Eu não sou um príncipe Seguir blog

dcsales Danieli Sales Um jovem sonhava em se tornar um cavaleiro. Seu mundo desmorona quando descobre que terá que ser o escudeiro do arrogante príncipe o resto de sua vida. Tudo muda quando príncipe e escudeiro embarcam em uma jornada para salvar uma donzela indefesa e o príncipe por acidente cai do cavalo. Com o príncipe morto, ele tem a chance de salvar a princesa e ser feliz para ....sempre?
História Não Verificada

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E como diria um verdadeiro cavaleiro...

" Sonhar o sonho impossível,
Sofrer a angústia implacável,
Pisar onde os bravos não ousam,
Reparar o mal irreparável,
Amar um amor casto à distância,
Enfrentar o inimigo invencível,
Tentar quando as forças se esvaem,
Alcançar a estrela inatingível:
Essa é a minha busca."

Miguel de Cervantes, Dom Quixote.

26 de Julho de 2019 às 11:15 0 Denunciar Insira 0
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Capítulo 15 - Que trata do encontro do Rei do Reino Encantado com sua filha


Embarcamos no barco Verne, o imprevisível cavalo Ferradura, a princesa e eu. Não trocamos palavras durante o retorno. Talvez não houvesse mais nada a ser dito, ou simplesmente estávamos cansados. Dessa vez, as águas estavam calmas e chegamos à outra margem em segurança. O rei sem reino abraçou Adara quando ela finalmente colocou os pés na areia.

O rei se ajoelhou e me agradeceu por trazer sua filha em segurança. Ele estava disposto a cumprir sua palavra e me fazer casar com a princesa. A disposição dele se mesclava ao fato de agora eles não terem mais um reino.

Achando que eu tivesse um reino, o fato de Adara se casar comigo, a faria Rainha um dia. Esse rei não dava ponto sem nó, mas, sem mesmo montar no Ferradura ele estava prestes a cair do cavalo.

A princesa já sabia do meu segredo, isso era fato, mesmo assim, ela decidiu não revelar a verdade.

Ainda que a princesa fosse a mais bela de todas, eu não tinha um reino, nem mesmo era um príncipe. Eu não tinha nada a oferecer, nem mesmo o Ferradura me pertencia, eu não podia dar a princesa tamanha desventura então decidi revelar a verdade. Mas antes que pudesse revela-la, o Rei do Reino Distante surgiu me acusando:

- Esse impostor não é um príncipe. Ele não passa de um escudeiro que matou o verdadeiro Príncipe Artur, agora precisa pagar por seus crimes.

Eu nunca disse que era um príncipe!

Não haveria julgamento e apenas a condenação. E ordenou que seus guardas me prendessem.

Impostor: verdade. Assassino: Nunca!

Não havia o que ser feito a não ser eu ir para a forca. O verdadeiro coro de príncipes voltou a fazer as suas acusações.

"Eu sabia!"

"Como ele ousa?"

"Realmente ele é muito feio!".

Novamente, comentários fora de contexto, ou não.

Antes que minha sentença pudesse ser executada, a princesa se aproximou. Os príncipes desencantados permitiram que a princesa se aproximasse de mim por uma última vez. Eu não pude olhar em seus olhos, mas precisei revelar o que sentia:

- Perdoe-me princesa, por eu não ser um príncipe.

- Como pode ser mais valente do que qualquer príncipe? Como pode cruzar águas perigosas com um cavalo genioso? Como pode lutar sem ter a menor chance de vencer?

Eu disse:

- Tudo o que desejava era ter um ato de bravura e finalmente me tornar um cavaleiro.

A princesa puxou a espada do pai disposta a executar a sentença mim imposta quando surpreendentemente colocou a ponta da espada sobre os dois lados do meu ombro e disse:

"Eu vos concedo, Sir Charlie Rocher, o título de Cavaleiro, pelo ato de bravura de ter salvado a vida da princesa Adara, enquanto que todos os outros príncipes se esquivaram. Deste dia em diante, para o resto dos seus dias".

E cortou as cordas que me prendiam.

Por sinal, nunca mencionei meu nome: Charlie. Mas como foi que a princesa descobriu? Acaso ela já me conhecia antes dessa desventura?

Os sobreviventes do Reino do Encantado aproximaram-se e renderam os guardas e príncipes presentes, me levando ao barco onde embarcaríamos para um lugar desconhecido. Por um breve momento fui o cavaleiro que tanto desejava, foi um gesto muito nobre por parte da princesa.

Tentei me despedir do Ferradura, tentei expulsa-lo,mas, ele insistiu em também entrar no navio. Assim, embarquei no navio ao lado com meu fiel companheiro Ferradura, que mesmo que não fosse o cavalo mais obediente, ainda assim, era meu melhor amigo.

Isso não vai prestar, nem fazer sentido algum.

Quando o navio estava a certa distância, Adara teve uma visão do que seria o feliz para sempre a que ela estava destinada. Para não perder a majestade, seu pai a obrigaria se casar com alguns daqueles príncipes desencantados. Ela decidiu deixar tudo para trás. Antes que pulasse no oceano o rei do Reino Encantado disse a princesa:

- Se embarcar com eles, deixará de ser uma princesa e se tornará uma pirata e não há nada que possa fazer por você.

- É, acho que posso me acostumar com isso.

Essa não era uma frase de efeito perfeita, mas, é o que Adara tinha para falar nesse momento. Ao finalmente ela se aproximar do navio, conseguimos colocá-la a bordo. Ao puxá-la para dentro, acidentalmente a princesa caiu sobre mim e me beijou.

Completamente desconcertada a princesa, agora, Capitã Adara nos lideraria em direção ao oceano, rumo ao desconhecido.

Um final perfeito para um mundo imperfeito.

27 de Maio de 2019 às 13:20 0 Denunciar Insira 0
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Capítulo 14 - Que trata dos caminhos tortuosos da princesa Adara


A princesa Adara nos guiou até uma água suja, que cheirava mal, após o barco andar por algum tempo, chegamos ao encanamento que vinha do castelo, o lugar era esse e levava direto ao subsolo do castelo onde o pequeno navio estava atracado. O rio sujo desembocava na água do mar.

O dragão não estava na doca, nos apressamos e desamarramos o navio e preparamos para zarpar.

- Ora! Ora! Vejamos o que temos aqui.

Uma voz saiu da cabine de comando. E se revelou ser o príncipe irmão. E prosseguiu dizendo:

- Minha bela irmã Adara. Não me vai dizer que resolveu dar um passeio.

- Sim, e você não está convidado.

E o embate entre princesa e príncipe, se iniciou. Sob a forte luz da lua, eles resolviam suas diferenças. Quando o príncipe rendeu a irmã, ele olhou para mim sem entender:

- O que é você, um príncipe?

Verne mordeu o príncipe e Adara chutou e eu o empurrei do navio. O navio chegou próximo ao abrigo. Atracaram e buscaram os sobreviventes. Pouco a pouco eles entraram no navio. A lua cheia estava acabando. O dragão dava sinais que iria acordar.

O príncipe molhado e fedorento rendeu Verne e subiu no Ferradura. O cavalo deu cinco passos e derrubou o príncipe rebelde. Até que enfim o Ferradura honrou seus ancestrais, a sua maneira é claro. Mesmo assim, o príncipe conseguiu escapar levando Verne.

A princesa desejava ir atrás do garoto, mas sugeri que ajudássemos todos a entrar no navio, antes que o dragão acordasse do sono. Quando o último sobrevivente entrou no navio. Pedi a princesa entrasse no na cabine do capitão. E a tranquei ali.
A princesa batia no vidro e acredito que tenha escutado quando eu disse:

- Eu vou buscar o Verne. Vão à frente, alcançamos vocês com o barco.

Perguntei se havia alguém a bordo capaz de comandar o navio. Para minha surpresa, um homem sem dentes se aproximou e disse:

- Eu já fui um pirata. Nada me faria mais feliz do que ser o capitão do navio.

- É, vai servir.

Saí do navio, olhando para valente princesa Adara. Desejando que ela encontrasse sua redenção. Ferradura estava me aguardando.

- Não me decepcione agora, Ferradura.

Saímos em disparada para as ruínas do castelo, onde ainda dormia o dragão. A destemida princesa Adara quebrou o vidro da janela da cabine do capitão, tirou suas armaduras e pulou no mar. O príncipe amarrou Verne em uma coluna que ainda se mantinha de pé, e o garoto seria sua próxima refeição.

- Tudo por causa de um olho furado?

Que príncipe mais vingativo!

Era possível ouvir a respiração forte do dragão que logo despertaria, quando finalmente alcancei o príncipe. E o Ferradura me jogou no chão e saiu em disparada. Ainda bem que eu estava bem à frente do príncipe.

- Eu conheço você - ele disse- aquele garoto fraco da escola para cavaleiros, nem conseguiu se formar. Não me diga que se tornou um escudeiro.

- Alguém com muito mais honra que você.

Ferradura foi ao encontro de Adara. Ela nunca havia subido em um cavalo sem sela, mas as circunstâncias exigiram.

É claro que apanhei. Apanhei muito do príncipe mau, mas, consegui dar um soco no nariz que sangrou. Eu não tinha nenhuma chance contra sua espada quando ela me acertou e me segurou na parede. Falando todas as palavras épicas de um combate entre o vilão e o príncipe. Bom, não um príncipe de verdade, nem um cavaleiro. Mas é o que tinha para hoje. Ainda mais quando percebi que a princesa estava tentando chegar próximo e desamarrar o Verne. Enrolei o príncipe o máximo que pude.

A princesa se aproximou de Verne e começou a soltar a corda que o prendia. Mas o menino parecia impaciente:

- Não há tempo! Você precisa controlar o dragão quando ele acordar, esse príncipe franzino não vai durar muito tempo nas mãos do príncipe. Na minha mão direita, está o seu colar.

A princesa sorriu e beijou o garoto na testa:

- Ladrãozinho esperto!!!Quando você crescer, se eu ainda tiver um reino, quero que você seja meu conselheiro real.

Adara se aproximava enquanto a fera começava a abrir os olhos, e tentou tocar a fera que agora tinha olhos ternos como quando era criança. O príncipe irmão tirou a espada de mim e foi em direção a Adara, o dragão bradou a aproximação do príncipe começando a ficar furioso novamente, mas dessa vez com o príncipe malvado derrubando a princesa no chão. Antes que ele a acertasse com sua espada, eu cravei a pequena faca de escória no coração do príncipe. Ele caiu, ofegante e me disse:

- Mas você é apenas um escudeiro.

- Não. Eu sou o filho do ferreiro.

Essa foi minha resposta. Aquela frase de efeito, não a mais bela histórias, o momento somente meu.

A princesa me olhou sem palavras, não acreditando na revelação que o príncipe acabara de fazer.

- Você não é um príncipe?

O que aquelas palavras poderiam dizer? Você não é um príncipe e foi capaz de enfrentar um dragão. Ou: Se você não é um príncipe, então eu nunca vou gostar de você. Seja qual for à verdade, ou nenhuma das anteriores. Mesmo sabendo que a princesa poderia não me aceitar, se descobrisse a verdade.

Sem problemas, uma situação tensa, não é o momento ideal para encontrar um amor duradouro. Descobri que somente os príncipes conseguem ser felizes para sempre. Pelo menos diante dos seus súditos. E em meio aos meus pensamentos, eu ouvi uma voz:

- Ei! Será que dá para alguém me desamarrar aqui? - Perguntou Verne que estava amarrado na coluna.

Ao ajudar a princesa a se levantar, percebi que o dragão olhava fixamente para ela e a cheirava.

- Olá Vega! - Adara abraçou o dragão.

Que nome incomum para um dragão. Na verdade os dragões terem nomes é anormal. Melhor dizendo, encontrar um dragão que é raro. A partir daquele momento, a ilha deixaria de ser o Reino Encantado e passaria a se chamar o reino do Dragão.

O lugar mais seguro para Vega.

27 de Maio de 2019 às 13:20 0 Denunciar Insira 0
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Capítulo 13 - Que trata da Pedra de Zafira

Encontramos o barco, enterrado na areia como havia deixado. Adara nos contou que nas noites de lua cheia o dragão dormia para recuperar as energias. Esse seria o momento exato para recuperar o navio, porém o príncipe estaria preparado, e nós devíamos fazer o mesmo.

- O poder sobre o dragão, porque ele não te obedece mais e agora obedece a seu irmão?

- Eu não sei até hoje. Meu irmão sempre estava comigo...

- Há algo que a princesa falava, fazia ou usava que não usou no dia do seu casamento?

Os olhos da princesa se iluminaram por uma lembrança:

-Mamãe antes de morrer me levou sozinha para o abrigo, e disse que se um dia o reino fosse atacado, eu devia trazer os súditos para cá. Talvez ela já visse a maldade que eu nunca enxerguei no meu irmão. Ela me deu um colar, com uma pedra de Zafira e me fez prometer nunca tirá-lo.

- Acho que sua mãe já sabia do dragão - Eu afirmei - e desejava prepará-la para tempos de guerra.

- E onde está esse colar? - Perguntou Verne.

- Eu o tirei uma única vez, no dia do meu casamento. É certo que algum dos rebeldes tenha pegado meu colar e entregado ao príncipe.

De onde vinha esse colar? Uma pergunta ainda sem resposta. Quem sabe na sequência dessa história.

27 de Maio de 2019 às 13:20 0 Denunciar Insira 0
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