broderskab Thalia Meirells

Após o recebimento de um estranho presente de seu avô, Jonathan Gray terá a chance de conseguir algo que nunca pensou em possuir... amor! Mas, será que ele estava preparado verdadeiramente para viver uma grande paixão?


Romance Romance adulto jovem Para maiores de 18 apenas.

#romance #sobrenatural
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Capítulo I

O dia estava frio, assim como a face de todas as pessoas que se encontravam no recinto. Segundo os jornais, o clima hoje seria quente e agradável, mas ninguém esperava que o grande Victor Gray, morresse num dia quente de verão.


Stiles, parecia ser o único a transbordar emoções.


Victor Gray, era meu avô. Por mais que fosse um velho ranzinza, de cara fechada e zero emoções, ainda sim era meu avô, e mesmo não chorando como meu primo Stiles, possuo minha própria dor, mesmo que ninguém perceba. Suspirei baixo vendo minha vó Anne Gray, se despedir do seu grande amor.


Passado algum tempo, desviei meu olhar para a grande janela de vidro da casa do meu avô. A algum tempo havia começado uma chuva chata que não cessava em momento algum, e isso já era no mínimo irritante. Queria ir embora, sentar na minha mesa de escritório e tomar um bom gole de uísque escocês, mas dado as circunstâncias, só iria ser "liberado" daqui, quando cumprir minha parte de neto e levar o caixão junto com meus primos até a cova de, Victor Gray.


— Jonathan? — Não precisei virar para saber que era minha vó.


— Hum? — Respondi.


— Você irá ficar para o almoço querido? — Ela perguntou esperançosa.


Era sempre assim quando vinha para casa. Minha vó nunca gostou do fato de eu ter escolhido morar em Nova York, ao invés de permanecer em Amsterdã com a família, após o trágico acidente que se abateu sobre todos.


— Não posso.


Minha vó suspirou baixo. — Antes de ir embora, — sua voz falhou, me fazendo virar para encara-lá. Anne Gray, era só a sombra do que um dia foi. Estava pálida e abatida, com enormes olheiras sobre seus fascinantes olhos castanhos escuros. — tenho uma coisa para te dar. — Concluiu com esforço evidente.


— Tudo bem.


Ela sorriu fraco e saiu em direção à Stiles, que ainda chorava. Ele era sem dúvidas o neto preferido de Victor, ambos eram ligados e vovô só demonstrava afeto evidente para ele e vovó. Sentei em uma das poltronas dele, me fazendo sentir um enorme vazio. Ele não estaria mais aqui, e por mais que tentássemos seguir em frente, nunca seria a mesma coisa.


Eram três e quarenta da tarde, quando finalmente descemos o caixão dele. Ao lado de sua cova estava a minha mãe Vitória Gray, logo em seguida Carmo Gray, meu pai. E finalmente, Lorenzo Gray, meu irmão mais velho. Fazia dez anos que eles morreram, mais ainda parecia ter sido ontem.


Senti meus olhos encherem de lágrimas, mas escolhi não derramá-las. Não aqui, não agora. — Funerais não são para os mortos, são para os vivos. — Ivan, sentou-se ao meu lado.


Ivan Gray, era irmão caçula de Victor, e eram muito ligados, mas Ivan era forte e agora precisava ser mais ainda, por ele e pela vovó. — Como se fosse nos dar algum tipo de consolo. — Respondi fraco.


Ele tocou meu ombro. — Como você está?


Sorri torto. — Tá todo mundo uma droga, tio.


— Sabe, — ele respirou fundo — ainda não caiu a fixa. — e sorriu sem mostrar os dentes. — Me parece que a qualquer momento, aquele velho chato vai aparecer atrás de mim, e... — Sua voz falhou.


— Eu sei... — Completei.


Após alguns segundos de silêncio, ele finalmente voltou a falar. — Vai embora hoje? — Confirmei rapidamente. — Muito trabalho na faculdade?


— Sim.


— Seu vôo sai que horas?


— 17:45 da tarde.


— Lembre-se da família, Jonathan. — Olhei para ele entre a confusão e tristeza. — Você sabe que sua vó vai precisar de todos vocês de agora em diante, não é?


— Ela tem a todos. — Respondi fraco.


— Não, se você não estiver aqui. Essa família tem que se reunir por algo feliz, estou de saco cheio de funerais. — Dito isso, ele saiu em direção ao túmulo do irmão.


Algum tempo depois, caminhei rapidamente ao segundo andar, onde vovó me esperava. Eram quatro e cinquenta, tinha menos de uma hora para chegar no aeroporto, que não era perto por sinal. Bati duas vezes na porta, antes dela ser aberta por minha vó.


— O que tinha de tão importante para me dar, vó? — Perguntei. Ela apontou para cama, onde estava sentada.


— Sente-se aqui um pouquinho. — Sentei meio exitante. — Sabe meu bem, quando você era bem pequenininho, sua mãe vivia dizendo o quanto você era forte. — Sorri sem jeito. — Ela tinha razão, Jonathan. Você é forte, mais do que pensa. Quando precisar chorar querido, chore! Quando precisar gritar, grite! Quando precisar da sua velha avó, eu estarei aqui. — Ela me abraçou ternamente. Senti meu peito doer por ter que deixá-la, mas ela sabia que era preciso. — Eu te amo, meu bem.


— Eu também, vovó.


Ficamos alguns segundos abraçados, até ela se desvencilhar carinhosa.


— Seu avô deixou uma coisa para você. — A olhei confuso. — Tem uma carta para você também. — Ela me estendeu um pequeno envelope vermelho. — Ele pediu para entregar a cada um de vocês, caso alguma coisa acontecesse à ele. — Anne ri amarga. — Ele parecia até já saber. Velho desgraçado, nem esperou por mim...


Sorri baixo. — O quê é isso? — Perguntei assim que pus meus olhos no que parecia ser, um quadro.


— É o que parece, um quadro. — Ela o colocou na minha frente. — Esse quadro era o xodó do seu avô. Segundo ele, essa coisa é... mágica. — Ela termina revirando os olhos.


— Porque ele me daria, isso? — Perguntei receoso.


— Quando lê a sua carta, você saberá. — Vovó me entregou o quadro, que estava lacrado com papel marrom. — Agora vá, se não perderá seu vôo.


Levantei rapidamente com o enorme quadro nas mãos. Dei um terno abraço na minha vó e sai para o aeroporto, já tinha me despedido de todos. Peguei meu carro e só acelerei para longe dalí.


...


Meu apartamento estava o completa zona de guerra!


Tiago, estava arregaçado em cima do sofá com vários salgadinhos em cima dele, enquanto Caíque e Filipe jogavam na sala, que por sinal estava um nojo. — MAIS QUE PORRA DE ZONA É ESSA? — Joguei minhas malas no chão com força, fazendo Tiago cair no chão pelo susto, Caíque e Filipe se sobressaltar.


— Caralho Jonathan, vai assustar tua vó porra. — Tiago reclamou.


— Ela já tem coisa o suficiente para se assustar no momento, obrigado. — Revirei os olhos.


Tiago coçou a cabeça envergonhado. — Ah, foi mal cara. E aí, como foi lá? — Perguntou preocupado.


— Uma merda. — Caíque riu. — Não aguento mais enterrar meus parentes.


Tiago e Filipe suspiraram em concordância. Tiago perdeu o pai ano passado, assim como Filipe. Foi um ano do cão!


— Mudando o foco. — Caíque entrometeu-se. — Isso é o que eu estou pensando? — Apontou para o enorme quadro em minhas mãos.


— Sim, herança do meu avô. — respondo. Ele levantou rapidamente e o tomou das minhas mãos. — Educação mandou lembranças. — Digo azedo.


Ele deu de ombros eufórico, enquanto abria o lacre. Todos permanecemos em completo silêncio, enquanto o ser pálido abria o quadro. Caíque era louco por arte, por isso fazia faculdade de Arte contemporânea, junto com sua namorada, Isabela Torres. Eles se conheceram de um modo bem inusitado, eu diria, já que ele estava em uma situação bem vergonhosa.


— Caralho. — Foi o que Tiago disse, assim que a pintura do quadro foi finalmente revelada.


Filipe, cuspiu todo o refri de sua boca, assim como eu. — Porra, Jonathan! — Caíque olhava fascinado. — Ela é tão delicada, seus traços são finos e angelicais, e... — ele colocou a mão com certa delicadeza sobre os cabelos da pintura. — Os cabelos delas são louros, contrastando perfeitamente com seus lindos olhos verdes, que mais se parecem com uma pedra de esmeralda.


Tiago revirou os olhos. — Resumindo, a mulher do quadro é muito bonita. — Filipe e eu concordamos. Caíque lhe deu dedo.


— Pena que é só uma pintura e de autor desconhecido, pelo visto. — ele apontou para o canto da obra. — Não possui assinatura.


— Onde vai colocar? — Filipe perguntou.


Dei de ombros. — Não sei.


— Vamos colocá-lo na sala? — Tiago pede.


— Tanto faz. — Peguei minhas malas e segui para o segundo andar, até meu quarto.


O dia tinha sido estressante o suficiente para me preocupar com um lugar adequado para uma pintura idiota. Joguei minhas malas num canto qualquer, assim como meus sapatos. Tomei um rápido banho, enquanto penteava meus cabelos negros em frente ao espelho. Ao longe pude notar um envelope vermelho encima da minha cama.


Caminhei tranquilamente até lá. Sentei na ponta da cama e peguei o envelope. Havia escrito meu nome em negrito logo na frente do envelope. Abri sem pressa. Tinha um pequeno e fino colar de ouro branco dentro, com uma pequena pedra ônix. Peguei a carta e me pus a ler.


Querido neto...


Comecei a escrever está carta a muito tempo, mas não sabia como finaliza-lá adequadamente. Sentei por horas em frente à minha escrivaninha escrevendo para você e seus primos, e acredite não foi fácil.


Eu já sabia que morreria em breve. Tentei nesse meio tempo ser um bom avô, pois sei que nunca fui, especialmente com você meu querido neto, você quê é filho da minha adorada filha Vitória, cuja vida cruelmente me tirou.


Sabe que não sou de muitas palavras, então vou tentar simplificar. Estou te deixando meu bem material mais precioso à você. O quadro de Elise. — Parei de ler um instante para tentar assimilar. Porque um quadro seria tão importante afinal? — Ele está na nossa família por gerações, e acredite quando digo... Ele é especial.


Ela é linda não é?! Quando meu pai Arthur Gray, me deixou eu não acreditei no seu poder, pelo contrário, eu apenas ri e o deixei jogado em qualquer lugar. Triste decisão essa minha, depois de quase dez anos afundado no trabalho, eu não sabia mais o que era o amor, não sabia o que era sentir aquele frio na barriga que muitos falam, até aquele dia...


Eu havia chegado ao meu limite, minha vida era uma droga repleta de dinheiro e pessoas falsas, eu não tinha namorada, nem uma amante, nem nada, era somente eu e meu auto senso crítico. Naquela noite eu bebi até cair (literalmente), eu chorei, gritei, até visualizar o quadro a minha frente... já fazia alguns anos desde que finalmente tinha decidido colocá-lo na minha parede principal, em homenagem a meu pai.


Enfim, eu o visualizei por longos minutos, até finalmente me deixar acreditar, e até hoje eu digo que foi por causa da bebida, caso contrário nenhum de vocês existiriam, e eu não teria conhecido sua avó. Você irá descobrir que, quando a vida te der tudo e não te der nada, será a ela que você irá recorrer.


Não sei ao certo do porquê deixá-lo à você, mas eu tenho a impressão de que você irá precisar algum dia.


Uma dica: Não se apaixone por ela!


Com amor... Vovô!


Coloquei a carta sob meus joelhos, e foquei o nada por longos segundos. Talvez eu acredite nas palavras do meu avô, ou talvez eu seja um ser racional e acredite que a velhice não o estava fazendo bem, mas nenhuma das opções eram agradáveis e cenis. Suspirei alto, e cai na cama. — Talvez eu teste algum dia sua teoria vovô, mas não será nessa década.


Onze anos depois...


Maia, estava sentada elegantemente na mesa ao qual reservei em um bistrô muito respeitado aqui em Nova York. Assim que ela pôs os olhos em mim, acenou. Sorri de canto. — Está muito bonita hoje. — digo.


Ela sorri nervosa. — Obrigada, Sr. Gray.


Fiz careta. — Não acho que sou tão velho assim, me chame de Jonathan. — Ela retornou a rir.


— Tudo bem, Jonathan. — Nos pusemos a sentar novamente.


— Garçom? - Chamei-o assim que o vi. - Gostaria da sugestão do chefe, por favor.


— Gostaria da carta de vinhos, Sr. Gray? — Perguntou ele educadamente.


— Claro, gostaria de escolher querida? — Perguntei galante.


— Acho que não sou tão boa nisso quanto o sen-, você. — Sorri em resposta.


Maia Rodríguez, com certeza não sabia escolher vinhos, assim como sua irmã, Nádia. Ambas trabalham na empresa da minha família, e assim como a irmã dela, não passará de uma noite... Ela só não sabe disso. Após pedir um bom bordô 1976, me pus a observar a pequena mulher a minha frente. Ela era muito bonita, assim como toda latina, seus cabelos eram castanhos quase vermelhos, seus olhos eram azuis escuros, seu corpo era curvilíneo e cheio. — Porque está me olhando assim, Jonathan? — Perguntou receosa.


— Gosto de admirar o que é belo.


Ela cora.


— O-Obrigada. — Ela agradece entre gaguejos.


— Como vai sua família? — Tentei puxar assunto.


Ela sorri abertamente. — Vão muito bem, obrigada. Depois da sua ajuda, papai finalmente conseguiu o transplante de fígado. Minha mãe está muito feliz com isso.


— Suponho que sim. Mas, e sua irmã? — Perguntei desinteressado. Apesar de Maia ser mais bonita, Nádia era muito mais descontraída e gostosa.


— Ela está bem, eu acho. — Ela suspira baixo.


— Aconteceu algo?


— Não sei. Ela não se abre com ninguém, mas acho que tem homem envolvido no meio. — Engoli a seco.


— E porque acha isso? — Perguntei calmamente.


— Suposição. — ela sorriu brevemente. - Mas, mudando de assunto. — ela pegou sua tarça com vinho. — Como vai o senhor, Tiago?


— Melhor do que deveria. — Ela riu bobamente. — É como dizem, vaso ruim não quebra.


A dois dias atrás, Tiago teve um pequeno incidente caseiro, enquanto ele é sua mulher Sofia, transavam loucamente na cozinha, claro que ele omitiu a parte do sexo para todos, exceto para mim seu melhor amigo. — A sra. Wilson, já está melhor?


— O médico disse que ela ficará bem em breve. Camila é uma moça agitada, segundo a médica que cuidou de sua gravidez.


— É filha do sr. Tiago, obviamente. - Disse descontraída. Tive que concordar, Tiago Wilson é a pessoa mais hiperativa que já conheci em toda a minha vida.


Enquanto conversávamos animadamente, o garçom voltou com nosso jantar. — Massa italiana com molho a borgonhola. — Comentou ele. — Espero que apreciem sua refeição, com licença.


Maia olhava fascinada para o prato a sua frente. Não pude evitar, acabei revirando os olhos. — Então, Maia... — Tentei quebrar seu encanto. — Está gostando?


— O senhor está realizando todos os meus sonhos. — Sorri convencido.


Toquei sua mão sob a mesa. — Posso realizar muitos outros, se assim permitir...


...


Cheguei em casa pouco mais de duas da manhã. Quem diria que a caipira tivesse tanto fogo, quanto a irmã. Sorri abertamente, enquanto tirava minha gravata junto a camisa e o paletó. Meu apartamento continuava escuro, somente iluminado pelo lustre da sala de jantar. Segui até a mesa de uísque e coloquei uma boa dose.


Voltei a sala tranquilamente com meu copo de Jack Daniel's na mão. — Boa madrugada, minha dama. — Acenei para meu enorme quadro da sala.


Demorei mais de cinco anos para finalmente pendurá-lo na minha sala, logo depois que saí do apartamento dos meus amigos, Caíque, Filipe e Tiago, que por sinal, estão todos casados, exceto eu. — No fim sempre volto pra você, amor. — Falei tocando sua face alva. — Seus olhos são inigualáveis querida, uma pena que é só uma droga de pintura.


Passei a admirar aquela pintura de maneira sobre humana, não podia negar o quanto a moça do retrato era bela. Bela demais... — A única mulher com a qual eu me casaria, é uma pintura. — ri sem humor. — Enfim, se não posso tê-la, usarei as outras que me restam... Até mais tarde, querida. — me despeço.


Entornei o copo e segui para minha suíte. Amanhã tinha uma reunião bem cedo com os Wilson. Tiago, e sua prima gostosa Margot, assumiram recentemente o controle das filiais de Nova York, então teríamos que ser objetivos de agora em diante. Tomei um banho rápido, coloquei minha boxer azul escura e caí na cama.


Eram sete e meia da manhã quando meu despertador finalmente tocou. Levantei rapidamente, tomei meu banho, fiz minha higiene matinal e fui até meu closet. — Azul ou negro? — Segurei ambos cabides na mão. — Negro! Quero parecer um vilão hoje.


Após me trocar, desci para o café. Lucy, já estava arrumando o apartamento quando desci. — Bom dia, Lucy.


— Bom dia, Sr. Gray. — Respondeu carinhosamente a senhora. — Lucy trabalhava para mim à mais de sete anos, a considerava como uma mãe, só que mais gostosa. Apesar de ter cinquenta e três, ela ainda era apresentável. — Suas torradas com aveia já estão na mesa, senhor.


Sorri agradecido. — Obrigada.


Depois de dez minutos comendo, peguei minha pasta, minhas chaves e segui para empresa.


Eram oito e quinze quando estacionei meu carro em frente à grande Gray's COE.


— Bom dia, Sr. Gray. — Falou Evelyn, a recepcionista. Ela era uma gata, mas não fazia meu estilo, tinha os cabelos tingidos demais.


— Bom dia, srta. Evelyn.


Entrei no elevador junto com vários dos meus acionistas. Todos seguiram em silêncio, e eu agradeci mentalmente por isso. Odiava conversar logo pela manhã, era desgastante.


Desci no vigésimo quinto andar, onde Tiago e Margot, já me esperavam. — Bom dia, viado.


— Bom dia, gado. — Margot, revirou os olhos. — Bom dia, Wilson.


— Bom dia, Gray. — Ela respondeu seca.


Enquanto Margot, ia na frente exibindo seu lindo bumbum empinado, e seus belos cabelos vermelhos, Tiago e eu vinhamos atrás falando merda, só pra variar. — Tu pegou mesmo a Maia, cara?


— Aposta é aposta. — Tiago mordeu a língua irritado. — Quero seu porsche na minha garagem ainda hoje.


— Nem fudendo.


— Se não sabe perder, não deveria apostar. — Alfinetei.


— Ah vá merda, Jonathan. Aquele carro é meu xodó, porra! — Ele estava quase suplicando.


— E porque apostou ele então?


— Sei lá, pensei que a Maia fosse mais inteligente. — O comentário já era desnecessário, mas quando vi Maia, logo atrás de Tiago, o sangue da minha cara se foi. — Sério que se pegou aquela caipira? Tu é meu herói cara, ela não sabe nem distinguir caviar de scargott.


— Cala boca, porra! — Foi só o que eu disse, antes da garota sair correndo pelos corredores da empresa. — Merda, Tiago.


— O que foi?


— A caipira estava logo atrás de você. — Tiago ficou tão pálido quanto eu.


— Merda. — Concordei.


— Ei vocês dois... — Margot nos chamou. — Vão ficar namorando aí, ou vão entrar? — Tiago e eu nos olhamos tensos antes de entrar.


Margot falava pausadamente sobre as planilhas do mês, enquanto eu e Tiago nos olhavamos preocupados. O que ela diria? Que trepou com o chefe? Quase todas daqui já fizeram o mesmo, inclusive sua irmãzinha Nádia. — Jonathan? — Olhei para cima onde todos me encaravam.


— Sim?


— Vai renovar sua parceria com os Hatways? — Elena perguntou.


— Ah, sim. Semana que vem teremos outra reunião sobre à renovação de contrato.


Elena e os outros assentiram e depois de alguns minutos à reunião foi finalmente finalizada.


Tiago e eu seguiámos lado a lado, enquanto todos nos olhavam torto. — Sr. Gray? — Mei, minha secretária me chamou. — Seu tio, Sr. Ivan se encontra em sua sala e ele não está com a cara muito boa. — Tiago engoliu a seco por mim.


— Irei logo. — Disse por fim.


— Você acha..?


— Sem sombra de dúvidas. — Voltei a andar sozinho até minha sala.


Assim que entrei fui recebido com um belo soco na cara. Levantei rapidamente e foquei na pessoa que ousou me bater. — Mas, que merda...


— Seu moleque. — Antes que o homem de terno branco me batesse de novo, meu tio interveio.


— Chega, Watson. — O homen parou imediatamente e seguiu até sua cadeira, ou melhor, minha cadeira.


— O que ele pensa que está fazendo? — Perguntei nervoso.


— Está assumindo seu posto. — Meu tio foi cético.


— Como é?


— Você está dispensado do seu cargo por tempo indeterminado, Jonathan. — Encarei meu tio friamente.


— Posso saber porque?


O homem levantou novamente. — Para quê você não seja castrado, pivete.


— Se me chamar de muleque ou pivete de novo, eu arrebento isso que você chama de cara. — O cara se calou e sentou-se novamente.


— Chega, Jonathan. — Ouvi sua respiração pesada. — Preciso que tire um tempo. Sua reputação não está boa no momento. A menos de dez minutos atrás, a Srta. Rodríguez veio até mim com uma reclamação a seu respeito, assim como a irmã dela. Você está nos colocando em uma situação delicada Jonathan, que só o senhor Watson, pode resolver.


— Ajudar em quê?


— Eu sou o pai das garotas que você enfiou esse seu preguinho. — Disse raivoso.


— Lhe garanto que elas não acharam ele pequeno. — Sorri debochado, somente pra levar na cara novamente.


— JÁ CHEGA! — Meu tio gritou. — Sr. Watson, eu sinto muito pelo comportamento do meu sobrinho neto, mas peço que se acalme.


— Eu só não te coloco na cadeia, Gray, porque tenho muito apreço por seu tio. — Ri sem humor.


— Por ele, ou pelos milhares de dólares dele? — Meu tio bateu uma única vez na mesa.


— Jonathan Gray, já chega.


— O senhor sabe que ele só usou as filhas como desculpa, não é? - Perguntei encarando friamente a ele. — Aquelas vadiazinhas já devem ter passado por Nova York inteira dando esse golpizinho de merda.


— Jonathan, vá embora.


— O senhor não pode colocá-lo no meu lugar.


— Eu já coloquei.


Olhei incrédulo para meu tio. Ele abaixou a cabeça cansado. Bati a porta fortemente antes de sair.


...


Eram três da manhã e eu ainda bebia feito gambá podre. — Droga de vida, droga de vadias. — Soquei a parede com força. — HAHAHA, QUEM DIRIA, O GRANDE JONATHAN GRAY, FOI PASSADO PRA TRÁS POR DUAS VADIAS FILHAS DA PUTA. — Gritei enquanto ria sem vontade.


Fixei meu olhar no meu precioso quadro.


— Você é a única mulher que não me trairia... MAS, É A MERDA DE UM QUADRO! — Joguei a garrafa de vodca bem na sua face.


Caí sentado, enquanto me deprimia no chão. — Vida de merda... — Foi a última coisa que eu disse antes de finalmente apagar.


...


A claridade que vinha da sala, era como facas nos meus olhos. Forcei até finalmente conseguir mantê-los abertos.


— Nunca mais vou beber...— murmurei.


— Você disse isso ano passado. — Arregalei os olhos, ao ouvir aquela voz.


Levantei com um sobressalto. — Lucy?


— Não bobinho.


Fiquei branco feito cera, quando... — Mas, o quê..?


— Sua cara está péssima. — Ela tentou se aproximar, mas não permitir.


— Quem é você, porra?


Ela riu divertida. — Ora, pra quem fala comigo todas as noites, você é bem esquecido. — ela tentou novamente uma aproximação.


— Isso é um sonho? Porquê se for, ele é extremamente bizarro. — Corri para cozinha para jogar água na minha cara.


— Ei! Não sou um sonho. — Ela correu atrás de mim. — Sou, Elise!


11 de Maio de 2020 às 14:28 0 Denunciar Insira Seguir história
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