vandacunha Vanda da Cunha

Cecília, uma jovem herdeira de uma fazenda, chega a Rolim de Moura, para realizar o sonho do pai. Em sua nova vida, ela enfrentará muitas dificuldades, mas também terá amigos fiéis e viverá grandes amores. A narrativa é ambientada em Rolim de Moura, município do estado de Rondônia.


Romance Romance jeune adulte Interdit aux moins de 18 ans.

#vingança #Humor-implícito #nudez #sexo #traições #mentiras #interesse #amor
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Cecília (Vida em família)

Anoitecia, e uma fina neblina caía sobre Campinas. A estação fria empalidecera a cidade e muitas ruas dormiam mais cedo. A passos ligeiros a jovem senhora caminhava pela calçada. Envolta a um pesado casaco cinza, tremulava de frio. As mãos cobertas por um par de luvas brancas, vez em quando iam até a boca, o vapor morno que saía dos lábios finos, dissolvia-se a atmosfera gelada. Sem se dar conta do sublime efeito produzido pela fusão dos dois elementos, ela seguiu apressadamente. Minutos depois, parou frente à casa 344, tirou a chave da bolsa e abriu o portão de ferro pintado de azul escuro. Sentiu-se mais tranquila, pois chegara a tempo de preparar o jantar. A esta hora o marido já devia estar impaciente. Sem nenhum deslumbramento, seguiu pela calçada chegando até a porta. Com certa impaciência, abriu-a, entrando pelo pequeno hall. Tirou o cachecol, dependurando-o no cabideiro próximo a um balcão estilo Luiz XV, depois arrancou as luvas brancas de lá e jogou-as sobre o móvel de madeira. Silenciosamente ela caminhou até a sala, onde viu a filha deitada comodamente sobre o sofá, lendo um livro. Intrigada, franziu a testa, a essa hora a filha deveria estar na faculdade, e não em casa. Por alguns segundos, ela contemplou o fruto do seu ventre, para então tocar-lhe os cabelos alourados.

— Mãe! — Disse a jovem girando o pescoço para olhá-la. — não ouvi o barulho da porta abrindo.

— Você estava entretida na leitura. — anunciou a mãe. A moça sentou-se no sofá e olhou para a capa do livro. A imagem de uma jovem pálida e de um rapaz vestindo uma pesada armadura, remetia a uma época distante.

— Eurico o Presbítero... — Ela olhou novamente a capa. — acho que já li esse livro quatro vezes, precisamos renovar a biblioteca.

— Você vai ser advogada, devia ler a constituição e livros relacionados a leis, não esses romances. ― Criticou a mãe.

― Hum! — ela grunhiu fazendo uma leve careta. — é só para passar o tempo. — argumentou com voz preguiçosa.

― Então que tal passar um tempo comigo na cozinha, preparando o jantar.

— Vamos ter sopa novamente? — ela perguntou levantando as sobrancelhas.

— Sim, vamos ter sopa novamente. ― As dua riram juntas, e abraçadas foram para a cozinha.

— Eu imaginei que você estivesse na faculdade… ― Divagou a mãe enquanto seguiam por um estreito corredor que as levaria à cozinha.

— O papai não está bem, fiquei para cuidar dele. — explicou-se.

— Filha. — A mãe parou para contempla-la mais uma vez. — Eu sei o quanto você gosta do seu pai. mas sabemos que um médico resolveria o problema. Antes de responder a moça balançou a cabeça negativamente.

— O papai odeia médicos, odeia remédios, odeia o ambiente hospitalar... Para ele seria uma tortura pior que a doença. A mãe revirou os olhos e torceu os lábios, depois com voz indignada retrucou:

— Eu odeio tanta coisa, e sou obrigada a aceitá-las! Por que seu pai tem que ser poupado? Acaso ele é melhor do que eu?

A filha maneou a cabeça. Às vezes achava o comportamento da mãe imaturo, quase infantil. Num gesto de clemencia levantou as duas mãos e cruzou-as sobre o peito, implorando.

— Por favor, mãe! O papai já está sofrendo com a doença, creio que já pagou por todos os pecados. Tenha um pouco de compaixão.

Ao adentrarem a cozinha, a jovem senhora foi até a pia, ligou a torneira, deixando a água cair por alguns minutos. Depois pegou o vidro de detergente e espremeu uma boa quantidade do líquido sobre a mão, esfregou as palmas uma a outra, fazendo abundante espuma, que como nuvens airadas caiam sobre a pia.

— Seu irmão veio em casa? ― A mãe perguntou enquanto enxaguava a mão, tirando o sabão por entre os dedos.

— Ele veio almoçar, comeu e saiu novamente. — A resposta fria e desmotivada dada pela filha, entristeceu-a. Após enxugar as mãos em um pano de prato, foi até o armário embutido na parede, abriu uma das portas superiores, procurando uma vasilha na qual pudesse cortar os legumes. Escolheu uma bacia de alumínio, não muito grande.

— Seu irmão me preocupa tanto; já não sei o que fazer. — argumentou entregando a bacia a filha, que colocou o objeto sobre a mesa. A mãe foi até a geladeira, pegou alguns legumes e os colocou dentro da bacia. Antes de fazer o pedido costumeiro, ensaiou um meio riso. — descasque-os e corte-os para mim, filha. Eu vou cortar e temperar a carne.

— Dê-me a faca grande. — A moça pediu examinado a quantidade de legumes dentro da bacia. A mãe vasculhava abria e fechava gavetas.

— Ai meu Deus! Onde coloquei essa faca? Espere. — ela levantou o dedo indicador e cerrou um pouco os olhos. — Agora lembrei-me. Coloquei-a junto ao ralador. — disse abrindo mais uma gaveta. — Aqui está! — comemorou num meio riso. Depois entregou-a filha, que imediatamente começou a descascar os legumes

— Sabe o que eu acho, mãe? O Jorge é adulto, mãe! A senhora não tem que resolver os problemas dele. — disse a filha retornando ao assunto anterior.

— Ahh! Eu não sei onde errei com esse menino. Não sei mesmo. — A voz pesarosa ressoou como um lamento melancólico.

Enquanto preparavam a sopa, as duas mulheres continuaram a conversar, falaram sobre o tempo frio, as últimas notícias que viram nos jornais e tantas outras banalidades. Os problemas familiares foram esquecidos. O barulho da sopa borbulhando na panela, fez a mãe levantar a tampa para provar o sabor, riu satisfeita ao sentir o gosto, que para si estava delicioso.

— Já está quase pronta. Vá chamar seu pai.

A filha levantou-se da cadeira, aproximou-se da panela, esticando um pouco o pescoço para expirar a fumaça esbranquiçada.

— Hummm! Está cheirando...

— Vá logo! Seu "papai" deve estar com fome.

— Mãe! ―Retrucou a moça ao perceber o tom de ironia.

— O que foi? a mãe fingiu-se de desentendida.

— Nada. — A filha resmungou antes de sair da cozinha e seguir pelo corredor.

Ao chegar frente a porta do quarto, não bateu imediatamente, ficou a pensar na situação na qual os pais viviam. Sim, eles se odiavam, brigavam por tudo e por nada, eram como dois inimigos obrigados a se suportarem. Pensativa, ela suspirou profundamente, depois colocou a mão sobre o queixo rindo levemente. Verdadeiramente, amava-os.

Antes de abrir a porta, deu dois leves toques na madeira, só então entrou no quarto, que como sempre estava muito organizado. A cama de casal próxima a janela estava coberta com uma colcha listrada de verde e branco, os travesseiros recostados na cabeceira juntamente com um grosso edredom florido, dobrado milimetricamente. Oposto a cama havia um enorme guarda-roupas de madeira nobre, herança da família, o móvel fora deixado por antepassados distintos, aliás, parte dos móveis da casa foram passados de uma geração a outra, sendo cuidadosamente restaurados de tempos em tempos. Não faziam parte do acervo antiquário: o sofá, o mobiliário da cozinha e do quarto dos filhos.

― O senhor está melhor, papai? ― Perguntou a filha ao vê-lo sentado sobre a poltrona de couro. — Ele balançou a cabeça afirmativamente, para depois verbalizar.

― O que você colocou naquele chá? Sentei-me aqui na poltrona e dormi a tarde toda.

― É um chá calmante, papai. Por isso o senhor dormiu. Agora vamos para a cozinha, o jantar já está pronto e a mamãe está nos esperando. ― disse ela fazendo menção em ajudá-lo a levantar-se da cadeira. O pai agitou os braços e fez uma careta.

― Não precisa me ajudar, eu ainda posso andar sozinho.

Ela riu, conhecia-o tão bem, maneou a cabeça antes de segura-lo pelos ombros ajudando-o a levantar-se.

― Sabe papai. Eu sei que o Senhor consegue, mas gosto de fingir que precisa de mim. ― ela disse com voz doce, o que o desmoronou emocionalmente.

― Está certo, eu também gosto de fingir que consigo andar sozinho.

Ambos se entreolharam, e riram simultaneamente, havia cumplicidade no olhar dos dois e um afeto recíproco.





9 Avril 2020 19:44:03 8 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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Vanda da Cunha Vanda da Cunha
Oiee! Finalmente minha história já pode receber doações, se você gosta do meu trabalho e puder me ajudar, eu agradeço muito.
March 04, 2021, 13:55
Vanda da Cunha Vanda da Cunha
Grata pelas visualizações da história.
December 21, 2020, 16:05
Vanda da Cunha Vanda da Cunha
Olá leitores. Eu não sei se vou conseguir postar o próximo capítulo a tempo, minha gatinha está doente, passou vinte e um dias internada, então fica difícil me concentrar na história, estou sofrendo horrores, hoje chorei muito, pois ela quase morreu. Está com o corpinho paralisado e comendo através de seringa. Muito sofrimento. Espero que entendam que eu simplesmente não tenho cabeça para escrever nada nesse momento. Beijos de luz.
September 02, 2020, 01:47
Leitura TDB Leitura TDB
Adorei o começo da sua história Estou aqui TB para te fazer um convite O Grupo Tdb está com um concurso para obras de romance com uma premiação incrível. Para mais informações chame no WhatsApp (65)999656719 (Ana) ou (11)95689-4597 (Taty), que estaremos ansiosas por lhe atender
August 12, 2020, 11:47

  • Vanda da Cunha Vanda da Cunha
    Olá. Obrigada por gostar da narrativa, grata pelo convite. August 16, 2020, 16:58
Vanda da Cunha Vanda da Cunha
Meu muitíssimo obrigada aos leitores dessa apaixonante história. Sou grata por cada acesso feito, e estou feliz com o desempenho alcançado. ❤💖
July 11, 2020, 11:58
Vanda da Cunha Vanda da Cunha
Olá apaixonados por romances. Essa história que estou escrevendo, é um romance com características de novela. Eu agradeço pelos acessos e que a leitura seja agradável. Namastê!
June 21, 2020, 13:39
Vanda da Cunha Vanda da Cunha
Olá! Eu moro em Rondônia e amo esse lugar, amo o verde o sol, o calor, os rios e tantas belezas que aqui existem. Mas amo principalmente a diversidade e a cultura rondoniense. Estou feliz por retratar nessa história um pouco da essência desse estado maravilhoso.
June 01, 2020, 13:18
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