bdebonnie B de Bonnie

Sozinho em seu apartamento, Kyungsoo não sabia como lidar com os últimos acontecimentos bombásticos divulgados pela mídia. Cada confirmação o atravessava como faca e tudo que ele podia fazer era esperar... e escrever. [Kaisoo | Non!au | menção JenKai]


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#songfic #exo #kaisoo #kai #kyungsoo
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Então me diga

Quase duas da manhã. Aquele apartamento grande no meio da cidade parecia não comportar a dor que ele sentia dentro de si. Kyungsoo sentou-se à escrivaninha, perto da estante de livros, e ligou o abajur. Pegou a caneta e rabiscou algumas frases sem muito sentido no bloco que estava aberto.


"Quem é você pra me fazer tão miserável?"


Miserável. Era como ele se sentia. Já tinha visto as notícias e a cada confirmação que aparecia mais seu peito doía. Cada notícia o cortava como faca. Cada especulação confirmada, cada foto. Era esse o anúncio do fim?


"Por que você me deixou sem ao menos me dizer uma palavra?"


Se perguntassem a ele, em sã consciência, se imaginaria um fim, ele até diria que sim. Embora esse cenário fosse, de longe, o mais distante possível do que ele um dia achava que viria a acontecer. Ele tinha notado que o outro andava preocupado, aéreo. Mas esse desfecho era mais irreal do que todos que tinha imaginado em sua mente. Ainda mais com ela. Pegou o telefone e discou uma vez, sem resposta.


"Eu ainda estou te chamando, mas apenas os ecos retornam a mim"


Sentou no sofá. Olhou fixamente num ponto vago sem conseguir ter um pensamento completo e ficou ali por um tempo que pareceu uma eternidade, enquanto tentava recolher os pedaços de si mesmo naquela confusão. Resolvera naquele minuto que estava ele mesmo colocando um ponto final em tudo. Resoluto, levantou ao mesmo tempo em que o celular vibrou em uma das mãos. Atendeu sem falar uma palavra.

— Alô. — Disse a voz do outro lado da linha.

— Jongin, agora não.

— Desculpe não atender antes, é que eu…

— Não, Jongin - Kyungsoo o cortou, incisivo na fala. — Agora não mais.

Desligou. Não queria ouvir mais nada.



Não podia sair do próprio prédio em que morava a hora que quisesse como uma pessoa normal, e com toda essa repercussão a imprensa estava ouriçada em busca de qualquer informação sobre o mais novo casal da mídia. Ele, com amigo e parte do grupo, com certeza era visto como uma boa fonte. Resolveu subir para a cobertura do, que já usara diversas vezes como refúgio particular, para ao menos poder sentir o ar fresco no rosto. Olhou a cidade iluminada pensando como as coisas seriam de agora em diante e debruçou com os cotovelos no parapeito do edifício. Pegou um cigarro. Fazia tempos que não fumava, desde que tinha saído uma foto sua segurando um maço e a imprensa fez um alvoroço. Ah, a imprensa... Já estava farto. Às vezes só queria ser livre pra viver como alguém comum. Levou o cigarro a boca tentando acendê-lo com o isqueiro quando sentiu um leve toque em seu ombro.

— Não sabia que você tinha voltado a fumar — disse Jongin, encostando também no parapeito ao lado dele.

— Pelo jeito não estamos sabendo muita coisa um do outro.

Jongin respirou fundo. Kyungsoo deu um trago no cigarro e olhou-o de canto de olho. Por mais que estivesse prestes a explodir, com ele não conseguiria. Fumou dois cigarros seguidos enquanto olhava a cidade. Jongin, imóvel ao seu lado, ensaiou mentalmente algumas vezes iniciar uma conversa, mas todas foram impelidas pela postura impassível de Kyungsoo. Era como se um muro que ele nunca tinha visto tivesse sido construído, barrando qualquer tipo de contato. No fim do segundo cigarro, Kyungsoo se virou para Jongin sem dizer uma palavra e o olhou nos olhos por alguns segundos, como se com isso pudesse descobrir aquilo que mais desejava saber: o porquê.


"Não importa se isso é uma mentira. Eu quero saber ao menos a verdade"


— Você vai me deixar explicar? — Jongin perguntou enquanto se virava para ele, enfiando as mãos nos bolsos da calça. Kyungsoo apertou um pouco os olhos como se avaliasse a situação e balançou a cabeça.

— Não.

Jongin sentiu o chão desaparecer. Fechou os olhos num suspiro profundo procurando se acalmar e ao abrir estava sozinho. Só conseguiu ver a sombra de Kyungsoo entrando pela porta da saída de emergência e, ainda atônito, olhou para o chão. Sabia bem o que fazer. Correu para tentar alcançá-lo no elevador, mas a porta fechou assim ele chegou no último andar do prédio. Desceu correndo pela escada de emergência, pulando degraus, escorando nas paredes. Eram 10 andares de onde estavam até o apartamento de Kyungsoo e ele sabia que se o outro entrasse e fechasse a porta, não haveria uma alma viva que o faria abri-la. Nunca tinha conhecido alguém tão decidido como Kyungsoo e era isso que ele mais gostava nele, até mesmo nos piores momentos.

Jongin abriu a porta de acesso ao décimo terceiro andar ao mesmo tempo que ouviu o barulho do elevador chegando, e ao ver Kyungsoo sair pela porta tentou o alcançar com as palavras:

— Você precisa me ouvir, por favor… — disse, enquanto tentava recuperar a respiração falha pelo esforço físico. — É sério, não é isso que você está pensando…

Kyungsoo alcançou a entrada do apartamento e olhou de novo para Jongin, parado no meio do corredor com as mãos no joelho. A porta já reconhecera sua digital, destrancando a porta e liberando sua entrada. Titubeou por alguns segundos enquanto avaliava a situação, mas por fim amoleceu. Precisava pelo menos de um porquê.

— É bom que você tenha arranjado uma desculpa muito boa para tudo isso. — Kyungsoo respirou fundo enquanto ainda mantinha os olhos em Jongin e notou o suor lhe escorrendo pelas têmporas. — Entra, você tem 10 minutos pra dizer algo que faça sentido.

Jongin sentiu um pouco de alívio com a permissão, e entrou no apartamento atrás do menor, ainda ofegante com toda a corrida. Sentindo que não tinha muito tempo para argumentar, enfiou a mão no bolso interno do sobretudo e tirou um envelope amarelo de papel, jogando-o em cima da mesa de centro da sala enquanto se livrava do casaco.

— Abre.

Kyungsoo, um pouco confuso, deslizou mais para frente no sofá para alcançar o envelope pesado sobre a mesa. Abriu, e o conteúdo o fez ficar sem ar. Dentro dele havia dezenas de fotos dos dois em milhares de momentos únicos que somente eles mesmos sabiam que haviam acontecido.


"Momentos felizes me sugam, mantendo-me preso ao tempo, como uma foto"


— Mas que merda é essa, Jongin?

— Eu não sei como, nem quem... mas alguém vigiou a gente durante o verão.

Kyungsoo soltou o corpo para trás, praticamente deitando no encosto do sofá. Engoliu seco, levando a mão livre à cabeça enquanto na outra ainda segurava as fotos. Seus olhos grandes foram fechados com força, incrédulo, e Jongin os viu ficar tão pequenos quanto nunca um dia imaginou ver. Sentiu um aperto enorme no peito em vê-lo assim e devagarinho se ajoelhou à frente do pequeno, ficando entre as pernas dele. Colocou a mão na coxa e apertou devagarinho como um sinal de cúmplice que dizia "hey, estou aqui".

— Eles tem provas. Desde setembro venho recebendo foto por foto como sinal de que vão nos revelar, mas eu não faço ideia do porquê de tudo isso. Eu sei que eu deveria ter contado para você mas eu queria resolver as coisas eu mesmo uma vez na vida.

Kyungsoo levantou a cabeça do encosto para olhá-lo de frente. Estava tão pasmo que não conseguia formular uma frase inteira.

— E a Jennie...?

— Ela é a álibi perfeita, amor. — Jongin tirou as fotos da mão de Kyungsoo, jogando-as novamente em cima da mesinha — Ela estava em Paris com o namorado na mesma época que eu fui para lá. Nós já conversávamos antes, mas nesse evento em específico nos tornamos amigos, e confidentes. — Apoiou os cotovelos nas coxas de Kyungsoo e juntou as mãos dele às suas — E meio que tivemos essa ideia louca juntos.

— Mas por que raios você não me falou nada antes? — Kyungsoo estava alterado. Odiava ser enganado, por melhor que a intenção de Jongin tenha sido, ele verdadeiramente odiava não saber das coisas.

— Porque eu sabia o que você escolheria. — Jongin disse calmamente. — Você está cansado, cansado da imprensa, de não ter liberdade. E sei que por mais centrado que você seja e por mais que goste da sua carreira, você ia ficar de saco cheio e ia acabar explodindo com tudo isso. — Pegou as mãos de Kyungsoo e as levou a boca, dando vários beijos enquanto acalmava o menor. — Eu odeio te ver mal, mas ia odiar mais ainda te ver abdicando do que você mais ama fazer.

Isso era verdade. Se Kyungsoo explodisse os dois sairiam perdendo. Por mais racional que parecesse para ele, sabia que escolher o amor nesse caso não era nada racional. Fechou os olhos em uma tentativa inútil de organizar sua mente e uma lágrima escorreu, mas foi instantaneamente barrada por um beijo demorado de Jongin na bochecha — Eu não quero que você chore, ok? Me desculpe por não conseguir te contar sobre tudo antes que a notícia explodisse.

Kyungsoo inspirou com um pouco de alívio. Jongin estava certo, ele sempre iria escolher o amor. Se sentia rendido, irritado, mas extremamente grato por não ser real tudo que ele havia pensado até aquele momento. Jongin levantou e lhe deu um beijo na testa, mas foi vigorosamente puxado pelo braço, o que o fez escorregar para cima de Kyungsoo, com a mão espalmada no encosto do sofá, colando nariz com nariz.


"Não vá para longe de mim… eu não sou feito de aço"


Kyungsoo levantou o queixo e os lábios se tocaram. Foi o beijo mais gentil e mais cheio de significado que Jongin já recebera. Era como se com ele estivessem selando a ferro e fogo o que já sabia que possuíam. Jongin apoiou o joelho no sofá, ao lado da perna do menor e buscou a nuca do outro com a mão livre, trazendo-o mais para perto em um novo beijo. E a cada beijo um bom sentimento surgia, numa tentativa de tirar aquele mal impregnado de outrora. Kyungsoo puxou Jongin, sentindo a camisa agora aberta do amado roçar seu rosto como um carinho. Beijou o peito nu incontáveis vezes e foi com um abraço apertado que Jongin sentou em seu colo de frente. Kyungsoo tocou na cintura por baixo da camisa aberta, tateando com os dígitos os gominhos de Jongin, apertando as laterais da cintura com um pouco de força. Grudando seu corpo ao dele, encostou o queixo em seu peito e pendeu a cabeça para trás, olhando pra cima para poder olhá-lo novamente.

— Eu achei por um momento que tinha te perdido, Kai.

Jongin se afastou um pouco de Kyungsoo para olhá-lo melhor. Apertou os olhos quase até fechá-los e deu um sorriso de canto de boca. Sabia o que significava quando Kyungsoo lhe chamava de Kai.


"A espera é tão longa, não tem limite"


Jongin levantou, e com a mesma destreza o puxou pelo braço para que levantasse também, ficando um de frente para o outro, de pé. Colocou os braços do pequeno sobre seus ombros e acariciou as laterais do corpo até chegar no cós da calça jeans, puxando-o para si pelos passadores do cinto.

— Você nunca vai perder nem Jongin, nem Kai. Entendeu?

Kyungsoo balançou a cabeça afirmativamente sem conseguir dizer muita coisa. No segundo seguinte Jongin o colocou no colo, segurando suas coxas com força em volta do corpo. Agora os beijos eram quentes, apressados e os foram conduzindo para o quarto enquanto esbarravam, urgentes, em todas as coisas possíveis que encontraram no caminho. Ao se apoiarem na escrivaninha derrubando alguns livros da estante, Jongin não pôde deixar de reparar no bloco de papel em cima da mesa e, em meio a muitas frases riscadas, uma sublinhada lhe chamou à atenção:


"Meu coração finalmente sabe… Me diga, o que é o amor?"


— O que é isso, amor? — Jongin apontou o papel enquanto Kyungsoo colocava devagarinho os pés no chão, escorado na escrivaninha.

— Hum… Acho que vai ser uma boa música. — E depois de mais um beijo ardente, puxando Jongin pela camisa, os dois sumiram na escuridão do quarto.


24 Avril 2020 23:30:00 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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La fin

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