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Capítulo 1. Eu tô contigo

Oi, oi, oi!

Recentemente, eu publiquei o primeiro capítulo de uma angst pesada do ship da nação e, para balancear — por que equilíbrio é tudo — resolvi escrever uma coisinha leve, bem fluffy.

Mas preciso compartilhar que a maior razão para ter me dedicado a uma escrita tão fora do que eu estou habituada é que a quarentena está atingindo os nervos de todos — meus inclusos — e como afetou igualmente pessoas muito importantes para mim, eu trouxe o único OTP possível na mesma situação que nos encontramos, por que perspectiva é tudo.

Espero que vocês encontrem algum conforto e que se divirtam tanto quanto eu me diverti escrevendo.

Luma, o meu senso de humor é ridículo, mas eu te amo e espero que essa fanfic te faça bem. Ela é toda pra você e só existe por você!


[X]


— Tá me vendo? Tá me ouvindo? — Naruto gritou para a tela do celular, estreitando os olhos e mexendo o pulso, tentando obter uma melhor imagem de si e um ângulo adequado para que sua família o visse.

— A gente tá quarentenado na capital, não no meio do mato. Para de mexer essa bosta como se fosse uma antena pra conseguir sinal! — Sasuke resmungou do sofá ao lado sem erguer seus olhos do livro que tinha em mãos.

— Mama aqui! — Naruto respondeu com uma careta e mostrando o dedo médio.

— Na frente da mãe não, né Naruto!? Que pouca vergonha! — a gargalhada de Kushina ressoou através do aparelho, metálica, e seu rosto de queixo fino, olhos acinzentados como nuvens de tempestade e um emaranhado de cabelos ruivos despenteados entrou em foco na tela do celular de Naruto.

— Me pergunto de quem esse menino herdou a falta de pudor... — a voz de Minato soou de algum lugar fora do alcance da câmera e Kushina ignorou os xingamentos de Naruto para se virar para trás e responder.

— Provavelmente da senhora sua mãe, aquela desavergonhada! — Kushina disse em alto e bom som — o que, vindo dela, significava que estava gritando — e uma outra gargalhada seguiu, acompanhada por Minato e Naruto. Sasuke, que não participava da chamada de vídeo, reprimiu um sorriso. A família de Naruto era doida.

— E falando na Vó, como ela tá? — Naruto perguntou.

Antes que Kushina pudesse responder, uma voz gritou coisas completamente incompreensíveis ao fundo e então um vozerio se ergueu, misturando a voz de uma mulher, dois homens e Kushina, mas de cada dez palavras que Kushina dizia, Naruto entendia meia, enquanto as demais vozes, mais distantes, soavam como ruídos muito altos. Chamadas de vídeo não eram apropriadas para a gritaria de sua família.

— Quem você tá chamando de vó, pivete? — o rosto de Tsunade entrou em frente ao de Kushina, sua testa gigantesca por conta do ângulo da intromissão fazendo Naruto explodir em uma gargalhada. — Eu já te falei pra não me chamar de vó. Eu lá tenho idade pra ser vó de barbado? Vó é meu grelo, porra! Eu sou sua parenta! PA-REN-TA!

— Tá bom, Parenta, tá bom! — Naruto concordou em meio aos risinhos remanescentes da gargalhada. Parou um instante para observar o rosto de sua avó enquanto ela falava com seu pai sobre coisa qualquer, completamente maquiada àquela hora do dia, os cabelos loiros perfeitamente retocados e presos em um arranjo despojado e planejado. Enquanto Kushina passava os dias e as noites de pijama e seus cabelos já haviam se esquecido do que era um pente, Tsunade sempre parecia pronta para uma festa. — Parenta, por que você tá maquiada? Você sabe que não pode sair!

— Que isso, garoto? Lógico que eu não vou sair! — Naruto já conhecia a ladainha que viria depois, então a esperou com um sorriso. Já sabia sobre o que ela iria falar e os trejeitos que usaria, mas ele queria tudo aquilo de novo, mais uma vez, e mais uma, e mais uma, e todos as que pudesse ter. Deus, sentia tanta falta daquela velha maluca... — Uma vez médica, sempre médica! Até aposentada, filho; até aposentada! Eu não vou sair lá fora pra pegar esse cornona vírus, não! Primeiro que nem corna eu sou, né? Bom, não que eu saiba! Se bem que corna é sempre a última a saber...

“E eu por acaso pareço querer conhecer Jesus antes do tempo? Nã-nã-ni-na-não! Se ele quiser me conhecer, ele que venha aqui! Além disso, eu sou é areia demais pro caminhãozinho desse vírus! Mas escuta aqui, escuta a sua parenta, por que sua mãe não escuta. Eu tenho que estar preparada, pivete! Tenho que estar perfeita! E se nessa quarentena eu conhecer o amor da minha vida no telhado do prédio vizinho, me olhando tomar banho de sol nua na varanda do meu quarto...?

— Ah, mãe, pelo amor de Deus! — era a voz de Minato se sobrepondo à de Tsunade e a de Jiraiya soou quase indistinta ao fundo, ultrajado.

— Vai se foder, Tsunade! O amor da sua vida sou eu, mulher! Tu jurou me amar até que a morte nos separasse e eu tô aqui, ó, vivinho da silva!

Naruto sentiu sua bexiga protestar por conta dos seus risos convulsivos e Sasuke quase havia caído do sofá, o riso longe de ser controlado. Nem mesmo ele conseguiria se manter impassível diante daquele furacão em forma de família.

— Cala a boca, Minato! E tu! Tu acha que o corno vírus veio fazer o que aqui, Jiraiya? Ahn? — Tsunade virou o rosto para falar com os homens da família, sua mão livre que não monopolizava o celular de Kushina apontando um indicador com unha bem feita e pintada de vermelho na direção que Naruto supunha estar seu avô. — Ele veio pra te arrastar pra cova pelo chifre! A Mãe Natureza sabe que tu tá mais um pé lá do que cá, véio do saco murcho!

— E foi com essa sua boca cheia de veneno que você chupou meu saco murcho ontem à noite, véia das teta caída! — Jiraiya apareceu ao longe no alcance da câmera vestindo nada além de uma cueca samba canção com estampa de sapos, a barriga saliente em evidência contra a luz. Naruto estava fora de controle, mas ainda assim conseguiu sinalizar para Sasuke se aproximar e este se arrastou para o sofá junto de Naruto. Vendo o senhor de cabelos brancos e compridos somente em roupas íntimas e trocando impropérios obscenos com Tsunade, Sasuke estava quase roxo de tanto rir.

— Olha lá, olha o que vocês estão fazendo com o Sasuke! — Minato entrou no campo da câmera, uma mão sinalizando na direção de Sasuke enquanto a outra gesticulava para seus pais. — Vocês vão matar o menino! Sasuke... — Minato se aproximou mais e virou a mão de sua mãe na direção de seu rosto bondoso e calmo, ignorando os xingamentos e a outra mão que o empurrava. O homem era uma versão mais velha de Naruto; o mesmo tom de pele, os mesmos cabelos loiros, os mesmos olhos azuis como o oceano. — Como você está? Tem falado com a sua família?

Sasuke e Naruto se conheciam há três anos. O acaso e um anúncio no Facebook em busca de alguém com quem dividir as despesas os havia unido no primeiro ano de faculdade, quando começaram a dividir o apartamento, mas a família de Naruto tratava Sasuke como se ele fosse parte daquele amontoado de pessoas barulhentas, enérgicas, amorosas e muito propensas a falar palavrões. Sasuke adorava.

— Troco algumas mensagens com a minha família sempre que possível. — não era uma completa mentira, Sasuke pensou. Seu irmão estava mochilando na Índia quando as fronteiras foram fechadas, então Sasuke quase nunca tinha chance alguma de falar com ele, já que Itachi estava preso por lá. Seus pais... Bem, sim, estes eram os que mandavam mensagens. “Está vivo?”, seu pai perguntava todos os dias de manhã. “Precisa de alguma coisa?”, sua mãe perguntava todos os dias à noite. Não poderia esperar nada diferente; aquilo era quem eles eram, aquela era única forma que eles conheciam de demonstrar preocupação. Sasuke compreendia, mas com certeza gostava mais da maneira como a família de Naruto fazia. Eles não eram nada convencionais eSasuke aprendera a odiar o convencional desde que os conhecera. Desde que conhecera Naruto. — Eu, no entanto... Minato, vou ser sincero: eu estou às vias de cometer uma narutocídio. Eu vou desnarutizar essa casa!

Naruto fez uma careta e mostrou a língua para Sasuke diante das gargalhadas da sua família.

Ô, Sasuke! — Tsunade chamou sua atenção, voltando a monopolizar o celular.

— Fala, Parenta do Naruto! — Sasuke respondeu, e Naruto riu. O som da risada de Naruto era bom, pensava Sasuke.

— Deixe de coisa, menino! Pode falar que eu sou sua parenta também! — Tsunade deu de ombros e sorriu. Apesar de estar rindo, Sasuke sentiu que seu coração derretia um pouco. Ele sempre a chamava daquela forma e ela sempre dizia a mesma coisa. Talvez algum dia ele tivesse coragem de chamá-la de sua parenta, como se fosse sua. — Viu, tu já pensou como vai matar o Naruto?

— Tenho algumas ideias... — Sasuke respondeu, ignorando os impropérios de Naruto e rindo. O riso, tão díficil em outras épocas da sua vida, vinha mais fácil agora.

— Já pensou em matar engasgado? — Tsunade perguntou, arqueando as sobrancelhas e, diante do olhar confuso de Sasuke e dos olhos arregalados de Naruto, que balançava a cabeça com veemência em negativa, ela completou com um sorriso absurdamente pervertido. — Ah, você sabe... — e colocou a língua contra a parte interna de sua bochecha direita na sua boca fechada, movendo-a por toda a extensão e forçando-a, imitando perfeitamente um...

— Puta que pariu, Vó, sua depravada! — Naruto chacoalhou o celular, indignado, e cobriu metade do rosto com a outra mão, as orelhas coradas. Sasuke riu, mais para encobrir aquilo que se agitava em seu estômago que qualquer outra coisa.

Entre risos e gritos de indignação da família de Naruto, Minato tomou o celular da mão de sua mãe, saindo de perto de Tsunade quando esta fez menção de persegui-lo para recuperar o aparelho. “Minato, seu cuzão! Eu queria falar com a minha criança! A parenta te ama, Naruto! Um beijo pra você dois, lindos!”, Tsunade gritou e gargalhou enquanto Minato se distanciava.

— Pelo amor de Deus... Essa velha tá indo de mal a pior!— Minatoreclamou enquanto se sentava na varanda da sala e se ajeitava para falar com Naruto. Kushina chegou tão logo Minato começara a falar.— Eu estava assistindo as notícias... A situação por aí tá bem ruim, né?

— Ah, Pai...— Naruto coçou a nuca com uma das mãos e suspirou. Ele não queria preocupar seus pais, mas tampouco queria mentir. Não sabia quais palavras usar.

— As coisas estão meio caóticas sim, Minato, e muita gente não está respeitando a quarentena.— Sasuke interveio por sobre o ombro de Naruto, que lhe relanceou um olhar de gratidão, pois sempre que Naruto não sabia o que dizer, ele podia contar com Sasukepara salvar sua pele. Sasukelhe deu um olhar breve e aparentemente sério, mas para ele, que o conhecia tão bem, estava repleto de compreensão.— Mas nós estamos mantendo o isolamento. Só saímos de casapara fazer compras e as temos feito maiores para aumentar o intervalo entre uma e outra. Também revezamos e estamos usando luvas e máscaras.

— Eu fico aliviada em saber disso...— Kushina suspirou e se aconchegou no peito de Minato, que a abraçou e a puxou para mais perto.— Sinto saudades de vocês por aqui, meninos. E pensar que vocês viriam pra casa nesse feriado...

Enquanto Naruto a tranquilizava, Sasuke tomava seu tempo para pensar que via mais a família de Naruto do que a sua própria nos últimos anos e isso não o incomodava. Quase todos os feriados que Naruto ia pra cidade de seus pais e avós, Sasuke alegremente aceitava o convite para se juntar. Não conseguia deixar de se perguntar se ainda seria daquela maneira depois que concluíssem a faculdade.

As aulas foram suspensas em um dia em virtude da propagação do vírus e, no outro, a cidade entrara em estado de quarentena, impossibilitando a entrada, saída ou circulação de ônibus. Os pais de Naruto haviam ligado perguntando se ele gostaria que eles os fossem buscar, mashaviam discutido isso de antemão e ambos achavam melhor permanecer na capital, já que os avós de Naruto eram idosos e os dois rapazes tinham ficado expostos ao risco por duas semanas.

— Estamos com saudade, moleque!— era o avô de Naruto que havia se aproximado e falava por cima de um dos ombros de Minato.— Se cuide e cuide bem do Sasuke! Aliás, cuidem bem um do outro!

Sasuke se sentiu corar e viu as orelhas de Naruto avermelhadas. Não havia dado atenção àquilo antes, mas desde que se juntara à Naruto no sofá, haviam se aproximado e seus corpos se encaixaram com naturalidade, familiarizados um com o outro. Assim, Sasuke tinha suas costas apoiadas no braço e no encosto do sofá, as pernas suspensas apoiadas na mesa de centro, enquanto Naruto tinha estendido as pernas por sobre o braço oposto do sofá, as costas contra o peito de Sasuke.

Não estava prestando atenção naquilo que Naruto falava com sua família. A mente de Sasuke flutuava através daquele caminho tão conhecido. Naruto era uma pessoa expansiva e que gostava muito de contato físico com outras pessoas. Sasuke sentia que estava se aproveitando disso para ficar tão próximo quanto possível sem dar a entender a atração abismal que sentia por Naruto.

Enquanto estavam em período letivo as coisas já eram difíceis, mas quarentenados, tendo que se ver todos os dias, quase todas as horas e sem poder dar vazão àquilo que sentia ao se envolver com pessoas vazias... Sasuke talvez ficasse louco mais cedo do que imaginava.

— Eu sinto saudades de vocês todos os dias. Agora, mais do que nunca. Sasuke também sente saudades, mas ele é muito pau no cu pra admitir!— Naruto gargalhou quando Sasuke deu-lhe um soco no ombro. A menção de seu nome havia atraído sua atenção de volta para a conversa.

— Nós também sentimos muita saudade de vocês!— Minato apressou-se em dizer, a voz embargada, o queixo trêmulo e os olhos marejados.

— Ah, não! Lá vem a choradeira!— Kushina riu-se, mas seus olhos também brilhavam mais que o normal.— Nós te amamos, filho. E amamos você também Sasuke!

Sasuke sentiu seu peito apertar na mesma medida que um sorriso se espalhava pelo seu rosto. Ele ainda não conseguia dizer aquelas palavras de volta, mas a família de Naruto entendia. Eles sempre entendiam.

— Na primeira oportunidade depois que tudo isso passar, queremos vocês dois aqui!— Tsunade, que havia voltado à conversa, estabeleceu.— Se sua família quiser, vai ter que sair no soco comigo para que eu permita que você os veja antes de nos ver, Sasuke!

— Não se preocupa, Parenta; ninguém é doido o bastante pra ficar no seu caminho!— Sasukeriu e foi acompanhado pelos outros. O riso de Naruto ecoava através de suas costas diretamente para o peito de Sasuke. Era vibrante e quente.

— Ele me chamou de Parenta!— Tsunadegargalhou, vitoriosa. Sasuke corou e ignorou os olhos azuis brilhantes de Naruto que o olhavam de baixo, um sorriso daqueles bem grandes, como só o outro sabia dar, desenhado em seus lábios. — Finalmente!

— É um grande dia nessa família, nós já entendemos, Tsunade!— Kushina revirou os olhos, rindo.— Nós precisamos ir. Nos falamos em breve, okay? Se precisarem de qualquer coisa, chamem! Amo vocês, um beijo!

As despedidas se sobrepuseram, com beijos, abraços, amor e “Se cuidem!”. Logo a ligação estava terminada e o silêncio corriqueiro parecia estranho.

O momento se prolongou e só foi quebrado por Naruto fungando baixinho. Sasuke não precisava olhar para saber que ele estava com lágrimas nos olhos. Naruto era muito ligado à família e não os via há quase 4 meses. Sasuke não estava ali para julgar.

Colocou uma de suas mãos na cabeça de Naruto, os dedos emaranhando-se nos fios loiros e macios e trazendo-o para mais perto, até que seu rosto estivesse na curva do pescoço de Sasuke.

— Eu tô aqui.— Sasuke sussurrou e sentiu que Naruto se entregava ao conforto.— Eu tô contigo.

Naruto sabia, e ter Sasuke fazia toda a diferença na sua vida.

Da maneira como estavam, assistiram as sombras se alongando e a luz alaranjada se transformar em múltiplas cores no pôr-do-Sol que entrava pela varanda aberta.


[X]


Fiquem bem, se mantenham a salvo e me alimentem com as opiniões sinceras de vocês.

Até o próximo capítulo!

18 Avril 2020 22:32 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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