kanaey kanaey

Kenma vivia em um sofrimento eterno sem se dar conta, passando seus dias contados esperando a morte. Tentando toda vez que o ciclo se iniciava alcançar Kuroo.


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 21 anos apenas (adultos).

#sobrenatural #ua #suicídio #haikyuu #kenma #kuroo
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O que você não consegue ver

Kenma tinha sonhos recorrentes, os quais julgava às cegas sempre serem os mesmo por causa do começo deles, que eram sempre iguais, e depois, não se lembrava de mais nada. Somente aquilo ficava guardado em sua mente. Talvez fossem diferentes, talvez ele nunca descobrisse se eram.

O início sempre igual se passava em uma rua de terra batida, casas simples e crianças que eram vultos risonhos, Kenma estava a correr. Não sabia para onde, porém, aquele seu eu parecia saber. A cada passo o coração batia mais rápido, o sorriso no rosto aumenta, as mãos formigavam e a ansiedade de chegar logo aumentava gradativamente.

E quando enfim chegava ao seu destino, sentia o corpo todo dolorido, como se houvesse corrido uma maratona inteira mesmo que parecesse se passar apenas alguns segundos em que corria. Sempre parava ali, as mãos no joelho e os pulmões trabalhando a mil por hora, de frente para uma casa que aos olhos de qualquer um causava maravilhamento.

Esperava, esperava e esperava.

Quando nada parecia que iria acontecer alguém surgia de repente, e sem ao menos piscar, já era noite. Um frio intenso o fazia tremer, aquele alguém o abraçava e o frio se ía. Ele lhe dizia algo, isso sabia, se lembrava do rosto dele em um vulto com os lábios se mexendo, mas nunca escutava, e se escutava, não se lembrava depois.

A única coisa que sabia sobre esse alguém é que era um homem, pelo porte físico e os braços fortes que deixavam um sensação de proteção mesmo depois que acordava do sonho.

Acordar, ah! Era um despertar, porém em um sentido mais profundo para Kenma. Um vazio tomava conta de seu ser, como se fosse oco por dentro. Sentia uma enorme saudades que doía, às vezes era tão intenso o sentimento, que passava dias deprimidos com uma mistura de raiva que surgia de repente mas logo passava.

Tudo era confuso, sem nexo e uma loucura se contasse a outra pessoa.

Mas sentia que aquilo era o certo.

Que se sentir feliz era errado, se apaixonar por alguém também, e o mais: viver era errado.

Não encontrava explicações para isso e chegava a cogitar que as tinhas, só não se lembrava. Estavam em seus sonhos de todas as noites.

Estavam ao alcance de suas mãos, porém, como agarrá-las?

Um dia, em uma viagem escolar pelos locais antigos de sua cidade, encontrou a casa de seus sonhos. Era ela, não havia dúvidas. A mesma imponência, fazendo com quem a olhava do chão se sentisse pequeno.

Escapuliu dos olhos dos professores e supervisores entrando escondido na casa pelos fundos, que estranhamente sabia estar aberta, como se fosse o certo estar. Como se já houvesse entrando por ali antes.

Dentro a escuridão reinava, mas por algumas brechas nas janelas a luz do sol se infiltrava e possibilitava ver algo. Tudo dentro composto por antiguidades, poeira e teias de aranhas. Também havia um cheiro insuportável de podridão que vinham do andar superior. Movido pela curiosidade subiu as escadas para lá.

Mas antes mesmo de chegar, no meio do caminho, uma silhueta surgiu das sombras e o cheiro de podridão se tornou ainda mais forte. Uma mão se ergue em sua direção e com o susto se desequilibrou, rolou pelas escadas e depois apagou.

Sonhou diferente nesse dia. Desta vez Kenma se encontrava dentro da casa, sentando ao redor de uma mesa impecavelmente arrumada com vários pratos diferentes e ao seu redor pessoas que não passavam de um vulto conversando alto. Se levantou, achando tudo aquilo insuportável, subiu as escadas e no meio delas, alguém surgiu da escuridão.

Era só um vulto no sonho, mas era o mesmo vulto dos outros sonhos.

Se sentiu extremamente feliz em ver aquele homem ali, que o puxou pela mão escada abaixo, atravessaram a multidão de pessoas, saindo pelo que parecia os fundos da casa.

E depois não se lembrou mais do que sonhou.

Acordou em um hospital sentindo uma enorme tristeza o consumir, o choro vir forte e avassalador.

No caminho de volta para casa, enquanto os pais discutiam sobre que castigo ele receberia por ter sido tão imprudente, Kenma adormeceu no carro, e teve um novo sonho. Nele chorava no escuro, e chorava, chorava pelo que pareciam dias. Depois parava, gritava algo que mesmo sendo ele ali não entendia e depois, parava.

Todo o sonho foi somente isso, somente saiu dele quando sua mãe o acordou preocupada, dizendo que estava gritando enquanto dormia. Perguntou a ela o que gritava e a resposta o surpreendeu:

"Você gritava Kuroo filho."

Estranhamente após essa descoberta, naquela mesma noite em que se deitou, sonhou outra vez, com um gato preto de olhos dourados faiscantes que se transformou no mesmo homem que só via o vulto nos outros sonhos.

Ele era a chave de tudo, a resposta.

Chegou a essa conclusão após pensar uma semana inteira somente no assunto, onde seus sonhos constantes eram com o gato. Hora corria atrás dele, hora fugia dele e algumas vezes acariciava o pelo negro dele. A questão era sempre o gato,sempre lá.

Em uma busca na internet descobriu que gatos eram mensageiros da morte, de vidas passadas e guias para o mundo desconhecido. Haviam, claro, várias outros resultados para a pesquisa, mas se agarrou a aqueles. Como se sentisse que estava na pista certa.

Depois disso, em uma decisão não muito bem pensada, resolveu voltar a aquela casa. Esperou a noite chegar, assim passaria despercebido das pessoas na escuridão durante o trajeto.

Quando lá chegou, coincidência ou não, parado a porta dos fundos da casa estava um gato preto de olhos dourados que ao lhe olhar no fundos dos olhos, passou pela porta que se abriu de repente e sumiu de suas vistas.

Naquele momento Kenma não sentiu medo, em nenhum momento aliás. Entrou tranquilo na casa, se guiou até as escadas as cegas facilmente e as subiu sem impedimentos até o andar de cima. Lá o gato lhe esperava, miando descontrolado dentro de um dos vários quartos.

O quarto onde entrou o enchia de nostalgia boa, como se os melhores momentos da sua vida houvessem acontecido ali, só não se lembrava. Não se lembrava de nada, por isso não entendia nada.

Aquilo que era tão óbvio pareceu esclarecer tudo de uma hora para outra.

E como nos primeiros sonhos sentiu o coração acelerado as mãos suando e a ansiedade crescendo ao ver a sua frente um homem, mais especificamente o homem que antes era só um vulto, mas agora era claro como o dia e ao seu lado estava o gato, silencioso e atento a tudo.

O homem, que em um lampejo de lembranças, identificou como Kuroo o estendeu uma das mãos, em um convite silencioso, que aceitou sem pestanejar. E pareceu o certo. Cair daquela janela pareceu o certo, viver erra errado e Kenma tinha que consertar isso.

Antes, e mesmo nos breves minutos que seu corpo se chocou contra o chão, sentiu os braços de Kuroo ao redor de seu corpo, o protegendo como se lembrou que ele prometera. Viu o gato no parapeito, miando baixinho para ele.

E depois não houve mais nada, nunca houve, até alguns minutos que soube não se passar.

°°°

Kenma acordou suado, tende seu primeiro sonho que seria o mesmo por anos, sem se lembrar de tudo. Apenas o início. Sonhara com a própria morte, mas não se lembrava. Havia sonhando com sua antiga vida, onde Kuroo ainda estava vivo e com os seus próprios pecados. Mas não se lembrava. Nunca mais se lembraria.

Estava fadado a passar a eternidade assim, sonhando e sofrendo, chegando perto da morte um dia mais para depois acordar dela e recomeçar tudo de novo sem saber.

O inferno não é como muitos pensam, ele nos tortura sim, mas não como muitos acham. Não há chicotes, fogo que queima para sempre, ou demônios rindo do sofrimento humano. A apenas o arrependimento e castigo.

Castigo qual Kenma estava condenado a cumprir pela eternidade sem saber. Apenas vivendo os dias contados de cada vez, sem nunca saber da verdade.

Sempre se suicidando no final e, nos poucos minutos em que se joga da janela e seu corpo se estraçalha no chão, se lembrando de seus erros que o condenaram ao sofrimento eterno.

Sempre se arrependendo profundamente de tudo que fez na vida.

2 de Junho de 2020 às 15:26 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

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