asheviere Jupiter L

Erika e Kevin são dois tatuadores rivais muito competitivos, que também são irmãos, mas isso é apenas um detalhe para eles. Ambos desprezam as festas de Natal e decidem manter seus estúdios (um em frente ao outro) abertos durante o feriado. Seria o espírito natalino capaz de aliviar suas disputas?


Humour Déconseillé aux moins de 13 ans.

#humor #short-fic #sci-fi #prompts #Rivais #comédia #natal
9
6.8k VUES
En cours - Nouveau chapitre Tous les samedis
temps de lecture
AA Partager

Questões de Genética

Iara pensava que, ao menos na véspera de Natal, ela teria algum descanso. Pensou que entraria na galeria para pegar alguns papéis, mas que poderia voltar para casa cedo, já que não tinha nenhum cliente. Porém, não eram os clientes os problemas de hoje. Eram 8 horas da manhã da véspera de Natal, e Iara encarava com incredulidade Erika e Kevin à sua frente.

— Eu... não sei se entendi.

— Ela disse que eu roubei os clientes dela! – Kevin repetiu, apontando enfaticamente para Erika, como se aquela fosse uma ofensa inimaginável.

— Você roubou?

— É claro que sim, mas ainda é difamação!

Iara olhou lentamente para Erika com esperanças de que ela desmentisse aquela absurda confusão.

— Eu estava no banheiro, ele entrou no meu estúdio dizendo para minha cliente que era meu secretário e que eu atenderia no outro estúdio! Me diz, Iara, quem faz isso? E pior, que tipo de pessoa acreditaria que ele é meu secretário? Sério, olha para ele!

— Por favor, maninha, eu seria um ótimo secretário.

— O que eu não entendi… – Iara retomou a fala, aumentando a voz para interromper a crescente discussão – é o que eu tenho a ver com isso?

Erika e Kevin a encararam por um tempo, até que Kevin apontou para o letreiro metálico às costas de Iara, que dizia inteligivelmente: “Iara Rodrigues, mediação e conciliação.”

— Ok, mas as pessoas me pagam para mediar, Kevin.

— A gente paga quase mil reais para você por mês.

— Se chama aluguel. Vocês usam minha galeria, lembra? Se quiserem me contratar, tudo bem, mas se não, eu vou só fingir que vocês não existem – respondeu, lentamente virando as costas para eles em sua cadeira giratória.

— Mas…

— Vocês não existem! – repetiu, colocando fones e continuando a procurar os documentos que precisava.

Por um momento, Iara conseguiu manter a tranquilidade do início do dia, e ela sentia suas forças renovadas pelo espírito natalino. Era uma pena que não pudesse se dar ao luxo de encerrar completamente as atividades naquele dia, mas não era um feriado para todos. Porém, a celeuma entre os dois progredia decididamente, e nem mesmo a música alta era capaz de abafar a existência daqueles dois.

— Parem! – Iara ordenou. Tirou os fones e voltando-se para eles novamente. – Isso é realmente necessário? Qual é, hoje é Natal. Vão para casa! Vocês realmente acham que terão clientes hoje?

— Eu tenho três marcados para hoje. – Erika respondeu. – Tem muita gente emocionalmente fracassada que não liga a mínima para o Natal. Incluindo nós dois.

— Nisso concordamos. Mas a mamãe sempre faz um inferno quando não vamos para a ceia…

— “Mamãe”? Vocês são mesmo irmãos? Achei que ele te chamava assim só para irritar você, Erika.

É só para me irritar. Ele age como se fosse meu irmão mais velho.

— Eu sou…

— Por algumas horas!

Ok, Iara realmente não esperava por aquilo.

— Vocês são gêmeos? Desde quando?

Enquanto Erika manteve-se em silêncio, percebendo que era uma pergunta retórica, Kevin estreitou os olhos com sarcasmo como se tentasse se lembrar.

— Tenho quase certeza que desde que nascemos.

— Mas vocês não são nada parecidos! – exclamou, realmente surpresa.

— Graças à Deus! – Erika falou.

— Graças à Mendel! – Kevin respondeu ao mesmo tempo que a irmã. – Eu puxei mais à nossa mãe. Por isso sou o favorito.

— Que besteira! Mamãe não tem favoritos, ela odeia nós dois igualmente.

Iara nunca adivinharia isso. Fisicamente, a única coisa em comum era a cor dos cabelos, ambos de um profundo negro, mas os tons da pele eram diferentes, os olhos eram diferentes, e mesmo as feições. Erika era atlética e tinha um rosto mais maduro, enquanto Kevin era magro e ainda parecia um garoto em seus 19, 20 anos. Outra diferença física, mas essa não era por nascimento, era a prótese robótica que Erika usava onde antes era seu braço direito, de um material branco metálico coberto por desenhos feitos pelo que pareciam canetinhas permanentes de tinta preta, para combinar com o outro braço coberto por tatuagens. Iara não sabia o motivo da prótese, mas também não era da conta dela.

Apesar da diferença nas aparências, eles sempre se vestiam parecido. Não devia ser proposital. No momento, Erika usava uma regata branca sem mangas, que expunha os braços tatuados, por dentro das calças jeans pretas, que se seguravam por um cinto largo de detalhes prateados. Seu cabelo estava preso em um habitual rabo alto, apesar de sempre parecer bagunçado mesmo preso, e ela tinha dois piercings na sobrancelha esquerda e um na direita. Kevin vestia-se parecido, porém usava uma camiseta também preta e de mangas longas, que cobriam até os pulsos, então a única tatuagem visível era a ponta que surgia na lateral do pescoço, apenas parte de uma maior. Ele não tinha piercings no rosto, mas tinha vários nas orelhas e usava alargadores.

Além disso, Kevin estava usando um gorro vermelho de Papai Noel, o que dificultava discutir contra ele com seriedade.

Pensando bem, as únicas diferenças pareciam ser físicas. Até onde os conhecia, os irmãos eram bastante parecidos, tanto em estilo e gostos quanto em personalidade. Talvez por isso nunca se dessem bem. Juntos, cada um provava do próprio veneno. Mas eles eram tão parecidos que, sem saberem um do outro, seguiram pela mesma profissão e alugaram estúdios no mesmo local – um em frente ao outro – ao mesmo tempo.

— Iara, você é uma pessoa sensata – começou Kevin, com sua voz mansa de bom argumentador. – Diga para Erika deixar a Lo comigo.

— Mas quem é Lo?

— Dolores, a cliente que eu meio que roubei. Nossa, estou vendo o quanto você se importa com seus clientes. – Ele lamentou com um muxoxo cínico.

— Por que você está insistindo tanto com a minha cliente? Que saco, ela marcou comigo!

— Esse foi o grande erro dela. Iara, é só olhar para a Lo, é a primeira tatuagem dela, ela precisa de um profissional compreensivo como eu, não essa bruta impaciente da Erika.

— Pare de chamar ela de Lo, você não é amigo dela!

— Muito bem, sentem os dois, agora! – Iara gritou, perdendo a paciência. Mesmo que os três tivessem idades próximas, os irmãos obedeceram com semblantes temerosos, como crianças assustadas. – Vocês conseguiram! Me deixaram irritada no dia do Natal. Parabéns. Não têm nada a dizer?

Eles ficaram em silêncio, parecendo envergonhados, até que Kevin timidamente se pronunciou.

— Na verdade, o Natal é amanhã.

— Vocês dois não são crianças e eu não sou a mãe de vocês! Decidam sozinhos quem vai atender quem. É meu primeiro Natal em Ganimedes, e eu não vou me estressar com vocês, ok?! – perguntou, já parecendo bastante estressada.

— Agora ela bem que parece nossa mãe. – Kevin sussurrou para Erika.

— Agora, saiam os dois. Eu tenho coisas para resolver antes de poder aproveitar um feriado merecido e se vocês querem trabalhar por birra familiar, vão em frente, mas eu estou fora!

Kevin e Erika saíram às pressas do escritório de Iara, que era o primeiro da galeria, o mais próximo das portas de vidro. Lá fora, muitas casas e lojas se preparavam para o feriado. Os colonizadores mantiveram a tradição do Natal, mas não era realmente o Natal terráqueo. Não acontecia na mesma data e tampouco pelo mesmo motivo. Apesar do nome, era apenas em razão da passagem de Ganimedes novamente sobre a tempestade, a grande mancha vermelha de Júpiter. Era assim que eles contavam o ano, que, por isso, era bem mais curto que o ano terráqueo. Naquele horário, a mancha vermelha já era bem visível do satélite habitado, mas o verdadeiro espetáculo era observá-la ao entardecer, enquanto os raios solares refletiam-se na densa atmosfera jupiteriana.

Muitos faziam planos para o Natal com meses de antecedência. Erika e Kevin não tinham o mesmo zelo.

— Se você não devolver a Dolores agora, vai se arrepender – ameaçou Erika, o espírito natalino não comovia em nada seus frios corações.

— Eu devolvo ela, mas, em troca, você vai comigo para a ceia que a mamãe preparou.

Surpreendida, Erika fez uma careta em recusa.

— Eu prefiro a morte. Sem acordos, me dê a Dolores. Espera, você vai para a casa da nossa mãe hoje? Por quê?!

Nesse momento, um grupo de quatro pessoas entrou na galeria, conversando alto, e abriu caminho entre os irmãos sem nem ao menos pedir licença, o que fez atraiu a atenção dos gêmeos, que observaram o grupo por uns instantes. Alguns passos a dentro, e o grupo entrou no estúdio de Kevin.

Kevin virou para Erika, com a boca aberta em um riso provocador.

— Ok, você pode ficar com a Lo – respondeu, caminhando para seu estúdio, e gritou para quem estivesse lá dentro. – Lo, querida? Sei que você queria ser atendida pelo melhor dos melhores, mas eu não estou disponível agora, você vai ter que ficar com a melhor dos medíocres!

Erika se segurou para não ir atrás dele e fazê-lo engolir o maldito gorro do Papai Noel.

5 Décembre 2019 21:47:50 5 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
4
Lire le chapitre suivant Clientela Estranha

Commentez quelque chose

Publier!
Kaline Bogard Kaline Bogard
Olá! Tudo bem? Passando para dizer que achei esse capítulo um primor. Gostei de como ambientou a história, o clima leve e descontraido da narrativa. Essa ligação entre os irmãos é muito "irmandade", não teve como não lembrar dos meus. Apesar de eu ter fica com duvida em alguns momentos por causa da ironia. O Kevin é ótimo uashuashau a hora que ele admitiu que "roubou" a cliente eu quase cai da cadeira! Deu pra perceber bem a personalidade de cada um deles, isso é muito importante. Mas o impacto final ficou pela revelação final. Eu não esperava que ele estavam em outro planeta! Parabens! Conseguiu me surpreender.
May 08, 2020, 15:24
Leonardo Aquino Leonardo Aquino
Olá, passando para comentar :) O capítulo está muito bom! “Mamãe não tem favoritos, ela odeia os dois igualmente” hahaha! A leitura é leve e sem dificuldades de entender quem está falando, e mesmo assim me apresentaram duas pequenas surpresas. Pensei inicialmente que a história ia ser do POV da Iara, mas ficou bem bacana acompanhar os irmãos brigando mais de perto. E a segunda foi descobrir que a história se passa em Ganimedes, como os personagens estavam todos presos dentro de uma sala, eu nem tinha pensado na hipótese de que poderia ser em qualquer outro lugar que não a Terra :P O texto está muito bom e esperando as próximas discussões entre os irmãos. Até!
April 18, 2020, 21:32
Scheilla Lobato Scheilla Lobato
Que delícia de leitura. Faz a gente entrar na história e quase ser figurantes. Parabéns por este capítulo e ja estou indo lá ver o desfecho dessa sequência..... Bjs
January 10, 2020, 23:55
MiRz Rz MiRz Rz
Olá, eu sou Mirz. Venho te parabenizar pela Verificação da história. Foi um primeiro capítulo curtinho, mas que me fez rir bastante com essas brigas entre a Erika e o Kevin. Me lembrou um pouco eu e o meu irmão, mas adorei bastante a Iara também, que estava lá no meio da confusão “de ganso”. Seria trágico se não fosse tão cômico! A escrita está ótima e o enredo divertidíssimo! Parabéns pela obra. :)
December 06, 2019, 16:49

  • Jupiter L Jupiter L
    Olá, Mirz! Que bom que consegui fazer você riri um pouco com esses dois. Humor não é muito meu forte, admito, então seu comentário veio em ótima hora, agora sei que funcionou! haha Espero que continue aproveitando a história nos próximos capítulos. Muito obrigada pelo comentário <3 Até logo! December 08, 2019, 02:37
~

Comment se passe votre lecture?

Il reste encore 1 chapitres restants de cette histoire.
Pour continuer votre lecture, veuillez vous connecter ou créer un compte. Gratuit!