Anjo Branco Suivre l’histoire

francesnake Annie France

Em uma cerimônia de casamento de quintal, em pleno inverno, Ivy é abandonada pelo noivo. Revoltada pela falta de consideração do homem que nem ao menos chegou a ser seu ex-marido, ela sai pelas ruas congeladas de New York, sem rumo, ainda em seu vestido de noiva. Tudo o que Ivy queria, era ser um lindo anjo branco no inverno.


Histoire courte Déconseillé aux moins de 13 ans. © All rights reserved.

#Ivy #original #traição #romance #patinação #lago #inverno #gelo #casamento
Histoire courte
4
2.7k VUES
Terminé
temps de lecture
AA Partager

Capítulo Único


Branco sempre foi minha cor favorita.


O vestido branco, a neve... Tudo seria um lindo sonho, e eu seria um lindo anjo branco no inverno. Hoje era para ser o dia perfeito: um lindo casamento de quintal, cobertos pela neve. O que tinha de ruim nisso? Nada. Tudo seria perfeito.

Eu estava atrasada. As noivas se atrasam. Mas no momento em que eu estava pronta, minha querida mãe avisou-me do atraso do noivo. Eu abri um grande sorriso e disse "Tudo bem", afinal, poderíamos esperá-lo.

O sol que esquentava minha pele estava se pondo. Pedi que minha mãe mandasse os convidados embora.

Maldito.

Mesmo dentro do quarto, pude escutar os burburinhos das pessoas. Aquilo pesava tanto. Ainda no vestido de noiva, andei até o grande espelho do meu quarto e desfiz o coque do meu cabelo, os fios loiros caíram sobre os meus ombros, fazendo-me lembrar do quanto meu noivo – o bastardo que nem ousou aparecer no próprio casamento – gostava do meu cabelo solto.

Minha mãe entrou no quarto e mexeu em meus cabelos. Antes que ela dissesse alguma coisa, pedi que fosse embora, pedi que me deixassem sozinha. E assim eles fizeram, me deixaram sozinha em uma enorme casa. Porque eu precisaria de uma casa tão grande agora?

O tempo estava passando tão devagar, a neve caindo do lado de fora e eu observando pela grande janela. Tirei o véu, o maldito véu que deveria cobrir meu rosto. Eu não saberia dizer as horas, mas provavelmente já estava tarde, a escuridão e calmaria do bairro confirmam isso.

Desci as escadas, observando as nossas fotos de noivado. Estávamos tão lindos no parque ainda pouco coberto pela neve. O início do inverno tinha sido tão maravilhoso para nós. Seríamos o casal perfeito, teríamos uma vida linda. Agora eu nem sabia o motivo de ter comprado essa casa. A essa hora da noite deveríamos estar no sul da França em uma linda lua de mel, mas eu continuava em New York, sofrendo por ter sido abandonada no dia do casamento.

Eu deveria ter previsto isso. Deveria ter imaginado que ele era um idiota e não se casaria comigo. Mas era impossível imaginar tal coisa, tínhamos o relacionamento perfeito. Planejamos nossa vida juntos, ou tudo isso foi uma decisão unilateral da minha parte? Eu era a única que queria tudo isso?

Será possível que essa parte da minha vida tenha sido uma mentira?

Fui até os armários da cozinha, peguei uma tesoura e cortei – com dificuldade – o vestido longo um pouco abaixo dos joelhos, agora seria mais fácil para andar. O clima estava tão frio que senti minha pele se arrepiar.

Eu precisava caminhar.

Olhei para o relógio da sala: 23 horas e 02 minutos. O que aquele cretino estava fazendo uma hora dessas? Eu queria sentir muito mais raiva dele do que estava sentindo verdadeiramente. Sentia-me muito mais idiota do que antes.

Abri a geladeira e peguei uma das garrafas de champagne, talvez eu tenha bebido metade da garrafa ou ela inteira. Tirei os sapatos, não eram saltos, se fossem afundariam na neve. Abri a porta de entrada e senti o vento frio, ao caminhar podia sentir a neve cair em minha pele e os meus pés estavam sendo torturados.

Eu estava congelando.

Andar, andar e andar.

Pensei que estava andando de forma aleatória, mas percebi que estava a caminho da casa do bastardo. Estávamos morando juntos, mas ele ainda tinha a própria casa, não queria vendê-la. Agora tudo fazia tanto sentindo. A casa estava escura, toquei a campainha e ninguém atendeu, provavelmente estava vazia.

Eu realmente sou uma grande estúpida.

Andar, andar e andar mais um pouco.

As ruas estavam bastante iluminadas e as pessoas me olhavam de um jeito estranho. Parei em frente a um bar, olhei para o letreiro: The Ice Bar. Meu subconsciente é mais estúpido do que o meu consciente, levando-me para os possíveis lugares em que eu o encontraria. No final das contas isso era tudo que eu queria.

Entrei no bar. Algumas pessoas bebendo, mas nenhum sinal daquele porco cretino. Sentei-me de frente para o barman, Stuart. Ele assustou-se ao me ver ali, afinal, eu era uma noiva em maltrapilho. Eu estava tão horrível assim?

Senhora Ivy, o que faz aqui há esta hora? Vestida desse...

Senhorita Ivy. Stuart, você acredita que aquele babaca do Dylan nem compareceu ao casamento? Ele esteve por aqui? – perguntei enquanto ainda o procurava com os olhos.

– Não senhora. Desculpe me intrometer desse jeito, mas a senhorita não devia estar em casa? Tome o meu casaco, está frio lá fora. – disse dando-me o casaco, o vesti.

– Stu, eu preciso de vodka, por favor.


***

– Senhora – encarei Stu – Senhorita Ivy, desculpe, mas não acha que já bebeu demais por hoje?

Eu me sentia tonta, solucei e escutei Stuart dizer que as bebidas seriam por conta da casa. Talvez ele estivesse com pena da pobre noiva abandonada.

A neve caia em meu corpo, eu sentia frio, mas eu agradeceria ao álcool por deixar meu corpo tão dormente. Andei ao redor da parte de fora do bar, deixando cair o casaco que me fora emprestado. Escutei alguns passos na rua de trás.

Eu estava bêbada demais ou a voz que escutei era a do maldito cretino?

De longe eu pude vê-lo. Dylan estava tão lindo com aquele casaco preto, os cabelos negros cobertos pelo gorro, ele sorria e... Uma pequena e linda mulher estava ao lado dele.

Os dois brincavam com a neve caindo e a admiravam, ele acariciou sua bochecha rosada com o polegar e a beijou. Aquilo me partiu ao meio, e só tive uma imensa vontade de socar aquele lindo rosto.

Na noite que deveria ser a do nosso casamento, o bastardo repetia com outra mulher a cena da noite em que me pediu em noivado.

Frio. Estava muito frio.

Andar, andar e andar por mais alguns metros.

O banquinho do parque estava coberto pela neve, na verdade o parque inteiro fora engolido pela neve. O lago estava congelado. A noite estava tão fria, mas eu estava com tanta vontade de patinar naquele lago. Eu queria tanto patinar com Dylan nesse lago congelado. Repetir a cena daquela noite. Ele iria trazer a minha substituta para patinar também?

Olhei para o céu sem estrelas, a neve caía misturando-se com as minhas lágrimas. Era uma sensação tão boa. Encostei um dos pés no lago. Frio. Eu estava congelando, meus pés queimariam com tanto frio. Contudo, eu não tinha patins e queria patinar.

Muito, muito frio.

Eu estava vermelha e tremendo, mas não me importava, eu ainda poderia aguentar tanto frio por uma noite. Meus dentes batiam um contra o outro, mas eu realmente poderia aguentar tanto frio. Com cuidado e com o corpo trêmulo, eu tentava andar no lago, mas estava quase impossível me manter em pé. Tentei patinar feito uma louca, mesmo sem os patins. Meus pés queimavam.

Seria uma linda noite de inverno no lago congelado.

Escorreguei e por pouco não caí. Tentei desesperadamente me segurar no galho de uma árvore. Suspirei aliviada, mas senti o gelo rachando. O frio invadiu todo o meu corpo. A água estava congelando de um modo infernal.

Eu não sei nadar.

Lembrar da minha primeira e única aula de natação não estava surtindo efeito. As tentativas de chegar à superfície eram inúteis.

"– Ivy, você aceita se casar comigo?"

"– Eu amo você, minha amada Ivy."

"– Teremos filhos lindos, irão puxar para a mamãe Ivy, a mulher mais linda desse mundo."

"– Sempre estarei com você."

A voz de Dylan ecoava na minha cabeça.

Essas memórias...

Aos poucos eu não estava conseguindo mais me mexer, era impossível chegar à superfície. Eu nem sabia mais o que estava fazendo, estava tentando puxar o ar e tudo que entrava em meus pulmões era apenas água. Água por todo lado. Seria uma ótima hora para ser um peixe.

Eu estava congelando.

Meu corpo estava morrendo. Eu estava morrendo. Estava sendo insuportável.

"– Ivy? Você está bem?"

Dylan, eu estou morrendo.

Queria poder ao menos socá-lo antes de morrer.

Eu deveria estar delirando, só podia ser.

Não conseguia mais me mover, meu corpo com certeza estava congelado por dentro. Nunca senti algo tão horrível.

Eu queria dormir.

A voz da minha mãe atormentava os meus pensamentos, eu gostaria tanto de abraçá-la.

Eu seria um horrível anjo morto em um lago congelado.


O inverno nunca foi tão frio.





-------------------------------------------------------------------------------------


Notas finais: Eu já tinha postado essa história no Spirit Fanfiction, lá por meados de julho de 2016, se eu não me engano. Recentemente também postei no Wattpad: Anjo Branco.

Essa one foi fruto de um desafio para o dia do escritor, realizado por mim e meus amigos ChelePlushie e Kuraminha-kun, no qual o tema foi "inverno".

Você pode encontrar a personagem Ivy no meu tumblr: https://francesworlds.tumblr.com.


Obrigada e até a próxima.

25 Novembre 2019 03:17:35 0 Rapport Incorporer 3
La fin

A propos de l’auteur

Annie France 안니에 ♡ Bióloga, 22 anos, apaixonada por animais e leitura. Acredita que o número 13 é da sorte (apesar dos azares). Estranha, mas bem legal. Encontre-me no Instagram: @anniefrancess

Commentez quelque chose

Publier!
Il n’y a aucun commentaire pour le moment. Soyez le premier à donner votre avis!
~