose a cada 36h, por três dias, mas esse protocolo poderia ser alterado posteriormente. Deram um cartão “falso” para os médicos, onde poderiam telefonar e conseguir mais plasma, apesar de que aquela quantia era exata para os pacientes da UTI. Foram à área comum do hospital também e conseguir aplicar em metade dos pacientes com suspeita do corona vírus. Esperando que nenhum deles subisse para a UTI. Esse era um estudo pioneiro!

Depois de dois dias, consegui meu “salvo conduto” e informei o Fury de que ia ver a Mei.

- Pra quê, Logan? Deixa a camponesa viver a vida dela... Ter contado com você pode ser perigoso, homem!

Eu nem respondi... Já tinha deixado claro que era só pra informar! Descolei um outro jato propulsor e desci, indo direto à UTI e sendo recebido, pelos resultados tão positivos desses últimos dois dias, pela mesma enfermeira, ainda paramentada, mas com um sorriso no olhar.

<Não sei como o senhor fez, mas agradeço em nome da equipe! Eles estão muito melhores e graças a sua intervenção. Obrigada!>

<Imagina, tenha certeza de que eu fiz a menor parte. Vocês são os verdadeiros responsáveis! E, com certeza, devemos muito a vocês.> - e fui indo em direção ao quarto da Mei, mas não sentia o cheiro dela, até que a enfermeira me disse:

<Mei recebeu alta hoje cedo... Ela deixou um bilhete para o senhor...> - estanquei os passos e dei meia volta, seguindo-a até o balcão da UTI.

Ela me entregou uma folha dobrada em quatro. Em cima estava “洛根” (Luò gēn) e antes de pegar a folha o odor dela bateu forte em meu nariz.

Os ideogramas diziam o quanto ela agradecia por terem conseguido cumprir a missão e o quanto ela estava feliz por terem conseguido encontrar algo para ajudar aqueles que sofriam e o quanto essa atitude havia dado esperança para ela. Com isso, um lado que ela acreditava morto voltou e ela me agradecia. Terminou dizendo que, de um samurai para outro (“pois todo samurai tem mestre! E, no seu caso, é a Vida!”), esperava que eu compreendesse o que viria e que o beijo havia sido mais do que somente uma obrigação. Fiquei pouco tempo sem entender o que “viria”, pois um homem se aproximou para interpelar sobre o envio de mais plasma.

<Mas o que deixamos com vocês foi o suficiente para mais um dia, não é, doutor?>

Eu percebi que ele ficou sem jeito, mas acabei pressionando com um “não é?” mais incisivo. Ele suava, seu coração acelerou muito e depois de um pigarro, ele disse:

<Não sabemos o que ocorreu com as bolsas, mas acreditamos que foram roubadas!>

- Mas que porra!

<Pois não, senhor?> - perguntou o médico, sem entender.

<Quero o endereço da Mei, acho que tenho uma ideia de onde as bolsas foram...> - não conseguindo respirar direito e nem conter minha raiva.

Arregalando os olhos, o médico foi até a enfermeira-chefe e pediu todos os dados da paciente, entregando uma cópia pra mim.

Agradeci e subi pro heliporto, avisando o Fury sobre o ocorrido e pra onde eu ia.

- Não precisa, Logan! Conseguimos clonar os anticorpos, tem o suficiente aqui pra todo o hospital!...

- Não dá pra deixar pra lá, Nicholas! E se ela for vender pro mercado negro! Isso é uma parte minha... Não posso deixar ficar assim!

- Ah! Então é algo pessoal? Aviso que a SHIELD está totalmente fora dessa. Você está por si mesmo!

-Arregando, né? Como sempre! O que importa é continuar a cuidar dessas pessoas, vai! Eu vou fazer o que sei melhor! – e arranquei o localizador do pulso enquanto pisava nele.

Já tinha visto no mapinha do localizador onde era o endereço dado pela Mei e percorri o caminho voando na altura dos prédios. Não era longe e, por isso mesmo, saquei que era frio!

Deixei o jato bem escondido, quem sabe podia ser útil, e comecei a explorar a pé. Ela tinha alguma ligação com aquela região, senão não teria ido parar naquele hospital. Eu só precisava ter paciência que encontraria o cheiro dela! Fui caminhando um pouco para o interior e percebi a diferença de condições sócio sanitárias; como vários países pelo mundo, as diferenças sociais eram gritantes...

Dormia pela rua e passava o dia procurando um odor específico. Depois de três dias, passando numa rua de bairro, assim com o cheiro me acertou, o nome “Dojang Shung-Mei” na construção quase não deixava dúvidas: era aqui que encontraria a ladra mequetrefe!

Me ocultei na rua da frente para ver a movimentação no lugar e me surpreendi pelo entra e sai de diferentes pessoas, mais parecidas com pessoas comuns que lutadores ou praticantes de qualquer arte marcial.

Senti que meus preconceitos não pareciam bater com realidade e, sem mais aguentar pela espera, entrei no dojang, vendo uma cena constrangedora: vários shikifutons espalhados pelo chão, servindo de macas improvisadas para duas dúzias de pessoas! A uma certa distância delas, pessoas oravam fervorosamente; mulheres, crianças, adolescentes e homens. Todos unidos pelo desejo de que um poder superior fosse capaz de anular aquele mal.

<Entendeu por que eu fiz o que fiz?> - a voz dela bateu em minha orelha direita - <Eles estão infectados e não teriam condições de atendimento naquele hospital... Mas, graças a nós, eles podem ter uma chance, Logan!>

Virei rapidamente, mais rapidamente do que ela poderia reagir e a segurei pelos ombros. Meu corpo tremia, clamando para que eu desse uma resposta física àquela afronta! Ela havia roubado algo biologicamente seu! Como ela podia?!

<Olha, Mei, ‘tô tão puto agora que só consigo pensar numa frase: “a oportunidade mostra o ladrão”! ‘cê não tinha o direito de roubar! Mesmo que fosse pra isso...>

Pega de surpresa, ela faz força para se soltar, mas ao perceber a impossibilidade, ela só alfineta:

<Não consegue dizer “salvar essas vidas”?> - eu a solto, ela não iria deixar seus pacientes e fugir - <Você não conhece o sistema, Logan... Umas pessoas são mais iguais que outras... E eu não podia deixá-los a própria sorte. Se quer me chamar de ladra por isso, eu não vou pedir um duelo para limpar meu nome, eu aceito. Aceito porque qualquer título dado por alguém que não me conhece não significa nada pra mim! Eu sei de mim e dos meus motivos! Não espero simpatia... Agora, se me permite, está na hora da nova dose...>

Fico ali parado, encarando aquela guerreira que se desvirtuou brevemente do caminho, acreditando que acertava se os fins justificassem os meios. Mas não era hora de eu dar nenhum sermão. Ela já tinha problemas demais pra contornar e ao pensar mais claramente, consegui concatenar as ideias:

<São muito mais pessoas do que no hospital, Mei e você só tem parte do tratamento. Como espera que esse tratamento surta efeito?>

<Eu fui a primeira cobaia. Senti em mim quando os resultados vieram e digo que estão usando muito do seu plasma e com muitas repetições. Não é necessário! Eu senti em meu Ki que estava curada depois de 24h da primeira dose! Com isso, se não houver mais infectados no bairro, conseguiremos debelar o problema.>

<Tu sabe quem foi o paciente zero daqui?>

Ela não me respondeu nada, apenas baixou a cabeça e, então, eu entendi o quanto ela se sentia responsável por essas pessoas.

<No que eu posso ajudar?>

Ela novamente não articulou nenhuma palavra, mas olhou para as famílias que estavam orando pelos seus entes queridos. Entendi que, nessa hora, era pra eu ser o “estraga prazeres” da moçada.

Pedi a atenção deles, expliquei que eu vinha do hospital da cidade e que era responsável por aquele tratamento e para que ele fizesse efeito, as pessoas deviam ficar isoladas por dois dias. Disse que aquele era o primeiro pedido, o pedido educado e que o próximo não seria tão educado assim...

Aqueles que pensaram em retrucar levaram uma olhada do meu ódio mais profundo e desistiram. Pessoal inteligente! Foram saindo aos poucos, até que fechei as portas do dojang de vez.

<Enfim, sós!...>

<Graças aos Deuses! Já tinha explicado, falado, pedido, e nada! Cheguei até a ameaçar!>

<Intimidade é uma merda, Mei... Eles manjavam que tu é boa demais pra ser cruel com eles... Aliás, o que tu ‘tá fazendo aqui mostrava pra eles que de cruel tu não tem é nada!>

Começamos a cuidar dos pacientes, alguns apresentavam um quadro de febre, outros de tosse, coriza, delírio... A maioria só estava debilitada demais pra conseguir se mover direito. Os homens estavam felizes de ter outro homem pra levá-los ao banheiro e, com isso, passamos o dia. Trocávamos algumas palavras, a Mei sempre se justificando pelo furto que havia cometido. Mas eu deixei de ligar pra isso. Percebi que, realmente, eu não a conhecia. Ela não corria nenhum risco de mudar de lado, porque tinha bases sólidas para seus atos e eu somente conseguia ver a bondade guiando seus passos e emanando de seu Ki.

Suas auto-observações estavam certas. Era possível tratar das pessoas com a metade da dose e na metade do tempo! Dois dias depois, apenas um idoso permanecia ali. Com um quadro complicando-se para uma pneumonia.

<Ele precisa de um hospital, Mei! Não temos equipamento pra dar conforto pra ele aqui e, sinceramente, ele não merece sofrer assim...>

<Por que seu plasma não funcionou nele, Logan?!>

E o senhor, nos ouvindo cochichar sobre isso, resolveu interferir:

<Porque eu não tenho mais energia para me manter nessa vida, meus amigos... Querida Mei! Eu te agradeço por todo esforço, mas quando a ânfora está rachada, não adianta enchê-la do mais puro vinho... Creio que esse líquido tem aumentado meu tempo de vida, mas não é capaz de criar energia vital onde não existe mais material!> - essas palavras foram ditas entre muita falta de ar, mas com uma voz e olhar tão serenos que não tinha como negar o quanto ele ‘tava pronto pra isso.

<Não! Pang! O senhor me ensinou tanto do que sei, não vou aceitar essa resposta, essa... Essa rendição!> - e ela se ajoelhou bem perto dele, beijando suas mãos.

Eu nada tinha que fazer ali. Estava cansado pelas noites em claro e, com isso, fui para uma parte mais afastada da construção, onde havia um lago com carpas e alguns bambus. Sentei em posição meditativa e me uni à Natureza ao meu redor. Meus sentidos, já aguçados, eram capazes de sentir mais ainda e, depois de quase meia hora assim, parei de ouvir dois corações batendo perto de mim para ouvir o choro de Mei. Uma parte minha ficou feliz, ele não ‘tava sofrendo mais... Outra parte, o ego, queria que ele continuasse com a guria por muito mais tempo, até não ter mais condições de lembrar o próprio nome! Que vida é essa que desejamos aos outros que dizemos amar, né?

Ela demorou mais uma meia hora pra dizer tudo que queria ao velho. Encomendou sua alma aos Deuses e disse que cuidaria para que nada faltasse à neta dele. Que a adotaria como sua filha e a ensinaria o caminho da espada, sem a espada. Silêncio, seu coração retorna aos batimentos esperados, um forte suspiro e ela começa a se movimentar em minha direção, me procurando. Permaneço sentado, meditando. Percebo que o caminho de onde estava até mim foi certeiro:

<Ele se foi, Logan... Uma parte de mim morreu hoje...>

Nada respondi, apenas acenei com a cabeça. Não sou muito bom com as palavras em meu idioma nativo, imagina como iam sair em chinês?! Mas eu sabia que as pessoas que amamos e que morrem não levam uma parte da gente. Elas somam uma parte delas em nós...

Me levantei, a abracei, puxando toda aquela tristeza para mim, em forma de choro copioso que, quente, arrebentava no meu peito. Sabia que o luto é uma parte necessária da perda. E ela havia se cercado de muita bondade para passar esse momento sozinha. Eu podia não ser o ideal, mas era o que os Deuses dela tinham escolhido. Daria meu melhor!

Ela dormiu em pé, abraçada em mim. A levei até o quarto e no segundo que a deitei no colchão ela abraçou forte uma das minhas mãos. Entendi o sinal como um pedido pra não passar a noite sozinha e me aninhei, sentado, ao lado dela. Segurando a mão que em seguida desceu e segurou meu calcanhar.

Não demorou muito pra eu dormir também. Não posso dizer que tenho sono pesado, mas os cochilos ajudam meu corpo a se regenerar e o pouco de sono REM, ajuda meu cérebro, se bem que algumas vezes, essa mutação o faz apagar cenas que eu não quero reviver, mas eu tenho certeza de que elas ‘tão salvas em algum lugar e, cedo ou tarde, eu vou ter acesso a todas elas. Mesmo que seja no momento que antecede minha morte, como muitas pessoas dizem, eu espero “ver a vida passar diante dos olhos”. Com tudo que a vida tem: alegrias, tristezas e – o restante do tempo – algo entre esses dois mundos.

Antes do Sol poder ser sentido sua claridade já invadia o ambiente, pássaros cantavam e vários deles frequentavam o pequeno jardim interno do dojang. A Mei ainda respirava fundo, perdida no mundo do sono, totalmente relaxada por ter feito o que achava certo.

Depois que ela despertou, preparou um desjejum pra nós e me pediu pra ir com ela até a casa do senhor Pang. Ela queria dar a notícia da morte pra família que, pelo que entendi, era apenas uma neta, ainda criança.

Acompanhei tudo de longe, respeitosamente. Fiquei pensativo... Como ela, quantos “Homo sapiens sapiens” estão realizando tarefas que excedem suas capacidades, todos os dias? Fazendo pelo outro o que nem eles mesmos conseguem fazer pra si? Sem uma equipe internacional de apoio, nem amigos mutantes a quem recorrer... Quem são os verdadeiros heróis? Eu não tenho dúvida nenhuma!... A vida dela nunca mais voltaria ao normal. As pessoas da vila nunca mais a veriam com os mesmos olhos e, a nova afilhada dela, teria uma oportunidade ímpar de aprender o caminho da espada com alguém que realmente o vive, intensamente. ‘cê sabe que ‘tá fazendo o caminho certo, quanto menos precisa desembainhar a espada! E essa guria sabe o que ‘tá fazendo!

Quando chegamos na casa da Mei eu percebi que aquele já não era mais meu mundo. Ela colocou a garota pra dormir e fomos os dois pro jardim interno, nos despedir...

<Você sabe que não precisa ir, senhor Logan...>

<Eu só ia sobrar por aqui, sabe? ‘cê tem tudo sob controle e ‘tá no caminho certo, Mei! Eu fui só um coadjuvante nessa sua incrível aventura! E agradeço por me fazer sentir como parte dela...>

Nos abraçamos, fiz minha memória gravar aquele odor que era só dela enquanto acariciava os cabelos escuros. Acabei puxando de um dos bolsos um cartão do Instituto Xavier. Entreguei dizendo que ela poderia me chamar sempre que sentisse urgência de uma mão amiga. Fosse pra conversar quanto pra agir em alguma necessidade do vilarejo.

<Eu estou com um péssimo pressentimento sobre essa doença, meu amigo! Não acho que seu plasma vai funcionar pra sempre e não creio que ela vá acabar agora... Você sentiu algo quando o vírus te infectou?>

<‘tô contigo... Os técnicos falavam em alta capacidade de mutação. Desse jeito, vai se espalhar fácil e sem conseguirmos conter... Eu sentia como se a cada meio dia ele quisesse me atingir num órgão diferente, saca? Sentia ele testando minhas fraquezas... Me espreitando, como um bom caçador!>

<Sim... Ele é um caçador invisível e isso faz de nós, presas fáceis!>

<Não te preocupa! Vive a vida e continua na tua jornada. Tudo passa, guria! Eu já passei por tanto e posso afirmar isso, viu? Apenas temos que fazer o melhor por nós e por aqueles ao nosso redor.>

Voltei a pé até a cidade, dormindo pelos caminhos e percebia que o vírus estava se disseminando naquela região. Ouvi várias pessoas comentando sobre o caso de sucesso daquele hospital onde a SHIELD agiu. Isso era muito bom, mas não sabia o motivo deles terem parado com a intervenção. Fui até o endereço da sucursal da Landau, Luckman e Lake (LLL) para descolar algum dinheiro e um meio de me comunicar com o Nick.

Ele me explicou que o plasma parou de fazer efeito devido a uma mutação do vírus e que, se fosse necessário de semana em semana me infectar para conseguir plasma hiper imune, então não valia a pena. Eles iam trabalhar com o que tinham, mas ele estava bem pessimista quanto a comportamento desse microrganismo.

E foi assim que os meses passaram. Um pouco de pânico, outro pouco de realidade. As pessoas vão acreditando em quem podem. Trancadas em suas casas, contam somente com partes da verdade faladas por pessoas diferentes. Todos tentam montar um cobertor de patchwork!...

Eu sei de algumas teorias, mas elas não trariam as pessoas de volta e, então, não tem motivo pra espalhar mais dúvida. Meu conselho pra todos e todas é o mesmo que dei pra Mei. Se cuidem, enquanto vivem suas vidas e, acima de tudo, mantenham suas mentes otimistas. Tudo passará... E se não seremos capazes de rir disso num futuro, pelas vidas que foram ceifadas, seremos capazes de, ao menos, entender o recado e viver diferente do que nos trouxe até o presente...

Da sacada do meu quarto em Westchester eu vejo mais um pôr-do-sol; acendo um charuto enquanto as nuvens parecem bailar sobre mim deixando a paisagem ainda melhor. Me pergunto o quanto Ororo tem a ver com isso e sorrio, vendo vários adolescentes nas dependências externas da Escola Xavier para Jovens Super Dotados, aproveitando seu tempo livre.

17 de Maio de 2020 às 23:57 2 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

Liura Sanchez Lauri Gosto do universo dos quadrinhos. Em especial aquele onde está inserido o Wolverine. Apesar de ter gostado de alguns filmes, os quadrinhos são mais ;)

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Karimy Lubarino Karimy Lubarino
Olá! Faço parte do Sistema de Verificação e venho lhe parabenizar pela Verificação da sua história. E que fanfic é essa?! Devorei cada parágrafo o mais rápido que pude! Bom, eu gosto de comentar por partes, então vamos lá! Em relação à sinopse: achei que ficou bastante intrigante, mas aconselho que coloque um início para que o pessoal consiga entender melhor do que ela está tratando (do contrário, o leitor tem que unir o nome da história à sinopse pra entender o que a sinopse quer passar). A sua narrativa me encantou demais. A gravidade das escolhas das palavras, as interrupções pelas reticências, os palavrões e também a gramática imitando a fala contribuíram para que eu sentisse como se estivesse ouvindo o próprio Logan narrar a história, e isso é magnifico. Caramba, eu fiquei bastante surpresa de o Logan ter contado toda a verdade pra Mei, mais surpresa ainda depois que ela contou a história dela. Acho que, naquele momento, esses dois realmente precisavam se encontrar. Ah, e o beijo foi bastante interessante: uma saída e uma carinho ao mesmo tempo. Quando a missão de testes começou, eu nem sei como ele conseguiu ficar quietinho ali na cama. Eu acho que me roeria de vontade de participar, apesar de não poder fazer nada. E, cara, eu fiquei muito louca da vida quando soube que as bolsas tinham sido roubadas! E o Nick dando pra trás em vez de ajudar? Ai, ele não muda! Eu realmente imaginei que a Mei tinha seus motivos pra ter feito o que fez e achei bem interessante ver um pouco da luta dela e o fato de o Logan ter ficado para ajudar por um tempo. Agora só torço para que ela fique bem do câncer! Em relação à gramática e ortografia, aconselho que modifique a frase "conseguem dar um primeiro enfrentamento"; além disso seria interessante se você retirasse os "@" das palavras, como "merd@" em vez de "merda". Também notei o uso de dois tempos verbais na narração, como "saltei" - no pretérito - e "resolve" - no presente: é importante escolher apenas um tempo verbal para a narração e se manter nele. Também há algumas vírgulas que precisam de atenção, como "e, poucas delas, saíam com vida" em vez de "e poucas delas saíam com vida". Além disso, tem o fato de você usar "[]" e "<>" para marcação de diálogos, quando o correto seria o uso de travessão ou aspas. Apesar disso, sua história está divina. Foi realmente ótimo acompanhar o Logan nessa jornada!
September 24, 2020, 17:39

  • Liura Sanchez Lauri Liura Sanchez Lauri
    Olá! Fico muito feliz que tenha gostado :) Agradeço os apontamentos e vou seguir algumas dicas dadas. MUITO OBRIGADA! Liura. September 24, 2020, 21:11
~
Wolverine
Wolverine

Neste Universo estarão as fanfics relacionadas ao James "Logan" Howlett, algumas delas ambientadas em nosso universo, outras no universo da Marvel, outras, ainda, em universos (in)existentes. Importante é que se você estava esperando por histórias deste mutante, este é o local :) Leia mais sobre Wolverine.