S04#12 - EAT ME (OR I DEVOUR YOU) Suivre l’histoire

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Um artigo da internet incita os Pistoleiros, que acabam convencendo Mulder a investigar o caso com eles. Poderão eles provar a conspiração de uma mutação genética que futuramente venha a alterar o organismo humano? Ou vão acabar tomando uma porrada de Scully, pra aprenderem a não tirar o seu homem da cama durante a noite?


Fanfiction Série/ Doramas/Opéras de savon Interdit aux moins de 21 ans.

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S04#12 - EAT ME (OR I DEVOUR YOU)


INTRODUÇÃO AO EPISÓDIO:


Centro de Pesquisas da Fundação Healthy Life – Massachussets

11:34 P.M.

Um laboratório. Várias cápsulas grandes (1,60 m) de plástico fosco, dispostas sobre superfícies metálicas.

Um cientista entra na sala. Senta-se à sua mesa. Liga o rádio.

[Som de Nat King Cole, What a Wonderful World.]

O cientista digita alguns dados no computador. O telefone toca.

CIENTISTA: - Alô, é Clarence... Ah, é você Bob Carter?... Sim, vou verificar se já estão prontos.

O cientista levanta-se. Assoviando a música, dirige-se até uma das cápsulas. Abre-a.

Close dentro da cápsula. Alguma coisa grande, indefinida, viva, semelhante a uma bolsa de consistência gelatinosa, ligada a tubos que a alimentam, com monitoramento cardíaco constante. Percebe-se que respira. Escuta-se o som do batimento cardíaco e da respiração.

O cientista fecha a cápsula. Volta assoviando para o telefone.

CIENTISTA: - Alô, Bob? ... Bem, a número 4 está pronta, indicando que os respectivos números quatro que estão na incubadora também estão prontos... Quantas unidades?... 500 cabeças? Sim temos... Sim, vamos embalá-las, abatê-las e enviá-las para a matriz de abastecimento.

VINHETA DE ABERTURA:


BLOCO 1:

Arquivos X – 12:24 A.M.

Close sobre a mesa de Mulder. Papéis, um pacote da lanchonete ‘Uncle Carter’s’, refrigerante, batatas fritas. Mulder, sentado em sua cadeira, examinando alguns papéis e comendo um hambúrguer. Scully sentada em sua cadeira, lê alguns papéis sobre a escrivaninha enquanto come alguma coisa num recipiente de papel alumínio. Fala com a boca cheia.

SCULLY: - Mulder, achei aqui alguns detalhes importantes.

MULDER: - O quê?

SCULLY: - Escute: A estratégia de ação de marketing consiste em abordagem direta ao cliente via consumidor, através do telefone, previamente...

MULDER: - É isso, Scully!

Ele levanta-se, comendo o hambúrguer.

MULDER: - Pegamos eles, Scully... O que está comendo?

SCULLY: - Salada com molho de queijo cremoso.

MULDER: - Argh! Me dá esse papel.

Mulder pega o papel.

MULDER: - Nem acredito! Há quatro dias enfurnado nessa sala tentando achar provas pra incriminar a Carpetes Watson... Isso é que chamo de trabalho pra idiota.

SCULLY: - Mulder, crimes contra o consumidor também são muito interessantes. As pessoas deveriam reclamar seus direitos. Desde aparelhos defeituosos, juros exagerados, até armações mercadológicas entre emissoras de TV, autores e atores que acabam prejudicando as qualidades de uma série e...

MULDER: - ... (SUSSURRA) Cala a boca, Scully...

SCULLY: - (ASSOVIANDO) ...

MULDER: - Vai dizer que comprou os Carpetes Watson?

SCULLY: - Não, Mulder. Tenho alergia a pó e carpetes acumulam ácaros.

MULDER: - Tá legal, Scully. Vou entregar isso pro Skinner e a gente pode ir pra casa. Não estou a fim de algemar o senhor Watson porque vendia carpetes de terceira linha no lugar de carpetes ingleses autênticos.

Scully levanta-se. Pega um guardanapo e limpa os lábios.

SCULLY: - Quero ir pra casa, Mulder! Pobrezinho do Cookie deve estar faminto, e não duvido que não tenha engolido seus peixes de tanta fome.

Scully pega a pasta. Mulder atira o hambúrguer no lixo.

SCULLY: - Mulder, sabe que comer essas porcarias não fazem bem pra saúde!

MULDER: - Nem seus gelados de arroz, muito menos suas saladas com queijo cremoso. Ou vai me dizer que vegetais híbridos são coisas saudáveis?

SCULLY: - Podem até não serem muito saudáveis. Mas pelo menos são mais nutritivos. (COMEÇA A RIR) Mulder, não deveria comer nada do Uncle Carter’s...

MULDER: - (DEBOCHADO) Mas Scully, me deixa realizar o desejo dele! Me deixa acabar com essa frustração do pobre, e quem sabe eu volto a ser o filho querido... Eu não sou homem, lembra-se? ... Você sabe que é alteração de humor por causa de um desejo sexual reprimido... Se eu fizer isso, ele vai ficar bem feliz e não vai mais me expurgar da face da Terra...

SCULLY: - (RINDO) ...

MULDER: - Vou levar isso pra mesa do Skinner. Te encontro no estacionamento.


Apartamento de Mulder – 3:56 A.M.

O quarto no escuro. Mulder dorme agarrado em Scully. O telefone toca. Mulder vira-se na cama. O telefone continua tocando.

MULDER: - (SONOLENTO) Scully...

SCULLY: - (SONOLENTA) Hum...

MULDER: - Atende essa droga.

SCULLY: - Atende você. Eu não moro aqui, não se lembra? Quer dar suspeitas de graça?

Mulder senta-se na cama. Acende o abajur. Olha irritado pro telefone. Atende.

MULDER: - (MAL HUMORADO) Aqui é Fox Mulder, completamente irritado porque foi tirado de um sonho erótico com a Uma Thurman. Melhor que seja importante ou eu vou até aí e te pego.

LANGLY: - Mulder, é Langly.

MULDER: - (SUSPIRA) O que aconteceu?

LANGLY: - Cara, você precisa vir até aqui.

MULDER: - Pra quê? Pra te pegar porque isso não é importante?

LANGLY: - Mulder, sabe o que você come nos hambúrgueres do Uncle Carter’s?

MULDER: - Não sei de nada, não me cria mais encrenca...

LANGLY: - (ASSOVIANDO)

MULDER: - Carne de minhoca?

LANGLY: - Ah se fosse...

MULDER: - Olha, eu li essa besteira na internet, ok.

LANGLY: - Acho melhor você vir até aqui.

Mulder levanta-se da cama. Quase pisa no cachorro, dormindo no tapete.

MULDER: - (MAL HUMORADO) Droga! O que esse bicho infernal faz aqui?

Mulder cutuca o cachorro com o pé. Ele levanta-se e sobe na cama, sem Mulder perceber.

MULDER: - Isso é sério?

LANGLY: - Mulder, estão nos usando como cobaias, acredite. Devem estar criando fontes alternativas de alimentação, baseados numa possível escassez de carne bovina. A Carter’s conspira.

MULDER: - Não deveria falar isso pelo telefone, eles podem ter escutas. Por mim tudo bem mesmo, mas pode te causar problema...

O cachorro se mete embaixo do edredom, ao lado de Scully, colocando as patas dianteiras sobre o travesseiro de Mulder, e a cabeça sobre as patas. Fecha os olhos. Scully está dormindo.

MULDER: - Tá, eu vou pra aí.

Mulder desliga. Senta-se na cama. Apaga a luz.

MULDER: - Scully, temos um Arquivo X.

Silêncio. Scully dormindo.

MULDER: - Dos grandes.

SCULLY: - Zzzz...

Mulder deita-se na cama, de costas pra ela.

MULDER: - Não iriam fazer hambúrgueres de minhocas... Isso é absurdo!

Cookie abre os olhos. Ergue a cabeça. Aproxima-se de Mulder. Ele continua de costas.

MULDER: - Isso é implausível, como você diria... (COMEÇA A RIR) Hum, Scully, sua menina má. Por que está lambendo a minha orelha?

Mulder vira-se. Dá um grito ao ver o cachorro e cai pra fora da cama. Scully acende o abajur e senta-se na cama assustada.

SCULLY: - O que foi, Mulder?

MULDER: - (IRRITADO) Maldito cachorro maluco! Sai da minha cama, monte de pulgas ambulante!

Mulder levanta-se do chão. Scully começa a rir.

MULDER: - (INDIGNADO) Sai da minha cama!

O cachorro continua deitado, indiferente.

MULDER: - Sai da minha cama, eu tô avisando! Ou é você que vai virar hambúrguer!

O cachorro continua indiferente. Scully olha pro cachorro.

SCULLY: - Sai, Cookie. Vai pra sala, vai.

O cachorro obedece. Levanta-se e vai pra sala. Mulder coloca as mãos na cintura, indignado.

MULDER: - Mas que diabos! Nem esse cachorro me respeita por aqui? Ninguém mais me respeita?

SCULLY: - Vá dormir, Mulder.

MULDER: - Ele lambeu minha orelha!

SCULLY: - E daí? Eu também gosto de lamber sua orelha. Você tem uma orelha gostosa.

MULDER: - Mas ele é fedorento!

SCULLY: - Ele é limpinho.

MULDER: - Limpinho uns petelecos! Vou trancar o quarto quando for dormir. Além de chato, esse cachorro tem altos ímpetos homossexuais! Todo mundo tá me tirando pra gay ou é impressão minha?

Scully deita-se. Apaga o abajur. Mulder continua discursando, mal humorado.

MULDER: - Droga! Ninguém, nem você e nem o cachorro me dão ouvidos. Os dois estão conspirando contra mim! Todos estão conspirando contra mim! Se duvidar, esse bicho fuma Morley!

Scully acende a luz. Olha pra cara dele.

SCULLY: - Mulder, vá dormir.

MULDER: - Não vou dormir. Vou até os pistoleiros.

SCULLY: - Fazer o quê?

MULDER: - Pergunte ao cachorro. Acho que ele me ouviu.

Mulder sai do quarto, irritado. Scully suspira. Deita-se. Apaga a luz.

MULDER: - (GRITA) Droga!!!

Scully senta-se na cama. Acende a luz, sonolenta.

SCULLY: - (GRITA) O que foi, Mulder?

Mulder entra no quarto. Mostra o sapato todo mordido.

MULDER: - Era italiano legítimo!

SCULLY: - (DEBOCHADA) Cookie tem bom gosto.

MULDER: - (INDIGNADO) Scully, eu vou matar esse bicho! Isso é perseguição! Ele é um espião infiltrado entre nós! Semana passada roeu minhas revistas, meu guarda-chuva, ontem roeu minha jaqueta do FBI, hoje o meu sapato novo! Por que ele não rói suas coisas?

SCULLY: - Talvez porque não deixo minhas coisas atiradas por aí.

MULDER: - Ah, tá me chamando de relaxado, é?

SCULLY: - Mulder, vá embora de uma vez! Eu quero dormir!

Scully deita-se e apaga a luz. Mulder sai do quarto. Ouve-se sua voz reclamando na sala.

MULDER: - E não adianta se esconder, pulguento. Eu vou te achar. Vamos ter uma conversa de homem pra cachorro. Esse apartamento é pequeno demais pra nós dois. Pegue suas coisas e dê o fora.

Scully acende a luz. Senta-se na cama incrédula. Põe as mãos na cabeça. Mulder continua reclamando.

MULDER: - Você destrói as minhas coisas, se apropriou do meu apartamento, roubou a minha mulher. O que pensa que é? Eu sou o homem aqui, eu tenho inteligência e você é só um cachorro. Agora é moda qualquer ‘cachorro’ me substituir?

Scully fecha os olhos. Suspira.

SCULLY: - (FALA PRA SI MESMA) Num momento como esses, a maior dúvida que tenho é sobre quem é o cachorro sem inteligência nessa casa...

Mulder continua falando. Ela escutando do quarto.

MULDER: - Se eu pegar você roendo qualquer coisa nessa casa, vai cair fora, está me entendendo? Fora.

SCULLY: - ...

MULDER: - E tem mais, orelhudo, filho de um Spock, você vai aprender a dormir bem longe da minha cama. Nem que eu tenha de usar arame farpado e cercar o meu colchão! E bem longe do meu sofá também!

Scully levanta-se irritada. Vai pra sala. Mulder vestindo a roupa e falando, o cachorro escondido debaixo da escrivaninha, olhando pra ele e abanando o rabo.

SCULLY: - Mulder, quer deixar o Cookie em paz?

MULDER: - Ah, eu é que estou incomodando o cachorro?

SCULLY: - Mulder, sai daqui, eu quero dormir! Amanhã ‘eu converso com o cachorro’ se isso te deixa mais calmo.

MULDER: - Eu não quero ele na minha cama! Odeio cheiro de cachorro!

SCULLY: - (SUSPIRA)

MULDER: - (INTRIGADO) O que me impressiona é como esse bicho aprendeu a dormir na minha cama!? Deve ser um Arquivo X!

Mulder sai do apartamento. Scully olha pra Cookie. Ergue as sobrancelhas.

SCULLY: - Vem, Cookie, vem dormir com a mamãe na cama.

Scully vai pro quarto. O cachorro vai atrás dela, abanando o rabo.


5:29 A.M.

Scully acorda-se ouvindo seu celular tocar. Espreguiça-se, mal humorada.

SCULLY: - Mas que diachos! Eu não vou me levantar!

Cookie olha pra ela. Desce da cama e sai do quarto. Scully fecha os olhos. Cookie volta pro quarto com o celular dela na boca. Coloca sobre a cama. Põe as patas na cama e fica olhando pra ela, com cara de curioso. Scully abre os olhos. Olha pro cachorro e pro celular tocando.

SCULLY: - Hum, filhinho... Quem te ensinou a ser tão educado? Não foi seu pai com certeza.

Ela afaga o cachorro. Atende o celular.

SCULLY: - Scully.

MULDER (OFF): - Scully, por que demorou pra atender?

SCULLY: - (DEBOCHADA) Estava tendo sonhos eróticos com o Matthew Perry. Hum... Ele é quente... Muito quente. Explosivo eu diria... (INDIGNADA) Mulder, o que quer numa hora dessas? Por que não vem pra casa dormir?

MULDER (OFF): - Scully, estamos com um verdadeiro caso de conspiração nas mãos.

SCULLY: - Hum, sei. E daí?

MULDER (OFF): - Scully é sério. Quero que você faça uma autópsia.

Ela senta-se na cama, preocupada.

SCULLY: - Tem gente morta nisso?

MULDER (OFF): - Bem... Envolve morte sim. Quero que vá até Quântico. A ‘vítima’ está lá te esperando.

Ele desliga. Ela solta o celular, ao mesmo tempo em que solta o ar pela boca, indignada. Olha pra Cookie.

SCULLY: - (RESMUNGANDO) Eu mereço! Vou ter de levantar mesmo. Tudo eu, tudo eu. Eu queria ver esse homem se virando sozinho, por um dia... Seria o caos! Era capaz de cometer suicídio por não conseguir encontrar os talheres na gaveta.

Ela levanta-se. Vai pra sala. Cookie a segue, abanando o rabo.


Quântico – Virgínia – 7:29 A.M.

Scully sai furiosa da sala, abrindo a porta dupla com as mãos, num supetão. Mulder vem atrás dela e a porta se fecha na cara dele, prensando seu nariz.

MULDER: - Au!

Ele empurra a porta e vai atrás dela. Os dois passam pelos Pistoleiros, parados no corredor, que observam a cena, de olhos arregalados. Scully caminha a passos largos, com um beiço, pronta pra explodir de raiva.

MULDER: - Scully...

SCULLY: - (FURIOSA) Não fala comigo!

MULDER: - Mas Scully...

Ela pára. Vira-se pra ele. Furiosa.

SCULLY: - Você me tirou da cama pra fazer uma ‘autópsia num hambúrguer?’

MULDER: - Mas...

SCULLY: - (CERRA OS PUNHOS) Mulder, eu te mato!

Ele se encolhe, fazendo cara de pânico. Ela solta o verbo como uma metralhadora giratória. Aos gritos.

SCULLY: - Você não tem um pingo de consciência comigo, Mulder! Você é louco, insano e completamente perturbado! Os ETs tiraram a parte que raciocinava do seu cérebro e se não tomar cuidado, os dois neurônios que restam vão escorrer pelo nariz!

Ele continua encolhido, olhando pra ela com cara de pidão. Os Pistoleiros observam, à distância, com receio. Scully olha pra Mulder.

SCULLY: - Sabe o que devia fazer com você?

MULDER: - ...

SCULLY: - Sabe?

MULDER: - (COM MEDO) N-não...

SCULLY: - Devia te internar porque isso deve ser contagioso! Eu tenho vontade de te esganar, Mulder! A sua neurose ultrapassa as fronteiras do espaço conhecido. ‘Audaciosamente indo onde nenhum débil mental jamais esteve!’

Os Pistoleiros a observam, assustados. Ela olha pra eles. Aproxima-se, furiosa. Os três recuam juntos pra trás, com medo. Ela ergue o dedo.

SCULLY: - E vocês três deviam ter vergonha de alimentar a loucura dele! Deviam achar uma mulher, casar e terem filhos! Então teriam algo interessante pra fazer nas madrugadas e deixariam de perturbar o meu marido!

Ela dá as costas e sai furiosa. Os três olham pra Mulder. Mulder ergue os ombros, com uma cara de quem não pode fazer nada.

FROHIKE: - Marido?

Mulder ergue os ombros novamente, como se dissesse: ‘Fazer o quê?’

LANGLY: - (MASCANDO CHICLETES) Isso é sempre?

MULDER: - Não. Só sete dias por semana e 24 horas por dia. Deve ser TPM recolhida.

Mulder sai atrás dela.


7:39 A.M.

Scully sentada dentro do carro, no banco do carona. Mulder entra.

MULDER: - (MEIGO) Posso falar?

SCULLY: - (FURIOSA) Não!

MULDER: - ... Nem uma palavrinha?

SCULLY: - Não!

MULDER: - Sim, meu bem. Eu fico quietinho então.

SCULLY: - E não me chame de ‘meu bem’! Mulder, você não tem noção do ridículo?

MULDER: - Se me deixasse explicar... Eu não conseguiria que você viesse até aqui se tivesse dito que era um hambúrguer.

SCULLY: - Ah, ainda por cima confessa que mentiu pra mim!

MULDER: - Na verdade, Scully, não é um simples hambúrguer. Nem uma autópsia. Eu só quero que descubra do quê aquilo é feito.

SCULLY: - (IRRITADA) Da vaca... Da vaca da sua mãe.

MULDER: - Deixa a minha mãe fora disso. Scully, temos sérias desconfianças de que estão manipulando geneticamente a carne...

SCULLY: - Ai, meu Deus! Não vai vir com aquela besteira que eu já li na internet!

MULDER: - ... Podia pelo menos provar que estou errado então?

Ela cruza os braços, faz um beiço, olha pra frente. Ele olha pra ela, sedutoramente. Com voz mansa.

MULDER: - Pode ser?

SCULLY: - Não sei.

MULDER: - Pelo Mulderzinho aqui.

SCULLY: - ...

MULDER: - O seu Mulderzinho... Aquele que você tem dentro do coração... o seu cheirosinho, engraçadinho, fofinho, bonitinho, gostosinho, carente Mulderzinho...

SCULLY: - Não sei. Vou pensar.

MULDER: - Só confio em você pra fazer isso, Scully.

SCULLY: - Mulder, nem vem. Você usa essa desculpa há quase 10 anos e eu já a conheço muito bem. Sempre termina em confusão pro meu lado.

MULDER: - ... (CARENTE) Por favor...

SCULLY: - ...

MULDER: - É a última vez que eu faço isso...

Ela ainda de braços cruzados, sem olhar pra ele, com um beiço quilométrico.

SCULLY: - ...

MULDER: - Só dessa vez, vai?

SCULLY: - ...

Ele aproxima os lábios do pescoço dela. Roça-os suavemente em sua pele. Ela se arrepia.

MULDER: - Hum?

SCULLY: - ...

MULDER: - Não vai fazer isso pelo seu Mulderzinho? Hein?

SCULLY: - ...

Ela fecha os olhos, quase cedendo, inebriada com a voz e o perfume dele. Mulder continua a roçar os lábios nela. Vai pra sua orelha. Envolve sua língua no lóbulo da orelha dela e a puxa pra dentro de sua boca, mordiscando-a. Ela se arrepia. Ele cochicha.

MULDER: - Só dessa vez... Hum?

SCULLY: - Tá bom, Mulder. Mas é a última vez!

Ela desce do carro. Mulder a acompanha com os olhos.

MULDER: - Eu amo esse gêniozinho danado... Essa mulher me deixa doido! Eu lambo o chão que ela pisa!


BLOCO 2:

Sede dos Pistoleiros Solitários – Editora de ‘A Bala Mágica’ – 10:13 A.M.

Frohike rabisca no desenho de uma planta estendido sobre a mesa. Mulder, Byers e Langly observam.

FROHIKE: - Obtive isto com uma amiga.

MULDER: - Que amiga?

FROHIKE: - Nomes não importam. Fontes sim. Isto é a planta do Centro de Pesquisas da Fundação Healthy Life, em Massachussets.

MULDER: - Pode esclarecer pra um idiota como eu, que não tá entendendo nada?

BYERS: - A Healthy Life é uma empresa mantida com recursos do governo para pesquisa de alimentos naturais, sem uso de pesticidas e agrotóxicos. Mas isto é a fachada.

FROHIKE: - Na realidade, eles pesquisam alimentos transgênicos. Trabalham na modificação genética de sementes.

BYERS: - Como alguns países da Europa e da América proibiram a comercialização de sementes transgênicas, o que não é o caso do nosso país, o melhor é ocultar a atividade internacionalmente.

LANGLY: - Sob a fachada de alimentos naturais. Quando exportarem, quem vai descobrir?

MULDER: - Tá legal. E onde entra o hambúrguer da Uncle Carter’s?

BYERS: - Nossa informante anônima revelou que viu furgões da Healthy Life descarregando caixas frigoríficas na central de abastecimento da Carter’s.

LANGLY: - Aposto que não era alface ou pão com gergelim...

MULDER: - Acha que eles têm um acordo com o governo e estão testando os efeitos de uma carne geneticamente modificada na população americana?

FROHIKE: - Por que não?

MULDER: - ... Como vamos entrar no lugar?

FROHIKE: - Temos uma única maneira. E precisamos nos dividir pra executar o plano.

Frohike começa a desenhar pontos vermelhos na planta. Eles observam. O celular de Mulder toca. Mulder puxa o celular. Olha pro visor.

MULDER: - Um momento, rapazes. A ‘polícia’ tá ligando.

Mulder atende.

MULDER: - Fala, Scully... Tá, quando obtiver o resultado das amostras, me ligue... O que estou fazendo? Nada... (CÍNICO) Não, de onde tirou a ideia de que eu vou invadir propriedade privada?

Os três o observam. Langly segura o riso.

MULDER: - (CÍNICO) Não, eu só vou jogar boliche com os rapazes... Sim, a tarde toda, é um campeonato... Não, não me espere pra jantar, eu tenho que comemorar a vitória... Claro que vamos ganhar. Se eu perder janto com você...

Mulder afasta o celular do ouvido. Escuta-se a voz dela gritando. Ele aproxima o celular.

MULDER: - Tá, Scully. Eu vou jantar com você. Te vejo depois, mal te escuto, porque o botão de ejetar do CD emperrou, não tá ouvindo o barulho? ... Shii, Scully, acho que furou o pneu e o motor fundiu, estou numa estrada deserta... Alô, Scully? Não te escuto... Scully, está aí ainda? Alô? Alô?

Ele desliga, rindo. Guarda o celular. Byers olha incrédulo pra ele. Mulder esfrega as mãos, empolgado.

MULDER: - Ok, amigos. Onde paramos?

FROHIKE: - Vai apanhar, Mulder... e feio.

MULDER: - Vou nada. Depois eu ‘amanso a fera’.

Frohike balança a cabeça negativamente. Começa a explicar o plano.


Centro de Pesquisas da Fundação Healthy Life – Massachussets

7:12 P.M.

A velha Kombi de Frohike parada do outro lado da rua. Mulder no banco do carona, observando por um binóculo. Lá atrás, ao invés de bancos, eles montaram um sistema todo de rádio escuta que parece mais um laboratório ambulante. Langly com fones nos ouvidos. Frohike revirando uma sacola. Byers ajustando alguns aparelhos.

MULDER: - Neguem tudo se a Scully perguntar alguma coisa sobre como obtiveram dinheiro pra comprar toda essa parafernália. Eu não sei de nada. Uma parte das minhas economias foi para ‘doações à igreja’.

BYERS: - Vamos te pagar isso, Mulder.

MULDER: - Pra quê? Não posso ser sócio? Eu também uso...

FROHIKE: - Pelo menos pra comprar um carro.

MULDER: - Olha quem fala. Como se isso fosse carro.

FROHIKE: - Mas isso pelo menos é condução. E é minha.

MULDER: - Outro furgão está saindo... Também é refrigerado.

Frohike retira dois macacões da sacola. Joga um em cima de Mulder.

FROHIKE: - Vista isso. Eu e você vamos entrar lá.

Mulder larga o binóculo. Olha pro macacão.

MULDER: - Vestir isso? Aqui dentro? Pra você é fácil, nanico.

Mulder pula por cima do banco, indo pra trás. Começa a se despir sentado no chão da Kombi.

BYERS: - Vou colocar escutas em vocês. Eu e Langly vamos ficar no contato. Se precisarem de algo, falem baixo, os microfones vão captar.

FROHIKE: - (COLOCANDO O MACACÃO) Onde vai colocar escutas? Trouxe fita adesiva pelo menos?

MULDER: - (DEBOCHADO) Sei não, Byers. Tem um lugar onde ninguém descobriria, mas se tentar, te dou uma porrada.

Langly começa a rir. Byers segura o riso.

BYERS: - Tá, Mulder, é sério.

MULDER: - Eu sei que é sério. Eu sempre desconfiei de você. Esse jeitinho, essa barba...

Langly cai na gargalhada.

FROHIKE: - Vocês três querem parar de galinhagem? Vamos discutir o plano.

MULDER: - O plano já foi discutido. Que cara chato! Você nunca ri, Frohike?

FROHIKE: - Sim. Quando vejo a sua ruiva passar na minha frente. Abro um sorriso enorme.

MULDER: - Pode rir, admirar... Eu tenho, você não tem.

Langly continua rindo.

MULDER: - Mas você tinha razão. Ela é quente.

Langly abaixa a cabeça, rindo.

FROHIKE: - Pois veja como é a vida. E você não é criativo.

Byers olha pra Mulder.

BYERS: - Sobre o que ele está falando?

LANGLY: - (RINDO) Eu tô fora!

MULDER: - (DEBOCHADO) Ah, Frohike, como sabe que eu não sou criativo? Ainda se lembra daquela noite?

Langly tapa a boca com a mão pra não rir alto. Frohike olha pra Mulder.

FROHIKE: - Que noite? Ah, aquela em que você veio me pedir de joelhos pra que eu te...

Byers corta o assunto constrangido.

BYERS: - Tá, vocês dois vão entrar com as escutas. Peguem o carregamento. Aqui tem crachás falsificados da Uncle Carter’s. Se conseguirem, teremos a prova que precisamos pra colocar esse Carter na justiça.

LANGLY: - E tome cuidado, Mulder. Sabe que não deve brincar com essa gente. Se algum deles descobrir, você é um homem morto. Na melhor das hipóteses, poderá apenas ‘desaparecer da face da Terra’...

MULDER: - (DEBOCHADO) Eu sei disso. Tio Carter tá louco pra me matar... Ele agora tem vocês...

Os pistoleiros disfarçam assoviando. Mulder abre a porta da Kombi. Desce. Frohike desce com ele. Mulder olha pro relógio.

MULDER: - Em um minuto vai chegar outro furgão. Você chama a atenção do motorista e eu o rendo.

FROHIKE: - (DEBOCHADO) Tá legal. Mas não trouxe uma saia.

MULDER: - Ele desmaiaria se visse essas pernas peludas!

FROHIKE: - Mas chamaria a atenção.


8:16 P.M.

Mulder e Frohike dentro de um furgão da Carter’s. Frohike dirige. Mulder observa atentamente. Frohike pára o furgão na portaria. Entrega a prancheta. O guarda olha pra eles.

GUARDA: - Novos? Vocês não trabalham muito tempo pro Carter...

MULDER: - (DEBOCHADO) Tempo o suficiente pra querer dar o fora antes que a coisa descambe pra novela mexicana...

GUARDA: - Podem entrar.

Frohike dirige. Mulder continua observando.

FROHIKE: - Se ficasse quieto, fizesse seu serviço e parasse com essas ironias, sabe que teria chances.

MULDER: - Ah, quer dizer que agora eu sou o culpado?

FROHIKE: - Sabe que é. Vocês dois são. Aliás, os três! E a maldita tensão sexual que existe nisso.

MULDER: - Ei, espera aí. Não me acusa de coisas que eu não sei!

FROHIKE: - Sabe sim.

MULDER: - Tá, fica frio ou vai acabar sendo ‘abduzido’ também.

FROHIKE: - Tenho contrato por mais anos. Vou dar o fora daqui.

MULDER: - Acha mesmo? Sai de uma, mas fica em outra e dá na mesma. Continua nas garras do Uncle Carter’s...

FROHIKE: - Quer me deixar ganhar a vida honestamente?


Apartamento de Mulder – 4:21 A.M.

Mulder entra no escuro sem fazer barulho. Esquivando-se. As luzes se acendem.

Corta para Scully, braços cruzados, batendo o pé no chão.

SCULLY: - Onde esteve?

MULDER: - (PÂNICO) Boliche...

SCULLY: - (FURIOSA) Até as quatro e meia?

Ele olha no relógio.

MULDER: - (CÍNICO) Nossa! Já é madrugada?

SCULLY: - (IRRITADA) Até as quatro e meia, Mulder?

MULDER: - Não, até as quatro. Levei 21 minutos pra chegar aqui e...

SCULLY: - Jogou boliche até agora?

MULDER: - Sabe como são essas coisas. Alguém te desafia, você acaba...

SCULLY: - Mulder, o que andou aprontando?

MULDER: - (DESESPERADO/ MEDO/ NA DEFENSIVA) Eu juro que não estava com nenhuma mulher! Eu juro!!!!!!!!!

SCULLY: - Não falo disso! Mulder, você não foi bisbilhotar aquela empresa, foi?

MULDER: - Eu?????? Credo, Scully! Parece que não me conhece.

Ele se atira no sofá.

SCULLY: - Mulder, eu te conheço muito bem! O que fez?

MULDER: - (SUSPIRA)

SCULLY: - Pensa que me engana? Mulder, você deixou o celular desligado! Você prometeu que jantaria comigo! Eu cheguei a fazer estrogonofe e aquela salada com palmito e molho rosê que você adora!

MULDER: - ... (PIDÃO)

SCULLY: - Mulder, não tem pena de mim?

MULDER: - ... Scully, eu... Eu adoraria ter comido o seu ‘estraga-o-bofe’ mas...

Ela atira uma revista nele.

MULDER: - Au!!

SCULLY: - Mulder, você não vale nada mesmo! O que acordamos?

MULDER: - Mas nem dormimos ainda!

Ela atira outra revista nele.

MULDER: - Au! ... (PIDÃO)

SCULLY: - Não combinamos que teríamos um tempo pra nós dois? Que o expediente acabaria às seis?

MULDER: - (PIDÃO)

SCULLY: - Pára de fazer essa fisionomia, Mulder!

MULDER: - (MAIS PIDÃO AINDA)

SCULLY: - Mulder, se há um folgado por aqui, esse é você! Você ficou folgado.

MULDER: - ... (COMPLETAMENTE PIDÃO)

Ela caminha em direção ao quarto.

MULDER: - Scully?

SCULLY: - O que foi?

MULDER: - (PIDÃO) Me prepara um sanduíche?

Ele sai correndo pra cozinha e uma das pantufas de Scully passa voando rente a sua orelha.


6:26 A.M.

Scully dorme. O telefone toca. Mulder acorda-se e atende rápido. Cochicha.

MULDER: - ... Tô indo.

Ele levanta-se sem fazer barulho. Caminha pé por pé até a porta do quarto, levando a roupa consigo.

SCULLY: - Aonde vai?

Ele pára. Se encolhe todo, fisionomia de medo.

MULDER: - Buscar pão quentinho pro seu cafezinho, minha amada...

SCULLY: - Às seis e meia? Ô Mulder, me tirou pra alvo das suas besteiras?

MULDER: - ... (SUSPIRA. VIRA-SE PRA ELA)

SCULLY: - Tá me chamando de burra?

MULDER: - Scullyzinha, eu preciso investigar isso. Estamos envolvidos numa mega conspiração global do Carter e...

SCULLY: - Mulder...

MULDER: - Estão nos fazendo ‘engolir porcarias sem qualidade alguma e ninguém faz nada a respeito’...

SCULLY: - Mulder...

MULDER: - Tá, fala.

SCULLY: - Volta pra cama.

MULDER: - Scully...

SCULLY: - Volta pra cama!

Ele volta pra cama. Deita-se. A abraça.

SCULLY: - Eu disse pra deitar. Não disse pra me tocar.

MULDER: - (MALICIOSO) Se eu deitar vai ser pra te tocar.

SCULLY: - Não tem nada pra você aqui hoje, Mulder. Portas fechadas. Estou em greve!

MULDER: - (PÂNICO) Greve?!?

SCULLY: - Reivindico melhores condições pra ser sua mulher! Você em casa durante a noite! Louça do jantar lavada! Sem migalhas pelo sofá! Almoço na casa da mamãe uma vez por mês! E o maldito casamento que você me prometeu.

MULDER: - (PÂNICO)...

SCULLY: - Ou já se arrependeu? Quero tudo no papel, Mulder. Impressão minha ou tá só se divertindo comigo? Não, Mulder. Sem coisinhas. Sexo só depois do religioso!

MULDER: - Ai, ai, ai, ai, ai...

SCULLY: - As mulheres de antigamente estavam certas. Os relacionamentos de hoje não funcionam mais! Depois que vocês conseguem o que querem, passam a nos destratar. Vão enrolando, enrolando e depois nos chutam como uma coisa usada. Sem sexo. Nunca mais. Só na lua de mel e comigo segurando a certidão de casamento! A cama estraga tudo!

MULDER: - Tudo bem, a gente pode ir pro sofá, pro chão, debaixo da mesa... (MEXE AS SOBRANCELHAS) Pro chuveiro...

SCULLY: - Sem chuveiro. E por falar nisso, a partir de hoje, eu trancarei o banheiro. Vou tomar banho sozinha.

MULDER: - Tudo isso por causa de um hambúrguer?

SCULLY: - ...

MULDER: - Tá vendo? Vai deixar a Carter’s no separar?

SCULLY: - ...

MULDER: - Você fez coisas horríveis por causa de uma escrivaninha. Quase me matou por causa de um mousse. Agora está fazendo greve por causa de um hambúrguer? Scully, confessa: Você tá conspirando também né?

SCULLY: - ...

MULDER: - (DEBOCHADO) Pois eu estou em greve também! O raposão vai ficar adormecido! Exijo melhores condições pra ser marido, quero minha roupa lavada, beijinho antes de sair, beijinho quando chegar, meus chinelos, o jornal, a casa limpa, as crianças na escola, jantar prontinho e sexo animal a noite toda.

SCULLY: - Eu vou dar nessa sua cara, Mulder...

MULDER: - Já disse, se fizer isso eu me apaixono mais...

Ela ri. Ele olha pra ela.

MULDER: - Posso ir?

SCULLY: - ... Vai, Mulder. Mas toma cuidado.

MULDER: - Eu tomarei.

SCULLY: - Acho que vou com você. Não me sinto segura deixando você ir sozinho num lugar chamado Carter’s.

MULDER: - Relaxa, Scully. Afinal, ‘quem está por trás disto’?

SCULLY: - Tá, então vou dormir. Mas com um maldito olho aberto!

Ele levanta-se e sai do quarto empolgado. Ela ajeita o travesseiro e deita-se de novo. Fecha os olhos. Sorri.

SCULLY: - Não vou tirar o doce da boca do crianção...


BLOCO 3:

Central de Abastecimento da Carter’s – 7:21 A.M.

Dentro da Kombi, Mulder e Frohike de uniformes. Observam por binóculos. Langly escorado no assento, entre os dois.

LANGLY: - Eu disse que o cara era esperto. Achavam mesmo que veriam alguma coisa entrando naquele lugar?

MULDER: - É mas algo cheira mal por lá. Se os funcionários que pegam a mercadoria não têm acesso a ela, apenas a caixas frigoríficas lacradas com senha, e com um guarda de plantão armado e acompanhando todo o trajeto até aqui, é porque algo há. Sem contar que os papéis das planilhas são todos vermelhos!

FROHIKE: - Carter é esperto. Não dá pra fazer cópias...

MULDER: - Eu sou mais. De onde saí, hein?

Mulder desce da Kombi.

FROHIKE: - O que vai fazer?

MULDER: - Chamar o FBI. Declaro guerra ao Carter!

Mulder pega o celular. Aperta uma tecla.


Corta pro apartamento de Mulder. Scully dá banho no cachorro, na lavanderia. O telefone toca. Ela larga o xampu e seca as mãos. Olha pro cachorro.

SCULLY: - Não sai daí!

Ela vai pra sala e atende ao telefone.

SCULLY: - (DISFARÇANDO A VOZ) ... Residência do senhor Mulder.

MULDER (OFF): - (DEBOCHADO) Residência? Chama isso de residência? Senhor Mulder? Hum, até que enfim está me respeitando...

SCULLY: - Não sabia que era você. Se fosse outra pessoa me passaria pela faxineira. Chegaram os resultados da amostra.

MULDER (OFF): - E o que é?

SCULLY: - A composição é de conservantes químicos e traços de substância animal. Nada que possa esclarecer se é vaca, galinha, porco ou minhoca. Onde está?

MULDER (OFF): - Na frente da central da Carter’s. Preciso da sua ajuda.

SCULLY: - Hum, não é que de repente você se esqueceu dos seus amigos e eu passei a ser importante de novo?

MULDER (OFF): - (MANHOSO) Sabe que você é importante. Sabe que não dou um passo sem você.

SCULLY: - Hum... Fala mais, fala... me arrepiei todinha agora.

MULDER (OFF): - Eu falaria, mas realmente é urgente. Ontem tentamos pegar provas, mas não conseguimos. Se eu estivesse armado e com a minha identificação, teria pego o sujeito que estava conosco fazendo a guarda do material. Mas eu não quero colocar o Bureau nesse assunto.

Cookie passa pela sala, todo ensaboado, deixando um rastro de xampu pelo chão. Scully olha pra ele, fazendo sinal pra ir embora. Mas Cookie deita-se na poltrona em cima da jaqueta de camurça de Mulder. Scully morde os lábios, cerrando os olhos. Põe a mão na testa.

MULDER (OFF): - Scully, está aí ainda?

SCULLY: - (IMAGINANDO O ROLO QUE VAI DAR) Sim... (MELADA) Fala, meu Mulderzinho... O que pretende?

MULDER (OFF): - Preciso que você, com todo o seu conhecimento de termos biológicos e genéticos, entre naquele laboratório. Quero que veja o que tem lá. Enquanto isso, eu e os rapazes vamos tentar entrar na central de abastecimento.

SCULLY: - E como vou fazer isso?

MULDER (OFF): - Você tem um belo par de pernas e seios. Eu não.

SCULLY: - (SORRI) Não fala sério.

MULDER (OFF): - Falo. Quando digo que se eu tivesse o que você tem no meio das pernas eu já teria descoberto toda a conspiração...

SCULLY: - (RINDO) Não funciona assim. Preciso de uma identificação.


Corta pra Mulder. Ele escora-se na janela da Kombi. Olha pros pistoleiros.

MULDER: - Identificação. Sai uma quentinha?

LANGLY: - Pra já. Eu levo pra ela.


Corta pra Scully, estendendo a perna e cutucando o cachorro com o pé. Mas ele nem se mexe da poltrona. Ainda abana o rabo pra ela.

SCULLY: - Sai daí! Sai!

MULDER (OFF): - O que foi, Scully? Tá acontecendo algo?

SCULLY: - (EMBARAÇADA) Não. Nada... Mulder, você me ama?

MULDER (OFF): - Que papo é esse, Scully?

SCULLY: - Eu te amo. Lembre-se disso quando chegar em casa. Meu Mulderzinho, fofinho...


Corta pra Mulder. Ele olha pro celular em frente ao rosto, sem entender nada. Volta a falar.

MULDER: - Eu, hein? Scully, você não atacou os meus uísques, não é? ... Tá, sei... O Langly levará pra você. Ele te encontra na frente da Healthy Life... (ABAIXA A CABEÇA SORRINDO) Tá... Te amo sim. Por que brigaria com você? ... Eu te amo, Scully. Não, eu não vou me esquecer disso.

Mulder desliga. Ao erguer a cabeça vê os três olhando pra ele, suspirando, debochados.

MULDER: - Querem parar com isso?

FROHIKE: - Somos shippers...

MULDER: - E daí? Eu também sou.


Centro de Pesquisas da Fundação Healthy Life – Massachussets

12:12 P.M.

Scully entra ao lado de Langly. Langly de paletó e gravata, cabelos amarrados. Scully com um tailleur, a saia curtíssima, saltos altos e um decote na blusa que expõe quase a metade dos seios pra fora. Ao lado deles dois seguranças armados. Um deles abre a porta de uma sala. Clarence, o cientista, vem recebê-los. Olha pra Scully com um ar de lobo mau. Os seguranças vão embora.

CLARENCE: - Dra. Scully... Que prazer enorme a conhecer pessoalmente.

Ela sorri. Aperta a mão dele.

CLARENCE: - Quem é?

SCULLY: - Este é meu irmão e meu assistente, Dr. Langly. Trabalhamos juntos na divisão de pesquisas híbridas do Ministério da Agricultura.

CLARENCE: - Recebi um fax comunicando sua chegada. Li todo o trabalho que tem feito e confesso ter ficado com uma pontinha de ciúmes.

SCULLY: - Ora, por favor... Poderia me mostrar algum deles?

CLARENCE: - Sinto, Dra. Scully. Posso lhe falar como funciona o processo, mas mostrá-los, não.

Scully deixa a bolsa cair. Clarence abaixa-se, e enquanto sobe com a bolsa, vai analisando as pernas dela.

SCULLY: - Ai, como eu sou desastradazinha....

CLARENCE: - Percebi.

SCULLY: - Então, Dr. Clarence... Pode me falar como conseguiu isto? Sabe que estamos profundamente interessados em colaborar.

CLARENCE: - Mas como? Vocês já colaboram?!?

SCULLY: - (REMENDA) Em colaborar, senhor Clarence. Nós apenas investimos. Agora é colaboração.

CLARENCE: - (SORRI) Virá trabalhar aqui?

Ela aproxima-se dele, empinando os seios, e ele fica olhando pro decote dela, boquiaberto. Langly observa, calado, olhos arregalados.

SCULLY: - (SENSUAL) Se tiver a chance de dividir com você muitas horas de pesquisa sobre genética e reprodução...

CLARENCE: - Adoraria me reproduzir com voc... digo, fazer isso. Acredite, adoraria.

Langly segura um riso, virando o rosto. Observa curioso a porta de acesso ao laboratório. Clarence pega Scully pela mão.

CLARENCE: - Dra. Scully, eu não costumo e nem tenho ordens de fazer isso, mas... Vou abrir uma exceção. Venham comigo.

Langly continua olhando. Clarence estranha. Scully percebe.

SCULLY: - Não liga pra ele. Ele é curioso. E depois, é surdo-mudo.

Langly olha pra ela.

CLARENCE: - Ah, me desculpe.

SCULLY: - Pobrezinho... Uma bala perdida alojada no cérebro... Nem sei como conseguiu sobreviver e andar por aí.

Scully solta a mão de Clarence. Os dois se dirigem até a porta do laboratório. Langly abaixa a cabeça.

LANGLY (OFF): - Surdo-mudo... Essa foi boa! Aposto que isto foi uma indireta pra que eu não conte nada ao Mulder sobre como ela está vestida hoje...


Corta para o laboratório. Os três entram.

CLARENCE: - Bom, o processo de criação passa por aqui.

SCULLY: - Criação?

CLARENCE: - Sim. Cada uma destas cápsulas contém a mãe, vamos dizer assim. Podemos reproduzi-la a partir de apenas um pedaço de tecido. Se retirar um pedaço de alguma delas, automaticamente se formará outra. Pegamos os ‘fetos’ e incubamos. Quando ela está com uma coloração roxa, sabemos que os ‘filhos’ estão em idade de abate. Então ela também vai para abate.

Scully não entende nada. Langly observa curioso uma das cápsulas.

CLARENCE: - Descobrimos uma fonte rentável de alimento. Imagine que isto se procria mais rápido que qualquer animal. Leva apenas dois meses para atingir o tamanho adulto! O custo é mínimo para a criação, vamos dizer que 70% a menos do que um rebanho bovino. Não precisa de muito espaço. Não dá trabalho para abater. Nenhum gasto para alimentação. Mas confesso, eu jamais comeria essa coisa.

Scully olha pra ele. Clarence abre a cápsula que Langly observava.

CLARENCE: - Vejam se o aspecto não dá nojo? Mesmo sabendo que é um animal.

Langly arregala os olhos ao ver. Sai correndo com a mão sobre os lábios. Scully olha pra imensa criatura vermelho sangue, com algo que parecem veias sobressalentes de cor roxa intensa.

SCULLY: - (INCRÉDULA) Isto está vivo?

CLARENCE: - Sim.

Scully observa o movimento que a criatura gelatinosa e sem forma faz, mostrando que está respirando. Pode-se ouvir o barulho da respiração. Scully começa a ficar com medo, em pânico.

CLARENCE: - Pelo menos acreditamos que seja um animal. Mas algum tipo de ser inteligente, porque algumas vezes solta grunhidos. Nos testes que fizemos, percebemos que se comunica. Emite barulhos. Parece uma imensa água-viva. Se alimenta pelas sondas. Não sabemos do que se alimenta realmente, mas ela consegue ficar viva ingerindo isto.

Clarence aponta para os tubos. Scully observa curiosa.

SCULLY: - E o que é isso?

CLARENCE: - (RI) Chamamos de ‘O Caldo’.

SCULLY: - (RECEOSA EM PERGUNTAR)... E o que é ‘O Caldo’?

CLARENCE: - O Caldo é feito de lixo. Não disse que o custo de criação é reduzido?

SCULLY: - (INCRÉDULA) Lixo? Essa coisa se alimenta de lixo?

CLARENCE: - Mas não de qualquer lixo.

SCULLY: - Ah, apenas lixo orgânico...

CLARENCE: - Não.

Scully olha pra ele assustada.

CLARENCE: - Lixo hospitalar. O governo não sabe mais o que fazer com ele. Achamos uma maneira de nos livrar do lixo hospitalar com custo reduzido. O reaproveitamos. Misturamos a uma espécie de ácido, dissolvemos e criamos o caldo. Agulhas, curativos, seringas... Tem bastante proteína aí pra ela ingerir. Restos humanos, abortos, tumores extraídos... Realmente ela fica bem alimentada e vai pro abate. Tudo na natureza se aproveita, nada se perde.

Scully sente o estômago revoltar-se, as pernas amolecerem. Põe a mão sobre a boca.

CLARENCE: - Mas quem come não sente a diferença. Acha que é gado.

SCULLY: - (FICANDO TONTA) Como fizeram isso?

CLARENCE: - Não fizemos. Caiu na terra... Entende, né?

Scully amolece as pernas e cai desmaiada no chão.


FBI – Gabinete do Diretor Assistente - 3:13 P.M.

Os pistoleiros parados ali. Scully sentada, branca, pálida. Mulder olha pela janela. Skinner sai do banheiro, limpando a boca.

SKINNER: - Pelo amor de Deus! Eu não quero ouvir mais nada! Não vou jantar por um mês!

Mulder olha pra ele.

MULDER: - Não temos provas. Mas temos o testemunho da Scully e do Langly. A Scully é uma agente federal, uma médica respeitada.

LANGLY: - Entendi... E eu? Além de me chamar Ringo?

MULDER: - (DESESPERADO) Skinner, temos que alertar a população americana sobre o que está acontecendo! Alertar o mundo! Isto é uma conspiração completa do Carter com o governo!

FROHIKE: - Tá, Mulder, menos...

SKINNER: - Vou entrar com um mandado. Embora não saiba no que isto vai resultar. Terão de ser rápidos, vou mandar uma força tarefa com vocês. Antes que ocultem as provas.

Skinner pega o telefone. Mulder olha pra Scully. Aproxima-se dela.

MULDER: - Sente-se melhor?

Ela corre pro banheiro. Mulder suspira.

MULDER: - E eu comi aquela droga!

Mulder põe a mão na boca. Sai correndo do escritório.


Apartamento de Mulder – 4:12 P.M.

Mulder deitado no sofá segurando uma bolsa de gelo na cabeça e a mão na barriga.

MULDER: - Ai...

Scully aproxima-se com um copo de água e um comprimido.

SCULLY: - Tome isso. Apesar de que você comeu essa droga há dois dias atrás...

MULDER: - Mas só de pensar eu tenho vontade de vomitar...

SCULLY: - Quem mandou você comer qualquer porcaria?

MULDER: - Mas eu nunca ia adivinhar que ‘digerir algo da Carter’s’ poderia acabar comigo!

SCULLY: - Eu te avisei, você nunca me dá ouvidos...

MULDER: - (MANHOSO) Ai, eu tô sofrendo...

SCULLY: - Pois tem que sofrer mesmo pra aprender.

MULDER: - Ai... Ai, tô dodóizinho... Mulderzinho tá sofrendo...

SCULLY: - (RÍSPIDA) Levanta daí, Mulder. Temos que prender aquela gente.

Ele se levanta. Olha pra ela.

MULDER: - Chata! Depois eu que não sou criativo...

SCULLY: - ???

Ele caminha até a porta. Pára. Vira-se pra ela.

MULDER: - Ô, Scully, quem te deu permissão pra usar uma blusa tão decotada quanto esta? O que você está pensando? Quer sair por aí exibindo o que me pertence?

Ela atira uma revista nele.

MULDER: - Au!

SCULLY: - (SÉRIA) Te pertence... Eu vou te mostrar o que te pertence.

MULDER: - (DEBOCHADO) Depois, amor. Agora eu tô com dor de cabeça.

Ela o empurra porta à fora.

SCULLY: - Vai, seu palhaço! Anda! Mulder, você está impossível!


Centro de Pesquisas da Fundação Healthy Life – Massachussets

6:36 P.M.

Carros do FBI chegando por todos os lados. Agentes armados invadindo o prédio.

Corta pra Mulder e Scully, com jaquetas do FBI, entrando no laboratório. Clarence ergue as mãos.

CLARENCE: - Eu não sei de nada, eu não sei de nada!

Mulder o agarra pelo jaleco e o encosta na parede.

MULDER: - Ah, não sabe de nada? Pois eu acho que sabe de tudo.

Scully aproxima-se de uma das cápsulas.

CLARENCE: - Eu juro que não sei!!! Só estou fazendo o meu trabalho!

MULDER: - E eu só estou fazendo o meu.

SCULLY: - Mulder...

Mulder vira-se pra ela. Scully abre todas as cápsulas. Estão vazias.

SCULLY: - Não tem mais nada aqui.

Mulder olha pra Clarence. O aperta pelo pescoço com as mãos.

MULDER: - Onde esconderam as criaturas?

CLARENCE: - Eu não sei!!!

MULDER: - Tem certeza de que não sabe?

CLARENCE: - (SUFOCANDO) N-não... Elas haviam sumido quando cheguei.

Mulder o solta. Olha pra Scully.

MULDER: - Avise Skinner que já limparam as provas.

SCULLY: - Aonde vai?

MULDER: - Ter uma conversinha com o senhor Carter.

Mulder sai porta à fora. Scully algema Clarence.

SCULLY: - Está preso por conspiração contra o povo americano. Tem direito de ficar calado ou tudo que disser será usado contra você num tribunal. Compreende?

CLARENCE: - (SORRI) Quem sabe você faz isso comigo num lugar mais apropriado? Hein? Eu adoraria...

SCULLY: - Cale a boca!


BLOCO 4:

Escritório Central da Uncle Carter’s – 8:21 P.M.

Mulder entra na recepção. O vigia o questiona.

VIGIA: - Pois não?

Mulder puxa a credencial.

MULDER: - FBI. Quero falar com o senhor Carter.

VIGIA: - Ele não está. Ele está em Los Angeles fazendo a divulgação dos novos produtos da empresa e...

Mulder o agarra pelo pescoço.

MULDER: - Eu não costumo ter muita paciência. Acredite.

VIGIA: -... Tá legal, tá legal!

Mulder o solta. Caminha até o elevador.

MULDER: - Em que andar ele se esconde?

VIGIA: - Oitavo.

MULDER: - Tinha que ser! A minha pergunta...

Mulder entra no elevador. O vigia pega o telefone.


Corta para o oitavo andar. Um homem grisalho sai às pressas do escritório, descendo pelas escadas. Mulder, encostado na escada olha pra ele.

MULDER: - Onde vai com tanta pressa?

CARTER: - ...

MULDER: - Ou acha que eu seria burro de descer no oitavo? Prefiro sempre ficar pelo sétimo... Acho que o limite pra mim é sete, não acha?

CARTER: - O que quer? Quem é você?

MULDER: - Mulder, FBI, e vou refrescar sua memória. Pra onde mandou aquela coisa?

Carter vai descendo as escadas. Mulder o segura. Puxa a arma. Carter suspira.

CARTER: - Ok. Vamos conversar no meu escritório.

Carter sobe as escadas. Mulder o segue.

MULDER: - Já lhe aviso, senhor Carter. Tente algo contra mim e vai ver do que eu sou capaz. Não imagina quanta gente me respeita.

Carter entra no escritório. Mulder atrás dele. Carter senta-se.

CARTER: - Eu não ia fazer nada daquilo. Comecei algumas experiências com galinhas.

MULDER: - (DEBOCHADO) Quem não começa suas ‘experiências’ com galinhas?

CARTER: - Então o governo me propôs um acordo. Ficaram interessados. Um grupo de executivos me ofereceu uma proposta muito vantajosa. Eu faria de tudo pra ter aquele dinheiro, inclusive ‘matar’ alguém.

MULDER: - Sei. E onde encontrou aquela criatura?

CARTER: - Eles vieram com ela! Eu nunca tinha visto aquilo antes!

MULDER: - Sabe que sua atitude pode acabar matando milhares de pessoas, aos poucos, com sérios problemas de saúde?

CARTER: - Isso é mentira. Elas podem ingerir o que eu faço. Não há efeitos colaterais. Eu mesmo assino em baixo! Tudo que sai daqui tem garantia de qualidade absoluta!

Mulder retira um hambúrguer do bolso da jaqueta. Atira na mesa.

MULDER: - Coma.

CARTER: - O-o q- que é isso?

MULDER: - Você diz que não há problemas. Então coma.

CARTER: - ...

MULDER: - Tá com medo?

CARTER: - ...

MULDER: - Coma.

CARTER: - Eu não estou com fome.

MULDER: - Tem 1 minuto pra engolir a porcaria que você está fazendo. Se não fizer isso, vou algemá-lo numa cadeira e obrigá-lo a engolir uma porcaria chamada sétima temporada de uma certa série de TV até você cair duro no chão. A começar pelo episódio Clube da Luta.

Carter se ajoelha.

CARTER: - (DESESPERADO) Não, pelo amor de Deus, não me torture... Eu confesso, eu faço tudo, mas isso nãooooooo!!!!

MULDER: - Pra onde mandou aquelas criaturas?

CARTER: - O governo as levou. Eu juro.

MULDER: - Tá, essa não cola mais. Pra você tudo é culpa do governo.

CARTER: - Eu juro!

MULDER: - Ô-ô... Acho que vou buscar a fita...

CARTER: - Nãooooo!!!!!!!! Eu juro, eles levaram mesmo!

MULDER: - Pra onde?

CARTER: - Eu não sei.

Mulder o algema.

MULDER: - (VINGATIVO) Resposta errada, senhor Carter...

CARTER: - (ASSUSTADO) O que vai fazer?

Mulder o empurra. Coloca-o no sofá e liga a TV.

CARTER: - (DESESPERADO) Nãooooo!!!!!!!!! Eles levaram aquelas coisas mas eu não sei pra onde.

MULDER: - Nomes...

CARTER: - Eu não sei.....

MULDER: - Acho que vai adorar assistir Réquiem durante 24 horas seguidas...

CARTER: - Nãoooo!!!!! (CHORANDO) Por favor, eu juro que não sei de mais nada!!!!!

Mulder retira as chaves do carro do bolso. Carter cai de joelhos.

CARTER: - Por favor!!!!! Tudo menos isto.

MULDER: - Tá. Vou buscar a oitava então...

CARTER: - Nãooooooo!!!!!!!! Eles levaram as criaturas em caminhões, mas um delas escapou.

MULDER: - Pra onde?

CARTER: - Pelos fundos!

MULDER: - Tudo sempre escapa pelos fundos...

CARTER: - Deve estar à solta por aí! Pode ser um perigo!

MULDER: - Tá vendo? Você alimenta os monstros e quando um deles escapa do seu controle, você morre de medo.

CARTER: - Eu sou culpado, pode me prender, me bater, me torturar com agulhas, mas não me deixe aqui na frente da TV!!!!

Mulder o puxa.

MULDER: - Venha, senhor Carter. Está preso. Violou os direitos dos consumidores.

CARTER: - Mas eu não estou sozinho!

MULDER: - Se me der os nomes, vamos achar um por um. Não vai pagar sozinho por um crime dessa natureza.

CARTER: - Sabe qual é o maior culpado.

MULDER: - Sei. Já tenho o nome. Mas ele será castigado por me abandonar. Vai passar o resto da vida fazendo filmes de pouca bilheteria.


Gabinete do Diretor Assistente – 10:13 P.M.

Skinner olha pra Mulder e Scully. Olha para os Pistoleiros.

SKINNER: - Graças a vocês pegamos a quadrilha. Carter entregou o jogo depois de quatro horas de Réquiem. Infelizmente as criaturas estavam mortas. Mas uma delas realmente escapou. Um grupo do FBI se encarregou de fazer a busca.

Skinner coloca as mãos na cintura.

SKINNER: - Devido ao alto escalão empresarial envolvido... Carter está livre. A conspiração continua, entendem, não é? Ninguém nunca faz nada. Todo mundo aceita tudo sem criticar. E ainda continuam engolindo a porcaria do Uncle Carter’s. Ele não vai fechar as portas.

Mulder olha pra Scully.

MULDER: - Então, vamos embora.

FROHIKE: - Vamos pro boliche, não estão a fim?

Mulder olha pra Scully com um sorriso.

MULDER: - Não. A gente tá a fim de fazer certas coisas que... Carter não engoliria...


Apartamento de Mulder - 1:54 A.M.

Geral da sala. Não há ninguém, apenas as cortinas balançam ao sabor do vento. Lentamente, a câmera percorre o apartamento, chegando ao quarto.

Mulder aparece sobre a cama, deitado de costas, com vários “X” de esparadrapos brancos sobre a pele do corpo. Manchas roxas e vermelhas no peito e pescoço. A perna esquerda está enfaixada, deitada sobre duas almofadas grandes. Somente com uma camisola hospitalar sobre o corpo nu. Expressão chorosa.

MULDER: - (PIDÃO/BEIÇO ENORME) Mulder tá dodóizinho...

Câmera subjetiva, simulando a visão de Mulder, onde se enxerga uma mulher loira, na guarda da cama. Veste uma roupa de enfermeira, curtíssima e justa. A saia tem a fenda até quase o meio dos quadris. Ela tem uma das pernas sobre o colchão, revelando a cinta liga branca, justamente com a calcinha de renda também branca. A blusa tem um enorme decote, denunciando os seios unidos. Na cabeça, o cap com a cruzinha vermelha. Carrega no pescoço um estetoscópio, ao mesmo tempo em que passa a língua continuamente sobre os lábios cor de sangue.

MULDER: - (EXCITADO) Preciso ficar doente mais vezes... Nossa!!!

ENFERMEIRA: - Sr. Mulder... A sua mulher me contratou para cuidar do senhor... Como não olhei o prontuário, preciso fazer um exame físico completo para avaliar a complexidade e extensão das lesões...

MULDER: - (BABANDO) Mulher? Que mulher? Enfermeira, estou com dores aqui...(e aponta para a virilha).

Ela lambe o dedo indicador lentamente, circulando-o com a língua. Mulder morde o lábio inferior, enquanto começa a balançar as pernas. A mulher tira o dedo da boca e o levanta a frente do rosto.

ENFERMEIRA: - (INOCENTE) Humm... Temos uma corrente de ar por aqui... Vou fechar a janela... Não pode pegar friagem Sr. Mulder!

A mulher caminha rebolando até a cama, subindo na mesma, inclinando-se sobre o rosto de Mulder, ao mesmo tempo em que tenta fechar a janela. O decote a princípio fica a centímetros de seu rosto, exalando o perfume sensual. Ele começa a suar frio. Ela sente as mãos dele percorrendo suas pernas.

ENFERMEIRA: - (CONSTRANGIDA, MANDONA) Nananinanão! Não pode fazer esforço Sr. Mulder...

MULDER: - (BOQUIABERTO) Mulder, por favor... Esse “senhor” me remete a um velho caquético...

ENFERMEIRA: - (SARCÁSTICA) Mesmo?

A loira desce da cama, sentando ao lado dele. Pega o estetoscópio. Levanta da cama repentinamente.

MULDER: - (DESESPERADO) Ei, aonde você vai? Volta aqui!

Ela apenas o fita com um olhar “43”, passando novamente a língua nos lábios. Mulder solta um gemido sem perceber.

A mulher volta com uma vasilha, colocando-a sobre o criado mudo. Senta-se na cama, ao lado de Mulder, fazendo beicinho.

ENFERMEIRA: - (SEDUTORA) Primeiramente, vamos ver esse coraçãozinho...

Ela alcança o estetoscópio, molhando-o no líquido da vasilha, logo depois o encostando ao peito de Mulder. Ele sente o contato gelado do aparelho metálico, sentindo uma corrente elétrica passar por todos os seus terminais nervosos.

ENFERMEIRA: - (INOCENTE) Hum... Será um princípio de taquicardia?

Ela coloca a ponta do aparelho de novo na vasilha e o pressiona levemente contra o pescoço de Mulder, entre o músculo e a traqueia, tentando localizar as carótidas. Mulder fecha os olhos e aperta os lençóis na cama com força. Em súbito, envolve seus braços no corpo dela, puxando-a para si. Ela se desvencilha rapidamente.

ENFERMEIRA: - (FINGINDO INDIGNAÇÃO) Mas o que o “senhor” está pensando? Terei que prendê-lo à cama!

Ela retira uma echarpe branca debaixo do travesseiro e amarra os pulsos dele nas grades da cama. Enquanto isso encosta os seios no rosto dele.

MULDER: - (PÂNICO) Eu já vi isso antes... O que é? Instinto Selvagem com Plantão Médico? Ou “Instinto Médico” e “Plantão Selvagem?”

ENFERMEIRA: - Quietinho... Shh!

Ela desamarra o cordão que prende a camisola ao pescoço dele, baixando-o até a altura da virilha. Percebe os pelos eriçarem e os músculos contraírem.

ENFERMEIRA: - Nossa... Estou vendo algumas equimoses aqui...

Ela circunda as manchas arroxeadas na lateral do corpo de Mulder, com as pontas das unhas. Sente-o estremecer ao leve toque.

MULDER: - (CLAMANDO) Isso é tortura...

Ela molha os dedos na vasilha, elevando-os acima do abdômen dele, fazendo com que pequenas gotinhas geladas caiam-lhe sobre a pele quente. Mulder se contorce na cama. A enfermeira o fita lasciva, com expressão infame.

ENFERMEIRA: - (PROVOCATIVA/ OLHANDO PARA ONDE A CAMISOLA MAL COBRE O CORPO DELE) Nossa, mas o que é isso? Uma reação espontânea de um conjunto de músculos continuamente adormecidos?

MULDER: - (CÍNICO) Quem sabe você não examina? “Ele” está sempre assim mesmo. Pode ser crônico?

A enfermeira retesa o cenho, mordendo os lábios, interrogativa. De súbito, puxa a camisola, deixando-o inteiramente nu a sua frente.

ENFERMEIRA: - Nossa... (FINGE TOSSIR). Hum, hum... Bom, pelo que vejo, há alguns sinais...

MULDER: - (ARFANDO) Qua-quais?

ENFERMEIRA: - Bom... Pode ser alguma reação inflamatória...

MULDER: - Como? Poderia me explicar?

ENFERMEIRA: - Bem... Vou simplificar para você, senhor... Oh desculpe, Mulder (SEM DESVIAR OS OLHOS)... Inflamação tem quatro sinais básicos... Calor é um deles.

Ela delicadamente toca a “área”. Mulder solta outro gemido.

ENFERMEIRA: - (CÍNICA) Sim... Está muito quente mesmo. Sente isso?

MULDER: - (NERVOSO) Estou queimando... Sinto, acredite que eu sinto...

ENFERMEIRA: - Continuando... Outro sinal é rubor, uma área avermelhada causada por hiperemia. Bom, isso eu nem preciso dizer... O outro é tumor, que significa aumento de tamanho... (RI)... Err... Isso me parece mais uma hipertrofia... Quer dizer, está mais para uma hiperplasia...

Mulder dá um sorrisinho cínico.

MULDER: - Hiperplasia?

A enfermeira retesa os lábios contendo o riso. Mulder continua a fitando com curiosidade. Ela não aguenta e começa a gargalhar.

MULDER: - O que é? O que foi?

ENFERMEIRA: - Ah Mulder, eu não consigo persistir nisso!

Mulder livra-se das amarras e senta-se na cama, tirando o cap e a peruca loira platinada dela.

MULDER: - (BEIÇO) Ah Scully! Nem para realizar essa fantasia!

SCULLY: - (GARGALHANDO) Não dá Mulder! Dessa vez eu tive que rir! Precisava ver a sua cara!!

MULDER: - Ah é? Você vai ver o que tem para rir agora!

Ele a segura pelo quadril, fazendo-a sentar-se sobre ele. Arranca com força o uniforme, logo depois rasgando a lingerie branca, deixando-a somente com as meias 7/8 .

SCULLY: - (ATÔNITA) Mulder!! Isso tudo custou caro!!

MULDER: - Mesmo? Lembra daquela vez em que deixei a barba crescer, coloquei brinco e fiz cara de mau só para te realizar? Dá no mesmo Scully!

SCULLY: - Espere aí! Pois eu pintei as unhas de preto, fiquei uma verdadeira punk também! Nisso estamos quites. Ei, o que está fazendo?

MULDER: -Pois o quarto sinal da inflamação eu quero que você sinta! Dor!

De súbito ele coloca-se dentro dela.

SCULLY: -Hum... Mulder... Isso não é bem dor... humm...

Ele puxa os lábios dela sobre os seus, sugando-os. Scully enleia sua língua na dele, tirando-lhes o pouco fôlego que ainda possuem. Ele move-se frenético sob ela, que o acompanha, fazendo a cama toda ranger. O som estridente do telefone os tira brevemente do transe, porém, Scully continua enlouquecida.

MULDER: - (AFÔNICO) Preciso atender Scully...

A secretária liga, e a voz de Skinner surge.

SKINNER (OFF): - Mulder, atende, sei que está aí. Ocorreu um fato estranho em uma estrada em Utah. Possivelmente um Arquivo X. Acho que encontramos a ‘coisa’ do Carter.

Scully olha sôfrega para Mulder, sem parar de se mover, fazendo beiço. Ela estende o braço, tirando o telefone do gancho com dificuldades, entregando a Mulder, que a fita em pânico. Mulder atende.

MULDER: - (PÂNICO/ SEM FÔLEGO) Mulder...

SKINNER (OFF): - Mulder, onde está a Scully?

MULDER: - Hummm... A... Scully? Ela...

Scully desce a boca até os mamilos dele e começa a mordiscá-los. Mulder revira os olhos, tapando a boca com uma das mãos, tentando conter os gemidos.

SKINNER (OFF): - Mulder? Ainda está aí? O caso é importante! Estão com o avião marcado para daqui a 30 minutos...

MULDER: - (ÊXTASE) Uuuhhhhhhh...


Corta para Skinner em sua sala, elevando o telefone a altura de seus olhos, olhando impassivo. Aproxima-o novamente ao ouvido.

SKINNER: - (INDIGNADO) Mulder? O que está havendo aí?


Corta para o apartamento de Mulder.

Scully sobre com a língua no peito de Mulder, passando por sua boca entreaberta. Continua movendo-se, agora mais rapidamente. Mulder tenta largar o telefone, mas ela o impede.

MULDER: - Senhorrrrr... A Sculliiiieeeeeeeeee...

Com alívio, ouve Skinner desligar. Atira o fone longe, enquanto agarra o bumbum de Scully com força, girando-a, ficando sobre ela.

MULDER: - Malvada... Cruel...

Mulder alcança a echarpe branca e amarra os pulsos dela nas grades da cama, com os braços afastados. Ela apenas clama por ele.

SCULLY: - (CHOROSA) Meu Mulderzinho malvado... Faz coisinhas comigo, seu sadomasoquistazinho...

MULDER: - Coisinhas não, Scully. Coisonas!

SCULLY: - Humm... Que ameaçazinha é essa? Tô com medinho!

Mulder a segura pelo quadril, movendo-se quase que violentamente. Scully vira o rosto de um lado para o outro, enquanto fala entre gemidos.

MULDER: - Admite que eu sou o cara mais gostoso que você já conheceu...

SCULLY: - Ohh... Ahhh... Não... Não é...

MULDER: - Pois eu te farei confessar...

Ele diminui o ritmo, fazendo com que ela própria comece a mover-se sob ele.

SCULLY: - Mais Mulder, mais... Anda de uma vez seu... Seu... Seu...

MULDER: - Seu o quê?

SCULLY: - Seu gay...

MULDER: - (ATÔNITO) Gay??? Tá bom Scully! Vai ter o seu orgasmo sozinha, ok?

Ele ameaça sair, mas ela o segura com as pernas. Desvencilha uma das mãos, e desamarrando a echarpe, o envolve com o pano, puxando-o para si. Com uma força que ele desconhece, ela rapidamente vira os dois, ficando por cima dele novamente.

MULDER: - Como você fez isso, baixinha?

SCULLY: - Vamos começar o nosso rodeio! Wohoooooo!!

MULDER: - ???

Scully começa a pular sobre ele, violenta, enquanto balança a echarpe nas mãos, como se fosse laçar alguém. Mulder segura-se nas grades da cama, enquanto contrai o rosto de prazer.

MULDER: - Tá louca mulher! Vão chamar os bombeiros para jogarem água aqui!!! A cama vai quebrar!

Ele apenas ela atônico. Scully “cavalga” cada vez mais forte, gritando.

MULDER: - (DEBOCHADO) Se eu não me quebrar primeiro!!

SCULLY: - (FORA DE SI) Aaaaaauuuuuuuuuuuuuu auu auuuu!!!!!!!!!!!!! Muuuldddeeeerrrrrrrr!!!!!!!!

Depois de alguns segundos, Mulder acaba entrando na sinfonia de gritos, logo depois se deixando cair acabado no colchão. Mas Scully não pára.

MULDER: - (PÂNICO) Pára criatura! Você vai me deixar totalmente estéril desse jeito!

SCULLY: - Só mais um pouquinho... Hum... Um pouquinho...

Logo depois, ela se joga sobre o corpo dele, parecendo unir-se um ao outro pelo suor que lhes banha o corpo.

MULDER: - O que te aconteceu Scully?

SCULLY: - Quatro!!! Quatro!!!!

MULDER: - (CONFUSO) Quatro??? Quatro o quê???

Ela o fita pervertida.

SCULLY: - Você sabe muito bem do que eu estou falando Mulder!

MULDER: - (INCRÉDULO) Quatro?... (INCRÉDULO AINDA) Quatro Scully??? Tudo isso?

SCULLY: - Cinco!!!

Ele olha pra ela segurando um sorriso debochado.

SCULLY: - (ORGULHOSA) Já tive seis uma vez...

MULDER: - Seis?? Mas isso já é disfunção!

Ela sai de cima dele. Ofegante. Jogada na cama.

SCULLY: - Que nada! Pois há mulheres que tem poliorgasmos. Essas sim são as felizardas...

MULDER: - Poliorgasmos?

SCULLY: - (OFEGANTE) A mulher que consegue essa façanha... se mantém em um pico de prazer tão alto, que ela não precisa de novas fazes de excitação... Vem um atrás do outro, em segundos, sem parar.

MULDER: - Nossa....onde aprendeu isso? No seu compêndio de “ninfomaníaca”?

SCULLY: - Não, na revista ELLE mesmo... (DEBOCHADA) Pobrezinho do meu Mulderzinho... Nunca vai ter orgasmos múltiplos... E já teve oportunidade para isso!

MULDER: - Nem me lembre daquilo Scully...

SCULLY: - Vai dizer que não gostou de ser eu? Poder tocar o meu corpo o tempo inteiro? Pois eu fiz isso....

MULDER: - (PÂNICO) O quê??

SCULLY: - Acha que não aproveitei? Além de saber o que é ter 1.98 metros, eu não iria perder a oportunidade de saber como é que o homem se sente....

MULDER: - (RECEOSO/ASSUSTADO) Não.... você não fez isso.....

SCULLY: - Como os homens são bobos! Olha, pois fiz sim! E te digo: é muito parecido com o feminino, só que menos intenso... E quando você quer mais, não funciona! Como eu te disse outra vez... a sensação de “englobar” alguma coisa é mais poderosa.....

MULDER: - (PÂNICO) Tá, chega, não precisa humilhar... Eu não acredito! Eu não te violei, sua... sua...

SCULLY: - Sua o quê Mulder?

MULDER: - Ninfomaníaca, tarada sexual! Me estuprou! E eu não pude me defender!

SCULLY: - Tadinho dele... Tão grandão e gostosão, e nem ao menos consegue se defender... homens... definitivamente, uma raça em extinção... vocês que se cuidem! Várias espécies de animais evoluíram para uma reprodução sem o sexo masculino... Por que você acha que no reino animal é sempre uma fêmea que lidera hein?

MULDER: - Ahá!! Os leões machos lideram!

SCULLY: - Lideram nada!!! As fêmeas formam verdadeiros clãs entre elas, com os filhotes, e quando querem, expulsam com facilidade o leão vagabundo que não faz nada a não ser dormir. E ainda que se acha no direito de comer primeiro que os outros. Com os primatas é a mesma coisa. Aliás, foi você quem me ensinou a assistir o Discovery, Mulder. Canal educativo... Pois lá mesmo, passa a todo momento, que são as fêmeas que escolhem qual o melhor parceiro... Não adianta, lideramos o mundo e vocês cegos não enxergam... Sempre por trás de um homem há uma grande uma grande mulher... Daqui a algum tempo os homens estarão confinados em gaiolas especiais, para simples deleite das mulheres, ou para servirem unicamente para reprodução....

MULDER: - Que ridículo Scully! Sempre condena o machismo, mas está do outro lado da moeda! Feminismo é fake!

SCULLY: - Não sou feminista Mulder. Sou realista. Não defendo as mulheres realmente, estou te relatando o que a genética nos proporcionou. Mas é só pensar nisso... A mulher é um ser deveras mais complexo que o homem... Tudo nela é intrínseco, nebuloso. Por que você acha que os autores de livros e novelas gostam mais de colocar uma mulher como a heroína, a protagonista? Justamente por que há 1001 possibilidades para com ela, com seus sentimentos complexos, com suas conjecturas. O homem é simples demais! Se até o sistema reprodutor não é auto-suficiente! Precisa do urinário para funcionar! Além de que vocês nunca percebem nas “entrelinhas”. Enxergam somente o que está na frente, como cavalos. Se tapam os seus olhos, tudo fica negro. Se lhe abrem as vistas, só enxergam o que a retina metaboliza como imagem..

MULDER: - (INDIGNADO) Chega Scully! Iremos discutir esse assunto até que a colonização comece!

SCULLY: - Homens... Não conseguem admitir que nós mulheres sempre temos argumentos mais convincentes, enquanto eles se projetam com frases plangentes e ínfimas...

Mulder faz expressão de cínico chato, enquanto vira o rosto para o criado mudo. Então é que se dá conta de que ‘é homem’ e se esqueceu de alguma coisa.

MULDER: - Scully! O Skinner nos chamou!

Mulder levanta da cama, ao passo que Scully lhe aperta o bumbum.

MULDER: - Ai!! Da próxima vez corta essas unhas Scully!

SCULLY: - (OLHANDO PARA O TRASEIRO DELE, MORDENDO OS LÁBIOS) Homens... Podem ser o que são... Burros, intransigentes, fracos... Mas precisamos admitir... A compleição física nos ultrapassa há anos luz... Não tem celulite...Os músculos são naturalmente rijos e salientes, a gordura é interna, e não subcutânea, como nas mulheres... Flacidez eles só irão saber o que é quando estiverem nas últimas, podem comer até pedra, mas continuam sempre iguais... Não menstruam, não tem TPM... Fazem xixi em pé, podem ir à praia sem ter que tapar os seios e ficar se cuidando para que não comentem nada sobre aquela estria que está aparecendo no quadril... Ai, ai... Quem dera eu tivesse uma bunda assim...

Mulder, ainda nu, na pia do banheiro, faz a barba.

SCULLY: - E ainda precisamos deles para.....

MULDER: - Quer parar de olhar para o meu traseiro Scully? Eu sei que ele é lindo, mas não precisa secar!! Desse jeito ele vai ficar como um maracujá enrugado!

Ela se levanta com raiva e bate com a porta do banheiro com força.

MULDER: - E ainda roxo! Aii!!

SCULLY: - Da próxima vez eu faço isso quando você estiver de frente!!

Ambos ficam quietos durante alguns segundos.

MULDER: - (MANHOSO) Scully......

SCULLY: - (CÍNICA) O que querido?

MULDER: - O que é hiperplasia?

Scully cai na cama às gargalhadas. Ele abre a porta do banheiro, ainda nu, e a fita curioso.

MULDER: - Hein, o que é?

SCULLY: - Ora, você não é esperto? Descubra você mesmo!

MULDER: - (IRRITADO) Você é má, Scully! Muito má!

SCULLY: - (RINDO)

MULDER: - Ô Scully, sabe o que aconteceu com a minha jaqueta de camurça?

X

NOTA: A cena quente final foi escrita por Angel Scully.

20/09/2000

9 Août 2019 04:05:19 0 Rapport Incorporer 1
La fin

A propos de l’auteur

Lara One As fanfics da One são escritas em forma de roteiro adaptado, em episódios e dispostas por temporadas, como uma série de verdade. Uma alternativa shipper à mitologia da série de televisão Arquivo X. https://www.facebook.com/laraone1

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