Embaixador Secreto — Batalha da Embaixada 2021 Seguir blog

embaixadabr Inkspired Brasil alexisrodrigues Alexis Rodrigues amandaismirnadc Amanda Luna De Carvalho arnaldo-zampieri Arnaldo Zampieri atherabeckman Ruana Aretha dracula amy ᘛ 🦋 isismarchetti Isís Marchetti nicansade Verônica Ashcar Neste blog você encontra as histórias do Embaixador Secreto feitas na última semana da primeira Batalha da Embaixada de 2021. • Embaixador Secreto da Batalha da Embaixada, Maio de 2021. • Organização e revisão: @karimy • Times: Caçadoras de Dragões versus Sociedade Literária

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Presente dado por @alexisrodrigues - Alexis

Sinopse: A mente humana é, indiscutivelmente, um dos lugares mais assustadores que existem. Os crimes mais hediondos lá germinaram, as maiores histórias de terror saíram de uma mente humana. Os desavisados tendem a acreditar que a mente de um escritor é um lugar colorido e cheio de vida, onde tudo é possível e todos os personagens são maravilhosos, mas somente um escritor reconheceria o horror de estar preso na cabeça de outro. Quando Amy acorda em um lugar estranho, rodeada de desconhecidos, ela foi sufocada por um horror desconhecido: a cabeça de Alexis.

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Único

O frio em seus ossos foi a primeira coisa da qual se deu conta. Quando abriu os olhos, não enxergou nada direito, sua visão estava embaçada. Tudo estava escuro, mas ela entendeu que estava deitada em uma cama. Dolorida, sentou-se devagar, no que uma forte luz branca se acendeu acima dela. Vendo nada além de silhuetas, tateou o que estava ao lado da cama, provavelmente uma mesinha de cabeceira, e percebeu que seus óculos estavam lá. Aliviada, colocou-os no rosto.

E o alívio acabou ali mesmo.

Porque ela estava presa em um quarto acolchoado, cuja porta era de metal maciço.

‘‘Quê?’’, pestanejou repetidamente. ‘‘Onde eu tô?!’’.

Se levantou rapidamente, imaginando como iria abrir a porta. Para a sua surpresa, não precisou de grandes esforços. Assim que pôs a mão na maçaneta, ela girou e a porta se abriu, levando-a a um corredor largo, igualmente acolchoado.

Branco demais, claro demais. Aquilo era um método de tortura, não?

– Pst! Ei!

Uma vozinha baixa chamou sua atenção, obrigando-a a se virar e ver quem era.

De dentro de outra sala, esticando apenas a cabeça para fora, uma coisinha pequena, que se parecia com uma mulher, de grandes pés descalços peludos e volumosos cachos cor de fogo a espiava, gesticulando para que se aproximasse dela.

– Venha! Venha logo, antes que ela apareça! – sussurrava com urgência.

– Ela quem? – Amy franziu o cenho.

A pequena mulher se assustou com algo e correu de volta para o interior de sua sala, fechando a porta rapidamente. Amy engoliu a seco, sentindo uma presença atrás de si. Virou-se devagar, esperando que, quem quer que fosse, não lhe fizesse mal.

Mas foi como se tivesse visto um fantasma.

Aquele traje específico de médica, o broche de cabra na lapela do jaleco azul, os cabelos castanhos em um ombré loiro nas pontas onduladas e os grandes óculos redondos não lhe deixavam duvidar:

– Mia? Mia Morgasdóttir?

A mulher pálida à sua frente mudou de aspecto mais rapidamente do que Amy gostaria. Sua faceta demoníaca surgira: as patas de cabra no lugar de pernas, garras negras afiadas no lugar de mãos e grandes chifres em sua cabeça.

Ela segurou Amy pelo pescoço, segurando-a contra a parede acolchoada enquanto a encarava com grandes olhos negros.

– Como sabe o meu nome? – a voz monstruosa ecoou no corredor.

Como poderia explicar aquilo sem que parecesse loucura? Havia saída melhor além de ser honesta? O fato de Mia estar bem à sua frente a fazia crer que aquilo se tratava de um sonho inofensivo, então o que de pior poderia acontecer?

– Eu li a sua história – respondeu nervosa, erguendo as mãos em rendição.

– Minha história? – Mia franziu o cenho.

– Sim, eu li a fanfic onde você era a personagem principal. A propósito, eu sou sua fã – sorriu nervosa, esperando não ser morta por uma personagem querida. – Muito legal a forma como você cuida do ruivinho lá, eu amo ele.

Mia soltou sua garganta, sua expressão confusa enquanto assumia sua forma humana novamente.

– Conhece o meu aprendiz?

– Conheço todo mundo ali – Amy sorriu. – Eu amo vocês todos.

Mia piscou algumas vezes e então semicerrou os olhos.

– Como...?

– Ah, então, não sei como te contar isso, mas... Você é uma personagem original criada para uma fanfic. No meu mundo, você não existe, apenas no seu.

– Ah...! – desviou o olhar, se afastando. – Isso explica muita coisa. É por isso que os outros estão aqui, então? – apontou para as celas.

– Como assim, do que está falando?

Mia gesticulou para que Amy a acompanhasse, no que abriu a janelinha de uma das portas de uma das celas. Espionando o interior, Amy não reconheceu quem estava lá, mas era uma mulher de cabelos loiros curtos, acorrentada em grandes grilhões dourados firmemente presos ao chão e ao teto. Ela estava em uma armadura grega branca e seus olhos estavam vendados, além de a boca estar amordaçada.

– Quem é essa?

– Atanasia. Não conhece?

– Bem, não. Não sei de qual história ela é.

– Segundo os cochichos, ela era uma amazona do exército de Hades, fez parte de uma aliança de deuses contra o rei deles. Como traidora dos deuses, ela foi punida. Ao que parece, mesmo aqui ela ainda está acorrentada, é poderosa demais.

– Quem é a mulher ruiva que falou comigo?

– Ah, aquela é a pequena hobbit, Belladonna, esposa dum rei elfo aí. Fofinha, não? Nem parece ser capaz de acertar seu olho com uma flecha de cima de uma árvore na calada da noite.

– Meu Deus – Amy estremeceu. – Quem mais está por aqui?

Mia assoviou, alto o suficiente para que os ouvidos de Amy doessem, e logo outros surgiram. Todos personagens de histórias que ela não havia lido. Mas a pergunta que não queria calar era:

– Por que os personagens da Alexis estão aqui?

Uma longa conversa se seguiu entre todos eles. A maioria era personagem original de fanfics, mas outros personagens, oriundos de contos originais e afins, também estavam lá.

Aparentemente, segundo eles entendiam, sua criadora estava em um coma. Alguns de seus personagens mais poderosos haviam raptado a versão de Alexis que existia ali entre eles. Ninguém sabia que mundo era aquele onde se encontravam, sabiam apenas que ela era sua criadora e que nada do que estavam fazendo estava funcionando para fazê-la acordar.

Alguns estavam deveras rancorosos com sua mãe, vulgo, a autora e criadora deles todos, e outros, apesar do rancor e do ódio, estavam ansiosos para sair dali, mas havia aqueles que estavam ansiosos para matar a autora com as próprias mãos.

Motivo pelo qual Atanasia se encontrava presa naquela cela. Ela tinha o poder de uma deusa, considerando suas origens, obscuras aos leitores, mas de conhecimento de todos os outros personagens, e fora treinada desde o berço para matar qualquer um se seus superiores ordenassem, mas, ao que parecia, só havia dois deuses ali, ambos também presos, e nenhum deles conseguia controlar Atanasia.

Naquele lugar, um falso hospital psiquiátrico, estavam os personagens sem poderes, os personagens que não obedeciam ordens e não podiam ser controlados, e os personagens que não concordavam com aqueles do outro grupo, que havia os colocado ali à força.

– Antes de ser enfiada aqui, ouvi que há outro grupo, outros personagens, alguns absurdamente poderosos – disse a outra Mia, Mia Stark, da segunda versão de uma fanfic. – Eles se uniram e criaram uma fortaleza, estão mantendo-a lá. Aqui nós somos todos inúteis.

– Por quê?

– Tentamos de tudo para sair – respondeu outra Belladonna, de outra fanfic do mesmo jogo de onde Mia Morgasdóttir saiu. – Magia, tecnologia, mas nada surte efeito. Sempre que destruímos uma porta ou parede, ela se refaz.

– Ué – Amy pôs as mãos na cintura. – Já tentaram abrir com uma chave?

– As chaves não funcionam.

– Cadê?

– Ô Astéria, traz as chaves aí! – Belladonna gritou para uma personagem sentada no final do corredor, uma garota de longos cabelos negros lisos.

– Você tá muito zueira, sua bruxa! – Astéria gritou de volta. – Esqueceu que fantasma atravessa as coisas, sua palhaça?!

– Ou eu sou uma bruxa ou sou uma palhaça, os dois não dá!

– Pelo amor de Deus – Amy deu um facepalm em si mesma. – Me diz onde elas estão e eu mesma pego.

– Cada porta está com uma chave na fechadura – explicou Asphodel, outro fantasma, se aproximando. – Os gênios nem fizeram questão de guardar.

– Adianta nada guardar se elas nem funcionam – a pequena hobbit deu de ombros, suspirando.

– Tá, eu vou tentar abrir – Amy disse determinada, enchendo o peito de coragem. – Qual é a pior coisa que pode acontecer, né mesmo?

– Você não conseguir abrir é o pior – respondeu Iberis, o terceiro fantasma, juntando-se aos amigos no corredor.

Amy respirou fundo, prendendo os cabelos em um pequeno rabo de cavalo e ajeitando os óculos no rosto.

Aquele corredor só tinha uma saída, que dava para um grande refeitório, onde havia uma porta ao sul. A outra saída ficava na cozinha e a outra era pelos esgotos, através dos banheiros, por onde ela definitivamente não tentaria sair nem que lhe pagassem dois reais em barras de ouro.

Foi em direção à porta que estava mais próxima: a do refeitório. Era uma porta pesada de metal, assim como as das celas, e logo todos os personagens que não estavam trancafiados nas celas correram para o refeitório para ver sua tentativa.

– Aposto um kibe que ela não vai conseguir – ouviu Astéria comentar com a hobbit.

– E como você vai conseguir fazer um kibe com as suas mãos de vento? – ouviu Mia Morgasdóttir perguntar.

Astéria apenas rosnou em resposta, ofendida.

Amy começou a pensar no que fazer. Teoricamente era só girar uma chave, certo? Mas se os outros não queriam que eles saíssem, que garantias ela tinha de que aquilo funcionaria? O que ela teria que fazer para que daquela vez fosse diferente? Nem magia e nem tecnologia funcionaram para abrir as portas, então o que poderia...?

Ela teve um estalo.

‘‘E se...?’’.

Segurou a chave e a girou, no que foi possível ouvir algumas engrenagens na porta fazendo barulhos por dentro.

E abrindo para fora.

Amy ouviu os personagens gritando animados aos pulinhos, se abraçando, comemorando sua liberdade.

– Er... Pessoal? – ela chamou a atenção dos demais. – Temos um problema.

Logo os personagens se aproximaram da porta, percebendo que Amy não se arriscava a dar nenhum outro passo para fora.

Havia muitas sombras em meio a uma espessa névoa, mas era possível notar que, quem quer que fossem, trajavam variadas armaduras, variando de armaduras completamente negras a armaduras douradas.

– Quem são eles? – Amy perguntou.

– Ah, merda – Mia Morgasdóttir praguejou e desviou o olhar. – Guerreiros. Alguns são do Séquito de Morrigan, guerreiros já mortos, outros são soldados de Hades, Poseidon e Ares.

– Não é só vocês... Sabe? – Amy arqueou as sobrancelhas. – Você tem a força de um exército.

– Aqueles ali são imortais. Acredite, nós lutamos com eles antes de sermos enfiados aqui, não deu certo.

– E agora, o que faremos? – a pequena hobbit perguntou chorosa.

Morgasdóttir trocou um olhar com Mia Stark, e com os três fantasmas, que foram rápidos em dizer que era uma péssima ideia. Amy nada entendeu, mas não teve tempo de perguntar, já que Stark começou a puxá-la de volta para dentro, levando-a até a cela de Atanasia.

– Se você conseguiu abrir a porta, vai conseguir soltá-la – disse enquanto destrancava a cela.

– Mas vocês disseram...

– Eu sei que só você pode fazer isso e eu já entendi o motivo. Nos economize tempo e solte ela, por favor.

– Se ela é perigosa agora, o que te faz pensar que ela não vai ser depois?

– Você é uma criadora, é uma mãe, igual a que eu tenho, então pode mudar a Atanasia e nos ajudar.

– Não é assim que funciona.

– E por que não? Você cria coisas, e...

– Eu não criei a Atanasia, ela não se dobrará a mim. Eu só posso controlar quem eu criei, Mia, e eu não criei vocês.

Stark não estava satisfeita, por motivos óbvios, e outros pares de olhos curiosos logo estavam as espionando, no final do corredor.

Mas Mia Stark não desistia facilmente.

– Precisamos arriscar, ou ficaremos presos aqui – abriu a porta, gesticulando para que Amy entrasse.

– Essa decisão não é só sua, pirralha! – a outra Mia chamou a atenção da dupla. – Isso diz respeito a todos nós!

– Você tem uma ideia melhor?

– Não, mas se você estiver errada, teremos um problemão à solta.

– Atanasia lutou com muitos dos que estão lá fora! Só precisamos convencê-la a lutar ao nosso lado, e ganharemos tempo até chegar na Mãe!

– É? E quem vai convencer a matadora de deuses?

– Ela, obviamente – apontou para Amy.

– Eu?!

– Sim. Você é uma criadora, vai saber o que dizer – empurrou-a para dentro e fechou a porta.

Amy engoliu a seco, sentindo as pernas bambearem. À sua frente, uma mulher aparentemente indefesa, de quem todos tinham medo. Lá fora, milhares de guerreiros, alguns mortos, alguns vivos, todos perigosos. Ela não tinha a menor vontade de ficar presa ali, então, se a sorte estivesse ao seu lado, ela não morreria, e nenhum dos personagens.

Aproximou-se de Atanasia, removendo o pano amarrando sua boca, no que a amazona parecia prestes a lhe perguntar algo, mas sua voz não saía. Provavelmente não bebia nada havia algum tempo, então Amy se apressou em se explicar, esperando que aquilo não irritasse a personagem.

– Oi, Atanasia. Você não me conhece, eu não te conheço, mas eu estou aqui para te soltar. A única coisa que eu peço em troca é que me ajude a encontrar Alexis e acordá-la, para que todos nós possamos ficar bem. Brigar entre si não é bom para nenhum de vocês, sabe? Brigar apenas vai mantê-los aqui, desgovernados, sem rumo, por mais tempo. Ouvi dizer que você é muito poderosa. Eu conheço Alexis, no meu mundo. Acredito que ela criou você com a melhor das intenções. Você é uma amazona, deve ser uma heroína. Poderia ser uma heroína aqui também? Poderia nos ajudar?

Amy continuou, retirando a venda que cobria os olhos da amazona, que abriu os olhos com dificuldade. Com um fio de voz, perguntou:

– Conhece a minha mãe?

Alguns minutos depois, quando a maioria já estava crente de que Amy não conseguiria nada de Atanasia, as duas saíram da cela onde ela esteve presa.

– Alguém dê água e comida pra ela! – a criadora pediu. – Ela precisa comer alguma coisa antes de meter a porrada naquele pessoal lá fora!

A hobbit encarou o fantasma de Astéria.

– Está me devendo um kibe.

– E agora, o que eu faço? – Amy se aproximou de Morgasdóttir.

– Tem esses dois – caminhou em direção a uma cela. – Nêmesis e Loki, a deusa olimpiana da vingança e justiça divina, e o deus nórdico do fogo, caos e mentiras.

Amy ficou atônita em ouvir aquilo, sentindo o coração bater mais rápido.

– Você disse... Loki?

– Sim.

O Loki?

– Sim, caramba, o Loki!

– Pode abrir a porta – Amy endireitou a postura, uma aura de confiança tomando conta de todo o lugar, no que Morgasdóttir trocou um olhar confuso com Stark, mas no fim deu de ombros e abriu a porta para a autora entrar.

– Tem certeza de que pode fazer isso? Ele é conhecido por passar a perna em todo mundo.

– Eu sei – ela abriu um largo sorriso. – Deixa comigo – deu uma piscadinha e então entrou, fechando a porta por conta própria.

Os outros personagens, sem saber muito o que fazer, se afastaram, dando de ombros, e esperaram no refeitório por um sinal, enquanto conversavam cautelosamente com Atanasia, temendo incitar sua fúria.

E muito para sua surpresa, Amy saiu daquela cela acompanhada de Loki e Nêmesis, caminhando confiante até a mesa onde Atanasia estava comendo. Por um momento, os demais personagens se afastaram, temendo por suas vidas, mas Atanasia se ateve a entreolhar os dois deuses e os ignorar em seguida.

Amy se sentou à mesa, seguida pelos dois.

– Hora de discutirmos o nosso plano de invasão à fortaleza dos vilões.

~

A visão não era das melhores, é claro. A névoa espessa não facilitava em nada as coisas, e aquele mundo estar escurecido sob um sol opaco e moribundo.

Loki, em sua forma equina, estava prestes a sair pela porta do refeitório. Amy, montada às suas costas, segurava firmemente em sua crina. Nêmesis, flutuando acima deles, assim como Atanasia, segurava sua espada, ansiosa. Morgasdóttir estava à frente deles todos e sinalizou aos demais personagens.

A hora havia chegado.

Morgasdóttir avançou, abrindo caminho para as demais com sua forma demoníaca. Atanasia e Nêmesis a ajudavam naquela tarefa, facilitando a passagem do deus caótico com Amy às suas costas. Stark e a pequena hobbit guardavam as costas dos demais personagens indefesos, que seguiam caminho atrás do cavalo.

Amy, que nunca esteve em um campo de batalha, tremia com toda a adrenalina em seu corpo. O que aconteceria se ela morresse ali? Não sabia ao certo se era um sonho ou se estava presa em uma realidade paralela. As regras daquele mundo lhe eram desconhecidas em sua maioria, mas ela daria o melhor de si para que todos saíssem dali com suas existências intactas.

Foi então que os verdadeiros chefões começaram a aparecer.

Chefonas, para ser mais exata.

Nêmesis havia alertado sobre os poderes das demais personagens que haviam se recusado a abandonar a mãe. A primeira, Erika Storm, e a nova versão dela, Sisipho. A primeira era uma mutante telepata perigosíssima, capaz de gerar campos de força, usar telecinese, entre outros, e que havia trabalhado como mercenária por muito tempo, não tendo problema nenhum em sujar as mãos de sangue. Sua segunda versão era um pouco mais misericordiosa, mas não menos letal. Diziam ser Sekhmet reencarnada, pois era capaz de se transformar em uma leoa à vontade.

Quando elas apareceram, Nêmesis surgiu para contra-atacar, muito para o alívio de Amy e Loki, mas todos sabiam que o verdadeiro perigo ainda não havia mostrado as caras. Não, não, o verdadeiro perigo tinha muitas versões, mas a versão mais nova, a última, era a pior de todas.

Olivia Teller.

A mais leal dentre os filhos de Alexis e a mais letal, pois, segundo diziam, ambas já haviam se encontrado antes e ela havia entendido os motivos de sua criadora fazer sua história daquela forma.

A fortaleza estava guardada por mais guerreiros do Séquito de Morrigan, mas Nêmesis não perdeu tempo. Loki também se usava de magia para tirá-los do caminho, impedindo que ferissem Amy em suas costas.

Assim que entraram, ele se metamorfoseou de volta à forma de deus e ambos seguiram escadarias acima até o segundo andar, onde encontraram a versão de Alexis que existia naquele mundo.

E aquela... Não se parecia com Alexis.

Aquela tinha o mesmo rosto de Olivia Teller.

– O quê...? – Amy se aproximou, sem entender. – Essa não é a Alexis.

– O quê? – Loki perguntou confuso, erguendo uma barreira ao redor deles, notando a aproximação de Olivia. – Como não? Essa é a autora!

– Não, não é! Esse rosto não é o dela!

– Eu vou lhe dar a oportunidade de ir embora agora – Olivia encarou Amy. – Lhe mostrarei misericórdia em respeito à minha mãe. Vá embora e nos deixe.

– Sem chance! Se ela não acordar, vocês vão se destruir!

– É o fim que merecemos. Somente os fortes permanecerão. Todo o resto será descartado e destruído.

– Seja lá o que vai fazer, faça logo! – Loki implorou, nervoso, assumindo sua forma primordial de chamas no momento em que Olivia quebrou seu escudo.

Uma violenta luta se deu início entre os dois. A versão de Alexis do que era Loki e sua criação original, Olivia. Lá fora, a batalha entre os demais continuava. Havia muitos personagens indefesos lá embaixo, que logo virariam poeira se ela não fizesse nada.

Como acordaria Alexis?!

– Ei, sou eu, Amy! – ela se ajoelhou ao lado da cama onde ela estava, segurando sua mão. – Eu não sei o que tá rolando, mas se você não acordar, seus personagens vão se destruir! Eles precisam de você para continuar existindo, sem você aqui só há caos e destruição! Você precisa acordar e assumir o controle do que tá na sua cabeça, Alexis!

Mas aquele discurso obviamente não funcionou.

Amy sentiu o coração apertar quando percebeu que Olivia estava prestes a quebrar o pescoço de Loki.

Não.

Ela não suportaria ver seu amado Loki morrer de novo.

– Se você não acordar agora mesmo, Olivia vai matar o Loki! É isso que você quer?! Você quer sofrer com a morte dele de novo?! Você não o ama mais...?! É isso que vai deixar que eles façam?! Vai deixar eles se destruírem, Hana?!

Olivia se virou abruptamente ao ouvir aquele nome, imediatamente desinteressada em matar o deus, mas Loki correu ao seu encalço, segurando-a e jogando-a longe, envolvendo-a em labaredas azuis na tentativa de pará-la.

A forma mais fácil de controlar uma coisa é nomeando-a.

Não a Mãe, não a Criadora, não Alexis.

Hana.

– Acorde logo antes que todos eles morram!

Olivia desvencilhou-se de Loki, prestes a golpear Amy em cheio.

Mas Amy segurou seu punho no último minuto.

– Você não tem poder aqui! – Olivia se enfureceu. – Quem pensa que é para entrar e agir como bem entende?!

– Eu sou uma criadora – Amy se levantou, esmagando o punho de Olivia em sua mão. – Eu sou uma Mãe e você é apenas mais uma personagem dentre tantas, uma que pode ser destruída e refeita como ela bem entender, então coloque-se no seu lugar!

– Você não é a minha Mãe! – Olivia mostrou uma feição mais sombria, os olhos enegrecendo completamente.

– Mas eu sou.

Aquela voz...

Olivia se afastou de Amy imediatamente, curvando-se e baixando sua cabeça. Amy virou-se para ver Alexis, não, Hana, de pé, atrás de si. Não se parecia mais com o avatar que usava nas redes sociais, o mesmo rosto de Olivia.

Estava usando seu verdadeiro rosto, com óculos e tudo.

– Obrigada por me acordar, Julia – ela fitou Amy por um momento, se aproximando. – Obrigada por salvar os meus filhos. Está na hora de acordar.

Hana estendeu dois dedos sobre a testa de Julia e então...

Nada.

Julia demorou algum tempo para sentir seu corpo novamente e, quando sentiu, estava dolorida. Ao abrir os olhos, percebeu que estava sentada na frente do computador, com um post da Comunidade ainda por fazer.

Pestanejou, confusa, ajeitando o óculos sobre o rosto.

Aquilo foi um sonho?

Pegou o celular ao seu lado, pensando em que tipo de mensagem enviaria para ela, mas no fim...

Talvez fosse melhor não saber.

10 de Abril de 2021 às 01:42 0 Denunciar Insira 2

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