S04#11 - IN THE CORNER OF SOME FOREIGN FIELD Suivre l’histoire

lara-one Lara One

Aventura solo do nosso querido diretor-assistente. Skinner pede a ajuda do ‘psicólogo Mulder’, porque encontra alguns fantasmas do passado que retornam. O que eles poderiam estar dizendo a Skinner? Ele vai entender? Fic em parceria: One & Sam.


Fanfiction Série/ Doramas/Opéras de savon Interdit aux moins de 18 ans.

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S04#11 - IN THE CORNER OF SOME FOREIGN FIELD

INTRODUÇÃO AO EPISÓDIO:

[Som: The Hero’s Return – Pink Floyd]

A floresta fechada. Som das bombas que caem do céu, destruindo folhagens, árvores e tudo o que está em seu caminho.

Cinco soldados americanos correm por entre as folhagens, armados, tentando fugir do ataque aéreo. Sujos de lama, molhados, dois deles feridos. Corta para Skinner, (na mesma idade atual), num uniforme de fuzileiro, sujo de barro até o rosto.

SKINNER: - (GRITA) Por aqui!

Os homens o seguem. Um deles é atingido por uma das bombas. Skinner pára. Olha pra trás. O soldado 1 o puxa pelo braço. Skinner olha pra ele, mas não vê seu rosto.

SOLDADO 1: - (GRITA) Vamos, senhor! Não há nada que possamos fazer!

Skinner fica olhando pro soldado caído ao longe. Também não vê seu rosto. O soldado 1 o puxa.

SOLDADO 1: - (GRITA) Vamos, senhor!

SKINNER: - (RAIVA) Malditos desgraçados! Estão matando os seus!

SOLDADO 1: - (DESESPERADO) Vamos dar o fora, senhor! Eles não sabem que estamos aqui, não temos como nos comunicar. Não sabem que somos do mesmo time!

Skinner fica olhando pro soldado caído. Percebe que ele consegue se mexer e grita por ajuda. As bombas continuam caindo.

SOLDADO 1: - Ele vai morrer, não temos como ajudá-lo!

Skinner dá as costas e corre, ao lado do outro soldado, entrando na densa floresta.

SOLDADO FERIDO: - Me ajuda!!! Walter, me ajuda!!!!! Eu não quero morrer!!!! Eles vão me matar!!!! O meu próprio país vai me matar!!! Ele é o nosso inimigo!

Corte.


TEMPO ATUAL:

Skinner acorda-se num sobressalto, sentado-se na cama. Rosto correndo suor, medo e pavor em seus olhos.

SKINNER: - Eu não o salvei... Eu não o salvei...

Skinner põe as mãos no rosto, derrubando lágrimas.

VINHETA DE ABERTURA:


BLOCO 1:

Gabinete do diretor assistente – 4:12 P.M.

Skinner ao telefone. Fisionomia de quem está levando a maior bronca.

SKINNER: - Sim, senhor, eu entendi... Sim... Prioridade... Certo.

Skinner desliga. Olha pra Mulder e Scully.

SKINNER: - Ele os quer agora no Oregon.

MULDER: - Mas, senhor...

SKINNER: - (GRITA) O problema é de vocês! Quero que vão agora pro Oregon e resolvam esse caso!

MULDER: - (CALMO) Skinner, eu só quero que entenda...

SKINNER: - (RÍSPIDO) Não quero entender nada, agente Mulder. Não vou colocar meu pescoço pra encobrir a saída temporária de vocês. Estou cansado disso!

MULDER: - (IMPLORANDO/ DESESPERADO) Tudo que peço é apenas um dia pra verificar a informação... Pode ser que desta vez eu encontre o meu filho. Por favor, me dê apenas 12 horas e...

SKINNER: - (INDIFERENTE) Saia daqui, Mulder. Vocês têm um caso pra resolver em menos de 24 horas. Isto é o que importa.

Mulder e Scully se olham. Levantam-se. Saem tristes, em silêncio. Mulder olha pra Skinner, lhe pedindo com os olhos. Skinner finge que não o vê. Mulder abaixa a cabeça e sai. Skinner senta-se novamente. Está nervoso, diferente.


6:11 P.M.

Skinner sai do prédio. Fisionomia séria, distante. Olha pro relógio. Caminha apressado pela calçada.

Na direção oposta, Yasmin vem caminhando de encontro a ele. É uma mulher de uns 46 anos (nada aparentáveis), oriental, cabelos longos e lisos amarrados. Num tailleur impecável.

Os dois se esbarram.

YASMIN: - Me desculpe...

Os olhares se trocam. Ficam parados, se olhando. Skinner abaixa a cabeça.

SKINNER: - Desculpe, senhora. Achei que a conhecia de algum lugar...

YASMIN: - Walter?

Ele olha pra ela.

SKINNER: - Yasmin?

Os dois abrem um sorriso ao mesmo tempo. Ela põe a mão no rosto, incrédula, olhando-o de cima a baixo.

YASMIN: - Walter Skinner? É você mesmo?

SKINNER: - (SORRI) Com uns 30 anos a mais...

YASMIN: - Meu Deus! Eu... Eu nem posso acreditar!

SKINNER: - Você continua igual. Não mudou nada.

YASMIN: - Ora, por favor, Walter. Não sou mais nenhuma adolescente... Está com pressa?

SKINNER: - Pra dizer a verdade eu tinha um compromisso. Mas acho que não tenho mais. Vamos ir pra algum lugar conversar?

YASMIN: - Claro.

SKINNER: - Vou chamar um táxi. Deixei meu carro no conserto.

Os dois saem lado a lado.

YASMIN: - Walter nem sabe há quanto tempo eu tento encontrar você.

SKINNER: - Sério? Ia te perguntar o que faz por aqui?

YASMIN: - ... Bem, é uma longa história...

SKINNER: - E não conseguiu me encontrar? Se eu soubesse que estava aqui, teria ido atrás de você...

YASMIN: - E você? O que está fazendo? Pelo jeito aposentou a farda.

SKINNER: - Trabalho no FBI.

YASMIN: - Ah, vamos ter muito pra conversar mesmo.


Cafeteria George-Washington - 8:13 P.M.

Os dois conversam sentados à mesa. Yasmin revira o copo de suco com o canudinho.

YASMIN: - Então realmente muita coisa mudou.

SKINNER: - Bastante. Sabe que acho que tive um pressentimento sobre esse nosso reencontro?

YASMIN: - Por que diz isso?

SKINNER: - (NERVOSO) Há um mês estou tendo sempre os mesmos sonhos... Estou na guerra. Acordo suado, assustado, aos gritos.

YASMIN: - Trauma?

SKINNER: - Não, eu... Eu tive há alguns anos atrás um problema semelhante e... de certa forma estão ligados, mas... Esse sonho é diferente. Sempre me vem a lembrança de um soldado durante aquele ataque aéreo americano. O mais estranho é que não abandonei aquele soldado. Eu o levei, ele morreu antes de você me encontrar. Mas no meu sonho, eu o abandono à morte.

YASMIN: - Já tentou fazer uma sessão de terapia?

SKINNER: - Já fiz isso por muitos anos e não resolveu em nada da outra vez. Acabou foi no meu divórcio. Acho que o psicólogo entregou minha vida particular a homens que queriam obter um maldito pretexto pra me afastar do FBI ou me fazer ficar acuado. Eu estava começando a dar ouvidos a um grande amigo que tenho hoje. Pra eles isso era um perigo.

YASMIN: - ... Talvez seja um símbolo, alguma coisa presa no seu inconsciente. Ou o espírito dele está lhe pedindo justiça. Ou talvez uma mensagem telepática...

SKINNER: - (TENSO) Eu só sei que preciso me livrar disso. Estou com medo de dormir.

YASMIN: - ...

SKINNER: - Você disse que chegou aqui há 25 anos. Por que veio?

Ela sorri, numa fisionomia de recordação. Abaixa a cabeça, timidamente. Ergue-a. Olha pra ele.

YASMIN: - ... Vim atrás de você.

Skinner olha ternamente pra ela.

YASMIN: - (CONSTRANGIDA) Sei que parece loucura, mas eu... Eu cheguei aqui, tentei te encontrar. E o tempo foi passando, eu fiquei, perdida por aí...

SKINNER: - E sua família?

YASMIN: - Perdi muitos na guerra, como você sabe. Mas meu pai continua vivo em Hanói.

Skinner sorri.

YASMIN: - Mas eu não me casei.

SKINNER: - Sorte sua.

YASMIN: - (SORRI) ... Mas tenho um filho que amo de paixão.

SKINNER: - Pelo menos você teve um filho...

YASMIN: - Não teve filhos, Walter?

SKINNER: - (ENTRISTECIDO) Não fui um dos premiados da vida, Yasmin. Eu não tinha tempo... Agora eu percebo que minha vida teria outro significado se eu tivesse tido um filho. Pelo menos, me restaria alguém depois do divórcio.

YASMIN: - (TRISTE) Sabe, Walter, que muitas vezes eu me perguntava se a minha vida teria sido diferente se eu tivesse te encontrado? Agora me pergunto novamente.

SKINNER: - (TRISTE) Yasmin, eu... Eu passei anos da minha vida lembrando de você. Me perguntando onde você estaria, como estaria. Eu posso dizer que te amei. E te amei muito. Tinha você na minha cabeça... Pensei em voltar várias vezes, mas... tinha medo de encontrar outra pessoa, com uma vida diferente... Eu não pertencia aquele mundo... E você não pertencia ao meu.

YASMIN: - Destino, Walter. Talvez não fosse pra ficarmos juntos...

Skinner abaixa a cabeça. Triste.

SKINNER: - Você é a pessoa mais inesquecível na minha vida.

YASMIN: - (SORRI MEIGA) Você também, Walter.

SKINNER: - Você me permitiu estar sentado aqui hoje, vivo, respirando... Você me salvou, Yasmin. E eu nunca vou poder pagar por isso.

YASMIN: - Os momentos que tivemos juntos são as melhores recordações que tenho. Esse é o pagamento, Walter... Eu não sei quem me pôs no seu caminho... Nunca encontrei explicações pras coisas que me fizeram achar você e...

SKINNER: - Não tente, Yasmin. Nunca vai encontrar as respostas.

Ela olha pro relógio.

YASMIN: - Walter, me desculpe. Mas tenho de encontrar meu filho. Ele é um bom rapaz, mas é muito teimoso e obstinado. Preciso puxar suas orelhas.

Skinner sorri. Ela tira um cartão da bolsa.

YASMIN: - Me liga, Walter. Estou morando na Virgínia. Não vamos mais perder o contato.

Skinner entrega seu cartão. Ela observa. Abre um sorriso.

YASMIN: - Diretor assistente? Tenho um amigo que é diretor assistente no FBI?

Os dois se olham ternamente. Ela levanta-se.

YASMIN: - Walter... Nem sabe como foi bom rever você. Foi como se eu finalmente tivesse cumprido meu objetivo.

SKINNER: - Bom ver você também, Yasmin.

YASMIN: - Me liga.

SKINNER: - Ligarei com certeza.

Ela sai. Skinner a acompanha com os olhos.


Apartamento de Skinner – 12:33 A.M.

Skinner acorda num sobressalto. O telefone toca. Ele dá um pulo, assustado. Faz uma cara de indignação. Atende.

SKINNER: - Alô? ... O que aconteceu, Mulder? ... Não, sabe que não... Mulder, pela última vez eu vou dizer: vá atrás de Gómez e o interrogue. Ele sabe mais do que diz... Como assim Gómez está morto? ... Ahn? Eletrocutado por enguias? Mulder, pelo amor de Deus, me ligue quando tiver uma resposta convincente e provas disso!

Skinner desliga. Levanta-se. O telefone toca. Ele suspira. Atende.

SKINNER: - Alô? ... Não, Scully, eu não estava dormindo... Sim... Como? ... E não encontrou vestígios no cadáver? ... Scully, liga pro Mulder e veja o que está acontecendo. Ele diz que Gómez está morto. Faça a autópsia e verifique a causa mortis. Quero isso amanhã cedo na minha mesa...

Skinner desliga. Senta-se na cama. Põe as mãos no rosto.

SKINNER: - Férias... Eu preciso de férias... Umas boas férias, longe daqueles dois malucos, daqueles Arquivos X, daquela sala... Eu só quero um tempinho pra mim... Ninguém pensa que o sério diretor assistente Skinner também sente cansaço, frustração, precisa de férias, relaxar... E pensar um pouco na vida dele. Sair da rotina. A solidão às vezes cansa.

Skinner pega os óculos. Coloca-os. Veste um robe. Caminha até a sala. Pega um livro na estante. Senta-se na poltrona.

Batidas na porta.

Skinner levanta-se. Abre a porta. Frohike está parado.

FROHIKE: - Estava passando e como perdi meu parceiro de boliche pra uma ruiva baixinha, pensei em arranjar um parceiro novo.

Skinner dá um sorriso.

SKINNER: - Me dá cinco minutos.

FROHIKE: - Vai nessa, ‘chefão’.

Skinner sai correndo pro quarto. Frohike coloca as mãos no bolso e começa a assoviar.


Gabinete do Diretor-Assistente – 9:48 A.M.

Skinner lê alguns relatórios sobre a mesa. A secretária entra. Larga uma caneca de café pra ele.

SKINNER: - Obrigado.

Ela sai. Ele pega a caneca e bebe um gole, sem afastar os olhos do relatório.

VOZ: - Walter...

Ele ergue a cabeça.

Geral da sala. Não há ninguém. Skinner balança a cabeça, volta a se concentrar.

VOZ: - Walter, não me deixa morrer. Sou seu soldado. Me ajuda a ganhar essa guerra.

Skinner ergue a cabeça. Não vê nada. Larga a caneca sobre a mesa. Tira os óculos. Coloca as mãos sobre o rosto. A secretária entra com mais papéis.

SECRETÁRIA: - Algum problema, senhor?

Skinner tira as mãos do rosto.

SKINNER: - Não, nada. Apenas cansaço. (SORRI) Resultado de ficar acordado até as três jogando boliche...

A secretária sorri. Sai. Skinner abre a gaveta. Pega o cartão de visitas. Observa. Pega o telefone e liga.

SKINNER: - ... Yasmin?

Skinner vira-se com a cadeira. Olha pela janela.

SKINNER: - Yasmin? ... Me desculpe, ligar, mas... Quer almoçar comigo? Eu... eu preciso conversar... (SORRI) ... Eu... Sabe as coisas que falei pra você? ... Comecei a ouvir vozes...


5:16 P.M.

Skinner lê o relatório.

Corta pra Mulder e Scully sentados. Mulder comendo sementes de girassol. Scully com olheiras enormes. Skinner tira os olhos do papel e olha pra eles.

SKINNER: - (INCRÉDULO) Enguias?

SCULLY: - ...

SKINNER: - Agente Scully...

SCULLY: - Senhor, não posso confirmar nada do que Mulder afirma. Mas a causa mortis de Pablo Gómez foi eletrocussão.

SKINNER: - (ENLOUQUECIDO) Mas quantas enguias seriam preciso pra matar um homem com uma descarga de mil watts?

SCULLY: - ... (ATRAPALHADA/ SEM EXPLICAÇÃO LÓGICA) Bem, er...

MULDER: - A pergunta não é quantas, Skinner. Mas que tipo de enguia.

SKINNER: - E que tipo de enguia, agente Mulder?

MULDER: - Uma enguia gigante.

Skinner chega a relaxar os ombros, desanimado. Suspira. Mulder levanta-se, empolgado. Scully o observa.

MULDER: - Pergunte pra Scully. Ela viu! Skinner, era uma enguia de uns 10 metros...

SKINNER: - Mulder...

MULDER: - Tá, uns 8...

SKINNER: - Mulder...

MULDER: - Na verdade tinha cinco, mas era um bicho enorme!

SKINNER: - Mulder...

MULDER: - O que é?

SKINNER: - Vai tomar um café, tá?

Scully segura o riso.

MULDER: - Mas, Skinner...

SKINNER: - Mulder... Café, por favor.

SCULLY: - Senhor, eu posso afirmar que vi a enguia mas não posso confirmar se ela é responsável pela morte de Pablo Gómez.

SKINNER: - (EM DESESPERO) Enguias gigantes... matando gente eletrocutada... Ai, meu Deus! Eu devia ter sido faxineiro!

Scully olha com piedade pra Skinner.

SKINNER: - Saiam os dois daqui agora! Eu não quero saber dessa enguia. Já estou eletrocutado com problemas o suficiente!

Scully levanta-se. Vai saindo com Mulder. Skinner olha pra eles.

SKINNER: - Mulder.

Mulder vira-se.

SKINNER: - (RELUTANTE) Eu... Eu preciso da sua ajuda.

Scully olha pra Mulder. Sai, fechando a porta. Mulder aproxima-se de Skinner.

MULDER: - Aconteceu alguma coisa?

SKINNER: - Não gostaria de falar isso aqui, eu...

MULDER: - Estarei no meu apartamento a noite toda.

SKINNER: - ...

MULDER: - (DEBOCHADO) A Scully não estará. Hoje é noite de ‘recauchutagem’. Depilação, unhas, pintura nos cabelos... Fofocas... Imagina se volta antes das quatro da manhã!

Skinner sorri. Mulder retribui o sorriso. Dá as costas e sai, fechando a porta atrás de si. Skinner olha pra porta, mais aliviado.


BLOCO 2:

Apartamento de Mulder – 8:17 P.M.

Mulder sai da cozinha trazendo dois copos, um balde de gelo e uma garrafa de uísque. Senta-se na poltrona. Serve os copos. Skinner está sentado no sofá, cabisbaixo.

MULDER: - Vai, amigo. Bebe um pouco. Isso ajuda.

Skinner pega o copo. Mulder olha pra ele.

MULDER: - Sharon?

SKINNER: - Não, não nos falamos há um bom tempo.

MULDER: - Keva do Nepal?

SKINNER: - (SORRI) Não. Soube que casou e deixou o Himalaia.

MULDER: - (SORRI) Tem gata nova no pedaço...

SKINNER: - Pra falar a verdade não. Eu reencontrei uma antiga amiga.

MULDER: - Amiga? Ah, pára com isso, Skinner! Eu também tenho uma ‘amiga’...

SKINNER: - (SORRI) Na verdade foi muito estranho tê-la reencontrado num momento como esse. Ela está nesse passado que está me atormentando.

Mulder ajeita-se na poltrona.

MULDER: - Que passado?

SKINNER: - Lembra-se de quando, há alguns bons anos atrás, eu entrei na sua sala e pedi para que não desistisse de tudo?

MULDER: - ... Eu...

SKINNER: - (NERVOSO) Eu falei pra você que havia tido uma experiência estranha. Que morri por algum tempo...

MULDER: - (ASSUSTADO) O sucubus... Ela voltou?

SKINNER: - Não, mas...

MULDER: - ...

SKINNER: - Eu... Eu começo a pensar que deveria ter morrido. Que a pessoa que morreu, talvez deveria estar viva. E agora me cobra isso por sonhos. O mais estranho é que eu sei quem eles eram, mas não consigo ver seus rostos.

MULDER: - Skinner, que história é essa? Tem alguma coisa a ver com o que eles armaram pra você, com o assassinato daquela prostituta e ...

Skinner está tenso. Olha pra Mulder.

SKINNER: - Não Mulder. Desta vez é outra coisa. Tenho tido sonhos estranhos novamente... Mas com um dos soldados que morreu.

MULDER: - Quer me contar esse sonho?

SKINNER: - Acho melhor te contar o que aconteceu... Sei que você havia me perguntado isso há muito tempo. E eu não quis falar.

MULDER: - ...

SKINNER: - Não quero que pense que não contei naquele dia por não confiar em você.

MULDER: - Ora, Skinner... Naqueles tempos nem eu sabia de que lado você estava.

SKINNER: - Mas eu sabia quem você era. Sabia que poderia confiar em você. Mas não confiava nela. Ela estava sempre com as antenas funcionando, captando tudo... Com aquela fisionomia nonsense, como se fosse uma cínica patológica... Me desculpe. A desconfiança nos faz muitas vezes pensar coisas erradas sobre as pessoas...

MULDER: - ... Acha que eu confiava na Scully?

SKINNER: - (OLHA PRA ELE) ...

MULDER: - Naquela época eu confiaria minha vida a um cachorro, mas nunca pra Scully. Não se culpe por isso. Cheguei a pensar algumas vezes que haviam colocado uma mulher ali só pra me seduzir, sabendo do meu ponto fraco.

SKINNER: - ...

MULDER: - Fala, Skinner. Eu espero ouvir isso há muitos anos...

SKINNER: - Como eu cheguei a comentar pra você, eu passei por aquela experiência como qualquer garoto de 18 anos numa guerra... Drogado.


FLASH BACK

Vietnã – 1975 – Imediações de Saigon

O grupo de 5 soldados caminha por entre a floresta úmida e fechada, que mal deixa penetrar a luz do sol. Skinner está entre eles. Todos jovens com pouco mais de 18 anos: Todd, vem observando atento, na frente, com o fuzil preparado. Skinner, também jovem, atrás dele, com o fuzil nos braços. Billy, o mais calado. Frank, o mais velho deles, vem conversando com Adam, que fuma um baseado.

FRANK: - E daí a safada me deu um beijo na virilha... Precisava ver...

ADAM: - A sua virilha? Acha que eu sou louco?

Eles riem.

FRANK: - Quando voltar, a primeira coisa que vou fazer é ir atrás daquela safada...

TODD: - Eu juro que vou comer um hambúrguer e tomar uma Coca-Cola bem gelada...

ADAM: - E você, Walter?

SKINNER: - Dormir. Na minha cama quentinha... Poder fechar os olhos, tranquilo, e realmente dormir. Sem barulho, gritos, sem mosquitos... sem vietnamitas.

FRANK: - Ah, pára com isso! Aposto que tem uma garota te esperando.

SKINNER: - Não. Mas juro que se sair vivo deste lugar, vou levar umas quatro pra cama de uma vez.

Eles riem. Adam passa o baseado pra Skinner.

FRANK: - E você, calado Billy? Já ficou chapadão?

Eles riem. Billy sorri. Seus olhos azuis refletem um brilho.

BILLY: - Conhecer meu filho.

ADAM: - Esse é esperto, deixou semente...

BILLY: - Ele nasceu há duas semanas e eu mal posso esperar pra conhecer o Lennon.

Frank pega o baseado.

FRANK: - Lennon? Que foda de nome é esse?

TODD: - John Lennon, seu imbecil. Beatles!

ADAM: - Escuta, você tá na Terra mesmo ou veio de outro planeta?

Eles riem. Todd sinaliza pra eles. Eles param. Ficam em silêncio. Preparam as armas. Tensão. Frank apaga o baseado. Adam observa atentamente a floresta. Suor escorrendo da testa. Medo nos olhos. A selva é tão fechada e verde, que misturada ao medo e tensão, confunde os olhos.

FRANK: - (MURMURA) Vietcongues safados... Estão nos espreitando...

SKINNER: - (MURMURA) Eles conhecem esse inferno como a palma da mão. Aí está a vantagem...

BILLY: - (MURMURA) Não sei o que vim fazer aqui... Essa guerra não é minha.

FRANK: - (MURMURA) Tá com medo, mulherzinha?

BILLY: - (MURMURA) Não. Ao contrário de vocês eu não sou um patriota burro. Eu não criei essa guerra. Sou tão vítima quanto esses amarelos.

FRANK: - (MURMURA) Tá passando pro lado dos Vietcongues?

Frank encosta o fuzil na cabeça de Billy. Skinner olha pra eles.

SKINNER: - (MURMURA) Abaixa isso, Frank. Está apontando a arma pro inimigo errado.

FRANK: - (MURMURA) Esse safado tá trepando com esses vietnamitas.

SKINNER: - (MURMURA) Pára com isso, Frank. Abaixa isso. O inimigo está escondido na floresta. Não entre nós.

Frank abaixa a arma e lança um olhar de ódio pra Billy.

FRANK: - (MURMURA) Seu covarde medroso.

BILLY: - (MURMURA) Não sou covarde. Estou dizendo que essa guerra já deveria ter terminado. Não tínhamos que estar aqui nos metendo nos problemas dos outros.

FRANK: - (MURMURA) Se falar mal da minha pátria de novo, eu vou estilhaçar esses seus miolos, seu merda!

SKINNER: - (MURMURA) Parem com isso! Não percebem que estamos tensos?

TODD: - (MURMURA) Nós vamos enlouquecer aqui.

Todos olham pra Todd. Ele observa a mata, atento. O brilho em seus olhos é de medo e pânico.

TODD: - ... (MURMURA) Estamos perdidos... Sem rádio... Sem remédios, sem socorro... Vamos todos morrer e nunca mais saberão de nós. A floresta é vasta. Nossos corpos serão mutilados pelos vietcongues e nossas famílias... nunca mais veremos nossas famílias...

FRANK: - (MURMURA) Cala a boca!

Todd vira-se e lança um olhar de ódio pra ele.

ADAM: - (MURMURA) E tudo que eu queria era estar beijando a minha namorada no drive-in...

FRANK: - (MURMURA) Olhem aqui, seus maricas...

Skinner vira-se pra ele.

SKINNER: - (MURMURA) Frank, pára com isso! Estamos todos com medo. Precisamos manter a calma. O momento agora é de união, ou não vamos conseguir escapar desta droga.

ADAM: - (MURMURA) Ele tem razão. Eu quero sair vivo daqui. E eu vou sair.

Eles continuam caminhando. Em silêncio. Todd na frente, Skinner atrás.

FRANK: - (DEBOCHADO) Ei, ‘sargento’? Onde está a maldita aldeia amarela que você falou?

ADAM: - Ou mentiu pra nós?

Skinner pára. Olha pra eles.

SKINNER: - Temos mais uma noite pra caminhar. Chegaremos pelo amanhecer. Vamos pegar mantimentos e com sorte, conseguiremos contato com os nossos.

Um som de algum pássaro. Eles param. Tomam posições. Medo.

TODD: - São eles. Os safados amarelos, eu sei. Comunicam-se assim.

SKINNER: - Espalhem-se. Podem estar nos armando uma emboscada.

Eles se espalham. Os tiros começam a vir. Eles revidam. Começam a sair vietcongues do meio das plantas. Em número maior que eles. O desespero é enorme. Frank começa a disparar a metralhadora.

FRANK: - (AOS GRITOS/ ATIRANDO/ FORA DE SI) Morram seu amarelos fedorentos!!!!! Morram! Desgraçados comedores de arroz!

Os tiros vão estilhaçando as folhagens. Vietcongues vão caindo. Skinner continua atirando.

SKINNER: - (GRITA) São em maior número que nós!

TODD: - (GRITA) A munição vai acabar.

SKINNER: - (GRITA) Não parem de atirar!!!!


TEMPO REAL:

Skinner abaixa cabeça. Mulder olha pra ele.

SKINNER: - (ANGUSTIADO) Não pode saber a sensação... Você pode morrer, o cheiro de morte é intenso. Cheiro de sangue, barulhos ensurdecedores de metralhadoras, os olhos não acompanham mais, você acaba atirando em tudo que se move, no desespero... Sabe que está longe, muito longe de casa. Que ninguém sabe sua localização. Se morrer, ficará ali. E pede pra morrer. Porque se ficasse vivo e ferido, os vietcongues o torturariam até a morte, arrancando partes do seu corpo...

Mulder fecha os olhos, angustiado.

SKINNER: - Eu sentia medo. Mas os reflexos eram mais rápidos. Cada um lutava ali pra viver... Só pra viver... Eu nem sei qual de nós estava mais chapado... Era a única maneira de encarar o inferno... E ainda assim, o medo prevalecia.

Corte.


Noite

[Som: The Post War Dream – Pink Floyd]

Os cinco sentados no meio da mata úmida. Adam espanta os mosquitos. Frank puxa um baseado. Skinner cabisbaixo, cansado. Todd termina de fazer um curativo em Billy.

TODD: - Pronto. Acho que agora vai estancar o sangue. Sorte que foi de raspão.

ADAM: - Maldita merda! Acabou o pó.

Eles riem.

ADAM: - Malditos amarelos! (ACENDE UM CIGARRO).

BILLY: - Malditos somos nós.

Todos olham pra Billy. Ele levanta-se.

BILLY: - (REVOLTADO) Nós que estamos aqui morrendo de graça! Num banho de sangue de anos, sem sentido algum!

Frank levanta-se e se aproxima de Billy. O aperta na garganta. Skinner levanta-se e segura Frank.

SKINNER: - (GRITA) Solta ele Frank!

FRANK: - (FURIOSO/ AOS GRITOS) Esse desgraçado comunista. Não honra a bandeira que carrega!

Billy permanece quieto. Medo nos olhos.

SKINNER: - (GRITA) Solta ele, Frank!

Frank o solta. Olha pra Billy e cospe no chão.

FRANK: - Comunista! Honre seu país, seu merda! Lute por ele!

BILLY: - (TRISTE/ INCONFORMADO) E quem vai lutar por mim agora? O meu país? Se eu morrer aqui serei mais um entre tantos, com direito a funeral, se acharem meu corpo e uma bandeira com um pedido de desculpas pra minha pobre e velha mãe. Uma pensão de nada pra minha garota e pro meu filho. Quem vai lutar por eles? (RI) O meu país?

FRANK: - Estou morrendo de pena de você, sua bicha. Vem aqui, vem. Vou te dar um trato.

SKINNER: - Frank!

FRANK: - Fala ‘sargento’.

SKINNER: - Cala essa maldita boca!

Frank encara Skinner.

FRANK: - (DEBOCHADO) O que foi, sargento? Quer a bichinha pra você?

Skinner o agarra pela camisa o encostando contra uma árvore. Os outros observam.

SKINNER: - (FORA DE SI/ COM ÓDIO) Se perturbar ele de novo eu vou cortar as suas malditas bolas e fazer você falar fino pro resto da sua maldita vida!

Os outros riem. Skinner o solta. Frank dá um sorriso cínico.

FRANK: - Tá certo, ‘sargento’. O garoto mal aqui não vai mais lhe causar problemas.

SKINNER: - ...

FRANK: - Só não se esqueça que ninguém sabe onde estamos. E que isto aqui é uma floresta. Ninguém vai sentir falta se um de nós ‘desaparecer’. Entendeu?

Todd olha pra Frank, com ódio. Skinner senta-se ao lado de Billy. Todd olha pra Skinner, lhe passando um baseado.

TODD: - Vai, sargento. Isso acalma os nervos. E todos nós estamos precisando.


Madrugada

Skinner e Billy fazem vigília. Dividindo um baseado. Os outros dormem.

BILLY: - (SORRI) É um menino.

SKINNER: - (SORRI)...

BILLY: - (SORRINDO) Nasceu com três quilos e meio... Garoto forte. Ela disse na carta que ele se parece comigo.

SKINNER: - Vai voltar logo, Billy. Vai conhecer o Lennon de perto.

BILLY: - Tô louco pra isso, cara. Quero pegar o meu filho, sentir o cheiro dele e...

Eles ficam em silêncio.

BILLY: - Escutou isso?

SKINNER: - Parece um helicóptero.

Os outros se acordam.

FRANK: - Que diabos está aconte...

[Som do helicóptero]

Eles sorriem.

FRANK: - (GRITA) Yahoooo!!!!!! A salvação chegou!

ADAM: - Tem uma clareira ali atrás. Vamos pra lá!

Frank olha pra Billy.

FRANK: - Tá vendo, comunista? Seu país veio te salvar, safado.

Eles correm pra clareira. Skinner olha pra cima.

SKINNER: - (SORRI) É americano!

FRANK: - Sim, é dos nossos!

Adam cai de joelhos, emocionado, olhando pro céu.

ADAM: - Meu Deus! Obrigado, meu Deus!

Eles começam a acenar com as armas. O helicóptero vai se afastando.

ADAM: - Acendam alguma tocha, acho que não nos viram!

Todd pega o isqueiro. Tira a camiseta às pressas e põe fogo. Começa a acenar em desespero.

FRANK: - Eles sabem que somos nós! Sabem que nos perdemos do batalhão durante aquela emboscada!

Frank tira uma bandeira americana da mochila. Acena para o helicóptero. O helicóptero volta.

SKINNER: - Eles nos viram!!!! Eles nos viram!!!

TODD: - Vamos sair dessa merda agora!

O helicóptero passa bem perto deles, os avistando, mas vai embora. Todd olha pra Skinner.

TODD: - Que diabos está acontecendo?

[Som de aviões]

A chuva começa a cair.

FRANK: - (COM OS BRAÇOS ABERTOS/ FESTEJANDO) Yahoooo!!!! Os Yankees chegaram mesmo!

Os aviões passam rasantes, disparando contra eles. Eles saem correndo pro meio da mata.

TODD: - Eles não sabem que somos nós!

BILLY: - Claro que sabem, seu idiota! Mas acha que vão se preocupar com 5 homens perdidos?

ADAM: - Pelo amor de Deus, isso não está acontecendo! Eles são nossos! Não podem atirar contra a gente...

SKINNER: - Diz isso pra eles!!!

Fade out.

[Som de bombas]

Fade in.

[Som: The Hero’s Return – Pink Floyd]

A floresta fechada. Som das bombas que caem do céu, destruindo folhagens, árvores e tudo o que está em seu caminho.

Eles correm por entre as folhagens, armados, tentando fugir do ataque aéreo. Sujos de lama, molhados, dois deles feridos. Corta para Skinner, sujo de barro até o rosto.

SKINNER: - (GRITA) Por aqui!

Os homens o seguem. Billy é atingido por uma das bombas. Skinner pára. Olha pra trás. Todd o puxa pelo braço.

TODD: - (GRITA) Vamos, senhor! Não há nada que possamos fazer.

Skinner fica olhando pra Billy caído ao longe. Todd o puxa.

TODD: - (GRITA) Vamos, senhor!

SKINNER: - (RAIVA) Malditos desgraçados! Estão matando os seus!

TODD: - (DESESPERADO) Vamos dar o fora, senhor! Eles não sabem que estamos aqui, não temos como nos comunicar. Não sabem que somos do mesmo time!

Skinner fica olhando pra Billy caído. Percebe que ele consegue se mexer e grita por ajuda. As bombas continuam caindo.

TODD: - Ele vai morrer, não temos como ajudá-lo!

Skinner dá as costas pra Todd e corre até Billy. Billy, machucado, com a perna estraçalhada, grita de dor.

BILLY: - Me ajuda!!! Walter, me ajuda!!!!! Eu não quero morrer!!!! Eles vão me matar!!!! O meu próprio país vai me matar!!! Ele é o nosso inimigo!

SKINNER: - Você não vai morrer.

Skinner o carrega nos ombros, fugindo pra outro lado, no meio da floresta, carregando o fuzil na mão.

[Som das bombas e gritos]

Skinner vira-se pra trás. Vê nitidamente seus outros três colegas serem arremessados ao longe por uma das bombas. Fecha os olhos, derrubando lágrimas.

SKINNER: - (GRITA DESESPERADO) Não... Deus, nãoooooooo!!!!!!!


TEMPO PRESENTE:

Mulder, com as lágrimas caindo pelo rosto, olha pra Skinner que derruba lágrimas também.

SKINNER: - Eu... Eu...

MULDER: - ... (MORDE OS LÁBIOS NERVOSO)

SKINNER: - Eu ouvia os gritos deles... Ouvia tudo... Som de bombas... Tiros de metralhadoras dos vietcongues... Gritos de dor desesperados de Billy... Corpos amarelos e brancos voando pra todos os lados... E-eu não sei de onde tirei forças pra correr com ele no meu ombro, por entre aquela mata, me atolando no barro, desesperado, com medo, ouvindo ele gritar de dor no meu ouvido...

Mulder põe a mão sobre os lábios, mais angustiado ainda.

SKINNER: - Eles nos viram, Mulder. O nosso próprio governo nos viu. Mas fingiu que não. Nos deixou morrer ali... Ainda atiraram contra a gente... Essa é apenas uma das versões da Guerra do Vietnam que nunca, ninguém jamais ouviu... O lado podre da guerra... Se é que alguma guerra possa ter um lado bom... Neste momento eu me envergonho...

MULDER: - ...

SKINNER: - O mais velho de nós tinha 25... Garotos jogados ali, que tinham uma vida pela frente. Apenas crianças.

Corte.


FLASH BACK:

[Som: The Gunners Dream – Pink Floyd]

Skinner coloca Billy no chão. Ele grita de dor. A perna ainda sangra muito. Barulho no meio da mata. Skinner vira-se apontando a arma. Frank, ferido sai do meio das folhagens. Skinner sorri.

BILLY: - (CHORANDO) Eu não quero morrer!!! Não me deixa morrer aqui!!!!!

SKINNER: - Calma, Billy. Ninguém vai deixar você morrer.

BILLY: - Me salva, Walter!!! O meu próprio governo quer me matar!!!

SKINNER: - Você vai ficar bem, nós vamos sair daqui.

Frank começa a rir. Está fora de si. Skinner olha pra ele.

FRANK: - Sair daqui... Não minta pra ele, sargento. Ele vai morrer aí. E servir de comida pros amarelos.

SKINNER: - (GRITA NERVOSO) Cala a boca, Frank!

Billy chora. Agarra o crucifixo que tem no pescoço.

BILLY: - Não me deixa morrer!!!!

SKINNER: - Não vou deixar você morrer.

Skinner pega a garrafinha de uísque que carregava no bolso.

SKINNER: - Bebe isso, Billy.

Billy começa a beber. Frank ri. Skinner continua olhando pra Billy. Ele começa a tremer. Sua muito.

BILLY: - Eu... (SORRI) É um garotão sabia?

Skinner segura as lágrimas.

BILLY: - Eu... eu vou viver... Eu quero ver meu filho... Vou ter ele nos meus braços... (COMEÇA A CHORAR)

Skinner segura as lágrimas.

BILLY: - (CHORANDO) Diz pra ela que eu a amo... Que ela foi a única mulher que eu amei na vida... Que eu só vim lutar porque fui obrigado... Diz que eu os amo...

SKINNER: - Não fala assim, Billy. Você vai viver.

BILLY: - ... Eu... Diz que eu amo o meu filho...

A voz de Billy vai sumindo. O sangue começa a ser expelido pela boca.

BILLY: - Walter...

Skinner aproxima o ouvido dos lábios dele.

BILLY: - (SORRINDO/ MURMURA/ SANGUE PELA BOCA) ... Olha... nos olhos do meu filho... por mim...

Billy pende a cabeça pro lado, num último suspiro, morrendo com os olhos abertos. Skinner chora, ajoelhado ao lado do corpo do amigo. Passa a mão sobre os olhos dele e os fecha.

SKINNER: - Não... Billy...

Skinner debruça-se sobre Billy e chora. Levanta-se. Cerra os punhos com ódio e grita com toda a força que tem.

SKINNER: - Malditos desgraçados! Eu vou vingar a sua morte! Eu juro que eu vou!!!!!

O grito de raiva dele ecoa por toda a floresta.


BLOCO 3:

Frank e Skinner caminham por um banhado. Roupas rasgadas. Sujos. Sanguessugas grudando pelo corpo. A chuva cai forte.

FRANK: - Odeio essas malditas sanguessugas! Odeio essa maldita floresta úmida e essa droga de chuva fodida que nunca pára de cair!

Frank tenta queimar as sanguessugas com o isqueiro, mas a chuva apaga o fogo.

FRANK: - Não temos mais esperanças.

SKINNER: - Eu tenho.

FRANK: - (RINDO) Eu preferia ter morrido lá atrás. Estamos quase sem balas! Esperança? (RI) Você tá brincando, né sargento?

SKINNER: - ... Pára de me chamar de sargento!

FRANK: - Se sair dessa, ‘sargento’, arranje um cargo onde possa dar ordens. Você adora isso.

SKINNER: - ...

FRANK: - Os vietcongues safados vão nos pegar. Vamos servir de mulher pra eles e depois vão nos retalhar até a morte e nos servir com arroz.

Skinner vira-se e o agarra pelo pescoço.

SKINNER: - (ÓDIO NOS OLHOS) Se abrir sua maldita boca de novo, eu te mato com as minhas próprias mãos!

Frank cala-se. Os dois saem do banhado. Sentam-se debaixo de algumas folhagens altas, se abrigando da chuva. Molhados. Tremendo de frio.

FRANK: - Acende uma fogueira, sargento.

SKINNER: - ...

FRANK: - Tá com medo dos Vietcongues? É só questão de tempo.

Skinner retira um baseado da jaqueta surrada. Acende. Dobra os joelhos e abraça-se nas pernas. Olhar cansado, perdido. Medo.

SKINNER: - (EM CHOQUE) Ele não queria estar aqui. Estava obrigado, porque era recruta. Se não fosse por isso, estaria agora com seu filho e sua mulher. Eu... E-eu não tinha nada a perder... Ele tinha...

FRANK: - Eu queria estar aqui. Sempre quis matar. Só precisava obter a licença.

Skinner olha pra ele com raiva.

SKINNER: - Está tão perturbado que sinto até pena de você.

FRANK: - Sinta pena de si próprio, sargento.

Skinner levanta-se. Coloca a arma no ombro.

FRANK: - Aonde vai?

SKINNER: - Achar a saída do inferno.

Frank levanta-se. Os dois caminham por entre a mata. Em silêncio. Armas em punho.

SKINNER: - Devem saber que estamos vivos...

FRANK: - Vamos ficar de olhos abertos.

Barulho por todos os lados.

FRANK: - (DESESPERADO/ AOS GRITOS) Emboscada!!!!!!!!

Eles começam a atirar. Vietcongues saem por todos os lados.

SKINNER: - (GRITA) Corre!

Skinner e Frank saem correndo pelo meio da mata.


TEMPO PRESENTE:

Skinner coloca gelo no copo. Mulder bebe também.

SKINNER: - Nos pegaram numa emboscada... Eu levei um tiro na perna. Frank parou. Eles haviam nos pegado. Nos arrastaram pela selva. Como animais. Frank tentou reagir e acabou tomando uma coronhada com um fuzil. Eles falavam coisas que eu não conseguia entender. Mas uma das palavras me era bem familiar: matar.

Mulder olha apavorado.

SKINNER: - Nos levaram pra um de seus acampamentos na selva. Nos bateram, torturaram, colocaram facas em nossas gargantas... Enfiaram nossas cabeças dentro de barris de estrume. Eles queriam saber onde estavam os outros. Eu respondia no meu pobre conhecimento da língua deles que éramos os únicos. Mas eles não queriam entender. Foi quando um deles chegou segurando uma cabeça decepada pelos cabelos.

MULDER: - Uma cabeça?

SKINNER: - ... Era a cabeça de Billy.

Mulder fecha os olhos.

SKINNER: - Como não acreditassem em nós, e eu não podia culpá-los por isso, nos levaram de volta pra selva. Nos mandaram correr.

MULDER: - ...

SKINNER: - Eu sabia que isso significava o fim. Mas numa hora dessas, você prefere correr e morrer a tiros, mesmo que já não sinta uma das pernas, a ficar e ser degolado.

MULDER: - ...

SKINNER: - Havia duas opções pra morrer, Mulder. Eu preferi a primeira... Então corri. Eu estava com uma bala na perna esquerda e sabia que não tinha chances. Alguns metros adiante, eu senti o impacto das balas atravessando as minhas costas e saindo pelo meu peito. Eu via sangue e pedaços do meu corpo espirrarem pra fora dele. Voavam bem na minha frente. Então eu caí de joelhos no chão e pendi meu corpo pra frente. Naquele momento eu senti o sangue vir pela minha garganta. Eu era mais um soldado morto.

Corte.


FLASH BACK:

[Som: The Paranoid Eyes – Pink Floyd]

Skinner caído por cima de folhas mortas e lodo. Olhar ao longe. A chuva continua caindo, aumentando a poça de sangue ao redor dele, que cada vez mais cobre de vermelho o lodo e as folhas amareladas. As costas de Skinner parecem mais uma peneira, cravada de balas.

Skinner vê Frank cair a poucos metros dele. Frank grita. Os vietcongues se aproximam e o degolam com um facão. Os respingos de sangue cobrem o rosto de Skinner. Ele, cansado, fecha os olhos e dá o último suspiro.

Os vietcongues se aproximam dele. O chutam. Falam alguma coisa. Vão embora.


TEMPO PRESENTE:

Skinner bebe. Mulder olha pro nada, ainda estarrecido.

SKINNER: - Então... Eu... eu senti meu corpo flutuar nas nuvens... estava no meio de uma neblina... Sentia-me seco, aquecido, eu... eu me sentia em paz. Não havia dor...

MULDER: - ...

SKINNER: - Então eu vi aquela luz... um túnel... percebi que tinha morrido. Vi vários soldados que estavam mortos...

MULDER: - ... (MULDER SEGURA AS LÁGRIMAS)

SKINNER: - Eu comecei a ir atrás deles. Mas ela apareceu.

MULDER: - ...

SKINNER: - Aquela mulher...

MULDER: - O sucubus... Sucubus são espíritos femininos que se apegam a homens encarnados com intenção sexual.

SKINNER: - ... Ela me levou pra fora dali.

MULDER: - E o que aconteceu depois?

SKINNER: - Eu... Eu não tinha noção de tempo naquele lugar. Eu ouvia soldados americanos falando. Vi eles colocarem meu corpo contra uma árvore. Vi a cabeça de Frank sendo colocada ao lado do meu corpo. Eu via tudo, mas não estava em mim, entende?

MULDER: - Entendo... Como entendo.

SKINNER: - Eu... Eu comecei a ficar com medo. Gritava que estava vivo, mas eles não me ouviam. Deram as costas e nos deixaram ali. Era um batalhão, não era o resgate. Seguiram adiante.

MULDER: - ...

SKINNER: - Então eu me vi dentro do meu corpo de novo. Sentia dor. Não podia me mexer. Eu não acreditava que pudesse estar respirando de novo. Estava jogado ali, entorpecido... Eu pedia pra que aquela luz voltasse, porque eu não ia sair dali de outro jeito. Então eu vi aquela mulher de novo. Ela me sorria. Eu desmaiei, a dor era insuportável.

MULDER: - ...

Skinner levanta-se, nervoso. Caminha de um lado pra outro.

SKINNER: - Como eu disse, não havia noção de tempo. Poderiam ter sido horas, dias, meses... Eu abri meus olhos. E a vi.

MULDER: - Quem? O Sucubus?

SKINNER: - O que hoje eu vejo como a ajuda que o sucubus me mandou... Yasmin.

MULDER: - ... Yasmin?

SKINNER: - Uma menina vietnamita, poucos anos a menos do que eu. Ela me fitava curiosa. Eu tentei pedir ajuda, mas ela estava com medo de alguma coisa.

Fade.


FLASH BACK:

Yasmin, uma garota vietnamita de seus 16 anos. Ajoelhada ao lado de Skinner. Ela o observa curiosa. Skinner só consegue mover os olhos. Ela olha pra ele como quem apenas vê mais um soldado ferido. Com olhos de quem não se espanta com o terror por ter presenciado ele há muito tempo.

Skinner olha pra ela.

SKINNER: - (MURMURA) Me ajuda...

Ela olha mais estranha pra ele.

SKINNER: - ... Você... Fala a... minha língua?

YASMIN: - ...

Skinner cai desmaiado. Yasmin levanta-se e sai correndo pelo meio da mata, numa agilidade de quem conhece todas as trilhas.


TEMPO ATUAL:

Skinner olha pela janela.

SKINNER: - Quando acordei, estava deitado numa cama de palha de milho. O primeiro rosto que eu vi foi o dela. Então me virei e vi um velho homem, com um chapéu de palha vietnamita, que mais tarde vim a saber que era seu pai. Ele falava algo em sua língua, e eu não conseguia entender mais do que poucas palavras como: você deve ir, eles virão atrás de você... tenho uma família...

MULDER: - ...

SKINNER: - Foi quando descobri que estava ali há 3 dias, desacordado. Ela cuidou de mim. Era a única filha de uma família de 3 irmãos. Sua mãe havia morrido nas mãos dos vietcongues. Ela tomava conta da casa, do velho pai e dos irmãos. (SORRI) Era a garota mais bela que eu já tinha visto.

Mulder sorri.

SKINNER: - Mesmo com todo aquele medo e sofrimento estampado no rosto... Fiquei ali por meses, tentando me recuperar, e ao mesmo tempo tentando encontrar um meio de me comunicar com a base americana. Pra não ser um transtorno, eu comecei a ajudar no plantio de arroz... (SORRI) Sabe que é bem divertido?

MULDER: - Imagino... Ficar num aguaceiro, com as calças dobradas até o joelho, enfiando a mão no lodo, debaixo do sol... Aposto que você devia estar uma gracinha...

SKINNER: - (SORRI) A única recordação boa daquilo tudo foi ela. Ela e a família dela. Seu pai conversava comigo e eu comecei a entender algumas coisas. No final de tarde ele sentava-se na varanda da casa de sapê e ficava me contando histórias dos antepassados dele, enquanto preparava um cigarro de palha. O que eu não entendia, Yasmin me traduzia. Ela sabia algo da nossa língua, porque conviveu com muitos soldados durante anos... Eles paravam naquela aldeia que era campo americano. Mas na hora em que eu precisei, eles não apareceram.

MULDER: - (SORRINDO)

SKINNER: - O que foi?

MULDER: - Bom, ela tinha 16, você uns 18... Eu não acredito que o velho e fantástico coração adolescente, aberto a paixões e à vida, não tenha se manifestado...

SKINNER: - ... (SORRI) Não... Esses detalhes não importam...

MULDER: - Ah, qual é ô big boss? O diretor assistente não tá aqui. Ele não vai saber. O agente Mulder também, ele foi tomar uma cerveja... Só o Fox e o Walter ficaram fofocando...

SKINNER: - (SORRI) Sei o que quer saber, Mulder... Era impossível não me apaixonar por ela... quando pela manhã ela escovava seus cabelos pretos e brilhantes contra o sol, sentada num banco na frente da casa.

MULDER: - (SORRI) E as mulheres nunca percebem o quanto nos chamam atenção nesses mínimos detalhes cotidianos...

SKINNER: - (RELEMBRANDO NUM SORRISO) Ela tinha olhos que brilhavam vida... Olhos puxados, negros... Pele tostada do sol... Ela cheirava a flores.

MULDER: - (SORRI) Foi algo recíproco?

SKINNER: - Foi. (DEBOCHADO) Mas naquela época eu ainda tinha cabelos...

MULDER: - (RINDO) É, tio... A gente vai envelhecendo... Isso é inevitável... Barriga aparecendo, rugas, cabelos branqueando... E o desespero de perder a juventude.

SKINNER: - Acho que é o desespero de perder a coragem da juventude.

MULDER: - (DEBOCHADO) E então? Foi namoro ou amizade?

SKINNER: - ... Acho que foi namoro.

Mulder faz um gesto com os braços.

MULDER: - Yes!

SKINNER: - (SORRINDO) Mas foi breve, porque logo os soldados vieram e eu fui embora com eles...

MULDER: - Ah, pula essa parte. Eu tô gostando da história. Me conta o lado romântico disto.

SKINNER: - (INCRÉDULO) Romântico?

MULDER: - É. Eu posso parecer um lunático, fissurado em briga e discos voadores, mas eu aprecio um bom romance... Entre nós, chorei todas as vezes que vi Love Story.

Skinner abaixa a cabeça e ri.

MULDER: - É sério. E a pobre Scarlet?... (PENSATIVO) Sabe que a Scully me lembra a Scarlet? Todas as vezes que ela se ergue de uma catástrofe, sempre imagino a Scarlet Scully no alto daquela planície, cerrando os punhos e gritando: Por Deus que eu nunca mais terei fome!

Skinner começa a rir. Mulder olha debochado pra Skinner.

MULDER: - Imaginou a cena?

SKINNER: - Claro. Por isso estou rindo. E por isso nunca mais vou assistir ‘E o vento levou’ sem começar a rir no meio da tragédia toda... Vão me achar louco...

Mulder começa a rir.

MULDER: - Tá, fala. Conta o quanto foi intenso isso. Faz de conta que sou seu psicólogo. (DEBOCHADO) Aliás, quando eu ficar mais velho e mais tarado, vou montar um consultório só pra ouvir casos frustrados e quentes. Já que não vou mais funcionar mesmo, vou ficar pelo menos ouvindo e imaginando...

Skinner balança a cabeça.

SKINNER: - Mulder, você não tem jeito mesmo.

MULDER: - Então?

SKINNER: - Foi... mágico. Sob a luz do luar. No campo.

MULDER: - (BOQUIABERTO) Walter? É você mesmo?

SKINNER: - (SORRI) ... Eu... eu a amava. Amava tanto que não conseguia escolher se ficava ou voltava. Mas não havia escolha. Eu era americano, nunca poderia ficar ali sem arranjar encrencas com o governo deles.

MULDER: - É... (DEBOCHADO) Cada dia que passa, me surpreendo mais com os ‘comportadinhos e sérios’ do FBI.

SKINNER: - (RINDO) Eu nunca disse que era comportadinho e sério.

MULDER: - Nem a Scully. Nem o Chuck.

SKINNER: - (CURIOSO) O que tem o Chuck?

MULDER: - Ah, não sabe? Pois ele anda muito curioso sobre um Arquivo X. Já o peguei três vezes com a orelha colada na porta da minha sala.

Skinner começa a rir.

MULDER: - É, o velho Chuck está desconfiado... Quando passa por mim solta aquele sorriso safado dele. Quando eu tô com a Scully, claro que sem ela ver, ele faz um sinal de positivo com a mão.

SKINNER: - (RINDO) ...

MULDER: - Ele é um cara legal, mas... Eu não posso abrir nada. Apesar de que as fofocas ficam correndo sobre a estranha gravidez da Scully e o pai que ninguém descobriu. Sabe o que eu descobri? 45% do Bureau acha que ela fez um aborto porque o cara era casado. 25% desconfiam de mim e acusam meus péssimos genes retardados e a péssima escolha dela, por ter perdido o filho, achando que a criança não nasceu viva. 5%, pertencentes à cúpula, sabem a verdade. 10% acham que você está envolvido.

SKINNER: - (INCRÉDULO) Eu?

MULDER: - É.

SKINNER: - E os outros 15%?

MULDER: - Colocaram a culpa na cegonha.

SKINNER: - Mulder como sabe isso?

MULDER: - Tenho uma amiga na Central de Informação do Bureau.

SKINNER: - Que departamento é esse?

MULDER: - Telefonia.

SKINNER: - Ah!

Mulder levanta-se. Vai pra cozinha. Skinner sorri.

SKINNER: - Eu... Eu e a Scully... De onde tiraram essa?

MULDER: - Você é o chefe dela, queria o quê? Se não tem mordomo na história, o chefe sempre é o culpado.

SKINNER: - Mulder... Acha que vai encontrar o seu filho?

MULDER: - Não me conhece ainda, Skinner?

Ele volta pra sala. Serve gelo nos copos. Senta-se.

MULDER: - Eu sou teimoso. Teimoso como uma mula. Acha que estou errado?

SKINNER: - Não. Se eu tivesse um filho perdido, eu iria atrás dele... Mulder, me desculpa por aquele outro dia... eu estava angustiado com isso tudo... E descontei em vocês dois...

MULDER: - Tudo bem, Skinner. Eu também não vi a enguia.

SKINNER: - ???

MULDER: - Eu fui atrás da informação. Quem viu a enguia foi a Scully.

Skinner começa a rir.

MULDER: - (DEBOCHADO) Precisava ver a cara dela: (IMITANDO SCULLY) Mulder, precisava ver o tamanho da enguia! Era descomunal! Em todos esses anos eu nunca vi nada daquele tamanho. A ciência não poderia explicar como um animal daqueles evoluiu tanto... Isso é inacreditável! Segundo a Teoria de Darwin...

SKINNER: - (RINDO)

MULDER: - Ela ficou muito encantada com o tamanho da enguia. Acredite. Ainda teve a cara de pau de dizer que estava fascinada com aquela nova descoberta, que era uma maravilha da natureza.

SKINNER: - (RINDO) Qual a sua ironia ao ouvir isso? Porque eu sei que você largou uma das grandes.

MULDER: - Não. Eu fui bonzinho. Disse que quando ela chegasse no hotel, eu ia mostrar outra maravilha da natureza pra ela que nem Darwin explicaria. Que se ela tocasse na minha enguia, com certeza, levaria um choque e ficaria elétrica.

Skinner abaixa a cabeça e ri. Mulder olha pra ele.

MULDER: - Tá, eu não quero falar da Scully. Quero saber o que aconteceu entre você e a bela e exótica vietnamita.


BLOCO 4:

FLASH BACK:

Tardinha

O sol já está desaparecendo por sobre a floresta. Yasmin vem caminhando do campo de arroz. Carrega contra os quadris uma cesta. Na cabeça um chapéu de palha. Aproxima-se da casa. Skinner vem a seu encontro.

SKINNER: - Me deixa te ajudar.

YASMIN: - Obrigada.

Ele pega a cesta e leva pra dentro. Ela senta-se na escada da varanda. Olha pro horizonte. Skinner aproxima-se dela. Senta-se a seu lado.

SKINNER: - Obrigada.

YASMIN: - Pelo quê?

SKINNER: - Por me salvar. Por cuidar de mim. O inimigo.

YASMIN: - Ora... Pouco me importa se você é americano. Eu ajudaria qualquer pessoa que estivesse em uma situação difícil.

SKINNER: - Não sente raiva de mim?

YASMIN: - Por quê?

SKINNER: - Por estar matando seu povo?

YASMIN: - Você não está matando meu povo. Seu país está interferindo numa guerra do meu povo contra meu povo.

SKINNER: - ...

YASMIN: - O seu país. Você só cumpre ordens. E ama seu país como eu amo o meu.

Skinner olha pro horizonte. Ela suspira.

YASMIN: - Queria ver os campos do Vietnã novamente floridos. Eu queria ver o meu povo em paz. Sem miséria, sem fome, sem mortes... Mas eu só tenho16 anos. O que entendo sobre isto tudo?

SKINNER: - ... Recebi um recado do seu irmão.

Ela fecha os olhos.

SKINNER: - Eles estão vindo. Voltarei com eles.

Ela fica em silêncio, segurando lágrimas nos olhos amendoados. Skinner olha pra ela.

SKINNER: - Eu não vou.

Ela olha pra ele.

YASMIN: - Por que não voltaria pros seus?

SKINNER: - ... Porque eu te amo.

Ela derruba as lágrimas e segura o rosto dele com as mãos.

YASMIN: - Amo você também, Walter. Mas não seria justo que ficasse.

SKINNER: - Então vem comigo.

YASMIN: - Não posso. Minha família precisa de mim.

SKINNER: - Então e ficarei e tomarei conta de vocês.

YASMIN: - Não. Seu lugar é na América. Não aqui. Aqui não há nada pra você, Walter. Nunca poderá chegar a algum lugar ficando aqui. E eu sei que é ambicioso. Mundos diferentes, Walter. Objetivos diferentes. Você quer uma carreira. Eu quero o meu campo de arroz. E lutar pra que o Vietnam volte a ter paz em seus campos.

Skinner aproxima os lábios dos dela. Eles trocam um beijo.


Noite

Skinner não consegue dormir. Está sentando no meio do campo, olhando pras estrelas. Sente a mão em seu ombro. Vira-se assustado.

SKINNER: - (SORRI) Ah, é você...

YASMIN: - Não deveria estar fora da casa sozinho aqui. É perigoso. Sabe que os Vietcongues estão na floresta.

SKINNER: - Não consigo dormir.

Ela senta-se ao lado dele. Ele a envolve nos braços. Os dois ficam olhando pro

céu.

YASMIN: - Por que não consegue dormir?

SKINNER: - Porque amanhã cedo eu partirei.

YASMIN: -... Também não consigo dormir.

Ela olha pras estrelas.

YASMIN: - As estrelas no céu do seu país brilham assim?

SKINNER: - Brilham. Mas são outras. Não conheço estas estrelas.

YASMIN: - Sabe que são estrelas mágicas?

SKINNER: - E o que isso significa?

YASMIN: - Que pode pedir qualquer coisa pras estrelas.

SKINNER: - ... (FECHA OS OLHOS)

YASMIN: - O que pediu?

SKINNER: - Posso contar?

YASMIN: - Pode.

SKINNER: - Que você voltasse pra mim um dia.

Ela olha pra ele. Sorri meigamente. Continuam ali abraçados, dois jovens enamorados.

YASMIN: - Sabe, Walter... Você é diferente dos outros rapazes americanos que conheci.

SKINNER: - Por quê?

YASMIN: - Eles passavam a mão em mim... Diziam que queriam ver se as vietnamitas eram diferentes das americanas... Diziam coisas horríveis. Meu pai me escondia dentro da casamata... Tem medo de que eles tentassem alguma coisa contra mim. Ser uma garota num momento como esse é algo perigoso.

SKINNER: - Seu pai tem razão. Deve proteger você.

YASMIN: - Você nunca me tocou. E eu gosto disso, do seu respeito. Por me tratar como pessoa. Não como um objeto, uma vingança política.

Ela senta-se na frente dele. Segura em suas mãos.

YASMIN: - Me promete que nunca vai esquecer de mim?

SKINNER: - Eu prometo.

YASMIN: - Também prometo.

Ela retira do bolso da saia um coraçãozinho feito com palha. Entrega pra ele.

YASMIN: - Fiz isso. Pra que se lembre de mim.

Ele sorri. Pega o presente nas mãos. Olha pra ela. Ela leva as mãos até os cabelos e os solta. Skinner a admira.

Yasmin abaixa a cabeça. Começa a desabotoar sua blusa.

SKINNER: - Yasmin...Não.

YASMIN: - Eu nunca deixei ninguém me tocar. Mas eu quero que você seja o primeiro a fazer isso. Porque as lembranças nunca morrem. E eu quero relembrar de você como a pessoa que eu amei.

SKINNER: - Yasmin... Não sei se...

YASMIN: - Walter, eu quero que seja com você. Meu coração me pede isso.

SKINNER: - Eu amo você, Yasmin. Eu amo você.

Os dois se abraçam, caindo pela relva.


TEMPO ATUAL:

Mulder olha pro nada. Skinner levanta-se.

SKINNER: - Acho que vou embora.

MULDER: - ...

SKINNER: - Mulder, o que foi?

MULDER: - ... Não é justo.

SKINNER: - O que não é justo?

MULDER: - O destino. Ele não é justo. Por que é tão difícil ser feliz?

SKINNER: - Não me pergunte, Mulder. Eu não tenho as respostas.

Mulder levanta-se. Pega o telefone. Entrega pra Skinner.

SKINNER: - O que...

MULDER: - Liga pra ela.

SKINNER: - ...

MULDER: - Liga pra ela, Skinner. Vai atrás dela. Deixa tudo de lado, e tenta ser feliz. Eu não sou mais um cego. Posso te dizer que vale a pena. O preço é alto, mas vale a pena.

SKINNER: - ...

MULDER: - Você chegar em casa e ter aquela mulher, não uma qualquer, mas aquela que escuta você, que te toma nos braços, te afaga os cabelos e você se esquece de todo o mundo nos braços dela. Vai Skinner. Vai atrás da sua felicidade.

Skinner sorri. Pega o telefone. Mulder senta-se, apreensivo.

SKINNER: - ...Yasmin? ... Sou eu, Walter... Sei que são 3 da manhã, mas eu preciso muito falar com você.

Mulder faz figa com os dedos.

SKINNER: - ... Certo. Encontro você lá.

Mulder levanta-se, fazendo um gesto com as mãos.

MULDER: - Yes!

Skinner desliga. Olha pra Mulder, sorrindo.

SKINNER: - Te devo essa.

MULDER: - Fica pela ruiva que você me deu.

SKINNER: - (SORRI) ... Mulder... Obrigado.

MULDER: - Vai, tá atrasado. Elas não gostam de esperar.

Skinner caminha até a porta. Mulder abre a porta pra ele.

SKINNER: - O que eu falo pra ela?

MULDER: - O que o coração quiser dizer.

Skinner abaixa a cabeça e sorri. Sai. Mulder fecha a porta. A porta do quarto abre-se. Scully sai, vestida numa camisola, com cara de sono.

SCULLY: - O Skinner saiu daqui agora?

MULDER: - ... Sim.

SCULLY: - ...

MULDER: - Obrigado por entender que eu precisava do meu espaço pra um amigo.

Ela se abraça nele. Ele se abraça nela. Sorri.


Apartamento de Skinner – 4:22 A.M.

Skinner abre a porta. Yasmin entra. Skinner atrás dela, fecha a porta.

YASMIN: - Bonito lugar.

SKINNER: - Eu havia alugado uma casa, mas era grande demais pra uma pessoa.

A primeira coisa que ela vê na estante é o coraçãozinho de palha. Ela aproxima-se. O pega nas mãos. Skinner não percebe.

SKINNER: - Quer alguma coisa pra beber?

YASMIN: - ...

Skinner olha pra ela. Ela vira-se pra ele, segurando o objeto nas mãos, com lágrimas nos olhos.

YASMIN: - Você guardou...

SKINNER: - Por que eu não guardaria?

YASMIN: -... Quero que saiba que este coração não é o único símbolo de nós dois, do amor puro que vivemos...

SKINNER: - ... As lembranças...

YASMIN: -... O que queria me falar?

SKINNER: - ... Eu amei você com todas as minhas forças e confesso que vivi anos em arrependimento. Eu jamais deveria ter deixado você. Jamais. E carrego essa culpa por isso.

YASMIN: - Foi melhor assim, Walter. Acredite, nunca sabemos de nada. Sempre ficamos na dúvida, questionando o destino. Foi melhor assim, Walter... Foi melhor assim.

Skinner aproxima-se dela e segura suas mãos. Ela fecha os olhos. Ele a beija, suavemente, com carinho.

SKINNER: - Yasmin... Eu te amo. E eu quero que você fique comigo. Pra sempre. Sem guerras, sem pesadelos... No esconderijo de algum campo estrangeiro...

Ela se abraça nele, chorando. Ele afaga os cabelos dela. Ela afasta-se. Leva as mãos aos cabelos e os solta. Ele sorri a admirando. Ela lhe dá um sorriso meigo, entre as lágrimas.


7:00 A.M.

O despertador toca. Skinner estende o braço e o desliga. Vira-se na cama. Yasmin não está. Skinner senta-se na cama. Olha pro travesseiro ao seu lado. Há apenas um coraçãozinho de palha. Ele sorri. O pega nas mãos. Levanta-se e vai pra sala. A procura e não a encontra. Caminha até a cozinha. Há um café preparado pra ele sobre a mesa. E um punhado de grãos de arroz sobre o pires. Skinner sorri. Aproxima-se. Debaixo da xícara, há um bilhete.


FBI - Gabinete do diretor-assistente 8:21 A.M.

Mulder entra. Skinner está com o olhar perdido, olhando pela janela. Mulder olha pra ele.

MULDER: - Pensei que não viesse hoje.

Skinner vira-se pra Mulder. Olhos inchados de chorar. Mulder cerra as sobrancelhas com tristeza.

MULDER: - Ela...

SKINNER: - ...

MULDER: - Quer falar?

SKINNER: - ...

Skinner respira fundo. Mulder senta-se. Skinner parece que tem a saliva trancada na garganta.

SKINNER: - ... Ela foi embora.

MULDER: - Como assim?

SKINNER: - Passamos a noite juntos... Mas ela me deixou um bilhete dizendo que este não era o lugar dela. Que ela precisava voltar. Mas que voltava em paz, sabendo que eu ainda a amava e que conseguiu me encontrar.

MULDER: - Ela voltou pro Vietnam?

SKINNER: - Eu tentei localiza-la na lista de passageiros de todos os vôos programados pra hoje e... Nada. Mulder, eu preciso encontrar essa mulher.

MULDER: - ... (OLHA PRO AMIGO COM PIEDADE)

Skinner abaixa a cabeça.

SKINNER: - Eu preciso...

Mulder levanta-se.

MULDER: - Pegue seu paletó, Skinner. Temos uma investigação federal de urgência em andamento.

Skinner olha pra ela.

MULDER: - Mexa esse traseiro daí, Skinner. Vamos achar a sua garota vietnamita que tem cheiro de flores e cabelos sedosos.

Skinner levanta-se. Mulder abre a porta. Os dois saem. A secretária está ao telefone. Desliga.

SECRETÁRIA: - Um momento, senhor.

Skinner pára.

SECRETÁRIA: - Tem alguém na portaria querendo lhe falar.

SKINNER: - Quem?

SECRETÁRIA: - Um homem chamado Max. Diz que é filho de uma amiga sua, chamada Yasmin.

Mulder olha pra Skinner.

SKINNER: - Diga pra deixarem ele subir. Estou o aguardando na minha sala.

Skinner olha pra Mulder. Mulder sai. Skinner entra na sala.


8:43 A.M.

Skinner sentado à sua mesa. A secretária abre a porta. Skinner ergue a cabeça. Um jovem moreno, alto, forte e bonito entra. Olhos puxados. Skinner levanta-se. A secretária fecha a porta.

SKINNER: - Por favor, Max. Sente-se.

O rapaz olha pra ele admirado. Senta-se.

MAX: - Eu... Eu não deveria ter vindo até aqui e...

SKINNER: - E sua mãe? Como ela está?

MAX: - ???

Skinner olha pra ele. Ele ainda olha pra Skinner.

MAX: - Não me lembro da minha mãe. Ela morreu quando eu tinha um ano de idade. Na guerra. Invadiram a aldeia e a mataram.

Skinner encosta-se na cadeira, pasmo, confuso. O rapaz parece tão nervoso quanto.

MAX: - Eu... Eu só vim até aqui porque achei isto no meu quarto e... não sei como foi parar lá.

Ele retira um cartão de visitas do bolso. Coloca sobre a mesa. Skinner, ainda nervoso pega o cartão. Percebe que foi o cartão que dera pra Yasmin.

MAX: - Tinha seu telefone e... Eu resolvi vir procurar...

SKINNER: - ...

MAX: - E... meu avô sempre me falava de você e queria que eu lhe entregasse isso.

O rapaz retira do bolso um papel envelhecido e dobrado. Entrega pra Skinner.

MAX: - Ele achou nas coisas de mamãe. Ela escreveu um poema pra você.

O rapaz levanta-se. Skinner olha pra ele.

SKINNER: - Está morando aqui?

MAX: - Sim, em Virgínia... Eu... Eu vim pra cá quando pequeno com um tio... Ele me criou.

SKINNER: - ...

O rapaz estende a mão pra ele.

MAX: - Foi um prazer conhecer você... o senhor.

Skinner levanta-se, ainda em choque.

SKINNER: - Max...

MAX: -...

Skinner entrega o seu cartão de volta.

SKINNER: - Se precisar de mim, me procure. Não fique constrangido por isso. Sua mãe foi muito importante na minha vida. E eu quero devolver todas as coisas que ela fez por mim.

Max sorri. Abre a porta. Vira-se.

MAX: - Desculpe a indelicadeza... Mas meu avô disse que... Vocês foram namorados.

SKINNER: - ... (SORRI) Sua mãe foi o maior amor que eu tive na vida. Agora, mais do que nunca, eu tenho certeza disso.

Max sorri. Sai, fechando a porta atrás de si. Skinner senta-se na cadeira e começa a chorar.


11:16 A.M.

[Som: The Post War Dream – Pink Floyd]

Skinner ao lado de Mulder. Os dois observam as lápides brancas dispostas em quilômetros.

SKINNER: - Não sei o que viemos fazer aqui.

MULDER: - ... Acho que precisava ver seus amigos. Talvez se livre dos sonhos ruins. Talvez aquele soldado esteja aqui.

SKINNER: - Talvez... Quem sabe quem está aqui?

MULDER: - ... Skinner... Sinto muito pela Yasmin.

Mulder afasta-se, cabisbaixo, caminhando com as mãos nos bolsos. Skinner observa as lápides. Percebe um rapaz ao longe, observando também. Skinner sente um impulso e vai até ele.

SKINNER: - Olá.

O rapaz olha pra Skinner.

RAPAZ: - Olá.

Os dois olham pros túmulos. Skinner percebe que o rapaz chora.

SKINNER: - Algum parente?

RAPAZ: -... Sabe que todos me dizem que ele era um covarde. Um comunista. Mas eu não quero acreditar nisso.

SKINNER: - ...

O rapaz olha pra Skinner. Estende a mão.

RAPAZ: - Desculpe. Meu nome é Lennon McPherson.

Skinner olha pra ele, incrédulo. Olha em seus olhos.

SKINNER: - Saiba que seu pai foi o homem mais corajoso que eu conheci. Ele era o único soldado consciente da ignorância daquela guerra. E ele lutou. Bravamente. Mesmo não concordando com aquilo. Ele não teve medo de encarar o perigo. Seu pai foi um herói.

O rapaz sorri, aliviado. Skinner afasta-se. Caminha ao lado de Mulder.

SKINNER: - Engraçado a vida...

MULDER: - Por quê?

SKINNER: - Acabei de cumprir uma promessa. Eu olhei nos olhos dele.

Mulder vira-se e olha pro rapaz. Olha pra Skinner num sorriso.

MULDER: - Lennon?

SKINNER: - Sim... Talvez agora o sonho vá embora. Eu sei quem era aquele soldado que me pedia ajuda.

MULDER: - Parabéns, Skinner. Estou com inveja de você. Dois Arquivos X, um atrás do outro...


Apartamento de Skinner – 1:39 A.M.

Câmera de aproximação lenta até o quarto. Skinner dorme de bruços, entre os lençóis.

Fade.

A floresta fechada. Som das bombas que caem do céu, destruindo folhagens, árvores e tudo o que está em seu caminho.

Cinco soldados americanos correm por entre as folhagens, armados, tentando fugir do ataque aéreo. Sujos de lama, molhados, dois deles feridos. Corta para Skinner, (na mesma idade atual), num uniforme de fuzileiro, sujo de barro até o rosto.

SKINNER: - (GRITA) Por aqui!

Os homens o seguem. Um deles é atingido por uma das bombas. Skinner pára. Olha pra trás. O soldado 1 o puxa pelo braço. Skinner olha pra ele. Vê o rosto de um homem desconhecido.

SOLDADO 1: - (GRITA) Vamos, senhor! Não há nada que possamos fazer!

Skinner fica olhando pro soldado caído ao longe. Também não vê seu rosto. O soldado 1 o puxa.

SOLDADO 1: - (GRITA) Vamos, senhor!

SKINNER: - (RAIVA) Malditos desgraçados! Estão matando os seus!

SOLDADO 1: - (DESESPERADO) Vamos dar o fora, senhor! Eles não sabem que estamos aqui, não temos como nos comunicar. Não sabem que somos do mesmo time!

Skinner fica olhando pro soldado caído. Percebe que ele consegue se mexer e grita por ajuda. As bombas continuam caindo.

SOLDADO 1: - Ele vai morrer, não temos como ajudá-lo!

Skinner dá as costas. Pára. Corre em direção ao soldado caído, sem dar ouvidos ao outro. Skinner aproxima-se. O soldado está de bruços, gemendo de dor, todo sujo de sangue. Skinner o vira. Arregala os olhos.

MULDER: - Me ajuda!!! Walter, me ajuda!!!!! Eu não quero morrer!!!! Eles vão me matar!!!! O meu próprio país vai me matar!!! Ele é o nosso inimigo!

Skinner acorda num sobressalto. Coração disparado. Respiração tensa. Fecha os olhos.

Skinner começa a chorar. Olha pra cômoda. Estende o braço e pega o coraçãozinho de palha, apertando conta o coração.

Aos poucos vai ficando mais calmo. Sorri.

SKINNER: - Entendi, Mulder. Agora eu entendi o que você queria me dizer...

Fade out.


[Som: The Gunners Dream – Pink Floyd]

Fade in.

Geral da rua. Na calçada, Max, com as mãos no bolso da jaqueta observa o apartamento de Skinner. Sorri.

MAX: - Não tive coragem... Mas foi bom te conhecer. Você realmente é mais do que eu esperava. Muito mais do que as pessoas diziam... Meu pai.

Max sai caminhando pela calçada.

As estrelas no céu brilham, como se cada desejo do mundo, fosse realizado.


X

20/09/2000

9 Août 2019 03:05:51 0 Rapport Incorporer 1
La fin

A propos de l’auteur

Lara One As fanfics da One são escritas em forma de roteiro adaptado, em episódios e dispostas por temporadas, como uma série de verdade. Uma alternativa shipper à mitologia da série de televisão Arquivo X. https://www.facebook.com/laraone1

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