anjosetsuna Anjo Setsuna

Aqueles dois jamais imaginariam que uma simples caminhada na praia interferisse em sua sorte. Um encontro que parecia apenas o começo do que seria uma jornada bagunçada, afinal a linha vermelha do destino parecia muito embaraçada para Jushimatsu e aquela garota. Acompanhe nesses dois contos a história desse fofo casal.


Fanfiction Anime/Manga Déconseillé aux moins de 13 ans.

#osomatsu-san #akai-ito #jushi-homura #spoiler-epi-9b #tanzaku #tanabata
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Akai Ito

Atenção, esse capítulo contém spoiler do episódio 9B do anime.
Homura é o nome usado geralmente pelo fandom para a namorada do Jushimatsu no referido episódio.
Notas de vocabulário no fim.

— Vamos lá docinho, você tem que sorrir um pouco mais.

— S-sim...

Eu encarava meus pés, ainda estava receosa sobre aquela proposta que me fizeram na rua. Eu havia ouvido falar sobre golpistas que “descobriam” talentos na rua, mas eles tinham me mostrado um contrato de uma quantia razoável, então era seguro certo? Eu não podia voltar para minha cidade tão pobre quanto saí, meus pais realmente precisavam de ajuda financeira.

Posicionei melhor meu corpo naquele biquíni horroroso que me mandaram vestir e tentei sorrir. O tal diretor me olhou desanimado e fez sinal para alguns homens que estavam no minúsculo estúdio comigo, eles começaram a se despir e eu dei um pequeno grito assustada.

— O que significa isso??

— Calma docinho, são apenas fotos, não vão fazer nada com você. Está no contrato, lembra? Apenas relaxe.

Aquele tom de voz ameaçador na palavra contrato me fez ficar ainda mais tensa. Suspirei fundo e encarei aquele que foi o dia mais longo da minha vida, um dia que eu pensei que jamais iria se repetir.

O dinheiro de quantia razoável, e o melhor rápido, me fez ignorar o quão desconfortável aquilo me fazia, de fotos logo passei para AV* de apenas exibição. Queriam que eu fosse para AV* mais hardcore, mas eu não tinha coragem suficiente, não até o dia que recebi notícias que meu pai estava hospitalizado. As despesas de hospital eram maiores do que eu conseguiria com vídeos comuns. Eu vomitei tanto, tanto, de nojo do meu próprio corpo quando terminei a gravação do meu primeiro vídeo, mas admito que fiquei aliviada quando semanas depois recebi a ligação que meu pai falecera, eu não teria que passar mais por aquilo agora, certo? Foi um alivio momentâneo, pois logo a culpa e a frustração me consumiam. Era um sentimento tão horrível, que não ia embora, eu vi a lâmina no banheiro, e quando dei por mim havia tanto sangue espalhado pela minha roupa. Meu desespero apenas aumentava, porque aquilo não parecia suficiente para me trazer paz e resolvi ir para a praia me afogar.

Eu já estava na ponta da encosta na praia quando ouvi ao longe um grito animado, um jogador de beisebol dava rebatidas animadas no ar. Sentei abraçando meus joelhos, esperava que ele fosse embora logo para não ser atrapalhada, o corte no meu pulso latejava, o tempo passava e nada dele ir. A brisa marítima refrescava um pouco meus pensamentos, talvez eu ainda tenha chances nessa vida...

A gritaria daquele homem parou repentinamente e vi que uma onda grande o pegou desprevenido. Foi instintivo, corri para ajuda-lo, dei tapas no seu rosto e nada do corpo reagir, comecei a massagear seu tórax e finalmente ele começou a cuspir a água engolida.

— Aguente firme! Por favor aguente firme! – disse agoniada.

A careta que ele fez foi tão engraçada enquanto recobrava os sentidos, eu comecei a rir, rir até pequenas lágrimas rolarem dos meus olhos, porque até momentos atrás era eu que queria estar ali engolindo água.

— Tudo bem?

— Sim! Tudo bem agora! Muscle, muscle, hustle, hustle!

Ele parecia enérgico demais para alguém que havia acabado de se afogar, o ajudei a se levantar e caminhamos para fora da praia. Nesse dia ele sorria largamente e parecia tão feliz, contava piadas que de tão ruins ficavam boas e me fazia gargalhar.

Começamos a sair, eram encontros simples, apenas andávamos atoa, ele sempre sorrindo e me fazendo rir, assim como a cicatriz no meu punho começava a desaparecer, também meu sofrimento lentamente começava a se dissipar.

Já fazia um mês que nos encontrávamos, o telefone do meu pequeno apartamento tocou, era minha mãe pedindo para que voltasse para casa, assim que desliguei sem saber o que fazer diante das palavras chorosas de minha mãe, Jushimatsu me ligou para sairmos aquela tarde.

— O que eu faço?

Enquanto me encaminhava para o parque, passei na porta da locadora de vídeos, eu jurava que havia visto um homem muito parecido com o Jushimatsu entrando lá dentro, de longe vi a cortina que separava a seção adulta na loja. Desde que haviam ligado para falar da morte do meu pai eu não tinha feito nenhum trabalho mais. Os dias que passei com Jushimatsu tinham me feito esquecer aquele lado vergonhoso meu, meus olhos arderam de vontade de chorar e segui para o parque, decidida a acabar com tudo.

Ele estava diferente dos outros dias, estava de terno, tão arrumado e bonito, com uma expressão séria que não parecia combinar muito com ele. Quando ele se declarou para mim eu agradeci a chuva que caía por esconder minhas lágrimas, tudo o que eu mais queria ouvir e não podia saíram daqueles lábios, com muito custo disse que tinha que voltar para minha cidade natal e que não podíamos nos ver mais. Eu saí correndo depois disso, sem coragem de encarar seu olhar decepcionado para mim.

Mas o Jushimatsu sempre tinha aquele dom de me surpreender, ele apareceu na estação no dia que eu ia embora.

— Jushimatsu, eu... – encarei sua figura ofegante, deve ter corrido bastante para me ver.

— Nós – ele tomou fôlego – Vamos nos encontrar de novo! Muscle, muscle, hustle, hustle!

Eu não aguentei e comecei a chorar, mas ele novamente tentava me fazer rir e consegui deixar um sorriso de despedida para ele.

Sentada no banco do metrô não me importei com os olhares e sussurros que recebia por estar chorando, meu coração estava partido demais para eu me importar. Massageei a munhequeira que ele havia me dado de presente, ainda tinha alguns resquícios de cheiro de grama, ri lembrando dele me ensinar como se rebatia e enxuguei minhas lágrimas, é o mínimo que podia fazer em agradecimento pelos dias que passamos juntos.

Alisei minha saia com as mãos e alguns fios vermelhos se desprenderam, lembrei da antiga lenda do fio vermelho do destino, o akai ito. Alguns diziam que quanto mais longo o fio, mais se estava destinado a sofrer e ser triste sem o amor da sua vida, e quanto mais curto, mais feliz se era.

— Jushimatsu, eu acho que nosso fio está ligado, afinal foram os dias mais felizes da minha vida, ele deve apenas estar embolado por hora, não é. Afinal, você disse que vamos nos encontrar de novo! Eu acredito em você.

FIM

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AV* - Adult Video, é a sigla geralmente usado para vídeos pornôs no Japão.
Devo admitir que foi muito doloroso imaginar o passado dessa garota, considerando as pistas que o anime deixou no episódio, como o punho enfaixado na cena que ela tá salvando o Jushi na praia e depois a munhequeira que ela ganha dele no mesmo punho, tem também o Oso supostamente vendo uma garota familiar na locadora de vídeos pornôs. O Jushi realmente é um salvador.
4 Novembre 2019 17:39:12 0 Rapport Incorporer 0
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