makitasama Makita Sama

Às vezes a diferença em uma pessoa é inexistente, porém colocada apenas para dividir pessoas com uma trajetória nada igual. Assim como Lara e Debora, ambas mulheres, mas a única diferença inexistente é o fato de que Lara é trans e Debora cis. Mesmo assim, esse fato nunca as atrapalhou em nada e só ascende o amor entre elas.


LGBT+ Interdit aux moins de 21 ans.

#Mãe-Solo #sexo #trans
Histoire courte
0
2.8k VUES
Terminé
temps de lecture
AA Partager

Diferença inexistente

— Está livre hoje? Gostaria de te conhecer melhor. — Fazer um pedido desses sem medo pela primeira vez foi ótimo, pois eu sei que ela não vai me chamar de armadilha, de cilada, nada disso, já que ela me trata bem.

Agora que eu te introduzi com essa fala, irei mostrar a minha história com a minha amada e com sua criança, sinta-se a vontade e vamos começar.

— Estou sim, só precisamos de um lugar definido. Se pudesse ser privado seria melhor, uma vez que tenho medo do que pode acontecer com você — conversamos sobre isso e fomos até seu carro, este seria usado para o deslocamento.

Sentei no banco do passageiro e notei o quão confortável era o veículo, tanto que por mim a gente ficava só nele o resto da noite, sem malicia.

O calor começava a tomar conta, obrigando-me a ligar o ar condicionado, foi quando olhei para trás após ligá-lo e vi um assento de elevação no banco traseiro. Eu sabia que ela tinha uma criança, mas não sabia que ainda precisava do acessório.

— Quantos anos têm a sua criança? Achei que já pudesse só usar o cinto — ela riu baixo e me respondeu com uma voz doce.

— 6 anos, só aos 7,5 anos ela pode usar só o cinto. Se quiser, já que amanhã não trabalhamos por conta do carnaval, você pode dormir em casa e conhecê-la melhor. Quem sabe não dorme os três dias de feriado? — Fiquei com os olhos cheios de brilho e aceitei sem pensar duas vezes, pois posso ajudá-la também se necessário.

Após um caminho demorado, chegamos ao local de comida, um dos mais bem falados da cidade, mas com preços acessíveis aos nossos bolsos.

Os garçons disponíveis observaram e não demorou muito para um deles se aproximar em nossa mesa, porém não sabíamos ainda o nosso pedido.

— Um suco de laranja e um suco de pêssego. — Ele anotou as bebidas, deixando-nos sozinhas de novo, enquanto isso nós continuamos a folhear o cardápio cheio de opções.

Cheguei a uma parte que me importava, visto que não como nenhum tipo de carne e estou aos poucos nessa jornada para não consumir nenhum alimento de origem animal. Nisso encontrei uma salada variada, fazendo-me escolher esse prato maravilhoso.

Esperei ela escolher para chamar mais uma vez o garçom, assim finalmente comeríamos algo depois de esperarmos tanto pelo alimento.

— Anotado. Seus pratos chegarão logo mais — agradecemos e utilizamos o tempo para jogar conversa fora aos montes.

— Você acha que essa nova diretoria vai ser boa para a nossa empresa? Porque eu estou com medo de quebrar de vez e não ter mais nenhuma solução — perguntei por estar sem assunto, além do trabalho, porém é sempre bom saber da opinião de outras pessoas.

Por mais que demorado a falar sua posição sobre o debate do momento, conseguiu se abrir comigo, deixando-me feliz por ter confiança para tal.

— Se eles tomarem as mesmas atitudes é quase certo a falência, mas se tomarem decisões diferentes podemos ter uma luz no fim do túnel. — Ela está certa, afinal, devemos estudar as ações do outro para não cairmos na mesma situação.

— Isso é verdade. Espero que eles não sejam iguais ou estamos ferrados.

— Vai dar tudo certo no final e poderemos nos ver mais vezes durante nosso trabalho e fora dele.

Conversa vem conversa vai, fomos surpreendidas com os pratos nas mãos do garçom, ou seja, é agora que sentiremos um prazer sem limite, pois não há nada melhor do que comer em um momento de fome.

Olhamo-nos por várias vezes durante a utilização dos garfos, embora assuntos estejam em falta, porque eu estou com vergonha e travada, é muito bom poder olhar por várias vezes em seus lindos olhos esverdeados.

Pensei em como continuar o clima de antes, mas era difícil concluir alguma ideia em meio à vergonha, afinal, é meu primeiro encontro depois da transição para o gênero feminino.

— Foi difícil a transição? Normalmente as pessoas em volta não aceitam e isso dificulta muito na vida de alguém trans, pelo menos foi o que eu li.

— Difícil não, mas nos primeiros dias de hormônios eu comecei a me sentir outra pessoa, aquela que sempre me negaram, afinal, eu tinha que ser um homem padrão e não era essa a verdade.

— Então você se sentiu libertada? Deve ter sido ótimo para a sua autoestima. Enfim, saiba que eu estou aqui caso precisar, entendeu? — Meu coração acelerou e eu me senti como se estivesse em um sonho.

— Sim, eu me senti libertada e sim, eu entendi. — Meu sorriso ficava evidente a cada fala e a cada olhar baixo, como se a minha vergonha e a minha felicidade fossem uma só.

Logo terminamos de comer e preferimos dividir a conta, afinal, cada um pediu seu prato e sua bebida, ou seja, ambas tiveram uma parte e devemos pagar por tal.

Exploramos as bolsas até encontrarmos os cartões de crédito, no mesmo instante chamei o funcionário e pedi a conta, dessa vez foi bem rápido por conta da pouca quantidade de pessoas e na mesma velocidade saímos do estabelecimento.

Caso queira saber se pagamos ou não os 10%, sim, nós pagamos, porque eles foram ótimos conosco, então é óbvio que pagaríamos.

Ela ligou o carro assim que eu entrei e fechei a porta, deste modo chegaríamos o quanto antes à sua casa e eu serei a visita desse local novo, mas que pode ser a minha nova casa caso moremos juntas.

— Pronta para conhecer seu futuro filho? — Fiquei sem saber como reagir a tal pergunta, mas respondi com muita vergonha.

— Não sei se estou pronta de fato, mas você já me considera tanto assim? Achei que fossemos apenas colegas de trabalho. — Sua risada fez meu coração acelerar como nunca e foi nessa hora que eu notei ser um amor correspondido.

— Sempre te considerei. Não sei como achou que eu havia te convidado apenas por amizade, já que eu e você dividimos a conta, além de eu estar te levando em meu carro. Eu só estava esperando a hora certa para declarar meus sentimentos. — Surpreendi-me com tais palavras e me senti muito bem por ser correspondida.

Durante o resto do caminho olhei ao lado por conta do sentimento predominante, tanto que mal conseguia olhar ao rádio, a ponto de eu ignorar uma música irritante.

Quando eu notei já havíamos terminado o nosso percurso, dando-me chance para dormir ao seu lado, além de conhecê-la melhor com conversas antes de o sono chegar de fato.

Respirei bem fundo, nisso entrei com o corpo trêmulo e quente, apenas com pensamentos de filmes românticos aonde a mocinha tem seus melhores momentos com o parceiro perfeito.

— Lara, o ambiente está bom para você? Se quiser posso ligar o ar condicionado sem problema algum.

— Está ótimo, pois você está nele. — Só de vê-la corar já me senti maravilhada, porque ela é sempre bem séria e causa medo dos funcionários abaixo do seu cargo.

— Assim você me deixa sem palavras. E se achar melhor, podemos ir direto ao quarto, assim teremos nosso momento intimo.

— Por que não? — Aceitei o pedido e ela me levou ao quarto, mas antes da parada final, precisei ir ao banheiro, logo após a porta foi fechada e trancada para que não houvesse possibilidade do filho entrar naquele momento.

Trocamos olhares em cima da cama e começamos a nos beijar de forma intensa, além de passar as mãos nos cabelos, ela em meu cabelo longo loiro com pontas roxeadas, eu em seu cabelo curto castanho escuro com pontas azuis.

Os fios sedosos passavam em meus dedos de forma macia e confortável, dando-me uma sensação ótima, nisso paramos o beijo por conta do meu problema de respiração pelo nariz, então passou a mão pelo meu rosto, acariciando-o.

— Está pronta? Quer realizar agora ou prefere deixar para mais tarde?

— Podemos realizar agora, afinal, temos um momento só para nós. — Nisso ela soltou uma risada maliciosa e perguntou qual a posição que eu preferia, já que ela queria fazer todos os meus desejos naquele instante.

Seus olhos me fitavam com vontade para satisfazer minhas vontades, então segurou minhas mãos para cima.

— O que devo fazer? — Seu tom de voz mostrava o que queria fazer comigo.

— Use-me, pois eu quero realizar a minha primeira relação sexual com você. — Após ouvir meu pedido, beijou mais uma vez meus lábios enquanto passava os dedos de maneira lenta em minhas costas, além de arranhar algumas vezes.

A tonalidade verde começou a brilhar como se fosse uma joia, deixando-me cada vez mais excitada com seus olhares, seus lábios.

— Seu coração está bem acelerado, fico feliz com isso. — Ao terminar sua fala retirou minha camiseta e colocou uma de suas mãos em cima do meu peito esquerdo, assim sentia as batidas do meu coração.

Enquanto isso ocorria, usava a outra mão em meus cabelos, massageando-os conforme beijava a região dos seios e utilizava os lábios rosados para chupar meu mamilo junto ao uso da língua, dando-me cócegas, mas ainda sim o prazer existia naquele ato.

— Vejo que está ficando bem excitada apenas com isso, portanto, posso chupá-la? — Respondi de forma positiva e não demorou a retirar minha calça e calcinha, deixando-me nua aos seus olhares.

A boca que antes chupava meu seio havia descido à minha vagina, chupando-a com vontade, além de a sua língua fazer movimentos circulares cada vez mais fundos junto ao dedo em meu clitóris.

Vários sons saíam e eu ficava sem jeito com tanto prazer sentido em tão pouco tempo, até que senti um líquido sair da minha vagina.

— Como está se sentindo?

— Muito bem, Debora, obrigada por isso. — Ela me abraçou e me beijou mais uma vez, após isso, fomos dormir para aguentar o feriado prolongado.

Em todos os meus sonhos ela estava lá para me amar, fazer-me sorrir e ao acordar a vi preparando o café da manhã para todos.

De início eu fiquei com medo de sair do quarto, porque não sabia como que o filho dela reagiria quanto a minha presença, quanto as minhas diferenças e isso me deixou insegura até o último minuto de permanência naquele cômodo.

— Pode sair sem medo, meu amor. Ele não vai te julgar só porque você é diferente de mim, pois eu o ensinei dessa forma.

— Obrigada. — Ela me levantou ao mesmo tempo em que segurava minhas mãos, olhando-me com um sorriso lindo, além da vontade de me ver feliz em todos os momentos.

Fui ao banheiro e lavei meu rosto umas três vezes até tomar coragem para enfrentar o mundo a minha volta, ainda que fosse apenas uma criança de seis anos.

— Você é a mulher que ama a minha mãe? Prazer sou Vinicius.

— Sou sim e eu me chamo Lara. Espero que a gente possa se dar bem ao longo desse feriado. Por sinal, já gosta de ler com a sua mãe? — Por um momento ele hesitou e depois continuou a conversa por um longo tempo, nisso conseguimos terminar nosso café da manhã e fomos ler um livro que eu amava quando mais nova.

O Patinho Feio é um livro que me define até hoje, já que eu não deveria ser desse jeito e sim um homem, mas acaba que eu não era um pato e sim um cisne. E sempre que eu o leio sozinha ou com alguém, sinto estar falando da minha história e não de um personagem inventado por uma pessoa há anos atrás.

Quando terminamos a leitura, notei um brilho em seus olhos parecidos com o da mãe e fiquei impressionada com as semelhanças maternas nesse garoto lindo.

— Gosta de mais alguma atividade? E por curiosidade, o que faz quando a sua mãe não fica em casa?

— Eu gosto de ouvir música e de ver vídeos. Bem, é isso que eu faço quando ela vai trabalhar e volta na minha hora de dormir, porque eu posso sentir minha mãe comigo por meio das músicas que ouvimos juntos.

Sorri pelo jeito fofo de falar e de certa maneira é triste ver que ele fica tanto tempo sozinho antes dos feriados e das férias. Se bem que era de se esperar em dias com muita gente na empresa.

Ontem mesmo ela poderia ter chegado mais cedo se não fosse por mim, mas ainda sim preferiu ficar comigo a ter que chegar cedo naquela noite.

— Debora, posso perguntar uma coisa? — Ela me olhou muito antes de me responder e quando o fez parecia já saber da minha pergunta.

— Eu preferi ficar com você, afinal, com ele eu fico todos os dias, toda vez que eu chego e ele está acordado, dou vários abraços e beijos, mas com você eu não fico todos os dias. Por isso chega de se culpar e aproveite esses dias ao meu lado.

— Uhum — falei meio sem graça por não saber a melhor forma de responder a essa fala e logo fui recebida com um beijo rápido nos lábios.

Meu filho fechou os olhos por sentir nojo, assim como qualquer criança, e depois entrou em um abraço coletivo entre nós.

— Eu fico feliz de ver a minha mãe feliz. — Ela o pegou no colo e sorriu muito, porque ouvir isso do filho é muito bom, principalmente em um momento de amor romântico.

Ainda que ele não entendesse como um todo pelo o que eu passei, é algo pouco importante na minha vida e ao longo desses meses, anos, poderei mostrar a ele como essa diferença é inexistente e apenas utilizada sem motivo.

— Amanhã podemos sair os três em família, que tal?

— Eu quero! — A sua felicidade me deixava feliz e claro que eu aceitei, pois quero aproveitar meu primeiro momento como uma mãe para ele.

— Então se preparem para amanhã! — Rimos com tal entonação da frase e após isso nos abraçamos mais uma vez, com uma felicidade imensa e com o amor materno acontecendo com muita intensidade naquele ato familiar.

1 Mars 2020 01:50:24 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
0
La fin

A propos de l’auteur

Commentez quelque chose

Publier!
Il n’y a aucun commentaire pour le moment. Soyez le premier à donner votre avis!
~