Embaixador Secreto — Batalha da Embaixada 2021 Seguir blog

embaixadabr Inkspired Brasil alexisrodrigues Alexis Rodrigues amandaismirnadc Amanda Luna De Carvalho arnaldo-zampieri Arnaldo Zampieri atherabeckman Ruana Aretha dracula amy ᘛ 🦋 isismarchetti Isís Marchetti nicansade Verônica Ashcar Neste blog você encontra as histórias do Embaixador Secreto feitas na última semana da primeira Batalha da Embaixada de 2021. • Embaixador Secreto da Batalha da Embaixada, Maio de 2021. • Organização e revisão: @karimy • Times: Caçadoras de Dragões versus Sociedade Literária

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Presente dado por @atherabeckman - Ruana



Sinopse: No século XXIII, Alexis e Aretha sobrevivem durante a ditadura daquele que ninguém vê. As vozes das ruas dizem que o invisível vê o além de cada um. Todos são monitorados a cada copo de água que tomam, não há internet, não se tem qualquer comunicação, a não ser que você seja da alta cúpula regida pelos invisíveis.

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O mundo não permite feições, Alexis e Aretha vivem mascaradas. Haviam escolhido máscaras de coelho, pois Alexis gosta de entender as nuances da vida, até mesmo do significado de cada palavra — antes da onda dos invisíveis, todos podiam acessar o google e ter redes sociais no século passado. Alexis entende que o coelho simbolizava a astúcia e inteligência, então decidiram usar essas outras faces para sobrepor o que realmente são: jovens literárias e revoltadas que escreviam no jornal ‘¿ Permiso?’.

O jornal ‘¿ Permiso?’ aborda o que se vê nas ruas, o que se fala nas feiras da cidade, onde podem ler histórias que neste atual século não podiam circular, e até mesmo redigem por onde andantes podem estar. As pessoas ditas ‘normais’ são relatadas com esse nome, ‘’andantes’’.

No século XXIII não é permitido buscar nada na internet, a não ser que você seja dos invisíveis. Os invisíveis são uma cúpula formada por pessoas muito ricas ou que tenham sido apadrinhados por eles, existem pessoas no meio dos andantes que fazem parte dos invisíveis, os famosos “olhos”. Os invisíveis podem fazer o que bem entender do mundo, escravizar, fazer vítimas nas ruas, podem expor os seus rostos também. São os únicos que podem sorrir livremente, rir, sem medo de ser alguém.

Neste século, existe toda tecnologia possível, mas os andantes não podem utilizar, vivem como uma civilização antiga, onde cada um produz e utiliza daquilo que produziu, e fazem trocas, o dinheiro não existe, está na mão de superiores, com os invisíveis. Por mais que seja pessoa formada e com algum grau de instrução, você é apenas mais um, porque você não faz parte deles.

Por isso, as máscaras impedem que vejam as feições dos andantes, a cor, qualquer que seja o semblante da pessoa. É triste o que vivem desde o início deste século, visto que os atuais moradores do mundo não possuem culpa do passado, mas a bola de neve foi se acumulando e, quando chegou, encurralou a todos, jovens que prezam a igualdade e, do outro lado, jovens vis.

Alexis e Aretha são órfãs, se conheceram em um orfanato, pois havia muitas crianças na mesma situação, porque os pais não tinham como sobreviver durante tanto tempo. A vida do ser humano diminuiu, passou a ser até 35 anos para os andantes, muitos morrem gestantes ou depois de um tempo não conseguem amamentar, por causa da fome.

Mas essas duas eram bastante astutas. Desde criança conseguiam pensar em engenhocas aleatórias para sobreviverem no mundo, elas sabiam que teriam que aprender tudo sozinhas, então se esforçavam muito durante a estadia no orfanato, já que seriam obrigadas a ir embora com 16 anos. Essas duas iam para a biblioteca que havia no orfanato, liam livros muito antigos. Aretha tinha alergia severa a poeira, mas inventava uma máscara de pano e ia ler o que fosse, ela se interessava muito por aventuras, mas quase era impossível ler um livro à sua maneira; você tinha que criar na sua cabeça.

Alexis, por sua vez, era muito humana, gostava de entender os significados, escrevia muitas histórias, entrertia as crianças, quando estavam tristes, com histórias e faziam sorrir. Alexis era muito inteligente, mas mostrava pouca coisa a Aretha. Com certeza Alexis tinha um segredo, mas que talvez não pudesse ser revelado.

Quando cresceram e completaram 16 anos foram postas na rua, não que o orfanato quisesse, mas são obrigados por necessidade. As duas foram para os campos ao redor da cidade. Conseguiram arrumar alguns trabalhos para ajudar em casas de campo e foram juntando dinheiro durante algum tempo, até comprarem um pedaço de terra para construir uma casa e assim plantar, colher. Enquanto isso, a ideia do jornal ia se formalizando na cabeça dessas duas.

Foram anos difíceis, porque, apesar de estarem no mesmo nível que os outros andantes, haviam muitos que, por ter algo a mais que outros, queriam humilhar também. Em um dos episódios sombrios, Alexis e Aretha apanharam muito, por simplesmente deixarem cair um copo no chão; não tinham culpa, pois a criança que era filha do dono da casa, fez de propósito isso. Ao menos aquele era o último e sacrificante trabalho naquela casa horrenda. Tiveram outros episódios lamentáveis, mas esse seria o menos terrível dentre todos, não é difícil pensar quando se tem uma sociedade em que não há a presença do estado nas ruas, ou que fosse uma ordem, no mínimo se houvesse justiça. Afinal, todos estão à mercê dos invisíveis.

Anos se passando e as manchetes do jornal se estendem a horrores, no dia de hoje “A cúpula desmascara na rua e leva bruxas para a fogueira”, a dupla tinha descoberto pelas suas fontes nas feiras que a cúpula estava fazendo novamente vítimas para sua diversão, “Cuidado com as máscaras coloridas, não exponham cores”, mais uma vez você não pode ter uma máscara colorida. O que tinha a ver?

Outra manchete “Máscaras coloridas advertem felicidade”, não poder ser feliz em um mundo que o que vende é a face, e o coração que se arrebente nas lamas ou no fogo que a cúpula te levará por ter uma máscara diferente.

A manchete do próximo jornal seria “Vamos unir as formigas, não vamos deixar que os gafanhotos contaminem nossas hortas”. Mas justo nesse dia, os invisíveis descobrem onde o jornal está sendo escrito. Houve disparos no vazio, não se sabe o que aconteceu no escuro que as velas faziam. O silêncio ecoa tão estridente que os relances de duas vidas podem ser vistos no céu.

10 de Abril de 2021 às 01:38 2 Denunciar Insira 2
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Presente dado por @arnaldo-zampieri - Arnaldo

TÓXICO


Depois da conversa, ela passou algumas horas remoendo as palavras que ouviu do amigo. Suas noites eram sempre assim. Ele dizia estar lhe ajudando quando pegava pesado nas palavras. O sal dos olhos correu pelo rosto mais uma vez, e ela silenciou os soluços com o travesseiro. Sem conseguir dormir, não conseguiu fingir que não era nada e mandou uma mensagem para o Arnaldo, que estupidamente nem disse oi, e apenas respondeu com "Ruana, são quase 4 da manhã!".

Foi aí que a crise apareceu e ela sentiu as cobertas mais pesadas do que realmente eram. De maneira nada confortável, depois de uma hora, adormeceu. Ao acordar leu a mensagem do amigo cretino que dizia: "você ainda não acordou?". Ela apenas pediu desculpas, e então uma nova mensagem nada simpática de Arnaldo com a pergunta: "Ruana, quando cê vai parar de ser tão preguiçosa?". Não disse nada porque, se fosse falar os inúmeros palavrões que lhe vieram à cabeça, essa amizade iria terminar tragicamente. Mas sentiu um incômodo enorme com a petulância do amigo, então ela começou a falar sozinha:

"Ele não entende, nunca entende. Que amizade é essa que nunca posso contar com um apoio? Nunca me compreende. Eu não tô legal e esse merda pensa que é acomodação? Vou bloquear e seguir por um caminho diferente".

O bloqueio foi a melhor decisão. Aparentemente ele não sentiu falta. Mostrou que se tornou um péssimo amigo; afinal, nem questionou o bloqueio. Ruana dormiu em paz naquela noite. E também na seguinte e nas outras que vieram. Por dormir bem, acordou cedo. Se viu disposta ao se deparar com os dias mais longos. Com os dias mais longos, descobriu que tinha tempo pra escrever.

Escreveu sobre a vida e mudou vidas.

10 de Abril de 2021 às 01:36 2 Denunciar Insira 2
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Presente dado por @dracula - Amy

I

— A gente se vê amanhã — meu chefe se despede dando um aceno, com um sorriso que mal curva seus lábios, tão cansado quanto cordial. — Conto com você pra exterminar a papelada, Arnaldo.

Aquiesço, com um meio-sorriso nada convincente, vendo de canto os contornos da pilha de papéis empoleirada na minha mesa; o preço a se pagar por ter aceitado cobrir o turno de um colega nada pró-ativo, para dizer no mínimo.

Encaro a papelada sem entusiasmo, organizando os documentos em ordem alfabética antes de transcrevê-los, tendo como única companhia um ventilador de hélices empoeiradas, largado ao canto da sala. Ele ressoa lamentos toda vez que se move, fazendo um ângulo quase perfeito de cento e oitenta graus. Às vezes sopra meu rosto e me faz sentir a boca seca, noutras ameaça fazer os papéis voarem por toda a sala, mas sequer faço menção de desligá-lo.

Os ponteiros do relógio parecem avançar com muito custo, e já sinto as pálpebras pesarem quando uma notificação mais que bem-vinda aparece em pop-up na tela do meu computador, renovando meus ânimos.

Aquilo era um chamado.

Além do trabalho de segunda à sexta, eu tenho uma missão. Sou uma espécie de Superman literário, com algumas pitadas de Batman: as chamadas que recebo online são meu bat-sinal, e eu escondo sob o uniforme da firma meu alter ego. Em suma, eu ajudo autores ao redor do globo a superarem seus bloqueios criativos.

Recebi alguns dons depois de ter comprado um livro antiquíssimo no sebo local. Suas páginas me revelaram mais do que a evolução da escrita através dos séculos, e me concederam o poder de guiar e instruir autores com uma maestria sobre-humana. Não parece tão entusiasmante quanto ser picado por uma aranha radioativa, ou ser um milionário que sai por aí combatendo o crime, mas, ei! É um trabalho mais que necessário, acredite.

E graças a ele consegui visitar alguns bons cantos do mundo sem ter que desembolsar uma grana absurda com passagens aéreas.

Estava mais que na hora do Clark Kent aqui tirar os óculos e botar a mão na massa! Alguém precisava de mim no interior de São Paulo. E à essa hora… eu só podia torcer para que não fosse nenhum texto de cunho erótico. Sempre me embaralho todo quando tenho que ajudar alguém com esse tipo de história.

Puxo meu uniforme de dentro da gaveta da escrivaninha, cambaleando pelo escritório enquanto me visto às pressas. Como todo bom super-herói, tenho que preservar minha identidade, oras!

E então, com um clique de confirmação no pop-up da notificação, meus poderes entram em ação, me levando teletransportando para o autor necessitado do outro lado da tela.

Ao infinito, e além!

II

Do outro lado da tela, o quarto é escuro e frio. Com o calor de rachar cuca do verão, chega a ser surpreendente, mas com um ronco vindo acima da minha cabeça, percebo que o ar fresquinho vem de um ar-condicionado, no alto da parede lilás.

— Eu não acredito que você veio mesmo. — E com um clique no interruptor, a luz do quarto é acesa e eu enxergo a autora; depois de piscar um bom tanto de vezes para me acostumar com a claridade repentina. — Pensava que você era um mito.

— Bem, aqui estou eu! — Solto um riso, que sai um tanto sem jeito. Ela é miúda, veste óculos tortos e um pijama largo. — O bloqueio criativo está à espreita?

— Talvez já tenha devorado minha criatividade por inteiro. — Ela suspira, se largando na cadeira diante de um notebook. — Você é tipo… a minha última esperança, e todo aquele papo clichê que a gente larga nas costas de um super-héroi.

— Nesse caso, vejamos o que você tem aqui… — Me aproximo da tela do computador, e ela se inclina para o lado para me deixar ver.

Afora as mil e uma guias de redes sociais e jogos abertos, uma página do Google Docs mostra um arquivo de texto iniciado, praticamente intocado. No cabeçalho, lê-se o número do capítulo, abaixo se dispõe linhas escassas, tentando contextualizar o ambiente da cena.

— Tudo isso são distrações — resmungo, fechando as demais janelas. — Precisa se concentrar pra escrever, ou não vai conseguir avançar — meu sermão tem tom suave, mas é sustentado por um olhar firme.

Leio o pequeno trecho que ela escreveu e, somado aos demais elementos que percebo nessa situação, encontro a solução perfeita!

— Agora, nós vamos ter que abrir uma outra janela. — Ela me encara, confusa. — De pé, por favor.

Em dois passos, alcançamos a janela de seu quarto. Fechada, bloqueando a resolução para o problema.

— Eu não entendi. O que a minha janela tem a ver com a minha história?

— Abra — peço, incentivando-a com um gesto das mãos.

Ainda confusa, a autora faz o que peço. Com a janela aberta, a noite se revela no exterior da casa, na rua que ladeia a construção, nos sons que vem do bairro…

— O que você vê?

— A rua da minha casa — responde de imediato, sem entusiasmo.

— Ok, espertinha. Me descreva agora o que você realmente vê, detalhe por detalhe.

Ela não me responde tão rápido quanto antes, os olhos perdidos na escuridão parcial da noite adiante. A autora franze os lábios, ajusta os óculos e estala a língua antes enfim responder:

— A luz dos postes é fraca, mal consegue iluminar toda rua. Se vê alguma luz vinda das janelas, ouço o som distante de conversas… um choro de criança, manha para não comer todo o jantar. Algumas árvores se erguem em meio ao concreto da calçada, talvez tão antigas quanto o casal de idosos que moram na casa da frente. Gosto deles, sempre estão sentados juntos na varanda, com um sorriso fácil, amigável…

— Continue — incentivo. — Me fale mais sobre o aspecto da rua. Ela é movimentada?

— Não. Vez ou outra um carro passa, cortando o silêncio da noite. É uma rua pacata, perfeita para quem quer apreciar o sossego… — Respira fundo, e enfim me encara. Agora, está sorrindo. — Acho que entendi agora!

Em um salto, está de volta ao computador, teclando furiosamente enquanto tece a cena do capítulo, dando descritivos minuciosos do cenário, das pessoas que nele habitam… tudo graças à rua da sua casa.

— Missão cumprida?

— Mais que cumprida! — Ela sorri, erguendo os olhos da tela para mim. — Muito obrigada por me salvar do bloqueio criativo.

— Disponha! — E, com um clique que ela dá em seu computador, estou de volta ao escritório.

III

Vestido novamente com o uniforme da empresa e de volta à companhia solitária do velho ventilador, organizo a papelada, agora com algum entusiasmo.

A sensação de dever cumprido e o olhar de felicidade de um autor agradecido são sentimentos impagáveis! Me fazem sentir a honra de ser quem sou, um super-herói tão solitário quanto único, lutando contra o bloqueio criativo.

10 de Abril de 2021 às 01:33 0 Denunciar Insira 4
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