Embaixador Secreto — Batalha da Embaixada 2021 Seguir blog

embaixadabr Inkspired Brasil alexisrodrigues Alexis Rodrigues amandaismirnadc Amanda Luna De Carvalho arnaldo-zampieri Arnaldo Zampieri atherabeckman Ruana Aretha dracula amy ᘛ 🦋 isismarchetti Isís Marchetti nicansade Verônica Ashcar Neste blog você encontra as histórias do Embaixador Secreto feitas na última semana da primeira Batalha da Embaixada de 2021. • Embaixador Secreto da Batalha da Embaixada, Maio de 2021. • Organização e revisão: @karimy • Times: Caçadoras de Dragões versus Sociedade Literária

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Presente dado por @niccax - Nica

Notas:

Gente, tudo bem?

Avisos: o ritual citado no texto é licença poética, por favor, não fazer.

Gente, não faça um ritual sem estudar muitoooo antes, please! 😉

***

A questão de momentos desesperados geram soluções desesperadas era a realidade daquele momento.

Verônica havia feito o possível para que seu bebezinho, Damasco, o gato de nariz rosinha, ficasse bem. Até mesmo o veterinário havia descartado a possibilidade de melhora, era uma condição que não tinha cura.

Agnóstica quase Atéia, de tamanho ceticismo, fez o inimaginável: orou. Não era uma pessoa de fé, mesmo que estudasse magia do caos, tais estudos eram apenas para meditação.

Até que uma ideia, que no momento parecia ser loucura, se tornou a possível única solução.

Sem qualquer habilidade suficiente por estudos e prática, resolveu evocar Eris, a deusa da discórdia e do caos. O pequeno apartamento foi o palco do possível ritual com todos os erros cometidos por uma pessoa sem experiência.

A sala de paredes brancas teve todos os móveis arrastados para um lado do cômodo, a cortina escura nem se abriu naquele dia em questão, tanto Damasco quanto Jurema e Strogonoff foram postos com amor em um dos quartos com a porta protegida por sal grosso.

Verônica desenhou um círculo de proteção em um pedaço de pano branco, pegou um espelho negro, pôs de frente para o círculo e acendeu algumas velas que circulavam o pedaço de pano.

Segurou entre seus dedos seu diário mágico, passo a passo do ritual simplificado. Nunca admitiria em voz que as mãos trêmulas era por medo, afinal o orgulho gritava mais alto, por isso o rosto alvo impassível, até algumas palavras serem sussurradas:

— Focu pocus... — A varinha que um dia foi um tronco de uma árvore qualquer apontada para o noroeste. — dim boom dum!

A voz por último saiu num fio aterrorizado, o ar faltou quando vela por vela se apagou em sua frente. Ainda dentro do círculo, girou os pés, observando o espelho negro. As paredes brancas do caderno.

Mas fora as velas se apagarem, nada aconteceu, o espelho estava como sempre, o ambiente queimava, mas ela morava num país tropical e deveria estar pelo menos 30 graus do lado de fora do apartamento.

Mas sabe o que ela esqueceu? Que nunca se deve sair do círculo de proteção até o final do trabalho, bastou apenas um pé do lado de fora para a mão dourada se materializar bem diante de si. Tudo escureceu bem diante de seus olhos.

Sabe qual é a lição, caras crianças?

Nunca mexa com o que você ainda não manipula com total certeza.

***

Amanda piscou algumas vezes quando o despertador tocou alto.

Todos os dias era basicamente a mesma coisa, exceto aos finais de semanas quando ia ao parque fazer uma longa caminhada e depois fazer piquenique com sua irmã Rubenita, comer pudim e alguns de seus lanches preferidos, como hambúrguer do BK.

E naquela quarta-feira não poderia ser diferente, por isso, levantou mesmo que sob protestos e reclamações, afastou o Pudim, o gato gordo caramelo que dormia em cima de seu chinelo ao lado da cama, o animalzinho chiou e a olhou com desprezo. Algo normal para um bichano. E se moveu o mais rápido possível até o banheiro, afinal, tinha que ficar pronta para mais um dia exaustivo, e o tempo não perdoa, 40 minutos se passa voando sem organização. Mas por algum motivo, algumas coisas naquele dia em questão saíram de seu controle.

Ao adentrar o pequeno banheiro, de cara Amanda não notou a presença da mulher de braços cruzados na altura do peito. Verônica estava parada encarando o espelho, e talvez fosse o sono que impediu Amanda de notar a presença de uma pessoa desconhecida ali.

Então notou o ser humano de pele clara como uma folha de papel, olhos grandes e amarronzados como avelãs, e cabelos acobreados batendo na altura do pescoço, e Amanda não sabia como reagir à desconhecida que possuía o semblante mal-humorado e um copo gigante de café na mão.

As duas se encararam por muito tempo, até Amanda criar coragem e falar com a voz semi-abafada pelo susto:

— Quem é você? — A moça encarou o cômodo apertado tentando encontrar algo para se defender. — O que pensa que está fazendo na minha casa? Eu vou chamar a polícia!

A mulher desconhecida nem ao menos modificou a sua face, deu de ombros para o que Amanda dizia e respondeu:

— Vim trazer café, não está vendo o seu copo aqui na minha mão?

Amanda corou com a resposta imediata da outra e novamente bradou em ameaça:

— Por favor, seja quem você for, eu não quero café de uma desconhecida. Vai embora. Quem você pensa que é?

A mulher de cabelos cobres e rosto insosso apenas riu ácida e pronunciou pausadamente:

— Por acaso, cara Amanda, você já ouviu falar sobre Eros?

Amanda apenas lembrou-se da versão grega do cupido e só então percebeu algo curioso nas costas da mulher de cabelo acobreado à sua frente. Além de asas como de um anjo, ela possuía um arco e uma bolsa com flechas. Amanda tentou pensar se estava próximo do Halloween e de gostosuras ou travessuras, porém estava no mês de maio, muito longe do final de outubro, quando a data era comemorada.

Então, com medo da resposta, enquanto bocejava pelo sono questionou:

— Por acaso Eros não é o mesmo Eros da mitologia grega, o deus do amor, equivalente ao cupido, né?

Verônica sorriu de lado com seus dentes amarelados de cafeína, e depois de tal fala, como se a outra à sua frente fosse a pessoa mais genial, bateu palminhas e por fim terminou:

— Acredito que seja muito inteligente, este mesmo! Aliás, meu nome é Verônica, porém neste momento pode me chamar de Eros.

Amanda, que até aquele momento não havia cogitado o motivo real daquela mulher desconhecida estar no seu banheiro às 6:30 da manhã segurando um copo de café, achou tal história muito estranha, mas era melhor prevenir do que remediar. Afinal, a tal Verônica parecia lúcida, e por não saber quem realmente era ela, achou melhor só falar qualquer coisa que a desagradasse quando estivesse fora da sua casa.

Então o copo descartável com café foi depositado em sua mão, e foi ali que ela disse com ordem:

— Amanda, avisa ao Gustavo que você não vai trabalhar hoje.

Amanda até tentou dizer que não podia faltar no trabalho, contudo a mulher na sua frente a encarava com muita ênfase de que não a deixaria ir para sua atividade. O pensamento até mesmo camuflou o seguinte fato: como que Verônica sabia o nome de Gustavo?

***

Ainda em casa mais tarde, Amanda, que tinha em suas mãos o copo de plástico com todo o líquido marrom que a tal Verônica lhe deu, agora observava a mulher com seu gato Pudim no colo, acariciando as orelhas felpudas do animal. Pudim ronronava alto enquanto se esfregava nas mãos de unhas compridas e coloridas da mulher, que sorria fofa, diferente de outrora, quando soou diversas vezes sarcástica.

Como que ela sabia seu nome, o nome de seu chefe e até mesmo, sem apresentar, o nome do seu gato?

Até que os olhos castanhos encararam-na, tirando de Amanda novamente um rosto enrubescido, então enfática Verônica pronunciou, ainda fazendo carinho na orelha felpuda do gato caramelo:

— Deve estar se perguntando o que eu faço aqui, não é mesmo, Amanda?

A voz de Amanda saiu levemente esganiçada pela timidez, um sim, Amanda era sempre muito tímida, principalmente com pessoas que havia sido introduzidas há pouco tempo em sua vida. Se perguntasse para ela se em algum momento da sua vida estaria conversando com uma completa desconhecida na sua casa às 7 horas da manhã num dia útil, ela riria.

Pudim miou alto e saltou do colo de Verônica, indo em direção ao pote de ração. Viu a mulher misteriosa sorrir em direção ao animal e voltar-se para ela.

— Como havia dito mais cedo, estou aqui em nome de Eros. Pode parecer loucura, mas acabei tendo que passar dois anos no lugar do deus do amor. Em algum momento, se houver tempo, contarei, porém agora tem algo importante que eu preciso lhe falar.

Amanda piscou algumas vezes encarando a mulher de tez alva, incredulidade, e pela primeira vez teve coragem o suficiente para gesticular para a outra:

— Acha mesmo que vou acreditar no que você diz? — Amanda cruzou os braços no peito. — Fala, de uma vez por todas, o que você faz aqui. Quer dinheiro? Veio ao lugar errado!

Verônica estalou a língua no céu da boca, olhou para Amanda com ar de deboche e, ácida, pronunciou lentamente, como se estivesse ensinando uma criança a ser alfabetizada:

— Queira ouvir, queira, caso contrário, problema teu! — A mulher à sua frente a encarou incrédula, e Verônica prosseguiu: — Sei das modinhas de pessoas que andam fantasiadas para cima e para baixo nas ruas. Olha para minha cara, vê se eu tenho cara de quem andaria com arco e flecha e um par de asas em minhas costas. Garota, eu quero me matar desde que fui obrigada a fazer esse papelão! O que eu tenho a te dizer é sobre o seu amado Peter!

Peter? Amanda pensou quase suspirando ao ouvir o nome do amado. Ela guardava sentimentos pelo professor de história da arte do colegial. Ele não sabia que Amanda às vezes o via tocar com sua banda suas belas melodias. O ex-professor de Amanda era um homem belo, de queixo angular, o sorriso largo de dentes branquinhos e seus olhos azuis como o céu do meio-dia sempre viviam brilhantes.

Peter Carroll era sua primeira paixão, mesmo que inocente, por Amanda nunca ter conhecido outra pessoa que acelerasse seu coração, contava muito para ela, afinal nem mesmo Rubenita tinha ideia de quem era o amor secreto de sua irmã.

E fora a paixão reprimida que ela aguardava desde sua adolescência, Peter, longe das salas de aula possuía uma banda, com as melodias mais doces e as letras das músicas mais belas que Amanda já tinha ouvido em algum momento de sua vida. Por isso, quando Verônica pronunciou que o assunto a ser tratado era sobre o amado, a postura, que antes era de hesitação, agora estava mais aberta para a desconhecida.

Mesmo que os músculos do pescoço dela enrijecessem com a tensão pela quebra de seu paradigma matinal.

Ela mordeu os lábios nervosa e puxou a pele do dedinho com a unha roída, numa tentativa falha de acalmar o coração que agora não dava trégua. Quase perdeu a postura pela demora de uma fala da mulher à sua frente, que mais parecia diverti-se com a tortura. O silêncio de Verônica vinha junto de um risinho cínico, de um olhar presunçoso e de uma postura ereta com classe. Ela, depois de muito notar o desespero no rosto de Amanda, resolveu complementar o que dizia:

— Por algum motivo de sorte, que não dou a mínima, menina — desdenhou —, os Deuses gostam de você. E segundo Afrodite, que me deu esta missão, você e Peter são destinados um ao outro, e toda essa cafonagem de amores eternos e os cacetes todos!

Amanda estreitou os olhos, desta vez curiosa. Verônica parecia muito diferente de Eros, conforme a mitologia, a começar pela aparência andrógina. Se não fosse pelo cabelo pintado como os do Camaleão do Rock, acreditaria que, bem diante de seus olhos, estava Boy George.

Então foi aí que o inevitável aconteceu, e ela, curiosa, questionou:

— Você sempre foi Eros?

A mulher robusta lhe lançou um olhar presunçoso e respondeu sem rodeios:

— Não, apenas assumi seu lugar por causa de uma confusão.

— Quer falar sobre isso? — Amanda questionou gentil, quase amolecendo o coração da outra... quase.

Um sorriso amarelo foi direcionado a si.

— Agradeço a preocupação, Amanda, porém neste momento o foco é só um. — Ela sorriu com os dentes amarelos e tortos. — Acertar vocês dois com isso! — Os braços curtos e gordos retiraram uma flecha dourada com ouro maciço de suas costas, e Amanda arregalou os olhos. Será que doeria?

Como Amanda queria acreditar que aquelas palavras eram verdadeiras! Nunca pensou que teria tanta sorte em sua vida. Desde a formatura, sua vida resumia-se em estudar noite dia para o vestibular que não havia passado de cara e trabalhar para poder sustentar a casa. Saber que poderia ser tão feliz ao lado do amado a fazia acreditar que aquela mulher estranha, logo cedo na sua casa segurando um copo de café, com asas nas costas, um arco e flecha junto, era um anjo. Mesmo que seu mau-humor denunciasse o oposto.

Fez o qualquer pessoa em seu lugar Faria numa situação tão atípica como aquela: se beliscou. A mulher à sua frente, sentada na poltrona bege, sorriu de lado, era engraçado ver as atitudes humanas pelos olhos de um Deus, mesmo que Verônica não fosse de verdade um Deus.

**

A humana, símbolo de Eros naquele momento da Terra, encarava uma Amanda diferente da garota sonolenta que encontrou dias antes no banheiro da sua casa.

Amanda tinha os cabelos castanhos claros presos num rabo de cavalo alto e despojado, a sombra azul elétrica circulava os olhos castanhos da garota, assim como lápis preto emoldurando a base de seus olhos. Uma camada de rímel amarelo levantava os pelos dos olhos deixando-os curvados e emoldurados. Na boca um batom vermelho.

Tudo nela brilhava, desde os fios desprendidos saltando por seu rosto a até mesmo o blazer preto com ombreiras que usava por cima do conjuntinho monocromático vermelho. Com figurino como o de qualquer mulher de 20 anos em 1987.

Apesar de diferente da mulher sonolenta que Verônica encontrou dias antes, Amanda parecia tão desconcertada como em outro momento, e até encontrar seu ex-professor, que dançava balançando os braços de um lado ao outro, não soltou as mãos de Eros em nenhum momento, já a Verônica tudo que pensava era em acabar com aquele infortúnio o mais depressa e encher a cara.

Era uma das boates iguais nas noites de Chicago, naquele período do ano quente de manhã e agradável de noite.

Enquanto uma tentava encontrar o bar, se estreitando entre pessoas dançantes ao som de The last dance, a outra buscava com os olhos seu alvo, mesmo que Verônica tivesse garantindo que ela lançaria sobre Peter e ela uma flecha do amor de Eros.

Amanda sentia o coração palpitar, enquanto apertava sua mão na outra para controlar o nervosismo. Porém bastou seus olhos encontrarem o ex-professor que o coração dela começou a tamborilar forte, a boca secou quando ele a olhou e sorriu a reconhecendo. Pois nem precisou da flecha de Verônica/Eros: os dois souberam naquele momento.

Verônica, que chavecava o barman, apenas olhou para cena de Amanda, sorriu largo e disse baixinho apenas para si:

— Menos um, e logo me livro desse infortúnio!

O ar congelou no momento em que as notas de The last dance alcançaram o refrão, a batida dançante invadiu a pista semi-escura, Verônica retirou da bolsa uma das flechas antes de virar o drink amarelado conseguido de graça com o barman gatinho.

Somente ela se moveu naquele instante. Deixou os dedos finos deslizarem pelo arco de ouro. Como era bom ser um Deus.

10 de Abril de 2021 às 01:50 2 Denunciar Insira 2

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Amanda Luna De Carvalho Amanda Luna De Carvalho
Ai, meu Deus! Que conto mais fofo! Você acertou que tenho um gato caramelo mesmo, mas seu nome é Aquiles! Adorei essa versão do meu Peter! Muito obrigada! Adorei!
April 10, 2021, 13:36

  • Verônica Ashcar Verônica Ashcar
    Ahhh eu fiquei muito feliz de que você tenha gostado! Fiz com muito carinho! 😚 April 12, 2021, 21:12
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