ouvidodevenus Ane Santana

Augusta está prestes a se formar no ensino médio, mas o grande dilema de sua existência é ainda não ter tido um encontro amoroso. Quando o Grêmio Estudantil lança as inscrições para o Oh Querido Namorado, um teste para que os alunos encontrem sua alma gêmea, ela vê a oportunidade perfeita de finalmente sair com alguém. Tudo muda, no entanto, quando Augusta se vê disputada não por um, mas por cinco garotos. Agora terá que se decidir, entre personalidades e encontros distintos, quem de fato pode ser sua alma gêmea.


Ficção adolescente Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#comédia #colegial #adolescente #clichê
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Em progresso - Novo capítulo Todas as Segundas-feiras
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Invisível

Estou diante do espelho, em uma avaliação demorada e silenciosa sobre mim. Do lado de fora do banheiro, Pedro esmurra a porta e reclama que eu fui injusta ao tê-lo empurrado para entrar primeiro. Eu não respondo. Ao invés disso, miro os fios desgrenhados e oleosos do meu cabelo, percebendo que ele não tem um corte decente desde que mamãe decidiu que eu sou grande o suficiente para ir ao salão de beleza ao invés de simplesmente deixar que ela corte. Não era nada digno de L'Oréal Paris, mas pelo menos eu não parecia um personagem recém saído de Capitão Caverna. Encaro-me com mais atenção, como não faço há muito tempo por puro desleixo. Tenho olheiras um pouco mais escuras do que minha pele por causa dos trabalhos intermináveis de Filosofia. Já a acne é por culpa da gordura que ando comendo ultimamente devido a ansiedade que parece nunca me largar, assim como as constantes promessas de dieta não cumpridas — eu também nunca bebo água o suficiente. Minha sobrancelha é um desastre sem formato, os lábios estão ressecados de novo e mamãe vive dizendo que eu tenho um olhar de quem parece constantemente entediada. Blasé. Para ser sincera, sinto-me como uma das obras esquisitas de Basquiat.

— Que horror.

Desço mais o olhar, parando na camisa surrada do meu pijama com a bandeira de algum país do continente Africano que eu não sei nomear. Geografia definitivamente não é o meu forte. Levanto a camisa e torço o nariz em desaprovação. Meu corpo é ausente de curvas impressionantes como a descida da serra, definitivamente não considerado atraente igual ao de todas as mulheres magérrimas que vivem aparecendo na timeline do Instagram. Eu não tenho uma bunda grande e redonda, nem uma cintura fina e mamilos que apontam para cima e ficam bem em qualquer blusa. Frustrante. Não é que eu me ache totalmente feia, um desastre incorrigível... e sim, tem dias em que eu me olho no espelho e me sinto irresistível igual Beyoncé, mas confesso que na maior parte do tempo eu estou me comparando e desejando mudar algo na aparência.

— Augusta!

— O que é?!

Giro sobre os pés a fim de ter uma visão completa da parte de trás do meu corpo. Não, essa calça de cintura baixa não me valoriza nem um pouco. Qual é, Augusta! Isso é tão anos 2000. Enquanto isso Pedro reclama que irá se atrasar para a aula. "O que diabos você está fazendo aí dentro?" Ele grita. Eu, é claro, o ignoro completamente. Sou muito boa nisso, aliás, o que me leva a pensar que talvez eu deva expandir o meu leque de talentos. Aprender a passar maquiagem, talvez. Eu praticamente colo o rosto no espelho, percebendo que pelo menos o contorno do meu rosto é impecável. É, realmente. E se eu fizer um desses penteados de vlogueira? Tento colocar o cabelo para cima, mas acabo concluindo que sem um lenço vai ser impossível amarrá-lo. Eu ao menos sei fazer amarrações com lenço. Acredite, já tentei. Muitas vezes.

O fato é que estou desesperada. Acontece que é meu último ano do ensino médio e eu nunca beijei na boca. Eu sequer cheguei perto disso aliás, a única boca que já chegou perto da minha foi a de pirulito. Decadência. Eu até pensaria que não tem nada demais e cada coisa ao seu tempo, mas é impossível colocar isso na cabeça quando todo mundo ao meu redor está flertando. É essa verdade terrível que me trás toda vez para a frente do espelho e faz com que eu aumente ainda mais a lista de coisas que preciso melhorar em mim.

— Augustaaaa!

A milésima trágica realidade dessa manhã é que eu sou só Augusta Trindade, e nem o meu nome consegue soar bonito. Quando eu nasci, meus pais quiseram que eu me chamasse como o local que eles se conheceram e viveram grandes aventuras ao longo da juventude — algo sobre descer a Augusta a 120km/h. Eu até entendo a tentativa de ser descolado e coisa do tipo, mas quando penso em Augusta me vem a cabeça um monte de gente bêbada às 3 da manhã, inferninhos lotados, marcha da maconha, brigadeiro de maconha, maconha, e, fugindo um pouco dessa linha, penso até em velhinhas classe média alta do Jardins, só nunca consigo pensar em uma adolescente confusa do centro ralé de São Paulo. E por falar nisso, tenho menos de cinco minutos para escovar os dentes até que mamãe resolva dar atenção para os gritos de Pedro e passe a gritar também. Ninguém quer mamãe brava às seis da manhã pois isso sempre tem graves consequências no nosso café da manhã.

— Já estou saindo! Dois minutos! — Minha boca está cheia de pasta e eu preciso tomar cuidado para não cair na roupa de novo. Não há tempo para maquiagem e nem penteado de vlogueira, então eu me contento em jogar um pouco de água no rosto e prendo o cabelo com o primeiro elástico que encontro. Antes que Pedro volte a reclamar, abro a porta do banheiro. — Está livre.

Ele arqueia as sobrancelhas. Tem os braços cruzados e não faz questão alguma de esconder sua irritação.

— Você está esperando o quê? Gratidão?

— De você? — Retruco com o mesmo deboche. Ele revira os olhos e esbarra no meu ombro ao entrar no banheiro. E pensar que o cômodo seria só meu antes de mamãe e papai terem a brilhante ideia me dar um irmão.

O pouco tempo que eu tenho é intercalado entre achar um jeans limpo e o meu par amarelo de tênis. São exatos sete minutos para achar o par direito segundo o relógio velho que está jogado embaixo da minha cama, junto com o sapato. Eu o calço, aproveitando para limpar a poeira do relógio e colocá-lo em cima do criado mudo. É um relógio despertador que eu ganhei da minha avó quando era criança. Lembro como se fosse hoje a alegria que eu senti por ter algo tão adulto em minhas mãos, igual a ir no banco da frente no carro. O outro par do tênis eu encontro mais rápido, está atrás do meu ventilador velho e barulhento, e por pura coincidência tem também o jeans que eu usei no dia anterior. É a minha calça favorita e isso fica perceptível pelo desgaste. Nada de jeans cintura baixa. Nunca.

Mamãe está usando o mesmo avental que quase pegou fogo na semana passada porque meu pai se arriscou a fazer bolinho salgado — e ela ainda joga o estrago na cara dele todas as manhãs, fazendo questão de não comprar um avental novo. Eu encaro o rostinho que estampa a parte da frente, o sorriso abobalhado em direção a quem o encara de volta e os olhinhos vesgos apontando para o nariz. Mamãe me cumprimenta com um prato de pão torrado e um sermão sobre eu estar atrasada pela terceira vez só essa semana, ao passo que meu pai, bem mais tranquilo e sem tirar os olhos do smartphone, me oferece uma carona até o metrô. Eu aceito de muito bom grado, afinal ter que correr atrás do ônibus é a última coisa que eu quero fazer hoje.

— O que foi? — Papai questiona depois de ter afivelado o cinto e saído com o carro da garagem.

— O que foi o quê?

— Você parece um pouco perturbada.

— E não é sempre? — Papai ri, mas não eu não tive a intenção de soar engraçada. Suspiro baixinho. — Eu estou bem. É só a segunda-feira... Você sabe.

Ele concorda, iniciando um monólogo sobre a vida no escritório às segundas-feiras. Papai é corretor de imóveis, quase não para em casa por conta das escalas que, apesar de não obrigatórias, ele segue para tentar algum lucro, principalmente quando o pagamento é unicamente à base de comissão. Apesar da ausência considerável, ele é muito atencioso com Pedro e eu, sempre preocupado quanto ao que está acontecendo em nossas vidas. É claro que eu não conto tudo, mas, em contrapartida, adoro me sentar à mesa com o papai e ouvir tudo o que ele tem a dizer sobre sua juventude. Já minha mãe é chef na cozinha de um desses restaurantes em que a refeição custa meio salário mínimo, motivo pelo qual ela é tão impaciente. Isso não quer dizer que mamãe não tenha seus momentos atenciosos com a gente, ela faz até questão de preparar, ao menos uma vez por semana, um tipo mais elaborado de refeição enquanto participa das histórias de papai. Foi assim que eu tomei minha primeira taça de vinho e Pedro só pôde ficar olhando enquanto claramente morria de inveja. Nós temos uma boa vida, admito. Mamãe e papai ganham o suficiente para bancar um apartamento no centro e a mensalidade da nossa escola, mas não somos ricos a ponto de viajar pra fora do país como a maioria dos nossos colegas. Não que eu me importe, até porque fomos ensinados, desde sempre, a ter gratidão pelo conforto que nós temos e um montão de gente não pode ter, principalmente se essa gente for preta.

Enquanto penso nisso tudo, Jorge Ben toca no rádio o resto do caminho. Eu gosto, até porque parece que é a única coisa que meu pai sabe escutar. O trajeto até a estação não é demorado, e papai quase bate no carro da frente ao estacionar. Diz ele que está com pressa pois não pode se atrasar para a roleta da manhã. Não sei sobre o que se trata e nem pergunto. Ao invés disso, me despeço com um breve abraço e uma promessa de sorvete no fim de semana.

— Eu vou te cobrar.

Passo a catraca do metrô também com pressa, optando pela escada comum ao invés da rolante. São apenas duas estações até o colégio e em alguns dias o trajeto parece mais rápido do que nos outros.

...

Elisa e Jéssica estão sentadas na mureta que dá acesso ao jardim lateral. Elas sorriem quando eu me aproximo cumprimentando-as com um preguiçoso acenar.

— Você está péssima, amiga.

Essa é Jéssica. Uma coisa sobre ela é que nunca faz questão de ser gentil em suas observações. Eu até me ofenderia se já não estivesse acostumada, o que acontece muito com quem não a conhece bem.

— Noite difícil? — Questiona Elisa.

Eu me limito a revirar os olhos, não fazendo muita questão de responder. Jéssica e Elisa fazem parte do Grêmio estudantil, galera popular e admirada, então qualquer falta de rímel nos olhos indica que você está um desastre total. Já tentei alertá-las quanto ao fato de que podemos ser bonitas sem precisar retocar todo o rosto, mas a quem é que eu estou querendo enganar afinal? A aparência é e sempre foi um fator de suma importância, principalmente durante a adolescência. E não à toa eu estou sendo pega nessa mesma teia.l

— Ficou sabendo da melhor novidade do ano? — Jéssica questiona animada, esquecendo rapidamente o assunto anterior. Eu penso rápido, repassando na mente todo e qualquer burburinho que tenha escutado nos corredores essa semana.

— Carol Mendes grávida? — É tudo o que eu consigo lembrar. — Ouvi duas garotas comentando na seção religiosa da biblioteca.

— Carol Mendes? Grávida?

Elisa sempre bate os cílios de forma exagerada. Uma vez ela me contou que só ficou viciada em cílios postiços porque eles compensam seus olhos puxados e miúdos. Eu achei engraçado na época, mas agora essa preocupação excessiva que a gente anda tendo com a aparência vem me deixando angustiada. Além do mais, não é como se os olhos coreanos de Elisa não a deixassem igualmente bonita.

— Soube que a Carol só engordou. Esse pessoal adora um drama. — Jéssica me tira da divagação. — E mesmo que estivesse, não é isso. Elisa sabe bem.

— Não, não é. — Ela concorda. Está tão mais empolgada que, por um instante, eu quase acredito que ganhamos na loteria. Quase porque nunca jogamos na loteria. — Estamos falando das inscrições para o Oh Querido Namorado! Todo mundo já está sabendo.

— Aham. E esse ano vai ser um sucesso ainda maior, até porque eu acho que ninguém quer terminar o ensino médio sem a chance de ter um encontro com alguém que sempre gostou. E o Oh Querido Namorado é a desculpa perfeita pra, tipo, metade da escola.

— É. — Elisa concorda. Então se vira pra mim. — O diretor até tentou ficar contra, mas tivemos argumentos o suficiente porque vem dando certo todos esses anos.

— Você viu? Deixamos ele no chão.

Enquanto elas falam como se estivessem narrando uma propaganda, paro comigo mesma e me pergunto o que diabos é Oh Querido Namorado. Em todos esses meses em que eu estive aqui, Elisa e Jéssica sequer comentaram a respeito de algo com tamanha empolgação. Parece realmente o feito do ano.

— Meninas — Eu espero ganhar alguma atenção no meio do assunto fichas, reais e números telefônicos. — Do que é que vocês estão falando?

— Ah! — Elisa segura o meu braço e por um breve minuto me distraio com as pérolas pequeninas em suas unhas cor de rosa. — É um teste que a gente faz, há uns três anos já, para que alunos à partir do primeiro ano possam encontrar sua alma gêmea! Esse teste tem duas partes. — Ela falar devagar, como que para eu não perder nada da explicação. — Primeiro você descreve a si mesmo. Cor de cabelo. Cor dos olhos. Altura. Tipo de corpo. Estilo favorito de música e filme. O que mais gosta de fazer aos fins de semana e coisas do tipo.

— Na segunda parte do teste — Jéssica emenda. — você escolhe o que deseja numa alma gêmea. Altura. Tipo físico. Esportista ou não. Tímido ou extrovertido. Coisas do tipo. O teste tem cerca de vinte perguntas. Por cinco reais você tem o nome e o número da sua única e verdadeira alma gêmea. Por dez reais, você tem direito às cinco melhores. O computador analisa suas respostas e cruza dados com outros testes.

Não é difícil de entender, muito pelo contrário. Só é difícil imaginar que esse tipo de coisa aconteça e funcione em nossa escola.

— Parece um pouco ridículo, não parece? Não é americano demais? Quer dizer, mesmo que esse seja um colégio particular...

— Não, não é. É romântico.

Ignorando o contorno de Elisa, pergunto o que é que elas fazem com o dinheiro arrecadado. Recebo um dar de ombros de Jéssica, que agora olha uma notificação em seu celular.

— Usamos em pró do Grêmio estudantil, porque somos nós que planejamos tudo.

— Claro que são. — Murmuro. — E funciona mesmo? As pessoas se inscrevem nisso para achar sua alma gêmea?

— Claro que sim! É uma alternativa pra timidez de muitos.

Alma gêmea no ensino médio. É por isso que eu acho ridículo, pessoas de 17 anos não estão interessadas em alma gêmea. Fosse assim as festas não estariam sempre lotadas de gente se pegando até no corrimão. Não que eu tenha algo contra, até gostaria de ser prensada contra um, mas aposto que esse jogo é só um passatempo incrível para todo mundo no meio de tanto estresse acadêmico e insegurança acerca do futuro que nos aguarda. Quem não gosta de uma polêmica?

— O fato é que — Elisa volta a exclamar de maneira animada, mexendo a cabeça de um lado para o outro igual o bonequinho que meu pai deixa no painel do carro. — Jéssica e eu vamos inscrever você, Augusta!

Levo alguns segundos para processar, talvez porque ainda esteja pensando no quão engraçado aquele bonequinho realmente é. Então eu volto para o agora, e acho que a sensação de torpor dura pouco até que a ameaça de desespero começa a fluir.

— Espera aí, o quê? — Então eu começo a rir porque é isso que o nervosismo provoca em mim desde que eu era criança. Tudo bem que eu estou a fim de beijar, mas isso não me soa nem um pouco legal. — Nem morta! Eu não vou participar disso. Não, nem pensar.

— Qual é, Augusta! — Jéssica reclama. Ela está bem perto de mim agora, tanto que eu consigo sentir o cheiro de pêssego do seu cabelo. Sou sacudida pelos ombros.— Você nunca comenta sobre garotos ou coisa do tipo.

Então Elisa toca a minha mão com a sua, me olhando de um jeito repentinamente materno. Eu sei que receber um não é algo inaceitável para as duas, mas também não precisam exagerar tanto. E eu estou prestes a dizer isso, mas Elisa volta a me pegar de surpresa.

— Por um acaso você é lésbica, amiga?

Eu me afasto bruscamente.

— Vocês querem parar com isso?— Estou desconcertada, a face queimando. Não há constrangimento algum ser associada à lésbicas, é só que o rótulo pesa quando eu nunca parei para pensar, e me sentir, dessa maneira. Quer dizer que só as experiências físicas contam pra definir a sexualidade de alguém? — Eu não sou lésbica. Só não me interesso por nenhum garoto daqui.

— Nenhum?

— Não, nenhum.

Apesar de ser firme na minha resposta, sei que é tudo mentira. A verdade é que nenhum garoto se interessa por mim. Triste, eu sei. O questionamento das minhas amigas me faz pensar que talvez os garotos também pensem que sou lésbica e isso acaba por afastá-los. Não, isso não faz sentido, pois ainda assim eu teria a atenção das garotas, não é? É. Até porque eu tenho algo de atraente.

O silêncio que segue é extenso. Então Jessica me agarra pelo braço ao invés ombros. Elisa faz o mesmo do outro lado.

— Não pode afirmar com tanta certeza se você nunca parou pra conversar com eles.

Eu suspiro pesadamente, encarando-as. Elas são lindas, populares e sabê-se lá porque me acolheram tão bem em sua dupla e viraram as minhas melhores amigas desde que eu me mudei. Aliás, essa é a pergunta que todos parecem fazer ao nos verem juntas, principalmente pelo fato de eu não me encaixar no padrão delas. À primeira vista, Elisa e Jéssica parecem duas garotas-cult da Vila Madalena cujo maior problema é decidir se toma café da manhã no Fran's ou no Starbucks. Mas isso só à primeira vista, porque de fútil elas têm bem pouco, como qualquer adolescente do século 21, e isso contrasta bem com seus talentos nas mais diversas áreas. Foi Jéssica quem me ensinou sobre proporção áurea, por exemplo, e Elisa está sempre falando sobre política, ao passo que eu conto tudo o que sei a respeito de artes. É uma troca incrível e eu não penso em mudar nossa relação. Adoro essas garotas, por mais que agora elas estejam debatendo sobre responder um questionário para encontrar minha alma gêmea sem eu nem sequer ter concordado.

— Eu não disse que vou participar.

Elas me encaram demoradamente, esperando uma explicação detalhada porque qualquer coisa além disso não passa de desculpa esfarrapada. Então eu decido ceder, livrar esse peso que paira em segredo até para mim, já que eu nunca admito em voz alta. — Não preciso de uma folha de papel esfregando na minha cara que eu não combino com ninguém.

— Então esse é o problema? — Jéssica me abraça de lado. É um abraço acolhedor, realmente carinhoso. — Não esquenta, amiga. Elisa e eu cuidaremos de tudo. Absolutamente tudo!

Vejo Elisa assentir.

— Você vai ver só como é divertido, Augusta. Não há o que temer.

Meus ombros pesam para baixo. Está tão calor agora que o coque parece pesar mil vezes mais no topo da minha cabeça, então eu desfaço o nó do lenço, deixando a cabeleira crespa cair livremente até a altura da cintura.

— Eu tenho alguma escolha?

— Não. — Elas dizem de imediato, juntas e irredutíveis.

Paro de retrucar, até porque hoje eu acordei decidida a mudar. Mudar de verdade, não dá boca para fora, não com planos que eu idealizo só na cabeça. É isso. Elas estão certas, não pode ser tão ruim assim. Quer dizer, um dia eu vou ter que encarar um encontro de verdade, então porque não me acostumar desde já? Além do mais, não me resta nada além de aceitar que a partir de agora eu estou fadada ao Oh Querido Namorado.

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oi oi!
só alguns avisos:
• inicialmente eu história em formato de fanfic no socialspirit, na categoria 1D. acabei excluindo o perfil e tal, então agora tô reescrevendo Oh Querido Namorado, dessa vez com personagens originais.

• ela é baseada no trecho do Oh Querido Namorado que tem no livro "os 13 porquês", que eu tinha lido na época. É uma história de comédia, não tendo nada a ver com o livro exceto essa ideia do teste e a explicação que dão no livro.

enfim, eu amo fanfic clichê de colegial, mas espero dar uma pitada diferente nessa aqui.

se você estiver lendo, me deixe saber ❤️

15 de Maio de 2020 às 20:38 0 Denunciar Insira Seguir história
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