debrittus Maykow Debrittus

Ele achou que depois de morrer não pagaria pelos seus pecados, só não sabia o que o esperava do outro lado. Todos devemos pagar pelos nossos erros, seja aqui ou do outro lado.


Histoire courte Déconseillé aux moins de 13 ans.
Histoire courte
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DO OUTRO LADO

O que vou relatar a partir desse momento foram algumas ações que realizei durante toda minha vida e carreguei para o além túmulo, tudo o que pratiquei enquanto estava vivo estou carregando por toda a eternidade.

Estudei nas melhores escolas, tive uma família que sempre me apoiou e me forneceu tudo o que sempre precisei, mas desde pequeno sabia que algo na minha mente era maior do que tudo que havia conseguido e sabia que uma hora essa vontade iria ser maior do que minha consciência moral.

Aproveitei da minha situação financeira e profissional para cometer diversos assassinatos, meu maior prazer era tirar vidas, adorava ver o desespero das mulheres ao terem a certeza de que iriam morrer, ficava delirado e em êxtase ao observar o último suspiro delas antes de simplesmente perderem suas insignificantes vidas.

Lembro-me de todas as mulheres que matei, mas a maior e melhor foi à primeira vez, foi ali que tudo começou e me despertou para esse prazer bizarro e sombrio. Na época tinha apenas 21 anos e minha família tinha um belo sítio, eu era o único que praticamente usava o mesmo, e foi ali que cometi o primeiro assassinato. Já era noite quando sai de casa em direção ao sítio, eram 80km de distância entre os dois locais, durante o percurso vi uma prostituta, resolvi parar e levá-la comigo, ela não fez objeção alguma, entrou rapidamente no carro, fiz o pagamento antecipado, em dinheiro, dinheiro esse que ela nunca iria gastar. Chegamos ao sítio e estava correndo tudo bem, até que comecei a comer aquela mulher, houve um momento em que segurei o pescoço dela e a cada instante apertava mais e mais, quando vi aquele olhar de medo em seus olhos fiquei em êxtase, o que fez com que apertasse mais ainda até o momento em que o olhar de medo havia desaparecido e com ele a vida insignificante daquela mulher. Resolvi estripar todo o corpo e queimar no forno a lenha da nossa propriedade, mas resolvi queimar o dinheiro que havia pagado. Essa passou a ser minha marca: matava, estripava e queimava os corpos junto com o dinheiro, no forno a lenha.

Essa foi a primeira de várias prostitutas que matei durante minha vida, às vezes tentava controlar a sensação, mas era como um vício e quando percebia já estava ali com outro pescoço entre minhas mãos e aquele olhar de medo e desespero que me enlouquecia de prazer.

Passei minha vida inteira sem que ninguém percebesse os crimes que cometi, quando chegou o momento da minha morte, simplesmente fechei os olhos e sorri tendo a certeza de que cometi todos aqueles crimes e em momento algum fui pego, agora iria desaparecer sem nunca ter pagado por aqueles crimes, dei o último suspiro de vida e apaguei.

Abri os olhos e não compreendi a situação, estava caído em um local totalmente tenebroso, sem entender o que havia acontecido ou quem havia me levado para aquele local, há uns instantes eu tinha a certeza de que estaria morto e simplesmente estava ali, naquele local, no meio de um lamaçal e um fedor insuportável que mal conseguia respirar, toda vez que inspirava vinha apenas aquele fedor, que passava pelo meu nariz, descia pela minha garganta e atingia meus pulmões como se fosse uma rajada de fogo, que por onde passava queimava tudo. Tentei levantar, foi quando olhei para minhas mãos e as mesmas estavam na carne viva, comecei a tremer e gritar, sentia uma dor incrível, não conseguia olhar mais para minhas mãos, não tocava nada com elas, fiz uma força e consegui ficar de pé. Tentei dar alguns passos, foi quando comecei a escutar vozes, que a cada instante ficavam mais nítidas e então pude entender o que estavam gritando:

— Assassino, assassino, assassino!

— Você vai passar a eternidade aqui, sofrendo pelos assassinatos que você cometeu!

— Assassino, assassino, assassino!

Quando consegui ver quem gritava pude perceber dezenas de mulheres, a verdade, e não sei se posso chamar aquilo de mulheres, é que pareciam mais seres inacabados, algumas não tinham mãos, outras sem olhos e algumas com todo o corpo queimado, mas todas tinham um objetivo em comum, atingir a mim!

Tentei sair correndo, mas para onde ia era sempre aquela lama e fedor, além de as mulheres atrás de mim; não conseguia correr, a cada instante elas se aproximavam mais e mais, até que levei um tombo e todas elas se aproximaram me tocando, fechei os olhos para não ver o que acontecia, então logo em seguida veio o silêncio, mas ainda assim não conseguia respirar ou mesmo abrir os olhos, naquele momento não enxergava direito, aos poucos minha visão foi melhorando e quando finalmente pude ver, levei o maior susto. Eu podia ver meus olhos, meu corpo e minhas mãos estrangulando meu pescoço, na hora percebi que estava no lugar de uma das minhas vítimas, sentindo e vendo seus últimos instantes de vida, percebendo todo o seu desespero, medo, angústia. Tentava me soltar e não adiantava, a cada instante ficava sem forças e sem ar, até o momento em que não aguentei e apaguei.

Ao acordar pela segunda vez me encontrava no mesmo local, porém junto com a lama fazia um calor insuportável, meu corpo queimava todo e não conseguia me proteger, tentei levantar e sair dali, mas meu corpo inteiro doía, meu pescoço doía muito e não conseguia respirar, mesmo assim levantei e sai andando, mas logo a frente voltei a escutar as vozes novamente, olhei para trás e aquelas mulheres estavam mais uma vez atrás de mim correndo e gritando:

— Assassino, assassino, assassino!

— Você acha que vai fugir!

— Você vai sentir toda dor, sofrimento e angústia que causou a todas suas vítimas!

— Assassino, assassino, assassino!

Novamente me alcançaram, assim que fechei os olhos os gritos pararam, a sensação de não conseguir respirar voltou mais forte, fiquei com medo de abrir os olhos, mas não conseguir segurar, assim que abri me vi novamente no corpo de uma de minhas vítimas, sendo estrangulado e dessa vez pude perceber, observando meus olhos, o prazer que aquele ato me fazia, ao mesmo tempo sentia uma dor insuportável, o medo da morte e a sensação de incapacidade que as vítimas ficavam, não conseguia aguentar mais respirar e desmaiava novamente.

Não sei quanto tempo estou aqui, os dias e noites não são iguais, mas o lugar é sempre sombrio, nebuloso, em outros momentos são um inferno, com um calor insuportável, não consigo fugir desse lugar e todos os dias passo por esse sofrimento, não tinha a noção do sofrimento que causava nas minhas vítimas, aliás noção, é claro que tinha, mas não me importava.

A cada dia percebo o mal que causei e não consigo mais parar de chorar, peço a Deus perdão e misericórdia por todos os meus atos e maldades que causei para essas mulheres, cada instante fico arrependido, envergonhado e triste pelo o que meus atos causaram, tantas famílias que prejudiquei e vidas que tirei.

Durante minha vida tive a certeza de que nunca seria pego e punido pelos meus atos, pois nunca havia deixado pistas alguma, mas descobri que todas as nossas ações são julgadas e punidas por Deus, nada de mal que causamos ficará impune, por isso teremos toda a eternidade para sentir na pele o mal que causamos e pagar da mesma maneira, sentindo toda dor, sofrimento, angústia, medo e tensão que nossas vítimas sentiram. Gostaria de voltar atrás e nunca ter cometido mal algum, mas não tem como e terei que conviver com isso por toda eternidade, esperando que em algum instante toda dor que causei seja reparada de alguma maneira.

Nossa vida é apenas uma passagem para eternidade e como passaremos dependerá apenas de nossas atitudes, que possamos pensar e analisar todas nossas ações e condutas antes de cometê-las, porque a conta uma hora chegará e teremos um tempo interminável para pagar.

3 Octobre 2019 11:36:57 8 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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La fin

A propos de l’auteur

Maykow Debrittus Natural da cidade de Ipatinga, localizada na região leste do estado de Minas Gerais, a 240 km da capital Belo Horizonte. Venho de uma família de quatro irmãos, casado e pai de três filhos. Publiquei meu primeiro livro "Adoção, uma história de Vida”, para homenagear meus filhos, a partir daí passei a escrever por hobby e paixão. Tenho outro livro publicado “O Exercício do Amor – Drama”, participações em revistas, antologias e coletâneas.

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gakkomura gakkomura
É o famoso ditado: " a gente colhe o que planta"
October 31, 2019, 17:49

MiRz Rz MiRz Rz
Olá, eu sou a MiRz do Sistema de Verificação do Inkspired. O Sistema de Verificação atua para ver se as histórias estão dentro das normas do site e ajudar os leitores a encontrar boas histórias no quesito de gramática e ortografia; verificar sua história significa colocá-la entre as melhores nesse aspecto. A verificação não é obrigatória para sua história continuar sendo exibida no site, portanto se não se interessar em obtê-la, basta ignorar essa mensagem e não alterar o seu texto. Caso queria que outras histórias suas sejam verificadas, é só contratar o serviço através do “Serviços de Autopublicação”. Sua história está marcada como “em revisão”, por conta da classificação indicativa. O texto apresenta uma categoria livre para todos os públicos, porém por ter um conteúdo violento, apesar de não ser explícito ou gráfico, deixa claro temas como prostituição e assassinato, por isso recomendo que mude a classificação para “não recomendável para menores de 13 anos”. Tem um errinho muito pequeno em dois pontos do texto na palavra “aguentei” que foi escrito com “aquentei” nas duas vezes. Caso você estiver interessado em uma nova verificação, após corrigir os erros apontados, basta comentar aqui, que eu farei uma nova releitura, não há necessidade de pagar pela prioridade novamente. No mais o texto está ótimo! É muito difícil escrever sob a ótica de um assassino sem romantizar nada ou passar uma ideia de “conduta permissiva”, principalmente quando não há um “castigo” para o crime, o que infelizmente é o que costuma acontecer na vida real, porém você conseguiu desenvolver o texto com maestria, retratando uma realidade sem romantizar. Um texto realmente muito bem pensado, parabéns! Tenha uma boa semana. :)
October 15, 2019, 17:06

  • Maykow Debrittus Maykow Debrittus
    Muito Obrigado pela informações e pelo comentário. Alterei a classificação e acertei os erros. Gostaria de uma nova verificação. Grato October 15, 2019, 17:16
  • MiRz Rz MiRz Rz
    Prontinho, tudo redondo! :) October 15, 2019, 17:24
Lucia Lebre Lucia Lebre
Todos nós teremos que prestar contas mais adiante e, com certeza, temos que nos policiar agora. Mais que um conto, é um alerta. Parabéns pela, excelente, narrativa!
October 13, 2019, 11:01
Maykow Debrittus Maykow Debrittus
October 03, 2019, 10:56

  • Maykow Debrittus Maykow Debrittus
    Realmente devemos nos policiar sempre. Muito obrigado pelo comentário. Abraços October 14, 2019, 10:44
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