S05#02 - THE RESCUE BY ANGELS – WAR IN THE SKY PARTE III Suivre l’histoire

lara-one Lara One

Ultima parte. Skinner resolve, por conta própria, negociar a cura de Mulder com o Canceroso. Mulder tenta destruir a colônia alienígena, enquanto Scully e Krycek tentam retirar os sobreviventes. Mas será que Mulder estará pronto para ver com seus próprios olhos o que ele só sabia ‘intuitivamente pelas vozes’? Ou essa nova verdade sobre os motivos de sua abdução pelos aliens poderá ainda mais alimentar o pavor de Mulder? Que vozes eram estas? Afinal, o que significa a espada? Anjos... existem diversas formas de anjos...


Fanfiction Série/ Doramas/Opéras de savon Interdit aux moins de 18 ans.

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S05#02 - THE RESCUE BY ANGELS – WAR IN THE SKY - PARTE III

‘E deu a luz a um filho, um varão que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono. E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus (...) E houve batalha no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão, e batalhava o dragão e os seus anjos; (...) E quando o dragão viu que fora lançado na Terra, perseguiu a mulher que dera à luz o varão. E a Terra ajudou a mulher; (...) E o dragão irou-se contra a mulher e foi fazer guerra ao resto da sua semente, os que guardam os mandamentos de Deus, e tem o testemunho de Jesus Cristo'.

Apocalipse, 12.5-17



INTRODUÇÃO AO EPISÓDIO:

Imediações da Base Aérea de Wright-Patterson – 1:04 A.M.

Madrugada estrelada. Calmaria. Noite quente.

Repentinamente um vento começa a soprar forte, levando consigo bolas de capim seco pela estrada.

Nenhum carro. Parece que nenhuma vida habita por ali.

Close da placa que range balançando ao vento: ‘Posto de Gasolina’.

O velho senhor de barbas brancas na cadeira de balanço na entrada do escritório. Cochila. O chapéu caído por sobre o rosto. Um índio de seus 45 anos sai do escritório. Fica ao lado do velho. Coloca as mãos na cintura. Fecha os olhos. Sente o vento em seus cabelos longos. Abre os olhos e olha para o céu.

ÍNDIO: - Vento quente com fúria, pai... Estrelas nervosas. Não é um bom sinal. Deuses em guerra...

VELHO: - Zzzzzzzzzzz

ÍNDIO: - Pai, está dormindo?

O velho ergue a cabeça, meio assustado.

VELHO: - Não vi ninguém fugindo.

ÍNDIO: - Está ficando mais surdo do que uma pedra, pai.

O índio observa as estrelas. Uma estrela cadente passa. O índio continua ao lado do velho.

ÍNDIO: - Pai, sua chance de fazer um pedido.

VELHO: - Não estou ressentido.

ÍNDIO: - (SORRI)

VELHO: - E eu detesto que fiquem atrás de mim! Sai daí!

ÍNDIO: - ???

O índio olha pra trás e não vê nada. Dá de ombros e entra no escritório.


[Som: The X-Files Theme - Mark Snow]

Corta para o céu. Outra estrela cadente passa. Mais outra. Algumas estrelas parecem rodar em sentido horário, formando um círculo muito grande. A velocidade é lenta, mas aos poucos aumenta, como se forçasse a abrir algum tipo de buraco ou portal no céu.

[Som de um trovão]

Um triângulo enorme de estrelas fica fixo à visão. Aos poucos as estrelas se revelam serem luzes da enorme espaçonave triangular dourada que se mantinha invisível, utilizando o céu ao fundo como disfarce. Emite feixes de luzes para o chão, procurando alguma coisa. Até revelarem uma nave redonda de menor tamanho, que estava camuflada no chão.

A nave maior acelera rapidamente, parando sobre a outra. Os feixes de luzes se apagam. Por minutos tudo fica em silêncio.

Até que a nave maior emite um raio que explode a outra. Então fica invisível novamente. As luzes se confundem com estrelas e tornam a rodar novamente em sentido inverso até desaparecerem no céu.


O índio sai porta à fora, assustado. Olha pro céu. Olha para o velho.

ÍNDIO: - Pai, o que houve?

O velho se acorda.

VELHO: - Couve? Eu não quero couve!

ÍNDIO: - Não ouviu isso?

VELHO: - E sai de trás de mim!

O índio olha pro céu, olha pra rua. Mas não há nenhuma evidência. O índio então ergue os ombros e volta pra dentro do escritório.

Close no velhinho, que fecha os olhos e cochila novamente, ajeitando o chapéu sobre o rosto.

Corta para o par de pés calçados com botas pretas de fivelas que saem de trás da cadeira do velhote e param ao lado dele. O velhote, cabisbaixo, cochila.

O foco ergue-se pelo corpo do homem vestido num sobretudo negro, que esvoaça com o vento, roupas negras, unhas negras, uma cruz dourada com cinco pedras preciosas na cintura, revelando seu rosto sério, os cabelos curtos e enegrecidos: Gabriel. Segura na mão a espada dourada.

Ele olha para o céu. Mexe o nariz, como que aspirando algum cheiro. Sorri debochado. Mexe os dedos das mãos no cabo da espada como quem tem sede de vingança.

GABRIEL: - O mensageiro voltou. Hora de buscar o que me pertence.

A câmera sobe focalizando o telhado. Há vários anjos de sobretudos negros, que esvoaçam ao vento, em pé, sérios e de braços cruzados, aguardando as ordens de Gabriel.

Gabriel caminha para a estrada a passos largos, o sobretudo esvoaçando, a espada na mão. Leva a outra mão à cruz na cintura. O vento aumenta de intensidade.

VINHETA DE ABERTURA: THEY ARE HERE



BLOCO 1:

[Som: The X-Files Theme - Mark Snow]

Gabriel para diante da cerca de arame. Olha para a placa: ‘propriedade do Exército dos Estados Unidos da América’.

GABRIEL: - (DEBOCHADO) Grande coisa. Eu cheguei aqui bem antes de vocês!

Gabriel salta alto e pula a cerca, como se não houvesse gravidade. Aproxima-se pelo mato alto. Dirige-se para o local da nave que explodiu.

GABRIEL: - (RESMUNGANDO) Eu sempre tenho que fazer o maldito serviço sujo... E como eu poderia conseguir outro emprego depois de séculos dos séculos e amém?

Gabriel vê uma clareira adiante. Caminha assoviando. Para na clareira.

Geral do lugar. Pedaços de metal por todos os cantos. Corpos de aliens acinzentados. Um deles, ainda vivo, transmuta sua fisionomia para a humana, num último recurso para ser poupado. Gabriel coloca as mãos na cintura.

GABRIEL: -Que bagunça! Tisc tisc... Ô povinho feio!

Gabriel se agacha ao lado do acinzentado, já com a forma humana.

GABRIEL: - (DEBOCHADO) Ei, ô otário, faz favor de ficar com a sua aparência asquerosa e tirar a minha humanoide da sua cara? Não vai me enganar. Eu sei quem você é... Ou se esqueceu que eu posso ver sua aparência, imbecil, mesmo que esteja disfarçado de George Clooney? ... Mas como tudo que cai do céu é anjo para os humanos... Tadinho dos anjinhos cinzas! Se ferraram bonitinho...

O alienígena parece segurar alguma coisa escondida na mão.

GABRIEL: - Não vão aprender a ficar longe do que não é de vocês? (DEBOCHADO) Que coisa mais feia! Ficar se metendo com as coisas dos outros. Isso é invasão de território, sabia? Quantas vezes falamos pra ficarem bem longe da Terra? Por que não vão empestar outros lugares onde é preciso? ... Sabia que estamos muito furiosos com vocês? Isso foi só mais um aviso. Arranjem outro lugar pra fazer suas experiências. Eles já se ferram por conta própria! Imagina se essa gente tivesse a cara feia de vocês? Ahn? (CARA DE NOJO) Que horror! Nem Cristo iria querer nascer nesse planeta!

Gabriel levanta-se. Ergue a cabeça, numa fisionomia desconfiada, cheirando o ar. Vira-se rapidamente para trás. Miguel aproxima-se usando um sobretudo negro. Pega a espada dourada da mão de Gabriel.

GABRIEL: - Fizemos uma bela bagunça por aqui.

MIGUEL: - E eu terei de conviver com seu sarcasmo por muitas eras.

GABRIEL: - (DEBOCHADO) Se ‘Ele’ permitir, até o apocalipse terminar. Depois vou tirar umas férias longas. Ei, não conhece o serviço de sedex? Por que não os contratou pra enviar essa espada? Eles chegam rápido, pelo menos a propaganda diz. E eu não precisava vir de tão longe. E essa coisa de mensageiro já foi ultrapassada pela tecnologia. Use e-mail.

MIGUEL: - Poupe-me das suas piadas, Gabriel.

Miguel olha para o alien no chão. O alien se contorce, revelando segurar na mão uma espécie de tubo de ensaio. Atira em Miguel. O óleo negro começa a subir pelas pernas dele. Miguel mira a ponta da espada na nuca do alien e a enterra. O sangue verde fluorescente começa a fluir. Miguel puxa a espada. Limpa o óleo negro da roupa.

MIGUEL: - Isso não funciona comigo.

GABRIEL: - (DEBOCHADO) É assim que um anjo mata os demônios???

MIGUEL: - Não deboche da crendice humana!

GABRIEL: - Seu soldadinho número 1... (DEBOCHADO) Ops, seu anjinho-macaco, aquele sabe? O ‘Testosterona Man’... Está precisando de você. Acho que escolheram o sujeito errado... Ainda quer que entregue a espada pra ele?

MIGUEL: - Olha aqui, fique longe disto, você só causa pânico e tumulto. Vá cuidar dos seus afazeres.

GABRIEL: - Eu? Mas não foi eu quem fez essa bagunça por aqui... Eu sou um simples mensageiro, quem faz guerra é você. (DEBOCHADO) O grande Arcanjo Miguel, defensor da Terra...

MIGUEL: - Quer calar a boca? Quero que faça um favor pra mim. Quero que fale com ele no momento certo. Porque ele não me escuta. Se não fosse por isso, eu não teria incomodado você pra tudo! Mas não apareça, você só causa horror.

GABRIEL: - Puxa, eu sabia que não era muito bonito, mas por essa aí não esperava... Acha que alguma clínica em Los Angeles poderia... Hum, digamos... Me transformar no Nicholas Cage? As mulheres adoram anjinhos com cara de cachorrinho pidão abandonado. Eu faria sucesso por aqui.

MIGUEL: - (SUSPIRA DESANIMADO) ...

GABRIEL: - (ASPIRA FUNDO COM PRAZER) Ahhhhh... Cheiro de morte fresquinho...

Miguel afasta-se dele, carregando a espada.

GABRIEL: - Ei, e a espada?

MIGUEL: - Acho que não precisa mais de elementos figurativos. Ele já entendeu o recado.

GABRIEL: - E se não entendeu? Posso dizer: Ei, Mulder uma faca na garganta serve!

MIGUEL: - (SUSPIRA) Eu mereço!

GABRIEL: - E se ele falhar?

MIGUEL: - Ele não vai falhar. Se falhar foi porque nós falhamos.

Gabriel senta-se numa pedra. Olha indignado pro local.

GABRIEL: - Pelo menos um café e alguns donuts cairiam bem... A Demi Moore...

Miguel põe a mão no rosto, segurando o riso.

GABRIEL: - E se eu falar com ele, o que digo sobre a criança?

MIGUEL: - Não diga nada. Poupe confusão. Ele entende como quer, dentro das crenças ilusórias dele. Livre-arbítrio.

GABRIEL: - Tá bom. Mas não me peça mais nada. É o último favor que eu faço. Depois vai ficar me acusando de raptor de criancinhas...

MIGUEL: - Olha aqui, raptor é algo pesado demais. Você só está fazendo o que faz sempre. Salvando a humanidade das coisas estúpidas que fazem. Libertando uma alma dessa prisão.

GABRIEL: - E ela?

MIGUEL: - Ela é problema seu. Não meu. Não mandei você revelar a verdade pra ela através de reflexos de janelas. Sabe que ela tem predisposição a ver tudo pela ótica religiosa. A culpa é sua! Quando ela descobrir tudo, vai ter uma catarse. Mensageiro. Ahn! Você e Hayel fazem uma dupla!

GABRIEL: - (DEBOCHADO) Que mau humor!

Miguel lhe entrega a espada.

MIGUEL: - Mudei de ideia. Fique com isto. Caso algo dê errado.

GABRIEL: - Salvar Davi da cova dos leões foi trabalho fácil em vista disso. Convencer Ezequiel de que as ‘rodas de fogo’ eram Deus... Guiar aqueles reis magos... Mas testar a fé desse homem vai ser coisa dos infernos, eu tô dizendo...

Miguel dá as costas. Gabriel crava a espada no chão. Fica atirando pedrinhas nos aliens mortos.

GABRIEL: - Ei, turma! Hora da limpeza. Eu não vou fazer isso sozinho.


1:39 A.M.

[Som: Prophecy Theme – Brian Eno (instrumental)]

Mulder caminha pelo túnel escuro, mirando a lanterna. Desliga-a.

A claridade do lado extremo o guia. Mulder aproxima-se com cautela. Encosta-se contra a parede do túnel e espia para fora.

Há uma enorme gruta. Vários aliens de aparência humana andam de um lado para outro, vigiando as enormes larvas no chão. Ao lado de cada larva, um corpo humano desacordado, num estado de hibernação.

Entre os humanos cobaias: mulheres, homens e até mesmo crianças.

Alguns aliens humanoides entram, trazendo larvas do tamanho de bebês e as colocando no chão, ao lado dos humanos.

Mulder escora-se contra a parede com as costas e as mãos. Inclina a cabeça para trás. Respira fundo. Fecha os olhos. As cores intensas viajam por seu cérebro rapidamente, de uma maneira que fazem Mulder colocar as mãos na cabeça, tentando pressiona-la. Ele cerra os olhos, demonstrando que sente dor. O suor lhe escorre do rosto. E o medo se lhe estampa nos olhos.

Aturdido, Mulder afasta-se da saída do túnel, tateando a parede com as mãos e as costas. Percebe um vão. Mulder vira-se. É um outro túnel. Ao fundo, uma pequena entrada por onde sai uma luz e o ar flui mais fresco. Mulder caminha, os nervos à flor da pele. Espia pelo buraco.

Geral das centenas de larvas em fase de crescimento e seres humanos ao lado delas.

Close de uma larva adulta que abre, por onde um alien humanoide estende seus braços para fora, levando consigo a gosma amarelada do casulo e arrastando-se pelo chão. Forma adulta. Em seu rosto e corpo, as mesmas características do homem deitado ao lado.

Close em Mulder. Ele afasta o rosto do buraco. Respira ofegante, assustado. Puxa a faca. Fecha os olhos.

MULDER (OFF): - (DESESPERADO) Eu não vou conseguir salvar toda essa gente... Eu não vou conseguir.

Ele se desespera. Volta em direção ao túnel de onde saíra, mas agora vê dois túneis. Mulder se dá conta de que está perdido dentro do enorme formigueiro alienígena. Caminha mais alguns passos. Mas não percebe o buraco no chão, um outro túnel de ar. Mulder dá o primeiro passo e solta um grito desesperado, caindo no túnel.


1:44 A.M.

Scully e Krycek andam por um extenso corredor de caverna. Ela vai à frente com a lanterna e a arma em punho, olhos arregalados, atenta a qualquer movimento.

KRYCEK: - Como acha que vamos encontrar essas pessoas?

SCULLY: - Mulder disse que encontraríamos.

KRYCEK: - (DEBOCHADO) Mulder, Mulder... Mulder virou profeta agora e você é a seguidora da seita dele?

Scully vira-se pra ele, completamente irritada.

SCULLY: - Olha aqui, eu não gosto de você, não gosto desse lugar e muito menos do que está acontecendo. Alguém tem de fazer isso e Mulder não faria sozinho. Se não quer nos ajudar, vá embora!

KRYCEK: - Ei, não se irrite tanto.

SCULLY: - Você me irrita, Alex Krycek. Sua arrogância me irrita. Sua voz me irrita.

KRYCEK: - Irritação em demasia é sinônimo de paixão avassaladora.

Scully olha pra ele assustada. Krycek sorri.

KRYCEK: - Brincadeirinha, brincadeirinha.

SCULLY: - (SÉRIA) Guarde seu senso de humor. Eu não estou com vontade de rir.

Eles continuam caminhando. Krycek puxa a arma das mãos dela. Scully olha pra ele, assustada.

SCULLY: - Ei!

KRYCEK: - Eu faço isso. Não gosto de ficar atrás de uma mulher e desarmado. Você segura a lanterna.

Krycek assume a dianteira. Scully fica o encarando indignada.

KRYCEK: - Como vamos achar essa gente?

Scully para. Krycek percebe.

KRYCEK: - O que houve?

Scully mira a lanterna na parede.

SCULLY: - (INTRIGADA) Parece tão... tão leve.

KRYCEK: - As paredes de rocha?

SCULLY: - Não parece rocha... Parece um tipo de... casulo... fechado com algum material...

Scully coloca o dedo na parede e tenta furar com a unha. Abre uma brecha. Os dois trocam um olhar curioso.

KRYCEK: - Acho que encontramos a geladeira deles.

Krycek pega o cabo da arma e começa a quebrar a parede.

Close do rosto de Krauft que surge atrás da parede, desacordado, com uma espécie de mangueira na boca, por onde corre um líquido esverdeado.


BLOCO 2:

Edifícios Watergate – 1:51 A.M.

Skinner, vestido num sobretudo, mãos nos bolsos, caminha pelo estacionamento escuro do prédio. Olha para todos os lados, nenhum movimento. Skinner para. Percebe ao longe o pontinho iluminado de uma ponta de cigarro. Skinner aumenta o passo. Aproxima-se.

CANCEROSO: - O que quer de mim, senhor Skinner?

SKINNER: - Negociar.

CANCEROSO: - (TRAGANDO O CIGARRO NUM SORRISO DE CINISMO) Comigo? O demônio?

SKINNER: - Ao contrário de Mulder, eu sei que você nunca dará nada a ele sem que ele saia machucado da história. E sei que Mulder jamais aceitará algum favor vindo de você. Ele está cansado. Sentindo o peso da injustiça nos ombros e atordoado pela perda do filho. Mulder se sente culpado por isso, por ter perdido o filho pra vocês. O filho que é da Scully. Porque ele acredita que ela mereça mais isto do que ele.

CANCEROSO: - ...

SKINNER: - Eu não confio em você.

CANCEROSO: - É recíproco, senhor Skinner.

SKINNER: - Mas não tenho outra alternativa.

CANCEROSO: - O que veio negociar?

SKINNER: - A cura de Mulder.

CANCEROSO: - Comovente... Virou anjo agora?

SKINNER: - (IRRITADO) Eu me importo com ele. E me importo com a Scully.

CANCEROSO: - ... (DEBOCHADO) A vida é triste.

SKINNER: - Não, a vida é alegre. Pessoas como você é que promovem o caos e a desordem.

CANCEROSO: - Quer que eu entregue à você a cura do câncer de Mulder?

SKINNER: - Sim.

CANCEROSO: - E o que vou ganhar em troca?

SKINNER: - ...

CANCEROSO: - Já caiu nessa uma vez, senhor Skinner.

SKINNER: - Eu sei.

CANCEROSO: - Por que faria isto?

SKINNER: - Porque Mulder é meu amigo. Porque ele não merece isto tudo. Ele não merece morrer assim.

CANCEROSO: - Todos nós buscamos a morte com nossas próprias mãos.

SKINNER: - Então me dê a minha.

CANCEROSO: - ...

SKINNER: - Eu servirei de cobaia. Farei qualquer coisa. Trabalharei pra você. Não tenho nada a perder.

CANCEROSO: - Tem sua vida.

SKINNER: - (IRRITADO) Olha aqui, não quero que pense que sou um altruísta cego. Mas eu não tenho uma vida. Mulder tem. Ele tem uma mulher. Ele tem uma vida. Ele tem um filho!

CANCEROSO: - Pensarei no caso, senhor Skinner.

Skinner dá as costas e sai caminhando. O Canceroso sopra a fumaça. Olha pra ele.

CANCEROSO: - Senhor Skinner?

Skinner vira-se.

CANCEROSO: - Se me disser agora o que está acontecendo em Utah, poderemos negociar.

SKINNER: - Eu não sei o que está havendo por lá. Mulder não responde às minhas chamadas.

CANCEROSO: - Está havendo uma conspiração alienígena.

Skinner aproxima-se dele.

SKINNER: - Como assim?

CANCEROSO: - Descubra por si, senhor Skinner.

SKINNER: -...

CANCEROSO: - Se me disser o que Mulder está escondendo, poderemos negociar a cura.

SKINNER: - ???

CANCEROSO: - O que Mulder está escondendo?

SKINNER: - Ele está com câncer. Era isso que escondia.

CANCEROSO: - Não, senhor Skinner. Mulder está tramando algo. Ele sabe onde está o filho. Se me entregar o paradeiro dessa criança e os planos de Mulder, poderá ter a cura dele em suas mãos. Esse é o trato. A vida de Mulder pela do filho dele.

O Canceroso dá as costas e some na escuridão. Skinner abaixa a cabeça.


1:56 A.M.

Krycek consegue estraçalhar o lacre da parede com a arma. Puxa a mangueira da boca de Krauft. Este cai no chão. Scully agacha-se e toma o pulso dele. Olha pra Krycek.

SCULLY: - (SORRI) Está vivo!

KRYCEK: - É, e nós não estaremos se continuarmos aqui!

Scully tenta respiração torácica. Krycek olha pra todos os lados.

KRYCEK: - Tem ideia do tamanho disto? De quanta gente deve haver aqui? Meu Deus, devem estar se preparando pra levar essa gente toda!

SCULLY: - Não, mas quanto mais gente salvarmos, melhor pra eles.

KRYCEK: - Quem se importa com eles? Estamos num ninho alienígena!

Krauft acorda-se. Vira-se e começa a vomitar a estranha gosma verde. Scully olha pra ele.

SCULLY: - Senhor, está bem?

KRAUFT: - ??? Agente... Scully?

SCULLY: - Senhor, precisa levantar. Não há tempo para explicar, mas precisa nos ajudar. Existem mais pessoas aqui dentro que precisam de ajuda!

Krycek olha pra ela.

KRYCEK: - Está maluca. Somos dois pra ajudar todos!

Scully olha pra ele.

SCULLY: - Agora somos três. Depois quatro... Não conhece as formigas, Krycek? Sabe o princípio básico de funcionamento de uma colônia?

KRYCEK: - ...

SCULLY: - Cada uma faz a sua parte. Parece pouco. Muito pouco. Uma formiga. Mas junte todas as formigas de um formigueiro. Você pode pisar em uma formiga. Mas você não pisa no formigueiro todo.

Scully ajuda Krauft a se levantar. Krauft então se localiza e percebe Krycek. Sua fisionomia muda. Krycek suspira.

KRYCEK: - Vamos, Krauft. Ela sabe que você trabalha pra nós. Estamos no meio de alienígenas e temos que dar o fora daqui rápido. Brigas depois.

Krycek olha pro casulo ao lado. Começa a quebrá-lo com raiva.

SCULLY: - Alex...

Krycek para. Olha pra ela.

SCULLY: - Pensei que sairia daqui agora.

KRYCEK: - ...

SCULLY: - (CHATEADA) Entende que se Krauft está vivo, aqueles homens saberão que você não morreu. Mulder sabia disso. Ele mentiu pra você que mandaram te matar porque precisava de ajuda.

KRYCEK: - Eu sei. Mas não preciso de Mulder pra me defender. Vamos, agora temos que tirar essa gente toda daqui.

Krycek olha pra Krauft. Ele está distraído, impressionado com o formigueiro. Krycek olha pra Scully.

KRYCEK: - (SUSSURRA) Temos muito que conversar depois. Diga isso ao Mulder.

Krycek continua quebrando a parede. Scully vira-se pro outro lado e começa a quebrar outro casulo com a lanterna.


2:54 A.M.

Mulder, deitado no chão, abre os olhos. Não distingue nada, devido ao brilho. Aos poucos ele acorda, se localizando.

O medo se estampa em seu rosto. Mulder senta-se no chão, encostando-se contra a parede fria de metal. Olha ao redor da sala. Vê a enorme mesa, os instrumentos que lhe são desconhecidos na origem, mas não em sensações no seu próprio corpo.

Mulder começa a entrar em pânico. Ele treme de medo. Olha pra mesa e fecha os olhos. Agora ele consegue relembrar que fora abduzido não só por homens, mas por alienígenas. Lembra-se do filho. De Scully.

Mulder abre os olhos. Ele não mais se mexe devido ao horror que o ambiente lhe causa. Aquela sala lhe é sinônimo de dor.

[Som dos sapatos altos que se aproximam]

Mulder continua estático, olhos parados, tomado de terror. Mas ele consegue desviar o olhar da mesa para as pernas dela. Ergue o olhar para a saia social, o blazer e o rosto que lhe é tão familiar.

DIANA FOWLEY: - Fox?

Mulder encosta-se mais contra a parede, como um animal acuado. Diana aproxima-se. Ajoelha-se ao lado dele.

DIANA FOWLEY: - Fox? O que houve com você?

Mulder olha pra ela aterrorizado. Diana passa a mão em seu rosto. Ele vira o rosto, fechando os olhos, assustado.

DIANA FOWLEY: - O que fizeram com você, Fox?

MULDER: - ...

DIANA FOWLEY: - Não tenha medo. Sou eu, Diana.

Ele continua em silêncio. Vira o rosto e olha pra ela assombrado.

DIANA FOWLEY: - Não me julgue, Fox. Eles me entregaram aos alienígenas. Só estou viva porque estou colaborando com eles. Me ajuda, Fox! Precisamos sair daqui! Me ajuda!

Mulder se arrasta rapidamente pelo chão como um bicho acuado, encostando-se contra a outra parede. Diana olha pra ele, com piedade.

DIANA FOWLEY: - Fox... Precisa me ajudar a sair daqui.

Mulder coloca as mãos nas orelhas e solta um grito angustiado. Diana levanta-se.

DIANA FOWLEY: - Fox? O que está havendo??

Mulder abaixa a cabeça, e ainda com as mãos nas orelhas, fecha os olhos, sentindo dores lancinantes misturadas às cores que ele conhece.


FLASH BACK:

Scully fecha a janela e apaga as luzes. O quarto fica na penumbra. Os dois deitam-se na cama. Mulder sobe sobre ela, aproximando os lábios da orelha de Scully, fingindo beija-la.

MULDER: - (SUSSURRA) O que era aquilo na perna do Frohike?

SCULLY: - (SUSSURRA) Mulder, e-eu... Eu não sei explicar, parecia a ferroada de algum inseto... Sabe quando você leva uma ferroada? O local estava inchado e o tamanho dos ferrões sugeria um inseto muito grande. Guardei os ferrões para analisar no FBI.

MULDER: - ... (SUSSURRA) Scully...

Scully olha pra ele. Percebe sua aflição. Mulder fica em silêncio, olhando nos olhos dela.

MULDER: - (SUSSURRA) Precisamos falar com um entomologista.

SCULLY: - (PENSANDO) Mulder, acha que aqueles homens estão novamente fazendo experiências com abelhas?

MULDER: - (SUSSURRA) Não, Scully. Eles não. Tem alguma coisa aí, e eu preciso descobrir.

SCULLY: - (PENSANDO) O que carregavam naquele tudo criogênico? A matriz de alguma aberração?

MULDER: - (SUSSURRA)... Scully, eu faço uma ideia do que carregavam ali, ok? Mas é melhor não falar sobre isto. Até que eu consiga achar Krycek. Ele é a minha prova.

SCULLY: - (PENSANDO) Mulder, você não pode confiar nele!

MULDER: - (SUSSURRA) Eu não confio no Krycek.

SCULLY: - (PENSANDO) Acha mesmo que era a Diana Fowley?

MULDER: - (SUSSURRA) Não. Seja o que for, aquela criatura deve ter assumido a aparência da Diana pra poder circular por aí sem ser notada.

SCULLY: - (PENSANDO) Mas por que logo daquela mulher?

MULDER: - (SUSSURRA) Por que eles não sabem se o que carregam naquele tubo criogênico será o suficiente pra concluir seus planos. Senão, terão de obter mais ‘amostras’ de uma cobaia quase estéril, usando a forma da Diana pra isso.


TEMPO PRESENTE:

Mulder olha pra Diana. Abaixa as mãos.

MULDER: - (GRITA/ APAVORADO) Sai de perto de mim!!!!!!!!!!

Mulder recua mais, fugindo dela. Diana, seriamente olha pra ele.

DIANA FOWLEY: - Fox, o que fizeram com você? Não me reconhece?

MULDER: - (GRITA) O que vocês fizeram com a Diana?????

DIANA FOWLEY: - (SORRI) Fox, eu sou Diana.

MULDER: - (GRITA) Não!!!!!!!!!!!! Você não é ela!!!!!!!!!!!!!!

Mulder fecha os olhos e as cores brilham em sua mente. Diana aproxima-se, ele recua mais ainda, arrastando-se no chão. Ela para.

MULDER: - Aquele falso Krycek libertou você de algum depósito militar!!!!!!!!! Ninguém nunca procuraria por lá, não é mesmo??? Nenhum humano! Você não é humana!!!!!!!!! O que havia no recipiente criogênico não bastou. A colônia precisa aumentar, não é mesmo? Vocês precisam de mais material! Precisam se procriar, porque acharam uma raça derivada que suporta o óleo negro!

DIANA FOWLEY: - O que está dizendo?

Mulder levanta-se. Encosta-se contra a parede. Ela avança mais um pouco. Ele não tem mais pra onde fugir. Diana olha nos olhos dele.

DIANA FOWLEY: - (SÉRIA) Tem duas opções.

MULDER: - ...

DIANA FOWLEY: - (FRIAMENTE) Fazer isso de uma forma que sua raça sinta prazer ou da forma como a minha raça está acostumada a obter o que não consegue por colaboração. (E APONTA PRA MESA)

Mulder olha pra mesa. Começa a tremer de medo.

DIANA FOWLEY: - Escolha.

MULDER: - Por quê?

DIANA FOWLEY: - Como nossa raça sem imunidade poderia obter imunidade a não ser procriando-se com alguém imune? Você mesmo o disse. Você tem imunologia ao vírus. Se tivéssemos o seu filho, você não precisaria passar por isto. Teríamos os genes dele. Por enquanto, precisamos de você. A matriz.

MULDER: - ...

DIANA FOWLEY: - Mas vai terminar em breve. Estamos esperando o próximo. Mas ainda não é apto pra isto.

MULDER: - ... (FECHA OS OLHOS) Gibson...

DIANA FOWLEY: - (FRIAMENTE) Então, será como você gosta ou terei de tirar isso de você à força?

MULDER: - ...

DIANA FOWLEY: - Se não gosta desta aparência...

Ela abaixa a cabeça. Ao ergue-la, sua fisionomia é a de Scully.

SCULLY: - Que tal esta?

Mulder olha incrédulo pra ela. Derruba lágrimas. Ela aproxima-se, abrindo a blusa.

MULDER: - Deixe-me em paz!!!!!!!!

Mulder puxa a faca. A falsa Scully recua, olhando pra ele com os olhos cheios de lágrimas.

SCULLY: - (IMPLORANDO) Mulder, por quê??? Por que você vai me matar? Não faz isso comigo, Mulder...

MULDER: - (GRITA/ ATURDIDO) Você não é a Scully!!!!

A fisionomia de tristeza se transforma em seriedade. Ela desabotoa toda a blusa, revelando uma enorme fenda em sua barriga. Mulder olha pra ela em pânico.

SCULLY: - Não teria coragem de me matar. Mesmo que eu não seja ela.

A falsa Scully coloca as mãos na barriga. Mulder arregala os olhos. Ela olha pra ele.

SCULLY: - (SORRI) Desculpe, isto acontece de uma em uma hora de seu tempo.

Ela cai de joelhos ao chão. Mulder encosta-se mais contra a parede, observando com pavor, a enorme larva que sai da barriga da alienígena. Mulder põe as mãos no rosto, não quer acreditar no que vê. Ela ergue-se, olhando pra ele. Mulder tira as mãos do rosto e olha pra larva no chão, do tamanho de um bebê. Ela olha pra ele. Sorri.

SCULLY: - Nosso filho.

MULDER: - (GRITA EM DESESPERO) Não!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


Corta para Scully. Ela para de quebrar a parede. Perde o olhar no nada.

SCULLY: - Mulder?

Scully sai do transe. Balança a cabeça. Continua a quebrar a parede com força.

Algumas pessoas já libertas ajudam a soltar as outras. Scully entra em outra galeria. Passa a mão nas paredes, mirando a lanterna. Percebe que acima há algo escrito na pedra. Uma linguagem de sinais, que ela observa.

SCULLY: - Navajo...

Scully lança os olhos por toda a galeria, que é bem menor do que a outra. Fica cismada. Começa a quebrar a parede com a lanterna.

SCULLY: - O que escondem aqui, seus desgraçados???

Scully está tomada de fúria, fora de si. A cada golpe com a lanterna, seu corpo move-se, balançando continuamente o crucifixo que carrega no pescoço.

Ela consegue abrir um buraco. Mira a lanterna dentro dele.

Ao olhar pra dentro, afasta-se. Fecha os olhos.

SCULLY (OFF): - (ASSUSTADA) Oh, Deus!

Scully treme de medo. Respira fundo, tentando controlar-se. Abre os olhos. Aproxima-se.

SCULLY: - Mulder tinha razão! ... Deus... Agora eu entendo! (SORRI FORA DE SI) Eu entendi!

Close em Diana Fowley, desacordada, dentro do casulo.

Scully puxa a mangueira da boca de Diana. Ela cai ao chão. Scully agacha-se e começa uma respiração torácica.

SCULLY: - Acorde! Vamos, acorde! Precisa acordar!

Diana acorda, começando a cuspir a gosma esverdeada. Olha incrédula para Scully.

SCULLY: - Você está bem?

DIANA FOWLEY: - ...

SCULLY: - Levante-se, agente Fowley. Temos trabalho a ser feito.

Scully estende a mão pra ela. Diana olha pra Scully, ainda incrédula. Mas segura em sua mão. Levanta-se. Scully volta a quebrar a parede. Diana olha pras pessoas todas na outra galeria, tentando entender o que está acontecendo. Olha pra Scully.

DIANA FOWLEY: - Cassandra Spender.

SCULLY: - O que tem Cassandra?

DIANA FOWLEY: - Ela está aqui.

SCULLY: - Tem certeza?

DIANA FOWLEY: - Eu a vi... Eu sei que a vi... Gibson... Jeffrey Spender... Minha mente está confusa... Mas eu os vi... Tenho quase certeza de que sim... Samantha...

SCULLY: - O que tem a Samantha?

DIANA FOWLEY: - E-eu acho que a vi... Eu...

SCULLY: - (FECHA OS OLHOS) Deus! Então aquela Samantha...

Scully parece entrar em choque. Mas sai de seus pensamentos quando sente o braço que lhe segura o ombro gentilmente. Ela vira-se.

KRYCEK: - Já temos muita gente por aqui e barulho demais! Precisamos começar a tira-los do lugar antes que os alienígenas descubram o que estamos fazendo!

Umas 50 pessoas tentam desesperadamente abrir as paredes, retirando outras.

Scully olha pra Krycek.

SCULLY: - Você sabe o caminho. Quero que vá e os espere lá embaixo até o último sair. Diana, você pode ficar com eles, orienta-los...

KRYCEK: - E você?

SCULLY: - Eu preciso achar Mulder.

DIANA FOWLEY: - (PREOCUPADA) Fox está aqui?

KRYCEK: - Scully, Mulder sairá daqui de qualquer jeito. Você precisa ir...

SCULLY: - Não vou sair daqui! Vá você!

Krauft se aproxima.

KRAUFT: - Vá, agente Scully. Eu fico com a agente Fowley. Vamos ficar em grupos. Uns saem, outros ficam pra ajudar até tirarmos o último daqui de dentro. Krycek, você lhes mostra o caminho. Fomos enganados por esses desgraçados. Agora não é momento de brigas particulares. Precisamos nos unir.

Krycek olha pra Scully. Olha pra Krauft. Olha pra Scully de novo. Pega a mão dela. Coloca a arma na palma de sua mão.

KRYCEK: - Fica com isso, Scully. Pode precisar.

Scully olha pra ele. Krycek olha pra ela.

KRYCEK: - Invejo o Mulder. Em apenas uma coisa...

Krycek sai, chamando as pessoas, mostrando o caminho. Scully fica olhando pra ele, engolindo em seco, nervosa. Olha pra arma. Fecha os olhos.


BLOCO 3:

3:29 A.M.

Mulder acorda-se. Tenta se levantar, mas o corpo não responde. Ele percebe que está imóvel, com alguma coisa que lhe prende as mãos e os pés. Olha pra cima. Percebe a enorme broca que paira sobre sua cabeça. Mas ele não consegue mover o corpo, como se estivesse paralisado. Apenas escuta vozes.

VOZ 1: - Alguma coisa deu errado. Ativaram nele o que não deveria ser ativado. Ele pode nos distinguir pela cor da nossa aura.

VOZ 2: - Furem a cabeça dele novamente. Desativem isso.

VOZ 1: - Aqueles humanos mexeram em algo propositalmente. Eles sabiam dos resultados.

VOZ 3: - Desative. Eles não vão saber que fizemos isso.

Mulder derruba lágrimas.

MULDER: - Não, de novo não... Scully!!!!!!!!!! Scully me ajuda!!!!!!!!!!!!!!!!


Corta para Scully. Ela sai de seus pensamentos. Põe a mão sobre a barriga. Olha pro nada.

SCULLY: - Mulder?

Scully olha pras pessoas. Num rompante, passa por elas em desespero. Krauft percebe.

SCULLY: - Termine aqui! Tire todas elas daqui! Eu vou buscar Mulder!

KRAUFT: - Posso ir...

SCULLY: - Não. Só eu posso fazer isso.

Scully sai correndo às pressas por um corredor. Arma em punho.

SCULLY (OFF): - Me ajuda, me ajuda! Eu sei que você pode me ajudar, eu preciso de você agora! Eu entendo o que está acontecendo... Sei que está me dizendo alguma coisa, eu preciso sentir... Preciso sentir isso. É a nossa ligação!

Scully para. Respira fundo. Fecha os olhos.

SCULLY: - Estou calma... Eu estou calma... Me diz pra que lado... Me diz... Sei que temos essa ligação... Me diz, meu filho!

Scully abre os olhos. Olha pro túnel em frente. Sem pensar duas vezes, entra por ele às pressas.

Foco desvia-se para o lado do túnel. Gabriel entra no túnel a seguindo.

Corta para Krycek, que termina de quebrar mais um casulo.

Close do corpo que cai ao chão. Krycek sorri.

KRYCEK: - (SURPRESO) Você???

O Homem das Unhas Bem Feitas está desacordado. Diana aproxima-se.

DIANA FOWLEY: - Os alienígenas... Resolveram pegar todos nós e enganar os que restavam... Preciso de uma arma.

KRYCEK: - O que vai fazer?

DIANA FOWLEY: - Vou atrás do Fox.

KRYCEK: - Scully foi atrás dele.

DIANA FOWLEY: - Não confio nela. Ela não sabe com o ‘quê’ está lidando.

KRYCEK: - Ela sabe sim. E eu aconselho você a deixar Mulder nas mãos dela. Você não sabe com o ‘quê’ está se metendo.

DIANA FOWLEY: - Preciso de uma arma. Você é que não sabe com ‘quem’ está se metendo.

KRYCEK: - Eu não tenho arma.

Ela dá as costas, saindo por uma galeria apressadamente. Krycek a acompanha com os olhos fazendo um ar de repulsa. Olha pro chão. Agacha-se.

KRYCEK: - Ei, Lorde Inglês... Vai perder o chá das cinco. Ou a luta livre feminina na lama. Essa vai ser mais empolgante.


3:47 A.M.

Diana caminha pela galeria. Sai na enorme gruta que Mulder havia visto: O ninho de reprodução.

Geral do lugar. Ao fundo, uma cascata que brota das pedras. Rochas que formam figuras sinistras dentro da pequena lagoa natural. Estalactites e estalagmites.

Centenas de larvas. Mas nenhum humano mais ali. As larvas estão todas se abrindo.

Diana observa atenta, aterrorizada. Põe o cabelo pra trás da orelha.

GABRIEL: - Oi.

Ela vira-se rapidamente. Gabriel lhe sorri, parado com as mãos nos bolsos do sobretudo.

DIANA FOWLEY: - (ARROGANTE) Quem é você?

GABRIEL: - (CÍNICO) Eu?

DIANA FOWLEY: - (ESTÚPIDA) É. Você. Ou tem mais alguém aqui além de nós dois e essas larvas?

GABRIEL: - Aqui? (IRÔNICO) Não. Acho que estou falando sozinho com uma larva crescida. Ou talvez poderia haver anjos, por exemplo. (DEBOCHADO/ GESTICULANDO) ... Você sabe, essas coisas invisíveis de asinhas brancas...

DIANA FOWLEY: - Pelo modo de vestir, eu diria que é um agente do FBI. Ou está na organização?

GABRIEL: - (IRRITANTE) Eu???

Gabriel acena negativamente com a cabeça, dando um sorriso cínico.

GABRIEL: - (DEBOCHADO) Não, não... eu estou por aqui só dando uma ajudinha, sabe? Tem muito cheiro de morte... essas coisas me atraem... Um bom cemitério nunca me escapa.

DIANA FOWLEY: - Você é um deles. Você é um alienígena!

GABRIEL: - Bem, você não está de todo errada. Mas eu fico ofendido, sabe? Não gosto dessa palavra, me coloca no hall comum desses tipinhos baixinhos e asquerosos de pele enrugada, de insectoides e reptilianos. Eu não sou um macaco, mas também não sou um lagarto.

Ela afasta-se para trás, sem desgrudar os olhos dele.

GABRIEL: - (PISCA O OLHO) O bom de uma conversa assim é não ter que repeti-la.

Gabriel balança o corpo, olha pro alto. Olha pro chão. Então olha rapidamente pra ela.

GABRIEL: - (DEBOCHADO) Faz um favor pra humanidade?

Gabriel rapidamente estende a mão espalmada na direção dela.

GABRIEL: - Durma.

Diana cai desacordada no chão. Gabriel passa por sobre ela. Vira-se para trás.

GABRIEL: - (DEBOCHADO) Vaca.

Gabriel caminha em direção à um túnel.

Corta para Scully que sai de outro túnel, entrando na gruta. Ela fecha os olhos. Abre-os. Entra no túnel que Gabriel entrou. Nem vê Diana, muito menos as larvas. Está concentrada em Mulder.

Scully caminha rapidamente. Mas não vê Gabriel há poucos metros dela. Gabriel estende a mão pra trás, sem olhar, enquanto caminha.

GABRIEL: - Ainda não, ruivinha.

Scully para. Olha para o lado. Vê uma porta de metal. Aproxima-se da porta.

Gabriel segue pelo túnel rapidamente.


3:59 A.M.

[Som: Prophecy Theme – Brian Eno (instrumental)]

Câmera subjetiva mostrando a visão de Mulder. A falsa Diana entra no foco, debruçando-se por sobre ele. Olha em seus olhos.

DIANA FOWLEY: - Está acordado. Podemos começar.

Mulder olha pra ela. Ela se afasta. Mulder fecha os olhos, derrubando lágrimas.

MULDER (OFF): - Sinto meu corpo flutuando num nada. O desespero toma conta de mim. Sinto que não vou sobreviver a isto novamente... radiação, implantes e mutilação... E sinto agora que essa sensação é igual a da primeira vez quando fizeram isso comigo e levaram meu filho... Mas é diferente das outras vezes, desse tempo todo que me levaram... Será que foram os mesmos? Será que era a voz deles que eu escutava? Será que é isso que eu posso esperar? Por que me prometeram algo que nunca cumpririam?

Mulder fica mais angustiado.

MULDER (OFF): - Não quero acreditar nisso... Eu tenho medo... (CHORANDO) Muito medo. Scully... Me perdoa... Eu acreditei nas coisas erradas... Acreditei nas vozes que me diziam coisas... Mentiram de novo pra mim. Pensei que desta vez eu teria a vitória. Mas confiei cegamente no meu coração. Confiei em vozes que eu nem sabia de quem eram...

Mulder sente alguma presença ao lado dele. Mas não pode virar o rosto, está paralisado. Fecha os olhos, desistindo.

Gabriel aproxima os lábios da orelha de Mulder. Mexe os lábios sem voz.

GABRIEL (OFF): - (DEBOCHADO) Não vou levar você. Desista. Já enchi o bagageiro de mortos, nem apertando cabe mais um, lotação esgotada... Esperava mais de você. Fiz uma aposta e apostei tudo em você. Acho que estava errado. Perdi um par de botas de couro autografadas por John Wayne.

MULDER: - ??? (ABRE OS OLHOS)

GABRIEL (OFF): - Ainda se arrepende de ter confiado na minha voz? Ou ainda não percebeu que era eu quem falava ao seu ouvido?

MULDER: - (SEM ENTENDER E VER NADA)

GABRIEL (OFF): - Eles não podem me ver ou ouvir. Estou falando com você. Pelo menos me responda por educação.

MULDER (OFF): - Não posso falar.

GABRIEL (OFF): - (DEBOCHADO) Como não pode, se eu posso ouvi-lo?

MULDER (OFF): - Quem é você?

GABRIEL (OFF): - Existem vários tipos de anjos. Vários degraus.

MULDER: - ...

GABRIEL (OFF): - Você é um. Uma espécie de anjo. Um híbrido. Metade ‘deus’, metade homem. Mas eu já lhe disse isso há um bom tempo atrás. Você não entendeu nossa conversa. Acho que agora está entendendo. Vai aprender a confiar em mim? Pense bem. Não tem muita alternativa.

MULDER: - ...

GABRIEL (OFF): - O caos vem, a morte vem. Mas o conceito duo das coisas só o faz ver o certo e errado. O bem e o mal. Eu sou mal por ser sarcástico? Por dizer a verdade? A verdade é cruel. Se podemos julgar pelas aparências, eu diria que você é um assassino frio quando matou aqueles homens. Diria que não vale nada por estar trabalhando com aquela corja conspiradora. Por estar mentindo pra todos. Mas isso seria um erro, não é? Julgar pelas atitudes... Pela aparência das coisas.

MULDER: - (DERRUBANDO LÁGRIMAS)

GABRIEL (OFF): - Você não vai alterar a ordem das coisas, Mulder. Eu falei da profecia. Ela já começou a se cumprir naquele aviso na cabana do Maine. E em breve, estará prestes a terminar.

MULDER (OFF): - Quem é você? Gabriel???

GABRIEL (OFF): - Não brinque com os planos além da sua compreensão. Os caminhos podem ser ilógicos pra vocês humanos. Mas acredite, tudo isto já estava previsto. Por isso foi feito dessa maneira. Agora levanta daí e faz o seu trabalho.

Mulder percebe a broca descendo em direção à sua testa. Fecha os olhos, com medo. Gabriel olha pra broca. Olha pra Mulder.

GABRIEL (OFF): - Hum... isso deve doer muito...

MULDER: - ... (MEDO)

GABRIEL (OFF): - Entrando nos miolos... Fustigando cada canto em busca de um chip que ativou suas funções cerebrais...

MULDER: - ... (MEDO)

GABRIEL (OFF): - Perfurando lentamente... fazendo outro buraco na sua testa...

MULDER (OFF): - (DESESPERADO) Me ajuda!

GABRIEL (OFF): - Eu? Você não acredita em mim. Nem estou aqui então. E afinal de contas eu não posso ajudar você. Você tem que aprender a se virar sozinho. Não sou sua babá. Esse é o serviço da ruivinha.

Gabriel percebe que a broca está perto. Olha pra Mulder. Então começa a ficar nervoso.

GABRIEL (OFF): - Parede de tijolos. Esqueça o medo e se concentre em sair. Bloqueie sua mente. Se bloquear sua mente eles não o dominarão.

Mulder abre os olhos. Mas ainda não consegue ver nada. Apenas a broca que desce sobre sua testa.

GABRIEL (OFF): - Parede de tijolos!

Mulder fecha os olhos.

MULDER (OFF): - Parede de tijolos, parede de tijolos...

Mulder percebe que pode mover seu corpo. A broca está prestes a lhe perfurar a testa. Mulder se arrasta pela mesa. Soltando os pulsos e puxando os pés rapidamente das amarras metálicas.

Mulder procura Gabriel com os olhos, mas não o vê. Apenas vê vários aliens de aparência humanoide de costas. Eles se viram ao mesmo tempo.

Mulder desce da mesa. Recua procurando uma porta com os olhos. Os aliens olham pra ele. Mulder acuado, tenta encontrar alguma coisa pra se defender. Caminha de costas, sem desviar os olhos dos alienígenas.

DIANA FOWLEY: - Procurando isto?

Mulder vira-se e vê a falsa Diana segurando a faca.

DIANA FOWLEY: - Não funcionará comigo. Nem com eles. Apenas com as operárias. Um mal inevitável. Herdaram a morte banal e o sangue vermelho pelo lado paterno.

Mulder fecha os olhos.

DIANA FOWLEY: - Mas eu posso arrancar sua cabeça. Lentamente. E a do seu amiguinho que o libertou. Onde ele está? Eu sei que pode vê-lo. Anjos e sua raça maldita!

Mulder desvia a mão e consegue dar um golpe no braço dela, deixando a faca cair no chão. Ela recua. Mulder pega a faca e a agarra pelos cabelos, cravando a faca em sua nuca. Solta-a.

A alienígena cai no chão. O sangue verde escorre pela nuca, enquanto o corpo se desintegra, formando uma poça esverdeada. Mulder vira-se rapidamente. Arregala os olhos, assustado.

Close nos aliens caídos, mortos. Cortes na garganta. Sangue vermelho que escorre.

Mulder procura com os olhos, mas não vê mais ninguém ali.

A câmera desvia o foco lentamente para mesa.

Close da espada dourada suja de sangue.

Mulder pega a espada e sai correndo da sala.


4:23 A.M.

Scully, já quase desistindo, continua a forçar a porta de metal. Consegue abrir. Vê um laboratório.

Scully engatilha a arma. Entra com cuidado, a arma em punho. Procura com os olhos.

Percebe uma divisória feita de material semelhante a plástico. A divisória transparente revela um corpo, de tamanho pequeno, em pé. Ele se movimenta cautelosamente.

Scully começa a tremer, apontando a arma.

SCULLY: - Saia daí seja o que você for! Ou eu vou atirar!

Nenhuma resposta. Scully começa a derrubar gotas de suor frio pela testa. Completamente assustada.

SCULLY: - (ASSUSTADA) Saia daí seu extraterrestre!!!!!!

A silhueta move-se saindo de trás da divisória. Gibson fica parado, olhando pra ela.

GIBSON: - Eu não sou extraterrestre.

Scully põe as mãos sobre os lábios, incrédula, emocionada, rindo de nervosa.

SCULLY: - Gibson...

Ela se aproxima dele, o examinado com as mãos e os olhos.

SCULLY: - Você está bem?

GIBSON: - Estou.

SCULLY: - Vem, vamos sair daqui. Precisamos encontrar o Mulder.

Gibson aponta pra porta.

GIBSON: - Ele deve estar na outra sala. Pude ouvir os pensamentos dele.

Scully fecha os olhos.

GIBSON: - Mas ele está bem, nada aconteceu. Tinha um anjo com ele.

SCULLY: - Anjo?

GIBSON: - ... Não como você, era um anjo de asas sujas de sangue, mas tinha um anjo com ele.

Scully sorri, o pega pela mão.

SCULLY: - Gibson, sabe sair daqui?

GIBSON: - Eu posso achar a saída.

SCULLY: - Então quero que corra, corra o mais rápido possível. Quero que saia daqui. Não peça ajuda a ninguém que encontrar lá fora. Não confie neles, tá bem?

GIBSON: - Você parece que se esqueceu com quem está lidando.

Scully sorri.

SCULLY: - Desculpe. Eu sei que pode ler a mente das pessoas.

Scully revira os bolsos. Retira uma chave.

SCULLY: - Quero que se esconda no carro. Pode fazer isso?

GIBSON: - Posso.

SCULLY: - Então vá. Depressa!

Gibson sai correndo com as chaves do carro na mão. Scully sai pra fora da sala. O acompanha com os olhos. Então se vira e segue pelo corredor.

SCULLY: - (SORRI) Impressionante a semelhança... eu nunca havia reparado. Um menino inteligente e tímido por trás dos óculos... Tentando fugir dos seus monstros bem reais.


4:27 A.M.

Mulder corre com a espada pela extensa galeria. O suor lhe percorre o rosto. Chega ao ninho de reprodução. Agora além de larvas há aliens ali. Os aliens olham pra Mulder. Mulder ergue a espada.

MULDER: - Sei que é um contra todos. Mas é hora de revidar!

Mulder tomado de ódio e desejo de vingança, sai atacando os aliens. Esguichos de sangue por todos os lados, numa verdadeira chacina.


4:31 A.M.

Scully entra numa sala. Vê as poças de sangue vermelho e a poça da substância verde. Olha incrédula para o ambiente. Para a mesa. Fecha os olhos, sentindo um arrepio penetrar-lhe na carne. Lembra-se de que havia visto aquele lugar através dos olhos de Mulder. Então ela abre os olhos e sai dali rapidamente.

SCULLY: - (GRITA DESESPERADA) Mulder!!!!!!!!!!!

Ela sai gritando pelo túnel, com a arma em punho, nervosa.


4:38 A.M.

Mulder solta a espada das mãos. Olha incrédulo para o que acabara de fazer.

Close dos corpos no chão ensanguentados e mortos.

Mulder os observa. Confuso.

MULDER (OFF): - Como no sonho... Talvez seja um sonho, eu vou acordar nu em uma rodovia... eu fui abduzido novamente... E-eu... Eu não conseguiria fazer isso sozinho... Eu...

Close do local. Não resta mais nada. Todas as larvas estão estraçalhadas. Os aliens mortos, alguns já se decompondo. Mulder caminha entre eles, sem entender nada.

O foco desvia de Mulder para um canto escuro, onde se pode ver Miguel desaparecendo por uma galeria. Mulder vira-se rapidamente, erguendo a espada. Mas não vê nada. Nem mesmo os outros anjos que somem pelos túneis, levando consigo sangue nas roupas.

Mulder percebe as caixas envelhecidas, sobrecobertas por lonas. Aproxima-se. Descobre as caixas.

Close nas caixas: ‘Propriedade do Exército dos Estados Unidos’.

Mulder abre rapidamente. Há armamentos envelhecidos. Mulder vai empurrando as caixas para o chão, até revelar a maior delas. Tenta abrir. Não consegue. Então coloca a espada e faz uma contrapressão. A caixa abre-se. Mulder ergue a tampa.

Close no míssil dentro da caixa.

Close em Mulder, que abre um sorriso.

Mulder crava a espada na terra, com fúria.

MULDER: - Vou mandar vocês pro espaço de onde nunca deveriam ter saído. Sem vestígios do que houve por aqui. Se o governo descobrir como vocês criaram essa sub-raça, vai querer usar isto contra os homens de novo. Chega, agora é hora de justiça. Eu quero é sangue!


BLOCO 4:

4:44 A.M.

Caminhões do exército ocupam todo o campo ao redor da montanha. A área onde estão os destroços da nave explodida pela nave maior, foi isolada. Os soldados recolhem restos da nave. Nenhum corpo Grey está ali. O Canceroso desce da limusine, vestido num sobretudo escuro. Acende um cigarro, nervoso. O general se aproxima.

GENERAL: - Senhor, captamos o sinal de um ‘anjo’ na tela. Em segundos captamos um sinal maior que fez enlouquecer nossos equipamentos e depois desapareceu. Conseguimos detectar o local da queda apenas por instrumentos, o que levou horas...

CANCEROSO: - Não foi queda. Foi ataque. Estão em guerra.

GENERAL: - ???

CANCEROSO: - Limpe a bagunça. Não queremos que civis vejam isto.

O Canceroso segue caminhando entre os restos metálicos. O general vai atrás dele.

GENERAL: - Ataque? Mas não os atacamos.

CANCEROSO: - Foi vingança. Uma vingança... que eu e você sentiremos na pele algum dia. Cumpra seu papel. O meu estou cumprindo. Afinal o que seria da verdade se não houvesse a mentira? Do bem se não houvesse o mal? Todos servem ao mesmo propósito.

O Canceroso traga o cigarro. Olha pro céu. Olha para o chão.


4:47 A.M.

Krycek, ao lado da porta de metal, termina de ajudar a ultima pessoa a sair da montanha: uma mulher com uma criança nos braços. Krauft vem até ele.

KRYCEK: - Eles ainda estão lá dentro.

Krycek olha pra dentro da montanha, aflito, procurando com os olhos.

KRYCEK: - (NERVOSO) Onde eles se meteram... Será que Scully conseguiu?

Krauft olha pra ele. Então coloca as mãos na porta.

KRAUFT: - Coloque isso no seu relatório: O FBI sente o pesar pela morte de dois agentes em missão. Deram suas próprias vidas pela sociedade americana. Um hino, duas bandeiras e dois caixões sem corpos, num ritual simbólico com salva de tiros e uma nota no Washington Post.

Krauft começa a fechar a porta. Krycek olha pra ele incrédulo.

KRYCEK: - Não pode deixa-los lá dentro! Se não fosse por eles nunca teríamos saído daqui! Deus sabe em que lugar do universo estaríamos servindo de cobaias!

KRAUFT: - Vou colocar isso no meu relatório. Agora acabou, voltamos a vida normal. Amém pra eles.

Krycek agarra Krauft pela camisa, com fúria. O empurra pra dentro da montanha. Fecha a porta.

Krauft fica gritando, até que seu grito é abafado pela porta que se lacra. Krycek dá as costas e esbarra em Diana Fowley.

DIANA FOWLEY: - Onde está Krauft?

KRYCEK: - Foi com os outros.

DIANA FOWLEY: - E Fox?

KRYCEK: - Eles não conseguiram.

Diana abaixa a cabeça. Krycek olha pra ela.

KRYCEK: - Vamos, precisa sair daqui antes que o exército nos retenha e comece a fazer perguntas.

Krycek se afasta, tomando outra direção. Diana olha pra ele.

DIANA FOWLEY: - Aonde vai?

KRYCEK: - Pra casa.

Krycek sai correndo, sumindo por entre as árvores.


4:50 A.M.

Corta pra Mulder. Ele afasta-se da caixa, puxando a espada do chão.

MULDER: - Tenho 40 minutos pra achar a saída. Espero que você tenha me ouvido, Scully, e esteja bem longe daqui. O combinado foi esse.

Mulder vira-se rapidamente pra sair correndo, mas leva um golpe forte na barriga, sem tempo para perceber o agressor.


4:51 A.M.

Os soldados recolhem os destroços. O Canceroso observa fumando, ao lado do general.

Corta para a montanha. Um soldado jovem vem correndo em direção a eles, pelo meio do campo, aos gritos, segurando o rifle.

SOLDADO: - Senhor! Senhor!

Todos olham. O general vira-se rapidamente. O soldado chega, esbaforido.

SOLDADO: - Senhor... (OFEGANTE) Tem algo estranho acontecendo.

GENERAL: - Fale, soldado!

SOLDADO: - É ... (OFEGANTE) é que...

GENERAL: - Fale!

SOLDADO: - ... (OFEGANTE) Tem um monte de pessoas do outro lado, estão todas saindo do antigo depósito secreto de armamentos da base.

GENERAL: - ??? O que está dizendo???

SOLDADO: - (OFEGANTE) Senhor, são mais de 600 pessoas...

O Canceroso fecha os olhos.

[Fade in]


[Som de helicópteros do exército]

[Fade out]

[Som: Gabriel Yared – An Angels Falls (instrumental)]

Panorâmica alta do lugar. As luzes dos helicópteros iluminam pelo menos umas 600 pessoas num campo, sentadas e em pé, ainda confusas sobre o que aconteceu.

Corte.


Garganta Profunda observa o movimento sentado dentro da limusine. O Canceroso apaga o cigarro com o pé e acende outro, indo até a limusine. Entra. Olha pra Garganta Profunda.

CANCEROSO: - Não vamos conseguir calar toda essa gente. Isso saiu do controle.

GARGANTA PROFUNDA: - ...

CANCEROSO: - Eles sabem. Envie uma nota de informação desmentindo tudo, invente algo coerente aos jornais e mantenha a imprensa fora daqui.

GARGANTA PROFUNDA: - (FECHA OS OLHOS NUM SORRISO) Ele conseguiu... Mulder conseguiu.

O Canceroso esmurra o encosto do banco da frente, numa raiva incontida. Garganta Profunda pega o celular.

GARGANTA PROFUNDA: - Enviem caminhões da base e recolham essa gente para exames. Depois os libere.

Garganta Profunda desliga o celular. Olha para o Canceroso.

GARGANTA PROFUNDA: - Não vai calar todos eles.

CANCEROSO: - Mas vou desmenti-los.

GARGANTA PROFUNDA: - Um dia nada mais restará nessas mentiras. Aos poucos elas estão se despindo.

CANCEROSO: - Não me diga! Acha que eu não sei?

GARGANTA PROFUNDA: - Mulder está vencendo. Admita que não temos mais como controla-lo. Está além de nós. A experiência fugiu ao controle.

CANCEROSO: - Ele vai morrer. Está morrendo.

GARGANTA PROFUNDA: - E vai se tornar um mártir. Cheio de seguidores. A começar por esses 600, um verdadeiro exército da causa de Mulder. Se ele morrer, pior será pra nós.

CANCEROSO: - ... Quer que o pegue à força e implante um chip nele? Que eu decida se ele deve ou não viver?

GARGANTA PROFUNDA: - Onde está seu sangue de pai agora? Pra destruí-lo você o pega à força. Para salva-lo, não.

CANCEROSO: - Não posso mais fazer nada! Está além das minhas possibilidades! Deixe Mulder morrer. Pelo menos ele terá paz!

GARGANTA PROFUNDA: - Acho que nunca mais poderá tocar em Mulder.

CANCEROSO: - ...

GARGANTA PROFUNDA: - Ele já foi tocado. E tem ao lado dele o maior exército de todos.

Garganta Profunda aponta para o alto. O Canceroso cerra a fisionomia, amassando o cigarro aceso na mão.

GARGANTA PROFUNDA: - Acabou. Não somos Deus. Podemos tentar, mas ainda não somos Deus.

Garganta Profunda vira o rosto pra janela. Começa a se lamentar.

GARGANTA PROFUNDA: - Enfim, o castigo está chegando. Quero zerar minha conta.

CANCEROSO: - Você está precipitando as coisas! Isso não significa nada. Estou feliz que tenhamos aliados contra isto tudo, mas estou irritado porque quero a tecnologia! Tenho orgulho do Mulder sim! Mas ele tem um destino que eu não posso alterar! Quando tentei faze-lo, criei mais caos!

GARGANTA PROFUNDA: - E sabe se não era seu destino fazer isso? Sabe se eles não tramaram tudo pra que você fizesse isso?

CANCEROSO: - ...

GARGANTA PROFUNDA: - A salvação veio. Você sabe. Você sempre soube que viria, mas sempre seguiu a precipitação dos nossos antecessores. Olha tudo que jogamos fora em nome do bem? Bem de quem? Das nossas famílias? Eu nem sei onde minha esposa e minhas filhas estão! Eu daria minha vida pra voltar atrás no relógio do tempo e ter fugido com elas pra bem longe de vocês...

CANCEROSO: - (PERDE O OLHAR NO NADA)

GARGANTA PROFUNDA: - E você? Você nem sabe onde Cassandra está. Você tem um filho que te odeia porque foi trocado pelo filho mais velho depois de ser recusado no teste de coragem. Sabe onde está Jeffrey? Nós demos nossas famílias e eles descumpriram o acordo! Pra quê? Por causa de pretextos de tecnologias superiores as nossas. Para nos aliarmos com raças alienígenas que estão em uma guerra universal que não vão vencer. Tudo pela cobiça, pela ganância, pela fome de ser Deus!

CANCEROSO: - ...

GARGANTA PROFUNDA: - Poderíamos ter parado quando sentamos naquelas cadeiras.

CANCEROSO: - Pra morrer?

GARGANTA PROFUNDA: - Não sente vergonha de ser um covarde? Mulder sentou numa daquelas cadeiras agora e está disposto a dar sua vida pra salvar essa gente toda. E nós, o que fizemos? Nada. Nós apenas nos vendemos ao inimigo. Não tivemos a coragem de lutar contra ele.

CANCEROSO: - ... Eu não sou um anjo de asas limpas. Aliás não conheço nenhum que não tenha sangue sujando-lhe as asas.

GARGANTA PROFUNDA: - Você não queria resistência? Pois a ajuda veio. De onde nós dois sabíamos que viria mais cedo ou mais tarde. Mas que ambos sabemos que é grande demais para compreendermos. E acredito que os que estão acima de nós, no topo da pirâmide, não devem ter a verdade nas mãos também. Estamos todos sendo usados num joguete sujo.

CANCEROSO: - ...

GARGANTA PROFUNDA: - Respire fundo. Está na hora de pagarmos nossas dívidas. Nessa busca toda, com a justificativa de poupar a humanidade, nós colocamos nossos interesses antes. Vendemos nossas almas em troca de salvação. Eles descumpriram o acordo. Sabe por quê?

CANCEROSO: - ...

GARGANTA PROFUNDA: - Porque vendemos a alma ao Deus errado.

CANCEROSO: - (TRAGA O CIGARRO NERVOSO)

GARGANTA PROFUNDA: - Vimos tanta tecnologia diante de nossos olhos, tantas coisas que queríamos ter que não percebemos que estas coisas foram dadas à eles por civilizações mais altas ainda!

CANCEROSO: - ...

GARGANTA PROFUNDA: - Empolgados com tanta novidade, seguimos as instruções erradas, tentando nos salvar do caos: nos deem suas famílias como garantia. E salvaremos vocês, aniquilando o resto.

O Canceroso olha pra ele.

GARGANTA PROFUNDA: - Enquanto deveríamos ter seguido uma instrução antiga deixada naquele livro metálico: ama o próximo como a ti mesmo.

CANCEROSO: - ...

GARGANTA PROFUNDA: - Essa foi a ordem deixada para as criaturas de uma experiência que se tornou inteligente o suficiente pra elevar-se ao nível de ‘filhos de Deus’. Agora eles castigam nossa petulância nos deixando à própria sorte, na promessa de que um dia voltariam porque a besta foi jogada aqui pra nos oferecer coisas boas e depois nos destruir. Mas mantiveram a promessa que enviariam seus exércitos e que a guerra começaria. Acho que agora, eles estão aqui. Disputando quem ficará conosco, miseráveis grãos de areia arrogantes.

CANCEROSO: - ...

GARGANTA PROFUNDA: - Se soubéssemos antes que aquela nave caída não era tripulada por quem a fabricou... Que era uma nave isolamento... Resgatada e jogada à deriva com uma maldita raça destruidora... Nós demos ouvidos à escória! A cientistas exilados porque cometiam chacinas universais! Eles trouxeram seu povo! Nós abrimos as portas pra eles! Demos o planeta pra eles! E eles nos mentiram! Demos refúgio ao que havia sido expurgado por ser experiência fracassada, lixo genético! (RI FORA DE SI) E nós pensamos que eles eram os nossos criadores... Nem desconfiamos da aparência diferente deles...

O Canceroso, pela primeira vez coloca as mãos sobre o rosto, desatinado. Garganta Profunda olha pela janela. Abre a porta e desce.


Corta para HUBF e Marita que se aproximam. O Canceroso ao vê-lo, perde a compostura. Desce do carro.

HUBF: - O que está havendo por aqui?

CANCEROSO: - (FURIOSO) Você sabe o que está havendo. Eu disse que havia um alienígena infiltrado entre nós. Há tempos eu falo isto mas ninguém me dá ouvidos!

Marita fica assustada.

CANCEROSO: - Quando resolvi trazer Mulder, quem foi contra? Por medo? Medo de que ele pudesse desmascarar a identidade do traidor porque ele pode saber quem é humano ou não?

HUBF: - Não sei do que está falando.

O Canceroso puxa o picador de gelo do bolso do sobretudo. Marita arregala os olhos.

CANCEROSO: - Por isso o traidor alienígena estava tentando me afastar do grupo, pra enganar os outros todos e tira-los do caminho os substituindo por aliens! Matando crianças com leite em pó contaminado e jogando a culpa em nós??? Usando o imbecil do Krycek, o colocando contra mim, tentando desesperadamente achar a criança! Não vou esperar a confirmação de Mulder. Pra mim já chega! Eu sei quem é o alienígena entre nós.

O Canceroso aproxima-se de Marita. Ela olha pra ele assustada. Então de surpresa ele ataca o Homem das Unhas Bem Feitas, cravando-lhe a arma na nuca. Ele cai no chão. Marita fica em choque. Garganta Profunda olha incrédulo para o Canceroso.

Close no Homem das Unhas Bem Feitas. O sangue verde vai se espalhando pelo chão, enquanto a fisionomia dele muda. É o Caçador.

O Canceroso olha pra Garganta Profunda. Está tomado de ódio.

CANCEROSO: - (IRADO) Posso ser um covarde. Mas eu já matei muitos. E ainda vou matar quem atrapalhar o meu caminho. Me entenderam?

O Canceroso entra no carro. Marita continua assustada, sem reação. Garganta Profunda olha pra ela.

GARGANTA PROFUNDA: - Venha, vou lhe dar uma carona.

5:12 A.M.

[Som: The X-Files Theme - Mark Snow]

Mulder acorda-se. Tenta sentar no chão, mas grita de dor. Olha pra sua camisa. Está rasgada, no abdômen, de fora a fora. O sangue se espalha rapidamente. Mulder ergue os olhos. Vê o enorme alien do óleo negro. Mulder olha pra espada caída a seu lado. Sem desviar os olhos da criatura, Mulder vai aproximando a mão lentamente da espada.

A criatura o observa. Avança pra cima de Mulder. Mulder puxa a espada rapidamente, apoiando o cabo sobre si.

[Fade in]

Som de urros.



5:13 A.M.

[Fade out]

Scully está perdida entre túneis, desesperada.

SCULLY: - (GRITA) Mulder!!!!!!!!!!!!

Scully apressa o passo. Em cada galeria que passa, vê aliens mortos ou já em decomposição.

SCULLY: - (DESESPERADA) Mulder!!!!!!!!!!!!!

Ela para. Encosta-se contra a parede.

SCULLY: - (DERRUBANDO LÁGRIMAS NERVOSAS) Estou perdida. Completamente perdida! Me ajuda! Deus, me ajuda! (CHORA) Me ajuda!

Ela escorrega o corpo sentando-se no chão. Põe as mãos no rosto.

Close das botas pretas de fivela que param ao lado dela.

Gabriel agacha-se. Aproxima seus lábios do ouvido de Scully e os movimenta como se falasse alguma coisa, mas sem som.


5:16 A.M.

[Som: The X-Files Theme - Mark Snow]

Mulder se arrasta, deixando atrás de si o alien morto e um rastro de seu próprio sangue. Grita de dor. A cabeça parece querer estourar. Ele olha pra água do pequeno lago natural e se arrasta pra dentro dele.

Senta-se com dificuldade, contra uma pedra fria. Não tem forças pra mergulhar. A mão sobre o ferimento extenso, tentando estancar o sangue, que lhe foge por entre os dedos e espalha-se pela água límpida, tornando-a um lago vermelho.

Ainda mantém segura na outra mão, a espada que lhe fora dada. Olha para o alien que acabara de matar. Para os corpos mortos que se decompõem. Olha para a caixa com o míssil. O sangue que cobre o lugar, que lhe entope o nariz com um cheiro de morte. Mulder fecha os olhos.

MULDER (OFF): - Me sento e espero. Eu sei que acabou. Sei que no meu sonho, eu ficava entre eles. Não espero ouvir a voz que ouvia. A salvação não virá de novo. Eu não sairei daqui. Não acordarei em minha cama como das outras vezes... Em menos de 14 minutos tudo isso irá pelos ares... Scully... sei que não pode me ouvir... Mas gostaria que soubesse que eu amo você. E levarei isso comigo.

Mulder abre os olhos e fica com o olhar perdido na morte. O corpo vai amolecendo aos poucos, sem forças. Olhos parados.

MULDER (OFF): - Um dia me disseram que existem vários tipos de anjos. Anjos da morte, anjos de salvação, anjos de guerra, mensageiros de Deus, chefes de exércitos de paz. Hoje, eu também acredito em anjos genéticos, ou semi-anjos. Algo entre Deus e os homens. Eu sou um desses semi-anjos. Sou um anjo genético. Cumpri o que me destinaram. Fiz a minha parte.

O sangue lhe escorre pela boca. Seu olhar vai ficando cada vez mais parado, sem brilho.

MULDER (OFF): - Não posso mais definir o lugar. Minha consciência se esvai rápido de mim, como o meu sangue. E todas as minhas teorias que eu tinha sobre alienígenas...

Uma luz toma conta do lugar.

MULDER (OFF): - Consigo distinguir essa luz. Eu já vi a luz. Mas ao contrário das outras vezes, eu não tenho mais medo da morte. Sinto que a luz se aproxima de mim, intensa. Eu já a esperava. Agora posso ver sua forma. Não é a luz que eu já havia visto. A luz de um túnel. Essa é a luz de um anjo que se aproxima de mim com suas asas abertas. Eu não tenho medo desse anjo. Eu posso ver o brilho dourado ao seu redor. Suas asas estendidas pra mim. O seu toque que acabo de sentir, como que envolto entre suas asas. Sinto o seu calor. Sinto a esperança, o amor e todos os sentimentos humanos que eu já havia sentido, mas não em tamanha magnitude. São mais puros, como se esse anjo fosse um catalisador de energias boas e as pudesse transmitir em energia para meu corpo. Eu não defino sua forma, mas eu sei que é um anjo. Não um anjo genético, não igual a mim. Um anjo de outra categoria. Um anjo em alma, não em carne. Em luz. Um anjo muito maior, um anjo que é feito totalmente por Deus, sem intervenção humana ou de raças alienígenas inferiores. Um anjo por natureza.

Mulder fecha os olhos, num sorriso cansado.

MULDER (OFF): - Fecho meus olhos, sorrindo. Esse anjo guia meu destino e me traz uma sensação de paz. Talvez seja o meu anjo da guarda. Eu posso sentir o amor que ele tem por mim. Eu só sinto coisas boas nos braços desse anjo. Sinto sua energia misturar-se à minha, como se minhas baterias estivessem sendo recarregadas. Meu corpo está desfalecendo entre suas asas. O anjo me puxa contra seu peito, mantendo-me seguro em sua alma, em seu calor. Eu tenho a paz dentro de mim. Acho que... acabou.

Mulder amolece o corpo.

A luz se dissipa.

Panorâmica do ambiente. Os corpos se decompõem rapidamente, virando apenas poças de sangue vermelho.

O foco termina em Mulder sentado contra a pedra, dentro da água, desacordado. Entre os braços de Scully, que o protege contra seu peito, afagando-lhe os cabelos com ternura, enquanto olha pra água suja de sangue que parece sair por uma brecha na rocha, um pouco abaixo da superfície. Scully se abraça em Mulder e mergulham na água enquanto ela o empurra com dificuldades pela brecha.



X


19/03/2001

14 Août 2019 05:42:50 0 Rapport Incorporer 1
La fin

A propos de l’auteur

Lara One As fanfics da One são escritas em forma de roteiro adaptado, em episódios e dispostas por temporadas, como uma série de verdade. Uma alternativa shipper à mitologia da série de televisão Arquivo X. https://www.facebook.com/laraone1

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