Outra Chance para o Amor e para o Fim de Ano Suivre l’histoire

nathalilima Náthali Lima

Tudo o que Katie queria para o seu fim de ano era que ele fosse diferente de todos os outros. Com vinte e oito anos ela já havia tido mais dezembros “felizes” arruinados que o próprio peru das ceias de natal e parecia ser sempre pelo mesmo motivo. Tudo o que ela queria, para aqueles quase três meses que faltavam para o fim de ano, era que nada do que havia acontecido voltasse a acontecer outra vez. O que ela não esperava para aqueles dias era uma mudança de trajeto.


Romance Chick.lit Déconseillé aux moins de 13 ans.

#258 #original #love #chicklit #comédiaromantica
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Álcool, álcool, vida adulta à parte.

Outubro de 2019 – DOIS MESES E ALGUNS DIAS PARA O ANO NOVO.

O som do despertador já havia se tornado irritante àquela altura do campeonato.

Não passa muito das cinco da manhã quando aquele troço desprezível começa a gritar em meus ouvidos, fazendo minha cabeça latejar mais do que já estava latejando.

Nota para a vida e para o ano que vem: Não ficar bêbada quando se tem que trabalhar no dia seguinte! – se eu lembraria dessa nota mental e se eu seguiria esse conselho, aí já é outra coisa.

Com um suspiro desanimado, jogo meus pés para fora da cama, procurando meus chinelos com a minha vista embaçada de alguém que ainda está tecnicamente dormindo e de ressaca.

Qual a porcaria do meu problema?!

Ah, é. Lembrei.

Levanto-me completamente zonza, sem enxergar um palmo na minha frente e descartando o pensamento e a memória mais amarga que as vodcas que eu tinha tomado na noite anterior.

Piso em meu próprio chinelo e quase – quase – caio no chão. Seria uma bela queda! Mas para compensar, bato com a testa na porta do banheiro.

O primeiro roxo do dia tinha acabado de ser garantido. Ding! Ding!

Lavo o rosto para acordar pelo menos um pouco e, logo depois, entro debaixo de uma bela ducha fria.

Fico dando pulinhos e gritinhos esganiçados, na tentativa de fazer a água parecer menos fria do que está e ficar parada não ajuda.

Me mexer também não ajudava, mas a ilusão era o que me fazia seguir em frente nisso.

Depois do fiasco que foi o meu último – e definitivamente último – relacionamento, eu tinha voltado para a casa da minha mãe e, no período de lamentação entre ele e conhecer as maravilhas da amnésia alcoólica, eu tinha encontrado meu apartamento e conseguido viver nele com todo o suor da minha vida e muitos banhos frios para me motivar a trabalhar mais e, assim continuar pagando as contas.

Mas com o inverno chegando, eu duvidava que banhos frios seriam possíveis e eu teria que encontrar uma nova motivação para despertar e banir os acidentes causados pelo sono, além, é claro, de ganhar dinheiro para tomar banhos quentes todos os dias sem me importar com a conta.

[…]

Atravesso as portas automáticas do prédio – brilhante e extremamente nova iorquino que abriga a redação e sede da revista de moda na qual trabalho – e corro pelo rol de entrada, atravessando as cancelas e, mais uma vez na semana, correndo para pegar o elevador.

— Ei! Segura o elevador, por favor! – grito para o homem de terno preto que tinha acabado de entrar.

Mas as portas se fecham e a última coisa que vejo do homem é seu sorriso maroto de garotinho pimenta e o aceno de quem diz: chegue na hora, querida.

Dois segundos.

Dois fodidos segundos!

Por que ele não segurou o elevador por dois míseros segundos?!

Às vezes, eu me pergunto como uma pessoa que acorda às cinco da manhã consegue chegar atrasada ao trabalho quando tem que estar nele às oito e meia. Mas a resposta é muito simples… sendo eu e bebendo em dias de semana nos quais você ainda precisa trabalhar.

Um dia eu iria aprender. Certeza.

Isso, ou eu iria encontrar um multimilionário, me casar com ele e ser uma socialite bêbada que gasta rios em compras.

Eu aprender a não beber em dias de semana parece uma opção bem mais fácil de acontecer. A menos que eu seja uma mocinha de filme romântico, o que não é muito a minha cara.

As portas do outro elevador se abrem, tirando-me das minhas loucuras internas e eu pulo para dentro dele nele, apressada, pressionando o botão do meu andar logo em seguida.


Coloco minhas coisas em minha mesa e, menos de cinco segundos depois, a luz irritante do ramal no telefone sobre a minha abarrotada mesa está piscando como uma daquelas luzinhas de natal, enquanto o aparelho toca como se sua vida útil dependesse disso.

Eu faço uma careta grande demais para o objeto barulhento antes de atendê-lo.

— O seu telefone está com problemas, Katie? – a voz entediada de Nadine chega até mim pelo fone do aparelho e a careta, que já era grande em meu rosto, fica ainda maior.

Eu pigarreio sem graça, ainda com a maior careta desgostosa da minha vida colada no meu rosto.

Katie? – ela chama ainda entediada e eu quase posso vê-la lixando suas unhas, já muito bem-feitas, com total descaso — O gato comeu a sua língua? Bom, não importa! Eu quero você na minha sala. Agora – ela ordena antes de desligar sem me dar sequer a chance de responder.

E essa era a deixa mais clara de que eu deveria obedecê-la imediatamente.

E sem pausa para o banheiro.


Entro no escritório de Nadine com toda a classe que uma pessoa apressada consegue ter.

É uma sala bem interessante.

Com ar-condicionado, poltronas sofisticadas, cadeiras confortáveis, quadros modernos e fotos das edições premiadas da revista Glow. Era uma sala digna de chefe.

Eu trabalhava há quase quatro anos como escritora/redatora de uma das colunas mais lidas e clicadas da Glow on-line e em todos esses meus anos nessa indústria vital, se eu fui chamada para a sala da minha chefe uma vez antes, isso tinha sido muito.

Nossos trabalhos e matérias eram sempre passados em reuniões de equipes.

Ser chamada definitivamente significava alguma coisa e eu ainda não sei dizer se é bom ou ruim. Todas as probabilidades estavam indicando que eram ruins e que eu provavelmente seria demitida pelas minhas bebedeiras e atrasos nos meus horários.

Nadine era o tipo de chefe que, ao mesmo tempo, você amava e odiava ter.

Ela adorava todas as matérias de dicas, informação, feminismo e feminilidade e ela sabia escolher seus repórteres, editores e redatores. Eu adorava trabalhar com ela – na maioria das vezes – ela tinha sido a minha mentora no meu começo e, mesmo sabendo ser a megera, ela ainda era a melhor no seu trabalho e, por consequência, sabia fazer dos seus os melhores.

— Sente-se. – Nadine ordena, assim que nota minha presença em sua sala, apontando para a cadeira de frente para sua mesa.

Ela estava sentada em sua incrível poltrona de chefe, macia e provavelmente muito confortável.

Definitivamente muito diferente da minha cadeira.

— Ah, claro – balbucio, obedecendo-a — Desculpe – peço — Mas além de chegar só um pouquinho atrasada, qual foi meu outro delito?

Delito? – ela repete debochada — Não teve delito algum, Katie – responde rolando os olhos.

Agora entendo por que minha irmã reclama tanto disso.

— Chamei você aqui para te passar a sua última matéria do ano – ela começa e isso estava explicando um pouco do porquê de eu ter sido chamada para a sala — Você, como uma das principais redatoras da Glow on-line, foi escolhida para fazer uma das colunas para a edição especial de fim de ano na revista impressa – ela agita as mãos como se jogasse purpurina em todo lugar, principalmente em mim — Você vai trabalhar em conjunto com um fotógrafo e deve registrar os momentos mais doces que puder.

Doces?

— E o tema dessa coluna é…

[…]

“Romance no fim de ano”. Romance no fim de ano! Dá pra acreditar?! – pergunto completamente irada e desacreditada.

Viro mais uma vez o gargalo da cerveja para que o líquido amarelo e amargo escorra para dentro de minha boca.

Minha nota mental de não beber quando eu tiver que trabalhar tinha ido completamente pelo ralo depois das palavras de Nadine, e eu acredito que agi naturalmente na frente da minha chefe. Ou pelo menos essa é a minha esperança.

Posso até ter conseguido me fazer de feliz para ela, antes de ser liberada e ir chorar desesperada e furiosa em uma das cabines do banheiro.

Isso só poderia ser sacanagem comigo e o Universo está gostando muito disso.

— Relaxa, maninha. Ela não sabe de seus desastres amorosos e nem tem culpa deles e de você ser tão complexada por causa deles – minha irmã comenta tirando muitas com a minha cara.

— Valeu por me animar, Char! Você é mesmo uma irmã fantástica! – ironizo revirando meus olhos e colocando a garrafa de cerveja pela metade com força exagerada sobre a bancada de sua cozinha.

— E você é uma irmã bêbada e azarada! A gente se completa! – lança com muita diversão.

Ela ri sozinha da própria piada.

Tomo mais um gole da minha cerveja porque, nesse momento, ela parece bem mais interessante do que minha vida.

Para Charlotte, era muito fácil falar essas coisas e tirar tantas quando pudesse com a minha cara. Ela era a mais velha, com um casamento bem-sucedido, um casal de filhos maravilhosos e o melhor de tudo: sem uma coleção de chifres na testa, talvez até pela cabeça inteira.

O que provavelmente é a minha realidade.

Por muitas vezes eu quis dar uns tapas nela, mas nossos pais não tinham mais idade para apartar nossas brigas e, mesmo minha mãe sendo uma louca compulsiva em fazer compras em mercados, eu ainda a amo.

E meu pai, mesmo sendo a criatura mais resmungona e louca que eu já conheci – me superando nos meus piores momentos – ele ainda era meu pai e eu o amo.

Eu podia poupar Char dessas coisas por alguns momentos.

Pensar no lado que dava certo amorosamente da família só estava me dando ainda mais vontade de beber.

— Relaxa, Kats… você vai conseguir fazer essa matéria sem passar todo o seu amargor e descrença na magia romântica do fim de ano.

Eu estreitei meus olhos para ela e lhe mostrei minha língua.

Nunca disse que eu era madura.

[…]

Eu tinha garantido para Charlotte que estava bem o suficiente para voltar sozinha para casa e eu realmente acreditei que estava.

Tinha até mesmo dispensado a carona no carro quentinho de Clyde para ir andando. Eu precisava espairecer e nem morava assim tão longe. A inspiração positiva para uma ideia sobre o romance no fim de ano poderia vir dessa minha caminhada.

E voltar a pé para casa, à noite, tendo enchido a cara de cerveja, vinho e talvez um pouco de tequila na casa de sua irmã casada é ótimo! A brisa refresca, o frio de gelar parece a melhor coisa e a umidade acumulada pelos cantos das ruas frias só trazem ainda mais emoção para o meu momento depressivo.

É ótimo!

Isso é, até o momento em que você é praticamente atropelada.

Em um instante, eu estava na vertical, fazendo bem o meu papel de andar sem adquirir ferimentos, e no outro eu tinha um carro freando tão rápido e tão perto de mim que eu agora me encontrava estatelada no chão, em uma posição que não era a vertical e, talvez, enxergando algumas luzes pintadas em um fundo preto engraçado.

Ou talvez fosse só o céu.

—– Moça, por favor, não se mexa! – a voz alterada chega aos meus ouvidos e parece de alguém que está mais desesperado que eu ao descobrir sobre a fatal matéria que eu teria que fazer até dezembro.

Ugh!

Lembrar disso me dá dor de cabeça.

Eu me sento no asfalto, sentindo minha cabeça rodar um pouco assim como noto as luzes dos faróis brilhando na minha frente.

— Você está bem?! – a voz alterada e desesperada chega novamente em mim e eu finalmente reconheço como a voz de um homem.

É claro que tinha que ser um homem… – eu penso revirando os olhos e passando a olhar para o meu estado.

— Tirando o fato de que você praticamente tentou me matar e agora eu estou completamente encharcada, é eu tô bem! – falo furiosa, detestando o estado em que eu estava me encontrando.

Propositalmente bêbada.

Acidentalmente encharcada.

Dolorosamente caída de bunda no chão.

— Você não olha por onde anda não?! – eu exclamo brava a minha indagação, sentindo minhas roupas ficando cada vez mais molhadas conforme eu continuava ali, sentada e aparentemente atropelada.

Como foi que isso aconteceu?!

Eu não olho? Foi você quem surgiu do nada na minha frente! Tem sorte de eu ter conseguido frear, sua doida – ele rebate indignado, como se eu fosse a errada da situação.

— Ótimo! Um idiota que gosta de bancar o esperto! – eu debocho e é bom estar fazendo isso completamente bêbada ao invés de, de repente, ter começado a chorar sobre ele.

Quando você já fez algo assim, você traumatiza.

— Pra sua informação – eu falo fazendo meu movimento para tentar começar a levantar e falhando miseravelmente ao fazer isso — Eu não sou doida e para corrigir você, não fui eu que surgi do nada, foi você e em um limite muito acima da velocidade… Quer dizer, em uma velocidade muito acima do limite!

O homem a minha frente emite um som estranho e, em seguida eu sinto as mãos dele no meu braço esquerdo.

— Uma bêbada que se acha engraçada e dona da razão – ele rebate em um murmúrio irônico.

— Ei, abusado! Pode me largando, eu sei me virar muito bem sozinha, tá?!

— Já vi que você é uma daquelas feministas extremistas que não aceitam nenhum tipo de ajuda masculina.

— E eu já vi que você é um daqueles machistas babacas que acham que toda mulher é um bichinho indefeso que precisa ser resgatado. O que te faz pensar que eu preciso da sua ajuda, hm? – eu desafio.

— O fato de você estar bêbada, caída no chão e a pequena possibilidade de isso ter sido culpa minha por ter possivelmente te atropelado é um bom indicador de que você precisa de ajuda. Se não minha, de um médico pelo menos.

Eu bufo, fazendo novamente o meu movimento para me levantar depois de enxotar a mão dele para longe de mim e finalmente conseguindo ficar de pé.

Apenas para me desequilibrar e descobrir que um dos meus sapatos de salto prediletos, um Yve Saint Laurent autêntico – que eu quase tinha furado o olho de uma senhora e que eu tinha quebrado duas unhas para conseguir em uma liquidação – estava com seu salto magnífico destruído.

Eu não caio por causa do motorista idiota que me segura, o que ridiculamente também me faz perceber que minha bolsa Louis Vuitton cara e autenticamente falsa– pelo o que eu estava acabando de descobrir – estava também destruída e escancarada pelo asfalto.

Beije minha bunda, sorte!

— É… tô vendo! – ele comenta rindo enquanto ainda me mantém segura em seus braços ridiculamente fortes, dos quais eu me liberto o mais rápido que posso.

Reviro os olhos para ele enquanto me equilibro em um único pé calçado para tirar meu lindo salto do pé e depois me abaixar para catar minhas coisas.

Eu tinha certeza que ele estava debochando da minha cara. E, olha, isso parecia estar acontecendo com mais frequência que o normal para mim ultimamente, e acho que eu não estava gostando nada, nada disso.

Eu rio em pensamento por algum motivo que não tem explicação, se levarmos em conta a minha atual situação, tombando para trás na minha mente.

Mas eu aparentemente tombo para algum lugar fisicamente também porque, mais uma vez, o senhor Atropelamento me segura quando me desequilibro e revira os olhos para mim.

— Tem certeza de que não quer ajuda? – o Atropelador Sarado pergunta de novo, agora me segurando por trás.

Ninguém merece!

— Pra quê? Pra me atropelar outra vez? Para destruir meu outro Saint Laurent? Ou então se aproveitar de mim como está tentando fazer agora? Não… muito obrigada, mas não – ironizo com raiva, me desfazendo dele e me sentindo definitivamente amarga e ainda mais triste pela perda do meu sapato mais caro e favorito, além da minha bolsa de mil e uma utilidades.

— Olha, moça… eu já disse que foi você quem entrou na frente do meu carro e não o contrário!

Puft! – eu rechaço essa afirmação com facilidade.

Ótimo dia para beber, Katie! Ótimo!

Por que eu tinha bebido, mesmo? Ah, é. Porque eu era uma azarada chifruda que tinha que fazer uma matéria sobre romance no fim de ano – que numa tradução livre significava escrever em parágrafos felizes e animados sobre o meu trauma particular de forma positiva e nada desastrosa, torcendo para não transmitir nas minhas palavras minha total decepção com o sexo oposto, com o amor, o namoro e mais ainda quando misturadas às festas de fim de ano.

— Vai à merda, bonitinho! – eu mostro para ele o meu dedo do meio e saio andando descalça, buscando pelo meu telefone porque, definitivamente, agora eu precisava de uma carona.

Casa… aí vou eu!

Eu acho.

Talvez eu precisasse de um hospital.

18 Décembre 2019 19:11:55 0 Rapport Incorporer 0
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