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Quando a prosperidade do feudo do pai de Ino começa a ruir, só lhe resta aceitar o casamento que salvará a família da falência, escolhendo o dever em lugar do romance com Sakura, sua prima que não parece gostar muito da ideia.


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 21 anos apenas (adultos).

#separação #morte #realidade #amantes #sexo #sakuino #yuri
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Único, assim como ela

A carta em minhas mãos já se encontrava completamente amassada e a caligrafia perfeita nela escrita se transformava em borrões a medida que eu a apertava com mais força. Não via a hora de vê-la novamente, fazia meses que não tínhamos nenhum contato. Aquela ansiedade de fazer o coração palpitar mais rápido era consequência da frase gravada naquele pequeno pedaço de papel que havia chegado para mim a dois dias

"Encontre-me em seu quarto depois do jantar."

Foram poucas as palavras de Ino e seu objetivo não ficou muito explícito, mas foram várias as minhas interpretações. Fazia tempo que não tínhamos um momento a sós, e agora, sabendo que ela estava a algumas horas do meu toque, a inquietação dentro de mim era impossível de controlar.

- Vamos, me diga Sakura, o que você tem? - Tenten, que até então eu havia esquecido a sua presença ao meu lado, questionou-me.

- Não é nada. - Disse e voltei a olhar para o enorme jardim a minha frente, tentando disfarçar para que minha amiga não percebesse minha mentira.

- Faço ideia já do que seja. - A jovem de cabelos castanhos levou a xícara até os lábios em um gole bem demorado. - Ino Yamanaka, certo?

- Como descobriu?

- Foi fácil associar a vinda dela a sua felicidade repentina.

Sorri para ela sendo retribuída de volta. Tenten era a única pessoa que sabia do meu envolvimento amoroso com Ino, minha prima. Éramos amigas desde pequenas, crescemos juntas e conhecíamos bem uma a outra. Não me era surpresa o fato dela ter descoberto o motivo de meus sorrisos bobos para o nada e meus incansáveis olhares para o grande portão, aguardando ansiosa a chegada de minha amada.

A verdade era que Ino não era exatamente minha prima, acontece que há alguns anos atrás os pais dela foram vítimas de uma revolta dos camponeses locais, que estavam insatisfeitos com as ordens impostas por eles, e sem ter para onde ir, Ino acabou sendo acolhida por um tio meu que simpatizava com seus pais.

A conheci em meu aniversário de quinze anos e não foi amor à primeira vista. Ela era muito linda e confesso que isso me causou inveja, estava acostumada a ser sempre o centro dos elogios e paqueras. Foi implicância à primeira vista, isso sim. Mas também, naquela época éramos apenas adolescentes que não sabiam ficar quietas por um segundo sequer.

Nosso envolvimento só começou mesmo quando nós duas, no auge de nossos dezenove anos, fomos levadas por nossos pais a um baile anual na casa de um grande rei que tinha como único objetivo: formar casais.
Foi nesse dia que eu e Ino descobrimos uma das várias coisas que tínhamos em comum, não queríamos nos casar com qualquer um escolhido a dedo por nossos pais somente por terem dinheiro. Lembro-me bem que passamos o baile inteiro juntas, desviando de qualquer pretendente e propostas que eram dirigidas a nós.
No final da noite, já movidas pelas várias taças de vinhos que ingerimos, saímos explorando aquele castelo onde estávamos mesmo não tendo permissão para isso. Entre um abraço e outro, um tropeçar por causa do longo vestido junto das risadas altas, que nos beijamos pela primeira vez. Os lábios dela tinham gosto do vinho tinto naquela noite.

Poderíamos nos ter feito de rogadas, fingir que nada havia acontecido e continuar a vida, porém, isso não era a cara de nenhuma das duas. A partir daí começamos a ter mais liberdade uma com a outra, os toques ficaram mais íntimos e as frases trocadas cheias de malícia e duplo sentido.

E agora eu aguardava sua chegada com a carta enviada por ela há alguns dias em mãos e o coração quase saindo pela boca. Meu tio disse ter alguns assuntos a resolver com meu pai, por isso essa visita no meio do ano. Porém, não me importava nem um pouco, pois, assim poderia ver Ino.

- Ah! O amor. - Tenten disse em meio a um suspiro, me fazendo deixar as lembranças de lado para me concentrar nela. - Acho tão lindo esse romance de vocês duas, correr riscos às escuras e tudo mais.

- A parte em correr riscos não é tão boa quanto pensa. - Respondi, pensando nas consequências que enfrentaríamos caso descobrissem que eu e minha prima nos deitávamos juntas sempre que tínhamos a oportunidade.

- Eu sei, mas quis dizer em relação à excitação, adrenalina. Aquele medo de ser pega bem na hora do sexo. Já imaginou como seria?

- Pelo amor de Deus Tenten, não diga essas coisas. Alguém pode te ouvir. - Minhas bochechas ardiam, eu sabia que deveriam estar vermelhas.

Não era só pela menção de sexo, mas sim por culpa da minha imaginação fértil que fantasiou varias cenas obscenas onde envolvia a mim e minha prima nuas na cama.

- Pervertida. - Como se adivinhasse o que eu pensava me lançou seu melhor olhar de sabichona e riu do meu encabulamento causado pela sua provocação.

Fiquei quieta, sabia que o que dissesse seria usado contra mim mais tarde. Então apenas me foquei no portão ao longe esperando o momento em que a carruagem de meu tio iria passar por ele. E tentando a todo custo tirar aqueles pensamentos eróticos da minha cabeça.

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Uma mesma pessoa pode possuir várias faces, assim como um acontecimento vários pontos de vista. Contos de fadas não são reais, porém, suas lições são aplicadas no nosso cotidiano. A divisão do bem e do mal são muito bem expressas. Porém, se contos de fadas realmente existissem não duvidaria nada que eu seria considerada uma vilã, mesmo que meu lado bom ainda predominasse.

A mulher de longos cabelos loiros sentada do outro lado da mesa era o meu motivo de divagação e angústia, suas mãos apertavam-se uma na outra sobre seu colo. Estava nítido seu nervosismo, mesmo que ela tentasse esconder sempre desviando seus olhos dos meus. Minha vontade naquele momento era gritar com ela, puxar seu belo rabo de cavalo e rasgar aquele vestido de noiva que uma das servas segurava.

- A festa de anunciação será hoje. - Meu pai disse alto e com firmeza se virando para meu tio e depois diretamente para mim. - Quero que depois ajude sua prima a organizar a cerimônia.

Apenas fiz que sim com a cabeça, pois, sabia que não conseguiria abrir a boca para respondê-lo. Se o fizesse com toda certeza seria para esbravejar minha raiva, contestar aquela decisão, mesmo que não houvesse sido eu a tomá-la. Eu travava uma luta interna onde os dois lados pesavam muito e chegar a uma decisão certa parecia impossível.

- Com sua licença meu pai, vou me retirar. - Falei e assim que recebi uma sim como resposta levantei-me da mesa.

Antes de sair do cômodo senti o olhar de Ino sobre minhas costas, porém, não tive forças para me virar e encará-la. Estou ciente que aquela seria a última vez em anos que nos veríamos, ela irá para longe e me deixará a deriva da amargura. O que eu mais queria era fazê-la mudar de ideia, mesmo que com isso tivéssemos que fugir do castelo, do reino, para bem longe. Estou disposta a tudo por ela. Porém, a sua decisão já foi tomada e eu a conhecia melhor do que todo mundo para saber que ela não cederia, não voltaria atrás.

A mulher que amo, Ino Yamanaka, irá se casar com outro alguém que não será eu. Um homem rico, possuidor de terras, um dos mais conhecidos senhores feudais. Eu tinha a certeza de que fora meu tio a obrigá-la a isso.

Caminhei pelos corredores desnorteada, sem saber para onde deveria ir. As lágrimas já enchiam meus olhos e rolavam pelo meu rosto, toda aquela pose se desmanchou em questão de segundos. Trazendo a tona a tempestade de sentimentos ruins que tentei esconder o dia todo. Busquei apoio nas paredes, pois, sabia que naquele estado não conseguiria me manter em pé sozinha.

Se eu houvesse agido antes, lutado, talvez tudo fosse diferente agora.

Um soluço escapou da minha boca e a tampei para que aquilo não voltasse a se repetir. Não queria chamar a atenção de ninguém, somente sofrer sozinha naquele momento, me desmanchar em lágrimas. Não desejava mais ser a vilã da história, a bruxa má que impede os bonzinhos de ficarem juntos e terem seu final feliz. Mesmo que o meu final feliz estivesse indo embora junto de Ino. Mesmo que eu só a quisesse por amor, não egoísmo ou inveja, mesmo que aquilo que sinto seja recíproco.

Alguns diriam que o que eu sentia era errado, ainda mais pela minha própria prima. Porém, deixei de ligar para isso há muito tempo, desde o dia em que entre beijos e suspiros ouvi Ino dizer que me amava. E era somente daquilo que precisava. As joias, dinheiro, vestidos bonitos e boa classe não me satisfaziam, eram superficiais demais para mim. A Yamanaka era o meu único bem precioso de verdade.

Mesmo com a visão embaçada voltei a caminhar, meu objetivo sendo a cervejaria. De alguma forma que não faço ideia de como, consegui achá-la, sua grande porta amarela não deixava dúvidas. E para comprovar que realmente estava com sorte, a serva que tomava conta não se encontrava, então entrar lá e pegar algumas garrafas de vinho foi fácil.

Eu irei beber até perder a noção de tudo e todos ao meu redor. Não queria ouvir a música, as risadas e conversas que iriam encher as paredes do castelo em algumas horas. Quero esquecer que uma festa para anunciar o casamento da minha amada será realizada. Mesmo que me ordenassem a comparecer, eu não iria, não sou tão sádica assim para eu mesma me causar mais dor.

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Assim que consegui encontrar a porta certa do meu quarto em meio a tantas outras, levei à mão a maçaneta e estranhei o fato da mesma não estar trancada.

Eu sempre tranco antes de sair para qualquer lugar.

Não dei muita importância, eu estava bêbada e a música alta e risadas que vinham do grande salão me deixavam estressada, só queria me jogar em minha cama e dormir - claro, se conseguisse parar de pensar na Yamanaka.

Porém, assim que entrei no cômodo me surpreendi ao ver a causadora de todo o meu sofrimento sentada ao pé da cama em meio a escuridão. De primeira pensei estar delirando por causa da bebida, mas descartei essa ideia assim que aquela mulher caminhou até mim e me envolveu em um abraço apertado.

- Me desculpe Sakura, de verdade.

Não soube como reagir àquele gesto, o perfume dela me inebriava e o calor de seu corpo me reconfortava. Ao mesmo tempo em que eu queria gritar com ela, queria beijá-la também.

- Por quê... Porque está me deixando? - Disse enfim o que estava entalado na minha garganta.

- É preciso. - Desfez o abraço, suas mãos segurando meus ombros. - Não posso deixar o legado da minha família ficar manchado.

- Do que está falando, Ino?

- Meu pai está falido, precisamos de dinheiro para nos reerguer.

Não foi preciso que a Yamanaka dissesse mais nada, eu já havia entendido a questão ali.

- Você não precisa fazer isso! Eles nem são sua família de verdade!

- Não diga isso, Sakura! É claro que são. - Vi mágoa em seu olhar. - Assim como você também é.

- E se eu quiser ser mais que isso, hum?

- Sabe bem que não é possível.

O clima de repente entre nós ficou tenso, somente se ouvia uma música abafada ao fundo. As mãos dela ainda em meus ombros deslizaram por meus braços e seguraram minhas mãos.

- Pedi para que você me encontrasse aqui depois do jantar para conversarmos melhor sobre nós duas, mas sinto que não há mais o que ser dito. Ambas compreendemos o que está acontecendo. Então, antes que eu me prenda àquele homem quero ter uma última noite com você, Sakura.

Fiquei em silêncio, apenas a olhando e julgando se consumar aquilo que estava sendo proposto seria bom para meu coração mais tarde, quando eu acordasse de ressaca e sozinha, apenas relembrando essa noite. Vendo minha indecisão Ino me puxo pelas mãos para mais dentro do quarto fechando a porta em seguida. Enquanto a via fazer isso não me atrevi a dizer nada, apenas a continuei observando, deixando acontecer. Afinal, o que mais eu poderia perder com isso?
Voltou a ficar de frente para mim e com um olhar determinado, que eu raras vezes havia visto nela, começou a se despir, peça por peça do seu longo vestido.

Os olhos dela mostravam hesitação, seus braços envolveram seu corpo em uma tentativa de se proteger do frio. Ela estava nua diante de mim, em nosso último momento juntas.
Não quis esperar mais, o tempo corria e as horas se iam, nosso tempo juntas estava contado e eu queria o aproveitar ao máximo. Decidida a tomar a iniciativa e levar aquilo adiante, retirei meu vestido e todas as camadas que o mesmo possuía, ficando também nua sentindo o frio castigar minha pele.

Caminhei até ela que mantinha a cabeça baixa com seus cabelos cobrindo-lhe a face. Segurei em seu queixo e com carinho levantei seu rosto, os olhos azuis me fitaram, pude ver neles o desejo, nós duas queríamos aquilo, era nossa despedida. Não queria me sentir melancólica naquele momento, por isso deixei tudo de lado, os sentimentos de raiva e mágoa por aquela mulher e apenas a beijei. Minhas mãos deslizaram por seus ombros até pararem em sua cintura, onde a segurei forte, mantendo seu corpo contra o meu. Suas mãos ganharam liberdade e começaram a acariciar minha pele, nosso beijo se tornou mais feroz e intenso. Um calor descomunal se apossou do meu corpo.

- Minha amada. - Sussurrei.

Nos separamos arfantes, meu coração batia a mil me fazendo sentir uma onda de adrenalina e excitação. A guiei até a enorme cama, a deitando lá e me posicionando sobre seu corpo. Ela abriu as pernas fazendo com que eu me encaixasse entre elas. Meus lábios foram parar novamente junto aos dela em um beijo totalmente diferente do primeiro, nesse havia certa brutalidade e desejo misturados. Interrompi o mesmo para deslizar minha língua pelo pescoço, vendo-a se arrepiar por inteiro. Sorri com isso, sentindo-me empolgada por saber que o que fazia surtia efeito na minha parceira. Desci cada vez mais na trajetória deixando mordidas e chupões. Passei por seus seios fartos, onde fiz questão de provar cada um deles. Segui meu caminho pelo seu abdômen, meus olhos se voltaram para cima apenas para encará-la e não precisei de muito para saber o que ela desejava.

- Quer que eu te chupe, Ino? - A provoquei, passando uma de minhas mãos sobre sua intimidade apenas para vê-la fazer uma careta de desgosto pelo gesto.

- Você sabe que eu quero. Então ande logo!

Sorri pequeno diante de sua impaciência, voltando a deslizar meus lábios por sua pele, até chegar a sua intimidade.

Agarrei suas coxas com força, me concentrando no que fazia. A cada gemido dela eu investia um pouco mais, usando minha língua para a estimular. Ela forçava meu rosto contra sua intimidade em busca de cada vez mais e mais prazer, esperando atingir o clímax. Mas ainda era cedo, estávamos só começando. Retirei-me do meio de suas pernas vendo-a me olhar com um pouco de irritação.

- Não seja tão apressada. - Disse e antes que ela pudesse me dar uma resposta esperta a beijei.

Nossas línguas começaram uma batalha por espaço, fazíamos sons molhados e às vezes deixávamos alguns suspiros escapar. Sem aviso prévio introduzi dois dedos dentro de seu sexo, que deslizaram facilmente, a ouvi gemer alto e rouco. Suas mãos se agarram as minhas costas.

- Você sempre me surpreende. - A loira disse em um fio de voz.

À medida que eu a estimulava, sentia meus dígitos ficarem úmidos. Ela vibrava, seu olhar era cheio de luxúria. A beijei mais uma vez e o ato foi uma mistura de saliva e gemidos. Aumentei os movimentos dos meus dedos introduzindo um terceiro que a fez arfar. Queria dar a ela todo o prazer que pudesse, gravar essa noite em sua memória, pois, ela estaria sempre na minha. Sua pele suada, os olhos nebulosos de prazer, as mãos agarradas a mim e o cheiro de seu perfume que inundava aquele quarto, tudo isso criará uma lembrança que eu nunca esqueceria. Ela seria meu constante amor e arrependimento.

- Ah, E-Estou quase... lá ... - Ela gemeu baixinho, suas mãos agora se agarrando aos lençóis.

As costas dela se arquearam, senti sua intimidade se contrair contra meus dedos e logo seu gozo escorreu pelo lençol. Estava satisfeita com aquilo.

Àquela altura eu já estava excitada, sentindo minha intimidade quente e molhada. Talvez ela tenha percebido isso, pois, mesmo com as pernas um pouco trêmulas e a respiração desregular se retirou de baixo de mim apenas para se ajoelhar na cama e me lançar aquele seu olhar penetrante.

- Agora é a sua vez, meu amor.

Fui empurrada e caí de costas para a cama, minhas pernas abertas, em qualquer outra circunstância eu morreria de vergonha em fazer tudo o que já havia feito até agora, porém, o cenário exigia coragem e determinação e eu não queria que nada estragasse aquele nosso momento tão íntimo juntas. Ela começou a beijar minhas coxas, deixando um caminho de saliva para trás junto de algumas mordidas. Apenas ansiava pelo prazer que sentia estar próximo.

Soltou minhas coxas se agachando perto da minha intimidade, senti sua respiração quente contra minha pele. Meus olhos estavam fixos naquela cena que seria mais uma das quais nunca esquecerei. Porém, algo a fez paralisar e seus olhos azuis se encherem de medo. Não entendi de primeira, mas assim que me concentrei ao redor, pude ouvir passos apressados pelo corredor.

- Tenho que ir. - Ino disse já se levantando da cama e pegando suas roupas esparramadas pelo chão.

Eu iria me opor, mas antes mesmo que tivesse chance de dizer algo bateram na porta do meu quarto. Milhares de hipóteses onde alguém entrando ali e nos encontrando daquela forma passaram pela minha mente e nenhuma delas terminava bem.

- Já estou indo. - Gritei um pouco mais alto do que gostaria.

- Rápido se vista, Sakura! Seja quem for se perguntar estávamos somente conversando para por as novidades em dia.

- Certo.

Assim como a Yamanaka comecei a me vestir e tentar disfarçar meus cabelos desgrenhados e as bochechas vermelhas. Quando senti que estávamos no mínimo um pouco arrumadas, fui até a porta e a abri vendo que a pessoa que esperava não era ninguém quem eu conhecia.

- Meu amor, como soube que eu estava aqui? - Vi Ino abrir um sorriso, que descobri na hora ser forçado.

- Como você sumiu da festa, fui procurá-la e seu pai disse que talvez estivesse no quarto de sua prima.

- Estávamos colocando os assuntos em dia e matando a saudade. - Disse e depois se virou para mim e me abraçou. - Vou voltar para a festa, espero vê-la no casamento.

Apenas concordei com um manear de cabeça, trocamos um olhar significativo, que dizia muito mais do que tudo que já foi dito até agora. O meu transmitia o quanto a amava e sentiria saudades para sempre, o dela pedia perdão e me dava um adeus definitivo.

A fiquei olhando se afastar pelo extenso corredor, junto de seu futuro marido, o homem mais sortudo do mundo por ter uma mulher como aquela a seu lado.

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Meus dedos deslizaram pelo tecido de seda do vestido posto sobre a cama, olhos atentos a cada detalhe que este possuía. Era uma peça linda, mas era o símbolo de algo terrível. A sua cor era preta e até seus mínimos detalhes possuíam essa cor. Aquele vestido simbolizava o luto, a perda e mesmo com esse significado triste não deixava de ser um dos vestidos mais belos que eu já havia visto. Era extremamente irônico me darem um vestido como aquele para ser usado em um enterro.

O vesti com cuidado e paciência, indo me olhar no espelho e o que vi me fez sorrir sem humor. Meus olhos estavam vermelhos, o rosto inchado e os cabelos desgrenhados. Resumindo: eu estava péssima, um poço de tristeza e amargura. A fase de negar e não acreditar naquela morte repentina já tinha passado e agora o que me restava eram somente a dor e um vazio no coração. Nada traria Ino de volta e me conformar com esse fato era a única coisa que eu poderia fazer.

- Já está pronta, querida? - O homem loiro me abraçou por trás, depositando um beijo em minha bochecha.

- Quase. - Respondi e aproveitei para entrelaçar minhas mãos nas suas.

Naruto era meu marido há dois anos e não havia nada nele que eu poderia me queixar. Ele era tudo o que uma mulher poderia querer: atencioso, gentil, compreensivo e respeitador. Nunca entendi o que o levou a se interessar por mim, uma pessoa que naquela época estava de coração partido, fechada para o mundo. Com ele apenas aconteceu, Naruto com seu jeito alegre e espontâneo me ganhou aos poucos, me fez sorrir e chorar de tanto gargalhar. Mesmo que meu coração nunca se esquecesse de Ino, o loiro acabou conseguindo conquistar um espaço nele.

- Como se sente? - Me perguntou baixinho ao pé da orelha, quase num sussurro.

Desde que acordei nesse dia, comecei a me preparar mentalmente e emocionalmente para responder a essa pergunta que eu sabia que me seria feita várias vezes e por várias pessoas. Mas mesmo assim eu ainda não estava preparada para respondê-la, todos meus sentimentos estavam uma bagunça.

- Eu não sei. - Respondi e olhei em seus olhos azuis que sempre me lembravam os de minha prima. - Penso que se houvesse mantido contato com ela, me importado um pouco mais... talvez não tivesse acontecido essa tragédia.

Estava lutando para me manter forte, não desabar mais uma vez, porém, estava sendo difícil. Aquele seria um arrependimento que iria carregar pelo resto da minha vida, me remoendo e imaginando que se eu não houvesse me afastado de Ino depois de seu casamento, ficado ao seu lado apesar de tudo, eu teria notado quando seu marido começou a agredi-la fisicamente, teria a salvado de suas garras e assim ela estaria viva agora, sorrindo para mim e contando sobre as últimas fofocas da realeza. Não morta pelo monstro de seu marido, não dentro de um caixão que será enterrado debaixo da terra.

Não estaria comigo, mas ao menos eu poderia vê-la algumas vezes, sonhar com uma realidade onde ficávamos juntas em um final feliz e meloso. Mas agora eu só sonho com sua morte, pesadelos que me assombram por semanas e a única coisa que penso é em como vou sobreviver a cada dia de agora em diante.


4 de Junho de 2020 às 00:07 0 Denunciar Insira Seguir história
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