Novo app: Inkspired Writer! Escreva, publique e gerencie suas histórias no seu celular!!. Leia mais.

Blog para escritores Seguir blog

blog Jackie Inkspired Blogger Era uma vez... mas nem toda história começa assim. Lá estava ele: o computador, aberto no tear de vidas. E a personagem. Estava tudo certo, mas, então, ela viu o autor. Curiosa, seu dedo quase o alcançou, e a roda do tear girou. Foi assim que as coisas se tornaram tênues: um toque e tudo daria errado, outro diferente e daria muito certo! A Bela Adormecida representa a fragilidade dos elementos construtivos da história. Uma história não vem pronta, ela é construída com enredo, sinopse, capítulos... O tear representa essa construção, enquanto que a agulha é o perigo de tudo desandar com sua Bela Adormecida. Nós queremos, neste blog, mostrar a vocês dicas para que consigam tear histórias cada vez mais harmônicas.

#embaixadaBrasil #narrativa #conteudo #sinopse #construçao-de-historia #tecendo-historias
Doar para este autor
36.6mil
17.7mil VISUALIZAÇÕES
AA Compartilhar

O escritor e o revisor: o que esperar dessa relação?

Pela minha experiência, existem duas vertentes bastante extremas entre escritores: os gramatiquentos ao extremo, que acreditam que todo escritor precisa saber todas as regras normativas que existem, e os que acreditam que o único trabalho do escritor é criar o enredo e botar as palavras no papel, o resto fica a encargo do revisor. Afinal, o serviço de revisão é caro e, então, se precisamos pagar por ele de qualquer jeito, que essa pessoa se encarregue de saber gramática, certo?


Minha briga com o primeiro grupo não é segredo para ninguém. A gramática normativa é elitista e complicada e, não, eu não acho que todo escritor deva ser formado em Letras. No entanto, não é nada produtivo você escrever de qualquer jeito e enviar um texto que é basicamente um rascunho para seu revisor. Por quê? Bom, é isso que eu tentarei explicar no decorrer deste texto.


O processo de revisão

Comecemos pelo início: Como funciona, afinal, o processo de revisão?


Nós brincamos que, ao receber um texto, você não vai conseguir fazer a revisão real dele sem que, antes, peça para o autor fazer uma “limpeza”. No caso, o revisor pega o que chamamos de “erros crassos” de gramática e os aponta para que o autor faça essa primeira mudança. Aqui entram erros de vírgula simples (vocativo, separar sujeito de predicado etc), construção de frases (se ela está fragmentada ou completa etc) e todos esses errinhos que deixam a leitura complicada.


Sabe quando você está lendo um texto e precisa parar a leitura e analisar algumas frases para ver se você realmente entendeu o que está sendo dito? Então, em artigos acadêmicos isso é comum porque os textos têm uma linguagem cheia de conteúdo e complicada de maneira geral. Na leitura literária, isso é um problema. Se a pessoa precisar reler vários parágrafos por página, vai chegar um ponto em que ela vai se cansar do livro. Como nós não queremos isso de jeito nenhum, é trabalho do revisor deixar a leitura contínua e as frases compreensíveis.


Essa primeira revisão não envolve análise de ambiente, de personagens, de enredo, nada disso. Ela serve só para que o revisor consiga ler a história prestando atenção ao que está sendo dito, não a como isso é dito.


É só depois dessa “limpeza” que o revisor fará uma leitura profunda e atenta do que você escreveu. A questão aqui é que muitos cobram por revisão. Então, digamos, você comprou um serviço de até três revisões (temos a limpeza, a revisão real e a final, depois de o autor ter feito algumas alterações). Se houver muitos problemas básicos, na verdade você vai acabar pagando só por essa limpeza, que pode ser feita por qualquer um com noções básicas de escrita e gramática (e normalmente é a etapa mais demorada e com mais observações no documento). No fim, em vez de você pagar por uma revisão de enredo e gramática mais avançada, você vai acabar pagando por um serviço que você mesmo poderia ter feito.


Algo que já ouvi muito de colegas (nunca aconteceu comigo) foi “ah, mas essa revisão tá muito simples, eu tô pagando e você apontou erros que eu já sabia, foi só desatenção”. Bom, sem que esses erros básicos sejam corrigidos, o revisor não consegue fazer o trabalho mais profundo que você espera dele. No fim, a pessoa pode ficar insatisfeita com o processo porque achou a revisão muito “simples”.


Um exemplo: já recebi textos que claramente nunca foram relidos. Havia erros de digitação no nome dos personagens, letras foram engolidas em diversas palavras (como “el” em vez de “ele”, ou “cmo” em vez de “como”). Em vez de poder fazer uma análise da construção das frases, por exemplo, eu precisei ficar corrigindo erros de digitação. No fim, o texto tinha centenas de observações, porém a revisão profunda que o autor tinha pedido não foi feita. E não teria como ser feita, porque os comentários apontando isso ficariam perdidos no meio dos tantos outros pedindo para a pessoa escrever o nome do personagem que ela mesma criou da mesma forma no decorrer do texto.


Num caso como o do exemplo, minha primeira revisão é uma limpeza de escrita. A segunda provavelmente será outra limpeza, porque, agora que tenho todas as frases completas, poderei pegar erros mais complicados, como pontuação, crase etc. É só na terceira revisão que poderei ver algo além da gramática (como consistência de personagens etc). Muitos cobram extra depois da terceira revisão, porque é um trabalho bastante cansativo e extenso.


A verdade é que muitos escritores que reclamam do preço e dos serviços de revisão entregam textos muito “crus” ou parecidos demais com rascunhos para que o revisor possa realmente fazer um trabalho que o agrade.


Eu preciso, então, saber gramática e enviar um texto super correto para revisão?


Claro que não! Como dito, ver erros de gramática faz, sim, parte do trabalho do revisor. O ideal é sempre entregar o texto da melhor maneira que você conseguir escrevê-lo. Os erros de digitação serão mínimos (alguma coisa sempre escapa) e todas as alterações que seu revisor fizer realmente serão de grande ajuda para você.


Uma coisa é você enviar seu texto e, ao recebê-lo de volta, ver que o revisor alterou uns 40 “cmo” para “como”, outra é descobrir a regência de alguns verbos que desconhecia antes ou novas formas de usar pontuação. Se você entregar o melhor que conseguiu nesse momento, aprenderá muito ao receber seu trabalho revisado.


Enquanto escritores, sempre queremos evoluir e “escrever melhor”. Sem estar aberto a novas possibilidades, é muito difícil evoluir seu estilo de escrita. Um revisor nunca tentará alterar sua identidade num texto, ele só fará o possível para extrair a melhor versão de você em cada frase. Isso também significa que, se você não evoluir seus próprios conhecimentos e estilos, não vai escrever frases complexas e interessantes.


Essa conversa toda ainda está muito abstrata para mim. O que seria uma frase complexa?

Eu aprendo sempre melhor com exemplos, então vamos a eles:


Marcel Proust é um dos escritores com as frases complexas mais lindas que já tive o prazer de encontrar. Aqui é preciso dar também crédito ao tradutor, porque Mário Quintana foi um grande poeta e fez um ótimo trabalho adaptando a escrita de Proust ao português.


Uma frase complexa é uma frase longa, com muitas informações, mas que é compreensível. Algo que vejo muito é o pessoal escrevendo frases de oito, dez linhas, mas que estão com a pontuação confusa, ou mesmo estruturadas com falta de fluidez; isso deixa o leitor perdido e, ao meio do texto, ele já nem sabe mais sobre qual personagem está lendo. Deixo aqui um exemplo bem-feito de frases complexas:


“Mas desde algum tempo que recomeço a perceber muito bem, se presto ouvidos, os soluços que tive então a coragem de conter diante de meu pai e que só rebentaram quando me encontrei a sós com mamãe. Na realidade jamais cessaram; e somente porque a vida vai agora mais e mais emudecendo em redor de mim é que os escuto de novo, como os sinos de convento, tão bem velados durante o dia pelos ruídos da cidade, que parece que pararam, mas que se põem a tanger no silêncio da noite.”

— No caminho de Swann, p. 62


Essas frases na verdade não são tão longas, Proust tem algumas de quase meia página no livro (e são deliciosas). Quem já não ouviu (talvez até de mim), que, na escrita: 2 é bom, 3 é ótimo e acima de 4 já é demais? Isso é muito válido para quem ainda está se adaptando à construção frasal ou mesmo para quem tem dificuldade em organizar informações. Quem já tem maior domínio gramatical (em especial de pontuação, que é o elemento que dita o ritmo da frase) consegue desenvolver frases deliciosas como as acima.


Quanto mais conhecimentos gramaticais e linguísticos você adquire, melhor consegue usar a língua para atingir seus objetivos de escrita. A língua portuguesa, com todas as suas regras e normas, nada mais é do que a ferramenta do escritor. Quanto mais a conhecermos, mais poderemos ser criativos na hora de utilizá-la.


É por isso que é tão importante, sim, que você se dedique a conhecer melhor a gramática de forma geral. Aqui na Embaixada, nós temos o Esquadrão da Revisão, um blog escrito com foco na gramática normativa para escritores. É claro que não é preciso saber todas as regras gramaticais ou decorar livros de gramática para escrever bem, regras como as de crase e algumas vírgulas sempre serão alteradas pelo seu revisor. Mas conhecer os tipos de estrutura de frase, como usar ponto e vírgula ou reticências… Tudo isso é um acréscimo importante ao seu conhecimento linguístico.


Não adianta você se dedicar a criar enredos incríveis se for escrevê-los de qualquer forma. Eu já cansei de ler histórias muito interessantes, mas que não me chamaram tanto a atenção devido ao modo como o autor as escrevia. Stephen King, por exemplo, tem uns enredos muito estranhos e nem sempre interessantes, mas ele escreve tão bem que você só vai lendo até perceber que terminou a história e que ela foi incrível mesmo sem um enredo chamativo; um exemplo é Christine: O livro é sobre um carro amaldiçoado que mata pessoas. Se vocês pararem pra pegar o plot e o colocar em itens, ele chega a ser um pouco tosco, mas o livro é TÃO bom que eu fiz meus melhores amigos o lerem. E tudo porque ele desenvolveu a escrita de maneira sensacional.


Seu revisor é responsável por ver furos de enredo (você dizer que dois personagens nunca se conheceram e, no fim, mostrar uma memória dos dois quando eram crianças, por exemplo), por ver erros de gramática, por dar dicas de ambientação e criação de personagens e por analisar a verossimilhança. Ele não vai escrever frases por você, muitas vezes nem apontar que elas poderiam ser diferentes, porque isso retiraria o estilo de escrita do seu texto. Existem muitas nuances particulares que ele não vai apontar porque são uma questão de gosto.


No fim, depende total e completamente do escritor o que ele deseja. Muitos acreditam que não precisam saber nada de gramática e ficam satisfeitos em entregar rascunhos aos seus revisores. Outros esperam algo a mais e se decepcionam ao não receberem isso. No fim, o melhor é você explicar direitinho o que espera do seu revisor e escutar o que ele tem a dizer. Cada pessoa é diferente e tem distintas necessidades.


Lembre-se sempre: só você sabe o que é melhor para sua escrita e sua jornada. Pense no que você quer, no que você espera tirar da escrita e vá atrás disso. Para finalizar, mais uma frase deliciosa de Prost:


“Certamente, no Swann que minha família havia construído para si, fora omitida por ignorância uma multidão de particularidades de sua vida mundana que davam motivo para que outros, em sua presença, vissem todo um mundo de elegâncias a dominar-lhe o rosto até o nariz recurvo, que era como sua fronteira natural; mas, em compensação, havia podido acumular naquele rosto despojado de seu prestígio, vago e espaçoso, no fundo daqueles olhos depreciados, o incerto e suave resíduo — meio memória, meio esquecimento — das horas ociosas passadas em sua companhia depois de nossos jantares semanais, em torno da mesa de jogo ou no jardim, durante nossa vida de boa vizinhança campesina.”

— No caminho de Swann, p. 40


Texto: Camy

Revisão: Donna Dan


Referência

PROUST, Marcel. No caminho de Swann. 4. ed. Tradução de Mário Quintana. São Paulo:

Biblioteca Azul, 2016. (Volume 1, Em busca do tempo perdido).

15 de Janeiro de 2021 às 00:00 0 Denunciar Insira 4
~

Não fui eu, foi meu personagem!

A literatura tem um papel importantíssimo na sociedade. Seja como entretenimento ou educação, ler nos coloca em contato com dilemas humanos e culturas diversas, que, muitas vezes, não teríamos oportunidade de experienciar pessoalmente. A leitura enriquece nossa visão de mundo e fortalece o pensamento crítico.


De todos os tipos, tamanhos, gêneros e temas, os livros transportam os leitores para realidades, mundos ou situações em que o limite é a criatividade. E nós nos emocionamos, refletimos e crescemos a cada leitura; porque, mesmo que a história aconteça em um universo fictício, ela traz dilemas humanos reais, que podem atingir positiva ou negativamente muitas pessoas.


Devido ao risco do impacto negativo, o “vale tudo” criativo tem que ser usado com muito cuidado e responsabilidade. O autor tem que ter compromisso e responsabilidade com o que escreve, já que seu trabalho afeta as pessoas que o consomem. No fim, uma história nunca é apenas uma história, a arte imita a vida, assim como a vida imita a arte. Na verdade, no ensaio “A decadência da mentira”


Oscar Wilde deixa a ideia de que a vida imita a arte mais do que o contrário. Não estou dizendo que temas sensíveis não possam ser abordados; na verdade, acredito que devam ser, já que fazem parte da experiência humana. Entretanto, a forma que um tema é abordado pode mudar muito com muito pouco; de acordo com as palavras usadas, com os sentidos transmitidos ao longo do texto.


Isso exige um estudo cuidadoso do tema abordado e muita sensibilidade. Vamos partir de um exemplo: Suponhamos que um escritor queira trabalhar a luta contra o racismo de seu personagem negro em seu romance - seja esse o tema principal ou não da obra. Uma pessoa não-negra, que nunca teve tais experiências, pode ampliar seus horizontes, rever suas próprias atitudes com as pessoas negras à sua volta e iniciar uma mudança pessoal a partir de uma obra literária. Uma pessoa negra, que carece, ainda nos dias de hoje, de representatividade no meio artístico, pode reconhecer naquele personagem a própria saga e se sentir fortalecida com aquele trabalho. Nesses casos, a obra teve um impacto positivo. Entretanto, dependendo da forma que a trama é escrita, ela pode ofender toda uma cultura, reforçar estereótipos e preconceitos, tendo um impacto negativo.


É muito comum que o escritor iniciante não tenha plena consciência desse impacto, que a escrita comece apenas como um hobbie, sem que haja um verdadeiro comprometimento ou reflexão mais profunda a respeito do conteúdo contido em sua obra. Por isso, é muito importante pedir que pessoas de sua confiança revisem seus textos para ajudar nessas reflexões, especialmente leitores diferentes que possam ter experiências próximas às de seus personagens para ajudar com percepções diferentes.


Mas não pense que esse erro é exclusivo do iniciante. Apesar de ser mais comum vermos o machismo sendo naturalizado e positivamente afirmado em obras clássicas, ainda hoje autores com vasta bibliografia publicada o defendem em textos técnicos ou literários. É importante que todo autor se questione a respeito de que autor ele quer ser, para quem ele quer escrever e sobre o quê ele quer escrever.


Independentemente das respostas aos questionamentos anteriores, existem alguns temas mais sensíveis e que todo autor que se propõe a contemplá-los em suas obras deve ter um cuidado extra. Nesses casos, além da construção dos personagens, o cuidado com o foco narrativo é de extrema importância para não sermos preconceituosos ao falar de preconceitos, ou para a história não romantizar ou reforçar diferentes formas de violências. Muitas vezes a diferença é muito sutil entre apresentar uma situação e afirmá-la positivamente. Alguns exemplos desses temas são: gênero, violência e suicídio.


Falar de gênero é um desafio em várias dimensões. Não faz tanto tempo assim, toda e qualquer ciência, estudo ou entretenimento era feito por e para uma única referência de ser humano, o homem branco heterossexual. Gênero como conceito só surgiu na década de 70 e até hoje não é um campo unificado ou consensual. Tanto as teorias a respeito de gênero estão em mudança e construção, quanto nossa percepção pode ser muito limitada de acordo com nossas vivências e ciclo social.


Quem tem interesse em escrever sobre o tema tem que, antes de qualquer coisa, pesquisar muito sobre gênero e sobre sua comunidade de interesse, se identificando ou não como parte dela. Entrevistar outras pessoas para ajudar na construção da sua história e evitar que preconceitos e distorções prejudiquem seu trabalho. Mas não se esqueça de que a pesquisa precede essa etapa para não correr o risco de faltar com respeito com seu entrevistado(a).


Já a violência pode ser de vários tipos. Seja violência física, psicológica, moral, racial, cultural, econômica, de gênero ou sexual, pessoas têm sensibilidade e tolerância diferentes para cada uma delas e é muito variável o impacto sobre cada um. Classificar sua história da forma correta é um cuidado com seu público, que pode escolher ler ou não seu trabalho. Também é importante decidir, de forma cuidadosa, o quão importante para o enredo é que a violência seja mais ou menos explícita.


Alguns tipos de violência e abuso são muito romantizados de forma geral, em filmes, músicas, livros, novela etc., como é o caso do relacionamento romântico abusivo, no qual o amor é justificativa para os mais diversos absurdos em uma relação. Existem pessoas que não sabem identificar que estão em uma situação de violência de tão naturalizadas que elas podem ser pela cultura. A escolha certa de palavras na narração de uma cena e da percepção dos personagens é fundamental para que não haja defesa da violência retratada como aceitável ou correta.


Tema tratado com muita cautela pela mídia, o suicídio precisa ser tratado com muita delicadeza por um autor. O termo “efeito Werther” é usado ainda nos dias de hoje para cobrar parcimônia ao falar do assunto. O termo surgiu depois da onda de suicídios que ocorreu após a publicação do livro Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Wolfgang Goethe, publicado em 1774. Pessoas que tiraram a própria vida foram encontradas com roupas semelhantes às do personagem ou até com a obra em mãos na época de sua publicação. Recentemente o mesmo efeito tem sido associado à série americana 13 Reasons Why.


Não é tema proibido. A literatura vai retratar tudo aquilo que fizer parte da experiência humana e, apesar da delicadeza do assunto, o suicídio não fica de fora. Entretanto, alguns erros não devem ser cometidos, como a romantização do suicídio como a solução dos problemas de alguém ou a forma de encontrar paz. Dar detalhes do método usado pelo personagem para tirar a própria vida também não é recomendado e pode ter efeito muito prejudicial quando há identificação do leitor com o personagem.


O Inkspired preza muito pela qualidade do conteúdo disponibilizado na plataforma e qualquer conteúdo que promova violência, ódio ou agressão como positivos não têm lugar em nossa comunidade. Nossa equipe de verificação trabalha constantemente para que as histórias postadas no site estejam de acordo com nossas Regras Comunitárias. Caso você tenha alguma dúvida se sua narrativa tem problemas neste sentido, você pode consultar nossas regras, contar com nossa equipe de betas ou deixar sua dúvida aqui nos comentários.


Texto: Donna Dan

Revisão: Leo Aquino

31 de Dezembro de 2020 às 00:00 0 Denunciar Insira 6
~

Levando o livro para passear

Computador com tela ampla e bom teclado, uma cadeira bem confortável, uma bebida saborosa ao lado, ambiente climatizado a gosto, silêncio ou som ambiente propício à concentração, editor de texto favorito e materiais para possíveis consultas abertos. Esse talvez seja o cenário ideal que quase todo escritor sonha em ter para se dedicar a transformar as histórias acalentadas em sua imaginação em texto e, eventualmente, publicá-las. A realidade, entretanto, pode ser — e, na grande maioria das vezes, é — bem diferente.


A não ser em casos específicos ou excepcionais, pode ser bem raro que você tenha todas essas condições na hora de escrever. Mais raro ainda que, no momento em que tenha pelo menos boa parte delas contempladas, haja inspiração para fazê-lo. Por mais que se organizar para ter uma rotina — e até, por que não?, um ritual — de escrita seja uma das formas mais eficientes de garantir sua produtividade, nem sempre isso é possível por conta… bem, por conta da vida. Estudos/trabalho, família, relações amorosas e/ou com amigos, vida social, entretenimento, atividade física, descanso… Para a maioria das pessoas já é extremamente difícil conseguir conciliar tudo isso no dia a dia; imagine adicionar ainda a dedicação à escrita na jogada!


Numa vida agitada, parece irreal conseguir o tempo necessário para apenas sentar e deixar a inspiração fluir. Quem nunca teve um surto de inspiração bem em uma época cheia de compromissos? Ou visualizou a cena perfeita para aquela parte empacada da história justo na sala de espera do dentista? E então, no fim do dia, ao chegar em casa para tentar escrever se viu ainda com tarefas domésticas por realizar; ou com os detalhes da cena já perdidos da mente; ou vencido pelo cansaço, mais forte do que a disposição de criar todo o ambiente propício para a escrita… Por não conseguir cumprir um ritual, muitas pessoas acabam deixando a escrita para depois, tão depois que às vezes o depois sequer chega. E isso é uma pena.


Bom, talvez nem tudo esteja perdido. Existem alternativas para que possamos aproveitar os momentos de inspiração espontânea ou breves momentos livres no meio do dia para nos dedicarmos à escrita. Talvez não sejam os mais confortáveis, os mais ideais, mas pode ser muito útil se acostumar a outras formas de escrever.


Uma volta ao tradicional pode fazer diferença; os bons e velhos papel e caneta são uma mão na roda para os momentos de inspiração súbita ou até mesmo para a organização de ideias sobre seu enredo como um todo. Não precisa ser algo grande e pesado; uma agenda, um bloco de anotações, uma folha solta, que seja, já pode ser um grande aliado para se ter a todo momento por perto.


Há quem goste de organizar pontos-chave das histórias à mão para uma melhor visualização, há quem use para fazer um brainstorming ou anotar ideias avulsas, há quem goste mesmo de escrever cenas e capítulos inteiros manualmente antes de passá-los para o formato digital. Seja qual for o caso, ter papel e caneta por perto é uma das melhores formas de dar vazão à criatividade a qualquer momento sem ocupar muito espaço nem precisar de baterias.


Só não vale esquecer no fundo da mochila junto com aquele monte de notas fiscais aleatórias!


Mas, talvez, ainda mais simples de se ter e de usar, para conseguir escrever mesmo nos lugares mais improváveis ou com pouco tempo disponível, seja o aparelho que se tornou quase uma extensão de cada um de nós. Por que não utilizar o celular como ferramenta de escrita? Existem várias maneiras de se fazer isso de forma bastante eficiente!


Assim como no caso do papel, é possível usar o celular tanto para anotações pontuais quanto para escrever textos mais longos. Há quem tenha apenas ele como ferramenta disponível e consiga escrever livros inteiros! À primeira vista, escrever pelo celular pode parecer pouco produtivo: o teclado e tela são pequenos, as interrupções por notificações ou mesmo ligações podem atrapalhar, a bateria pode te deixar na mão… Mas não são só desvantagens!


Apesar de não ser o mais confortável em termos físicos, o teclado do celular costuma oferecer um recurso que pode agilizar muito a escrita: a correção e sugestão palavras. Sim, editores de texto em computadores também corrigem, mas não automaticamente como o celular, que reconhece os nossos padrões de escrita. De grão em grão — palavra em palavra — pode se economizar um bom tempo ao não precisar digitar cada letra, e a economia estende-se para a hora de revisar o texto, já que o corretor do celular tende a minimizar os erros de digitação mais simples. Só é preciso ter cuidado com as abreviações que costumamos usar na linguagem da internet, que não caem bem no decorrer do texto numa história. Uma dica: se você passar a escrever muito pelo celular é possível investir num mini-teclado sem fio e tornar a escrita um pouco mais confortável do que na digitação na tela.


Há ainda a possibilidade de digitação por voz, mantendo até mesmo as mãos livres. Mas ela pode dar mais trabalho na revisão, já que a fala precisa ser bem pausada para que o aparelho compreenda o que está sendo dito, além do fato de que gravar em local público pode não dar certo, tanto pela privacidade quanto pela interferência de outros ruídos no ambiente. Mas não deixa de ser uma opção para anotações pontuais, por exemplo.


E tem, é claro, as questões mais óbvias: a portabilidade e a constância do celular na nossa vida. Talvez um dia a gente se esqueça de colocar um papel e uma caneta na bolsa ou eles acabem, ou ainda usemos uma folha solta que acabe se perdendo; as chances de isso acontecer com o celular são bem menores! Nós já estamos com ele praticamente o dia inteiro e o usamos para as mais diversas funções; nada mais natural que um escritor o utilizar também para se dedicar às suas histórias.


Isso pode ser feito tanto como um rascunho, utilizando aplicativos de texto simples no próprio aparelho e, depois, consultá-lo e reescrever tudo no arquivo no seu editor de texto no computador quando tiver tempo, ou, de maneira ainda mais prática, pode-se fazer isso já sincronizando o texto numa nuvem para que você tenha acesso direto ao que foi escrito através de qualquer outro dispositivo. Utilizando-se dessa segunda maneira, ainda podemos garantir um nível a mais de segurança em não perder o nosso trabalho — o pavor de todo escritor —, já que ele não estará armazenado apenas em um lugar, e, sim, num arquivo digital.


Seja como for, à mão ou com o celular (ou outro aparelho, como o tablet), é interessante considerar a ideia de utilizar outras ferramentas para escrever além do computador fixo que demanda uma estrutura de apoio maior. Não precisamos deixar de lado o charme do ritual da escrita quando houver tempo para colocá-lo em prática, mas ter a opção de escrever a qualquer momento que a inspiração bater, em qualquer lugar, pode ser essencial para manter o fluxo das ideias em movimento e nos ajudar a avançar na escrita, mesmo com toda a correria do dia a dia de quem (ainda) não consegue viver só da contação de histórias.


Texto por: Isis (@xixisss)

Revisão: Donna Dan

15 de Dezembro de 2020 às 00:00 0 Denunciar Insira 7
~

Como descrever cenas e não entediar os leitores tentando

A descrição de personagens e de ambientes se torna um dos pontos mais importantes na literatura e um dos problemas mais comuns para escritores. O quanto eu deveria descrever as cenas para ajudar os leitores a imaginar seus arredores da forma correta?


Há histórias em que é ilógico estender muito as descrições devido à sua extensão, como contos ou micro-histórias. Entretanto, o resto das histórias não possui dificuldades em gerar uma boa descrição de seus personagens, espaços, emoções e outros.


O importante é saber como descrever e como fazer isso sem ir a extremos, como nos casos em que nada é descrito ou então quando há muita descrição em um único momento. Hoje, muitos autores adotam esta forma de descrição:


… Olá, meu nome é Nathan, eu sou moreno, tenho 1 metro e 80, cabelo castanho e olhos azuis, não sou nem muito musculoso nem muito magro…


Apesar de esse exemplo não apresentar um erro per se, esse tipo de descrição mecânica pode ser bem chocante para o leitor. Tire um tempo para desenvolver as características dos seus personagens em tempos diferentes ou de forma mais natural.


Quinze anos atrás, eu nasci e meus pais tiveram a ideia de me chamar de Nathan; não faço ideia de por que esse nome, talvez porque meus olhos azuis lembraram a eles de meu avô, que tinha orbes da mesma cor e esse nome de homem afortunado. Entretanto, apenas os olhos são parecidos, porque, enquanto ele era pálido como a neve, eu tenho a pele mais escura.


O mesmo acontece com cenários. É diferente escrever:


O céu é azul, o carro que me leva para a escola é preto e as árvores da vizinhança são verdes.


E escrever:


Quando eu saí de casa, a primeira coisa que percebi foi o quanto o céu estava limpo, o que fez seu azul parecer ainda mais vibrante que em outros dias, o preto do carro que estava esperando para me levar para a escola brilhar e as árvores dos jardins da vizinhança absorverem no verde de suas folhas a energia necessária para seu esplendor.


Agora, precisamos falar também sobre o outro lado da moeda. Em que momento a descrição se torna tão extensa que eu afasto os leitores por haver muita descrição de personagens e ambientes?


Quando eu saí de casa, depois de fechar a porta atrás de mim e descer sete degraus, a primeira coisa que percebi foi que o céu estava totalmente sem nuvens; não havia cirro- estratos nem alto-estratos, muito menos cúmulo-nimbos obstruindo minha visão, o que fez o azul do céu parecer ainda mais vibrante que em outros dias. Ao mesmo tempo, o carro do meu pai brilhava, um Porshe Ft Gembala preto que estava me esperando há quinze minutos na calçada de casa pra me levar à escola, aquele lugar chato para o qual odeio ir. Árvores de todos os tipos e tamanhos, nos jardins dos vizinhos cujos nomes eu desconhecia, absorviam no verde de suas folhas a energia necessária para seu processo de fotossíntese.


Observe como a descrição composta basicamente por quatro linhas se transforma em um parágrafo de nove linhas que talvez mantenha a atenção de alguns leitores corajosos, mas que majoritariamente criará fadiga devido à leitura extensa de uma ação tão simples quanto sair de casa e pegar um carro para a escola.


Em conclusão, a descrição é um elemento muito importante na história e utilizá-lo bem pode prender o leitor, transportá-lo para o espaço que você deseja e fazê-lo se sentir da mesma forma que o protagonista em cenas específicas. Tudo vai depender da forma que o escritor faz seu trabalho de descrição.


Encontrar um ponto de equilíbrio entre falta de descrição e descrição excessiva é essencial. Leia o que você escreveu em voz alta e imagine a cena de acordo com as palavras que você já colocou no papel para que você possa ser o primeiro a julgar se estão faltando detalhes ou se, pelo contrário, você detalhou demais.


Cartões com informações sobre seus personagens e cenários te ajudarão a visualizar melhor as ideias de como cada elemento aparece no texto e será mais fácil, então, ir ao desenvolvimento da história. Conheça seus limites e encontre o ponto de descrição ideal para você; isso o ajudará a se desenvolver como escritor e seus leitores apreciarão o esforço.


Escrito por Janeth Velásquez (@jancev)

Tradução: Camy

30 de Novembro de 2020 às 00:00 1 Denunciar Insira 12
~
Leia mais Página inicial 1 2 3 4 5 6 7 8

Histórias relacionadas