-pedromilagres-efi Sertidão do Cer

A Ciência e a Religião são vistas por muitos como dois grandes polos opostos. Que tal brincar um pouco com estas duas práticas sob os olhos ateísta do autor em diálogo com as filosofias de Espinosa (1632-1677) e Nietzsche (1844-1900)?


Histoire courte Tout public.

#estrelas #filosofia #ciencia #deus
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CIENTISTAS REZAM?

O mundo é um complexo infinito formado na poeira das estrelas que nos regem. Regem qualquer matéria no universo e, como uma mãe, nos alimentam com muita luz e hidrogênio.

Nosso Deus não nos observa, ele nos supre. Nosso Deus não nos pune, ele nos incentiva a viver dando mais substrato. Nosso Deus não nos mata, ele nos mantém vivos seguindo nosso processo natural de envelhecimento.

A Religião, do latim religare, nos liga ao divino, que são as estrelas. E, se somos poeira das estrelas, também somos divinos em nossa complexidade de seres, seja eu, você, nossos avós, as árvores, os animais domésticos e silvestres, os solos. Tudo é Deus! Nos apoiamos um ao outro para poder existir, como várias divindades reunidas num mesmo espaço-tempo em mútuo apoio.

E a morte, como se explica? Ela compõe parte do ciclo de renovação da matéria, onde damos lugar no mundo a novas matérias e alimentamos outra com nossa carne e nosso pequeno ciclo interno de transformação de energias.

Então, respondendo a pergunta, cientistas rezam! Mais que rezar para si, eles professam palavras que se fundam nas representações de nossa existência. Estudam desde a menor partícula anatômica até às grandes constelações, do mais subjetivo campo das emoções em suas microanálises, até aos mais amplos processos histórico-sociais. E todos os achados se convertem em registros lidos no topo dos montes, que nos anunciam qual a nossa origem, como nos formamos quem somos e tentam contribuir para onde vamos.

Ao contrário de outras profecias, seu papel não é nos acariciar com palavras macias e reconfortar nossa vida. Eles professam palavras duras – a realidade é melancólica! Ao ler os textos baseados em fatos e nas tentativas de conhecimentos verossímeis à verdade, podemos nos encontrar em uma pequena ilha isolada no oceano na companhia de Nietzsche, sem saber nadar, ou até mesmo nos dar conta de estar presos em uma cela exposta a um grande e central panóptico, tendo Foucault na cela ao lado. É preciso que, para ouvir os profetas da ciência, eles estejam acompanhados pelos profetas da filosofia existencialista, ou que ambos sejam um só.

Mas, também faço um apelo para não se sucumbir às hierarquias. Todos somos divindades, formadas no pó das estrelas e que se alimentam de um conjunto complexo de elementos químicos, somos capazes de rezar e de professar sobre a vida. Diferente de religiões onde o contato com o divino é restrito, o nosso está aí posto em nós.

Portanto, os cientistas, assim como qualquer outro ser, não precisam de um livro para rezar, ou um batismo em troca da salvação eterna. O Universo é o nosso grande “livro” aberto que está aí para ser explorado e experienciado, a salvação eterna nunca existirá, já que do grão das estrelas nós surgimos e é deles que voltaremos algum dia a ser.

3 Février 2020 23:59:51 1 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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La fin

A propos de l’auteur

Sertidão do Cer "Querido diário...." Sou um mero vagante curioso pelo mundo que não se contentou apenas em pesquisar. Vim de um lugar, no interiorzinho de Minas Gerais, onde várias forças confluiram para que eu não chegasse onde estou, mas cheguei! Então, aqui nada mais é que uma fuga do ringue (ou será uma extensão dele?). Aparentemente, cada texto é uma inquietação do meu eu tentando se achar em meio ao carretel interno de sentimentos, formalismos e rebeldias, e tentando deixar pegadas pelo mundo.

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Eduardo Miranda Eduardo Miranda
Olá Pedro Milagres, tudo bem? Faço parte do Sistema de Verificação e venho lhe parabenizar pela Verificação da sua história. Antes de qualquer coisa, quero parabeniza-lo pela iniciativa de escrever sobre um tema polêmico como a religião, expor sua visão sem pudor e com tanta sensatez. Definir padrões de reflexões sem estereótipos ou amarrações pré-conceituais. Um texto filosófico é sempre enriquecedor para quem o lê, independente de mostrar apenas a opinião do autor, que, contudo, possa ser empático à uma parcela de leitores. Gostei muito da clareza como você coloca a perspectiva de sermos seres iluminados oriundos do cosmo, como parte integrante de um universo em plena expansão. Foi tudo muito claro sem ofensas a quem entenda de forma contrária e isso é muito importante para um escritor, saber colocar suas ideias sem limitar seu público leitor. Lendo o texto, por vezes tive a curiosidade de saber em qual momento lhe surgiu a inspiração para escrever este tema, afinal eu mesmo por vezes já me peguei meditando sobre o assunto, talvez esta singularidade unida a dúvida popular por vezes camuflada de soberba seja a atração que me fez ler até o fim. São detalhes que me cativam a leitura, instigam a curiosidade de saber aonde vai dar e como será conclusão, sendo assim, finalmente cheguei à conclusão final do texto e como era de esperar me surpreendi. Uma sútil e respeitosa referência ao “do pó ao pó”. Pedro, parabéns pelo texto e siga nesta “pegada”, você tem talento.
September 17, 2020, 20:27
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